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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Covid ou nao Covid? Continua a duvida.

Sao 5 da manha e vou tentar dormir para acordar as 7.30.

Dez minutos depois de ter escrito aqui respostas aos comentarios do ultimo post, envio uma mensagem ao rapaz da casa, para saber como se sente. Ouvi-o a vomitar no wc.

Nada disse (nunca diz) e por ser muito tarde nao o quis importunar pessoalmente. Desligo a luz. O primeiro dia de trabalho num novo emprego ia começar em poucas horas. E ainda tenho o noturno com que me preocupar. E muito importante descansar. Entre os dois, tenho apenas 4h para dormir e a meio da tarde. Nada mais.

Mais dez minutos e oiço a rapariga a sair do quarto para abordar o rapaz. Chamam o meu nome pela porta. Abro. Ela diz que temos de chamar uma ambulancia. Pego no telemovel e disco o nimero de emergencia: 999.

Nao vos conto mais nada, mas foi exaperante. Basta contar que a primeira chamada foi feita as 1.15am e a ambulancia apareceu as 4.00am.

O rapaz tinha dores no peito e dificuldade em respirar. Um provavel bloqueio numa veia perto do coracao. E talvez Covid. Quem sabe?

Espero que ele fique bem. É boa pessoa. A rapariga tambem. Louca, mas boa gente.

Se vim para esta casa existe uma razao. E ja gosto deles e me preocupo com o seu bem estar, mesmo que nao venhamos a ser grandes ou intimos amigos.

Estamos todos no mesmo barco e temos de nos ajudar mutuamente. Sem familia por perto. Se o covid aparecer nesta casaz terei de ser cuidadosa com a minha familia do outro lado do atlantico.

Mas vao ser estas as pessoas que terao de me auxiliar. E eu elas. Nao podia ter calhado melhor, diante da alternativa.

Bom, vou tentar descansar. Duvido que adormeça. O rapaz levou morfina, tomou aspirina e foi para a ambulancia amparado por duas paramedicas. Fizemos-lhe uma mala de roupa, metemos o passaporte e o telemovel com carregador. Espero que nos de noticias.

No meio desta comocao, como estamos numa casa e aqui deixa-se a porta aberta, as 4 da manha uma rapariga loura toda produzida surge do nada a pedir o telemovel para chamar um taxi porque o namorado deixou-a ali. Fria, sem querer saber da comocao, sem interagir. La dei o meu telemovel a uma estranha, que foi para casa de taxi enquanto o meu colega estava ligado a um aparelho cardiaco e a ser injectado com morfina.

Quando regressar vai ser mimado. Algum bem tem de sair deste mal. Aposto que e desta que vai deixar de fumar. Ele tentou, mas so conseguiu por 3 dias. Voltou a fumar em força e coincidiu nessa altura começar a ter pior aspecto. Fiquei preocupada e tomei uma nota mental para estar atenta.

Mas ele nao me disse hoje que estava com dores no peito. Tem-se mantido afastado, devido a suspeita da rapariga dele ter Covid.

Foi para o hospotal, onde esta a ser vigiado e espero que, bem tratado. O coracao dele nao estava a funcionar bem. Espero que consigam reverter isso e que ele nao fique com problemas.

O melhor que podemos possuir e a nossa saude. Bjs e cuidem-se.


terça-feira, 7 de julho de 2020

Tudo a correr para o.... baieta!

Esta segunda passei pelo centro da cidade e fiquei surpreendida por ver tudo voltar ao normal. Todas as lojas estavam abertas, algumas a exibir frutas e legumes expostos ca fora, quando antes tudo ficava dentro.

Esplanadas com pessoas a comer bifes com batatas fritas, acabados de sair do café. Tinham as mascaras ao pescoco e eram, talvez, os unicos com uma.

Mas sabem onde vi fazerem fila?
No barbeiro. Homens esperavam ca fora para entrar, todos animados.


Vi mas nao dei muita importancia a isso. Nisto a noite chega, vou para o trabalho e o que vejo? Cabeca atras de cabeca masculinas todas de cabelo acabado de cortar!!

E o ar todo gaibao?

Ainda falam das mulheres e a sua vaidade.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

O covid está a fazer a todos um favor

Me perdoem os profissionais de saúde na primeira linha. Mas também eles estão incluídos nesta apreciação.

Tenho lido que o confinamento resultou em muitos "divórcios". Pois então: se ficar a viver junto sem poder sair muito do lado um do outro ou procurar outras companhias afastou casais, então o confinamento poupou-lhes anos de tormenta. Sim, porque provavelmente era o que ia acontecer com essas pessoas num relacionamento. Viviam juntas até o limite, a suportar coisas na esperança de que, mais para a frente, tudo se acerta, e vai que a relação esta condenada desde o inicio e o casal nao percebe, investindo anos na tentativa de "resultar".

Veio o confinamento e economizou-lhes tempo. Agora podem ir as suas vidinhas sabendo que, com aquele/a, não vai resultar.

O Corona/Covid-19 também mostrou que os prodissionais de saúde arriscam-se, porque risco fazia parte do todo quando escolheram a profissão. Medicos reformados voluntariaram-se para ajudar com os pacientes infectados.

O covid mostrou-nos, povo nao ligado à comunidade medica, o coração e intregridade destes profissionais.

Se o povo, no geral, lhes dá valor?

Acho que não, na minha modestia opinião. O covid também nos mostrou isso. O mundo da celebridade e ficção continua a exercer um maior fascínio e é o que mais facilmente conduz grande volume de pessoas a mostrar indignação que as leva a organizar manifestações ou festas.

Quando tivermos um Dr. House português, uma celebridade televisiva, então o povo sente mais a luta da classe.

Fica-se pelas palmas e vai para a praia ou sai a rua sem mascara e a não querer saber do distanciamento social.

Clao, não são todos. Muitos ficaram em casa, nao abracaram um ente querido, desinfetaram cada embalagem trazida do supermercado, lavou as maos até encarquelharem, usou máscara, luvas, etc.

Mas basta um pequeno grupo, um pequeno aglomerado de gente e o Covid espalha-se como uma fuga de petróleo no mar.

Já há lares de idosos novamente cheios de infectados. E eu, muito provavelmente, vou novamente perder o dinheiro da passagem de aviao que comprei nos saldos, para usar em Agosto. Mas se tiver de ser, será. Tudo por culpa daqueles que nao tomam cuidado. 

É que não percebem as implicações. As companhias aéreas vão ter de fechar novamente, empregos deixados em stand-by vão ter de ser eliminados, as pessoas vão ficar desempregadas. Aumenta a criminalidade, a loucura, as dividas, o Estado endivida-se e a China compra tudo.

É isso que querem, ó cab@&$ que ainda não perceberam que ser desleixado é mostrar cobardia pelo desconhecido?

Enchem-se de coragem, como eu em Fevereiro, e coloquem uma mascara no rosto. Digam aos amigos onde podem arranjar as suas. E lavem as mãos sempre e antes de tocarem no que seja.

O covid nao vai desaparecer. É uma doenca, veio para ficar. Mas temos de a tornar rara tao rara, que deixe de haver casos em qualquer pais.

Isso so é possivel com prevenção sem excepcao.



quinta-feira, 21 de maio de 2020


Why when bad people get inside a house, they never leave?

Falo, claro, no caso de casas com quartos partilhados.

Enquanto estou aqui sentada na relva do jardim,  procuro a paz às aflições que me atormentam.

Primeira fotografia de mim no blogue.
Yeah!
Costuma ajudar. Mas já produz pouco efeito. Tenho de ir para outros jardins, onde o espaço não está carregado de hostilidade.

Na véspera de tudo acontecer (a gorda dizer ao senhorio: "tira-a daqui senão não trago ninguém para morar cá"), trouxe estas flores que colhi de noite, pelo caminho, enquanto regressava do trabalho.


Não são lindas?


Meti-as num copo de vidro alto, despejei água para dentro e coloquei esta jarra improvisada no centro da lareira, para embelezar o espaço.

No dia seguinte, como se qualquer intervenção minha na casa fosse intolerável, chamam o senhorio e enfiam-lhe pela goela abaixo um monte de malévolas mentiras juntamente com um pedaço de bolo pascoal e um cafezinho.

Antes e depois.
  Só desviei dois bonecos da esquerda para a direita 
e reposicionei o ovo.
É preciso frisar que antes do "antes", a jarra
 que vem a esquerda estava ao centro mas foi
rapidamente relegada para dar espaco a isto:

Uma especie de lareira
que vira prateleira de despensa
(Para armazenar paes, bolos e multiplos
ovos de chocolate exclusivos para consumo italiano)

Depois daquele dia comecei a procurar uma nova casa para morar, mas fui hesitante na seleção e nao tive sucesso. A ideia era sair de imediato. Percebi que já estava a demorar demasiado tempo e isso desagradou-me. Quanto mais tempo passar na casa, mais intrigas vão inventar para reforçar as mentiras inventadas sobre o meu caracter e comportamento. Uma coisa que não lhe devia ter dito quando a confrontei, foi que nenhum dos amigos (que supostamente não gostam de mim), me conhecia. Ela ficou espantada. Prestou atenção. Como já a temer que eu pudesse ter encontrado uma brecha na sua história inventada.

Deve ter pedido a uns para confirmarem a sua versão com o senhorio. Isso justificaria a presenca de uns deles na casa, ontem, anteontem e noutro dia. Deixando moedas e mensagens como que encantamentos.

Mas a verdade é que nunca fui mal educada. Eles traziam pessoas cá para dentro sem nunca partilharem comigo essa informação. Eu ficava a saber por esbarrar nas pessoas, geralmente quando tentava aceder à cozinha. Convivios, jantares... Nada me foi dito. Era propositadamente colocada de parte por eles e depois davam a entender aos convidados que era eu que me excluia.

Tudo manipulação. Sempre falsos, sempre alertas à percepção dos outros.

Naturalmente, sou surpreendida quando entro na sala e encontrou um bando de gente. Digo "hello" e meio que fico à espera de uma apresentação. Mas não me diziam o nome, não se apresentavam, não me apresentavam a ninguém.  Muitos nem me olhavam na cara quanto estabelecia com eles contacto visual e lhes dava um timido mas genuino sorriso, quanto mais me falar.  Nem uma curta interacção, uma pergunta, nada. OK, não me querem junto deles. Fazem-me sentir uma intrusa na propria casa onde pago para morar, pelo que faço o que tinha ido ali fazer e deixo-os sossegados.

A ela só lhe disse que muitos nem um "hei" diziam e respondi à resposta dela sobre os colegas "ninguém nesta casa gosta de ti" com:

-"isso é porque tu dizes a todos que aqui entram "que terrivel portuguesa mora aqui!"

Voltando aos malmequeres, ao fim de algumas noites, reparei que continuavam resplandecentes. Deixei-os ficar. Não pensei que durassem tanto. Mais uns dias se passaram, a busca por um novo quarto atingiu uma percepção de calamidade e desânimo. Os malmequeres continuavam visosos. Contudo, comecei a associar a presença deles com o início deste novo tormento.

Será que, enquanto ali estivessem não ia arranjar um novo lugar para morar?

Se nada aparecesse dentro de dias, ia deita-los fora.

 Assim, 18 dias depois de os ter colhido. Removi-os, para ver se me trazia sorte.


Passaram-se mais quatro e até agora, nada.

Só mais uma epifania:
Quando no pico do medo e pânico comparas um virus mortífero como o Covid29 com os teus colegas de casa e concluís que este é uma ameaça menor, ficando feliz por poderes sair de casa todos os dias para ir trabalhar, isso devia ter servido de pista.

Estou só a tirar estas coisas dentro de mim.
I was blind but now I see!
(Will I ever, really?)

terça-feira, 14 de abril de 2020

Preocupo-me com «ele»

Nesta Sexta-Feira Santa estava a dialogar com Jesus, naquela que foi uma conversa tida num momento de gratidão pela vida. Porque, a pesar de tudo, se é verdade que Ele existiu e fez o que fez  pela humanidade, apeteceu-me agradecer-Lhe.

Depois dos agradecimentos, vieram os pedidos. O que é realmente importante? Aquilo que me faz falta? Deixei a emoção mais intensa revelar-se dentro de mim. E ela é ele. Ou o amor que sinto. Quero viver um amor. Com outra pessoa, se necessário for, mas quero amar! Com a condição de  saber o que é ser amada de volta.

Revivo momentos, imagino muitos que haviam de vir e penso regularmente nele.
Pergunto-me se está bem. Se não estará doente com o vírus.
Claro que está bem. Está optimo! Fantasio que também pode, subitamente, querer saber como eu estou. Mas não quer. Talvez nunca tenha querido.

O que me chateia é que nada disto tomaria as proporções que tomou, caso ele tivesse tido outro comportamento. Um diálogo. Nenhum sentimento atingia a magnitude do meu, se tivesse oportunidade de se clarificar. Podia ter tudo falecido ali. Mas não... tudo aumentou, intensificou. Passado tanto tempo até começo a sentir embaraço de indicar quanto, ainda estou emocionalmente comprometida.

Porra!
Que estupidez.

Espelho, espelho meu, existe alguém mais idiota, parva e estúpida do que eu??

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Rapsódia com inteligência e qualidade


Bom demais para não partilhar. 



«What a duche, what a duche! 
Did he even wash is hands dough»?

segunda-feira, 30 de março de 2020

Que confinamento?


O Corona está a dar-me emprego.
Esta semana vou trabalhar 8h por dia, de segunda a sábado.

A «quarentena» não vai ser para mim.
Tinha comprado tintas e telas, não fosse o caso de me sentir meeeeesmo sem nada para fazer. Mas não tem sido nada assim. O tempo corre depressa demais e quando vou a ver, não fiz nada do que pretendia. E principalmente, não descansei. Dormir nesta casa é quase impossível. Nunca tenho mais de 3h seguidas de repouso. Pareço um zombbie. Mas sempre foi assim e o que se torna rotineiro acaba-se por aceitar. Não posso mais queixar-me das olheiras, elas surgiram por décadas mal dormidas. Pelo que têm razão de existir.

Percebi que não vou ser uma das pessoas privilegiadas, que podem fazer quarentena e são pagas para ficar em casa. Acreditem: é um privilégio. Muitos encaram como uma sentença de prisão mas tem de se trabalhar o cérebro para que este não conclua extremos. Daqui a 10 minutos tenho de sair. Para caminhar uma hora e não chegar atrasada. Vou de máscara, boné, luvas, casaco. O habitual. Irei também cruzar-me com muitas pessoas, umas a passear o cão e os filhos. Não ficam nos quintais de casa, têm de sair do seu espaço privado e íntimo. Espaço esse que aposto, era o mais desejado quando não se viam confinados a ele.

Enfim...
Desculpem, mas agora tenho de ir a correr!

Fiquem bem.
Fiquem em casa,

sexta-feira, 27 de março de 2020

Euromilhões e Corona virus


Por curiosidade fui ver se a situação de Pandemia Mundial influenciou o número de apostas que os Portugueses fazem no Euromilhões. Será que há menos pessoas a apostar porque já não se deslocam aos locais de registo? Ou será que o pessoal começou mais a apostar online?

As apostas decresceram.
No último dia de Janeiro:


  • Nº de Bilhetes registados em Portugal

  • 1.670.989

  • Hoje, sexta-feira, dia 27 de Março:

    • Nº de Bilhetes registados em Portugal :  964.438 contra os 712.892 de Terça.




  • terça-feira, 24 de março de 2020

    Desânimo?


    Há momentos na vida em que pensamos: "de que vale a pena?".
    Sinto-me irrequieta, tenho dificuldade em adormecer e, se adormeço, acordo poucas horas depois sem conseguir voltar a dormir.

    E por isso aqui estou... 2h da manhã, a escrever no blogue.

    Desde que regressei ao Reino Unido e fui dispensada do emprego, tenho estado a trabalhar. É paradoxal mas até hoje tem sido assim. Iniciei um novo full time ontem, que de full só teve a manhã. A incerteza nesta área regressou ao ativo.

    Desânimo. Pelas pessoas e pela humanidade.


    Embora o exemplo que tenha recebido vindo de notícias de Portugal não envergonham ninguém. Dá-me gosto perceber como o país está a reagir à pandemia. Sei que tem existido também casos de pessoas que «não apanharam a mensagem» mas no geral, desde aqueles que fazem humor que aligeira as preocupações, aos reformados que se oferecem para prestar assistência médica nestes tempos de contágio, às unidades de rastreio, às desinfecções de tudo o que é lugar público... Desse lado do oceano só me chegam coisas que restauram a fé na humanidade.



    Mas deste lado, nem tanto. 

    E é aqui que vivo. É aqui que gostaria de ter por perto alguém que gerasse em mim esta sensação de orgulho. De que vale a pena viver. E não tem acontecido. Ao contrário. As pessoas na sua grande maioria continuam parvas. Não cumprem a distância social, vão às compras com as crianças todas, bebés em carrinhos, tossem livremente e, em tempos de solidariedade, não se coíbem, muitas delas, de serem rudes.

    Quando saí do emprego ontem dispensada de voltar, (quase fui atropelada e por minha responsabilidade, que olhei para a rotunda a ver se vinha trânsito e esta estava vazia, logo passei a estrada. O problema é que o sentido do trânsito era o oposto e o meu cérebro por um instante não detectou o erro),  não pude deixar de sentir alguma inquietação. Já tinha trabalhado naquele lugar antes, mas quando cheguei, não encontrei ninguém, quando finalmente encontrei, não escutaram o que eu disse através da máscara. Deram-me uma função: a de descarregar um camião cheio de caixas e passar um marcador preto no código de barras de cada uma.  Não estava sozinha, outros três lá estavam, homens, cada qual com a sua função. A regra nestes lugares é só uma: ser rápido. Estão a julgar-te desde o início com base na velocidade. As caixas eram atiradas do camião para o chão sem grandes preocupações, tombavam, caiam, eram chutadas... Velocidade acima de qualquer coisa.

    Mas foi a conversa entre dois deles que me deixou apreensiva. Enquanto falavam do Corona, diziam que mesmo que tivessem doentes não eram pessoas de ficar em casa. O motorista do camião disse que aquele era o seu último dia a trabalhar, porque tinha a mulher doente e ia ficar em casa a tomar conta dos filhos. "Doente? Doente do quê??" - pensei eu. 

    Se um diz que vai trabalhar mesmo que se sinta mal e outro vai trabalhar mesmo que alguém próximo de si esteja doente - isto é o "núcleo" de gente que me rodeia. Um deles usava máscara mas os restantes no armazém inteiro, não podiam estar mais à vontade. Nada de luvas, falavam livremente uns com os outros, sorriam e riam na cara uns dos outros, uma das mulheres levou um prato com uma espécie de pizzas em miniatura e partilhou com as pessoas de quem gostava, outro estendeu um saco de snacks para outra provar...

    Onde estão os comportamentos de segurança que a ocasião exige? 
    É aquela postura típica de que tudo é um exagero e um absurdo e que eles é que estão "com a razão". Opá, se a selecção natural fosse realmente selectiva, estes seriam os primeiros num contexto de contágio, a vir a morrer. Mas infelizmente, mesmo que ficassem contaminados, provavelmente alguém que tomou todas as precauções, um enfermeiro ou médico qualquer que arrisca a vida todos os dias e faz sacrifícios familiares, é que «bate as botas» e eles sobrevivem. Para depois, sentirem-se ainda mais convencidos de que são invencíveis e nada os derruba, e voltam a repetir o ciclo.

    Fui dispensada mais cedo (e permanentemente) porque ninguém soube indicar-me o que pretendiam que eu fizesse. Depois de ter terminado de tapar os códigos de barras - também mal explicado porque às tantas, uma das chefes chega e diz que a caixa que acabei de riscar não era para ser riscada - fiquei sem orientação. Então fui procurá-la. Quando avistei o chefe, perguntei-lhe que mais podia fazer. Este grita para uma rapariga que lá está "caixa" e manda-me subir ao piso de cima para a ajudar. Quando chego, ela põe-me um pack de caixas de cartão nas mãos e vira as costas. Eu pergunto: "o que é suposto eu fazer com isto?". Ela encolhe os ombros e diz: "Pergunta ao Greg". Lá desço eu ao piso inferior, com as caixas, só para não encontrar lá ninguém. "A sério? Isto vai voltar a ser assim? Uma total desorganização?" - pensei, já a não gostar da experiência.

    É que nesta empresa, ninguém é capaz de especificar o que pretende que tu faças. E depois, se não demonstrares que o sabes fazer, ainda olham para ti em reprovação. Sabem quando chega uma pessoa nova e alguém tem de a orientar pelos procedimentos? Esqueçam. Tratam-te como uma reles e substituível peça. Se mostrares que tens voz, opinião, não gostam de ti. Após mais uma outra "ordem" transmitida apenas por um apontar de dedo de um sítio para o outro e o dizer: "ali", cresceu a minha frustração. Ao executar a tarefa, pareceu-me claro que não estava a ser feita como deve de ser. E pensei: "mas porquê não têm capacidade de explicar o que pretendem, dar o exemplo, custa tanto assim?". Ia precisar de uma lâmina para cortar as caixas, não havia nada disponível, não explicam nada... eu sei que não era a primeira vez que ali estava. Mas tirando a rapariga, ninguém me reconheceu. O facto de ser tratada quase como se não estivesse ali fez-me sentir menos tolerante com o descaso e falta de profissionalismo. Acabei por pedir ao chefe que me desse uma função, explicasse o que pretende e me desse ferramentas para a fazer. Ele fez cara de quem não estava a entender nada. A rapariga ao vê-lo aproximar-se comigo a falar ao seu lado, subitamente já prestou-me atenção.  Largou o que estava a fazer para vir saber o que se passava e "oferecer" ajuda! Conheço-a bem. Em Outubro, quando ela apareceu na empresa para trabalhar, percebi logo que tipo de pessoa era. Ainda assim, fiz questão de lhe explicar como era o procedimento. Quando ela aprendeu algo mais, não soube demonstrar a mesma capacidade de partilha nem de ensinamento. Limitava-se a sorrir e a fingir que não entendia o inglês.

    Mas assim que aparecia um dos chefes, ela até chinês passava a entender! Baldava-se um pouco e fazia as coisas sem rigor. Mal via o dono, ia a correr ter com ele a sorrir e a mostrar serviço. Apoderou-se de uma função específica e quando fui mandada para a ajudar não me explicou nada e ainda demonstrou falta de vontade, tentando empurrar-me para outro lado. Percebi que não queria que aprendesse o ofício. Queria ter a exclusividade, para mostrar que tinha mais valor, era melhor que eu.

    Em suma, porque mostrei descontentamento e pedi para que me explicassem o que era para fazer, dispensaram-me. Ainda gozaram, puseram-se a rir. A rapariga em particular, deu risadas que não mais acabavam. Estava a querer agradar o chefe. Até me fez perguntar: "é assim tão humorístico?". Não que me rale, mas decepciona-me. Fico sempre a desejar que as pessoas demonstrem um carácter acima do que são capazes, talvez. 

    Depois disso ainda continuei a trabalhar. Já tinha feito umas tantas coisas quando vieram ter comigo a dizer como as queriam. Agradeci-lhes e fiz conforme o pretendido. Mas estavam todos mais inclinados a ser críticos do que a colaborar.

    Numa altura fui ao WC, mas antes olhei para o relógio. Quando regressei ao mesmo lugar, voltei a olhar para o relógio: cinco minutos. Fui, fiz, voltei. Um tempo recorde. Mas nesse tempo algo aconteceu. Nisto a rapariga passa atrás das minhas costas e começa a cantarolar.

    Conheço aquele "cantarolar". Era o mesmo que fazia quando ganhava a preferência do patrão. Um cantarolar vitorioso, de conquista sobre o adversário. Percebi de imediato que algo mau vinha para o meu lado, porque só isso a fazia cantarolar daquela maneira. Talvez tenha aproveitado a minha ida ao WC para dar a entender que eu tinha "desaparecido" ou largado o posto por muito tempo. Minutos a seguir, fui dispensada pelo chefe.

    Depois, já em casa... sozinha no quarto, carente, decepcionada, cheia de incertezas, o pensamento voou de volta para ele. Também foi inesperado, uma falta de carácter com que não contava. E ainda dói. 

    As minhas hormonas andam a mexer com o meu estado de espírito. 
    Junto com as memórias, tudo causou algum desânimo. 
    Preciso de bons exemplos de humanidade e de ter ao meu lado uma pessoa de valor acima da média. 


    PS: passei por uma loja na saída do emprego e para pagar as compras, tive de tirar a luva e tocar no monitor. Bem que tentei com luva e até outros materiais, mas a máquina só aceita o contacto da pele. Então tirei a luva, abri o casaco, tirei o desinfectante, passei num lenço de papel e esfreguei-o monitor da máquina registadora. Na mão esquerda segurava um saco e a luva removida, no peito os artigos que ia comprar e a mão direita fez os procedimentos na máquina. Quando passei o primeiro artigo no scanner, atirei-o para a área de repouso, porque tinha o outro seguro ao peito. O artigo era leve e escorregou para o chão. Pretendia apanhá-lo no final, quando estivesse com as mãos mais livres. Nisto a funcionária que está ali só para auxiliar as pessoas que usam as máquinas aproxima-se e diz, num tom de voz altivo: «não atire os artigos!». A sério?? Pensei. Numa situação de Covid-19, ela viu o procedimento pelo qual passei para registar um artigo, percebeu que não foi um arremesso intencional e aproxima-me para me criticar? Se fosse para ajudar... é que olhei para o monitor e o artigo não passou com o preço que estava registado, mas com outro acima deste. Diante disso e da postura da empregada, decidi deixá-lo para trás e fui embora. Só dei três passos fora da porta, quando fui para enluvar a mão e notei que não segurava mais a luva. Voltei atrás, olhando para o chão. Não vi a luva em lugar algum. Perguntei à mesma funcionária se tinha visto a luva, porque eu tive de a descalçar ali naquele sítio há instantes apenas, para usar aquela máquina. Ela, com uma voz muito prestativa e dócil, disse que não tinha encontrado nada, só umas luvas pela manhã e foi buscá-las para mas mostrar. Agiu como se não me reconhecesse de à segundos atrás. Era claro que aquelas luvas pretas esquecidas pela manhã não eram minhas. foi há 10 segundos, não há 10 horas! Era impossível eu ter perdido a luva em qualquer outro lugar. Foi ali mesmo que deve ter caído. Não tinha como não a encontrar no chão. A menos que alguém a tivesse apanhado. E só podia ter sido ela, a funcionária. 

    Negá-lo e ficar-me com a luva foi uma forma mesquinha de se vingar. 

    Foi mais uma situação que contribuiu para que o dia de ontem não fosse o mais feliz e fez que aumentasse a sensação de desânimo para com o mundo. Agora encontro-me em insónia, a reflectir nas mesquinhices da vida e a deixar que estas me incomodem.

    Escrever sobre as mesmas já ajudou a fazê-las passar. 

    Tenho também de mudar a minha atitude com a vida... Aprender a reformular a forma como expresso descontentamento. Não sou agressiva mas tenho de aprender a ser como a funcionária: mais fingida, escolher melhor as palavras... dizê-las e não as engolir, mas a usar um tom dócil com acidez em simultâneo. 



    quinta-feira, 19 de março de 2020

    Isolamento duplo


    Vai acabar por ser decretada a mesma medida que está em voga em toda a europa: o Reino Unido vai ter de decretar estado de Emergência e dizer às pessoas para ficar em casa. 

    Hoje, 15h, ao passar pela mesma esplanada e café onde no dia anterior avistei a malta toda no relax, vi os empregados no interior a limpar tudo e as cadeiras e mesas lá dentro. Ou decidiram fechar mais cedo, ou então fecham de vez. Até que enfim, algum discernimento!

    Mas as pessoas não temem o vírus. Não se protegem, protegendo assim os outros. Cada vez que saio à rua, coloco uma máscara. Mas tenho medo. Pois a máscara não me protege a mim. Protege-os a eles. A todos aqueles que se cruzam comigo. Porque o ar que sai da minha boca, a saliva que pode vir junto quando falo, não vai cair em cima de nada nem ninguém. E as luvas que uso impedem-me de contaminar objectos, alimentos e máquinas de supermercado de auto-pagamento.  Mas se alguém tossir perto de mim, os meus olhos são como duas janelas abertas para as minhas células. 

    Pode não parecer, mas já uso aquela máscara faz um mês!
    Para mim, isto não tem dias, nem semana, mas um mês. Pois foi quando decidi ir a Londres que optei por a comprar para a usar na metrópole. Acabei por não o fazer - mas se tivesse sido contaminada nesse dia, por esta altura já o saberia.  Usei-a dois dias depois, para ir ao emprego e não respirar o ar poluído.

    Por incrível que pareça, estou a ser alvo de maior hostilidade por parte das pessoas agora, que o Cóvid finalmente obriga os governantes a tomar medidas de maior contenção, do que há um mês, quando comecei a colocar a máscara. Se bem que no emprego, com os colegas que me viram aproximar com ela, fui um tanto gozada, fizeram caretas e não queriam aceitar que era necessária por qualquer que fosse o motivo. No avião da Easyjet, sete dias atrás, não foi muito diferente. E foi por parte da TRIPULAÇÃO que senti essa hostilidade.

    Deve de ser inveja. Por esta altura já toda a gente gostaria de ter uma. Mas não as há. Então hostilizam quem as tem, porque estão cheias de medo. 

    Bem que aviso que podem fazer umas. De vários tipos. O youtube está cheio de tutoriais a explicar. Mas a que eu mais gostei foi o de uma tipa espanhola, focada no pessoal médico, que simplesmente cortou uma capa plástica tamanho A4, daquelas que usamos para colocar folhas dentro, colocou um cordel em cada extremidade, e fez uma máscara transparente que cobre o rosto inteiro. Não só protege o nariz e boca, como os olhos. 

    Ontem foi o primeiro dia de "quarentena" a meio-gás aqui em casa. E senti-me triste. Já não me dói mas sinto tristeza. Não entendo e nunca vou entender, porque sei que não há motivo. Mas permiti que agissem assim e agora fazem-no com satisfação e de forma rotineira. Vou ter de ficar fechada em casa com três italianos. O quarto, ficou na itália. Esses três, ontem, chegaram separados, foi cada qual para o seu canto. Mas na hora do jantar, comigo na sala a ver televisão e tendo interagido com eles (tenho sempre de tomar a iniciativa, ninguém me fala se não o fizer), o rapaz estava a cozinhar. E eu percebi que não era só para ele. Ainda fiquei à espera de escutar: "queres comer connosco?".

    Mas não escutei nada. Vi meterem três pratos na mesa, sentarem-se, comerem, conviverem. Este isolamento devido ao vírus vai ser muito divertido para os três. Mas para mim, vai ser um duplo isolamento. Não só vou estar isolada do mundo, como vou estar isolada de contacto humano. 

    Preferia ter a minha própria casa, isolar-me nela sozinha. Seria mais pacífico que ter de me sujeitar diariamente a exemplos destes. Que se repete agora mesmo, enquanto escrevo. Estive na área comum da casa, a tarde toda, só saí de lá estavam eles a cozinhar. Lancharam primeiro, serviram vinho, convivem na boa. Só falam italiano, sem parar. Desculpe-me quem gosta, mas palrar dessa maneira sem pausa para um silêncio não é agradável. Estava na sala a ver um filme em inglês, sem legendas. Quase todo o diálogo foi imperceptível devido ao falatório e gargalhadas. Mas não saí. Mas também não usufrui do filme com o gosto que podia ter tido, caso a atmosfera fosse mais serena, tranquila. Quando eles vêm TV - que deve ser daqui a 5m, todos juntinhos também - gostam de estar concentrados e que não exista ruído a atrapalhar. 

    A mais-velha chegou a casa com uma mala de computador, que deixou numa cadeira na sala. Pelos vistos vai começar a trabalhar em casa amanhã. Só espero que não queira transformar a sala, que é um open space para a cozinha, no seu escritório. E que não imponha que os outros fiquem nos seus quartos para que ela possa estar ali sossegada. Nem espere que deixemos de acender a TV, fazer barulho, conversar...

    Quer dizer: digo isto mas sei que essa regra só se aplica a mim.
    Os outros podem fazer o que quiserem, têm imunidade de nacionalidade.

    Ouvi-os rejubilarem de contentamento quando a mais-velha contou que ocupava o WC pela manhã de propósito para que eu não o pudesse usar. Como se eu não soubesse! Não contei nada aqui mas, às 6.30 da manhã, o meu despertador tocava para me preparar e sair às 7h. Ela, que sai às 8.00, colocou o dela a tocar 10 minutos mais cedo, para ser ela a ocupar o espaço. Ficava sempre sentada na sanita 30 minutos, com o telemóvel na mão, a ver séries, filmes, programas italianos, etc

    Numa casa partilhada, isso não é um luxo a que tenhas direito. Muito menos em dia da semana, pela manhã. Mas se fosse um deles - um italiano a precisar de usar o espaço a essa hora, aposto como ela perderia esse hábito rapidinho.

    E é assim. O que vai ser pior?
    O Corona (nome italiano) ou os colegas italianos?

    Papel higiénico «limpo» das prateleiras

    Registei para a posterioridade:











    sexta-feira, 13 de março de 2020

    Medidas de precaução com o Corona e a ausência das mesmas


    Gostei de ler aqui nos comentários gerais que vocês são da opinião que se deve ter cuidado e adoptar um comportamento de precaução em relação à pandemia do Corona.


    Vir a Portugal tornou-se necessário. Mas já estou de saída.
    Antes de entrar no autocarro que me levou para o aeroporto, mantive-me de luvas calçadas e coloquei a máscara FFP 3 RD no rosto. Não é das cirúrgicas, nem das que não têm válvula. Supostamente é a única capaz de impedir a passagem das partículas realmente perigosas, onde se incluí o vírus Corona.

    Fui o caminho todo com luvas. Coloquei o passaporte aberto na página de identidade dentro de um saquinho transparente com selagem. Porque o fiz? Simplesmente porque me lembrei de o fazer. Quantas mãos tocam naquele passaporte?  Achei uma boa ideia e verifiquei que era prático. Quando isto passar, vou continuar a fazê-lo. 


    Escrevo sobre isto não para falar das precauções que tomei (e fi-lo a pensar nas pessoas à minha volta e nas que ia visitar, não em mim) mas para contar o que observei e também o que senti por parte dos outros por estar a usar uma máscara. 

    Foi muito estranho, estar num dos principais aeroportos de Londres e não ver uma única outra pessoa com máscara no rosto. Desde o chegar, entrar, ficar na fila da companhia aérea para ser atendida, ir para a segurança, passar pela segurança, atravessar o duty free e sentar na área de espera a aguardar a indicação do Portão de partida, não vi uma única alma de máscara que, como eu, usasse uma máscara. Telefonei a uma pessoa e perguntei:

    -"Sabes quem é a única pessoa no aeroporto inteiro a usar máscara?"
    - "Tu".

    Até aquele instante, fui mesmo.
    Depois, ao me dirigir para a porta de embarque, dobrei uma esquina e vi um rapaz sentado, usando uma. Fiquei grata, já não era a única. Chegando à porta de embarque em si e ficando na fila onde estávamos todos coladinhos uns aos outros, a rapariga atrás de mim também apareceu de máscara mas o rapaz à minha frente, que vinha a falar ao telemóvel, não. Sabem que idioma falava? Querem avançar com um palpite?

    Acertaram. Italiano. Pensei cá com os meus botões: não me livro de italianos onde quer que vá. Até no natal, nas duas vezes que andei no metro em Lisboa, foi italiano que escutei na pessoa sentada à minha frente e no casal atrás de mim. 

    O rapaz disse a palavra "Portugal" e aí pareceu-me escutar uma entoação diferente. Nisto ele faz outra chamada e começa a falar português fluente. Mas na versão português-brasil. Portanto, estava diante de uma pessoa provavelmente com pais de nacionalidades diferentes. Um brasileiro e uma italiana? Ele estava a falar com alguém sobre família em itália. 

    Depois de terminar de falar ao telemóvel, ele coloca uma máscara no rosto. Um homem à frente dele também havia colocado uma daquelas máscaras cirúrgicas. Uma vez dentro do avião, ele removeu a máscara algumas vezes. Mantive a minha durante a viagem inteira e até o momento de entrar no carro, já no destino. Não ia arriscar nada, removendo a dita por um motivo qualquer. Nem para comer.

    Quando precisei ser informada sobre as regras da Easyjet no balcão, o rapaz que me atendeu foi um tanto antipático. A minha pergunta era específica e a resposta que me deu, generalista. Quando perguntei novamente tentando fazer-me entender, ele recusa-se a explicar-me de outra forma, repete-se como um disco riscado e dispensou-me com um "próximo!" - acompanhado da total ausência de contacto visual.

    Não tive direito a um "adeus", "faça uma boa viagem", nada. Foi mesmo "vai-te embora".
    Achei que essa antipatia deve ter sido efeito da máscara no rosto. Da estranheza e desconforto que causa nas pessoas. Era a única viajante em todo o aeroporto com uma.

    Segui para a porta de embarque. Lembrei-me que, para sair no meu destino em Lisboa, tenho de fazer a leitura aos olhos/rosto pelas máquinas de scanner. Uma funcionária da segurança estava mesmo ali, não havia nenhum outro passageiro por perto, então aproximei-me dizendo-lhe que estava a usar a máscara a pensar na minha família e perguntei-lhe se, com ela posta, seria possível fazer a leitura de scanner nas máquinas, visto que os olhos continuavam à vista. Ela quis saber qual o meu destino e respondeu-me que só os vôos domésticos (dentro do Reino Unido) usam scanner. Uma nulidade informativa - foi o que pensei. Mas também ela já estava a mover os braços sinalizando para que continuasse viagem e quando avanço, escuto uma gargalhada de uma viajante que entretanto aproximava-se. Não sei se relacionada mas, seja como for, não caiu bem.

    Durante o processo de remover a roupa e colocar os pertences no tabuleiro da máquina de raio-x, tudo foi normal. Nada a relatar. Excepto uma mulher ao meu lado que se virou para mim e disse algo numa língua estrangeira que não entendi e quando lhe respondi: "Desculpe??" ela ficou a olhar para mim uns segundos e foi embora, sem nada dizer. Mas não creio que esse comportamento estivesse relacionado com a máscara.

    Uma vez colocando uma, não se nota que a tens. Eu pelo menos, não sinto qualquer incómodo. Vou confessar que até é agradável. Esteticamente pode parecer horrível mas usar uma é melhor do que imaginava. Permite um respirar mais dinâmico. Não sei se melhor ou pior, mas quando a usei de casa para o emprego para me proteger da poluição, foi quando descobri que chegava ao destino com mais energia do que quando não a colocava.

    Outras pessoas que não revelaram qualquer problema com o uso da máscara foi uma senhora no duty free a vender perfurmes de marca "compre dois leve um terceiro grátis", pela módica quantia de 65 libras cada. Mas não gostei do aroma. Um horror!

    Uma das mulheres que estava a lançar para o ar um brinquedo boomerang que voltava para as suas mãos, a quem me dirigi interessada em saber sobre o mesmo, também falou comigo com naturalidade.

    Mas tirando isso, foram os próprios funcionários da companhia aérea da Easyjet os únicos a causar desconforto à minha viagem. Uma vez dentro do avião, desconhecendo que o uso do telemóvel para gravar vídeo era proibido, achei curioso um detalhe e filmei um bocado do corredor. Não aparece nenhum rosto de passageiro (tenho esse cuidado) e a tripulação só apareceu ao longe. Subitamente uma delas aproxima-se e pergunta: está a filmar? Sim - respondi. Posso ver? Acho que me vi no vídeo.

    Mostrei-lhe, ela "pediu" com autoridade, como se eu fosse uma criminosa que tinha acabado de cometer um delito terrível. "Basicamente é isto" - surgia apenas o meu rosto, parte do corredor... e parei o vídeo. Ela ordenou: "não desligue, mostre-me o resto". E lá mostrei. Enquanto isto acontece, chamando as atenções, ela pergunta-me, sempre num tom agressivo, se sei que é proibido filmar a bordo. Respondi que não sabia. (e não, não é coisa que informem na mensagem audio, não se vêm símbolos informativos antes do embarque, etc, etc). Achei que era bom senso apenas. No youtube encontram-se centenas de vídeos domésticos dentro de aviões e eu, pessoalmente, fartei-me de filmar decolagens. Nunca nenhum assistente de bordo da easyjet mandou-me baixar o telemóvel, exigindo que parasse de fazer um filme.

    Ela mandou-me apagar o vídeo, ordenou que baixasse o telemóvel para ouvir as instruções de segurança. Foi desnecessariamente agressiva no tom. Sabem a doçura, a gentileza que ainda existe na mítica ideia do início dos vôos, quando a Pan-Am era toda gentil com cada passageiro? Pois, isso não existe mais. É como querer ver um dinossauro de volta à vida. Está extinto.

    Antes de ter feito aquele pequeno filme (pode-se fotografar mas não filmar? Estranho...) estava já em posição de descanso, de olhos fechados, pronta a relaxar. Reassumi essa posição e durante a hora seguinte permaneci assim. Geralmente, em todos os vôos que faço, é sempre assim que estou: sentada no meu banco, não me levanto, não chamo um assistente... faço a viagem toda sossegada e sem incomodar ninguém. Mas cada vez que acontece "qualquer interacção", parece que somos imediatamente assinalados como "passageiros problemáticos". A postura dos profissionais é passivo-agressiva por defeito. Em todos os vôos. A simpatia é falsa como Judas. O que lhes interessa é vender, e vender rápido. Têm um gravador que repetem até a exaustão, onde colam entoações de falsa simpatia para agradecer e desejar uma boa viagem ao passageiro que acabou de lhes dar uma comissãozinha por lhe comprar um perfume, uma sandes, uma bebida, etc, etc.

    Eu como sou das quietas, que senta e levanta no final da viagem - não causa problemas mas também não se deixa levar pelas "fabulosas venda de produtos" a bordo, tornei-me o tipo de passageiro que não agrada ao tripulante. Aquele que só viaja. Não compra nada.

    A única interacção que voltei a ter com a tripulante, foi quando passou com o saco para o lixo. Tinha um pequeno lenço de papel e decidi tirar proveito, visto que foi a primeira vez em todas as viagens que fiz com a easyjet, que eles realmente ESPERARAM com o saco aberto na mão, e não passaram a correr, sem dar tempo a ninguém para realmente dar uso ao mesmo. Deve ser por causa do Corona Virus, aposto!

    Mas sabem o que ela fez? Ela estendeu o saco aos passageiros na fila da frente, impedindo assim que eu pudesse colocar o lixo se o saco ficasse ao centro. Eu já estava com o papel na mão erguida, bastava enfiar. Mas ela estendeu os braços com o saco perto do rosto das pessoas na fila da frente e também ao rapaz da mesma fila que eu, mas do lado oposto. Mas não estendeu o saco a mim, que estive o tempo todo de braço erguido. Podia ter atirado o papel para o interior da abertura, mas depois ainda falhava e ela aproveitava-se para me "acusar" de ser precipitada e não esperar. Tive de esperar e ela lá avançou um passo, sem grande vontade, lá colocou a abertura de forma a poder usá-la.

    Achei mesquinho demais mas típico e de se esperar do que hoje em dia é a postura de uma "assistente de bordo". Para o final da viagem, notei que o papel publicitário do assento à minha frente era o único em todo o avião - que pudesse avistar, que estava dobrado. Sabem aqueles papeluchos de publicidade colados no encosto da cabeça? O meu estava todo dobrado para fora. Pode ser cá coisa minha, mas achei que era a forma deles assinalarem uns aos outros os "passageiros problemáticos".

    "Fui marcada" - imaginei, sem me ralar muito.

    Hoje em dia é o passageiro que tem motivos para querer "assinalar" os assistentes de bordo, por toda uma postura agressiva que assumem como piloto automático. A gentileza é tão falsa que causa impressão. O homem ao meu lado, achou que tinha alguma intimidade com a tripulação por trabalhar no aeroporto e disse à hospedeira. "Eu daqui a bocado vou já ter convosco para conversarmos um bocadinho". E eu pensei cá com os meus botões: «Ela deve estar mesmo ansiosa para conversar com um passageiro. Quer mais é ficar lá atrás sossegada. Na sua cabeça já te está a maldizer e já sabe como te despachar». E na verdade, o homem não saiu do seu assento por muito tempo.

    Fiquei a pensar também se o uso da máscara facilitou este tipo de comportamento. Talvez não. Talvez sim. Máscara, luvas... as pessoas são mesmo estranhas. Aqui estávamos todos dentro de uma atmosfera fechada, impossível de controlar, num cenário de pandemia mundial. E era a pessoa a demonstrar mais consideração pelos outros aquela que estava a receber mais olhares.

      

    quarta-feira, 11 de março de 2020

    Medo do Corona


    Pela primeira vez desde que se ouve falar do Corona Virus, estou com receio.
    Vivo com italianos, que estão sempre a viajar para itália e a voltar. Acho até que um deles está lá neste momento. Anteontem, o "rei-da-casa" apareceu para uma visitinha, acabadinho de vir de onde? Itália... da cidade dos desfiles de moda.


    Também vivo nas proximidades de um aeroporto, fui a Londres... 
    Quero dizer: se por acaso um portador do vírus cruzar-se contigo é por pura casualidade que podes contrair esta doença mortal. E uma vez adquirida, não há máscara, álcool etc que te salve. Basta inalar uma partícula, quem sabe? Não explicam...



    Não tocar em superfícies comuns é tudo muito bonito de se dizer.
    Eu já tento fazer isso por natureza própria faz anos. 
    Mas é impossível, quando se respira o mesmo ar, não "apanhar" o que estiver lá para se apanhar. 


    Preparo-me também para fazer uma curta viagem. Já nem sei se quero ir.
    Estava contente com esta «escapadinha» rápida para resolver questões de saúde pendentes e iniciadas em Portugal. Queria ver a criança na família. Mas temo que sejam os próprios pais a dizerem que não querem, temendo que o facto de me ter deslocado internacionalmente de um lugar para o outro e cruzado com imensa gente, possa ser um factor de risco que não querem tomar.

    Este Corona já nos está a afectar a todos.
    Imagino que é agora que vão terminar as piadas e começar o medo.


    quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

    A China controla o planeta

    Hoje um colega estava de volta da tomada de electricidade de um electrodoméstico que a empresa onde trabalho vende. Cheguei perto e perguntei o que fazia. 

    -"Estás a montar ou a desmontar"? - perguntei, sem saber se fazia consertos em aparelhos avariados, ou se estava a montar um aparelho novo.

    Ele mostra-se reticente em revelar muito mas acaba por me mostrar. Todos os electrodomésticos tinham tomada europeia. 

    "Vem da China" - diz ele.

    Como o UK tem tomada de três pinos (lembrem-se, este país quer sempre mostrar-se diferente), os electrodomésticos, "publicitados" ao grande público como "montados manualmente" no Reino Unido, não podem ter tomada europeia! 

    Trata-se de criar a ilusão de que o consumidor paga mais, mas por um produto diferenciado. Algo nacional, que está a apoiar as empresa locais - não as chinesas. 

    Tudo ILUSÕES.
    Tal como os rótulos dos ingredientes dos alimentos. 

    (Mas este é outro tema).

    Estando o Reino Unido "mergulhado" numa febre de nacionalismo, tudo o que poder ter o rótulo de "nacional", agrada a muitos. Que não se importam de pagar mais por um produto, se o gesto significar estar a contribuir para a economia local, e não estrangeira. 

    Estão a ser ludibriados!!




    No primeiro emprego temporário que tive depois do verão, a firma pertencia a jovens Chineses e fazia exportação de diversos produtos para fora, nomeadamente para a China. Imagino que recorria a múltiplas plataformas online para o fazer. 

    O que talvez ninguém tenha percepção, é que praticamente todos os produtos exportados daqui do Reino Unido para lá, eram feitos na própria China, país para o qual os re-exportavam!! Depois da importação para o Reino Unido, onde foram colocados à venda nos grandes armazéns como o Harrods, Selfridges, Debenhams, esta empresa Chinesa ia comprá-los a esses armazéns e revendia-os de volta para a China, com um preço mais elevado. 

    Apanhei muitos recibos dessas compras. Os quais foi-me dito para "deitar fora". O principal produto exportado era modelos de ténis de marca cara, (ver aqui), quase todos Adidas. 


    Os ténis eram simplesmente adquiridos por estes chineses do Reino Unido nas lojas caras do país - como o Selfridges, em Londres - e são revendidos para o cliente chinês, que certamente tem mais poder de compra e fica todo "contente" por ir comprar algo "estrangeiro de melhor qualidade". 

    Posso garantir que apanhei muitos recibos de compra desses ténis ainda dentro das caixas e os preços apontavam para quase 200 libras de custo. Claro que, sendo revendidos e exportados, fosse para a China ou outro país qualquer, certamente que o valor cobrado vai com uma boa margem de lucro. 

    A empresa também exportava peças de roupa - como os casacos da marca The North Face. Vinham em caixas todas bonitas originárias da China. Uma vez chegadas aos armazéns de cá, abriam-se as caixas de papelão, deitava-se todo o conteúdo extra fora, e volta-se a empacotar o casaco, sem cerimónias algumas, numa caixa simples, sem logotipo de loja. 

    Tudo feito na China, comprado lá, enviado para cá, desempacotados, colocados em embalagens neutras e re-enviados de volta para a China.


    Causa-me um pouco de asco. Mas é o mundo capitalista que temos. E é todo Chinês. 
    Todas as firmas fazem algo semelhante - por mais que "arrotem" termos nacionalistas. Procuram "diluir" a intervenção chinesa na informação passada para o grande público. Seja no rótulo de roupa, seja na embalagem que embala o electrodoméstico de marca nacional. 




    Agora estou numa empresa britânica, que diz que constrói manualmente os próprios electrodomésticos. E é verdade: vejo-os nas máquinas, a cortar as peças. Mas o que não é dito é que o material em si, vem de onde? Adivinharam: da China. 

    As partes que eles não compram em "chapa" para cortar, compram já moldadas. Todo o exterior de um electrodoméstico em particular é feito na China. Aqui limitam-se a fazer a pintura. (Por vezes mal). Os restantes electrodomésticos não são montados cá: vêm por inteiros de lá e trocam-lhes as tomadas aqui.

    Noutro dia estava a observar através da porta de vidro um colega a testar um electrodoméstico. O que me chamou a atenção não foi isso, mas o enorme caixote de cartão que estava ao lado. Fita adesiva com a palavra "quarentena" colada a toda a volta.

    Veio da China - o país que começou a alastrar o vírus CORONA. 
    O Corona está ativo e a alastrar-se.

    Não é um risco menor aos que estão "longe" da China. Porque a China não está longe de lado algum: está em todo o lado.

    quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

    Máscaras e o Corona Virus



    Tenho vindo a querer comprar uma coisa para uso próprio e tenho adiado. Inicialmente pensei em adquirir uma daquelas máscaras para motoqueiros, que só deixa à vista os olhos. Mas depressa mudei de ideias, porque as percebi pouco práticas e só me protegeriam do vento frio. Optei depois pelas golas altas, mas também mudei de ideias, eram demasiado caras para a simplicidade e nada dava garantias de que iam ficar seguras acima do nariz, sem escorrerem pescoço abaixo. Para isso, já me basta o gorro do casaco, que hoje ao soltar-se até fez cair ao chão um outro gorro que uso por dentro. Por sorte, dei conta e voltando atrás, foi possível apanhá-lo do chão.  



    Como caminho muito, quase sempre perto de vias rápidas, incomoda-me bastante quando recebo baforadas tóxicas dos tubos de escape dos carros a passar. Pessoas a fumar, a mesma coisa. Mas de há uma semana para cá, tenho andado a tossir, sinto-me mal, tenho uma narina a querer entupir mais que a outra, espirro muito, fico com os olhos inchados, parece que sinto pó nas pestanas e por mais que passe água a sensação permanece. Incomoda-me todo o tipo de "pó" que me chega ao nariz. O pó do café, o pó da madeira lixada todo o fim-de-semana na casa, por o senhorio estar a fazer renovações, o pó no emprego - que é imenso e que, feita parva, decidi passar uma vassoura pelo chão. No dia seguinte, senti as amígdalas inchadas, falhava-me a voz, parecia ter vidro na garganta e estava adoentada. 

    Mas não era início de constipação - como cheguei a temer por o local de trabalho ser frio. Ou melhor: a minha área, que fica perto de portas, é fria, mas cada vez que vou ao WC passo pela zona quente das máquinas de produção. Seria fácil deduzir que a exposição contínua a súbitas alterações de temperaturas resulta no que pode ser o início de uma constipação de inverno. 



    Mas a intolerância ao pó... ao cheiros fortes, já me indica o verdadeiro culpado: POLUIÇÃO. Partículas agressivas na atmosfera.



    E é por isso que decidi. Vou deixar a vergonha para trás - que neste país, a pesar de ninguém usar, usam burkas e outras coisas mais, velhotas pintam o cabelo nas cores do arco-íris, por isso não é caso de estranharem ver uma pessoa na rua a usar uma... máscara respiratória no rosto. 


    Preciso proteger-me destas agressões!!!
    É inacreditável, mas estou muito mais exposta aos perigos da poluição do que um fumador inveterado que vai e volta a todo o lado de carro. Sou fisicamente activa, gosto de andar na rua, mas isso não me traz mais saúde. Pelo contrário: pode tirar-ma. 


    Na busca por uma máscara eficaz e de preferência, de uso múltiplo, calhei ler o que acontece quando se respira demasiado as partículas nocivas. O pulmão pode inflamar. Posso até ganhar cancro. Corro o risco de contrair a Doença Crónica obstrutiva dos Pulmões, que praticamente me retira TUDO aquilo que mais gosto em mim e me define: a minha energia. Acabam-se as caminhadas (se conseguir dar dois passos é muito), acaba-se qualquer esforço. Tudo o que quiser fazer não irei fazer. Vou precisar respirar por garrafas de oxigénio. E ver a vida passar por mim.

    Não quero isso!
    Não mereço isso. 

    Mas estou à mercê, tudo indica que é provável. E o corpo está a dar os seus sinais. 
    É melhor escutar.

    Vergonha? Encabulada?
    Que se lixe!!


    E onde entra o Virus Corona nisto?
    Simples. As máscaras de rosto esgotaram em TODO O LADO. Até online. O preço das mesmas também inflacionou bastante. Esta epidemia foi logo calhar na altura em que eu decidi-me definitivamente pelo uso de máscaras de protecção no nariz, sem me importar com as «aparências». Está tudo esgotado mas ainda se encontram online. Quase todas da China, claro... Foi a única alternativa que tive e acabei por comprar no Ebay uma máscara com respiradoro e de uso contínuo, porque penso que ma vão entregar antes que o fim-de-semana chegue, pois pretendo ir para Londres. 

    Decidi ir passear lá e fui logo escolher ir para a cidade-grande num fim-de-semana de mais chuva e na altura em que o vírus Corona paira ameaçadoramente no ar... Mas não me vai travar. Se ficar em casa, vai ser o terceiro fim-de-semana com o pó das madeiras a correr livre, a vê-lo na mobília que acabei de limpar, na roupa da cama que quero lavar. Não me apetece. Mesmo. O que me apetece é subir ao topo de um edifício alto e olhar para baixo, ver tudo minúsculo, ir a jardins, conhecer locais por onde ainda não passei...

    E por isso, Londres, aí vou eu!

    E vocês?
    Como andam a lidar com esta epidemia?