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quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Novidades que tirara(ra)m um PESO dos OMBROS!

 

Depois do sucedido com a M., temi que ela me fosse difamar. Que o faça cá em casa com o rapaz, isso já dou como certo. Mas que o pudesse fazer com o pessoal da agência deixou-me preocupada. Na outra casa o senhorio nem quis me ouvir: tomou como certo as invenções que lhe despejaram em cima. Voltei a lembrar a dor e angústia dessa experiência. Temi que se repetisse. Não poderia suportar sujeitar-me novamente a essa situação. Antes não reagi, agora tinha de tomar uma atitude.

Muito insegura, com medo de ser interpretada como uma pessoa que não funciona bem da cabeça, dirigi-me à agência imobiliária. Fiquei tão indecisa! Não sabia se entrava, se saia... Decidi não entrar, caminhei, hesitei, voltei atrás, decidi entrar... Entrei, não tive coragem de passar pela porta... Não sabia como ia justificar a minha presença ali. 

O que realmente queria saber era se a M. andava a fazer intrigas de mim a eles. Sei que as faz cá em casa, com todos que ainda estiverem dispostos a lhe dar ouvidos. O que, na actualidade, é só o rapaz do andar de cima. Eu mal o vejo. Antes falava muito com ele mas desde que a M. se aproximou, é raro o encontrar. Parece até que este me evita. E isso faz-me sentir mal. 

Quem ela conseguir envenenar contra alguém, ela envenena. Como a minha dose deste tipo de situação foi quase mortal da última experiência, acho que ela tem de servir para me ensinar alguma coisa. A agir. A não ser totalmente passiva, como fui no passado. Por isso é que as mentiras venenosas pegam. Porque eu fiquei silenciada a aguentar o sofrimento da descriminação e gaslighting, sem reacção.

Assim que entrei na agência a senhora veio ter comigo. E me ouviu. Só isso tirou de imediato um peso de cima. Ela veio com duas novidades. Uma ela julgou ser  FANTÁSTICA: o rapaz do andar-de-baixo vai-se embora a 19 de Novembro. 

Eu logo perguntei: E a M?

Resposta: "Estamos a tentar expulsá-la"  (sensação de surpresa agradável).
"Não sabes mas ela não está a pagar a renda. Falamos com ela e justificou que tinha estado de férias. Disse-lhe que mesmo de férias tem de pagar a renda".

Por acaso até adivinhava, aliás, sabia, que ela não estava a pagar a renda. O que não é difícil de concluir quando se sabe que alguém não faz por encontrar trabalho. Faz mais de um ano que apanhei, por acaso, um extrato de transações bancárias deixadas entre papéis velhos e saltou à vista umas prestações fixas de ginásio e telemóvel que apareciam como "em dívida".  Não apareceu nenhuma entrada de salário e não vi sair nenhum pagamento avultado fixo, como o da renda. Depois prestei atenção no dinheiro a entrar e não havia nenhum, sem ser o fundo para estudos onde ela se meteu para ter quem a sustente sem ter de arranjar emprego. Uns 6000 euros. O que me revoltou mais ainda!

Isto faz mais de um ano e muito me surpreende que só agora é que a agência está a "tentar" expulsá-la. Se fosse comigo tenho cá para mim que não demonstrariam tanta paciência. Mas creio que não é o caso para se ser paciente. É o caso de temer que a pessoa lhes dê trabalho, lhes faça frente. A M. é exatamente esse tipo de pessoa. Aquele tipo de pessoa que não vais conseguir expulsar. Que vai recorrer a todo o tipo de truques. Até virar "boazinha" quando lhe convém, só para passar debaixo do "radar" das suspeitas. 

Um peso enorme abandonou os meus ombros quando soube que a agência pretendia expulsá-la. Mas logo ela me disse que: "não era fácil". Eu respondi que só de saber disso já me fazia aguentar mais um pouco. (Porque eu já estava a pensar sair). Ela repetiu "estamos a tentar"

O peso que me saiu dos ombros foi tão grande. Nem dei conta do quão grande ficou só de a ter de volta. Era esmagador! Não estava lá aquando a sua ausência. Mas voltou todo em peso com a sua presença.

Senti-me leve, alegre. Há esperança! E melhor: eles sabem que ela não é "não é boa pessoa" - citando a senhora da agência.
Só depois percebi que ela colocou ênfase em "tentar"

A M. não vai sair daqui. Nunca. 
É demasiado ardilosa e má intencionada para se deixar levar na primeira investida. 

Adorava que fosse esta a minha bênção dos céus por altura do Natal.

Quem vai sair é o rapaz do andar-de-baixo. Para mim pouca diferença faz. A não ser temer que venha mais um para a M. encher de veneno. E outro desarrumado, porque a casa está com mau aspecto e quem aceitar viver nela só pode ser pouco asseado. 

A M. detesta o rapaz de baixo. Há um mês veio cheia de falas mansinhas para mim, contou-me que foi à esquadra queixar-se dele. Mas que eles não podiam fazer nada porque ele não a agrediu. Quis que eu a apoiasse porque, num próximo desentendimento, ela não hesitaria em fazer queixa dele. E eu fiquei a pensar o quanto ela provoca as pessoas e as tortura. Jamais 
podia ficar do lado dela. 
Ela o quer expulsar daqui desde o início. Tentava fazer-me a cabeça contra ele. Mas não conseguiu. Acabei por deixar de lhe falar e ele, como consequência, ficou agressivo e a fazer bullying. Mas passada essa (longa) fase de 6 meses, ele, mesmo cheio de raiva, fazia a vida dele e deixou de interferir na minha. 

Ele sair vai saber-lhe a presente de Natal. Vai ficar no céu. E achar que tudo está bem. Agora só faltava EU sair. Vai tornar-me no seu alvo exclusivo. Quem merece esse gostinho, essa felicidade sou eu! Que ele se vá embora antes dela parte-me o coração. Não me sinto nem um pouquinho feliz. Se não for ela a sair, esta casa não vai conseguir entrar nos eixos. Durante a sua ausência de quase duas semanas, a casa manteve-se direita. Nada de bagunça, nada de sujidade das grandes. O rapaz do andar-de-baixo tem problemas, mas no geral, faz a sua vida sem perturbar. Eu é que mereço ter o gostinho de ver a M. fora daqui. Esse prazer devia ser meu, não dela!

Talvez até arrange um qualquer esquema para cá enfiar o rapaz que enfia no quarto todo o fim-de-semana. Isso se for sempre o mesmo porque, se os esconde, tanto pode ser um como cem. 

Ela gasta dinheiro que não tem a uma velocidade cruzeiro. Mas parece que tem pacto com as forças do mal: cai sempre de pé. Nunca é derrubada.

Quem será que ela está a usar de momento para conseguir dinheiro? Sim, porque as tetas do governo não vão durar para sempre. E, supostamente, esse dinheiro tem de ser devolvido após a pessoa se empregar na área. Coisa que nunca vai acontecer com a M. Até porque me parece que ela já abandonou os estudos faz muuuito tempo. 

Para meu terror, li algures uma notícia com o título: "O que acontece às pessoas que não pagam os empréstimos de estudo?".

Aparentemente nada. A pessoa apenas fica "sem crédito" para se financiar. LOL. A sério UK??? Até parece que esta gente alguma vez vai requerer crédito. Vive é de esquemas para tirar dinheiro, não é gente direita que visa obter propriedade ou bens para pagar para o resto da vida. 

A M. cai sempre de pé. Passa um ANO e ela sobrevive de esquema em esquema. Sem se preocupar em enveredar pela vida honesta de trabalho. Desta vez quero que caia e fique no chão. Mas num fora daqui. Que vá para bem longe e nunca mais apareça.





terça-feira, 24 de março de 2020

Desânimo?


Há momentos na vida em que pensamos: "de que vale a pena?".
Sinto-me irrequieta, tenho dificuldade em adormecer e, se adormeço, acordo poucas horas depois sem conseguir voltar a dormir.

E por isso aqui estou... 2h da manhã, a escrever no blogue.

Desde que regressei ao Reino Unido e fui dispensada do emprego, tenho estado a trabalhar. É paradoxal mas até hoje tem sido assim. Iniciei um novo full time ontem, que de full só teve a manhã. A incerteza nesta área regressou ao ativo.

Desânimo. Pelas pessoas e pela humanidade.


Embora o exemplo que tenha recebido vindo de notícias de Portugal não envergonham ninguém. Dá-me gosto perceber como o país está a reagir à pandemia. Sei que tem existido também casos de pessoas que «não apanharam a mensagem» mas no geral, desde aqueles que fazem humor que aligeira as preocupações, aos reformados que se oferecem para prestar assistência médica nestes tempos de contágio, às unidades de rastreio, às desinfecções de tudo o que é lugar público... Desse lado do oceano só me chegam coisas que restauram a fé na humanidade.



Mas deste lado, nem tanto. 

E é aqui que vivo. É aqui que gostaria de ter por perto alguém que gerasse em mim esta sensação de orgulho. De que vale a pena viver. E não tem acontecido. Ao contrário. As pessoas na sua grande maioria continuam parvas. Não cumprem a distância social, vão às compras com as crianças todas, bebés em carrinhos, tossem livremente e, em tempos de solidariedade, não se coíbem, muitas delas, de serem rudes.

Quando saí do emprego ontem dispensada de voltar, (quase fui atropelada e por minha responsabilidade, que olhei para a rotunda a ver se vinha trânsito e esta estava vazia, logo passei a estrada. O problema é que o sentido do trânsito era o oposto e o meu cérebro por um instante não detectou o erro),  não pude deixar de sentir alguma inquietação. Já tinha trabalhado naquele lugar antes, mas quando cheguei, não encontrei ninguém, quando finalmente encontrei, não escutaram o que eu disse através da máscara. Deram-me uma função: a de descarregar um camião cheio de caixas e passar um marcador preto no código de barras de cada uma.  Não estava sozinha, outros três lá estavam, homens, cada qual com a sua função. A regra nestes lugares é só uma: ser rápido. Estão a julgar-te desde o início com base na velocidade. As caixas eram atiradas do camião para o chão sem grandes preocupações, tombavam, caiam, eram chutadas... Velocidade acima de qualquer coisa.

Mas foi a conversa entre dois deles que me deixou apreensiva. Enquanto falavam do Corona, diziam que mesmo que tivessem doentes não eram pessoas de ficar em casa. O motorista do camião disse que aquele era o seu último dia a trabalhar, porque tinha a mulher doente e ia ficar em casa a tomar conta dos filhos. "Doente? Doente do quê??" - pensei eu. 

Se um diz que vai trabalhar mesmo que se sinta mal e outro vai trabalhar mesmo que alguém próximo de si esteja doente - isto é o "núcleo" de gente que me rodeia. Um deles usava máscara mas os restantes no armazém inteiro, não podiam estar mais à vontade. Nada de luvas, falavam livremente uns com os outros, sorriam e riam na cara uns dos outros, uma das mulheres levou um prato com uma espécie de pizzas em miniatura e partilhou com as pessoas de quem gostava, outro estendeu um saco de snacks para outra provar...

Onde estão os comportamentos de segurança que a ocasião exige? 
É aquela postura típica de que tudo é um exagero e um absurdo e que eles é que estão "com a razão". Opá, se a selecção natural fosse realmente selectiva, estes seriam os primeiros num contexto de contágio, a vir a morrer. Mas infelizmente, mesmo que ficassem contaminados, provavelmente alguém que tomou todas as precauções, um enfermeiro ou médico qualquer que arrisca a vida todos os dias e faz sacrifícios familiares, é que «bate as botas» e eles sobrevivem. Para depois, sentirem-se ainda mais convencidos de que são invencíveis e nada os derruba, e voltam a repetir o ciclo.

Fui dispensada mais cedo (e permanentemente) porque ninguém soube indicar-me o que pretendiam que eu fizesse. Depois de ter terminado de tapar os códigos de barras - também mal explicado porque às tantas, uma das chefes chega e diz que a caixa que acabei de riscar não era para ser riscada - fiquei sem orientação. Então fui procurá-la. Quando avistei o chefe, perguntei-lhe que mais podia fazer. Este grita para uma rapariga que lá está "caixa" e manda-me subir ao piso de cima para a ajudar. Quando chego, ela põe-me um pack de caixas de cartão nas mãos e vira as costas. Eu pergunto: "o que é suposto eu fazer com isto?". Ela encolhe os ombros e diz: "Pergunta ao Greg". Lá desço eu ao piso inferior, com as caixas, só para não encontrar lá ninguém. "A sério? Isto vai voltar a ser assim? Uma total desorganização?" - pensei, já a não gostar da experiência.

É que nesta empresa, ninguém é capaz de especificar o que pretende que tu faças. E depois, se não demonstrares que o sabes fazer, ainda olham para ti em reprovação. Sabem quando chega uma pessoa nova e alguém tem de a orientar pelos procedimentos? Esqueçam. Tratam-te como uma reles e substituível peça. Se mostrares que tens voz, opinião, não gostam de ti. Após mais uma outra "ordem" transmitida apenas por um apontar de dedo de um sítio para o outro e o dizer: "ali", cresceu a minha frustração. Ao executar a tarefa, pareceu-me claro que não estava a ser feita como deve de ser. E pensei: "mas porquê não têm capacidade de explicar o que pretendem, dar o exemplo, custa tanto assim?". Ia precisar de uma lâmina para cortar as caixas, não havia nada disponível, não explicam nada... eu sei que não era a primeira vez que ali estava. Mas tirando a rapariga, ninguém me reconheceu. O facto de ser tratada quase como se não estivesse ali fez-me sentir menos tolerante com o descaso e falta de profissionalismo. Acabei por pedir ao chefe que me desse uma função, explicasse o que pretende e me desse ferramentas para a fazer. Ele fez cara de quem não estava a entender nada. A rapariga ao vê-lo aproximar-se comigo a falar ao seu lado, subitamente já prestou-me atenção.  Largou o que estava a fazer para vir saber o que se passava e "oferecer" ajuda! Conheço-a bem. Em Outubro, quando ela apareceu na empresa para trabalhar, percebi logo que tipo de pessoa era. Ainda assim, fiz questão de lhe explicar como era o procedimento. Quando ela aprendeu algo mais, não soube demonstrar a mesma capacidade de partilha nem de ensinamento. Limitava-se a sorrir e a fingir que não entendia o inglês.

Mas assim que aparecia um dos chefes, ela até chinês passava a entender! Baldava-se um pouco e fazia as coisas sem rigor. Mal via o dono, ia a correr ter com ele a sorrir e a mostrar serviço. Apoderou-se de uma função específica e quando fui mandada para a ajudar não me explicou nada e ainda demonstrou falta de vontade, tentando empurrar-me para outro lado. Percebi que não queria que aprendesse o ofício. Queria ter a exclusividade, para mostrar que tinha mais valor, era melhor que eu.

Em suma, porque mostrei descontentamento e pedi para que me explicassem o que era para fazer, dispensaram-me. Ainda gozaram, puseram-se a rir. A rapariga em particular, deu risadas que não mais acabavam. Estava a querer agradar o chefe. Até me fez perguntar: "é assim tão humorístico?". Não que me rale, mas decepciona-me. Fico sempre a desejar que as pessoas demonstrem um carácter acima do que são capazes, talvez. 

Depois disso ainda continuei a trabalhar. Já tinha feito umas tantas coisas quando vieram ter comigo a dizer como as queriam. Agradeci-lhes e fiz conforme o pretendido. Mas estavam todos mais inclinados a ser críticos do que a colaborar.

Numa altura fui ao WC, mas antes olhei para o relógio. Quando regressei ao mesmo lugar, voltei a olhar para o relógio: cinco minutos. Fui, fiz, voltei. Um tempo recorde. Mas nesse tempo algo aconteceu. Nisto a rapariga passa atrás das minhas costas e começa a cantarolar.

Conheço aquele "cantarolar". Era o mesmo que fazia quando ganhava a preferência do patrão. Um cantarolar vitorioso, de conquista sobre o adversário. Percebi de imediato que algo mau vinha para o meu lado, porque só isso a fazia cantarolar daquela maneira. Talvez tenha aproveitado a minha ida ao WC para dar a entender que eu tinha "desaparecido" ou largado o posto por muito tempo. Minutos a seguir, fui dispensada pelo chefe.

Depois, já em casa... sozinha no quarto, carente, decepcionada, cheia de incertezas, o pensamento voou de volta para ele. Também foi inesperado, uma falta de carácter com que não contava. E ainda dói. 

As minhas hormonas andam a mexer com o meu estado de espírito. 
Junto com as memórias, tudo causou algum desânimo. 
Preciso de bons exemplos de humanidade e de ter ao meu lado uma pessoa de valor acima da média. 


PS: passei por uma loja na saída do emprego e para pagar as compras, tive de tirar a luva e tocar no monitor. Bem que tentei com luva e até outros materiais, mas a máquina só aceita o contacto da pele. Então tirei a luva, abri o casaco, tirei o desinfectante, passei num lenço de papel e esfreguei-o monitor da máquina registadora. Na mão esquerda segurava um saco e a luva removida, no peito os artigos que ia comprar e a mão direita fez os procedimentos na máquina. Quando passei o primeiro artigo no scanner, atirei-o para a área de repouso, porque tinha o outro seguro ao peito. O artigo era leve e escorregou para o chão. Pretendia apanhá-lo no final, quando estivesse com as mãos mais livres. Nisto a funcionária que está ali só para auxiliar as pessoas que usam as máquinas aproxima-se e diz, num tom de voz altivo: «não atire os artigos!». A sério?? Pensei. Numa situação de Covid-19, ela viu o procedimento pelo qual passei para registar um artigo, percebeu que não foi um arremesso intencional e aproxima-me para me criticar? Se fosse para ajudar... é que olhei para o monitor e o artigo não passou com o preço que estava registado, mas com outro acima deste. Diante disso e da postura da empregada, decidi deixá-lo para trás e fui embora. Só dei três passos fora da porta, quando fui para enluvar a mão e notei que não segurava mais a luva. Voltei atrás, olhando para o chão. Não vi a luva em lugar algum. Perguntei à mesma funcionária se tinha visto a luva, porque eu tive de a descalçar ali naquele sítio há instantes apenas, para usar aquela máquina. Ela, com uma voz muito prestativa e dócil, disse que não tinha encontrado nada, só umas luvas pela manhã e foi buscá-las para mas mostrar. Agiu como se não me reconhecesse de à segundos atrás. Era claro que aquelas luvas pretas esquecidas pela manhã não eram minhas. foi há 10 segundos, não há 10 horas! Era impossível eu ter perdido a luva em qualquer outro lugar. Foi ali mesmo que deve ter caído. Não tinha como não a encontrar no chão. A menos que alguém a tivesse apanhado. E só podia ter sido ela, a funcionária. 

Negá-lo e ficar-me com a luva foi uma forma mesquinha de se vingar. 

Foi mais uma situação que contribuiu para que o dia de ontem não fosse o mais feliz e fez que aumentasse a sensação de desânimo para com o mundo. Agora encontro-me em insónia, a reflectir nas mesquinhices da vida e a deixar que estas me incomodem.

Escrever sobre as mesmas já ajudou a fazê-las passar. 

Tenho também de mudar a minha atitude com a vida... Aprender a reformular a forma como expresso descontentamento. Não sou agressiva mas tenho de aprender a ser como a funcionária: mais fingida, escolher melhor as palavras... dizê-las e não as engolir, mas a usar um tom dócil com acidez em simultâneo.