Vai acabar por ser decretada a mesma medida que está em voga em toda a europa: o Reino Unido vai ter de decretar estado de Emergência e dizer às pessoas para ficar em casa.
Hoje, 15h, ao passar pela mesma esplanada e café onde no dia anterior avistei a malta toda no relax, vi os empregados no interior a limpar tudo e as cadeiras e mesas lá dentro. Ou decidiram fechar mais cedo, ou então fecham de vez. Até que enfim, algum discernimento!
Mas as pessoas não temem o vírus. Não se protegem, protegendo assim os outros. Cada vez que saio à rua, coloco uma máscara. Mas tenho medo. Pois a máscara não me protege a mim. Protege-os a eles. A todos aqueles que se cruzam comigo. Porque o ar que sai da minha boca, a saliva que pode vir junto quando falo, não vai cair em cima de nada nem ninguém. E as luvas que uso impedem-me de contaminar objectos, alimentos e máquinas de supermercado de auto-pagamento. Mas se alguém tossir perto de mim, os meus olhos são como duas janelas abertas para as minhas células.
Pode não parecer, mas já uso aquela máscara faz um mês!
Para mim, isto não tem dias, nem semana, mas um mês. Pois foi quando decidi ir a Londres que optei por a comprar para a usar na metrópole. Acabei por não o fazer - mas se tivesse sido contaminada nesse dia, por esta altura já o saberia. Usei-a dois dias depois, para ir ao emprego e não respirar o ar poluído.
Por incrível que pareça, estou a ser alvo de maior hostilidade por parte das pessoas agora, que o Cóvid finalmente obriga os governantes a tomar medidas de maior contenção, do que há um mês, quando comecei a colocar a máscara. Se bem que no emprego, com os colegas que me viram aproximar com ela, fui um tanto gozada, fizeram caretas e não queriam aceitar que era necessária por qualquer que fosse o motivo. No avião da Easyjet, sete dias atrás, não foi muito diferente. E foi por parte da TRIPULAÇÃO que senti essa hostilidade.
Para mim, isto não tem dias, nem semana, mas um mês. Pois foi quando decidi ir a Londres que optei por a comprar para a usar na metrópole. Acabei por não o fazer - mas se tivesse sido contaminada nesse dia, por esta altura já o saberia. Usei-a dois dias depois, para ir ao emprego e não respirar o ar poluído.
Por incrível que pareça, estou a ser alvo de maior hostilidade por parte das pessoas agora, que o Cóvid finalmente obriga os governantes a tomar medidas de maior contenção, do que há um mês, quando comecei a colocar a máscara. Se bem que no emprego, com os colegas que me viram aproximar com ela, fui um tanto gozada, fizeram caretas e não queriam aceitar que era necessária por qualquer que fosse o motivo. No avião da Easyjet, sete dias atrás, não foi muito diferente. E foi por parte da TRIPULAÇÃO que senti essa hostilidade.
Deve de ser inveja. Por esta altura já toda a gente gostaria de ter uma. Mas não as há. Então hostilizam quem as tem, porque estão cheias de medo.
Bem que aviso que podem fazer umas. De vários tipos. O youtube está cheio de tutoriais a explicar. Mas a que eu mais gostei foi o de uma tipa espanhola, focada no pessoal médico, que simplesmente cortou uma capa plástica tamanho A4, daquelas que usamos para colocar folhas dentro, colocou um cordel em cada extremidade, e fez uma máscara transparente que cobre o rosto inteiro. Não só protege o nariz e boca, como os olhos.
Ontem foi o primeiro dia de "quarentena" a meio-gás aqui em casa. E senti-me triste. Já não me dói mas sinto tristeza. Não entendo e nunca vou entender, porque sei que não há motivo. Mas permiti que agissem assim e agora fazem-no com satisfação e de forma rotineira. Vou ter de ficar fechada em casa com três italianos. O quarto, ficou na itália. Esses três, ontem, chegaram separados, foi cada qual para o seu canto. Mas na hora do jantar, comigo na sala a ver televisão e tendo interagido com eles (tenho sempre de tomar a iniciativa, ninguém me fala se não o fizer), o rapaz estava a cozinhar. E eu percebi que não era só para ele. Ainda fiquei à espera de escutar: "queres comer connosco?".
Mas não escutei nada. Vi meterem três pratos na mesa, sentarem-se, comerem, conviverem. Este isolamento devido ao vírus vai ser muito divertido para os três. Mas para mim, vai ser um duplo isolamento. Não só vou estar isolada do mundo, como vou estar isolada de contacto humano.
Preferia ter a minha própria casa, isolar-me nela sozinha. Seria mais pacífico que ter de me sujeitar diariamente a exemplos destes. Que se repete agora mesmo, enquanto escrevo. Estive na área comum da casa, a tarde toda, só saí de lá estavam eles a cozinhar. Lancharam primeiro, serviram vinho, convivem na boa. Só falam italiano, sem parar. Desculpe-me quem gosta, mas palrar dessa maneira sem pausa para um silêncio não é agradável. Estava na sala a ver um filme em inglês, sem legendas. Quase todo o diálogo foi imperceptível devido ao falatório e gargalhadas. Mas não saí. Mas também não usufrui do filme com o gosto que podia ter tido, caso a atmosfera fosse mais serena, tranquila. Quando eles vêm TV - que deve ser daqui a 5m, todos juntinhos também - gostam de estar concentrados e que não exista ruído a atrapalhar.
A mais-velha chegou a casa com uma mala de computador, que deixou numa cadeira na sala. Pelos vistos vai começar a trabalhar em casa amanhã. Só espero que não queira transformar a sala, que é um open space para a cozinha, no seu escritório. E que não imponha que os outros fiquem nos seus quartos para que ela possa estar ali sossegada. Nem espere que deixemos de acender a TV, fazer barulho, conversar...
Quer dizer: digo isto mas sei que essa regra só se aplica a mim.
Os outros podem fazer o que quiserem, têm imunidade de nacionalidade.
Ouvi-os rejubilarem de contentamento quando a mais-velha contou que ocupava o WC pela manhã de propósito para que eu não o pudesse usar. Como se eu não soubesse! Não contei nada aqui mas, às 6.30 da manhã, o meu despertador tocava para me preparar e sair às 7h. Ela, que sai às 8.00, colocou o dela a tocar 10 minutos mais cedo, para ser ela a ocupar o espaço. Ficava sempre sentada na sanita 30 minutos, com o telemóvel na mão, a ver séries, filmes, programas italianos, etc
Numa casa partilhada, isso não é um luxo a que tenhas direito. Muito menos em dia da semana, pela manhã. Mas se fosse um deles - um italiano a precisar de usar o espaço a essa hora, aposto como ela perderia esse hábito rapidinho.
E é assim. O que vai ser pior?
O Corona (nome italiano) ou os colegas italianos?











