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quinta-feira, 19 de março de 2020

Isolamento duplo


Vai acabar por ser decretada a mesma medida que está em voga em toda a europa: o Reino Unido vai ter de decretar estado de Emergência e dizer às pessoas para ficar em casa. 

Hoje, 15h, ao passar pela mesma esplanada e café onde no dia anterior avistei a malta toda no relax, vi os empregados no interior a limpar tudo e as cadeiras e mesas lá dentro. Ou decidiram fechar mais cedo, ou então fecham de vez. Até que enfim, algum discernimento!

Mas as pessoas não temem o vírus. Não se protegem, protegendo assim os outros. Cada vez que saio à rua, coloco uma máscara. Mas tenho medo. Pois a máscara não me protege a mim. Protege-os a eles. A todos aqueles que se cruzam comigo. Porque o ar que sai da minha boca, a saliva que pode vir junto quando falo, não vai cair em cima de nada nem ninguém. E as luvas que uso impedem-me de contaminar objectos, alimentos e máquinas de supermercado de auto-pagamento.  Mas se alguém tossir perto de mim, os meus olhos são como duas janelas abertas para as minhas células. 

Pode não parecer, mas já uso aquela máscara faz um mês!
Para mim, isto não tem dias, nem semana, mas um mês. Pois foi quando decidi ir a Londres que optei por a comprar para a usar na metrópole. Acabei por não o fazer - mas se tivesse sido contaminada nesse dia, por esta altura já o saberia.  Usei-a dois dias depois, para ir ao emprego e não respirar o ar poluído.

Por incrível que pareça, estou a ser alvo de maior hostilidade por parte das pessoas agora, que o Cóvid finalmente obriga os governantes a tomar medidas de maior contenção, do que há um mês, quando comecei a colocar a máscara. Se bem que no emprego, com os colegas que me viram aproximar com ela, fui um tanto gozada, fizeram caretas e não queriam aceitar que era necessária por qualquer que fosse o motivo. No avião da Easyjet, sete dias atrás, não foi muito diferente. E foi por parte da TRIPULAÇÃO que senti essa hostilidade.

Deve de ser inveja. Por esta altura já toda a gente gostaria de ter uma. Mas não as há. Então hostilizam quem as tem, porque estão cheias de medo. 

Bem que aviso que podem fazer umas. De vários tipos. O youtube está cheio de tutoriais a explicar. Mas a que eu mais gostei foi o de uma tipa espanhola, focada no pessoal médico, que simplesmente cortou uma capa plástica tamanho A4, daquelas que usamos para colocar folhas dentro, colocou um cordel em cada extremidade, e fez uma máscara transparente que cobre o rosto inteiro. Não só protege o nariz e boca, como os olhos. 

Ontem foi o primeiro dia de "quarentena" a meio-gás aqui em casa. E senti-me triste. Já não me dói mas sinto tristeza. Não entendo e nunca vou entender, porque sei que não há motivo. Mas permiti que agissem assim e agora fazem-no com satisfação e de forma rotineira. Vou ter de ficar fechada em casa com três italianos. O quarto, ficou na itália. Esses três, ontem, chegaram separados, foi cada qual para o seu canto. Mas na hora do jantar, comigo na sala a ver televisão e tendo interagido com eles (tenho sempre de tomar a iniciativa, ninguém me fala se não o fizer), o rapaz estava a cozinhar. E eu percebi que não era só para ele. Ainda fiquei à espera de escutar: "queres comer connosco?".

Mas não escutei nada. Vi meterem três pratos na mesa, sentarem-se, comerem, conviverem. Este isolamento devido ao vírus vai ser muito divertido para os três. Mas para mim, vai ser um duplo isolamento. Não só vou estar isolada do mundo, como vou estar isolada de contacto humano. 

Preferia ter a minha própria casa, isolar-me nela sozinha. Seria mais pacífico que ter de me sujeitar diariamente a exemplos destes. Que se repete agora mesmo, enquanto escrevo. Estive na área comum da casa, a tarde toda, só saí de lá estavam eles a cozinhar. Lancharam primeiro, serviram vinho, convivem na boa. Só falam italiano, sem parar. Desculpe-me quem gosta, mas palrar dessa maneira sem pausa para um silêncio não é agradável. Estava na sala a ver um filme em inglês, sem legendas. Quase todo o diálogo foi imperceptível devido ao falatório e gargalhadas. Mas não saí. Mas também não usufrui do filme com o gosto que podia ter tido, caso a atmosfera fosse mais serena, tranquila. Quando eles vêm TV - que deve ser daqui a 5m, todos juntinhos também - gostam de estar concentrados e que não exista ruído a atrapalhar. 

A mais-velha chegou a casa com uma mala de computador, que deixou numa cadeira na sala. Pelos vistos vai começar a trabalhar em casa amanhã. Só espero que não queira transformar a sala, que é um open space para a cozinha, no seu escritório. E que não imponha que os outros fiquem nos seus quartos para que ela possa estar ali sossegada. Nem espere que deixemos de acender a TV, fazer barulho, conversar...

Quer dizer: digo isto mas sei que essa regra só se aplica a mim.
Os outros podem fazer o que quiserem, têm imunidade de nacionalidade.

Ouvi-os rejubilarem de contentamento quando a mais-velha contou que ocupava o WC pela manhã de propósito para que eu não o pudesse usar. Como se eu não soubesse! Não contei nada aqui mas, às 6.30 da manhã, o meu despertador tocava para me preparar e sair às 7h. Ela, que sai às 8.00, colocou o dela a tocar 10 minutos mais cedo, para ser ela a ocupar o espaço. Ficava sempre sentada na sanita 30 minutos, com o telemóvel na mão, a ver séries, filmes, programas italianos, etc

Numa casa partilhada, isso não é um luxo a que tenhas direito. Muito menos em dia da semana, pela manhã. Mas se fosse um deles - um italiano a precisar de usar o espaço a essa hora, aposto como ela perderia esse hábito rapidinho.

E é assim. O que vai ser pior?
O Corona (nome italiano) ou os colegas italianos?

quarta-feira, 11 de março de 2020

Medo do Corona


Pela primeira vez desde que se ouve falar do Corona Virus, estou com receio.
Vivo com italianos, que estão sempre a viajar para itália e a voltar. Acho até que um deles está lá neste momento. Anteontem, o "rei-da-casa" apareceu para uma visitinha, acabadinho de vir de onde? Itália... da cidade dos desfiles de moda.


Também vivo nas proximidades de um aeroporto, fui a Londres... 
Quero dizer: se por acaso um portador do vírus cruzar-se contigo é por pura casualidade que podes contrair esta doença mortal. E uma vez adquirida, não há máscara, álcool etc que te salve. Basta inalar uma partícula, quem sabe? Não explicam...



Não tocar em superfícies comuns é tudo muito bonito de se dizer.
Eu já tento fazer isso por natureza própria faz anos. 
Mas é impossível, quando se respira o mesmo ar, não "apanhar" o que estiver lá para se apanhar. 


Preparo-me também para fazer uma curta viagem. Já nem sei se quero ir.
Estava contente com esta «escapadinha» rápida para resolver questões de saúde pendentes e iniciadas em Portugal. Queria ver a criança na família. Mas temo que sejam os próprios pais a dizerem que não querem, temendo que o facto de me ter deslocado internacionalmente de um lugar para o outro e cruzado com imensa gente, possa ser um factor de risco que não querem tomar.

Este Corona já nos está a afectar a todos.
Imagino que é agora que vão terminar as piadas e começar o medo.


sábado, 19 de janeiro de 2019

Todo o dinheiro do mundo



Alguma vez ouviram falar do nome Getty?

Jean Paul Getty (1892-1976) foi um bilionário americano que fez fortuna principalmente no petróleo. Ele não era apenas rico, foi o homem mais rico que alguma vez existiu na terra. Em 1973 um dos seus 14 netos foi raptado no sul de Itália e um resgate foi pedido ao milionário. Getty recusou pagá-lo. Apesar da sua imensa fortuna e gosto por obras de arte, ele era um homem incapaz de desperdiçar um cêntimo, mesmo para salvar a vida de um familiar. Ele lavava a própria roupa interior para não ter de pagar a alguém que o fizesse por ele e, dizem, quando a manga da camisa ficava amarelada,  cortava essa parte e continuava a usar. Era, portanto, extremamente poupado. Investia em obras de arte que tinha armazenada por todos os cantos da sua mansão com 72 quartos, porque valorizavam. Acabou por acordar em emprestar dinheiro para pagar o resgate.


Mas não foi só a sua sovinice que o impediu de ajudar Paul, o neto, ele também tinha princípios. Acreditava que nunca se deve ceder à chantagem e pagar resgates, porque isso é passar a mensagem a todo o criminoso do mundo que se trata de uma forma de conseguir dinheiro fácil. Ele também disse não querer colocar um preço na vida dos seus outros 13 netos.  Concordo inteiramente com esta parte. Mas tratando-se da vida do neto e sendo ele apenas o homem mais rico do planeta, a sua decisão não deixa de ser intrigante. A verdade é que, definitivamente, qualquer pessoa com ideias de rapto deve ter decidido que jamais ia colocar debaixo da mira a família Getty, porque não compensava. 

Paul acabou por ser solto após os raptores terem baixo consideravelmente a quantia de 17 milhões para três (requer confirmação). O bilionário apenas concordou em pagar o valor permitido por lei que pudesse ser deduzível nos impostos: cerca de milhão e meio. O restante, ele emprestou ao filho com juros a 4%. 

Este tio Patinhas tinha, a meu ver, um problema cognitivo na sua relação com dinheiro. Uma doença. Era incapaz de o gastar sem que envolvesse um negócio lucrativo. Fazer dinheiro era um prazer excitante e precisava de fazer muito, sempre com a maior margem de lucro possível. A sua mansão foi comprada em 1959 por 60.000 dólares. Quarenta anos antes o então proprietário pagou por ela o dobro! E certamente que nesse tempo fez renovações, expandiu, melhorou alguma coisa. Em quarenta anos a propriedade valorizou bastante mas Paul consegui-a quase de graça. Vejam só o quanto este homem se excitava na busca incansável pela maior barganha do mundo. 



Por causa desta história deixo-vos uma sugestão cinematográfica para o fim-de-semana. Vejam o filme  "Todo o dinheiro do Mundo" (All the money in the world) - 2017. Dirigido por Ridley Scott e protagonizado por excelentes atores. O papel do bilionário chegou a ser interpretado por Kevin Spacey mas o ator foi afastado. Christopher Plummer tomou o seu lugar e gostei bastante do resultado final. Arrisco dizer que terminou por ser melhor. À altura do rapto o bilionário era um homem de 80 anos e Kevin teve de usar próteses para "envelhecer". Christopher é puramente verosímil nesse aspecto e, tem de se dizer, faz uma interpretação maravilhosa. Um detalhe: o ator chegou a conhecer o verdadeiro bilionário.

Tal como todos, o filme altera alguns factos, mas vale a pena ver. Confesso que Getty é um nome que até agora só me fazia lembrar os créditos da maioria das imagens que se vêm publicadas na imprensa em papel. "Cortesia da agência Getty" - dizem quase todas. 

Não é coincidência, a agência é da mesma família. 


Já conheciam esta figura?

terça-feira, 30 de julho de 2013

Se o George Clooney conhecesse Portugal abandonava a Itália!

A propósito do post anterior - sobre a beleza da cidade de Lisboa, lembrei do seguinte:

Se George Clooney conhecesse Portugal, abandonava a Itália!

Bom, digo isto porque segundo a imprensa ele escolheu aquele país como residência porque lá observou uma coisa espantosa: os trabalhadores a regressarem do trabalho para casa a assobiar, sem pressa e com a enxada às costas. Querido Clooney, por cá a UE tornou um pouco difícil as actividades agrícolas e praticamente forçou os nossos muitos agricultores e pescadores a largar a enxada e as redes de pesca mas ainda vais encontrar - e em plena cidade, quem cultive em hortas improvisadas. O gosto pela "enxada" não abandona este povo que adora conviver com a natureza.

Quanto ao peixe, encontra-o ainda em muitos dos mercados municipais espalhados por todos os cantos de Portugal - uma maravilha a não perder. Como povo entre nós somos resmungões e para nós tudo está quase sempre mal - é um defeito é verdade, mas fazêmo-o com humor e por alguma razão acolhemos bem e estamos bem dispostos e divertidos. Somos curiosos mas não somos intrometidos e avistar uma celebridade não é nada de extraordinário. Os jovens falam todos inglês fluente e outras línguas também. Os mais velhos podem não o fazer mas sabem comunicar e ser acolhedores sem que a barreira linguística atrapalhe - característica comum a todo o povo, independentemente da idade. Quando um novo morador aparece e entra na rotina, passa a ser um de nós e é bem vindo. Comida? A melhor do mundo! Bem, a minha opinião é de quem nasceu portuguesa e cá viveu a maior parte do tempo. Como tal é suspeita. Não experimentei os estilos de comida que imagino que o excelentíssimo Clooney provou mas mesma assim arrisco: temos da melhor gastronomia, e a preço de chuva. Mas se quiser provar disto aprece-se sr. Clooney, pois a UE também andou a interferir na qualidade dos alimentos, expulsando os nacionais e forçando as importações de produtos claramente de qualidade inferior à nacional. 

Arroz Doce - doçaria típica portuguesa

"ODE" a Portugal

Já fui turista em Itália, por uns dias, e tal como intuía, sr. Clooney, em comparação com este país quase tudo é semelhante. A mesma fauna, semelhante flora, a mesma cor, quase a mesma luz, os mesmos grafitis, quase os mesmos comboios raquíticos e outros mais modernos, etc. Mas em minha modesta opinião Portugal e Lisboa em particular ainda saem a ganhar quando comparada a Roma e talvez Itália. Pois de comida por lá a pastelaria é um horror de sabor idêntico e artificial - pelo menos o foi para mim durante a breve visita tipicamente turística. A qualidade da água é de fugir de tão má que é, até a engarrafada é de estranhar para quem está habituado a outras texturas e frescura. Embora Roma tenha bicas em cada rua e Lisboa as tenha visto desaparecer, a nossa água é de superior qualidade. Espaços verdes no meio da cidade de Roma é vê-los como miragens! São poucos, tão poucos que mais depressa se sente os efeitos dos 35ºC de calor do que o prazer de uma sombra. E quem fala de espaços verdes também fala de locais para se sentar, sem se ser forçado a consumir. Bancos de jardim ou bancos de passeio não recordo de ter visto nenhum em Itália. Era a turistada toda sentada nas escadarias - e não é porque são bonitas, é porque o pessoal está cansado e não tem alternativa! De tudo isto Lisboa não padece. Temos escadarias, bairros catitas, espaços verdes por todo o lado, jardins de todos os tamanhos e bancos para as pessoas se sentarem - sem terem de consumir. E não tivéssemos nós sido influenciados pelos romanos, também aqui temos muitos ruínas romanas, vestígios e heranças dessa cultura. Temos também bastantes monumentos históricos - não tivéssemos nós sido há 500 anos um povo das descobertas marítimas. Cada rua, sua estátua ou busto - Lisboa é praticamente um museu ao ar livre. Quanto a um castelo no lago Como, não temos. Isso não, porque temos castelos mas falta-nos o lago. Porém temos mar, praias de encantar, quedas de água, cachoeiras, barragens e rios. Servi-lhe-ia, sr. Clooney, o Castelo de Almourol? Não está habitável e está longe de se poder transformar num lar mas é um castelo no meio do rio - o único na europa. Lanchas não pode usar, tem mesmo de ser um barquinho a remos. Para usar lanchas terá de ir para a barragem de castelo de Bode. Mas pense só na economia no combustível e na manutenção sr. Clooney. Para não falar na pegada no meio ambiente ser nula em poluição. E ainda tem a vantagem de fazer exercício braçal - tão útil que é para uma estrela de Hollywood. E sem precisar de ir ao ginásio! 
Castelo de Almourol
Poderia continuar mas vou terminar por aqui, sr. Clooney, a exposição dos factos que me fazem acreditar que se conhecesse Portugal, deixaria de viver na Itália. What else? Temos cafés e esplanadas por toda a parte. Venha cá beber um nespresso!  


Translating:
If George Clooney came to Portugal, he would leave Italy

Well, I say this because according to the press Clooney has chosen lake Como in Milan, Italy has a residence because he made a visit there and when he watched a man passing by slowly, whistling and caring a hoe in his back he felted those people knew how to live. Well mr. Clooney, we have that here too. The European Union almost eradicate this way of life by making it hard to make money with agriculture and fishing activities. But if you accept the invitation to came here, you'll find out that this simple ways still survive. I say this because some of us that live in the «big» city to this day maintain an improvised vegetable garden.  The taste for the "hoe" and the fishing nets has not left us, you see?

You can find fresh and shiny silver fish in the several markets still surviving all over the country. A beauty not to be missed. As people, we portuguese are kind of whiny between ourselves - although we are a very good humored people. In spite of that sad "fado" for some reason we receive and accommodate well, are well disposed and funny. We are curious but not pushy and seeing a celebrity is not something from another world. Most of the youngsters speak english fluently, but those who don´t have no problem communicating with the foreigners with good will and gestures. No language barrier will stop us from helping out, that's is quite interesting to watch.

If someone came to live here and adopt our routines, it will became has one of us very quickly. FOOD you ask? It is the best. Ok, you may be thinking my opinion is suspect and it is true I did not taste every food styles that exist in the world to be able to compare it to ours. But even so, I will have to go on a limp and say it is the best. Food and wine it is what normally tourist point out  has the best first pleasure from this country. But if you wish to taste this mr. Clooney, please hurry because UE has played out with this too. 

Sweet Rice - typical portuguese confectionery 

"ODE" to Portugal

For a few days I came to be a tourist in Italy and has my intuition was saying mr. Clooney, both countries are similar in almost everything. They have the same fauna, similar vegetation, almost the same color and light, the same grafitis, almost the same old metal train carriages along with some other more modern, etc. But in my modest opinion Portugal and Lisboa still came out winning. The food here it is best and the confectionery in particular, is soooooo bad in Rome - at least it was for me during my tourist staying.

The quality of the water in Italy it is to run away from, it is not good and even the bottled one feels strange and unsatisfying. Although Rome have it's water drinking founts all over the place and Lisbon has seen it's ones disappear along the years, still water here has a superior quality to it.

Green spaces, you ask? Well, in Rome they're mirages. Where are they? So few of them that one sooner feels the effects of a 35ºC heat than the pleasure of a shadow. The same appends with benches. Most of them are in places where one is obliged to consume some kind of food or beverage. Gardens and sidewalks benches are hard to find in Rome or Italy. The tourists are seen seated in street stairs not because it'sa beautiful place, but because they're are tired and in need to seat somewhere. From shadows, gardens, parks and sidewalks benches Lisbon does not eager for. Here you can also find many street stairs, long, long ones, has well typical 1900's neighborhoods with gardens and green vegetation everywhere. Our sidewalks benches are for people to seat down without having to consume anything. And have I mentioned we too have sea? The most ocidental part of Europe guess where it is? Here!

Cape Espichel
Had we not been influenced by roman culture, we also have lots of roman ruins, legacies from another time and age. Has a people that developed a significant role in discovering the world by seas about 500 years ago, there's also several historical monuments - enough to tired one's up.

Every street has it's statue or bust - Lisbon is practically an open street museum. In spite all this, we don't have a castle in a lake. Oh, don´t think this country lacks castles. Au contraire. They are so many for such a small country. We just don´t have one in a lake.

But we have the sea, enchanted beaches, water falls, dams and rivers. Would it be nice to you, mr. Clooney, the Almourol Castle?  It's not habitable and it's far for being so but it is a castle in the middle of a river - the only one in Europe. You cannot get there by speedboat, to ride in one you'll have to go to Castelo de Bode's dam. To reach Almourol's Castle you will have to use a small paddle boat. Just think about the positive aspect to it: you'll save money in gasoline and also in maintenance, mr. Clooney. Not to speak of the ecology footstep - a paddle boat equals ZERO pollution. And has the extra advantage of being a exercise a Hollywood movie star is always in need. You won't even have to go to the gym!

Almourol's Castle
I could go on and on but it's time to finish this exposure of facts, mr. Clooney. They make me believe that if you came to Portugal you would not wanna leave. What else? We have coffee shops all over the place. Came in and take an nespresso!  


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A propósito do naufrágio do Costa Concordia


Como lisboeta que sou fez parte do meu crescimento a existência de um navio naufragado no Tejo. Nos anos 80 todos sabiam o que era o Tollan - um barco encalhado no rio Tejo. Não passava de uma protuberância visível entre as águas do rio, um casco virado ao contrário, mas a sua presença ali em frente ao Terreiro do Paço era já uma referência e, de certa forma, uma atracção turística. "Vamos ver o Tolan" passou a ser sinónimo de ir passear para a beira do Tejo no Terreiro do Paço. Faziam-se também piadas sobre a incompetência de algumas ideias do governo usando como comparação o Tollan e as inúmeras tentativas falhadas de remover a sua carcaça do rio. Poucos lhe sabiam a história, apenas apreciavam o inusitado da situação. De tanto tempo ali ficar, alguns diziam que jamais deixaria de ali estar. Mas um dia este porta-contentores Inglês desapareceu. Deixou de fazer parte da paisagem, deixou de pertencer ao rio Tejo.


Na sexta-feira dia 13 de Janeiro de 2012 (lá está esta data outra vez) o mundo ficou a conhecer outro naufrágio. Na costa Italiana junto à ilha de Giglio o Concordia, um grande navio cruzeiro cheio de passageiros embateu contra rochas, acabando por se virar e encalhar nas águas. Ao contrário do Tollan, não transportava contentores que precisaram ser removidos mas, como em qualquer tragédia marítima, vidas são ceifadas. No caso do Tollan, cujo naufrágio em Fevereiro de 1980 deveu-se a um embate com o cargueiro Sueco Barranduna, dos 16 tripulantes do navio cargueiro, quatro nunca foram encontrados. O Concórdia virou e a maioria dos passageiros foi evacuada mas também onze morreram e calculam-se 28 desaparecidos.


Há quase um século atrás, mais precisamente no dia 14 de de Abril de 1012, decorreu aquela que entrou na história como a tragédia mais mediática na história dos naufrágios de navios de passageiros. O Titanic.

Há 15 anos fiz entrevistas de rua para a escola e entre as perguntas de cultura geral encontrava-se esta: «em que ano afundou o Titanic?». Nenhum dos inquiridos soube dar uma resposta e alguns apenas tinham uma vaga ideia do que era o "Titanic". Fiz a pergunta intencionalmente. Sabia que James Cameron preparava-se para lançar um filme sobre o Titanic e quis saber até que ponto as pessoas, no geral, estavam familiarizadas com esta história, antes e depois do filme estrear. Quis ficar com um registo em vídeo do «antes» para comparar com o «depois» para então reflectir sobre a dimensão dos efeitos que um filme de Hollywood exerce sobre a noção dos factos históricos. Infelizmente a maior parte das pessoas leva tudo o que a ficção mostra à letra, mas ao menos esta serve para instruir, facultando factos e surpreendentes conhecimentos para algumas pessoas, que até então lhes eram desconhecidos.

Mas foi graças a esta tragédia do embate do Titanic - o infundável contra um Iceberg no meio do oceano Atlântico em 1912 que MUDARAM AS LEIS DE NAVEGAÇÃO por todo o mundo. Desde então todos os navios são obrigados a ter a bordo botes salva-vidas em número suficiente para todos os passageiros, entre outros grandes feitos e avanços para a segurança marítima que surgiram devido a esta fatalidade. E é por esta razão que o que aconteceu com o Concórdia é pouco desculpável.

Primeiro que tudo, este navio turístico de rota rotineira embateu contra um obstáculo que sempre esteve ali. Não foi com um icebergue, que se move pelo oceano. As rochas eram um obstáculo fixo e devidamente assinaladas em todas as cartas náuticas. É o mesmo que conduzir numa estrada familiar e amplamente conhecida e sair da rota para ir embater numa árvore ao lado de casa. Trata-se, claramente, de um caso de negligência do piloto do Concórdia, de cuja pinta nada gostei, pelo que observei num noticiário. Acidentes deste género não podem ser admitidos nos dias que correm, ainda mais um século após aquele que serviu de referência para a segurança marítima!

Já fiz parte da tripulação de um navio e por isso estou familiarizada com o estilo de vida a bordo.Uma vez por semana toda a tripulação tinha de efectuar o simulacro. A cada elemento era atribuído uma função e, em caso de problemas, bastava escutar-se o som de uma sirene e uma ordem a ser emitida, para se saber de imediato qual o comportamento a se colocar em prática.

Sabia qual era o meu papel de trás para a frente. Os exercícios eram executados com ligeireza e tranquilidade por se saber que se tratava de uma simulação, mas também com seriedade. No geral decorriam sempre bem. Mas muitas vezes nos interrogávamos o que realmente aconteceria se aquilo fosse de verdade. Para já, lidar com passageiros em pânico é diferente de qualquer simulação de um ou outro que se faça de difícil. Evacuar feridos simulados é diferente de o fazer com pessoas que realmente precisam de auxílio. Simular um incêndio e andar com máscaras contra o fumo a evacuar passageiros até os botes salva-vidas não é o mesmo que ter de passar pelas chamas reais e o calor em si. Só quando a tragédia acontece é que se sabe em que circunstâncias o navio fica, que objectos são atirados pelo ar, como se vai agir.

Numa dessas dezenas de simulações efectuadas e na brincadeira, um colega disse, sem ser a brincar: "isto é assim no simulacro porque se fosse verdade era cada um por si! Eu era o primeiro a saltar fora! Largava tudo isto, queria lá saber. Quero é salvar a minha vida". Outros riram em concordância.

Eu fiquei em choque. Não o demonstrei, sorri ligeiramente mas fiquei a matutar naquelas palavras. Devo ser muito ingénua pois tal atitude nunca me tinha ocorrido. Alguém tem de ajudar a evacuar com segurança os passageiros e conduzi-los até os respectivos botes salva-vidas, o mais ordenada e seguramente possível. E cabe à tripulação, treinada, fazê-lo. A partir do momento em que se aceita fazer parte da tripulação de um navio, assume-se essa responsabilidade.

Mas, até mesmo no Titanic, existiram casos de motim entre a tripulação e casos de desrespeito entre passageiros. Decerto que sim, embora seja muito conhecido o estoicismo da maioria destas pessoas, em particular o dos membros da orquestra que ficou a tocar música até perceberem que afinal iam mesmo afundar e morrer. Conforme dita a lei dos homens e, a meu ver, a moral mais do que qualquer outra coisa, tentaram seguir a ordem «mulheres e crianças primeiro». O que na triste realidade do Titanic, que não tinha botes salva-vidas suficientes para todos os passageiros, significava, embora poucos o soubessem, a morte para os que ficavam. Todos, muitos até o último momento, acreditavam que o navio jamais iria ao fundo. A propaganda sobre as suas características inafundáveis, sobre a sua capacidade de permanecer a flutuar mesmo com três dos compartimentos do casco inundado era do conhecimento geral, desde a classe superior à inferior. E por isso a alguns foi poupado o desespero antecipado, o medo, até que perceberam que tinham de fazer algo para se salvarem.

O capitão, que ia reformar-se após aquela viagem inaugural, soube o que ia acontecer e tomou a decisão que, mais uma vez, acho que é mais moral que outra coisa, de ser o último a sair do navio. Ou no caso dele, tomou a decisão de ir ao fundo com o navio. Quem dera a ele que os outros pudessem se salvar e só ele fosse a vítima...

Mas este capitão do Concórdia nada tem a ver com o Capitão Smith do Titanic, nem com qualquer um que povoa o nosso imaginário colectivo sobre o que deve ser o comportamento de um verdadeiro capitão de um navio em naufrágio.

Numa conversa via rádio com a capitania, tida durante a tragédia e que passou no telejornal, Francesco Shettino afirma que já devem ter evacuado todas as pessoas do navio e que acha que só resta ele. Com a insistência da capitania, que precisa de saber se TODOS os passageiros já tinham sido evacuados e se a tripulação também, Francesco já diz que acha que faltam umas 300 a 400 pessoas. Como se isso não fizesse diferença!
Para quem deve ser o último a sair do navio, Shettino revelou estar mais preocupado com a própria pele do que em ter a certeza se os passageiros e tripulação tinham sido evacuados. Mais tarde vim a saber pelas notícias que ele saiu do navio, segundo disse, "tropecei e cai num bote salva-vidas"!

Bem, que descaramento! Está na cara dele e qualquer um pode perceber. Julgo que não tem desculpa. Este capitão conduziu o navio até às rochas por negligência e depois só pensou em salvar a própria pele, mantendo-se no navio só o tempo necessário para parecer que cumpriu o seu dever. Nem sei se teve um papel activo e determinante na evacuação dos passageiros mas tenho sérias dúvidas.
Ao que parece pelo que li hoje numa revista e de acordo com o relatório de dois passageiros portugueses a bordo, o capitão também não se deu ao trabalho de efectuar um simulacro.



Como é que as pessoas, em pânico e a querer saber onde estão os familiares que não estão ao seu lado no momento da tragédia, se vão comportar? "Quebramos uma janela no corredor e agarramos coletes salva-vidas num corredor, como não havia muitos, as pessoas brigavam e os tiravam umas das outras" - contou aos jornais italianos Antonietta Simboli, natural de Latina, perto de Roma, sobre o naufrágio do Costa Concórdia. "Foi um momento caótico, todos empurravam, tentavam passar por cima das pessoas para encontrar uma boia", declarou Amanda Warrick, ao canal de televisão americano CNN.

E como contrariar a tendência das pessoas em regressar à cabine para recuperar os pertences que lhes são queridos e valiosos ao invés de cumprirem as ordens de evacuação? Lição número um: fica tudo para trás! A prioridade é conduzir o mais rapidamente possível e em segurança todos os passageiros para fora do navio. Os bens materiais não têm qualquer relevância. Pelo menos devia ser...

Ainda dizem que Cristóvão Colombo era italiano... ah,ah,ah! Ainda bem que não era, porque estaria a dar voltas no túmulo de tanta insensatez conterrânea.
E é assim que a ilha de Giglio ganhou o que outrora o Tollan foi para Lisboa... o seu navio encalhado. Agora o tempo dirá como irão remover os destroços e que danos as rochas, o fundo do mar e a população circundante vão sofrer devido à insensatez, irresponsabilidade e negligência deste «comandante».