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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Branca de Neve



Quando estive em Portugal estive dois dias a tentar uniformizar o bronze. 
Passo a explicar: aqui na chuvosa Inglaterra, também há sol. Vai que apanhei um pouco durante o verão, só por andar na rua. Quando fui a ver, tinha os braços a "condutor de automóvel" - bronzeados onde a manga da T-shirt não tapa e totalmente branquinha no restante.


Ora, eu sou muuuuito branca. Porém, acho que com a idade, se apanharmos sol, a pele não recupera a brancura original. Pelo menos foi a conclusão a que cheguei nos anos anteriores com os pés! Ahaha!! Bastou um passeio costeiro de calças arregaçadas e pronto: os pés até meia-perna mais os braços até a t-shirt ficaram "cor-de-bronze" e o resto do corpo branco-fantasma-translúcido consigo-ver-te-as-veias tipo de pele.


Virei um "colibri": era multicolor, dependendo das áreas de pele que tinham ficado a descoberto no verão anterior.


Tive de tomar uma decisão: ia preservar a minha brancura ou submetê-la aos poderes do sol e tentar ganhar uma cor? Optei pela segunda. Sabem há quanto tempo não fazia praia? Desde que era pré-adolescente. Sempre gostei de estar na praia, da maresia, do vento, do cheiro - mas nunca gostei de fazer praia ou torrar ao sol. Nem de andar quase sem roupa. Preferia andar mais vestida que despida e isso sempre era apontado como um comportamento incorrecto. "Fica mal" - diziam-me, não tirar a camisa, não estar somente de biquini ou de fato de banho. Mas não me sentia confortável. Felizmente tenho reparado que esse preconceito está a cair em desuso: cada vez existem mais pessoas na praia com roupa! Calções, t-shirts... mesmo vestidas dos pés à cabeça. E eu acho isso bem! Não se pode continuar a descriminar as pessoas que gostam de ir à praia vestidas :DD

Dispondo apenas de dois dias para ficar na praia, temi não conseguir uniformizar nada. Por isso não apliquei protector solar logo na primeira exposição. Após umas três horas perto do oceano, senti as pernas a queimar, e foi aí que me retirei do sol. Mas já era tarde: fiquei "escaldada"! Dias depois a pele começou a fazer flocos e decidi que é uma estupidez não aplicar protector solar. Até porque o bronze vem com ele.

Em resumo: hoje olho para os meus ombros e noto um ligeiro tom dourado, que, a combinar com as minhas pernas, tornam o meu aspecto algo mais uniformizado. Além disso, a maldita depilação que me atormentava por os pêlos já estarem à vista ainda nem tinham saído da epiderme, também saiu beneficiada. É impressão minha ou o sol retarda o crescimento?

Bom, e é isto.
Não quero maçar os poucos que me lêm só com histórias tristes.
Pelo meio, tento ter alguma coisa idiota para dizer, ahah!

Tenham uma excelente sexta-feira!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Foi há 83 anos.... Que o marquês olha por nós!

 A 13 de Maio de 1934 foi inaugurada, em Lisboa, a estátua do Marquês de Pombal.


Inauguração do Pedestal ao Marquês de Pombal
 

Esculpida por Francisco dos Santos e, após a sua morte, em 1930, continuada por José Simões de Almeida (sobrinho) e Leopoldo Neves de Almeida. 

A estátua do Marquês de Pombal e trabalhadores: noção de escala
O trabalho de corte e escultura da pedra foi realizado em Sintra, na fábrica "Pardal Monteiro Mármores" e os blocos esculpidos transportados em "zorras", espécie de "carroças" com rodas, puxadas por 4 a 6 juntas* de bois. O percurso podia levar até cinco dias.

Imagem da estátua e pedestal sem data confirmada (tida como 1930, antes da inauguração?)

Era assim que estavam os terrenos nos quais o monumento foi erguido.
Aqui veio a nascer uma das principais artérias de Lisboa (foto de 1888)
A ideia de um projecto para a construção de um monumento que perpetuasse a memória de Sebastião Melo de Carvalho (Marquês de Pombal e Conde de Oeiras) surgiu em 1882. O projecto de uma rotunda na continuidade do então chamado "Passeio Público" (avenida da Liberdade) foi aprovado em 1884.

Eram tempos conturbados e, a 5 de Outubro de 1910, deu-se a implementação da República. Aqui está a população a celebrar o 1º aniversário dessa data, na referida futura rotunda do Marquês.

Comemorações do 5 de Outubro, 1911
Em Abril de 1912 dá-se um invulgar total eclipse do sol e afunda o Titanic.

O projeto para a rotunda com o monumento ao Marquês, entretanto interrompido, é retomado e escolhido em concurso público, em 1913.
O projecto vencedor (1913)
A 12 de Agosto de 1917 decorreu a cerimónia de lançamento da "primeira-pedra". 

Foto da cerimónia de lançamento da primeira pedra
E tudo começa assim... com homens que pegam na enxada. 

Trabalhadores com suas enxadas a cavar as fundações para o ilustre monumento

Abertas as fundações, a primeira pedra é assente a 15 de Agosto desse mesmo ano de 1917. Mas este seria um projecto com mais uma outra cerimónia de lançamento de "primeira pedra". E a 13 de Maio de 1926, com o país em situação periclitante, é novamente realizada uma outra cerimónia solene de lançamento da segunda primeira pedra. 

O presidente da República Bernardino Machado na
colocação da primeira pedra

Debaixo da mesma, foi colocado um cofre que havia sido selado em 1881, contendo moedas da época. É caso para perguntar se ainda se encontrará lá?

Portugal está na primeira república e a situação política é muito instável. A 28 desse mesmo mês de Maio, dá-se a que ficou conhecida como a "Revolução de 28 de Maio" ou Revolução Nacional. É destituída a "Primeira República" e começa início da ditadura militar, comandada pelo Marechal Gomes da Costa, cuja implementação definitiva surgiu a 6 de Junho desse ano de 1926. É solenemente celebrada com um desfile de uma parada na Avenida da Liberdade, onde estava a ser preparada a rotunda ao Marquês de Pombal, estadista do Reinado de D. José I, referenciado por muitos feitos, entre os quais ter decretado o fim da escravatura no continente (12 Fevereiro 1761). 

O Marechal Gomes da Costa no seu cavalo, desfilando a 6 de Junho de 1926
na Avenida da Liberdade (Lisboa)
Entra assim a todo o gás a construção em homenagem ao homem que reconstruiu a baixa lisboeta após o terramoto de 1755.

Base onde assenta o pedestal

A calçada portuguesa já a marcar a sua presença?

A Rotunda já com o pedestal mas sem a estátua
 O pedestal em pedra tem cerca de 40 metros de altura.

A configuração da área é feita em estrela... grandes mudanças!
A estátua em bronze do Marquês, ao lado de um leão, símbolo de força e realeza, é assente 8 anos depois, decorre o ano de 1933. Em Abril desse ano, o regime militar em funções redige e aprova a Constituição da República, e passa a denominar-se pela designação "Estado Novo". A 2 de dezembro a figura gigantesca do Marquês é assente no pedestal, virada para a baixa lisboeta que ajudou a reconstruir após a destruição deixada pelo devastador terramoto de 1755. 

Construção (1934)
Foto aérea da rotunda (1934)

A inauguração surgiu no ano seguinte, há precisamente 83 anos, idade com que o estadista partiu desta terra, para coincidir com a sua data de aniversário. Sebastião Melo de Carvalho nascera 234 antes. Hoje sopraria 317 velinhas. 

Foto tirada em janeiro 1940

À inauguração não compareceram o presidente do conselho Oliveira Salazar, nem o presidente da República do Estado Novo, o General Oscar Carmona.



Parabéns, Marquês! 

Nota: Carregar nas imagens para ampliar os detalhes
 (vale a pena).


*Junta de bois: conjunto de dois bois
Nota2: mais informação detalhada com fotos neste site aqui.
E outro tipo de informação aqui.