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sábado, 12 de fevereiro de 2022

vinda à terrinha: A terminar

 A minha estada por Portugal está a horas de terminar. Foi bom e foi mau. Teve os dois extremos. 

Maravilhoso coincidir com temperaturas a oscilar entre os 17 e os 21 graus. Sol, luz, céu azul e vento ameno. Isso foi delicioso, uma benção mesmo. Todo o emigrante português tem isso em comum: a necessidade de voltar a ter os seus sentidos envolvidos pelo nosso clima. Sente-se muita falta da LUZ e do sol. Nos identificamos com elas e a pele sente falta.

Apanhei muita vitamina D. Alimentei-me muito melhor. Pequenas coisas em termos de saúde que me incomodavam, neste período desapareceram. Praia no inverno foi coisa que não pensei que ia fazer encontrando sol. Mas foi o que aconteceu. E foi maravilhoso, tal como eu gosto: praia com pessoas q.b., quase deserta em certas alturas. Uma pessoa lá ao longe, uma outra longe a banhos... maravilha. 

A surpresa foi a quantidade de cães com que os donos se faziam acompanhar para a caminhada. De início não me incomodou mas com o tempo, ponderei nos prós e contras de existirem cães pela praia. 

O maior pró: os dejectos caninos. Infelizmente vi muitos cocós pelas areias e até mesmo no cimento do pontão ou que dá acesso às entradas da praia. Uma tristeza. Não vi ninguém a "fingir" não ver o sue cão a largar o cocó sem o apanhar de seguida mas este tipo de gente é como o dizer dos espanhóis sobre as bruxas: "Non créo em bruxas pero que las à las À" (ou algo do género). 

A prova estava ali: nos cocós de cão na areia, onde no dia seguinte uma criança de cu para o ar estava a brincar.

As pegadas mais comuns na areia: nenhuma de gaivota

Foto: PEGADAS CANINAS NO AREAL

Deitada na areia sobre uma toalha, também posso dizer que a quantidade de vezes que fui surpreendida por cães que ora me vieram lamber a cara, ora se encostaram a mim (um até se sentou na toalha ao meu lado e ficou ali a mirar o mar) acabou por me surpreender. Ao fim de umas tantas ocasiões, senti que isso me incomodava. Não podia passar um cão solto, que logo vinha enfiar-se debaixo do meu rosto.

Isso acontece porque os donos soltam-nos ao invés de passearem com eles com trela e não têm qualquer autoridade sobre o animal. Imagino que deve ser difícil para um cão ter tanto espaço para correr e caminhar com trela. Mas o facto de nenhum estar treinado para não abordar estranhos foi algo que descobri achar um tanto errado. 

Em inglaterra um cão solto a aproximar-se de ti ao longe e já o dono fica aflito, a gritar por desculpa só por este estar sem trela. Eles são treinados para se afastarem de pessoas quando dado o comando. E depois tem o outro lado... a lei. O hábito que se desenvolveu de apresentar queixa. As pessoas têm muito receio de um processo e das consequências. Se forem apanhados em certos locais com um cão sem trela ou este incomodar alguém ou os vizinhos por latir - ou seja, se não for treinado - correm até o risco de ficar sem os caninos. Mas creio que é a reputação de "mau dono" e as coimas que temem mais. Por isso nota-se uma certa aflição naqueles que passeiam cães pelos parques e ruas, principalmente se o animal exibir algum comportamento de abordagem a estranhos. 

A maioria dos nossos não vêm com esse ship de "responsabilidade"... é tudo mais "ao natural e selvagem". Menos treinados e mais livres. O que, por um lado, até admiro. Mas na praia é preciso demonstrar civismo. 

Tive vários donos de cães com a cara perto da minha para poderem agarrar seus cachorrinhos e colocar-lhes a trela. Por mais que os chamassem (sem grande convicção) estes não os escutavam. 

O cão vai obedecer ao comando do dono sem ter sido treinado para isso? Não. Tive de ter ali um cão todo entusiasmado a lamber-me o rosto e a enfiar-se debaixo do meu pescoço logo no dia em que me disseram que talvez fosse possível os cães transmitirem COVID.

Em tempos de Covid, numa praia onde a próxima pessoa estendida no areal estava a metros de distância, surpreendeu-me que nesse "deserto" de pessoas, por causa da proximidade dos cães, tive também os seus donos bem perto. E foi ali que lhe colocaram uma trela para o levar para outros lados. Os donos lá lhes diziam, sem usar de voz autoritária ou firme: "Anda cá, deixa as pessoas". O animal deve sentir a falta de convicção ou real interesse e não liga nenhuma, ficando-se por cumprimentar quem encontra pelo caminho. 

Porque "é normal".

Eu também achava naturalíssimo - para os animais. Porém ter uns três a cinco cães numas horas virem lamber-me o rosto, fez-me reflectir melhor. Estimaria que duas em cada três pessoas andavam com cães - em números de um a três animais entre si. Não terão os donos de ter maior comando sobre seus cães nestas circunstâncias? E depois, adicionando a estas constantes interrupções caninas de lambidelas e snifes, os cocós na areia da praia. Se for a pensar que os animais também precisam de urinar e os cães em particular fazem isso muitas vezes... então a questão da higiene assusta. 

No dia seguinte a areia tinha sido REVIRADA mecanicamente. Ficou com mais detritos e, por coincidência, infestada de moscas. Será coincidência? Ou esta incómoda infestação se deve ao enorme número de animais presente na praia? 

E vocês?
Amantes de animais, que julgo que muitos são, têm uma opinião formada sobre a presença de cães na área balnear?


sábado, 5 de setembro de 2020

Os cães sobre 40º de calor e as leis do animal no UK

 

Saí da clínica em direcção ao jardim. Numa escadaria onde, na semana anterior, devido ao muito calor, sentei-me para abrigar-me à sombra, tomar um gole de água e falar ao telemóvel, vi cães. Não dois, ou três, mas quatro!

Como aquela zona do Parque das Nações tem um café com esplanada no topo dessas escadas, inicialmente pensei tratarem-se de animais com dono. Nem me ocorreu que aquela quantidade de cães fossem de rua. 

Dois repousavam à sombra, deitados na calçada. Outro estava a beber (e de que maneira!) água deixada num contentor plástico, bem ao lado do caixote de lixo onde fui despejar um lenço de papel. E o quarto aguardava, pacientemente, vez, atrás da cadela que bebia água. Quando me aproximei do caixote, a que bebia água sobressaltou-se e afastou-se. Afastei-me eu e a segunda cadela de pé aproveitou para beber água. Com a mesma ânsia que a primeira, pareciam estar com muita, muita sede. Foi então que percebi: eram animais de rua.

Alguém deixou ali um balde com água para eles saciarem a sede. E ao lado, se repararem na imagem, está um daqueles cestos que os estabelecimentos comerciais recebem, onde costuma vir armazenado fruta ou vegetais. Estava vazio mas decerto que continha comida. Para mim, quem pensou nestes animais trabalha num supermercado ou restaurante. 

Atravesso a estrada para a rotunda cheia de árvores na qual me senti tão bem na semana anterior, em direcção ao jardim da Ponte. Nisto um homem faz-me sinal. Ignoro, penso que não é comigo. Porque haveria de ser? 

-"Posso fazer-lhe uma pergunta?" - diz ele entre a máscara.

Não entendo bem o que poderá um desconhecido, naquelas circunstâncias, querer comigo, uma transeunte. Indicações? Não conheço bem a zona e ele pareceu-me local.

-"Sim?" -respondo.

-"Foi ali colocar água para os cães, não foi? Acho bem mas porque é que não colocam água aqui entre as árvores, ou ali (mais afastado?). Os cães já atacaram pessoas a sair do autocarro". 

A rotunda arborizada, onde um quinto cão devorava 
algo comestível que lhe foi deixado


O problema dele era ter os cães próximos da sua habitação. Mesmo à entrada de um prédio. Que fossem para a rotunda, ou para o passeio perto do muro... Também há ali sombra. Mas que não deixassem água ou comida perto das casas. 

(Se calhar é porque é longe para a pessoa que os lá foi colocar, não é tão prático transportar aquele peso ainda mais longe dali)

O homem pediu desculpa e afastou-se. Eu segui caminho, desistindo de ficar na rotunda por uns instantes a fazer um relato e fiquei a pensar na falta de humanização versus o sentido de propriedade. Não que ache que o homem estava contra os animais receberem um gesto que provavelmente lhes salvou a vida num dia tão quente. Mas, claramente, a sua prioridade residia em afastá-los da sua vista. 

Ontem o dia chegou aos 40 graus. Aqueles animais tinham tudo para morrer desidratados. Existiu uma alma caridosa no meio daqueles prédios para gente com dinheiro para ali viver, que lhes deixou água fresca. Parece que, hoje em dia, quem ousa ter este tipo de gestos é mais criticado que elogiado, como se estivesse a cometer um sério delito.

Duvido muito que aqueles cães atacassem fosse quem fosse. Não acreditei nessa parte da história do homem para justificar o seu interesse em mantê-los longe da vista. Os animais tinham mais medo de mim, humana, sobressaltando-se à minha passagem e aproximação, do que outra coisa. Encolheram-se ao meu ver, daquela maneira que só um animal que já foi enxovalhado e enxotado sabe reagir.


Qual é a minha perspectiva diante de animais abandonados ou de rua?
Sou a favor da sua existência e DIREITO a viver com liberdade.

Não defendo que devam todos sair das ruas. Pelo contrário. Sei que por vezes precisam de cuidados médicos mas, ainda assim, defendo o direito que têm de viver em liberdade. Tenho pena mas nunca mais esqueço de um cão vadio que fazia vida sem querer fazer parte da casa de ninguém. Para se alimentar e ter companhia, contava com um número considerável de pessoas e ele sabia a quem recorrer quando queria. Se aparecesse ferido, alguém cuidava dele e depois ele desaparecia para parte incerta. Voltando a aparecer quando lhe dava vontade.  

Prefiro um cão na rua, com possibilidade de se alimentar da caridade de muitos, do que vê-los amontoados em jaulas em canis ou saber que vão ser abatidos. Acho que têm o direito de viver soltos, tal como algumas pessoas também exercem esse direito. Penso ser desnecessário mais leis, ou melhores leis, ou mais peditórios de dinheiro para a defesa dos animais. 

Vivo em Inglaterra, onde a realidade animal é diferente, mais rígida nas leis. Um dia percebi que nunca vi sequer um gato vadio na rua.  - Nunca vi um cão ou sequer um gato de rua! A resposta que ouvi foi: "não há animais a viver na rua em Inglaterra, é considerado falta de humanidade". 

A resposta escandalizou-me pela hipocrisia

-"Mas pessoas a viver na rua já pode!"- tive vontade de ripostar.


Na cidade onde vivo, há muitas pessoas sem-abrigo. Todos os anos parecem aumentar. São homens, mulheres, jovens, menos jovens... a pedir dinheiro sem estender a mão e sempre a beber cerveja e a fumar. Tal como muitos outros que andam por ali a deambular, mas que devem ter pousio algures. A diferença é que o álcool e as drogas que estes consomem, vêm disfarçadas em garrafas de refrigerante somente no rótulo. E o sem abrigo não se dá a esse trabalho. De resto, faça chuva ou sol, dormem num chão de pedra, à mercê dos elementos da natureza.


Mas isto não é proibido em Inglaterra.

Já animais, que, ainda que domesticados, sabem viver no seu habitat de rua, não pode ser. Aposto que esta regra nasceu mais de pessoas que vêm os animais vadios como um incómodo social, uma inconveniência, algo que reflecte mal em si mesmos. Criaram então leis que nasceram disso e não na verdadeira preocupação ou amor por outro ser vivo. 

No meu entender, as leis de protecção a animais que os ingleses têm só servem para pedir mais e mais dinheiro ao trabalhador. Na TV passam anúncios de peditórios para protecção de animais e não se ficam por caes ou gatos: é burros, cavalos cegos, papagaios... Parece-me que a toda a espécie do reino animal foi atribuída uma caridade exclusiva. E todas são um poço insaciável e por isso recorrem ao sentimentalismo barato e procuram chocar as pessoas, apelando ao seu sentido de horror e possível experiência pessoal. 

Considero os anuncios televisivos de peditórios errados e pouco deontológicos. Não só usam situações extremas de sofrimento para pedir dinheiro, como definem uma quantia e logo informam que vai ser descontada MENSALMENTE. Cinco libras, costuma ser o mínimo. Ora, tentem lá separar 5 euros mensais e agora multipliquem isto por centenas de ajuda mensal e vejam quanto dinheiro não estão eles camufladamente a extorquir. Sim, porque considero que caridade é aquilo que a pessoa PODE dar, QUISER dar, QUANDO e POR QUANTO TEMPO desejar. Impor um valor mínimo e uma frequência devia ser ILEGAL. Pelo menos acho que é IMORAL.

Imoralidade é o primeiro adjectivo que uso para definir os anúncios de peditórios a animais que vejo em inglaterra, pois só mostram casos extremos. Usam imagens de animais nas piores condições possíveis de doença, cheios de trauma, feridas, sangue, sofrimento, amputações. Recorrem a imagens de um burro a carregar pesos, como se isso não fosse uma função própria para um animal, uma que o homem atribuiu a burros, touros, cavalos, bois, camelos etc, desde os primórdios do desenvolvimento, mesmo antes da mãe de Jesus montar num jumento rumo ao celeiro.

Para mim, quem usa esse tipo de situação singular para pedir continuamente dinheiro, não tem escrúpulos. E questiono muito este tipo de esquema.

Este tipo de anúncio já vai mais ao encontro do que considero correcto.
Mas encontrei-no no Youtube, está longe de ser o género que passa na TV Inglesa

Em Inglaterra, aqueles que têm animais, particularmente donos de cães, por vezes têm comportamentos de quem se acha com mais direitos. Isto pode parecer estranho, mas é o que acontece neste país em que os animais tem direitos que os donos querem fazer prevalecer. 

Uma vez ia a sair do passeio para entrar em casa, quando uma mulher a puxar três cães por uma trela, se recusa a deixar-me passar. Tive de parar e dar prioridade a ela e aos cães, porque ela não os puxou ou mudou de direcção para me ceder passagem. Coisa que em Portugal se faz por instinto e cortesia. Depois de insistir em não se desviar e ter passado, ainda me diz que os cães são para andar na parte de dentro dos passeios. Não pela margem dos mesmos. Os cães com trela não podem andar na berma do passeio?? 

Os donos de cães lá, também têm deveres. Um deles é simples: têm de apanhar as fezes deixadas por estes. Todos cumprem. O que mais temem, realmente, não é isso. Os donos de animais temem outra lei. Uma muito comum, temida por empregadores em particular: o PROCESSO.

Por isso, cada vez que um cão num parque se aproxima de desconhecidos, os donos começam a chamá-los e, caso não impeçam a aproximação, começam a jurar que eles não fazem mal e pedem sempre DESCULPAS por o animal se aproximar e, às vezes, saltar para as pernas. Ficam mesmo com aquela expressão de medo e receio. Pedem muitas desculpas, falam severamente num tom grave com os cães de estimação. 

Parece que é um crime os animais serem... animais. Têm todos de ter lições de comportamento e obedecer aos comandos do dono. Não há o livre arbítrio, não há aquela liberdade para o animal se expressar, como se um cão que vai cumprimentar uma pessoa no parque estivesse a cometer um delito. Haviam de ver o alívio no rosto dos donos quando, ao invés de reclamar e barafustar, limito-me a dar festinhas na cabeça do animal.

Este tipo de interacção só não é mal visto (ainda) se partir do humano. Se for o animal, que, como as crianças, gosta de se aproximar feliz e contente... é incorrecto. Indesejável. 

Foi até aqui que a lei para protecção dos animais conduziu a sociedade inglesa.





quinta-feira, 16 de abril de 2020

Enfrentando raposas e seres humanos

Costumo avistar raposas quando caminho de noite para casa. Estão sempre no centro da cidade, esfomeadas mas não agressivas para com os humanos. Vasculham o lixo em busca de restos. Não gostam de bolachas. Era a única coisa que tinha para lhes dar. Uma ainda comeu a primeira  vez. Mas não voltou para mais. O que temo não são raposas. Essas não fazem mal, nem mesmo quando com fome. A espécie mais temida é a semelhante.

A essas horas, seja lá com quem te encontrares na rua, não está ali a fazer grande coisa. Ontem de noite era um bando de oito rapazes, uns a pé,  outros de bicicleta e uns dois com cães,  que pareciam danados. Foi o rosnar e latir raivoso destes que despertou atenção. Não fosse esta ser uma nova moda para assaltar pessoas, fiquei, como sempre, atenta ao meu redor.

No Domingo às 8 da manhã vi um ex colega na rua, do outro lado da estrada e gritei-lhe: olá. Estava a ser abordado por um adolescente cabeludo, de boné na cabeça e saco plástico na mão, que logo atravessou a estrada na minha direcção. "Quero saber o teu nome" disse-me ele aproximando-se cada vez mais. "Seja lá o que for que queres, não tenho" -respondi. Ele insistiu, pedi-lhe para manter a distância e ameacei chamar a polícia caso me chateasse. Conto isto porque esta interacção aconteceu na presença do ex colega, que nem levantou a cabeça para seguir a minha voz e diante de um funcionário camarário, que conduzia um carro de limpeza. Este pôs-se a olhar mas quando repeti que chamava a polícia recuando uns passos para ficar paralela ao funcionário, certificando-me que era testemunha e me ouvia, foi quando este fingiu não perceber o que se passava.

A sorte de viver neste pais é que a simples menção de policia é dissuasora. Nada te safa quando os bandidos perceberem que a polícia é mole, podem fazer tudo que se existir ajuda chega tarde e o cidadão comum é incapaz de interferir apenas por dar a entender à pessoa a causar disturbios que está ali a testemunhar e poderá escolher intervir.

Nem o ex colega deu um berro, nem o funcionário gritou. É cada qual "na sua vidinha" nada têm a ver com a dos outros.





sábado, 14 de abril de 2018

Funcionam como uma matilha de cães


Estou a viver há 10 dias numa terceira casa. A situação é temporária. Estava previsto assim acontecer. Irei regressar à outra noutros 10 dias. 


Mas estou aqui a engolir a seco o que aqui está a acontecer.  
A injustiça incomoda-me. A mentira também. Estou a perder a fé nas pessoas. Daqui a pouco começo a odiar. Ou então a estereotipar. Oh gente que não presta! Mas será que só há disto por todo o lado?



A casa onde estou agora a dormir é partilhada por cinco pessoas. Os restantes já se conhecem há muito tempo. Três em particular são como unha e carne. Oriundos do mesmo país, para tudo "funcionam" em trio. Jantam juntos, sobem para os quartos juntos e são todos cúmplices. Se acham com mais autoridade sobre os restantes.

São também extremamente barulhentos. No primeiro dia em que me mudei tinha de acordar às 3 da manhã e até à meia-noite ficaram debaixo do meu quarto aos gritos, a falar alto, a gargalhar, a bater com as portas dos armários, com os tachos, panelas. E o que é pior: a chamarem uns pelos outros de um andar para o outro. E a gargalhar mesmo à frente à minha porta, a conversar alto.

Dormi apenas 1h, entre eles se deitarem e eu ter de acordar.


Sendo tolerante e nova no espaço, relevei. São jovens e procuro convencer-me que, a pesar de eu ter sido diferente, esta atitude de falta de consideração pelos outros é devido à idade. E que aquilo podia ser uma situação esporádica.

Precisava também de ir à casa de banho e procurei aguentar o máximo que pude. Mas já que eles estavam acordados a gritar e não me deixavam dormir porque não paravam de berrar, abri a porta e entrei rapidamente no WC. Estava a precisar. Mas não consigo estar à vontade. Sinto-me observada. A porta não tem trinco e isso faz-me não conseguir relaxar. Alguém podia abri-la a qualquer momento e apanhar-me desprevenida - tal como tinha acontecido dias antes na outra casa. 


Decidi então sair do WC e usar a pequena no andar de baixo. Que de imediato se tornou a minha predilecta porque é pequena e posso mantê-la fechada com o pé e não ficar no mesmo andar dos quartos, o que implica um uso menos incomodativo para quem está a descansar nas divisórias.

Sou muito atenciosa para com terceiros. Sei disso.

Nisto quando abro a porta, tenho DUAS pessoas à minha frente. "Estás bem?" - perguntam em surpresa. 
Estou. E pedi licença para passar e ir ao WC.

Estava mesmo a ser observada!
Não era só impressão minha, aquelas pessoas estavam à porta do WC e podiam ter entrado. Sabiam que estava ali porque ouviram a porta a bater. E apareceram, hoje sei disto, não por estarem preocupadas comigo. Mas para me darem a entender que fui barulhenta. 

A grande lata!!

Foi a segunda vez que me faziam uma "espera" à saída do WC. E não gostei. Parece que não tenho o direito de ir ao WC sem ser controlada. Depois afastei esses pensamentos da minha mente. Se calhar eles interpretaram que podia estar a sentir-me mal, só porque saí e entrei rapidamente. Era eu que estava a fazer mau juízo deles.

Ainda assim, preferia ir ao WC quando não os soubesse por perto. Porque isto de ir ao WC e ter pessoas à saída a fazer-te uma espera não te faz sentir em "casa". E a sensação de não ter direito de usufruir do espaço como se também fosse meu foi aumentando rapidamente. Assim que entrei, sabem como fui recebida?

Ouvi o meu nome a ser mencionado quatro vezes. E por isso perguntei porque diziam meu nome. Tinham-me ouvido abrir a porta e trazer os restantes dos meus pertences. Sabiam que os ia escutar. E fizeram questão de mencionar o meu nome propositadamente. Claro, perguntei o que era. Veio um rapaz ter comigo e disse: "Entraste cá em casa de manhã? Tiraste uma encomenda minha? É que a Paula disse que viu uma encomenda lá em cima no teu quarto". 

Fiquei a pensar onde tinha vindo parar. Já me estavam a acusar de roubo! Eu só estava a transportar as minhas coisas para a casa e, pela primeira vez, ao invés de as deixar dentro do quarto e fechar a porta, achei que podia deixar um saco onde tinha posto a encomenda que tinha recebido pelo correio horas antes, à porta do mesmo. Afinal, só me faltava transportar uma coisa e daria por concluída a mudança. Não tinha ninguém a circular pela casa nessa altura. Estavam todos nos quartos.

Então que me viessem dizer, até considerar, que eu tinha pego algo que pertence a outra pessoa e posto num saco meu é... feio. Se está no meu saco, é porque é meu! A outra desceu do quarto dela, ao invés de meter-se na sua vida, não, espreitou o saco que tinha acabado de deixar ali. Se fosse outra nem mencionava o conteúdo, sabe muito bem que não se deve espreitar as coisas dos outros. Muito menos levantar um falso testemunho. 

Nesse primeiro dia estava exausta e adormeci de imediato. Mas não por muito tempo, porque eles logo começaram o «arraial» de ruído. Eu a precisar levantar-me às 3 da manhã, e eles a impedir-me de dormir com os seus gritos, barulhos e gargalhadas. 

Aconteceu nesse primeiro dia o mesmo que está a acontecer agora que escrevo: dormi apenas UMA hora. 

Depois trabalhei cinco dias seguidos e os meus turnos são de 12 horas. Significa isto que é basicamente trabalhar e dormir. DORMIR sendo a parte muito importante para aguentar o trabalho. E eles não mo estavam a permitir.

Depois quando me apanhavam pela casa, era sempre com segundas intenções. Dizer-me coisas. A primeira coisa que me perguntaram foi se fui eu que deixei a porta da rua aberta. Outra acusação. E eu sei que não tinha sido.

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que eles todos, sendo amigos e já havendo falado entre si, estavam a apontar o dedo na minha direcção. Tal como fizeram com a encomenda.

Na segunda noite estava tão exausta do primeiro dia de trabalho que dormi bem. Lembro-me d acordar com berros bem altos, mas consegui que não me despertassem totalmente e voltei a adormecer. 

Foi a única vez em todas estas noites. Finalmente chegaram os meus dias de folga. E começaram as exigências disfarçadas de pedidos. Estavam a ser falsos, fingindo ingenuidade quando tudo estava combinado entre eles.

Mencionaram que todos davam dinheiro para comprar utensílios para a casa. Mas antes de o mencionar, espetaram um pote com dinheiro no meio da mesa da cozinha. Foi intencional. O pote não estava lá, era mantido noutro local e mudaram-na para que o pudesse ver. Não é um subterfúgio que considere digno. Se queres pedir, fala. Não se usam esses recursos vis. Logo a seguir mencionaram que cada um dava 5 libras para comprar panos da louça, panos de limpeza, detergentes vários, tira gorduras, etc, etc. Muita coisa que eu ia usar apenas numa ocasião. Respondi que fazia sentido se ficasse a viver cá mas já estava a partilhar na outra casa essas coisas e tinha comigo detergentes que me restaram da mudança e pretendia usá-los. 

Com isso excluí-me de "comparticipar" nas despesas que eles muito convenientemente iam necessitar assim que cheguei. Coincidência. Por acaso a cozinha estava cheia de panos, detergentes etc. Mas aparentemente estava na altura de comprar mais. Talvez porque eu havia chegado. Mas isto revela o carácter das pessoas. Assim que uma nova pessoa chega eles começam logo a cobrar dinheiro? Já tive o suficiente disso na outra casa e consegui cheirar à distância uma tentativa de extorsão. 

Logo a seguir foi o calendário de limpezas. Inicialmente o nome da "nova pessoa" estava no final - talvez até mesmo numa semana em que já cá não estaria a viver. Mais uma vez, nada de conversas comigo, nada de perguntas. "Queres? O que achas?" Nada. Ordens. Desci à cozinha onde o calendário é mantido na porta do frigorífico e reparei que tudo tinha sido alterado. Quem era suposto limpar a casa nos próximos dias? EU. Claaaaaaro....

Tudo bem. Procurei saber como faziam, o que era pretendido fazer e perguntei quando ia estar menos gente na casa, para poder limpá-la mais eficazmente. Esmerei-me na limpeza. Como sempre, fui vista a limpar, porque há sempre alguém na casa, há sempre alguém que está no mesmo espaço em comum que tu. 

Limpei a casa na quarta-feira. De noite, todos eles na cozinha como sempre, no falatório. Entro e tento conversar mas sinto que te respondem com aquela secura, desviam o olhar - não estão interessados em te ter ali. Então removi-me do espaço para que se sentissem à vontade para continuar o convívio a que estão acostumados. Na manhã seguinte, estou na cozinha e uma rapariga entra. Depois sai. Nisto surge um assunto urgente que tenho de tratar até ao final da tarde. Já nem me sobram 5 horas para dormir e ter de acordar novamente. Então vou para a cama. Nisto recebo uma mensagem no telemóvel, quase às 21h das noite. Relembro que tinha estado na cozinha com todos eles na noite anterior. E todos os dias vejo pelo menos dois deles. É uma mensagem a "sugerir" que compre sacos para o lixo, já que usei o "deles". E a perguntar se tinha limpo a casa, porque tenho de marcar no calendário. 

Todo o discurso foi desagradável e terem ido ao senhorio PEDIR o meu número de telemóvel para me enviarem uma mensagem destas, QUANDO eu estou em casa é... MALÉVOLO!

Eu ali, a dormir ou a tentar dormir por cima da cabeça deles, e eles a contactar o senhorio. Envolver o senhorio foi tudo menos inocente. Senti malícia no ar. E como estava certa!
Respondi nessa mesma noite. Precisava de dormir, mas não podia deixar para depois. Respondi que ela me viu nessa manhã, na noite anterior e na anterior a essa. Respondi que tinha limpo a casa e que esperava que desse para notar a diferença. E que me tinham visto a fazê-lo. Ia dar-lhe uns sacos para o lixo antes de me ir embora mas como raramente cozinho, raro foi a ocasião que despejei algo no lixo "deles". 

A resposta que obtive foi do piorio: "Se soubesse que tinhas limpo não estava a perguntar. Estava uma mancha de ketchup que não foi limpa. A paula disse-me que estava tudo cheio de pó na casa de banho. Se os outros vem ter comigo fazer queixas tenho de perguntar". 

Opá, o que me dizem disto??
É normal ser assim? Com alguém que só tentou dar-se bem, ser simpático, alguém que mal se conhece, mal entrou numa casa nova? É assim que agiam nestas circunstâncias?

Respondi de volta por mensagem: Não estava a gostar do que me escreviam, da proxima vez ia tirar fotografias do antes e depois e também queria jogar o jogo da polícia da limpeza. Porque eu esmerei-me. Tirem teias de aranha e pó negro com uma simples passagem de pano. Sei muito bem que nenhum deles é um esmero na limpeza. Não está correcto posicionarem-se como se fossem, muito menos acho correto toda a atitude. 

Vou trabalhar e quando chego a casa e abro o frigorífico noto as minhas coisas remexidas. Demoro algum tempo a notar que falta uma embalagem de queixo que havia comprado na véspera. Decido deixar uma nota a dizer que não a via. Mas olhem que procurei bastante. Sete vezes, no total. Procurei a primeira. Depois não convencida, desci à cozinha e procurei uma segunda, terceira, quarta... sete vezes. Removi todo o conteúdo da prateleira, para ter a certeza de que os meus olhos não me enganavam. Pus a mão acima do frigorífico, não fosse ter esquecido por ali. Sou muito cautelosa antes de levantar quaisquer suspeitas sobre o que seja. 

Ao contrário deles com a encomenda e a porta aberta.

Não estava ali nada. Há uma da manhã, depois deles todos se terem deitado e feito a algazarra do costume, despertando-me e impedindo-me de voltar a adormecer, desci à cozinha para preparar sandes para levar para o emprego. Coisa rápida. Procurando não usar NADA deles, sempre limpando tudo, arrumando as coisas. Ainda estou para saber se também isso lhes vai fazer espécie.

Bom, mas nisto reparo que há outra nota junto à minha: O queijo esteve o tempo todo no frigorífico. Para a próxima vez procura com mais atenção (smile).

Não respondi. Optei por ignorar.
Mas sei muito bem que a embalagem não estava nem sequer dentro daquele frigorífico. 

Fizeram aquilo de mal intencionados que são. 
E para colmatar, acrescentaram em letras garrafais, outra nota: "Não bater as portas!!!".

Era uma indirecta para mim. Somente para mim.
Esta gente que bate portas todo o tempo, que não é nenhum modelo de virtude no que respeita a respeitar os outros no departamento de ruído, teve a audácia de transformar a ÚNICA vez que a minha porta bateu, no primeiro dia que cá vim, e perpectuar esse momento como se fosse algo permanente e constante. 

O pior é que percebo claramente que estes 10 dias que me restam vão ser miseráveis. Mais artimanhas irão inventar. Nem sequer vai dar para usar a casa apenas como dormitório. Decerto não me vão facilitar a vida e será um passatempo infernizá-la. 

Funcionam como uma matilha de cães.
Só aceitam os da sua espécie e todos os outros são para destruir.


  


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Andam a ler-nos a mente


Lembram-se de um post que fiz apelando a quem me lê que me dessem a vossa opinião sobre se um determinado produto de venda online que encomendei num impulso era SCAM ou não?

A minha decisão na altura acabou por ser não comprar o produto (80€). Não me arrependi. mas surpreendi-me com o sentimento que me atingiu. É com os sentimentos que as pessoas por detrás destas falcatruas contam para levar a sua avante.

Os indivíduos por detrás da venda deste produto decidiram escrever-me dois emails. Não abri nenhum. Bastou-me ler aquelas primeiras linhas de texto para saber exatamente do que se tratava. Surpreendi-me com o facto destas pessoas que praticam SCAM online pensarem que este género de abordagem alguma vez resultaria comigo. Comigo ou com qualquer outra cabecinha pensante. 

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E isto me conduz a um outro post que estou há um tempo para fazer. Quem anda pelo facebook, já reparou que o género de publicidade que surge do lado direito do monitor é idêntico a conteúdos recentemente pesquisados? 

Nestes últimos dias espreitei muita coisa e pesquisei sobre a morte de cães em Yulin, uma província chinesa que se prepara para um festival anual onde a carne para consumo vem de cães. Até aqui «tudo bem», cada cultura come as espécies animais que quiser. Mas a FORMA como confeccionam essa iguaria é para lá de desumana. O animal é atirado, pontapeado, espancado, socado, batido, cozinhado vivo, descarnado vivo, queimado vivo. Isto é cruel. Então pesquisei sobre o assunto e o certo é que depois de o fazer, e de assinar umas petições e de sem querer ir parar a um link de compra de um cartaz contra o massacre, aquela coluna de anúncios do facebook "coincidentemente" passou a mostrar anúncios de teor semelhantes. Ora, são uns leitores da mente! Andam a ler as nossas mentes, a adivinhar os nossos interesses e a colocá-los na página de anúncios. Fantástico isto, não é? Será que também dá para adivinhar os números e estrelas que vão sair amanhã no Euromilhões?