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terça-feira, 28 de abril de 2020

Fetiche ou mania irresistivel?

Não sei se é fetiche ou uma mania que me deu. Há uma coisa que quando vejo na lpja acho tão bonito que me apetece comprar. O impeto já tem vários meses. Começou em Dezembro, quando se deu as obras no quarto.

Falo de PAPEL DE PAREDE.

Há padrões tão bonitos, cores, texturas. Fica difícil decidir. Vi muitos, trouxe amostras, achava que tinha encontrado o eleito e aí voltava há loja, que tinha renovado o stock e apresentava novos padrões e era a desgraça toda novamente.

Mais um padrão, mais uma cor, uma textura...

 Em Março decidi qual deles gostei mais de ver na parede. Para minha surpresa, um padrão floral grande, com passaros em tom de preto sobre branco e fio de prata.

No goto ficou um maravilhoso ocre com garças brancas que  nunca pensei gostar tanto. Mas para usa-lo, precisava de outra decoração.

Nao resisti ao mesmo padrao floral mas com rosas em vermelho. Aliás esse foi o primeiro escolhido. Com a ideia de leva-lo para Portugal e aplicar na parede. Mal podia aguardar! Não coube na mala e com a pressa adiei. 

Quando fui comprar o segundo rolo (cada tem 10m de papel) vi em promoção um padrao branco e creme por, espantem-se: 4 libras cada!!!

Não resisti. Penso que é algo que sempre será útil para decorar um cantinho ou, quando enjoar de um tom, poder substituir por outro.

Tenho mais rolos de papel para parede do que parede para os colocar. Mas não vejo problemas nisso. Papel de parede, em ultimo caso, também serve de papel de embrulho.

A loucura total porém, foi hoje. Quando entrei nessa loja a caminho do emprego para comprar uma coisa que necessito para a scooter. Nisto vejo promoção de rolos de papel de parede e a minha unica decepção é ver que já foram escolhidos os melhores. Fui espreitar. Quando vi o preço à unidade... fiquei no paraíso!

Não me custaram, todos os 13 rolos que trouxe, mais do que o valor de um!!!!

Não são os melhores e mais bonitos que lá podia ter encontrado mas sao lindos na mesma. Trouxe, em media, três rolos de um só padrão, em caso de irem parar a uma parede longa. 

Os padrões que trouxe

Não resisti a um de borboletas - três  diferentes. Cada rolo por menos do valor do que custam rolos de papel de embrulho. 

Trouxe um a imitar pequenos mosaicos de azulejo de wc e um outro com motivos maritimos azuis sobre um fundo branco, que acho que ficariam divinais numa casa de praia.

Estou louca? Ou apanhei um novo vício, o de coleccionadora de padrões de papel de parede? 😁

Venham mais (a este preço).
Acho-os irresistíveis. 



terça-feira, 24 de março de 2009

Borboletas



Quando era criança sabia apanhar borboletas.

Com a mão, agarrava-lhes as asas. Não sei quem me ensinou ou se aprendi. Nem tão pouco sei se esta era uma habilidade comum entre nós, crianças dos anos 80.

Recordo a sensação distinta do toque. A impressão digital pintada de multicores cintilantes. O toque era aveludado. Observava-as e depois deixava-as ir. Alguém me disse que as borboletas vivem pouco. Uma ou duas semanas, talvez.



Depois alguém disse que, por agarrá-las, tirava-lhes o pó das asas e assim, deixariam de poder voar e morreriam. Foi então que deixei de as apanhar e passei a admirá-las sem lhes tocar. Elas parecem saber que não lhes faço mal e quando caminho pelos campos, gostam de esvoaçar à minha volta.


Agradeço-lhes pelo presente da sua companhia. Aprecio-as com o olhar, tal como aprecio tudo o resto que a Primavera trás. Como a beleza pura que são, duram pouco. Poder observar o esvoaçar de borboletas e sentir o aroma das primeiras flores da Primavera, é uma benção que adoro sentir.



A Primavera é uma estação tão bonita, que se torna perfeita para a morte.

É a altura da renovação da vida!



Poema de Fernando Pessoa:

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.


Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" Heterónimo de Fernando Pessoa