Pessoal, eu sempre me senti muito atraída pelos países escandinávicos. Noruega, etc... Dou com este vídeo sobre a Dinamarca e... nojo.
Agora compreendo PORQUÊ não se vêm escandinávicos a emigrar. NÃO É porque LÁ ONDE ESTÃO é melhor. É porque lá é um microcosmos de preconceito e sofreram todos de lavagem celebral que os faz temer sair da sua zona de conforto.
Viva Portugal. Com todo o seu preconceito, que existe, não é nada disto aqui.
"NÃO ACEITAMOS PESSOAS QUE NÃO SEJAM BRANCAS"
"OS CLIENTES NÃO QUEREM PESSOAS QUE SEJAM DE RAÇA NEGRA"
"EXISTE UMA POLÍTICA AMBIENTAL FALSA"
"EXISTE UM PROBLEMA SOCIAL"
"CONHECI UMA DINAMARQUESA AQUI NA NORUEGA QUE TINHA UMA APP NO CELULAR QUE DIZIA QUAIS OS NIGHT CLUBS QUE NÃO TINHAM GENTE NEGRA E ELA NÃO VIA NENHUM MAL NISSO".
O MAIOR flagelo da sociedade é a DESINFORMAÇÃO. E uma via rápida para lá chegar são cartoons como este.
A PSP avançou com uma queixa crime por incitação ao racismo e à violência. O cartoon é de um polícia em uniforme azul a descarregar uma arma de fogo. Na última descarga, a figura dispara múltiplos tiros e range os dentes. A imagem mostra, de seguida, que o elemento policial está numa carreira de tiro, praticando tiro-ao-alvo em diversas silhuetas humanas. Da esquerda para a direita, surgem essas silhuetas com uma cor de pele diferente. A primeira, o policial falha, na segunda, acerta uma vez, na terceira umas tantas e na última, descarrega todas as balas.
Claro que, a última silhueta é escuríssima, sendo a primeira clara.
SIM, a PSP tem toda a razão, está a ser pintada aos olhos da sociedade para a qual arrisca a vida todos os dias para proteger, como a bandida. A entidade para a qual se deve olhar com maus olhos. Por mim quero que a pessoa responsável seja punida por ALIMENTAR esse conceito. Seja o autor, seja, em particular, a pessoa que, tendo em sua posse os RECURSOS para TRANSMITIR às grandes massas informações, decide passar esta e não dedicar mais tempo ao serviço público, escutando os cidadãos, saíndo às ruas e percebendo o que aflige o povo.
Este tipo de INFILTRAÇÃO de pensamento é um PERIGO para o qual devemos nos proteger!
Deixaram isso acontecer na América. Olhem só no que deu.
Vejo aqui, no Reino Unido - o que deu permitir que o racismo seja quase um tema "tabu". Não se pode fazer referência às pessoas pela cor da pele - quando não se conhece o nome e se precisa fazer uma descrição. Outra pessoa que o escutar, pode fazer de "polícia" e ir "xibar-se" a um supervisor que "fulano tal" disse que o "fulano assim" é "preto". De imediato tomar-se-ia uma deligência e, se tal acontecesse no local de trabalho, a demissão facilmente podia ser emitida.
Ora se a pessoa é negra e o observador está somente a observar, limitando-se a usar esse facto para descrever o indivíduo - não existindo por isso qualquer intento descriminativo - NÃO PERMITIR que tal descrição aconteça é um atentado à liberdade.
Um exagero e o que é pior: cancel culture.
Todos devemos defender a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
Ela é o OXIGÉNIO da sociedade equilibrada e igualitária.
Cartoons destes têm o DIREITO de ser feitos. Mas Cartoons destes, dependendo do CONTEXTO (cá está, faz sempre a diferença), também têm o direito de serem considerados um crime. E se os visados - os policiais, o consideram como tal tenho a dizer que eu CONCORDO!
Um apresentador da BBC foi sumariamente demitido por ter feito este tweet.
Acusações de RACISMO caíram-lhe em cima. O tweet foi logo apagado e o profissional pediu desculpas, justificando que só pretendia parodiar o "circo" mediático. De nada lhe adiantou. O seu acto foi punido radicalmente: despedimento. Virou párida! Quem o vai contratar agora, que toda a nação o condena e foi publicamente demitido?
Eu pergunto para onde caminha o mundo quando este disparate acontece. É mais importante não levantar ondas, não chatear ninguém, publicar coisas que não levantem consternação, do que aceitar que a vida também traz humor, que as pessoas cometem erros, que vão dos pequenos aos grandes.
A BBC emitiu de imediato uma declaração:
"Foi um erro grave de julgamento e vai contra os valores que nós, como estação, pretendemos incorporar"
LOL. Um erro grave, contra valores. Nada de reprimendas, nada de um aviso "da próxima vez...". Não. Tocou na família real, cortem-lhe a cabeça!
Mas o pior é que as instituições, nomeadamente a BBC, pensa como muitas hoje em dia:
"está a levantar problemas? Temos de afastar a imagem da nossa empresa desse berbicacho! Envia um comunicado a dizer que estamos consternados, foi um acto isolado da exclusiva responsabilidade do indivíduo e que não nos identificamos com o que ele fez. Demite o gajo já!".
Quero saber onde está o racismo?
O que é racismo, afinal?
Racismo contra o chimpanzé?
Onde está a descriminação por cor de pele?
Também há umas semanas o New York Times removeu um cartoon sátiro de um cartonista português exibindo a mesma atitude de subserviência e RECEIO. "A imagem era ofensiva e foi um erro publicá-la" - disse o "conceituado" jornal.
Só neste país "mais desenvolvido" é que uma coisa destas toma uma proporção e obtem um resultado destes. Uma cliente deparou-se no supermercado com este produto para a época da páscoa:
São três patinhos em chocolate. Como muito se vê por aí, nas três variedades: de leite, branco e negro. Os patinhos têm um nome debaixo de cada um: Crunchy, flufly e ugly (estaladiço, fofo e feio).
A cliente achou que isto era RACISMO.
Porque o nome "feio" foi atribuído ao chocolate escuro. (Se fosse ao branco suscitaria a mesma reacção?)
O supermercado concordou que se trata de algo reprovável, retirou o produto de toda a cadeia, e voltou a colocá-lo à venda, SEM nomes.
Mas não foram apanhados. Ao invés de desculpar por saberem muito bem que tudo o que é dito é verdade e não teve real malícia ou consciência de ser impróprio, como com facilidade a tudo colam o rótulo de "racismo" e foi isso que prevaleceu, mais fácil que tomar a decisão compreensiva é DEMITIR a pessoa.
Simples porque as pessoas são números. São importantes até à altura de causarem um mínimo desconforto. Aí são descartáveis como, aliás, sempre foram. As pessoas têm de se comportar muito bem - mas só nas aparências. Podem ser os piores «terroristas» e terem crenças realmente racistas. Mas desde que não sejam apanhadas e censuradas publicamente por as expressar, é como se fossem inocentes.
A meu ver esta ex-hospedeira da BA não disse as graçolas mal intencionada. Estava a tentar ser engraçada entre amigos. Mas descobriu que amigos há poucos... Ela própria afirmou que foi ludibriada por uns colegas, que a incentivaram a dizer aquelas coisas achando-lhe graça. Quem atende clientes sabe que existem padrões comportamentais que nada têm de racismo, apenas espelham uma questão cultural. E é natural que numa rota para a Nabímbia ou algo assim, se note o padrão comportamental das pessoas naturais desse país, assim como se conhecem os padrões dos orientais para a cortesia, pela preferência pelo chá... Onde está o racismo?
Este mundo está cada vez pior.
Isto do «politicamente correcto» é um veneno que se pode espalhar perigosamente na sociedade.
E é uma hipocrisia.
Comentários gerais: "Não detestam que hoje em dia tudo seja considerado racismo? Mesmo quando não é."
"Tendo crescido nos anos 60, crescemos sobre o sistema de "pedras e paus". Agora, graças ao Blair e companhia (tony Blair, ex primeiro ministro) vivemos na Grã-Bretanha Orweliana (George Orwel descreveu um mundo vigiado e censurado no seu romance 1984) onde tem de se olhar acima do ombro antes de dizer seja o que for. Patético".
"Sou um negro nigeriano e não vi nada de mais nos vídeos. Aliás, até comecei a rir. Os brancos é que acham que é ofensivo".
Escrevi sobre «homem negro desarmado» aquando a sua exibição num canal nacional, a dois de novembro do ano passado. Pois andava eu pelo youtube quando me deparo com o mesmo. Achei por bem partilhar aqui o vídeo. Para que possam assistir e tirar as vossas próprias conclusões. É um daqueles RAROS documentários que nos fazem refletir e nos apresenta a perspectiva de AMBOS os lados. O que todo o documentário, reportagem what-ever devia fazer. Muito bom, é como o posso descrever.
Estou neste momento a ver um documentário muito especial: Unarmed Black Man. (BBC)
Relata a «guerra» racial nos EUA actualmente, entre policiais e as famílias de vítimas que calhem ser negras.
Mãe a segurar retrato do filho morto. Atenção ao detalhe não inocente muito comum neste tipo de situação: mostram sempre uma foto de quando mais jovem. O rapaz não tinham 8 anos, como na foto, não era uma criança mas um adulto de 18, à altura dos acontecimentos
Willian Chapman - foi o homem de 18 anos que acabou morto pelas mãos de um polícia de nome Steve Rankin. Desarmado, num parque de estacionamento do Walmark, um centro comercial, em Portsmouth, Virgina, EUA. O rapaz, negro, foi morto com dois tiros. A questão é que, pela cor da sua pele, é armado um grande circo. Juntam-se multidões, fazem-se T-Shirts, cânticos, etc...
"Queremos Justiça. Já!" - gritam.
A justiça que clamam nitidamente só será considerada como tal se tudo terminar como exigem.
É Santo - dizem os que falam da parte da família e de raça.
Um rapaz deliquente violento com um anterior registo criminal juvenil - diz a acusação.
Steven Rankin - o policia que disparou os tiros, aparece a testemunhar neste documentário. Assim como a sua ex esposa e a actual mulher. A mãe do rapaz morto também aparece. Assim como a mãe de um outro rapaz, também morto, pelo mesmo polícia, 5 anos antes.
E é isto que faz um BOM DOCUMENTÁRIO. Tem de se escutar ambos os lados. O documentário mostra partes do julgamento, realizado este mesmo ano. Existem testemunhas que relatam que o rapaz não ofereceu confronto, e outras que dizem que sim. Existe uma gravação em video em que o rapaz fala com o polícia de forma provocadora.
-"Não vais usar o taser porque eu não fiz nada" - diz.
-"Tire as mãos dos bolsos" - diz o polícia.
-"Não vais usar o taser porque não fiz nada" - repete, provocativo.
O policial diz que o indivíduo fica violento e num movimento faz-lhe saltar o taser (arma que dispara uma corrente eletrica e imobiliza a vítima) da mão para o asfalto, o que o fez alcançar a arma e disparar. O vídeo não mostra esses 15 segundos. De acordo com os especialistas, ao cair ao chão, o taser desactivou-se. Pelos vistos a camara estava nele...
O documentário recua 4 anos e revela que o mesmo policial já havia disparado para matar um outro indivíduo. Desta vez um rapaz, também desarmado, só que, de pele branca. De nome Kirill, originário do Cazaquistão. Nenhumas acusações foram tomadas na altura. O policia disparou 12 tiros contra Kirill que se encontrava bêbado, desarmado e estava a bater à porta de um edifício com intenções de entrar. Quem chamou a polícia foi uma sua amiga, dizendo que um indivíduo estava aos pontapés na porta.
O ex-comandante do policial diz claramente que ele é o tipo errado de polícia. Conta que o denunciou por exagero de violência e julgou que o iam demitir. A ex-mulher também afirma com todas as letras que ele é um tipo de homem que gosta de disparar. Já a actual mulher diz que é muito difícil, as pessoas o julgam sem o conhecer, refere que sofreu de imediato ameaças de morte e que no momento que a América atravessa, é muito perigoso ser-se polícia.
Até entrevistaram os Júris... que são sinceros na forma como encararam os factos. Uns dizem que não foi uma questão racial. Outros dizem que sim. Um dos juris diz que podia ser um irmão ou um primo dele... certamente não se está a referir ao facto de serem da mesma localidade, mas na cor da pele. Logo, para ele, a morte do rapaz é uma questão de racismo. Ainda que a anterior vítima mortal do polícia tenha sido um jovem branco do cazaquistão, morto com 12 tiros, o que claramente contradiz a versão de "polícia racista".
Em Porthsmouth, 54% da população é negra, 42% branca. Se quem dispara não é negro e quem recebe a bala é, grita-se racismo. Mas será mesmo isso que acontece? Reparem só nos números...
Yelena, a mãe desse anterior rapaz morto também foi chamada, do Cazaquistão para os EUA, para estar presente no julgamento e fazer parte do circo mediático. A mãe de William dá-lhe a mão diante das câmaras, passa-lhe o braço pelas costas, não entende uma palavra do que esta diz mas vai logo concordando com a cabeça, dizendo que vão condenar o polícia e que a justiça será feita... Mais uma vez, mencionam justiça sem que esta pareça comportar como definição um resultado que não seja o por eles desejado.
3 de Agosto de 2016: O jurí está reunido para dar o veredicto. Por unanimidade, o júri considerou o policia não culpado de assassinado de 1º e 2º grau mas culpado de homicídio voluntário.
No WC do tribunal a familia do rapaz que começou a dizer ao policia que este não podia usar o taser e não removeu as mãos dos bolsos, canta de alegria. O policial condenado diz que vai tentar encarar tudo com profissionalismo. Os media continuam a seguir a família da vítima como se fossem superstars. A defesa argumenta que não foi possível apresentar o passado violento da vítima e que isso era essencial para mostrar que ele foi um indivíduo violento e mau. Diz um elemento do júri, uma mulher branca: Ele devia ter tirado as mãos dos bolsos quando solicitado e ele não devia ter reagido. Ele escreveu o seu próprio final.
Outro júri, negro, diz que o juiz (negro) fez bem em manter-se com o essencial. Que tudo o resto não é importante.
A mãe do jovem do cazaquistão está feliz com a condenação, faz as malas e parte para a sua vidinha, agora que já não é necessária.
11 de Outubro: um dia antes da sentença.
O policial ainda pode ser sentenciado a liberdade condicional. A expectativa é grande, para o policial e para a esposa.
"Todos que tiram a vida de alguém merecem castigo. Tenho muita raiva e tenho direito a ela" - diz a mãe de William para as câmaras de TV. Sobressai nela e na sua comitiva um excesso de vaidade com a aparência. Surge toda emperiquitada, produzida em excesso em todos os níveis: cabelo, ornamentos no pescoço, uma espécie de teara nos cabelos, brincos gigantes, colar grande, saia minúscula...
O juiz condena-o a 2 anos e meio de prisão efectiva. A esposa fica parada no banco, arrasada, chorosa, mas sempre com vestimentas simples. Cá fora a família de William e demais celebram a condenação do policia, efusivamente. Na sua casa, ainda toda emperiquitada, a mãe de William deseja que Steven passe muito mal na prisão, que seja atacado e sente-se feliz com a perspectiva deste se sentir miserável. Justiça - aparentemente. Na sua casa, a esposa de Steven mostra a bandeira policial, fala de como está triste.
Tudo terminou. Não. A família entra com um processo e vai receber uma indemnização de 1 milhão de dólares, embora desejasse mais.
Ah, o vil dinheiro!! Parece que existe sempre um preço a pagar... em moeda corrente.
Será que é por isso que aparecem tantos familiares, tanta gente, tantos amigos a dar «apoio»?? Estão sempre à espreita de algum dinheirinho fácil??
Vi muitas enquanto crescia. A maioria americanas mas também bastantes inglesas. Eram o estilo de programa que não perdia porque faziam-me reflectir, rir e, no final, deixavam-me bem disposta. Descobre-se muito vendo sitcoms, em especial às que recorrem ao humor satírico para representar a sociedade e tecer críticas político-sociais. Assisti a contemporâneas, a grandes sucessos americanos e às clássicas ainda a preto e branco.
Contudo existe uma com que me delicio até hoje. Acho-a fenomenal. A rainha de todas pois cada episódio que calhe rever parece-me encaixar com a actualidade como uma peça de um puzzle. Este episódio que encontrei na net é um exemplo. O ano é 1972, mas bem que podia ser 2016. Olhem que podia!
Infelizmente o vídeo parece não permitir a activação das legendas.
Mas vou resumir o tema. Archie, o homem da casa, quer conseguir uma promoção no emprego mas sabe que esta não está ao seu alcance por não ter terminado o liceu. Decide então regressar à escola para conseguir o diploma que, no seu entender, o impede de ser considerado para ocupar o cargo. Está tão animado, com tanta vontade de melhorar de vida, de ser valorizado num cargo de maior responsabilidade... Lá consegue o seu diploma mas no final a vaga é preenchida pelo sobrinho do patrão.
Acham que isto podia acontecer hoje? (irony mode)
Para cúmulo o episódio termina com Archie a dizer: "Now I'm stuck with a highschool diploma!" Que é mais ou menos o equivalente ao que se diz na actualidade: Tirei um curso superior para nada :)
Pelo meio existe sempre a rotina familiar, a lida da casa, os lanches, jantares e almoços. E neste episódio em particular diverti-me com o pormenordo queijo em fatias individuais embrulhadas em papel celofane. Algo que demorou talvez uns 20 anos a chegar a Portugal mas, como se vê por esta série, no início dos anos 70 o queijo em fatias envoltas em película em plástico era um «sinal» da evolução da alimentação para a comida processada na América.
Os americanos levam 20 anos de progresso na ingestão de alimentos processados e são quase todos gordos... Imaginem nós quando os apanharmos...
É uma série riquíssima, que aborda diversos temas que ainda hoje são debatidos calorosamente, como por exemplo a tensão racial e as eleições entre candidatos Republicanos (Archie) e Democratas (Mike). São feitas imensas referências a momentos-chave da política americana, como o caso watergate - que à altura deste episódio ainda estava para acontecer.
«Se as parvoíces do Archie Bunker serviram para melhorar algo na américa? Duvido» - Archie/Carroll O'Connor, 1998/9
A série deu origem a outras spin-offs, todas igualmente interessantes. Como por exemplo... Alguém se lembra da sitcom O príncipe de Bel Air? Pois esqueçam essa produção engraçada mas carregada de racismo. Décadas antes de aparecer essa que ficou famosa por ser "a primeira a dar protagonismo a negros ricos" existiu "Os Jeffersons" (1975-1985), uma das primeiras spin-offs desta série que ainda não nomeeie a verdadeira pioneira.
Apresentadora: Porquê acham que raramente mencionam os Jeffersons como sendo a primeira família negra na televisão? Bill Cosby é muito falado por isso...
Pois é. E eu não gosto disso. Nunca mencionam os Jeffersons. Raramente referem os Jeffersons ou nos dão crédito. -Louise/Isabel Sanford, 6/3/1995
Muitas pessoas diziam que éramos um estereótipo... Não sei porquê. Algumas pessoas tinham problemas com a família... A minha personagem falava alto e acho que isso foi considerado ofensivo entre a "burguesia" (ironia) - George/Sherman Hemsley 6/3/1995
Até os dias de hoje esta série que esteve no ar por 10 anos raramente é mencionada e não lhe atribuem o estatuto que lhe é devido, por ter sido a primeira a mostrar uma família negra e de posses, em televisão. Para mim, que vi todas - O príncipe de Bell Air, O Cosby Show e os Jeffersons, a primeira é em alguns aspectos melhor, no sentido em que me pareceu focar-se mais em temas e menos na «cor da pele», um sério detalhe em que hoje as outras parecem-me falhar. É talvez a menos racista, porque inseriu a família na comunidade, não a sobrevalorizou nem a "transformou" em negros com "vida de brancos", não inverteu estereótipos mantendo noções racistas, como as posteriores tanta vez fizeram. Era constituída por uma mulher generosa e afável, um homem preconceituoso e sovina e um filho moderno e sagaz. Pela recusa do público negro em aceitar esta como sendo a PRIMEIRA família negra na TV americana se vê que... o racismo é algo que não quer ir embora.
«Nunca que uma mulher vai chegar à presidência!»
E repito as palavras daquele que deu vida a um dos maiores simplórios e preconceituosos homens na TV americana: «Se as parvoíces do Archie Bunker serviram para melhorar algo na américa? Duvido»
Tenho andado em reflexões internas despoletadas por coisas que vou entendendo à minha volta. Hoje quero falar de RACISMO. Um assunto sempre algo controverso, que nos EUA chega a ser ridículo o quanto ainda parece existir segregação, pelo menos mental, por parte de cidadãos que gritam a sua linhagem com a arrogância de pureza de raça ou que fazem questão de ser chamados por Afro-Americanos, Nativo-Americanos, Latino-Americanos... Conseguem entender o que estou a evidenciar? Não deviam ser todos apenas Americanos??
Podem e concerteza devem ter ascendência noutras terras. Mas se alguém me perguntar: Qual a tua nacionalidade? Eu respondo o quê? Sou Latino-Portuguesa? Afro-Portuguesa? LOL. Acho que estas simples expressões, tão enraizadas no que se designa (perigosamente) no politicamente correcto que por lá chega a atingir níveis obsessivos ao ponto de por tudo e por nada activar a censura, contribuem para que se perpetue noções de separação mais do que união.
Repito que não estou a dizer que as pessoas não devam sentir a riqueza da suaascendência, procurar as tradições dos antepassados, a cultura... Mas dá para ter tudo isso e viver pacificamente. Quem procura a exclusão, e, o que é pior, coloca uma qualificação em cada etnia (Ex: eu sou o maior, vocês são idiotas/idiotas são vocês o maior foi o meu povo!) está a radicalizar-se. E o extremismo, com laivos de auto-proclamação de identidade «pura» já todos sabem ONDE vai dar, ou não??
A história da Humanidade não nos ensinou nada??
A actual posição do terrorismo praticada pelo islâmismo extremista não serve de lembrança? O actual extermínio praticado por esses que se julgam superiores e donos do correcto modo de viver, que massacram crianças, com requintes de tortura escandalosa, crueldade imensa, violência absurda, a actual situação dos milhares refugiados em êxodo dos seus países ocupados...
Tudo isto, a meu ver, devia servir para lembrar as pessoas até onde nos pode levar insistir com a segregação. A culpabilização, a vitimização... nos EUA tão patente, são ridículas. É nestas alturas que me sinto triste. Nestas alturas tenho a certeza que os sobreviventes de campos de concentração durante a 2ªGG, todos aqueles que lutaram por um mundo mais igual, menos sedentado, todas as «madres Teresas de Calcutá», aqueles que se manifestaram para ver o fim do Apartheid, os que perderam a vida, derramaram sangue e sofreram na pele o significado da exclusão motivada por etnia e religião, só podem estar às voltas nas campas, a levantar as mãos à cabeça e a gritar: "Os idiotas! Não aprendem nada!!"
Ficou gravado na minha memória o relato de um sobrevivente de Auschwitz aquando um dos julgamentos de Nuremberga. Ele dizia que nunca mais desejaria ver alguém passar pelo mesmo. Não queria inimigos, rejeitava o ódio, porque fora o ódio o causador do seu sofrimento. Desejava a paz entre todos os homens.
E acho que é essa paz que a humanidade não consegue viver com. Pois parece haver sempre alguém interessado e pronto a fazer de tudo para se afastar dela.
Mas regressando ao tema do racismo. Tenho andado a ver programas online sobre crimes e deparo-me com vários tipos de comentários. Um denominador comum na maioria dos comentários é o uso de palavrões e insultos para descrever as pessoas. Não só as retratadas, mas como também os próprios comentadores. Reparei então na quantidade de comentários fazendo referência a um denominador comum: a cor da pele. E surgiam coisas assim: "típico de branco", "bolacha de leite", "puta branca", "brancos malucos".
Pensei que ia encontrar uma igual quantidade de comentários do género fazendo referência a outras etnias. Mas fiquei espantada pois não encontrei. Com o politicamente correcto como nova forma de censura, se alguém descriminar «minorias», seja por inclinação sexual, seja por etnia, outros alguém "caiem" logo em cima. Porque não está certo, ou porque no passado essas «minorias» foram maioritariamente alvo de descriminação e torna-se incorrecto trazer ao de cima qualquer laivo dessa mentalidade.
Claro que encontrei um ou outro comentário absolutamente a atacar uma «minoria», revelando a burrice que ainda caracteriza algumas mentes simplórias. Mas por isso mesmo não se dá grande importância a quem, em cada palavra que deixa escrita, só sabe expressar burrice por todos os poros... É um pobre coitado. Provocar é o único entento e, geralmente, os comentários não irradiam inteligência ou coerência.
Mas fiquei a pensar... ao ler aquelas expressões sobre "brancos": onde estão os "defensores" que se posicionam CONTRA o racismo e descriminação? Nos comentários que aludiam à cor de outras etnias, lá estavam uns tantos a chamar a atenção: "És preconceituoso! Racista!". Quase ninguém deixou um comentário do género nos tais que mencionavam "o branco". Porquê?
Não simpatizo com o termo «Racismo Invertido», que é o que muitos hoje em dia usam para mencionar este comportamento aplicado a uma «maioria» branca. Racismo não tem cor, não é exclusivo de um grupo, logo não é invertido. Mas entendo de onde vem. O termo faz referência a um racismo que durou muitos anos na sociedade de classes com escravatura, no qual o branco foi induzido a ver o negro como inferior. Que de facto isso existiu, existiu. Decerto que, como tudo na vida, não teve aderência de 100%. Afinal, mesmo durante a perseguição de Hitler aos judeus, alguns alemães e outras pessoas viram os acontecimentos pelo que eles eram e trataram de ajudar a salvar vidas inocentes, mesmo sabendo estar a arriscar as suas e as dos seus. Mas uma grande maioria, infelizmente, deixa-se levar, impotente, temente, ignorante ou em concordância.
Mas hoje em dia qual a razão que pode levar uma pessoa a alimentar o ódio e o preconceito? É a ignorância? Quando não falta informação por aí? Quando a instrução nasceu, finalmente, para todos? É a impotência? Quando nunca antes cada qual é dono de si e as leis tornaram-se iguais e os cidadãos têm direitos e deveres iguais diante das leis e das pessoas? Quando por lei não se tem mais divisão de pessoas por cor, nacionalidade, etnia... A não ser as que as próprias pessoas colocam nas suas vidas, claro.
Não faz sentido. E por isso acho que, se não se aceita o termo «preto» não se deve aceitar o «branco». Ou se acaba com estas parlermices ou então não adianta apenas retirá-las de um lugar e colocá-las num outro. Vai dar ao mesmo.
Mas mais que proibir, banir ou penalizar, à que deixar a liberdade de expressão fluir, pois nem sempre quem as usa tem intenção pejorativa. Felizmente portugal não é os US... País em qual as pessoas estão praticamente proibidas de fazerem referência à cor de um negro usando o termo negro, caso não sejam elas mesmas negras! Entre a população negra consideram estatus chamarem-se "my black brother, bro, sister" (irmão negro, mana, mano) desenvolveram expressões onde metem o black (negro) em tudo - kiss by black ass, I'm back and I'm black (beija-me o cu negro/Voltei e sou negro). Até entendo. Mas não percebo então porque não se pode liberalizar a palavra e porquê se uma pessoa que aparenta ser branquinha na pele e descreve alguém como «a pessoa desaparecida é negra» ou «hispânica» caem-lhes logo em cima com acusações de racismo... É? Se sim, pergunto-me de que direcção vem.
Clint sobre raça: um dos problemas que o país atravessa hoje é que todos se levam muito a sério.
No meu tempo era mais engraçado, todos faziam piadas e divertiam-se com os amigos.
Cresci perto de uma comunidade espanhola-italiana e às vezes chamavam-me Diego. Hoje não se pode dizer isso.
A vantagem de ter mais de 70 é que não se liga a essas merdas e pode-se dizer o que nos apetece.
Nestas andanças deparei-me também com um programa interessante onde fazem exames de ADN a celebridades para descobrir as percentagens de etnicidade. Num dos shows dois famosos negros competem entre si para ver quem vai ter a mais elevada. Snoop Dog participou e ficou atrás de um outro indivíduo. Foi logo apelidado de branquela, riram-se, a plateia riu também, o apresentador despejou uma série de piadas sobre brancos, o tipo fica desapontado por não ter uma percentagem mais elevada e conseguir destronar o "rei". Enfim. Confesso que achei piada, embora tenha percebido uma abordagem algo racista. Mas vi o humor e penso que o humor não é para ser levado tão a sério. O humor devia ser livre de censura!
Noutro vídeo sobre ADN encontro uns irmãos gémeos que explicam que quiseram saber a sua percentagem negra porque estavam cansados de escutar que são "brancos", que não são "negros o suficiente"... e que essas atitudes descriminativas não vinham de gente branca, mas dos «irmãos negros», os «sacanas filhos da mãe» - a linha do vídeo foi também toda humorística. E mais uma vez, o humor é o humor! Eles queriam "calar" as bocas e ao provar com o teste de ADN que tinham 56% de sangue negro ficaram contentes. Porém na secção de comentários as pessoas não andaram tanto a celebrar... Algumas continuaram a martelar no facto de terem uma elevada percentagem de ADN não negro.
Enfim, numa outra perspectiva, curiosa, regresso aos vídeos sobre crimes e à leitura dos comentários. Deparo-me com outra circunstância muito comum. O recurso a termos depreciativos e ofensivos, palavrões inclusive, incluídos gratuitamente no discurso. Há pessoas que não conseguem escrever uma só frase sem construí-la quase toda com palavrões!
Fiquei a pensar: quando é que se tornou normal (porque é uma norma generalizada) descrever coisas que nos frustram, pessoas que nos aborrecem, acontecimentos que nos surpreendem, com palavrões??
Comecei a pensar no papel do cinema americano, do calão... de onde veio essa mudança? Nos EUA quase todos comentavam usando as palavras cunt, bitch, ugly, pathetic, chucklefucks, para descrever as mulheres. E nem precisavam ser criminosas ou ter cometido atos indesculpáveis. Mesmo as que haviam sido vítimas de um ato atroz e sobrevivido, por vezes eram tratadas com o mesmo desprezo, a mesma desvalorização com recurso ao palavrão.
Uma pessoa reparou e comentou a quem deixou o comentário que ele odiava as mulheres. Comentei também... mas a chamar a atenção para o facto de não deixar de ser verdade que se está a diminuir todas as mulheres ao recorrer a esse tipo de vocabulário. Afinal, se não se pode chamar "bicha" a um gay, não se pode chamar preto a um negro, porquê uma mulher continua a ser referenciada como "put...", "cabr....", "gorda", "feia", etc?
Acabou que o tipo nem tinha qualquer problema com mulheres. Ao contrário, parecia ter uma vida bem moderna na qual a liberdade e direitos eram partilhados. Contudo, expressou-se de tal forma - com tal vocabulário que, de facto, sem perceber, estava a cometer um crime que, decerto, daqui a uns anos, não vai gostar de ver reproduzida na forma como a sua filha vai ser tratada pela sociedade.
Pior do que o preconceito de etnia, acho que continua a ser o do género! As décadas vão e ainda passa tão despercebido as tantas e tantas formas que ainda se usam para diminuir o sexo feminino. Reflecti então na origem desse vocabulário. Afinal, à apenas umas poucas décadas, não se falava assim, com tanto palavrão. Descrever uma mulher, fazer-lhe referência não era chamar nomes. Mas depois vieram os filmes, a mostrar o estilo gangster, a glorificar a vida das ruas, o linguarejar de gueto... e tudo o que é mau parece atrair mais, certo? Vai na volta, começou-se a descontrair. Tudo bem... mas descontrair e recorrer a palavrões são coisas distintas. Acho que tem de existir equilíbrio e bom senso. Educação. Não vou chamar alguém por "aquela cabra". A pessoa, mesmo que seja odiada, tem nome. Pessoalmente, não preciso de descer ao palavrão para expressar fúria. Se bem que tenho de confessar: já fui apanhada por essa onda. Antes não dizia uma palavrinha sequer! Comecei a escutá-las repetidamente, e nem foi pela boca dos mais novos, foi pela dos mais velhos, e comecei a exclamar um palavrão quando estou sozinha e algo corre mal.
Ainda vou a tempo de me corrigir e regressar ao meu «eu» ehehe. Mas a verdade é que os mais jovens falam um calão mais "verborreico", os mais velhos e talvez frustrados, saem com palavrões também... e vai uma pessoa educa as crianças a não dizer palavras feias mas não dá o exemplo, né? Ontem furei o dedo com uma agulha (sim, andei a coser) e aquela picada fez-me soltar um fod....!
Antes não soltaria uma exclamação com esse palavrão. Usaria "Bolas!", por exemplo. Se bem que um palavrão de vez em quando também não faz mal a ninguém... O problema é que os palavrões alastraram-se tanto que estão por toda a parte.
Não sei quando aconteceu mas a linguagem de «gueto», do crime, dos traficantes, etc, espalhou-se e infelizmente, parece estar a influenciar também as mentalidades para um retrocesso estúpido e sem sentido.
Bom, se nenhum outro caso servisse para o saber, tenho de relatar uma coisa que se passou comigo quando estudava no secundário. Estava a conversar com um colega por algum tempo, até que este se afastou. Fiquei sozinha mas logo outro apareceu e perguntou-me o seguinte:
-"Quem era aquele preto?"
-"Quem?"
-"Aquele preto com quem estavas a falar".
O meu cérebro ficou ali uns instantes sem entender nada até que de repente percebi e disse:
-"Ah! O António! Chama-se António, e foi da minha outra turma".
Bom, eu não sou cega, à que dizê-lo. Mas por nada fui capaz de associar aquela palavra com a pessoa com quem tinha estado a conversar. Agrada-me que a minha mente não fez logo essa associação. Acho que mais puro que isso não deve existir :)
PS: (O tema mais aprofundado fica para outro post)
Somos alvo de descriminação de tantas formas num só dia, que a forma natural que temos para não nos incomodar-mos com isso, é nem darmos por elas ou recebe-las como um comentário irónico e inocente. Ultimamente, tenho percebido qual a forma de descriminação que me incomoda e da qual estou a ser vítima. Como disse, incomoda-me e não gosto.
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O que me incomoda mais ainda, é a mediocridade que sobressái desse preconceito. A pobreza de alma e de espírito, de quem procura qualquer coisa para dizer mal ou mandar abaixo outrém. Se eu não o faço, não é difícil não seguir esse viciante caminho de apontar aspectos negativos dos outros com rapidez e julgamento. Pontos positivos, esses as pessoas nunca falam.
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Incomoda-me a mediocridade e a ignorância. A ignorância de não saberem que estão diante de uma virtude, que classificam como defeito.
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No meu caso é simples: comecei a perceber, pela boca de uma "amiga", que me fez comentários e me adjectivou de ser uma pessoa "calma, paradinha", "mais paradinha que eu não existe". Perguntei-lhe porquê disse aquilo, em quê se baseava. Não soube ser precisa. Apenas me disse que o era, perguntei-lhe se se referia há forma de estar ela disse "e não só" e nesta conversa, senti que me rebaixava por esta característica. Logo quem! Mas isso explicarei adiante.
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Levei aquilo a peito por alguns motivos. Primeiro, por estarem a transformar uma característica pessoal, adquirida graças ao meu fundo nobre, que da necessidade de arranjar tranquilidade no meio de uma infância de conflicto e dor, aprendeu a ficar calma e racional ao invés de despejar a ira em cima dos outros. Uma grande virtude, mesmo grande, dadas as circunstâncias.
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Depois porque pegou nesta característica com um tom perjurativo e estendeu-o implicitamente à forma de trabalhar quando, quanto a isso, tenho a certeza absoluta que sou dinâmica e rápida, mais ainda em situações de stress. Oiço-os a gritar e barafustar diante da pressão e eu sou aquela que também a sente mas ao invés de barafustar, faço mais que isso: trabalho e ajudo os outros a trabalhar melhor. Dou tudo de mim e reduzo o tempo que levaria a fazer a tarefa sem lhe retirar qualidade e valor, ajudando nisto os outros através do diálogo e da prestatividade.
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E tudo o que vêm em mim é moleza?
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Levei aquilo a peito sim. Sou uma guerreira, que não precisa de vestir armadura e dar gritos de guerra para se mostrar. Levei a peito ainda por outras razões. Estas ligadas com a saúde, com o organismo. E aqui trago a apresentadora americana Oprah à conversa. Tudo porque li hoje na imprensa algo com que posso me identificar muito bem: as consequências do hipertiroidismo "passando", como diz o artigo, pelo hipotiroidismo. Ou seja: também eu tenho aqueles sintomas de cansaço, apatia, e sou gorda sem conseguir perder peso. Isto dura há mais de 10 anos. Agora imaginem isto e saibam que sou uma pessoa que gosta de estar activa. Que todos os dias caminho para o emprego, numa caminhada de subidas e descidas que totalizam 40 minutos. Inclinações de 45º, ruas que subo cada vez melhor, mas sempre com a limitada energia que a condição do hipertiróidismo e a anemia me atribuem. Ou seja: sou um automóvel com pouca gasolina que chega à mesma ao lugar. Dá para entender?
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Então por tudo isto, considero-me ainda mais heróica. Porque quem me criticou, no caso, é uma pessoa que não anda a pé, só de carro, que é magra, que fez análises a tudo e mais alguma coisa e tem a saúde perfeita, que é muito indecisa e incapaz de tomar uma decisão até no supermercado, sobre se leva ou não leva uma sandes de presunto ou uma sandes de fiambre. Uma pessoa que trabalha diante de um computador utilizando a aplicação com alguma lentidão em alturas em que a pressa urge. O que faz bem é falar ao telefone e planear saídas nocturnas com diversos conhecidos.
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Posso dar o aspecto de ser "paradinha", mas vejam lá se sabem distinguir as diferenças entre o SER e o PARECER. É que a forma como encaro e levo a vida não é nada parada. Se fosse, não me submetia todos os dias a ir a pé para os locais, a viajar de transportes, a adiar consultas médicas para que o trabalho apareça feito a tempo de o passar a outros. E faço tudo com a desvantagem da minha condição física não ser igual à das pessoas 100% saudáveis. Eu posso não exteriorizar uma ferida ou machucado, mas sofro de uma condição física que mexe com as hormonas que estão encarregues de todas as funções do corpo, segundo entendi. Sou "escrava" delas, não as controlo. Elas é que me controlam a mim. E ainda assim, não me submeto e faço por continuar a ter o dinamismo que caracteriza a minha forma de ser. Ainda que não sobressaia, as acções o demonstram. Há mais de 10 anos que estou à mercê desta condição e estou cansada de me sentir cansada. A medicação ajuda, mas não irradica. Se dúvidas existissem, basta ver o meu cabelo cair e cair aos molhos, ao longo dos anos, com uma frequência que denuncia o problema. Esse mal não parece atingir Oprah ainda, que bom para ela. Para uma pessoa sem vaidade mas que agora percebe que tinha um cabelo lindo e farto, a farripa que me resta deixa-me desgostosa. Já não posso perder mais. Se continuar a este ritmo, começará já a aparecer calvice. A roupa que comprei há alguns meses está mais apertada ou então já não serve mais. No entanto, faço mais exercício, alimento-me muito melhor e estou a seguir a medicação.
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É muito redutor, esta redução de tudo aquilo que sou por algo que não posso controlar mas à qual não me entrego e enfrento. É como ser velho e ser descriminado por ter idade, ou ser paralítico e acharem que se é morto cerebral por isso. É um julgamento de fora para dentro, como quase todos são, e uma pura estupidez!