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quarta-feira, 26 de abril de 2023

Iniciar o dia a chorar com as notícias!

 

Maldito pop-up de notícias que aparece constantemente no meu ecran de computador como uma praga! Estou a fazer qualquer coisa, e lá aparecem! Para fechar tenho de colocar o cursor do rato numa área vazia e clicar. 

Não vejo notícias, não quero saber de notícias, por um motivo. O mesmo de sempre. O mesmo que, em menina, me fazia sentir triste o dia inteiro e chorar. Nunca pensei que estaria a verter pesadas lágrimas hoje, com isto. 

ALVERCA DO RIBATEJO: RAPAZES COM ATÉ 18 ANOS VIOLAM EM GRUPO MENINAS DE 12 a 13 ANOS 

Não sei como é a demografia da escola, mas gostava muito de saber a origem destes adultos. De onde vêm, como foram criados e o que os deixavam fazer nos tempos livres. 

É o que mais temo na sociedade: o crescimento etário da juventude em idade escolar não equivale em nada ao de maturidade. Cresce-se muito, hoje em dia, só para as coisas más: sabem tudo sobre sexo, praticam-no. Mas não sabem NADA do resto. 

É assustador. Sobre estes homens não quero desenvolver muito. Espero que possam crescer para além da idade cronológica, se ainda existir possibilidades para tal exigente e difícil realidade.

Quero mais centrar-me noutros aspectos. Primeiro: A SOCIEDADE. Que deixa este tipo de coisas ficar impune por tanto tempo. O MEDO das jovens em expor o caso. Até que uma o fez (ou mais que uma) mas apenas um dos pais tomou a acção correcta e foi à polícia apresentar queixa-crime. 

NÃO PODEMOS SER TÃO SUAVES E BRANDOS com rumores deste género. É por poderem sair impunes que estes idiotas fazem o que fazem. Se existir MEDO das CONSEQUÊNCIAS, deixa de existir tanta incidência sobre este tipo de crimes. Coloquem os rapazes a trabalhar na lida do campo, a pegar numa enchada a cavar sulcos na terra para plantar batatas! Há que criar carácter. Não pode ser tudo só presentes, vídeos no youtube, redes sociais e impunidade. 

Agora as MENINAS. 
SEIS FORAM IDENTIFICADAS. 

Quantas não vão se chegar à frente para que não sejam marcadas com esse estigma? Para não terem de recordar todo o pesadelo? Não têm ainda como saber que, se não começarem o processo de ajuda agora, com o passar do tempo, esse pesadelo só fica maior, pior, e que vai estragar as suas relações futuras, não só na intimidade mas como em todas as outras situações de confiança. 


Quero que essas meninas saibam que aqueles que as violaram são uns infelizes. Uns patéticos, fracos indivíduos, tão mas tão inferiores a elas que precisaram de usar de força e de logro e terem-nas escolhido em tenra idade reflecte exatamente os fracos que são. Porque como todo o predador, não foram atrás de uma vítima que tivesse hipótese de defesa: certificaram-se que recorriam às mais fáceis. Pela ingenuidade que os tenros anos ainda lhes confere, pelos poucos anos de experiência de vida e de conhecimentos. 

Não TÊM DE SE ENVERGONHAR ou SENTIR MAL. 
Elas não fizeram nada de errado.
Se têm de sentir algo é o espírito de SOBREVIVENTE. 

Deixar que o que aconteceu com elas não as enfraqueça, mas fortaleça. As torne cidadãs que não cruzam os braços perante a injustiça, que ficam mais atentas ao que as rodeia. E para não os deixarem vencer, continuar a viver as suas vidas não deixando que a violência de que foram vítimas tome prioridade. Seja uma coisa à parte, um episódio. Algo que foi feito A ELAS. Não foi ESCOLHA delas. E por isso, não vai dominar suas restantes vidas. RECUSEM que as deixe emocionalmente incapazes de seguir o seu caminho. Entendem-se como SOBREVIVENTES. Assim como todos os que passaram por traumas, saber-se SOBREVIVENTE é agarrar a boia de salvação para não afundar na sujidade que não é delas, é DELES. 

Espero que recebam boa ajuda psicológica para que possam viver suas longas vidas felizes, produtivas e úteis. Na tentativa de ajudar, todos os que têm traumas recalcados, aqui ficam histórias verídicas de autênticas sobreviventes. Meninas que foram abusadas e até vítimas de tentativa de assassinato. Ainda mais jovens, com oito anos. Cortaram-lhes a garganta, foram agredidas e violentadas. Mas sobreviveram! Como é que elas conseguiram viver o resto das suas vidas? 

São exemplos INCRÍVEIS. Que ajudam muito a compreender qual o rumo a seguir e qual a mentalidade que se deseja alcançar. Não a de vítima, revoltada, mas a de sobrevivente, lutadora que não deixa mais que a poder dos agressores as continue a prejudicar. 






 


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Mayday - Desastres aéreos

É estranho que eu veja no canal National Geographic o programa Mayday, sobre a investigação de acidentes aéreos e deseje sempre que todos sobrevivam?

Vejo o programa desde que estreou, em 2003. Em 15 anos "Mayday", que inicialmente gravei em VHS, ainda está no ar. Sabem o que isso significa? Que não lhes falta material para fazer novos episódios!

Essa ideia é assustadora. Pensar que existem acidentes de aviação suficientes a nível mundial para manter um programa televisivo no ar durante quase duas décadas.  

Tirando esta realidade, gosto bastante de ver o programa, porque relata todo o processo de investigação do acidente, difícil, morosa, envolvendo muitos peritos, todos empenhados em descobrir as causas para que não se repita a tragédia. Poderiam ter sido evitadas? O que as causou?

Cada caso é um caso e o programa recria as condições, de forma a explicar os procedimentos que conduziram ao acidente. Por vezes existem sobreviventes e o mais espantoso é quando os problemas com a aeronave e as demais circunstâncias parecem indicar que isso é altamente improvável. Mas cada vez que o programa chega à parte que mostra os problemas a começar e os comentadores dizem que faltam cinco segundos para o embate, estou sempre a desejar que ninguém se magoe e todos sobrevivam.  

Um dos que mais me impressionou continua a ser este. 


Bem, estou prestes a entrar num avião rumo a outro destino. 
Talvez este não seja o tema mais apropriado para agendar na véspera de uma viagem de avião. Ahah.

terça-feira, 27 de junho de 2017

EM direto, do Meo Arena - concerto solitário


Curiosa e com vontade de ver o concerto solitário realizado para angariar fundos para ajudar a região de Pedrógão, que há uma semana sofreu um forte incêndio que ceifou de forma dantesca 64 vidas humanas, procurei a transmissão do mesmo online.

em direto: «Luis Represas e João Gil»

Alegremente surpreendida com a quantidade de links online com transmissão em direto: TSF, RTP, SIC, TVI.

TSF: direto em formato rádio: entrevistados e muitos depoimentos. Mais uma vez, gostei de ouvir Carlos do Carmo - o entrevistado no momento em que sintonizei a TSF. 


em direto: «Jorge Palma e Sérgio Godinho» (Portugal, Portugal)

Ele não diz aquelas «balelas», aquelas ideias-chavões. Ele pensa e emite opiniões. Reflectidas e não gratuitas e que «ficam bem». O que não gostei: eu sei que tem de ser assim - ossos do ofício - mas não gostei da forma como tentaram lhe cortar o discurso. Lá conseguiram o interromper numa pausa da sua respiração e subitamente alguém lhe pergunta algo assim:
-"Então acha que se deve fazer, agir, e mudar alguma coisa?"

O que é que a maioria das pessoas responderia?
O standart. O que estamos habituados a ouvir e o que esperam que digamos:
-"Sim, tem de se fazer alguma coisa, alguma coisa tem de mudar"....


em direto: «Jorge Palma e Sérgio Godinho» (Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida)

O que é que Carlos do Carmo respondeu? Nada disso!
Ele assumiu-se como uma pessoa não qualificada para oferecer assim de forma imediata soluções. E disse algo muito importante: qualquer solução não vai ser encontrada de um dia para o outro. Leva tempo. 

Cortaram-lhe o «pio» de vez e a emissão da TSF continuou...

Mas GOSTEI do formato rádio, gosto do contributo dos artistas. Apenas os que estavam a fazer a ligação entre tudo aquilo usaram subterfúgios demasiado simplórios.

em direto: na TSF, vão tentar entrevistar Ricardo Araújo Pereira 
na TVI - Pedro Teixeira, emocionado, a transmitir COMO se deve transmitir - e ele não é jornalista nem entrevistador de TV, é ator em primeiro lugar. Está em direto de Pedrógão e está, no meu entender, a fazer a coisa como esta deve ser feita.

Depois tentei a SIC - não transmitiu nada. Fui para a RTP - funciona. Mas a qualidade de imagem é deficiente. Sintonizei a TVI - qualidade superior, mas transmite sem gelar a imagem apenas durante uns 30 segundos. Depois exige um refresh da página e «leva-se» com anúncios automáticos que duram outros 30 segundos. Totalmente impossível de digerir.

Ainda assim, deu para entender a transmissão de cada canal (excepção SIC). Não sei se é da distância... mas senti pouco prazer no modo superficial de «enche chouriços» e, por vezes, até inadequado (aquela tipa da TVI que parece uma miúda e é do Norte cujo nome não recordo e que fazia alguns diretos da Casa dos Segredos - Isabel qualquer-coisa - essa aí entrou em direto e teve uma prestação horrível! Perguntas de treta ao exponente máximo, comportamento condescendente com todos, demasiada ALEGRIA num momento que não deixa de ter algum toque de luto, com respeito e tristeza, e, no final do seu direto, a parvalhona (desculpem-me mas é) pediu PALMAS!! Aos pulinhos e de forma toda entusiasta. Palmas... às quase crianças que estavam à sua volta. Palmas num momento algo solene... que ela transmitiu como se estivesse numa festa de verão. Tão errado!!

em direto: Matias Damásio  -Loucos

Não conheço este artista mas quando a parvalhona da «Isabelinha» estava a entrevistar as miúdas com um entusiasmo de quem está a transmitir em direto da praia, este foi o nome mais mencionado pelos entrevistados como o artista mais esperado. Estou surpresa... não tem uma voz muito afinada. Deve ser um daqueles artistas que faz uma gravação de estúdio com tudo atinadinho e as rádios metem o batuque e «explode» um sucesso. Até porque é um artista com ar africano, um certo sotaque e a africanez (como é o termo musical para músicas africanas? Agora não recordo mas... caramba! Não recordo.) é desde há muitos anos um grande hit por tudo o que é discoteca, bar, etc... E se só metem batuques africanos (assim como fast-music americana) então os sucessos são sempre dentro dessas categorias.

Na RTP surge a Catarina Furtado a conduzir a emissão. Só enche-chouriços. Fiquei um pouco escandalizada com o alinhamento superficial e vazio. Não só da RTP mas como da TVI e vou presumir que a SIC não fugiu dessa linha. Tirando poucos profissionais que sabem, organicamente, como agir em cada situação, existem outros que têm sempre a mesma linha, sem sobriedade. Tentam passar esse respeito por palavras, mas é um tanto oco. Ainda que o sintam, o formato é sempre aquele que a SIC introduziu com programas como o "Muita-Louco". Ou o Big-Show-SIC - que é ideal para definir a forma de comunicar daquela Isabelinha da TVI.

em direto: Fim do espetáculo do pouco dotado em cordas vocais Matias Damásio. Surge uma voz a GRITAR "Matias Damásio" - em excesso de euforia. A sua voz surge logo depois do locutor da TSF, que diz "Matias Damásio" num tom de voz normal. Graças a Deus!

Mas que exagero, que euforia desnecessária - a destas apresentadoras/res das nossas estações de televisão/rádio. Não que eu diga que alegria tem de ser excluída. Não é isso. Mas a falta de sobriedade... O excesso de «alegria», de euforia. Tão errado como modelo de comunicação televisiva. Já cansou. Tudo virou "Big Show SIc".

Conclusão sobre as emissões:
Ganha quem acompanha a rádio. Neste caso em particular, acompanhei a TSF.
Televisões: É para excluir tudo, excepto as partes em que deixam os artistas atuar. 

PS: Exemplo de um fraco momento televisivo entre repórter e entrevistados. Já não recordo quem (talvez TVI) mas alguém perguntou a um bando de crianças se sabia porquê estavam a fazer o concerto. Além destas não conseguirem se explicar bem, uma delas afirma que é para ajudar as pessoas que morreram no incêndio.

em direto: «Anda comigo ver os aviões»

Ora, as que faleceram, infelizmente, já não precisam de ajuda. O repórter não corrigiu a criança - perdendo assim uma oportunidade para transmitir corretamente a informação ao mesmo tempo que ajuda um grupo de crianças a compreender adequadamente a quem se destina o apoio solidário. E isso, é uma grande falha para um repórter-jornalista. Não lhe ficava nada mal, com tacto, emendar e corrigir. Mas se calhar, ele nem percebeu!

Até agora e desde que comecei a ver este concerto, quem mais gostei de ver em cima do palco foi o Palma e o Sérgio Godinho. Que além de emotividade, escolheram temas que achei ajustados ao momento. 

Aguardo o Salvador Sobral - apenas porque o tenho como um intérprete, alguém que canta com emoção. E é só isso que espero e mais aprecio em musicos e cantores. Que cantem com sentimento. E se existe causa que pede sentimento, esta é uma destas.



23h56: Democratico e que não banaliza - diz António, na TSF, fala sobre a sua emissão de rádio. Concordo. 



domingo, 11 de agosto de 2013

Fui passageira no Titanic

Quando a estação do Rossio em Lisboa recebeu a exposição sobre o naufrágio do Titanic, fui visitar e levei uma criança comigo.

À entrada deram-nos réplicas do que foram os bilhetes originais, com o símbolo da White Star Line num lado e a nossa identidade de passageiros no outro.
Calhou-me ser a sra. Ida Strauss, passageira a viajar em primeira classe. A criança adoptou a identidade de Eva Miriam Hart, de sete anos, passageira de segunda classe. Creio que não foi uma tirada ao acaso pois a rapariga removeu-os de duas pilhas distintas. E também duvido que existissem naqueles bilhetes mais do que meia dúzia de nomes - dos mais conhecidos. Mas ainda assim, foi interessante saber que só no final da exposição iríamos descobrir se a nossa identidade como passageiros nos ia colocar na lista de sobreviventes ou na dos não sobreviventes, caso viajássemos no Titanic.

No final da visita uma parede exibia os nomes de todos os passageiros. Divididos em duas categorias: sobreviventes e não sobreviventes e por condição: classes ou tripulação. Começamos a procurar os nossos respectivos nomes - que nos foram emprestados para aquela jornada. E foi aí que descobri que a criança que levei comigo sobreviveu. Eu "morri" mas não me importei. Estava contente e em paz por ela ter sobrevivido.

Foi uma sensação daquelas que não se explicam e que são rápidas. Era tudo faz-de-conta mas por um instante podia ter sido real. Porque aí percebi que o pior não é falecer, é sobreviver e viver com a memória da perda e do horror e sofrimento que imaginamos os nossos a passar. O quanto é importante saber que os nossos sobrevivem! A nossa própria morte, a nossa vida não é tão importante. Pelo que entendo cada homem que ali ficou a aguardar a sua vez de embarcar. Eles estavam a salvar o que de mais importante tinham: os seus. Compreendo cada mãe que tentou levar seus filhos para dentro dos botes e imagino demasiado bem o que lhes passou pela cabeça e pelo coração quando constataram que haviam falhado e que não havia salvo os seus.

A dor é muito pior como sobrevivente. O próprio fim não parece tão aterrador quando a morte ou sofrimento de uma pessoa querida. Quando soube que a sra. Ida Strauss, a minha "identidade" podia ter-se salvo, pois foi-lhe oferecida uma vaga num dos botes salva-vidas que ela recusou para ficar ao lado do marido, soube que me calhou a identidade mais apropriada. Consigo ver-me a adiar a partida no bote para que outros pudessem entrar primeiro. Mas nunca se sabe. Depende das circunstâncias e dos outros também. Porém, já aqui contei a propósito do naufrágio do Costa-Concordia e do Tolan no Tejo que cheguei a fazer parte da tripulação de um navio e que numa ocasião fiquei chocada com a admissão dos meus colegas que diziam que em caso de acidente não queriam saber de ninguém e tratavam de salvar primeiro a própria pele. Não me revi nesse tipo de atitude mas, mais uma vez, nunca se sabe. Tinha todas as minhas funções em caso de emergência bem memorizadas. Sabia o que fazer em caso de se ter de abandonar o navio em salva-vidas. Mas esses conhecimentos nunca foram precisos colocar em prática - felizmente.

E pronto: eu "faleci" quase que por opção mas a miúda sobreviveu. Estava em paz, feliz. Julgo que muitos que viajaram e afundaram com o Titanic consolaram-se com isso. Os que puderam, os que foram bem sucedidos...