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segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Quando uma CRIANÇA é educada e é socialmente aceite que CUSPA no chão por ver um estrangeiro... isso não é modernice. É antissemitismo a todos.

 Pessoal, eu sempre me senti muito atraída pelos países escandinávicos. Noruega, etc... Dou com este vídeo sobre a Dinamarca e... nojo. 

Agora compreendo PORQUÊ não se vêm escandinávicos a emigrar. NÃO É porque LÁ ONDE ESTÃO é melhor. É porque lá é um microcosmos de preconceito e sofreram todos de lavagem celebral que os faz temer sair da sua zona de conforto.

Viva Portugal. 
Com todo o seu preconceito, que existe, não é nada disto aqui.


"NÃO ACEITAMOS PESSOAS QUE NÃO SEJAM BRANCAS"



"OS CLIENTES NÃO QUEREM PESSOAS QUE SEJAM DE RAÇA NEGRA"



"EXISTE UMA POLÍTICA AMBIENTAL FALSA"


"EXISTE UM PROBLEMA SOCIAL"


"CONHECI UMA DINAMARQUESA AQUI NA NORUEGA QUE TINHA UMA APP NO CELULAR QUE DIZIA QUAIS OS NIGHT CLUBS QUE NÃO TINHAM GENTE NEGRA E ELA NÃO VIA NENHUM MAL NISSO".





quarta-feira, 19 de abril de 2023

A policia na Amadora e a polícia em Albufeira: os mesmos criminosos

 Abri o microsoft chrome e com ele vem o pop-up com as notícias. As mesmas que ignoro e nao procuro. É irresistivel espreitar alguns dos titulos. Outros, claramente click bate, nem tento.

Foi assim que fiquei a saber que uma mulher foi esfaqueada a frente de uma discoteca no algarve. Vi o video que mostra apenas umas pernas a cair horizontalmente no pavimento e a deslizar, como se o peso do corpo facultasse movimento extra. Nada parecido com os filmes. Nao era um filme. Foi real, o fim de uma vida. Esfaqueada no pescoço e peito, numa zona rodeada de umas 20 ou 30 pessoas. Todas aparentemente jovens - cronologicamente com idade para demonstrarem melhor discernimento, mas com uma gritante falta de boa criação. 

Depois surge os comentarios de comentadores televisivos a um video de uma intervencao da PSP na Amadora. A policia foi chamada por locais que se sentiram incomodados com ruidos e outros problemas. Ao chegar foi agredida com pedras e garrafas de vidro. Insultada, expulsa. Mas quem é esta malta que pensa ser dona da Amadora? Manda e desmanda acima de todos? Holligans! Criminosos. Escumalha. 

A policia teve de regressar adequadamente preparada para cumprir o seu dever de repor a ordem. É aí que é filmada. O video é publicado no Tic-toc, o que de si ja diz muito sobre as idades destes individuos que desacatam a autoridade e causam medo e incomodo noutros residentes. 

Deve ser horrivel viver num local a vida toda e ve-lo transformar-se de uma boa vizinhança para um gueto, cheio de malta preguiçosa que nao quer acordar cedo pela manha para ir trabalhar. Prefere andar a assaltar aqueles que o fazem. 

Me desculpem se vou colocar o dedo na ferida. Mas alguém tem de o fazer. O que ha em COMUM com estes dois casos??

A origem dos deliquentes. 

Tanto num exemplo como no outro o que vi foi jovens com raízes vindas de outros países, provavelmente ja terceira geracao, com aquele comportamento de gueto. Um distinto estilo comportamental que se instalou, propagou e dissiminou com um cancro.

Culpo tambem hollywood, que faz filmes atras de filmes a glorificar o gang-style. É o palavreado, a maneira de andar copiada das piores prisões americanas, o vestir à rapper, os palavrões e meias-palavras, os gestos de "grupo" exclusivo - tudo extraído do mundo do crime.  É a saída mais fácil, mais cobarde, assumir-se desencantado com a vida e desistir da ideia de se tornar um cidadao que colabora. Típico de cobardes. Pensam que por terem armas e as usarem, são fortes. Não. A força está exatamente em ser "normal". A força estaria no virar as costas para isso e encarar a vida com honestidade e luta. Criar carácter. Aceitar desafios, derrotas, frustrações. É mais fácil viver a vida se vitimizando, dizendo que lhe devem tudo e mais alguma coisa e tornar-se aquele que acusa, exige, se vitimiza, provoca, mente, agride, roba e facilmente mata.

Isto é ser cool? Ganhar estatus entre os patéticos amigos que mais tarde ou mais cedo, ou morrem ou vão presos? Nao. Isto è ser covarde. A vida tem parametros para ser seguidos de varias maneiras sem ser a criminosa. Mas essa coragem falta-lhes. O MEDO, pavor e quase certeza absoluta que nunca as suas aspiracoes de vir a ser "alguem" vao se realizar. Essa é a realidade da qual se escondem. Não são bons o suficiente para os seus sonhos. Ao invés de buscarem ser, preferem tirar de quem não é cobarde e está a esforçar-se para criar um mundo melhor. 

Estes dois casos se complementam em mais que um sentido. Se não existir polícia, o que acontece? Matam-se pessoas. Simples. REAL. Tomara a família da mulher assassinada em Albufeira, no Algarve, que a polícia tivesse sido chamada e aparecido munida de armas de defesa a tempo de evitar a tragédia.

Estes dois casos são importantíssimos. 

Agora gritam: "Onde estava a polícia?"

Temos de apoiar mais a nossa polícia. Ela tem um papel a desempenhar e tanto quanto sabemos, está a cumpri-lo cada vez que precisamos. Se existir uma excepção, que se lide com a excepção. Se abusar ou for impópria, faz-se uma denúncia e uma investigação. Mas não estamos num filme de hollywood, onde toda a polícia é corrupta e os criminosos, uns Robin Wood. 

Tenham descernimento. 

terça-feira, 25 de maio de 2021

Porrtuguesinha, antes fosses chinesa!

 Desde que cheguei ao Reino Unido, o meu primeiro nome esta mal escrito no sistema nacional de saude - NHS.

Em vez de Portuguesinha, escreveram Phortuguesinha. 

Cada vez que precisavam localizar-me no sistema, levavam uma eternidade, pediam-me todos os dados (recusando sempre que lhes facultasse o n. de utente) para depois de muito teclarem no computador informarem-me com pesar que "não existo".

Isto é frustrante porque, assim que dei conta do erro, corrigi-o. Fui ate ao GP local, onde fiz o registo, soletrei letra por letra e ficou corrigido na hora, pelo computador. 

Quando recebo uma carta do NHS em casa, continua com um erro. Um novo erro.

Volto a ir ao local e desta vez, poupando na saliva, entrego-lhes o meu passaporte e peço-lhes para copiarem o meu nome pelo documento.

A jovem que me atendeu procedeu logo a mudanca do nome no computador onde teclava. Garantiu-me com um sorriso e simpatia que ja estava correctamente alterado.

Ate hoje sou a Porrtuguesinha.

Sabem com quem me identifiquei? Com os primeiro emigrantes durante o seculo 18 e 19, que chegavam ao cais de um novo pais, lies perguntavam o nome e anotavam num pedaco de papel com a fonetica que lhes era mais familiar, muitas vezes ignorando a documentacao apresentada.

Nao tinham outra opcao senao PASSAREM a ter outro nome  numa nova terra. Logo de inicio a serem despidos de alguma da sua identidade. 

Assim me senti em pleno seculo XXI, numa terra que se diz avançada e rigorosa, numa altura em que todos conhecem a extrema importancia da precisao da recolha e registo de dados pessoais. 

Um seculo em que todas as entidades tem se saber tudo sobre ti: estatus, orientacao sexual, alteracao de genero, anteriores nomes, quiça um dia proximo, ate o teu dNA. Uma época em que forcaram a "naturalidade" de  colectar as  impressoes digitais de todo o cidadao mesmo o acabado de nascer e fazem reconhecimento facial a todos os rostos no planeta. 

Mas ainda nao acertam com o teu nome escrito com a sua caligrafia original, a ser copiado de um documento oficial. 

Ora, seu eu fosse chinesa, romena, polaca, da indonesia, Russa ou algo assim, ainda entenderia. Afinal estas nacoes possuem um alfabeto diferente do ingles.

Mas nao e o caso de Portugal!

Temos as mesmas letrinhas. Uma por uma. E nao as juntamos em combinacoes Tao diferentes assim. 

Depois, para meu espanto, no curso que estive a tirar, voltam a fazer o mesmo. De 10 formandos, sou a unica com origem Europeia. A maioria vem da India, carregam nomes indianos. Dois outros  vieram de Africa e carregam nomes Africanos. 

Todos eles com nomes esquisitos, que lhes pedes para pronunciarem e o fazem rapido como se desconhecessem que para serem conpreendidos tem de pronunciar um nome de forma silabica.

Letra com combinacoes esquisitas, formando sons ate entao nunca ouvidos. 

Mas esses tiveram os seus nomes bem escritos nos certificados!

Vai-se la entender. 

Bom, talvez seja compreensivel se partilhar que a pessoa encarregue da documentacao era tambem Indiano e o formador uma mistura de Africa com irlanda. 

Ainda assim sao pessoas a viver no UK ha uns 40 anos e ainda nao se mantem confortaveis com nomes Anglo-Saxonicos!

Sinto-me uma migrante de verdade. Identifico-me com todos os Dasilva, Sylva, Rodriguez, Manel, Anthony, desta vida...

Que partiram de Portugal para um novo destino seguros de quem sao e do seu nome de baptismo. Mas chegam a um novo lugar e sao, de alguma forma, rebatizados ou expropriados das suas origens.  

Bem que disseram que a emigracao foi a substituicao da escravatura.... 

Quando esta terminou no Brasil e os emigrantes Italianos e de outras localidades comecaram a surgir, algumas destas pessoas que estavam encarregues de os registar estavam habituados era a lidar com a papelada de forma a favorecer o proprietario, nao a propriedade. Tinham experiencia era com escravos, gado... coisas a que nao atribuiam muito valor para alem de serem mercadoria. Chega gente livre, mas o trato e os habitos nao sao muito diferentes. 


Chamas-te Manuel da Silva? Tens documentos? Ok... Manel Dasilva. 

Quem ja estudou genealogia sabe de casos impressionantes e frustrantes em que erros semelhantes simplesmente terminam com a possibilidade da investigacao continuar.

No curso tambem escreveram o meu nome incorrectamente. Desta vez, o apelido. Arfh!

Desisti de ser outra coisa. Oficialmente, para o NHS sou Porrtuguesinha. Na futura profissao Terei outro apelido. Eles assim o desejaram.  Assim me batizaram. Em pleno seculo XXI com toda a tecnologia que possuimos!

Onde quer que vas o nome que te dao é aquele com que vais ficar.



terça-feira, 19 de junho de 2018

Porquê a américa nunca será um país avançado




Uma americana publicou isto na sua conta do facebook. Imediatamente denunciei como racismo a etnias. Nomeadamente, no meu entender, preconceito para com os emigrantes.

Quando vejo coisas destas SEI que a América JAMAIS conseguirá ser um país de gente coerente, democrática, pacífica, com sensibilidade para os Direitos Humanos.

Não se lembram dos seus que passam fome, até aparecerem outros também com fome. E então gritam:
_"E os nossos? Que estão com fome! Vocês vão embora! Voltem esfomeados para de onde vieram! Aqui não há lugar para vocês!".


Um dia a situação pode reverter-se e depois quero ver...
Qual o americano que gostaria que lhes impedissem de tentar um futuro melhor roubando-lhes os filhos. Isto tem ares de Holocausto sem camaras de gás. Mas a intolerância? Essa é a mesma.

sábado, 27 de agosto de 2016

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O comentário que despoletou reflexões


Uma mãe de quatro filhos, o mais velho com cinco anos, foi presa sentenciada a vida perpétua atrás das grades, por ter sido considerada responsável pelo falecimento de uma quinta criança, de quatro anos, que estava a querer adoptar. 

O menino, filho biológico de drogados, já havia andado por outros lares no sistema de adopção "experimente e se não estiver satisfeito, devolva" que os americanos têm. Por isso exibia comportamentos típicos de crianças sem raízes e afetos. Fazia birras, por vezes era agressivo - o natural. Mas esta criança também apresentava um atraso no crescimento, nas capacidades cognitivas e no comportamento. Não sei até que ponto o facto de ter sido concebido e desenvolvido exposto a substâncias ilícitas duras veio a influenciar mas ele também exibia um comportamento estranho: Tudo o que via, metia à boca e comia. 

Menina com PICA come carpete

Na América a sigla para esta desordem é PICA. Muitas pessoas sofrem deste mal, umas comem vidro, lâmpadas, pedras, papel higiénico, areia, paus, cabelos... a lista é infindável. Julgo que são comportamentos ligados à ansiedade mas ainda se está por saber se terá também algum factor biológico, como a falta de algum nutriente.

Ora, esta família precisava estar sempre a supervisionar a criança, pois além de qualquer coisa lhe servir para enfiar pela boca, não se saciava nunca. Nunca parava de comer. Comia até vomitar, se acaso lhe deixassem. Ficava tão cheio que tinha de vomitar por não ter mais espaço para armazenar coisas. Mas a compulsividade de ingeri-las não cessava com o estômago cheio.

Casos reportados da desordem PICA pelo mundo
(a página foi bloqueada pelo anti-virus acusada de piching
pelo que não sei a origem destes dados
)

Numa ocasião esta mãe necessitou de uma recuperação e decidiu, por segurança, instalar uma câmara de vigilância no quarto do filho adoptivo para poder tomar melhor conta dele e certificar-se que não ficaria em risco. Acho normal. Afinal, existem os baby-monitors, que transmitem audio, ela só fez um upgrade, de resto já muito usado nas creches para que os pais no emprego possam ver os seus filhos.

Um dia ela distrai-se diz que por uns segundos e reparou que a criança estava diferente. Desconfiou que ela tinha vindo da dispensa mas não viu nada de mais. Rapidamente a criança começou a dizer que sentia frio e vomitou. Normal. Crianças têm estes sintomas. Mas o quadro rapidamente piorou e no espaço de horas levaram-na ao hospital. Onde veio a falecer. As análises ao sangue determinaram que os níveis de sódio (sal) estavam elevadíssimos. 

Pedaço de pedra retirado do estômago de paciente com PICA
Ela e o marido foram imediatamente proibidos de ver a criança e tornaram-se suspeitos de morte intencional. O resultado da investigação já contei: a mãe foi presa por suspeita de ter causado a morte - se não por oferecer fonte de sódio à criança, por não ter de imediato chamado uma ambulância. Mas a questão é: porque haveria ela de chamar o 112 por sintomas tão comuns que não indicam perigo de vida? É que nem os médicos perceberam o que estava mal. Tanto foi que lhe administraram uma solução de sódio! Exatamente o veneno que o estava a matar.

Adiante que esta história vai mais longe. Enquanto estava a ser julgada ela soube estar grávida, deu à luz uma menina. O seu sexto filho - como veio a dizer. E depois continuou presa. Para toda a vida. 


Sete anos se passaram e novos factos vieram "a lume". O pediatra que acompanhava o menino disse ter contado uma versão diferente à acusação e à defesa, mas estes não o chamaram a depor. O mesmo aconteceu para um especialista em morte e envenenamento por sódio. Este veio depois a afirmar que dificilmente o resultado seria outro, pois é tão raro alguém envenenar-se com sódio que nem os médicos esperam um quadro desses. E por muitos procedimentos que pudessem fazer, o resultado com certeza seria a morte.


Eu achei esta parte assustadora! Não sabia que o sal mata - mas mata mesmo! Andam por aí assassinos a comprar arsénico e outros venenos para o sal - uma coisa que existe em todas as dispensas e todas as cozinhas, ser tão eficiente!!

Assusta, não é?
Mas a realidade é que a criança, que sofria de PICA, muito provavelmente ingeriu uma quantidade exagerada de sal e condenou-se. A mãe foi considerada culpada, mas provas que são boas - provas de negligência, de que foi ela a dar o sal, que fingiu não ver, que não chamou uma ambulância porque o queria morto - tudo isto que foi alegado e que foi suficiente para a condenar, não foi comprovado.

Foi um caso muito mal defendido. E uma mulher com probabilidades de ser inocente e tantos filhos para criar, foi condenada a uma vida atrás das grades. Marido e filhos condenados juntos.


Sete anos depois, com estes novos depoimentos, o Estado do Texas anulou a condenação e ela foi posta em liberdade. Pode abraçar pela primeira vez a bebé que deu à luz, agora com sete anos. E o filho que na altura tinha cinco, pode, aos 12, voltar a sentir o abraço da mãe. Fora os do meio... Uma história deveras triste. E mais triste ainda foi saber que a acusação não ia desistir da acusação de homicídio e pretendia levar o caso novamente a tribunal!!

Mas por mais espantoso e revoltante que esta história possa parecer, pior foi ler os comentários deixados no vídeo deste programa. O primeiro foi o que despoletou uma série de reflexões em mim.

Dizia mais ou menos assim: "Assassinou o filho adoptivo e é posta em liberdade.... Apelo à rebelião.... Eu, cidadão refugiado". 

O indivíduo que colocou este comentário auto proclama-se "Cidadão «Vingador» contra a Tirania" - é este o seu nome. O link para o seu «cantinho virtual» youtubiano pode ser visto aqui nesta imagem, onde ele se descreve.

Tem alguns vídeos de segundos postados, não os fui ver, mas prestei atenção aos títulos e descrições. Temas como ateísmo, racismo, "os brancos são pessoas geneticamente defeituosas" e outros títulos. 


Numa primeira impressão fiquei a pensar: Este indivíduo será mesmo um refugiado? Depois pensei: Deve ser alguém a fazer-se passar por refugiado para meter mais lenha na fogueira e atear ódios para com os refugiados.

Seja com qual a verdade, muitos outros comentários que se seguiam partilhavam uma cartilha semelhante. Ela era culpada, ela era assassina, aquilo eram lágrimas de crocodilo, sonsa cristã, jamais devia ser solta, etc.

Se consumir sal, prefira o marinho
Fiquei em choque. Embora de facto a 100% ninguém possa afirmar que esta mulher não deu sal para a criança comer, é altamente improvável tê-lo feito. Acho de um terrorismo tremendo, após todos os factos, após se confirmar que a criança sofria de PICA, de se ver como esta mulher era cuidadosa, como eles viviam, a tolerância que tinham, a vontade de criar uma família grande... a falta que ela fazia àquelas crianças privadas de mãe, um pai privado de esposa... Que tantos preferissem metê-la de volta na cadeia a deixá-la ser livre! 

Entre tantos assassinos, violadores, pedofilos em série, tantas pessoas que são indiscutivelmente um risco para a sociedade, para qualquer indivíduo, é esta mãe o tipo de ameaça que querem colocar para sempre na prisão? 


E isto trouxe também à memória o recente caso do tribunal Norueguês dar razão a um assassino em série, responsável pela morte a sangue frio de 77 jovens encurralados numa ilha, no seu direito de manter contacto com os seus simpatizantes, ó sei lá o quê! Direito? Será que não estamos a esticar a corda no que respeita a direitos para indivíduos que cometem actos tão hediondos?? E é uma mãe de cinco que querem colocar na cadeia??

Quase que retira a fé na natureza humana!

Mas depois li mais comentários, até em maioria, e estes restauraram a minha fé na humanidade. Existem sempre alguns estúpidos, mas entre esses aparecem pessoas sensatas. Mais abaixo uma mulher, toda vestida com trajes islâmicos, defende que o Estado devia indemnizar a família e deixá-los viver em paz. Nada daquele espezinhar da mulher, nada de atirar «pedras», como me pareceu ser o caso do primeiro comentário, o do «refugiado». Mas que serviu para me colocar a pensar "o que pensaria um refugiado? O que faria um refugiado?".

Compulsão para ingestão de terra

Outros comentários sensatos surgiram. "Eu também fui adoptada por um tempo e vi muitas crianças a agir assim, é normal"; "Um primo meu tem PICA e ele come mesmo tudo, não é possível estar sempre a vigiar, e meus tios só o têm a ele como filho", "O sistema judicial americano no seu exemplo mais avassalador de condenar a todo o custo não importando a informação que venha ao de cima"; "Nem devia ter passado um único dia na prisão, a justiça americana é uma piada!".

Sim, a fé na humanidade está restaurada. A fé na justiça é que fica um pouco abalada...



sexta-feira, 15 de abril de 2016

As tristezas e horrores de uma vida de abusos

Não somos racistas mas este tipo de emigração não se quer por cá. Assentam arraial aqui para receber o rendimento mínimo, não trabalham nem nunca pretenderam tal coisa, roubam e ainda fazem isto. Xô!

domingo, 13 de setembro de 2015

A triste constatação do povo medroso que somos


Encontrei isto entre muitas outras publicações sobre este tema e dentro do mesmo tipo de "argumento":


Esta imagem revolta-me.
De um lado a forma como o povo se vê: miserável e coitado. Do outro, a forma como vê os refugiados: uns adolescentes bem vestidos que vêm do mar e tiram selfies.
Mas decidi que não vou mais me preocupar.

Bem sei que a minha tendência para ser ingénua pode estar a deturpar a minha percepção - talvez exista algum fundamento neste medo em ajudar a acolher refugiados. Mas prefiro 1000 vezes ser como sou e ainda me restar um tanto de solidariedade que fala mais alto e se sobrepõe a sentimentos mais egoístas e mesquinhos.

Consigo perceber que o receio de importar terroristas extremistas é de facto pavoroso. Mas considero isso um pensamento que não deve prevalecer diante da ajuda ao próximo. Só consigo pensar que toda a gente que foge da guerra e procura uma vida melhor merece essa oportunidade. Se fosse eu no lugar deles, ia gostar que alguém me estendesse a mão.

Me entristece perceber que o povo português gosta de gabar-se das suas qualidades como povo acolhedor e simpático, mas depois manifesta-se em massa nas redes sociais contra uma ajuda singela em relação aos números. Todos se tocam com a pobreza e a miséria lá longe, quando esta chega pela televisão e pelos jornais. Mas se vier tocar à porta, começam a olhar para dentro, a apontar a miséria cá de dentro, que antes pouco lhes importava, para argumentar porque é que não se pode ser solidário com os de fora. 

Isso não é argumento, é xenofobia. 
Nem parecemos um povo emigrante, que emigrou e está espalhado por todo o mundo. 

Não me reconheço nesta postura. Compreendo que existam receios, como já disse. Mas estes não justificam uma atitude de total fecho de mentalidade. Até porque Portugal já importou criminosos de verdade, que sempre aqui viveram misturados connosco e nem por isso tivemos atentados à bomba no metro ou nas ruas como aconteceu em França, Inglaterra, Espanha e EUA.

As pessoas temem que essa realidade venha a surgir com a ajuda a refugiados? Por favor! Não é por ajudar umas pessoas que se perde alguma coisa. Ao contrário: ganha-se. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Portugal, dentro e fora

Vi num portal de emprego um anúncio pelo qual me interessei e decidi candidatar-me. A mensagem dizia para enviar um SMS com o nome e número de telemóvel. Passados dois dias decidi utilizar o contacto telefónico fornecido para saber mais a respeito da oferta de trabalho. Quem me atendeu respondeu ás minhas perguntas desta forma: “Isso é com o responsável por essa função, vai ter de esperar que lhe telefonem”.

Três vezes escutei esta resposta, para cada uma das minhas questões e afirmações:

-“Candidatei-me há dois dias e como ainda não fui contactada, decidi telefonar para este número que o anúncio também faculta” – afirmei. A voz masculina do outro lado da linha, como que maçada por o oportunar, facultou-me aquela resposta.
Expliquei que queria saber mais sobre a função, saber qual a empresa e a localização. Resposta: “Tem de esperar que lhe telefonem”.
-“Há! Mas sempre vai haver um telefonema?”
-“Tem de esperar que lhe telefonem” – novamente a resposta.
-“Está bem, obrigada. Bom dia”.

Porquê estou a escrever sobre isto? Certamente não por me agradar este caso que exemplifica a crise porque estamos a passar. O desemprego está em alta e a maioria das oportunidades que surgem são muito reduzidas e limitadas ao mesmo tipo de função. Basta abrir um site de ofertas no estrangeiro para verificar. Sinto logo entusiasmo e esperança, diante das possibilidades. Mas isso não acontece quando consulto as ofertas de emprego em Portugal.












Sou formada. Andei na universidade quando esta ainda não era uma porta totalmente aberta a qualquer um disposto a pagar para atingir esse estatuto social. Andei lá e pasme-se: realmente estudei! E mais: gostava da área, entrei na que quis, candidatei-me à universidade pública tal como tantos outros, e entrei. “Queimei as pestanas” e quase ganhei um problema mais sério de saúde. Não sabia governar a ansiedade e sempre quis fazer tudo. Mas consegui entrar e fiquei muito contente. Na altura ainda não se compravam os cursos com a facilidade dos dias de hoje. Bem, mas escrevia eu sobre as ofertas de emprego em Portugal serem o reflexo da crise que o país está mergulhado. Atenção: digo mergulhado, porque “a atravessar” implica que daqui vai sair e sinceramente, começo a crescer e a deixar de acreditar em contos de fadas.

Já fui trabalhar para o estrangeiro. Para uma situação que eu quis, por me atraírem as condições de nunca estar parada no mesmo lugar. Não era uma função que conhecesse. De facto, foi a “mais baixa” que já desempenhei, mas fi-lo sem problemas e com satisfação. Quando se faz o que se quer, não importa que também se tenha de limpar sanitas cagadas com o piaçá.

Esta experiência revelou-me porém, um lado que não conhecia e que só mais tarde, quando tudo terminou, é que tomei consciência dos preconceitos e ideias pré-concebidas que estão impregnadas pelas consciências dos indivíduos por todo o mundo.

Fui para o Reino Unido e trabalhei num meio de portugueses a atender ingleses. O nosso salário era mínimo, comparado ao que é o mínimo deles. Claro que se tratava, no fundo, de uma exploração. Tal como se explora a mão imigrante que vem para Portugal. Sempre disse para com os meus botões que, se for para ser explorada, que o seja no estrangeiro. Pelo menos não ficarei a sofrer por sê-lo no meu próprio país!

Ao verem a minha nacionalidade denunciada na estampa da bandeira portuguesa do crachá preso no uniforme, os clientes, do pouco contacto que tive com eles, enchiam-me de perguntas. Alguns tentavam mostrar o que Portugal lhes lembrava e diziam: “Oh, Portugal! Cristiano Ronaldo! Mourinho!
–“The special one! Lisbon, Algarve!”.

Nesses poucos contactos, realçou-se o preconceito e uma ignorância. Esta última não me era desconhecida. Tinha feito amizades com umas raparigas inglesas uns anos antes, quando estive em Londres no programa Erasmus. Uma coisa que me ficou na cabeça foi uma delas se lamentar por não saber falar línguas estrangeiras. Surpreendeu-se ao perceber que em Portugal estas são leccionadas na escola, aos 10 e depois uma segunda aos 12 anos. Surpreendeu-a também que falássemos inglês “very well, better than foreign students from others places” – o que nunca achei ser verdadeiro. Mas que o fui escutando, mesmo anos depois, lá isso fui.

Tinha portanto, no fundo do meu consciente, a noção de que o inglês comum está menos preparado e conhece menos do mundo, por estar mais fechado dentro da sua própria cultura e língua. Mas não estava á espera dos comentários alusivos à minha suposta vida “precária”.
Ao me verem a trabalhar longe do meu país, algumas pessoas deduziam que devia estar maravilhada por ali estar e que aquela decerto era uma oportunidade maravilhosa. De início respondia “Yes”, porque era a verdade: estava contente por ali estar. Mas não porque ali encontrei algo acima das minhas possibilidades. Na realidade, estava muito abaixo das minhas capacidades! Mas isso não me importava. Era a única que sorria de manhã e mostrava bom humor, num grupo de outros portugueses que ali estavam movidos por circunstâncias diferentes.

Um cliente deduziu que devia sentir-me maravilhada por viver naquela cidade. Uma coisa minúscula, cinzenta, sem nenhum interesse, com betão por todo o lado e ruas todas iguais. Encontrar ali um grande centro comercial com uma escada rolante, era uma festa! Mas este cliente deduziu que eu vinha da província. De um lugar onde andava descalça (barefoot- he said) e pisava terra batida. “Ho, do you like living in the city? Is much better that back at Portugal, hã? Is difficult there. There’s more to see here!”. I smiled. I normally do that a lot. To buisy working to even process the deep full meaning of those words.

O trabalho era de 12 ou 13 horas por dia, sete dias por semana. E fi-lo sempre com gosto. Uma pessoa acostuma-se. Não dava tempo sequer para pensar em nós mesmos, quanto mais em conhecer a cidade e dar passeios. Nem sabia qual o estado do tempo ou olhava para uma janela. Mas claro, os clientes não sabem isso e pensam que temos uma vida de maior liberdade. Quando me perguntavam pelo “better pay” que certamente estava a receber, ficavam de boca aberta. E não é no sentido figurativo. Abriam a boca de espanto e alguns esqueciam-se de fechá-la. Também afirmavam sempre que decerto era bom receber em libras. Quando lhes informava que o ordenado era pago em euros, é que a boca não fechava mesmo.

Trabalhar por prazer, ás vezes de graça: essa é que foi a minha desgraça! Mas o que fazer? É-se o que se é. Após esta experiência, voltei para o desemprego e para Portugal. Entrei numa profunda depressão. Pretendia voltar para Londres, de onde saí por ficar subitamente doente. Voltei para a minha “província” em Portugal: Lisboa! Mas detestaria que estas pessoas que tiraram estas conclusões acabassem por ficar com a razão. Portugal está tão mal e as oportunidades são tão escassas, que se voltarem a deduzir que venho de um país miserável, não tenho formação ou cultura, ando descalça em terra poeirenta e levo uma vida dura no campo a abrir sulcos com a enxada, espero que não se torne então verdade!

Um outro cliente perguntou-me se frequentava a rua de prostituição local. Fingi que não entendi e nem dei importância à sua observação de péssimo gosto. Assim que a afirmou logo deduziu que eu não tinha capacidade para a compreender, e riu-se. Mas nem era preciso conhecer as ruas e sua fama nocturna, quando o significado está contido na insinuação. As mulheres que o acompanhavam recriminaram-no e ele riu mais ainda. Não foram poucas as vezes que entendi que estrangeiro mulher, para alguns, representava sexo fácil. Uns copinhos a mais também não ajudava. Quando trabalhava de noite no bar era quando o meu sorriso se apagava e o contacto visual limitava-se à função. A bem dizer, no Reino Unido "copinhos a mais" é condição obrigatória todas as noites. É um estilo de vida. Ajudados pelo álcool e sem controle sobre a testosterona, os homens estavam convictos que uma mulher estrangeira tinha o objectivo oculto de os seduzir a fim de melhorar as suas condições financeiras.
Ideias pré-concebidas e depois generalizadas.




Uma parte divertida:

Coincidentemente apanhei o mesmo motorista de Táxi das poucas vezes que entrei num. O homem era simpático mas um fanático nacionalista. Para ele tudo o que era from “United Kingdom era o melhor. E lá ia enchendo os meus ouvidos de exemplos: era deles a língua mais falada do mundo. Tinham as melhores equipas de futebol do mundo. Aquela era a melhor cidade do mundo e para meu espanto até hoje, este homem não parava de falar de uma ponte local.

A melhor, única dentro do seu género, enorme, a mais larga de todas… qual Akashi-Kaikyo (caso ele soubesse qual é), qual Golden Gate! Aquela da sua cidade é que era a melhor ponte do mundo! Disse-me que detinha o recorde do tabuleiro mais comprido ou o da maior ponte elevatória. Não compreendi no meio de tanto entusiasmo.




Íamos lá passar e ele quis que o comprovasse com os meus próprios olhos. Esperava eu uma coisa fenomenal, talvez quase do comprimento da ponte Vasco da Gama, já que sabia que maior não podia ser. O homem não acreditava que Lisboa pudesse ter uma coisa maior que a que ele tinha ali na sua terra. Quando cheguei à ponte, não fiquei muito surpreendida. Tinha uma aparência moderna mas banal e fiquei com a sensação que o automóvel a atravessou rapidamente.


Como podia eu descrever a Vasco da Gama àquele homem? Nem eu própria conhecia a sua dimensão, de tão reduzidas serem as dimensões do que me habituara ver por ali. Até hoje este motorista de Táxi deve ter um conceito muuito diminuto da ponte Vasco da Gama. Da primeira ponte sobre o Tejo, já que ele quis saber quantas tínhamos em Lisboa, soube dizer-lhe que era idêntica há de S. Francisco, a Golden Gate. Mas a Vasco da Gama… nem eu mesma lembrava. Só quando voltei a Lisboa, encontrei um part-time miserável e provisório para os lados da Expo e pude respirar com saudosismo aquele ar delicioso a maresia e esgoto, é que deixei-me impregnar pela paisagem. Nunca mais vou esquecê-la. Tem uma curvatura linda. Gravei-a com os meus olhos.




Voltando ao pré-julgamentos:
Recuso-me a julgar todos por uma minoria. Ainda que fossem muitos a dar-me essa noção. Talvez hajam diferenças de mentalidade maiores de região para região. Talvez o ambiente de trabalho fosse limitado ao predomínio de um certo tipo de cliente. Ou talvez não. Talvez todos nós não saibamos nos libertar dos estereótipos e ideias pré-concebidas.

E tudo isto para dizer que estamos à mercê das empresas de trabalho temporário, e não devia ser assim. As mesmas deviam ser extintas por lei, a menos que cumprissem certos objectivos. Com o excesso de procura e a escassez de oferta, estas empresas dão-se ao luxo de seleccionar pessoas. Não de acordo com critérios decentes e claros mas sempre pela conveniência e lucro pessoal. Procuram empregar pessoas de baixo nível de formação e com poucas alternativas. Dão preferência a desesperados (quem não está hoje em dia) para os terem na mão e controlar melhor. Querem pessoas que trabalham e estão dispostas a ganhar (muito) pouco. As condições de remuneração são propositadamente confusas, para que o trabalhador não saiba exactamente quanto vai receber no final do mês. Uma coisa que este realmente não sabe é quanto a empresa ganha por o empregar. É muito. Soube de um caso que chegava ao quádruplo do ordenado do trabalhador. Vi com os meus olhos e ouvi com os meus ouvidos o acto desesperado de vários angariadores de trabalhadores para conseguir alcançar o número exigido pelas empresas no prazo estipulado, caso contrário perdiam o cliente ou um determinado nível de pagamento mais elevado. Não queriam saber das qualificações ou reais interesses dos candidatos. Queriam cabeças. Para serem pagos por cabeça. Isto dura há 10 anos, e ninguém faz nada.

Portugal, adoro-te. Mas deixas-me doente!