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domingo, 17 de maio de 2020

Não consigo sair desta casa!!!!

Não consigo sair desta casa.
Não há um único anúncio de um quarto disponivel nas redondezas que preencha um mínimo de requisitos.

Devia ter contactado o Ami, o tal senhorio que me quis na sua casa e estava a disponibilizar um quarto. Agora é tarde, porque assim que o anuncio sai do site a pessoa fica incontactável.

Ontem entrou outro inquilino cá para dentro.

Nao sei quem é, não sei o nome, ainda nao o vi sem ser quando espreitei pela janela e vi um homem encorpado e careca a sair de dentro desta casa, carregando as chaves na mão.

Entrou como um rato, fazendo-se despercebido. Nem sequer pareceu transportar malas, tal foi a forma subtil com que arquitectaram esta chegada. Sei que é italiano, porque ouvi-o a falar.

E é só o que sei. Que é basicamente nada. Vai bastantes vezes ao WC, nao abre uma torneira nem puxa o autoclismo. O que me deixou desconfiada e para nao ter surpresas desagradáveis, preferi usar o WC no andar de baixo.

Nao pareceu ter grande interacção com a gorda - pelo menos não certamente aquela que ela desejaria: bajulação, união nacionalista, companhia diaria e conversa constante.

Mas não vou deixar-me levar pelas aparências. O senhorio bem disse que seria capaz  de enfiar cá dentro gente bruta sem lhes cobrar renda só para expulsar-me.

E este veio cá parar da,mesma forma que todos os outros: foi escolhido. Não foi colocado nenhum anuncio para qualquer um dos três quartos vagos. E eu queria que tivessem sido quatro!!!

Iludi-me com a possibilidade da casa em obras ficar disponivel a tempo e nao agarrei aquela que estava garantida se mostrasse interesse por ela. O senhorio até baixou o preço e tudo. Sim, não adorei o quarto e suspeito que ele é outro senhorio intrometido. Mas a casa era partilhada so por 3 pessoas no total- o que é uma raridade que procuro agora mais que nunca. E tinha um jardim e um wc razoavelmente decentes.

Nada do que houver por ai vai comparar-se ao espaço nesta casa. Sei disso e não me incomoda. Mas tambem nao queria ir para algo muito decrépito. Os anuncios que tem aparecido deixam-ne deprimida. Tudo caro, em troca de uma localizacao menos favoravel, num espaco menor e menos pratico. Sem arrumação decente ou em casa onde vicem 5 ou 7 pessoas.

Rezo para ir parar num lugar decente. Mas já se passaram 12 dias e não surge nada. Tudo o que aparece é porcaria. E está à tanto tempo a ser anunciado que se percebe de imediato que nao há interesse por parte dos actuais ocupantes em ter outra pessoa por perto. Ninguém lhes pega por algum motivo.

Esta casa quer-me ca dentro. É ela que sempre me acolheu. É-me familiar. Encaixa na minha pessoa. Foi feita por outras pessoas que devem ter sido boa gente. Nota-se nos detalhes.

O senhorio só a adquiriu.

 Tem trazido só rapazes para vir ver os quartos e isso nao é coincidência. Antes eram só raparigas mas depois isso mudou. Uma mulher a viver aqui só se encaixa  se for italiana. Porque a gorda age como dona da casa e detesta interferências femininas na decoração, na cozinha, na compra de utensílios e mesmo na compra de produtos de limpeza. Tem de ser ela a decidir essas coisas. Nao gosta do que os outros cozinham, critica os odores das comidas que não é ela a fazer e incomoda-lhe ter outra mulher na "sua" cozinha. Age como se mais nenhuma soubesse estar à sua altura. Altura essa bastante inflacionada pelo próprio ego.

Novos anuncios de quartos apareceram hoje. E logo o primeiro, era deste senhorio, a respeito de uma outra casa dele. Pelo paleio percebi logo. Mas ainda tinha esperancas. .. para aquela casa procura uma mulher..   ja tem duas e um rapaz. Porquê impor o domínio feminino e aqui quer cordeiros masculinos?

E italianos. Porque se os quisesse de qualquer outra nacionalidade, punha anuncio. Sao 3 quartos vazios que ele não está a anunciar.

Acho que terei de ir ao chat no grupo para ver se o novo inquilino foi adicionado e assim descobrir-lhe o n de telemovel, já que o nome nao deve aparecer.

Este tem-se mantido no quarto. Por enquanto. Pouco interesse em socializar. Aparentemente. Está optimo assim.


  • A crise ao inves de fazer brotar quartos baratos, esta a mostrar o costume: senhorios ambiciosos, gananciosos, que mantem o preço das casas nas alturas.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Antigas amizades (encontrar)

Não sei o que me deu mas lembrei-me de uma pessoa com quem privei na infância e nunca mais soube nada dela. E o que me lembrei? De colocar o seu nome na barra de pesquisas do facebook, pois o nome completo foi uma daquelas coisas que ficou na memória, vai-se saber lá porquê. 

Claro, não encontrei nada. Nem esperava encontrar. E se encontrasse, nada ia fazer. Mas isso fez-me reflectir na quantidade de pessoas com quem nos cruzamos na vida. Algumas até são recentes. E aí pensei: "porque será que as pessoas gostam de procurar e serem encontradas pelo facebook?"

É que não mudei de endereço. Nem de número de telemóvel. E o meu email basicamente continuou a ser o mesmo por muitos e muitos anos. De modo que, a meu ver, continuo tão contactável e localizavel quanto sempre. Se alguém num ímpeto de saudosismo quiser saber como ando, basta discar o velho número. 

No entanto, quase que arrisco afirmar sem muitas dúvidas que existindo essa possibilidade e o facebook, a maioria das pessoas se sentiria intimidada com o imediatismo do telefone e tentaria primeiro o anonimato do facebook. Com sorte, se encontrar quem pretende, consegue "espreitar" a sua vida sem se fazer notar. Sem estar presente. Descobre de imediato se está casado/a, como é a vida familiar, o que anda a fazer e até a sua aparência, graças às fotografias. Voyerismo?


Bom, no caso da pessoa que me veio à lembrança, nada descobri nem poderia. A curiosidade dita apenas o querer saber se está bem, se está viva, se tem uma vida minimamente agradável e feliz. O resto não me desperta muito interesse. Não quero saber se está melhor ou pior que eu, se envelheceu melhor ou pior, se tem mais posses ou se tem uma profissão mais invejável. Tudo isso que eu sei importar para tanta gente, a mim não interessa. Mas naquela altura nem existiam telemóveis, quanto mais números. Foi uma breve amizade perdida para sempre. É assim a vida.