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segunda-feira, 15 de junho de 2020

O céu estrelado


Por estar a fazer turnos de noite, mantenho o habito dos horarios, mesmo durante o fim-de-semana, quando estou de "folga".

Ate prefiro assim, porque isso diminui as chances de ter de me cruzar com a Gordzilla e me sujeitar a estar sob a sua constante observacao e esquemas maquiavelicos.

Já passava um pouco da meia-noite quando desci à cozinha. A Gordzilla já estava no quarto e por isso senti-me mais livre para o fazer.

Nao tinha fome, mas tinha de comer, porque saco vazio nao fica de pe.

Ao descer as escadas verifico que a luz da sala está acesa, mas isso nao me faz mudar de ideias. É o rapaz italiano que la esta, a ver televisao.  Peço-lhe desculpas por interromper, digo que nao vou demorar muito. Ele diz que nao tem problema.

Falo com ele um pouco, pergunto-lhe se a namorada já foi para italia. Ele diz que o filme que esta a ver é muito viciante e entao tento nao o atrapalhar com constante interrupcoes.

Quando o meu prato de comida  esta pronto para sair do microodas, nao me apetece subir para o quarto nem me sentar na mesa a comer.

O que me apetece?
Ir para o jardim. Ir para o exterior. Tinha aberto a porta das traseiras enquanto a comida congelada aquecia no microondas e adorei aquele momento. Total silencio. Serenidade. Nenhum vento. Nenhuma lua. E um ceu estrelado com somente estrelas la no alto.

Foi nisso que reflecti quando me sentei la fora para comer. Já o fiz algumas vezes antes e sempre olhei para as estrelas, so para ser muitas vezes enganada pela luz forte de um aviao.

Acho que nunca tive a sorte de olhar para o ceu noturno sem uma estrela "falsa", que se movimentava de lugar.

Por isso, sabia que hoje estava a olhar para uma raridade, um privilegio. A visao de hoje era mesmo especial. Eram estrelas, so estrelas que estavam no céu.

Quando sai da cozinha com o prato de comida a caminho do patio, quase que me apeteceu dizer ao italiano para nao me achar estranha, mas ia para a mesa la fora comer. Mas depois vi a cena a passar no monitor e pareceu-me um momento chave. Nao o quis interromper.

Segundos depois, oiço-o a recolher-se. E isso intrigou-me. Achei que o fez nao porque queria, mas por eu estar ali e ter ido para o jardim.

Ouvi tambem ruidos nas escadas, mas ele dormer no quarto de baixo. É muito ruidoso nesse sentido mas nao teria porque subir/descer as escadas.

Quando me recolho - porque so ali fui para comer, mais nada, percebo que a Gordzilla rinha saido do cóvil e estava enfiada no WC.

Ela nunca dorme...
Está sempre a controlar os movimento da casa.  Nao sei se nao tera enviado uma mensagem ao rapaz ou interagido com ele.

Gato escaldado de agua fria tem medo.
EU simplesmente SEI o que está ali. E o perigo que representa. Faco por nao dar importancia, mas esse foi o comportamento que escolhi todos estes anos e deu no que deu: total difamacao de caracter, personalidade, que continua e nunca vai parar.

Ela funciona como as serpentes; fica parada e escondida, mas esta em modo permanente de ataque. Vai dar a mordida.

Ela tambem quer prevenir o meu contacto com terceiros na casa. E se eu os tiver, quer ser informada de tudo o que aconteceu, o que eu disse, o que eu fiz, para depois, na posse desses dados, dizer aos outros como devem interpretar a interaccao.

Já o fez incontaveis vezes antes.
Quando "ele" esteve ca em casa, ela interrogou o comparsa que nos viu entrar e quis saber tudo o que eu e ele falámos.

Diante disto é claro que nao o queria ca, sujeitando-o a este escrutinio e vigilancia. Ele era algo autentico e nao o queria conspurcado com esta lama.

Gostava de interagir mais com os restantes, mas evito fazê-lo diante dela. Porque ela esta obececada por mim. E vai agir de acordo a manipular a percepcao das pessoas. É o seu hobbie, esta no seu ADN.

Noutro dia eu perguntei ao rapaz da guitarra se tinha sido ele a chamar-me porque o correio tinha chegado. Ele disse que nao. EU respondi que so queria agradecer, porque estava a dormir e so ouvi alguem a chamar o meu nome.

Esta breve interaccao teve de ser diante dela, que nunca sai do sofa. E ela esta sempre muito atenta, tentando avaliar qual o melhor momento para introduzir nos outros o seu veneno contra mim. Qual o momento para insinuar algo, como quem nao quer nada e ate tem boas intencoes, quando é a altura para se fazer de amiguinha e conquistar a simpatia alheia.

Nessa noite quando desci para ir trabalhar, estranhei algo e quando percebi, ela tinha puxado uma cadeira ate o sofa para ficar frente-a-frente com quem estava a falar, mum tom muito baixinho. A TV estava apagada, o que nunca antes vi na minha vida.

Percebi que o rapaz da guitarra ja estava a receber os "serviços de conselheira" que ela da. So tem de duplicar um pouco as tecnicas que estudou e que aplica nos alunos da escola onde trabalha.

Vou ali uma oportunidade de aproximacao. Uma vez conquistada a confianca de alguem, fica mais facil manipular essa pessoa. Inclusive, leva-la a  agir e a mentir de acordo com interesses proprios.

E ela PRECISA que um destes novos que chegaram, se nao mesmo todos, fiquem do lado dela e digam da propria boca ao senhorio que o meu conportamento é "esquisito".

Se o rapaz da guitarra comecar a aparecer muito no WC ou no corredor em toalha quando me ouvir a passar, vou temer que isso seja manipulado ate mesmo arquitectado para me prejudicar.

Ela ja usou uma rapariga dos seus 23 anos como se fosse a sua marioneta.... usava-a como ferramenta para me atacar e a burra, que se achava muito esperta, nunca percebeu nada. Até hoje.

Este rapaz parece tao fragil, inseguro, volatil....  ela faz dele o que quiser. Nem sequer sera um desafio.

Mas eu nao vou pensar nisto. So escrevo para desabafar, registar e porque ja a conheço. E por isso nao vou andar pela casa livremente. Porque ela mente. Manipula. Sabendo-me a trabalhar de noite, ainda vai dizer que eu ando pela casa quando todos dormem a aprontar alguma.

Foi capaz de mentir e dizer que ligava o aquecimento todas as noites - sabendo muito bem que o senhorio tem pavor de gastos desnecessarios e controla o temporizador. Disse-lhe que eu nao secava as roupa na marquise mas em cima dos radiadores. Disse-lhe que eu cozinhava de noite. Mentiu. Fez de uma unica ocasiao em dois anos a regra. Faz da excepcao o costume e torna is costumes as excepcoes.

É vil, podre por dentro.

Mas esquecerei isso e vou concentrar-me no belo ceu estrelado que vi la fora. Tentei fotografar para aqui partilhar, mas nao resulta. So aparece isto:


Conseguem encontrar as tres estrelas?

Bons sonhos!














sexta-feira, 29 de maio de 2020

Felicidade num aglomerado de cacos quebrados


Sou muito feliz quando estou a trabalhar. Se o trabalho correr bem e sem pressaltos, fico mesmo de sorriso aberto de um canto ao outro.

Foi assim hoje quando terminei o meu turno as 6 da madrugada. Vinha a andar na minha scooter a cantarolar, a saborear o ar matinal que tanto aprecio e a ver o dia sob aquela luz maravilhosa. Sempre atenta na condução, para nao esbarrar em ninguem. Mas a verdade é que fiquei surpresa por não encontrar nada nem ninguém pelo caminho. Ė como se o mundo tivesse parado e só eu estava a circular pelas ruas. Vim o caminho quase todo com a scooter na velocidade cruzeiro por isso nao precisei estar a controlar os comandos.

Estou feliz.
Mas depois chego a casa.
E a cabeça, o coração, a vida...

😥


Às 18 estava novamente a trabalhar. Saí às 22 e lá vim eu, na scooter, feliz e a cantarolar uma musica que passou numa novela brasileira há muitos anos. Porquê, não sei.

Ė o trabalho bem feito, concluindo com sucesso e sem sobressaltos que me deixa com boa disposição.

Mas depois...
Depois é outra coisa.

Fui ver quartos. Na primeira casa, gostei das pessoas. Só lá estava um rapaz, com a namorada. Gostei do quarto, a cozinha é um cubiculo, mas tem sala e jardim. Guardam bicicletas ali na boa e isso fez-me perceber que aquele não é um lugar com gente esquisita, que se vai por a ditar onde os outros nao podem deixar as coisas mas fazem o mesmo ou pior.

Tambem gostei do quarto na segunda casa mas todo o espaco nao tinha alma. Nao tinha gente e estava decrepito. Sinais claros de que o senhorio está mais focado em receber rendas do que no conforto do espaço. Mostrou-me a casa sem me incentivar a explorar e não desenvolveu nenhuma questão.

Também é a que fica mais longe, por isso acho que esta não entra na equação.

O problema da outra é que as contas sao pagas à parte. Isso pode ser um grave problema.

Mas sabem o que temo de verdade?
Temo não agradar aos outros.

Percebi que estou emocionalmente danificada. A portuguesinha que chegou a esta casa há dois anos nem sequer se preocuparia com isso. Bastava-lhe ser ela própria, achava que a sinceridade e a autenticidade são sempre bem acolhidas.

Dois anos a viver em ansiedade e stress devido às falsidades, que culminaram com uma conspiração cheia de mentiras ao ponto de me deixar de queixo caido no chão.

Resultado? Estou quebrada.

Acho até que já nem sei como agir em grupo dentro deste contexto de partilha de casa. Deixei de saber usar uma cozinha para preparar uma refeição. Perdi o hábito espontaneo de partilhar mantimentos e oferecer comida porque nesta casa recusaram sempre tudo que lhes propus como se vivessemos numa época há muito passada e eu fosse tao repelente e indesejável quanto um leproso. Dialogar normalmente, sem o outro mostrar-se frio ou desinteressado... nao recordo como é  e como se deve retribuir. Desaprendi a conviver nos padrões normais de interacção social.

É como me sinto.
Foi ao que me sujeitei.

Serei eu capaz de estar com pessoas normais? Temo que os danos causados no meu emocional irão comprometer as minhas interaccoes e capacidade para distinguir momentos certos, menos certos... Temo que algo wue faça possa ser mal interpretado e me falte capacidade de acção para erradicar este tipo de situação e o perigo que representam.

Mas terei de ir à luta, bem sei.

Estou fragilizada. Mais do que podia perceber. Talvez mais do que dá para aguentar. As mentiras horríveis, a vontade do senhorio em embarcar nelas e as acções que ele próprio tomou... É todo um embaque emocional intensamente forte.

Têm sido uns atras dos outros. O mais intenso foi a paixonite. Passou quase um ano, ainda doi muito e não passa um dia em que esse aperto na alma não se faça sentir. Isso também fragilizou a percepção de auto-valor. Como podem as pessoas num dia dizerem-me que gostam de mim, que sou tão boa pessoa, que sou especial, para depois serem frias e desaparecerem da minha vida?

Isso machuca.
Isso pode até desiquilibrar uma pessoa emocional e psicologicamente.

Preciso de me rodear de pessoas boas que me mostrem o caminho certo e retornem a normalidade de volta à minha vida.

Mas se vou conseguir, não sei.

Talvez devesse viver sozinha por uns tempos. Se pudesse... mas sozinha aumentaria a solidão, a percepção do vazio e das perdas. Talvez me tornasse numa pessoa realmente estranha, distanciada.

Preciso de aprender e reaprender.

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Ps: tres da manhã e vou consultar o email. Encontro uma mensagem a cancelar o turno de amanhã. Os cancelamentos e as limitacoes chegaram rápido com o "final" do corona. Há um mes imploravam para ir todos os dias e atebpediamnpara fazer ruenos de 12h. Agora estao a cancelar, a reduzir, a limitar bastante.

Sabem o que é que nós valemos para os outros? Absolutamente nada.

Esta constatação, levando em consideracao tudo o resto... entrei num pranto. Mas nem posso chorar à vontade e em plenos pulmões. Nem o sofrimento poee escoar livremente.

Bom, mas "amanhã" será outro dia.
A ver se depois de dormir (se conseguir), desperto optimista, com vontade de ir a outro round de luta diária, luta essa que estou claramente a perder. Merece a pena??
👶👩‍🎓👮‍♀️💔☠