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quarta-feira, 14 de junho de 2023

Senti-me equilibrada, lúcida, mais leve e a viver num mundo que, afinal, faz sentido e interpreto-o bem!

 
Descobri que o meu mal é querer ver as pessoas por um lado bom. Mesmo quando a minha intuição logo me diz que algo nelas está errado, reescrevo essa impressão, e coloco-lhe por cima um verniz de optimismo, do género: "cada pessoa tem direito a ser diferente, não quer dizer que não tenha coisas boas". 

E a todas concedo o benefício da dúvida. Principalmente quando as evidências apontam para o contrário. Ainda busco a "coisa boa".  

A M. dizia-me, irritada, que eu "sou muito boazinha". 

Pois nisso ela era capaz de ter razão. Enfurecia-se comigo, porque ela, zangada com um dos outros colegas, queria que eu ficasse zangada também e lhe desse toda a razão. Eu escutava-a mas se demonstrasse querer entender o lado dela e também o da outra pessoa, ela se enfurecia, dizendo-me: "You are too nice. You think everyone is nice. You can't be like that!". 

Pois foi por ser assim - constatei, que ignorei os muuuuuitos dos sinais de que ela não era flor que se cheirasse. Sempre a lhe conceder atenção e o benefício da dúvida. Ninguém mais que ela beneficiou tanto deste meu lado. E se, mesmo assim, a M. conseguiu remover qualquer valor que pudesse ter pela sua pessoa erradicando tudo, duvido muito que ao longo da sua ainda longa vida vá conseguir encontrar alguém que goste dela. 

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Esta conclusão partiu de uma conversa - a primeira que consegui ter - com a rapariga que se mudou para a casa em Dezembro. Estamos em Junho e, pela primeira vez, surgiu uma oportunidade de conversar. A constante presença da M é a razão, decerto, que impediu esta casualidade de acontecer mais cedo.  

Estava eu na cozinha - a aproveitar a raríssima ausência da M. para ali estar a almoçar (e fugir do calor abrasador do meu quarto) quando esta rapariga entra em casa. Passado um pouco, entra na cozinha. Cumprimenta-me e começa a falar comigo. A conversai flui fácil, amigável, com risos e humor.

O assunto depressa - nem sei como - entra na M. Ela começa a dizer-me que a M. é doente da cabeça e só não sabe se ela tem consciência disso e percebe que precisa de ajuda. 

Só essa constatação de alguém que praticamente não lidou com ela faz-me perceber os meses que passei a dar à M. o "benefício da dúvida". Emprestando-lhe os meus ouvidos, a minha presença, dando-lhe horas que deviam ser para o meu descanso e para a minha higiene - já que sempre "precisava" ir tomar duche exatamente quando eu entrava em casa vinda de um exaustivo turno. 

A energia que despendi em alguém que nunca dela ia tirar algum aprendizado. Porque já sabe tudo. É mais inteligente que todos. É como oferecer pérolas a porcos, na verdade. Todo o meu tempo, o cansaço que tive de ignorar para a escutar, os problemas dela que tive de ouvir e de me preocupar para tentar ajudar... tudo DESPERDÍCIO de tempo na minha vida. 

A rapariga também me disse que a M. nunca vai mudar.  Concordo em absoluto. Aquilo não tem remédio, não tem solução, é totalmente impossível. Porque a M. acha-se realmente melhor que todos que a cercam. TODOS. E nunca está errada, nem nunca faz nada de mal. Parte, suja, danifica, ofende, persegue, hostiliza - mas afirma que não faz nada disso. Se eu lhe der um pouquinho de atenção, basta olhar-lhe nos olhos, ela logo recomeça a mostrar-se incapaz de agir normalmente. Recomeça com as suas as atitudes de autoridade,  superioridade e perseguição obsessiva. Por isso sei que a doença que tem - se é que não é condição, o NARCISIMO que a assola - não tem concerto.

Depois a nova rapariga contou-me que a M. foi demitida em apenas uma semana. No Natal, a M. havia trabalhado na mesma empresa que ela, num departamento, claro, em que é só logística e nada de trabalho manual - pois a M. só "aceita" "trabalhar" se for em algo que não envolva trabalho físico e seja "digno" das sua autointitulada superioridade. Acabou demitida ao final de UMA SEMANA. O chefe desse departamento disse à nova rapariga, que trabalha faz anos nessa empresa, que a M. é o tipo de pessoa que "A culpa é sempre dos outros, ela tem sempre razão". 

A minha resposta foi: "Nossa! Não lhes levou muito a perceberem isso. Eu levei que tempos!"

A própria rapariga deixou claro que a evita ao máximo. E contou-me algumas situações de interações que teve com a M., as quais consegui perfeitamente visualizar. Como por exemplo, ela está na cozinha a preparar chá e a M. chega-se ao pé dela para lhe dizer que o cheiro daquele chá a incomoda. Para ela deixar de o fazer. 

Mas quem é que faz isto?? Por causa de um chá? Que a pessoa só ferveu ali, de resto, vai levar consigo para o quarto? Quanto a M. , ela própria, todos os dias, deixa a casa empestada de odores fortes e desagradáveis? O pior de todos, o de peixe? 

A nova inquilina também gostava de ver a M. fora desta casa.

No fundo, todos o desejam! Ninguém está é a falar disso. Ela perguntou-me se a agência sabe dela. Confirmei que sim. Sabem tudo. Mas não fazem nada. Mesmo com a agravante da M. deixar de pagar a renda por meses e meses. 

Isso nos espanta às duas. Podia-se estar a viver nesta casa em total ou quase total harmonia. Descontraidamente. Sem receio de circular ou conversar por uns minutos. Ao invés disso, fica claro que cada um se aprisiona nos quartos. Só saindo, quando a "costa está livre" da M. O que é muito raro.

Perguntou-me porque será que a M. não se vai embora. Ao que lhe respondi: "Porque aqui tem força, faz o que quer. Se for para outra casa, com um novo set de pessoas, provavelmente não vai conseguir levar a dela adiante. E aqui já conseguiu, porque nós permitimos. Se for para outro lado, vai ter de fingir ser quem não é, vai ter de recomeçar tudo de novo e provavelmente vão-lhe fazer frente. Não vai ser tão fácil". 

Mas eu rezo. Para que a M. desapareça. Acho mesmo que vou ser agraciada com esse momento. Rezo todo o dia para que esse momento seja amanhã!


 Outra coisa que muito me agradou foi que, pela manhã, saía do quarto quando vejo no corredor uma senhora idosa, que vem para limpar a casa. Deduzo que é a nova senhora da limpeza. Ela logo me pergunta do lavatório - cuja peça central que tapa o buraco ficou para baixo e não saía (inconvenientes dos lavatórios com tapa-ralo metálico). Nem a conheci antes, mas acabámos também por falar, ao mesmo tempo que tentámos maneiras de remover aquela peça para que a água pudesse circular. Foi ela que iniciou a conversa sobre o estado da casa. Disse-me que nunca viu alguém meter lixo no chão quando tem o contentor da reciclagem mesmo ao lado da porta e só tem de a abrir ou manter tanto rolo de papel higiénico VAZIO no WC. 

Nossa! Ouvi-la mencionar estas coisas que tanto me enervam foi um bálsamo para mim! Uma pessoa já começa a achar que esta bagunça e estas atitudes é normal... 

Até que escuta outra pessoa a reclamar do mesmo.
Adorei conhecer a pessoa. Ela, se calhar já nos seus 70s, conseguiu, com perseverança e genica, remover a peça, tanto a do WC de cima, como a de baixo que - afinal, também estava presa!

O técnico que cá veio nem perdeu muito tempo com aquilo. Disse apenas para esperar uns dias e, se não saísse, era preciso "remover tudo" (lavatório inclusive). 

Santíssima trindade!
Digo sinceramente: o que seria de uma casa sem uma mulher? São elas que acabam por resolver tudo. Principalmente coisas relacionadas com faz-tudo. Tradicionalmente atribuidas a actos do Homem mas que, suspeito pelas evidências que me cercam, que há muito que eles ficam com os louros, e elas com os trabalhos. 


sexta-feira, 10 de abril de 2020

Desabafos durante a sexta-feira Santa


Ela escreveu no quadro da cozinha, sem apagar a provocação "All yours!" a mensagem: "Esta é a semana santa!". 

Coitada...
Teve de escrever para se lembrar. É natural, para alguém cujas atitudes nada têm de santas, é preciso que se recorde todos os dias o que é suposto ser o espírito de bondade da quadra. Pena que, para ela, aquilo que escreveu sejam meras palavras, de significado oco. É uma contradição do caraças. Ela, que sempre apagou todas as minhas mensagens carinhosas e ilustrações inoculas para substituí-las por provocações, não apagou o "All yours", um escrito provocatório, de conflito. Depois escreve a palavra Holy (santa, sagrado) e não entende que ali está escancarado pura hipocrisia. 


Pela casa estão espalhados ovos de chocolate, ao ponto de ocuparem toda a prateleira da lareira. A minha jarra, (a tal que foi a primeira vítima da hostilidade que com que eu venho a lidar desde que aqui cheguei) foi novamente removida do centro e colocada na extremidade. Meteram um pão enorme no seu lugar.

Estão a preparar-se para a Páscoa. Mas deixando de lado o espírito. Tal como no Natal, o convívio está a ser planeado, estão a armazenar mantimentos e já sabem tudo o que vão fazer para ter uma mesa farta e deliciosa, com tudo o que lhes fizer lembrar as saudosistas tradições. Esquecem completamente que a Páscoa é como o Natal. Uma época para ser generoso, bondoso, partilhar com todos a boa vontade, a amabilidade, etc. 

Puseram no lixo um produto alimentar que mantinha no frigorífico. Mesmo havendo espaço para este permanecer ali dentro. Sei que o tinha oferecido à rapariga antes de ter ido a Portugal. Mas quando regressei, ela havia colocado-o de volta na minha prateleira, sem o ter aberto. Um claro sinal de rejeição. Acabei por ser eu a abrir e a provar, pois nunca havia comido daquilo (wraps) e já a tinha visto a consumi-los. Anteontem voltei a servir-me de um, pois percebi que não deitam cheiro, não perecem. Usei-o como base e descobri uma maravilha: são óptimos como pratos. Fazem com que a comida aquecida em cima mantenha-se quente e mais saborosa, pois ficam os sabores a marinar. 

Meteram mais garrafas de vinho e incontáveis embalagens de queijos já abertos por toda a parte, apossando-se cada vez de mais espaço no frigorífico que é suposto ser, agora que um rapaz foi embora, só meu e da rapariga. Mas não é. Nem nunca foi. Também não sabem arrumar os mantimentos de forma organizada, são muito bagunçados e não se incomodam com a sujidade. Só da boca para fora e nas aparências. O frigorífico só é limpo quando julgam que pode ser visto pelo senhorio, que cá vem e gosta de armazenar a sua garrafa de leite. A rapariga com quem divido esse espaço, só o sujou (e bem, deixa-o cheio de salpicos e derrames de molho de soja, queijo e sei lá mais que nhacas). Mas quando trouxe a família inteira para cá ficar, subitamente a sua prateleira apareceu limpa e arrumadinha. 

Aparências. Só aparências.

Já se apossaram do armário da dispensa do rapaz que abandonou a casa, mas nem parece. Pois as áreas em comum estão cada vez mais atolhadas de mantimentos alimentares, como se não houvesse espaço apropriado para os armazenar. 

Entre este texto desci à cozinha e vi um novo escrito adicionado aos outros dela. Escrito em italiano está: "feliz páscoa para todos". 

E porque é mesmo para todos estes «sinceros» votos, escreveu-os em inglês, a língua comum. Ups! Não, não fez isso. Escreveu em italiano, porque "todos" apenas tem como recepiente quem é italiano. E por falar em italianos, adivinhem lá: se um abandonou a casa, quem é que vai entrar?

Outro italiano. Pois claro.
Mas ainda não me disseram nada. Nem eles, nem o senhorio, que ontem por cá andou e vai regressar. Ouvi um rabo de conversa. Como aliás, sempre acontece. O próprio senhorio, a sua presença aqui, nesta semana santa, não foi para, finalmente, vir substituir o autoclismo defeituoso. Ele apareceu para fazer isto que já podia ter feito muito antes, porque a sua principal intenção era falar com os italianos para que lhes arranjassem mais gente para ocupar dois dos seus quartos que viu agora ficarem vazios. Ele pode ser "bonzinho" ou aparentar ser em algumas situações. Mas no fundo, está sempre a pensar nele mesmo. E numa coisa eu sei que ele é irredutível: dinheiro. Não gosta de o perder, gosta de o ganhar. 

Se alguém sai das suas casas, ele quer encontrar outra pessoa para o espaço o mais rápido possível. Se der, até faz com que a renda do que sai e a renda de quem entra se sobreponham. Porque assim ganha mais.

E agora, meus amigos virtuais, vou às compras!
Ou vou tentar.
Mentalizar-me para a enorme fila que vou encontrar...

Abraço. E tenham uma óptima páscoa.
Isto aqui são só desabafos. Preciso os largar de vez em quando. Deixo-vos com uma estimada imagem de algo que todos nós estamos a precisar. Muito amor e harmonia para vocês. Fiquem bem.





   

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Tempestade Sanei



Tão rápido quanto chegou, foi-se.
Enquanto ficou, só deixou destruição e causou lágrimas.


Podia estar a falar de um furacão, de alguma catástrofe natural. Mas estou a fazer referência à «nova» - a rapariga que veio partilhar esta casa em Abril. 

Começou por não respeitar as limpezas - recusando-se a fazê-las. E nunca perguntou se tinha de dar dinheiro para as despesas. Passaram-se dois meses de duches, cozinhados, luzes acesas, caldeira ligada, água a correr e... tudo de graça. Andou a servir-se dos bens alimentares de outras pessoas sem ao menos avisar que o fazia. Quebrou coisas pela casa e permaneceu calada. E hoje foi-se embora. Como parece ser o modus-operandi de todo o preguiçoso, ensacou todos os seus pertences de véspera em diversos sacos plásticos e pela manhã os paizinhos vieram de automóvel ajudar a filha a transportar as suas coisas para a sua nova morada.

Uma que ela diz ser deslumbrante, com uma cozinha moderna, amplo quarto e tudo novo.

Irá ela comportar-se de forma desrespeitadora com os colegas lá como o fez aqui?

Receio pessoas que ocupam uma residência partilhada com outras com a mentalidade "um buraco temporário". Porque para muitas, isso significa que não estão para se dar ao trabalho. Foi o caso desta.

Agora que fez os estragos todos que podia fazer, vai embora. Feliz. E isso incomoda porque, no final, ela "sai" por cima, leve e contente, causando a outros, pessoas realmente de bom coração, duradoiros danos emocionais e stress. Ela esquece-nos num segundo. Nós temos as marcas das ferradas.

E sai deixando zero libras por gastar nas contas para a energia. Ficamos a zero ontem. E ela saiu hoje. Foi-me dito que ela não ia contribuir por se ir embora. Belo timming. Escolheu estrategicamente sair agora, no inverno, quando as contas quase triplicam. E antes de precisar de dar mais algum! Acabou por cá morar por dez meses, tendo conseguido dois e meio de graça. É um excelente negócio. 



Sinto que fiquei muito mais perturbada com estas circunstâncias domésticas do que contava poder ficar. Não esperava regressar de dois meses de ausência e ser alvo de perseguição. Vinha tão feliz.

A pesar de todos os desabafos que fiz aqui sobre o que me desagradava na sua postura como colega de casa, sempre a tratei bem, com simpatia e cortesia. Fui tolerante. Demasiado, até. Porque agora, quando ando pela casa e vejo o chão aspirado, sem sujidade ou os seus cabelos por todo o chão do WC, sinto-me triste e enganada. Porquê fiquei sujeita a viver numa casa que mais parecia uma pocilga durante tanto tempo se, afinal, quando querem eles até sabem limpar?

Porquê agiram assim? Porque não foram capazes de limpar sempre, de limpar após usar? Teriam evitados todos os conflitos. Teriamos nos dado todos bem. Recusaram-se. Para serem egoístas e preguiçosos. Impuseram a sua sujidade ao quotidiano de quem limpava, tornando as suas vidas miseráveis. E depois dos danos emocionais e psicológicos que as suas atitudes causaram, "voam" que nem borboletas para outro local.

E o que é pior: quando chegaram estavam na mó de baixo - até profissionalmente. Foram maus colegas, tiraram o sossego e a paz de espírito de quem isso possuía, sugaram-lhes a felicidade. E depois partem, melhor do que chegaram, com uma promoção no emprego, como se precisassem de fontes de boa energia humana para sugar e só então prosperar. Deixando os corações das vítimas mirrados como uvas secas, cheios de marcas de destruição.

Tal e qual um furacão.

Agora entendo porque é que a grandes tempestades e tornados é-lhes dado doces nomes femininos
É que tal como certas mulheres, são fenómenos lindos de se olhar, belos em si, mas que só causam destruição e deixam estragos, mágoas e sofrimento por onde passam.



sexta-feira, 21 de julho de 2017

Alívio e felicidade


... Por a «nova» inquilina ter ido buscar o aspirador e ter limpo a casa!
Disse-me a rapariga do andar de baixo que a outra pediu desculpa. Justificou que pretendia limpar a casa na data que colocou no calendário... Mas não o fez, nem nesse dia, nem nos dois dias seguintes.

Só digo uma coisa: chegar do trabalho, abrir a porta de casa e ter percebido de imediato que o chão foi aspirado foi uma sensação muito agradável, que me deixou feliz. Gostei de regressar para um espaço cuidado, ao invés de um imundo. Não há necessidade disso e como tal o meu coração encheu-se de alegria. Não sei porquê, mas hoje intuí que o dia ia ser positivo e ia passar sem percalços. Assim foi, a pesar de ter tudo para não ser.

Claro que reparei de imediato que a limpeza foi muito limitada. Foi mais para «inglês ver». Mas não me importei! Um chão aspirado, pelo menos, já me deixa contente. Ela só aspirou a casa (WC, corredor, cozinha) e passou um pano nas bancadas da cozinha.

O que ela não fez? Não lavou o chão, nem dos WCs nem da cozinha. pois as manchas coloridas ainda permaneciam no linóleo, o balde e esfregona permaneciam na mesma posição invulgar com os mesmos detritos no interior, assim como alguns detritos de terra e cales de frutos vindos da porta que dá acesso ao quintal estão no fundo do corredor do chão da cozinha. Sinal de que ela saiu lá para fora e trouxe os detritos com ela. No quintal, o pote de vidro com beatas desapareceu, só ficaram duas no chão. Mas nem me importei. Nadinha. Também despejou os cestos dos WC e da cozinha, mas tirando isso, não lavou o lavabo, que ainda tinha o mesmo cabelo de uns dias atrás no mesmo sítio e estava cheio de pequenas florzinhas trazidas pelo vento. A banheira também não foi limpa, pois o tom rosado misterioso que aparece no cromado ainda lá está. No fundo, limpar, limpar... aspirou. 


Mas não me importa nada!!

E ainda bem que anotei dois pontos de interrogação no lugar onde ela anotou que havia feito a limpeza. Porque se não o tivesse feito, talvez ela tentasse escapar com uma limpeza... virtual.



E eu que já me preparava parar fazer uma também! 



Ao lado dos pontos de interrogação desenhei uma cara sorridente. E espero que daqui a diante tudo entre nos eixos sem quaisquer aberturas para confusões. :) 

Ai que bom quando não nos complicam a vida quando não há necessidade para tal. Basta cumprir pequenos gestos que não custam tanto assim... e todos convivem em harmonia e confraternização. A vida já se complica por ela mesma - outros ajudam - porque havemos nós de facilitar?