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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Tomara que fosse tão rápido....

 


Era bom se os traumas emocionais passassem tão rápido quanto as marcas de traumas físicos.


As feridas já estão a sarar. A pele regenera. Libertou a crosta e está cor-de-rosa. 

O hematoma que surgiu dias depois da queda, continua a pintar de castanho escuro a minha pele branca. Ainda não mexo o braço, mas tenho-o mantido em repouso. Conto que o osso partido esteja em pleno processo de fabricação daquilo que precisa para se voltar a unir. Não tenho tido acompanhamento algum da parte da fisioterapia ou do hospital. É "deixar andar" - dizem. 

Nunca parti um osso do meu corpo. Pelo menos oficialmente. Sem ser oficialmente, penso que parti o das pernas, quando era apenas uma criança. Num episódio que não quero contar por ter um elemento que me custa relatar.  

Vão-se as feridas, as crostas, talvez até fiquem pequenas marcas do trauma físico. Mas as dores emocionais... essas podem manifestar-se para sempre. 

Não devo ocupar o meu cérebro com coisas que me entristecem ou me deprimem. Já andei a lembrar de uma certa pessoa e devia saber melhor que isso. E em casa, pequenas coisas... pequeninas... já me estão a tirar do sério. Vou precisar ser frontal com as mesmas. Jamais passar pelos mesmos erros do passado - é a lição a tirar.

É impressionante a regeneração das lesões físicas. 

Gostava que as emocionais tivessem uma duração igualmente curta.  

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Como somos enganados pelo comércio


Apeteceu-me comprar algo com chocolate. Não chocolate em si, porque quando vou ao supermercado não encontro variedade nem em qualidade nem em marcas e já enjoei de todos. 

Encontrei uma embalagem com cinco bolos com cobertura de morango e decidi experimentar. Cadbury pode ter fama mas está longe de ser uma marca favorita. Lembro-me de ficar sempre decepcionada com cada nova degustação. Mas achei que podia ter garantia de alguma superior qualidade e segurança. 

Primeira decepção:


A primeira percepção que temos de um produto surge com os olhos. Vi a embalagem, li que tinha cinco unidades e julguei o conteúdo pelo volume.



Podiam fazer as barras mais grossas para preencher realmente a embalagem e não enganar o consumidor, não?

Isto levou-me a querer perceber a quantidade em gramas por embalagem.



Nem por fora, nem nas embalagens individuais está a informação da quantidade. 


Eles colocam a informação sobre as calorias - porque a isso são obrigados por lei, mas sem estar impresso a quantidade de gramas em cada barra ou na embalagem de cinco unidades, querem que o consumidor vá pesar cada qual na balança e faça contas aritméticas. 



O prazo de validade é outra piada. No exterior da embalagem não está NADA. Diz para ver nas embalagens individuais. Vou espreitar e nada encontro. Há uns números mal impressos na dobra, mas são cinzentos sobre branco e não têm leitura. 

E é assim que somos enganados!!
Há muita falta de transparência. A lei "aperta" para que esta seja facultada, mas só nos serviu - nós consumidores, para levarmos com uma catrafada de termos técnicos sobre ingredientes, e ficamos na mesma, pois sem conhecimentos químicos a maioria desconhece o que está a comer. 

Ora dizem que faz bem à saúde e vão todos comprar, para bem a seguir dizerem que esse mesmo ingrediente afinal faz mal à saúde e deve ser evitado. Deve-se antes consumir outro. O pessoal corre a consumir esse outro e a história repete-se.

Para terminar: e o sabor? Perguntam vocês e bem!

Uma... m..d@.
O "bolo" de chocolate sem sabor de todo. O gosto estava todo na cobertura, mas nem sei ao quê esta sabia. Só que era vermelha. No total, comem-se todos seguidos em busca da promessa de prazer gustativo. E em vão. Sempre em vão...

domingo, 2 de dezembro de 2018

Fiquei tão triste...


Quis saber o que as "crianças" na familia podiam gostar de receber pelo natal.
Digo crianças porque "ainda ontem" eram pequenas e porque as tive no colo, troquei-lhes as fraldas, vi-as desenvolver... e tudo isso parece-me que foi há pouco tempo. Mas com 19 e 17 anos, sei que são adolescentes, "doidas" por coisas femininas, roupas, acessórios, maquilhagem, produtos de beleza.

 * * * * * *  O NATAL

Pela primeira vez fiz algo com o qual não concordo muito: perguntei aos pais o que elas podiam gostar de receber. Digo que não concordo muito, para evitar dizer que não concordo de todo. Mas vamos a ver se consigo explicar bem a diferença entre pedir uma referência e "levar com uma encomenda". Uma coisa é perguntar para ter ideias e inspirar. Sem a pessoa esperar receber aquilo em particular. Pode ser que sim, pode ser que não. Outra é saber exatamente o que se vai receber porque se usa o Natal como uma época de transacção comercial em que se realizam desejos de consumo fúteis e superficiais. Quem "oferece" nem se dá ao trabalho de PENSAR e quem espera receber tem uma lista de artigos, cada qual criado para «sugerir» a uma específica pessoa. Isso é pura transacção comercial, com fundamentos na vaidade e no consumismo. Um hábito que em tudo mata o espírito Natalício. Não aprecio. E por isso, não costumo compactuar. Faço a minha parte para que esta parte do natal se mantenha alegre, com troca de lembranças, lembranças essas que são incógnitas, que podem fazer rir à gargalhada (as melhores). Nao é natal se sair aquele sorriso traçado, quando se tira do embrulho exatamente aquilo que se encomendou.



Bom, mas dei um título específico a este post porque... Senti-me triste. Não por mim, mas por elas. Perguntei à mãe de uma o que poderia ela desejar. Recebi como resposta uma carteira da loja "fulano". Sei que elas gostam de se vestir e adornar com marcas. Mas marcas também são casas como a Zara, no meu tempo, a Maconde... eram "marcas". Empresas de venda de roupa a retalho económicas. Mas o que estas meninas cujas fraldas troquei estao acostumadas é a outro tipo de marcas. Marcas rotuladas de luxo. 

Eu sabia disso. Mas não estava preparada para entender a extensão desse tipo de educação.
Por isso sinto esta profunda tristeza...
Que não sei explicar. Ou sei, vamos a ver, vou tentar.

Uma carteira na loja do dito-cujo custa online 100 libras. Esse é o valor mais económico. Fiquei a olhar para a carteira... a ver se tinha algo de especial. Mas não tinha. É comum e banal... Podia-se encontrar o mesmo design nas lojas dos chineses. Simples, com um laço na frente. Está certo, a qualidade pode nao ser a mesma. Mas o que se está a pagar não é a qualidade, é o nome associado a quem "fez" a mala. Um absurdo. 

E como pode alguém "gostar" de tudo o que vem "daquela marca" e não olhar para demais ofertas que possam aparecer, não se interessarem, por não terem um "rótulo" famoso? Como podem as pessoas limitar-se tanto a uma visão superficial, consumista e se tornarem escravas (é o que penso) e marionetas (acredito piamente) da ditadura de gananciosos sem escrúpulos, que vendem tudo a preços exorbitantes em troca de nada? (um nome!). É que ficam mesmo escravas. Tudo o que possuem tem de ser "deste e daquele". A cueca, o sutien, o verniz, a maquilhagem, a escova de cabelo... Escravas, marionetes, telecomandados à distância. Basta "acenar" com a "cenourinha" na ponta de uma vara e lá vão eles... dar muito dinheiro para possuir algo tristemente supervalorizado.


Sinto um pouco de desdém por esse lado superficial do consumismo. Não me interpretem mal: gosto de qualidade, aceito que tenham de existir alguns a ganhar mais que outros por produtos um pouco melhores. Mas quero ver mais originalidade, qualidade, e novidade por parte de quem clama ser melhor ou original. E isso não acontece. Depois de se ter o nome criado, podem "impingir" as coisas mais feias e despropositadas. Às tantas até copiam o design e ideias de outros que vendem roupa na rua ao desbarato. 

Podia-se consumir ambos. Nao é? Em dose equilibradas. Ao menos parece-me que nos tornamos pessoas mais mundanas do que daquelas que vivem numa bolha, se soubermos nos movimentar em todos os "mundos".

Sinto tristeza por as meninas terem sido criadas assim. Entendo que os pais queiram dar "do melhor" aos filhos. Mas acho que faço mais o "time" dos pais que deixam os filhos passar por "dificuldades" e não os mimam oferecendo-lhes tudo o que desejam. Faço sim, muito mais parte do time dos que não dão tudo numa bandeja... Ia querer criar um indivíduo que saiba safar-se sozinho, que valorize as coisas certas (não que elas não valorizem mas dão demasiada importância a marcas) e saibam diferenciar as coisas.

Depois, tem o mais importante: se és tu que ganhas o dinheiro para comprar as tuas próprias coisas e te apetece um Ferrari - tudo bem. Pode parecer uma loucura mas se é o que realmente desejas.... E estás disposto a pagar para isso, tens dinheiro, é teu, e decides usá-lo assim.... Outra coisa é seres totalmente dependente financeiramente e te vestires da cabeça aos pés com coisas caras.

Caras e sem sal... Sem sal, meus caros. Por vezes até feias. 
Quando vejo pessoas vestidas de "marcas" da cabeça aos pés, muitas vezes não vejo nada. Não vejo nada especial, não vejo nada singular, não vejo identidade... não vejo bom gosto. Há que saber fazê-lo. E não é por lhe vestires a pele que viras cordeiro. Ou se calhar devia dizer o contrário: já é cordeiro. E nem sabe!

Tive uma troca de ideias com uma das raparigas e ela contou-me que "não entendo" e que ela gosta de marcas caras, gosta mesmo. Foi então que lhe fiz a pergunta que a deixou sem resposta: E se descobrires que é falsificada como tanta coisa é? Aí já deixas de gostar?

É que não basta ser de "marca". Tem de existir LEGITIMIDADE no nome. Tens de dizer e ter como comprovar que foste "àquela" loja comprar aquela marca. Não é invenção, não é mentira. E para quê? Por status social? Vaidade? Sim... simplesmente por causa disto. 

Se eu comprar uma pela de roupa no chines e conseguir aplicar-lhe um rótulo de marca de luxo e colocar à venda numa loja afamada... segue. Desde que seja legítimo. A qualidade pode não ser superior como seria de esperar, mas estando comprovado a origem, não se perde estatos social.

Fiquei triste por causa disto.
Por causa delas. Tão doces, tão amáveis, tão imaturas ainda em tantos sentidos... e já escravas da moda. Das normas sociais consumistas, criadas com o único propósito de enriquecer outros. 

Espero é que a vida e o circulo por onde se movem lhes consiga também proporcionar um emprego cuja rentabilidade monetária lhes permita dar continuidade a esses luxos. Porque senão ainda viram muchers. De pais, até estes desaparecerem, de parentes "ricos", até não poderem mais... Direitinhas ao "casamento" com alguém originário de uma família com "reputação" e com um rendimento certamente lhes proporcionará o estilo de vida a que foram acostumadas.











sábado, 24 de novembro de 2012

Os toques do telemóvel dizem quem sou

Não sou muito chegada a telemóveis.
Aliás, tenho a certeza que não preciso deles.

Mas já tive alguns. O primeiro, o famoso e amoroso Alcatel One Touch Easy (um trambolho para os dias de hoje) terá sempre um lugar no meu coração, pela simples razão que me permitia falar usando pilhas convencionais (formato AAA). Quando a bateria ia abaixo era um grande inconvenientemente, que tinha sempre solução. E não era preciso esperar 4h, o tempo que levava (acho eu) a carregar a bateria novamente, para voltar a conversar.

Mas nunca liguei muito a esta invenção. Marcas, modelos, passam-me completamente ao lado e nunca ambicionei ou invejei a «sorte» de alguém com a "última novidade" nas mãos. Os telemóveis que tive foram-me oferecidos e nem senti necessidade de substituir o meu trambolho Alcatel easy por um mais pequeno e prático. Fui «forçada» a fazê-lo, senão levariam a mal...

Actualmente, como não necessito dele para trabalhar, nem bateria tem... desligado que fica semanas a fio, assim não me aborrece. É um telemóvel em 2º mão, que tomei emprestado de alguém que fez um "upgrade" e me dispensou aquele. Faz quatro anos que o tenho, está velho, todo riscado e perdeu quase toda a cor cromática que possui. É também um modelo curioso, pois ninguém, nem mesmo mãos experientes, consegue lhe acertar as horas ou sequer dar com o maldito menu. Pelo que está também a tornar-se inútil. 

Mas nem por isso me apeteceu substitui-lo. Ontem porém, senti vontade de ter um TOQUE DE TELEMÓVEL específico. Ouvi uma melodia que apelou à memória emotiva e logo percebi que tinha de a ter como toque do telemóvel. Até o som de aviso de mensagem tinha de ser um específico. Mas como acredito que cada aparelho tem o seu toque, como uma identidade que lhe pertence só a ele, jamais mudaria o som ao meu velhinho, que não vou aqui revelar o toque que tem, mas adianto já que é um que tem tanto a ver com ele que sempre gerou comentários.

E era isto que vinha aqui dizer. Não ligo a telemóveis, mas o toque que todos eles tiveram sempre foi especial. Sempre foi PERSONALIZADO. Quando ainda não existia quase nada de toques para telemóvel e quase todas as pessoas usavam apenas os sons polifónicos que vinham fornecidos com cada aparelho, já eu andava com o «meu toque». E cada vez que ele tocava, a sala se espantava... Alguns queriam que lhes desse um toque igual e embora não tivesse dado igual, dei-lhes parecidos, dei-lhes também uma "PERSONALIDADE" própria e única.

Porque convenhamos... andaram todos com o mesmo toque de telemóvel é algo impessoal para caraças. Não me importa se é o toque da moda, se está na bera, se é a música do artista favorito... isso não o torna nada especial, muito pelo contrário, mas algumas pessoas achavam-se o máximo por possuírem o "último grito" de telemóvel e toque, ainda que, quando na presença de outras pessoas com a mesma sorte, quando um telemóvel tocava se viam na obrigação de dizer: 
-"É o meu ou é o teu?"

Não precisei de colocar essa questão. Quando o meu tocava, era só meu.
Pessoal.

E por isso agora, até porque me sinto numa outra fase espiritual, preciso de outro toque de telemóvel... não gosto de músicas, gosto de toques polifónicos e de sons. Já sei o que quero ouvir, agora só me resta encontrar um telemóvel muuuuuito simples, prático, que não seja cá touch screen nem me faça dar pancadinhas (farta de teclar estou eu) nem esfreganços com um dedo num monitor para que funcione e me mostre o que pretendo. Quero um que obrigue apenas o meu POLEGAR a trabalhar... e que permita personalizar os toques. 

E por isso o título deste post...
Desculpem o tema tãããoooo interessante...
Deve existir uma conjunção astrológica que impede temas mais sociais ou políticos em blogues por estas semanas. Ou isso ou é o efeito da proximidade do Inverno, do Natal, do frio... ou é mesmo esta m#rd@ em que o país anda metido!  
Falemos então da importância de... telemóveis!