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domingo, 2 de outubro de 2016

Um susto para não esquecer


Ainda não relatei aqui um susto que tive há uns dias, por isso vou aproveitar o Domingo para fazê-lo.


Estava numa grande loja comercial, daquelas cheias de artigos variados,  levo um saco na mão com uma compra acabada de fazer, um artigo muito pesado e tenho uma pequena mala a tira-colo. O telemóvel, que por vezes uso para registar preços, dimensões, referências, etc, tinha-o na mão. Precisei manusear um aparelho e lembro de tomar a decisão consciente de pousar o telemóvel. Lembro-me de pensar: pouso aqui na prateleira, coloco na mala ou coloco no bolso das calças?

Os inconvenientes eram: 

Na prateleira podia esquecê-lo lá.
Na mala, sempre que o arrumo, logo a seguir tenho de o tirar.
No bolso fica de fora, porque os bolsos das calças não foram feitos a pensar neste tipo de utensílio. Não em smartphones, pelo menos. 

Acabei por encontrar um sítio para o colocar e não pensei mais nisso. 
Vai que surge uma empregada da loja, disposta a "ajudar em alguma coisa". Para não a dispensar de forma curta e grossa, o que é algo rude, agradeço e aproveito para lhe perguntar se um acessório descartável depois de usado era fácil de encontrar à venda. Disse que sim, mas que de momento não tinham ali, mas que existiam outros. Eu agradeço, dou um passo em frente para ir embora, mas a rapariga continua a falar dos produtos da casa... E eu, não querendo ser rude, sorrio, presto atenção. Percebo que é nova ali e quer causar boa impressão. A minha vontade é ir embora, seguir rumo. Mas escuto-a a falar, a dar a opinião... Quando finalmente me despeço dela e avanço para outro lado, lembro-me do telemóvel. De imediato, levo as mãos aos bolsos: NADA. Nem no de trás, onde penso que, por uma questão de segurança jamais o colocaria fora de casa, nem nos da frente, onde o vinha a colocar durante o dia. 



Procuro então no saco. Esquerda, direita, frente, trás... NADA. 
Não pode ser. Terá ficado na prateleira?? Três passos atrás, mexe e remexe nas embalagens... nada. Na mala? Abro todos os fechos, com os dedos empurro todo o conteúdo, procuro por toda a parte. Nada. Volto ao saco... que é em papel num formato rectangular, sempre com o pacote pesado no interior e NADA. Não pode ser... volto aos bolsos. Nada. Volto ao saco. Enfio a mão por entre as aberturas, frente, trás, esquerda, direita... nada. Tiro de cima do pacote uma pequena peça de roupa que havia ali depositado, sacudo, NADA. Depois de repetir estes processos uma série de vezes, tento recordar-me onde, afinal, decidi colocar o telemóvel... E não consegui lembrar-me. Achava que tinha sido dentro do saco. Oculto pela peça de roupa, para que não fosse detectado a olho nu e alguém pudesse lá colocar a mão e o tirar por esticão, num momento de distracção. Mas definitivamente não estava no saco. Teria me distraído com o saco ao escutar a funcionária? Sinto-me devastada. Ainda na véspera tinha pensado: "E se um dia o esquecer em algum lado, mo roubarem e for parar a mãos estranhas? O que vou fazer?". E agora estava ali, a viver o receio de véspera. 




Não consegui mesmo recordar-me com certeza absoluta onde o tinha enfiado. Mas reduzi as hipóteses ao saco, ao bolso e, em último, à prateleira. Na mala tinha a certeza que não o tinha recolocado. "Chateia-me" ter de andar sempre a abrir e fechar a mala apertada de coisas, para tirar o telemóvel, com todo o cuidado para atrás não virem outras tantas e tudo se espalhar pelo chão. É uma mala pequeníssima, cabe pouca coisa e geralmente levo sempre uma garrafa de água e um saco em plástico. O que quase faz com que fique cheia. 

Tentei sossegar-me para me lembrar mas ao mesmo tempo o tempo urge. O que sabia é que não o tinha comigo. Só podia deduzir que, afinal, deixei-o na prateleira. O que me lembrei? De ir ter com a mesma funcionária, contar-lhe que não conseguia localizar o telemóvel e pedi-lhe para que me ligasse. Ela hesitou um pouco, acordou e disse que não tinha telemóvel com ela, teria de ir a um posto ali perto. Acompanhei-a. Queria ESCUTAR o som do meu telemóvel a tocar. E se alguém de facto o levou, teria ainda tempo de o detectar. Então estava com urgência, porque, a acontecer um provável furto por oportunidade, tinha acontecido entre cinco a um minutos. TEMPO precioso estava a passar... 

Ela pareceu lerda, nesse tempo. Pediu o rádio de comunicação a uma colega, entre quatro ou cinco que ali se encontravam. A colega respondeu que o dito não tinha pilhas e não estava a funcionar. Eu alarmada... a querer tão simplesmente que alguém ligasse para o meu número. Era urgente. Ela decide tentar o telefone fixo. Mas não sabe qual o código de acesso para chamadas exteriores. Tem de perguntar. Quando sabe, marca-o mas engana-se. Não tem prática a usar o aparelho, aparenta ser nova ali. E eu a achar que tudo estava a levar tempo demais... Finalmente, lá consegue o sinal de marcação. Pede-me o número que eu, sabendo-o de cor, lhe dou. Ela marca-o nos botões mas afinal, aquele telefone também não permite fazer chamadas. Pergunta a outra funcionária se há outra forma de ligar, e esta responde que não. Ninguém está muito preocupado com o meu desespero... Levam o seu tempo, como se não existisse urgência alguma. Nenhuma ofereceu-se para fazer uma chamada com o telemóvel. 

Diante desta quantidade de tentativas frustradas de se fazer uma simples chamada, já passara pelo menos outro minuto. E tudo o que eu precisava era que ligassem para tentar localizar o telemóvel... Que, a pesar de tudo, ainda o julgava possível de encontrar na prateleira. Decidi, então, voltar à prateleira, até porque se tocasse, o escutaria... E disse-o à empregada, que ficou de ir sei-lá-onde tentar chamar a superiora. Da prateleira fui até à porta da loja, procurar um segurança e verificar se alguém saía. Pelo caminho olhei freneticamente para as mãos das pessoas, procurei de forma geral algum comportamento suspeito, vi um segurança mas antes que o alcançasse este simplesmente desapareceu. Fiquei mais zonza... Já era demais. Tanta coisa a empatar e tudo o que pretendia era que alguém me ligasse para o telemóvel. Se alguém saísse da loja com ele na mão, já de nada adiantaria uma chamada... Não se iria escutar. 


Decidi então ir até às caixas registadoras... metade abertas, metade fechadas. Pousei o saco em cima do balcão, senti o peso dos três quilos do pacote a pousar no mesmo e percebi o som que fez. Esperei que uma funcionária ficasse mais ou menos disponível. Aí noto uma porta oculta abrir, vejo um escritório de pessoal e sigo a pessoa que sai de lá. Quando me cruzo com ela, também a funcionária com quem falei nos encontra. Já tinha comunicado a esta supervisora o sucedido. E lá vinham eles... fazer-me mais perguntas. Mas telefonar para o meu telemóvel é que NADA.

Mais um minuto se passa... A supervisora pergunta-me o que aconteceu, eu explico novamente que não sei, é possível que tenha-o deixado na prateleira ou colocado no bolso, ou alguém o pode ter tirado... Pergunta-me se já verifiquei o saco e a mala, digo que sim, várias vezes. Ela responde-me que vai perguntar se viram alguma coisa ou se alguém entregou um telemóvel. E afasta-se calmamente. Não o poderia já o ter feito? Mas devem achar que há tempo...  Chamada telefónica? NADA. 

Por esta altura já não tenho esperanças. Passou-se muito tempo. Se o receio de o ter perdido por acção de terceiros tinha viabilidade, já não o ia achar. E só pensava no que tinha guardado no telemóvel... privacidade nas mãos de estranhos sem grandes princípios. 

Parada é que não ia ficar. Tinha de tentar alguma coisa, encontrar um segurança, voltar à zona e ver melhor se caiu em algum canto... E voltei para o local onde o havia perdido. Segundos depois aparece a supervisora... Com mais perguntas, pouca acção, mas antes, uma advertência:

-"Minha senhora, se não ficar parada no lugar depois não tenho como lhe falar. Agradecia que não saísse daqui para a poder ajudar. De que marca é o telemóvel?"

LOL. Marca.
Quase que perguntei: "Porquê? Quantos telemóveis acharam nos últimos cinco minutos??"

Mas não o fiz. Respondi. Contudo, diante de toda aquela lerdeza, não pude deixar de sentir uma ponta de frustração e reprovação. Ainda ninguém tinha tentado ligar para o meu número de telemóvel. Muitas perguntas, muitas idas e vindas... nada de uma rápida chamada. Então comecei a falar que não podia ter ficado sem o telemóvel, que perder um telemóvel nem é tão grave quanto é perder tudo o que guardamos lá dentro (Contactos, imagens, videos, sons, anotações, mensagens... vumpt! Gone) e foi na onda desta memória que tive de dar uma pitada de tragédia à coisa, porque, sinceramente, ninguém estava preocupado ao ponto de agir com rapidez. 

- Mas onde é que pôs o telemóvel, lembra-se? Já procurou bem?

Respondi que sim, relatei novamente todos os gestos e até os reproduzi. Disse que achava que o tinha colocado no topo do saco, voltei a espreitar no saco: tirei a peça de vestuário, voltei a sacudir, voltei a enfiar a mão e a espreitar o saco, mostrando-o aberto às funcionárias da loja. E quando me dou por vencida avisto um bocado de borracha no fundo do saco. Um bocado que me fez respirar de alívio e dizer:

-"Esperem aí... Está aqui!"

-"Achou? Bem que lhe disse para ver no saco."

-"Ainda bem! Antes assim! Serve-me de lição!
- "Mas eu espreitei no saco... ainda agora, como viram. Como é que ele foi parar debaixo disto que é tão pesado??"

As duas funcionárias afastaram-se, satisfeitas por colocar distância e esboçando um ar de «cliente que não procurou bem e entrou numa onda alarmista». Agradeci e fui embora.

Mas fiquei a pensar: Imaginem que tinha sido verdade. Que de facto perdia alguma coisa ali... Não fizeram uma simples chamada. Não estão preparados para auxiliar o cliente com rapidez nem preparados para vários cenários de urgência - pude deduzir. Qualquer um sai de uma superfície comercial grande, com propriedade de outra pessoa. Se calhar até com uma criança! Nem por uma criança «mandam» selar entradas ou saídas, barram ou perscrutam alguém... é uma anarquia.

E se tivessem feito a chamada telefónica em primeiro lugar? Nada daquilo tinha acontecido. 
Até podem ser simpáticas, as funcionárias. E bem intencionadas. Mas prefiro eficiência e organização exemplar. E que não me virem as costas depressa, com um sorrisinho que parece dizer: «outro cliente burro a fazer um banzé por nada». 

Se fosse um artigo da loja que tivesse desaparecido e suspeitassem de um cliente, aposto que o segurança aparecia, o rádio funcionava e chamadas seriam rapidamente efectuadas. Se o ladrão saísse da loja, depressa seria alcançado e desviado para interrogatório na presença da polícia. Age-se com mais rapidez na defesa de «coisas» que ainda não pertencem a ninguém do que no auxílio a terceiros.  

Desde então tenho-me preocupado tanto em deixar o telemóvel em qualquer lado... E quase sempre surge um susto, até sentir o aparelho comigo. Os smarthphones são uma tragédia... fáceis de perder. Não cabem em qualquer lugar, muito menos em bolsos de jeans. Digo-vos que antevejo um sucesso de vendas ao primeiro que inventar umas calças com profundidade de bolso suficiente para transportar um smartphone, sem que os bolsos precisem estar nos joelhos! 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Que venham os Ikeas, que se banem as lojas chinesas!!


Preciso de desabafar.

E no final vou deixar um sincero apelo.

Se existisse um medidor de nervos os meus indicariam neste instante um elevado nível de nervosidade. Mas depois de desabafar volto quase à serenidade.

Há momentos na minha vida em que gostaria de saber aplicar melhor as leis que praticamente não conheço e sair mais a alguns dos "meus" que me são próximos. Que fazem por reivindicar os seus direitos e protestam em circunstâncias legítimas para tal, nem que tenham de chamar a polícia. Este é um desses momentos.


Fui a uma loja chinesa trocar um produto que não estava a funcionar adequadamente. Cheguei, com a simpatia que me caracteriza, aproximei-me do balcão, apresentei o produto e expliquei ao indivíduo, que tinha sido o mesmo que mos vendera, a razão de pretender a troca. O tipo responde: "não entendo". Tenho a paciência e a calma que me caracterizam de explicar pausadamente o motivo. Ele continua a não entender. Eu mostro-lhe: tenho dois artigos iguais, um funciona bem, o outro não. 

É raro trocar objectos danificados e não me agrada ir para trás e para a frente para o fazer. Porque faço todos os percursos a pé, não ando de carrinho. Pelo que me custa e tenho de organizar bem a minha agenda. E ali estava eu. Nunca me passaria pela cabeça que ia ser um dos momentos mais desagradáveis do dia! 

O que me valeu foi a presença de um empregado que fala português e que apontou para o obvio, que nenhuma barreira linguística seria capaz de impedir de se perceber se existisse boa vontade: um objecto funcionava bem, o outro não. E eu queria dois a funcionar bem! É pedir muito?

O indivíduo, que nem se levantou quando cheguei como cliente nem põs de lado o telemóvel no qual está sempre a mexer, faz então um som de escárnio - "hum!, seguido de um aceno negativo com a cabeça. Tira-me bruscamente o objecto da frente, mete-o de lado e diz: "não pode trocar!".

Eu fico na dúvida... se não posso trocar não deveria ele ter deixado o objecto onde estava ao invés de mo tirar? É o empregado que, mais uma vez, serve de esclarecimento: "pode trocar MAS É A ÚLTIMA VEZ, não troca mais". 

Um ultimato, antecedido de escárnio de reprovação. Que maneira de atender o cliente quando este entra pela porta, jesus!

Logo ali fiquei sem fala. Achei rude. Muito rude. Ainda dava um desconto para a diferença cultural mas... diante das circunstâncias não dava para disfarçar os factos com essa desculpa. Antipatia é antipatia, seja em que cultura for e mau atendimento ao cliente também. No acto de compra fui simpática, desejei-lhe sorte, e o tipo nem um sorriso nem um olhar de jeito. Muito evasivo. E eu nem sou de fazer interrogatórios mas, com uma loja quase vazia, não resisti à vontade de saber se iam fechar. Confirmou o fecho, um pouco com má vontade e não deu mais nenhuma resposta. Então desejei-lhe sorte... Como se pessoas que fecham lojas num lado e abrem noutras precisassem de sorte quando o que fazem é fugir ao pagamento de impostos!

Bom, para encurtar a história, eu é que fui buscar um outro objecto, troquei o objecto e o indivíduo, sempre a mascar pastilha de boca aberta e já a atender outro freguês que também foi trocar um objecto que não funcionava, aproxima-se para reivindicar o objecto devolvido. Aí sinto que não posso virar as costas e ir embora sem fazer o que faria em qualquer outro estabelecimento comercial: demonstrar, com educação, o meu desagrado pela antipatia demonstrada. 

E disse-lhe: Até ia para comprar mais coisas, mas o senhor não foi muito simpático. No acto da compra não nos dão o talão, não fazem devoluções (em dinheiro) até por isso acho que deviam ser um pouco mais simpáticos no atendimento. 

- Xau! - responde-me o tipo, sem me olhar no rosto, com outro som de escárnio e a mascar aquela pastilha.

Ora, isso não é enxovalhar o freguês??
Não é nos tratar como cães?
Foi como se me expulsasse. Quer lá saber se eu volto, se fico satisfeita... está a borrifar-se!
Tenho cá para mim que ser mulher e aparecer sozinha até o deixou mais à vontade para ser desrespeitoso. 


AGORA ENTRA O APELO:


Não comprem nada em lojas chinesas. Absolutamente nada. Nem que o produto venha da china e passe pelas mãos de retalhistas que o levam para as grandes superfícies. Vamos boicotar toda e qualquer loja chinesa. 

Acho que não nos damos valor como povo quando permitimos que estes comerciantes ajam diferente dos outros, quando a lei portuguesa é uma e deve ser cumprida igual por todos. 

Estes comerciantes da china não registam as vendas, não entregam talões de compra, não fazem devoluções em dinheiro... Onde pensam que estão? Os de cá têm de o fazer sempre, ou são punidos. E até aceitam devoluções até aos 30 dias após a compra. Estes não. Podes acabar de comprar e nem passar da porta e mudar de ideias. Voltas atrás e já não te devolvem o dinheiro.


Que venham os suecos e as suas Ikeas, que são empresas respeitadoras dos indivíduos e do ambiente. Não escravizam a mão de obra nativa, como o fazem os chineses. Se estes não estão dispostos a trabalhar pelos costumes de cá, alguns ainda fazem por impor a exploração de lá e ainda tratam o freguês com desprezo, então que voltem para a china que pessoas assim não fazem falta alguma na europa. Voltem.  




Posso jurar que vi aquele indivíduo bem impregnado do pior da cultura chinesa. Com ares de superioridade masculina, menosprezando a mulher, desprezando outras culturas. Tenho cá para mim que se não aparecesse sozinha, frágil e doce, se tivesse um homem grandão ao meu lado, que o trato seria um pouco diferente. Se fosse celebridade, conhecida... aposto que também ia ser "aquela" interesseira simpatia... 

Pessoas assim jamais deviam dedicar-se ao comércio. São intragáveis. 
Só lhe desejo o mesmo Xau que me deu... mas para se por daqui para fora recambiado para de onde veio.

domingo, 6 de dezembro de 2015

As lojas dos Chineses e as 'chinesises'


Entrei numa noutro dia. Enorme, fui lá de propósito, ver se num espaço tão amplo encontrava coisas que procurava encontrar. Fiquei a verificar um produto, o que em lojas destas pode demorar um bocado, já que a maioria dos artigos são de fraca qualidade e é de conhecimento geral - penso eu, que os 'chineses' colocam uma etiqueta de preço até em produtos danificados.


Enquanto me ocupava da verificação, um funcionário esteve o tempo todo atrás de mim, afastado por uns passos, a remexer em coisas. E olhem que eu demorei um tanto a encontrar o artigo ideal. Com ele na mão e pronta a continuar a ver mais produtos, eis que o funcionário finalmente pára de fazer barulho atrás de mim para vir se meter ao meu lado e desta feita remexer nas prateleiras ao lado daquela da qual me afastava por dois passos. E pelo que vejo, continua a fazer o que fazia antes: absolutamente nada. 

Simplesmente fica ali a mexer, a tirar e por coisas no lugar, mas que irritante!

Num impulso, devolvi o objecto à prateleira e saí da loja sem intenção de lá regressar.

Ontem voltei a entrar noutra loja do género. A que tenho mais perto de casa, aquela onde, pelo menos, podiam reconhecer o meu rosto, ainda que não vá lá com assiduidade. Pois foi onde me senti pior. Com dois pisos, assim que me dirigi para o de baixo, um funcionário decide vir atrás. Eu não preciso de chaperon! Mas OK, tudo bem... Vai que segue-me até ficar quase colado em mim. Mais uma vez, aquele hábito irritante: tira e põe objectos do lugar, fingindo que não me está a olhar. Paro e olho diretamente para ele. Sorrio mas mentalmente fico a pensar: Vais demorar muito tempo? É que gostaria de continuar as minhas compras sossegada!

Ele diz-me "olá", retorqui o cumprimento (pela segunda vez, depois do primeiro à entrada) e afasto-me, para outro canto, a ver se ele se manca e não me segue. Ele não me segue. Finalmente, consigo sentir-me um pouco livre para ver as coisas. É que eu nem transportava sacos ou mala. Tinha as mãos à vista a segurar o telemóvel. Porque raio é que me chateiam? 

Logo a seguir aparece a mulher funcionária. E também ela se põe a remexer, um pouco distante de mim. Dali a instantes, já está no corredor atrás do meu, ao meu lado, a espreitar através das prateleiras. Quando realmente precisei dela para saber o preço de um produto sem etiqueta, népias de estar por perto. Assim que a volto a ver, dirijo-me a ela porque quero saber um preço. É assim que costumava ser o comportamento na relação entre freguês e loja: o funcionário serve para auxiliar o cliente e não para o tratar como se ele tivesse acabado de ganhar uns minutos de liberdade da sua cela no presidiário e fosse hora do recreio, na qual fica sobre vigilância constante! O comunismo é lá, na china. A ditadura é lá, na China. Aqui ainda se respeitam liberdades... E uma delas é esta, do cliente poder entrar numa loja e não ser coagido, perseguido, vigiado. Para isso recorre-se à tecnologia e aos funcionários disfarçados de clientes (já lá irei). ASSUME-SE. Sem se ser demasiado invasivo e seguir, passo a passo, o cliente. Por cá, no país dos brandos costumes, aceitamos as diferenças mas porra, adaptem-se um pouco, sim?? Não ofendam ou queiram mudar o que por cá funciona de um jeito.  

A mulher nem soube ajudar. Apontou-me para uma árvore de natal... Pareceu seca e distante. Mas a postura eu relevo, porque é interpretativa e depende da questão cultural. Simpatia e eficácia estava longe de a caracterizar, contudo. Tive de a levar até o artigo, exibi-lo na minha mão e perguntar novamente o preço. Lá mo disse. Como existiam dois parecidos em corredores diferentes, perguntei se o valor do outro era igual. Acenou que sim e disse sim. Aposto que não percebeu patavina.

(faz uns 10 anos que têm a loja ali e ainda não sabem comunicar com os clientes)

Tudo bem, continuei a minha procura por artigos, sabendo perfeitamente que estava debaixo de olho daquelas pessoas desconfiadas. Até porque desconfiada também eu fiquei, depois de perceber que dá-lhes para falar em chinês entre si, do piso superior para o inferior e vice-versa, oportunamente. Ou seja: em momentos em que se fica a pensar que estão a falar de ti. Porque nenhuma ação estava a decorrer, nenhuma tarefa, a única interação foi contigo e assim que termina, lá vêm as conversas em chinês! Está certo que o Tuga até é desenrascado e há pessoas que querem e sabem algum chinês. Se serve para entender este, não sei. Mas não é o meu caso. Não os entendo mas para bom entendedor, meia palavra basta.

Hoje voltei lá. Como vi os artigos na véspera, sabia o que queria levar. Porque por cá é comum fazer compras assim: vai-se ver e depois decide-se. 

Mal desci para o outro patamar, lá veio a mulher atrás de mim. Para me ajudar? Não. Para me esclarecer em caso de dúvida? Duvido, devido à total ineficácia comprovada em mais do que na ocasião de véspera. Veio para se 'colar' em mim. 

Enquanto me dirijo a um artigo só para tirar as dúvidas, ela segue atrás. Rápida, volto onde pretendia ir, e ela atrás. Quando encontro o que quero, páro, procuro pela cor pretendida e verifico o estado. Nesse instante já lá está: o ruído dela do outro lado da prateleira. Como sempre, os artigos que mais parecem chamar-lhes a atenção estão sempre ali ao lado do cliente. E a mulher fica ali a remexer nos pacotes, quando pretendo estar em paz a procurar e a decidir se vou mesmo levar alguma coisa. Baixo-me e procuro contacto visual. Será que não pode ir mexer nos artigos para longe de mim??

Regresso ao que quero comprar. Engano-me no corredor onde está o outro artigo que pretendo, e a mulher fica meio zonza, sem saber o que esperar. Regresso ao que pretendo, pego e saio para a caixa, no piso superior. É aí que começa outro diálogo em chinês.


Pode ser uma questão cultural, bem sei. Mas já chega! Anos e anos se passam e a adaptação a este hábito parece deficiente em quase todas as lojas do género. Mas somos ladrões para sermos vigiados como tal? Acho inconcebível que tenham um sistema de vigilância com câmaras em todo o lado, uma pessoa vê aquele monitor cheio de quadradinhos que cobrem cada área da loja, e mesmo assim temos de nos sentir desconfortáveis com aqueles olhos esticados em cima de nós enquanto tentamos relaxar e decidir. 

Tão depressa não volto lá. Também entrei em outra, mas esta está melhor adaptada. Para começar, tem jovens funcionários que entendem tudo em português. E falam-no bem. Também tinha gente a vigiar. Até mesmo pessoas sem características nipónicas. Mas estavam ali paradas, como convém, como costume, semelhantes a um segurança. No meio dos corredores, andando, olhando o cliente diretamente e não a disfarçar, mexendo nos artigos!

E ainda tem outra coisa que me afasta deste tipo de loja: os impostos.


Não sei qual o estatuto do qual gozam em termos de impostos, mas não me parece que sejam muito honestos, por conversas que já escutei e também por dificilmente se ver a pessoa na caixa a REGISTAR a venda. Abrem a gaveta por outros trâmites, sem registar e nunca, mas nunca, optam por entregar o papel. Eu agora peço sempre o recibo. E com número de contribuinte. Hoje poupei-os, porque fiz despesas abaixo de 5 euros. Mas o não me terem entregue o recibo para saber o preço de cada artigo caso volte a precisar... ou simplesmente porque é o direito do cliente e o dever da loja... Acho que vou passar a pedir, ainda que faça uma despesa de apenas 60 centimos.

Nos últimos anos prefiro encontrar outros pousos a ir a lojas dos chineses. Mas tem de se dar o braço a torcer, de vez em quando, porque é o tipo de loja que está espalhada por todo o lado, não há muita variedade por onde escolher, sem ser lojas de centros comerciais. Os chineses praticamente erradicaram com a concorrência. Ah, bem que os comerciantes locais avisaram lá atrás para o perigo da abertura das portas do comércio ao internacional! Mais uma decisão política que foi um tiro de canhão no casco de Portugal!


PS: Sabiam que pretendia fazer este post reduzido a uma frase? ahahahaha!