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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Hipocrisia


Ah, a hipocrisia!
Decidi não me meter mais nos assuntos da casa e só viver a minha vida porque o "chefe" aquele que acha que manda em tudo e controla a senhoria, mais uma vez, voltou a ameaçar-me. Está a tentar pegar em qualquer coisinha minha que possa distorcer para me prejudicar.


Sendo assim, de facto, é besteira minha (adoro estes termos brasileiros) querer continuar a morar aqui. A ver vamos. As minhas preocupações no momento são outras. Infelizmente uma coisa começa a afetar a outra e não pretendo viver assim por muito tempo. Porém, por enquanto, não pretendo dar o "gostinho" a ninguém. 

Mas vai ser difícil. Sei que sou o próximo alvo.

Agora mesmo, os dois colegas que falam num inglês nativo, que são também os que não limpam e que por algum motivo se dão «muito bem» estavam a falar bem alto pelos corredores. Nisto começam a sussurrar. Depois voltam a falar alto mas quando o tema muda para os colegas da casa, voltam aos sussurros.

Disse-me aquele calhorda (outro termo brasileiro, certo?) que ele nunca falava da vida dos outros e não fazia intrigas. Escutei-o agora mesmo a fazer exatamente isso. Os dois a interrogarem-se se eu estava em casa (viram bem pelas enormes janelas a luz acesa e notam a luz a passar pela porta, por isso não estivessem com tretas) e depois ele fala-lhe de um email que foi enviado à senhoria... 

E a outra, a «nova», que diz que não faz limpezas na casa, goza, dizendo que viver numa casa com pessoas adultas é de se supor que estas não vão escrever emails a falar dos cabelos... 

E riem-se. 

 - - - - - -

Hipócritas. Não fazem intrigas uma ova.
Não se unem contra os outros uma ova.
E que «noções» tendenciosas são estas das regras de como é viver numa casa com outros "adultos"?

Viver numa casa partilhada com outros adultos é cumprir as obrigações, ser cordial, dar um pouco de simpatia, e não virar as costas e mal trocar duas palavras quando alguém tenta estabelecer um contacto. Já se está a rejeitar uma pessoa que mal se conhece. Porquê? Afinal não gosta dos seus olhos? O seu sorriso perturba-os? Estes dois fazem o tipo: «não gosto de ti, esquece-me». Nem fazem um esforço e ainda querem ter razão.

Depois da algarviada pelos corredores enfiam-se na cozinha e fecham a porta, para terem a certeza que suas vozes não são escutadas. "She" (ela) - é o que oiço quando estão a falar dos restantes colegas da casa. A conversa só é interrompida quando batem à porta. É outra candidata a vir morar nesta casa. Aquela pela qual tive de aguardar o dia inteiro, quando me apetecia era sair ou ficar em casa com roupa mais à vontade. Mas como a hora a que vinha era uma incógnita e ninguém mais cá estava, disponibilizei-me a recebê-la.

Uma hora antes dela chegar, os outros entraram em casa e tomaram "conta" da situação. Numa circunstância normal teria ido ao encontro da candidata e cumprimentado todos. Mas fiz muito bem em me manter de fora. Acho que a "candidata" não ficou impressionada, mas não tenho como ter certeza de nada. 

PS: Já tenho certeza: ela acabou de enviar uma mensagem a dizer que não gostou do quarto.

E se calhar, intuitivamente, também não gostou daquelas pessoas que a atenderam. A "minha" candidata - aquela que recebi pela manhã, gostou e quis logo ficar com o quarto. Se calhar a forma espontânea e sincera com que se recebe as pessoas acaba por se sobrepor à superficial e falsa.

Assim que lhe fecharam a porta nas costas, deram uns risinhos e escutei-os também pouco agradados com a pessoa. 


Não sabe ela do que se safou.
Espero que quem venha - que já é do sexo feminino propositadamente porque o outro não se dá com outros "machos". Tem incompatibilidade total. Pelo menos foi o que observei desde que aqui cheguei. Contudo, com a volta que consegue dar às coisas, sempre faz a senhoria acreditar que os outros é que são doidos e o que acontece é que não tem existido sorte com a escolha de rapazes.

Talvez se aparecer  um muito british, que goste de falar do mesmo, ir a pubs, concordar com tudo o que o outro pensa, não limpe a casa e seja bagunceiro, talvez os dois se dêem bem. Mas até agora a única versão disso foi esta do género feminino.  

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

De volta


De regresso ao UK.
Cheguei feliz mas de momento estou menos feliz.


Na minha ausência algum colega de casa decidiu «servir-se» de coisas que estavam guardadas no meu armário na cozinha. Ora, que raio de casa partilhada é boa de se viver se alguém tira comida e  faz que não tirou? Que confiança pode-se depositar e o que impede alguém de temer que quem tira comida no armário particular de outra pessoa não se serve também de dinheiro deixado no quarto?

Quem o faz só se prejudica.

Já disse uma vez, à «nova» rapariga que me roubou bolachas da dispensa - estão lembrados? Foi em Julho. Eu virava as costas e assim que isso acontecia, um pacote de bolachas desaparecia da minha dispensa, que ninguém deveria abrir sem ser eu. Horas depois, outro pacote. Ambas em casa e ela sem me dizer nada, só se servindo. Quando a confrontei muito simpaticamente e sem me mostrar chateada, pedi-lhe que me avisasse se voltasse a precisar se servir de algo meu. Vindo ter comigo para me informar ou deixando um bilhete.

Divido casa com outras três pessoas. A mais recente já me disse que está de partida - ainda não pude apurar os factos mas ao que parece existiu um conflito entre esta e a rapariga «nova» e o uso de um palavrão (estamos no UK!) é capaz de ter sido o factor que influenciou que as «cartas» ditassem a partida dele. Isso e o facto do terceiro indivíduo estar, estranhamente e desde o início, sempre a tomar o partido da moça. A sua incapacidade para criticar algo que parta dela contrasta com a prática implacável e omnipresente que sempre demonstrou com os outros. 

Agora, quando lhe perguntei se sabia de alguma coisa sobre o desaparecimento daqueles artigos, assim que abri a boca para mencionar que havia pedido a ela que me avisasse se tirasse algo, ele corta-me a fala para dizer: "Porque não perguntas ao outro?". 

Foi só preciso eu a mencionar de leve. Não com leviandade mas dando um exemplo real e fundamentado. Nem sequer levantei suspeita ou a acusei. Só estava a mencionar um facto consumado que não lhe contei nem mais mencionei (mas certamente ele já saberia por meio da outra que deve ter contado a história de forma divertida). Ora, um tipo que tranca os seus pertences no quarto, que não gosta nem de imaginar que lhe tocam nas coisas... que por qualquer coisinha insinua coisas dizendo que "não está a dizer que foi fulano mas...", não faz sentido que, principalmente existindo antecedentes, um tipo destes não direcione suspeitas na direcção da moça «nova».

Por qualquer coisinha a rapariga que cá estava antes e saiu em agosto, estava sempre a ser criticada por ele. A pobre mal se podia movimentar, fosse para a esquerda ou para a direita, ele tinha algo a dizer sobre isso. Como quem não quer a coisa, manda umas tantas insinuações para o ar que estraga o dia de qualquer um. Comigo não tem resultado, porque com ele adotei uma estratégia de "está sempre bem". Mas topo-as todas. Comecei até a reparar na linguagem gestual, do significado de cada movimento que visa, de alguma forma, transmitir uma mensagem crítica a alguém da casa.  

Ele já me "convidou" a sair desta casa umas tantas vezes, desta forma «indireta». É o que cá vive há mais tempo, tem cumplicidade com a senhoria e sabe como «falar» com ela (manipular). Mas o seu maior defeito é achar que é o que manda e decide tudo. De uma forma ou de outra, todos acabam por se vergar à sua vontade. 

A forma como se dirige à «nova» rapariga desde o início não faz sentido algum, não corresponde ao que se mostra ser com todos os outros. Outra coisa que ele fez foi, assim que eu mencionei que me desapareceu algo, ele diz que também lhe tiraram algo que tinha guardado na sala. "Acho que foi o amigo do outro" - "mas não estou a dizer que foi ele" - diz-me. 

É que por uns dias esteve cá um amigo do «outro» a viver. Uma pessoa bem educada, simpática e todos pareceram querer conversa com ele. Principalmente este tipo mais velho, que o monopolizava. Mas BASTOU o facto de alguém que não ele trazer um desconhecido para dentro desta casa para agora ele insinuar que desapareceu uma coisa que lhe pertencia. "Não quis dizer" mas mencionou de imediato o «estranho». Não mencionou a rapariga, que deixa coisas ali na sala durante dias e é um tanto de tirar se lhe apetecer. Se calhar precisou daquilo para algo e simplesmente foi lá e se serviu. 

É só porque o "perfil", essa eventualidade, encaixaria mais na sua personalidade. E ela tem antecedentes. Mas não. Suspeitar dela? Jamais! Foi um estranho... E por causa disso, por causa dos "outros" colegas da casa não saberem escolher quem trazem cá para dentro, a regra silenciosa e ditadora vai permanecer, refortalecida: é proibido trazer pessoas para dentro desta casa.
 ----

Eu gostaria muito que ela tivesse a atitude adulta de vir ter comigo e me contar que se serviu da minha dispensa e da louça do meu armário (que está em parte incerta, mas não está na cozinha). Quando ela me viu chegar falou-me só de passagem, como se não conseguisse encarar-me e logo virou as costas seguindo caminho como se a minha chegada após algum tempo não merecesse mais que um abafado "ah, estás de volta?". 

Mas tenho quase a certeza que vai manter-se TRANCADA no quarto, receosa que a confronte. De momento é o que quero fazer. Ou melhor: preciso.

Preciso de confrontá-la para reestabelecer a paz e a confiança nesta casa. Mas não deveria ter de ser eu a fazê-lo. Devia partir dela essa atitude. Ela é que não me deixa alternativa. Se eu quiser ficar de bem tenho de esclarecer as coisas e a confrontar. Se não o fizer, não vou ficar bem, nada ficará bem. Louça e comida não podem desaparecer de uma casa e "ninguém tirou".

Voltou a ser o tal fantasma??

Sei que pode ter sido o outro. E estou a aguardar por ele para entender se de facto foi. Mas digamos que quando se divide uma casa com estranhos, acaba-se por conhecer como são as pessoas em relação aos pertences dos outros bem no início. E digo: não suspeitaria de ninguém aqui dentro, excepção feita da «nova».


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Deu-se a erupção - tal e qual o vesúvio!


Já o vinha a sentir há muito tempo. Mas controlava-o. Porém, naquele instante senti-a subir por mim, atravessando-me o corpo direto à acção. Como se esta fosse lava e eu um vulcão que entrou em erupção.

O que aconteceu no meu corpo e o percorreu de baixo a cima foi um forte sentido de indignação diante de injustiças sobre as quais não pude mais me silenciar.


Eu venho a ser vítima de bulling no emprego.
Caraças para mim, e para a minha personalidade! Tenho tendência a aguentar este tipo de coisa e por isso a pessoa que gosta de praticar bulling cedo percebe que aqui tem terreno fértil e pode abusar.


Já não é a primeira vez que sofro disso no emprego. Acho que todos nós acabamos por nos sentir assim, pelo menos uma vez. No meu caso, o autor desses actos é um indivíduo de muito baixo nível, sem eira-nem-beira e por isso também nem lhe devia dar importância. Mas permiti que ele me maltratasse, daquela forma rasteira que os bullings gostam de usar. Primeiro desculpei-o: "era o stress! Alguma preocupação daquele dia...". Depois procurei convencer-me que, se mostrasse um trabalho bem feito, o indivíduo o reconheceria e deixaria de ser tão implicante.

ESTAVA REDONDAMENTE ENGANADA.
Como aliás, sempre tive.
Pois sempre achei o mesmo, sempre agi igual, e sempre me enganei.

Desde finais de Janeiro até hoje, tenho no emprego um «chefe», alguém com cargo superior que comanda a «equipa», que tem vindo a maltratar-me de todas as formas que consegue - sendo especialmente cruel nas indiretas. Sim, porque um confronto direto e claro não é hábito de quem pratica bulling. É preciso perceber que um praticante de bulling é, na sua essência, um cobarde que não gosta de si mesmo. É um infeliz. E por isso procura alguma satisfação na tortura psicológica de outros. E como não gosta do que vê no espelho, procura convencer-se que é o melhor, infalível, perfeito.

Pois aqui à uns dias ele voltou a fazer-me uma coisa que sempre teve o hábito de fazer: dirige-se a mim, a criticar o meu trabalho dizendo que eu causei um grave problema e vira as costas, dizendo que não me quer ouvir. Impedindo-me mesmo de me explicar, de abrir a boca! Acusa, acusa, acusa, aponta o dedo e tapa os ouvidos. Este tipo de postura, mais o nunca olhar nos olhos quando lhe dirijo a palavra, o não me responder claramente quando lhe coloco uma pergunta sobre o trabalho que precisa de resposta imediata, o responder por grunhidos e sons primários, como se fosse um homem do tempo das cavernas (sem querer insultar estes que, desconfio, eram dotados de maior inteligência do que se supõe e certamente muita mais que este indivíduo). Pois por ele agir assim, eu reagi - pela primeira vez. Respondi-lhe que ele vira-me sempre as costas e não me deixa falar. Sendo assim, eu também não o ia ouvir.

Ele refila, eu refilo, ele volta a chamar-me à parte mas EXIGE duas testemunhas. E chama duas amigas mais próximas (prejudicando assim o andamento do trabalho, porque deixou apenas uma outra a fazer o trabalho de três). Saímos do local público e vamos para o corredor. Eu continuo a andar e bato na porta da gerência, dizendo que ele quer falar comigo em particular mas com testemunhas e pelos vistos em também ia precisar delas.

Só a gerente é que me perguntou o que se passou. Ele, e as «testemunhas», só souberam tirar conclusões precipitadas. Tão preocupados que estavam em passar a ideia de que eu tinha cometido uma falha gravíssima. Ora, na minha perspectiva, uma EQUIPA trabalha em grupo e não de forma a querer apontar o dedo podre aos outros. Eu cometi um erro muito compreensível e nada grave. Mas ele estava a ser extrapolado para um nível de gravidade que eu considerei absurdo. Eu pedi desculpa ao cliente - que julguei que se tinha ido embora - afinal, o que ia embora era outro. E fiz o que me mandaram e o que somos instruídos a fazer. Mais nada. 

Um pequeno equívoco, sem consequências de maior - que o indivíduo estava a querer transformar numa avalanche com mortos e feridos. Não aguentei. Fui direta à porta da gerência... Quando me expliquei, pensei eu (mais uma vez estava errada), que o indivíduo tinha percebido o exagero dos seus atos, o erro da sua presunção, tinha percebido que é ERRADO não querer escutar uma pessoa - ainda mais sendo ELE o que chefia a equipa! Um chefe que não escuta nem estabelece contato visual, sem ser para mandar vir.... Não é lider. É só chefe. E dos muitos maus.

Passados dois dias - um dia que começou maravilhoso para mim, estava bem disposta, tive alguns desafios no trabalho que superei adequadamente e tudo estava a correr bem e tranquilamente. Subitamente o «chefe» aparece-me à frente acusando-me de errar novamente, um erro muito grave, correspondendo a 1, 2 e 3. E eu fiquei a escutar e a pensar: "1,2 e 3?? Mas eu não fiz nem o um, nem o dois, nem o três. Ou fiz?? Não, não fiz. Deixa-me cá expressar a minha dúvida". Abro a boca e só consigo dizer um A, da palavra ACHO. Só. uma sílaba apenas. Ele corta-me a palavra para me repetir, mais uma vez, que escuso de falar, não quer escutar e vira as costas. Eu fico revoltada e vou novamente para a porta da gerência. Bato na porta - ninguém abre. Volto a entrar no sítio e escuto-o a dizer: "Temos um sério problema, um problema muito, muito grave". Aí eu lembrei de ir espreitar no computador quem é que tinha feito o 1,2,3. Enquanto procuro o ficheiro, escuto-o a dizer à restante equipa que a culpa é MINHA, que eu sou a responsável pelo grande, grave erro. Olhem, foi esse o gatilho. Foi nesse instante que me subiu uma revolta que peguei no papel impresso para lho mostrar e acabei por o «espetar» mesmo diante da cara e gritei:
-"Foi fulano X, não fulana XY"!

Ele fica a fazer-se de vítima. Mas eu não percebo que ele automaticamente assumiu essa postura. Ele encosta-se contra a parede, abre os olhos, a boca, faz-se de espantado (e talvez estivesse) e depois vai para a outra porta e eu vou atrás ou nem me lembro sinceramente. Só sei que lhe grito - faço questão de gritar para que se escute (e aqui foi o meu erro) que ele é um bully e que vou apresentar uma grande queixa contra ele. 

A coisa acabou por aí. Ou não... Porque enquanto eu aguardava a presença de um gerente, para expor o sucedido, ele andava pelo local de emprego a falar do sucedido, a fazer-se de vítima, a dizer que tinha os clientes do lado dele, a falar com todos os colegas... Sem se calar sobre o assunto, até a hora de fecho!! 



E eu estoica, muda, sem ter ninguém a mostrar um sinal remoto de estar do meu lado ou simplesmente se preocupar comigo. Só me descontrolei ali. Recupero a noção e a calma muito rapidamente. Acho que ter tido aquela explosão incontrolável é compreensível, estando a ser alvo do mais reles, baixo e estúpido bullyng que existe, desde finais de Janeiro. Quando escrevi este post aqui, datado de Março, já estava a chegar a um ponto de não aguentar mais.

Mas agora vai haver uma investigação - foram escutadas as testemunhas. A mim não me ouviram mais, a pesar de me terem dito que teria de prestar um depoimento e assinar em baixo. Vão ouvir as duas versões e o caso vai ser investigado. Aqui levam muito a sério este tipo de coisa! Mas só de forma processual. Porque o indivíduo é de apertar os botões com toda a gente. Até a um leigo é possível ver que é a pessoa errada para a função que desempenha. Além disso, ele também pratica outra coisa totalmente condenável por terras de sua majestade: arassment. Ele assedia a clientela feminina com piropos vulgares, com comentários tipo "comia-te toda". Mas como o gajo é português, faz os comentários em português. Quem já o conhece e não é tuga, sabe o que ele diz. Dá para entender na linguagem corporal. Uma vez um gerente até lhe disse que um dia ele ia entalar a língua de tanto a esticar para fora. Portanto, ELES SABEM. Mas nada fazem. Estão sempre à espera que aconteça algo mais sério para terem um pretexto para agir.

E vou ser eu o pretexto...

Não foi só dos foda-se caralho que eu me cansei. Era o bulling, o constante rosnar, gritar. O assédio às mulheres bonitas, os insultos às menos bonitas... O stress do indivíduo, a sua forma autoritária de ser. Um wanna be nazi salazarista! 

E pronto. As novidades são estas.
O resultado disto tudo só o saberei daqui a uns dias. Posso ser demitida - embora ficasse algo desapontada se isso acontecesse diante do primeiro erro sem ter direito a segundas oportunidades. Até porque a reacção que tive foi muito contra-natura. Não tem nada a ver comigo. Foi mesmo a pressão constante, o mesquinhismo das implicâncias, as falsas acusações, o comportamento rude de me proibir de falar e virar-me as costas. O empenho do indivíduo em me fazer querer passar por incompetente, o andar a DIVIDIR a equipa, a tentar por uns contra os outros... Uma merda de «chefe». Nem para bosta fertilizante serve.

Agora deixem-me tentar descansar uma hora... São um quarto para as duas e às 3 da manhã já vou estar a sair de casa em direcção ao emprego.

Só espero que esta falta de sono não prejudique o meu raciocínio e capacidade de argumentação. Devo precisar dela nos próximos dias.

PS: Preciso acrescentar um grave, sérissimo, grande detalhe: Depois de expor toda a situação e de ficar uns minutos a me acalmar (eu quis ir embora e dar o dia por terminado - só que aqui eles não são muito disso) e após ter entregado o recibo impresso que indicava o autor à gerente, voltei ao trabalho e optei por fazer uma cópia para mim. Tal como pressumi, aquela que fiz já tinha "desaparecido". Pois adivinhem o tamanho da minha surpresa quando desta segunda impressão o papel sai com o meu nome!! Como se tivesse sido eu a autora do dito. Não fui. Tinha a certeza absoluta disso. E então fui verificar todas as operações que eu fiz. Em nenhuma acusava o meu nome. Mas mandando imprimir aquela específica, estava agora a sair com O MEU NOME no papel. Quando antes, quando o imprimi, saiu com o nome da pessoa que realmente cometeu o "grande, grave, sérissimo erro" (que passou o dia todo a sorrir como se tivesse a fumar erva, pelo que vou deduzir que não foi chamado a atenção e nunca seria com a mesma agressividade com que eu fui, por um erro grave, sérissimo, grande - que não cometi). Portanto vou deduzir que ALGUÉM aldrabou os registos de forma a ser o meu nome a aparecer. E se isso vier a ser provado (logo na altura asseguraram-me que o computador registou que quem fez a coisa foi o outro) acho que muito me beneficia. Agora se disserem que foi um «erro de computador» para inocentar o outro, não vou gostar. Porque não foi. Quando imprimi - depois das acusações que me foram feitas - saiu corretamente. E nunca vi tal coisa acontecer -  mudarem o nome do autor. Portanto vou deduzir que o individuo, medroso, para tentar tapar o seu erro, fez algo no sistema para ser o meu nome a aparecer, ao invés do outro. E se assim for, o seu mau carácter fica provado. Não fica??

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016


Tenho mantido no armário as decorações de Natal que comprei para decorar a entrada da casa. Como a intenção era fazer uma surpresa aos restantes moradores, tinha de esperar por um momento em que só eu estivesse em casa. E isso está difícil.

A intenção era trazer um pouco do espírito natalício para dentro. Harmonia, união... afinal, se é natal em todo o lado, e por toda a parte existem decorações festivas, porque não trazê-lo para dentro de casa? Achei que nos ia fazer bem, já que cada um de nós está longe da família e pertence a países diferentes.

Mas ontem pedi a um colega com quem até me dou «bem», para tentar não ter o som da televisão muito alto durante a madrugada. Ele chega a casa às 22h e gosta de ir para o quarto escutar documentários televisivos. A questão é que o faz todas as noites até depois das 4h da manhã com o som demasiado alto para aquela hora da noite. Vai que euzinha acordou a escutar palavra por palavra do documentário bélico com total nitidez, através da parede que separa os quartos. Voltar a adormecer foi impossível. E eu tentei. Como? Decidi que um gole de vinho podia ajudar... (não tenho soníferos). Então, toca a tomar três goles de vinho para ver se o sono caia. Nada. A voz feminina a relatar uma história bélica continuava monocórdica, alternada por música e em exasperação, decidi descer e dormir na sala. Ninguém percebeu. Mas continuou a ser possível escutar um pouco as vozes, embora só ligeiramente. Até o escutei a ressonar, até se levantar para apagar as luzes e o aparelho. Só que, com isto, voltar a adormecer é que... não foi possível.

Então lá decidi ter a cordialidade de falar pessoalmente com o colega para ter atenção ao som da TV.... E ele reagiu assim:

-"Não, o som não estava assim tão alto, não, não! Nunca ninguém se queixou antes. És a primeira a te queixares. Acho que tens o sono muito leve."

-"Por favor, não leves a mal, só que acordei por volta das 2.30 e depois não consegui voltar a dormecer por causa das vozes. Já ouvi antes, mas uma vez por outra... não faz mal. Só que ontem escutei claramente o que diziam. Eu também penso que por vezes podes estar a escutar o som do video que assisto no youtube, ia para te perguntar sobre isso. Estou sempre a regular para que não fique demasiado alto.".

E a coisa ficou por aqui, porque eu tive de «correr» para o emprego. Fiquei contente, achei que tinha corrido bem. Esta coisa de «chamar a atenção» de alguém para alguma coisa é sempre aborrecido. Não se sabe se a pessoa vai reagir bem ou levar a peito. Eu achei que tinha corrido bem e, nessa noite, ao perceber que ele tomou em atenção o meu pedido, disse a mim mesma: «amanhã faz o favor de agradecer-lhe, porque soube mesmo bem escutar o som do silêncio».



Vai que um pouco antes do meio-dia, oiço-o a sair do quarto, como sempre, e decido deixar que vá ao WC e demais andanças porque não faço o tipo de pessoa que sai disparada e nem deixa a pessoa acabar de acordar, tomar o pequeno almoço, fazer a sua mijinha...  Nisso oiço um bater na minha porta. Quando vou abrir, com gentileza, dou com ele já a descer as escadas. Ele olha para mim e diz:

-"Eu vi-te com a luz acesa esta noite às 2 da manhã e ouvi-te a ires à casa de banho, por isso não me venhas dizer que eu te acordo, tu acordas sozinha porque tens sono leve. Se escutares um ruído em Londres dizes que fui eu. Uma pessoa chega a casa do trabalho e não pode sequer ver televisão? És tu, é aquele (um outro colega), não podemos andar pela casa em bicos de pés"!

E decide não mais descer as escadas, sobe-as e fecha-se na casa de banho, impedindo-me de lhe dar uma resposta mais elaborada. Só consegui dizer-lhe: Eu vinha agradecer-te... (e tu falas-me assim? - pensei). Eu não disse que me acordaste com o som da televisão, disse que eu acordei e não consegui voltar a dormir por causa das vozes vindas do teu quarto. Mas tu levaste a mal... Eu não queria que te chateasses.... 

No final das contas, não estamos a falar de um ruído noturno qualquer... mas um que é constante e se desenrola durante 5 horas consecutivas sempre pela madrugada até às 4 e tal. Altura em que se consegue escutar um alfinete a cair numa pedra e pequenos sons se tornam incomodativos. O de uma televisão a esta hora é exasperante. Principalmente se se repete toda a noite.

Fiquei a matutar na diferença de postura. Enquanto eu contive-me para não dar uns tantos murros na parede para o levar a baixar o som - coisa que ele me contou ter feito uma vez na mesma situação, nem lhe bati à porta pedindo-lhe para que saísse e escutasse o som do lado de fora, nem fui atrás dele assim que ele acordou, a primeira coisa que este fez ao despertar foi partir para o confronto e o conflito. Foi rude na abordagem, esteve a controlar-me durante a noite para usar isso contra mim e nunca abandonou a via do «culpar o outro». Depois virou as costas a um possível entendimento.

Agora vou decorar a casa para a encher do tal espírito Natalício.... 
lol. Será que vai resultar?


Happy Christmas!!