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sábado, 25 de agosto de 2018

Isto é normal?

Homens crescidos e vividos que pedem ajuda para usar um telefone publico.

Pessoas que reservam quartos em hoteis e perguntam como lá chegar.

Pessoas que pedem direccoes quando estao rodeadas de avisos e sinais a explicar para onde seguir.


SE É ISTO  É O RESULTADO DA MODERNIDADE, algo está mal.

A tecnologia parece que nos tornou acomodados e burros.
Incapazes de nos safar sozinhos.
Incapazes até mesmo de ler e interpretar uma sinalização tão simples como "saída".


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Calona, muito calona!

Hoje um outro potencial inquilino veio ver o quarto que vai vagar no final do mês.

A «nova inquilina» vai passar a ser a terceira inquilina. 
E ela tem sido uma decepção.

Não faz a ponta de um corno. Só usa a casa como se fosse um hotel.
Não limpa o forno depois de o deixar sujo.
Não varre umas quaisquer migalhas que tenha deixado cair.
Enche os caixotes de lixo com lixo que acumula no quarto. Mas não os despeja.
Não faz a limpeza!

Que raio. Na vez que lhe coube, primeiro «fingiu» não ter dado conta. No mês seguinte lá limpou - mal, mas eu celebrei o gesto. (ver post). Passado outro mês simplesmente escreveu uma data no calendário dando a limpeza como feita - quando não mexeu uma palha!

Depois foi o que já aqui relatei... 

Aspirou e despejou cestos. Mais nada.

Outro mês passou e amanhã é o último dia que tem para limpar no prazo que lhe cabe. Como a seguir é a semana do que está ausente,  ainda lhe dou esse prazo. Mas sinceramente... tudo nela é pouco motivador.

Está fechada no quarto quase o dia todo. Tenta não deixar os outros perceber se está em casa ou não. Ontem nem sei se entrou ou se já cá estava... Só dei por ela quando tossiu. E ao descer as escadas, deparo-me com isto: 


Papelada que o carteiro atirou para dentro de casa. E eu fiquei naquela... será que a terceira ao entrar em casa não viu isto?? 

De madrugada saí eu para o emprego e, cheia de pressa, simplesmente passei por cima dos ditos. Também o fiz por querer perceber se a calona seria capaz do gesto de vergar a coluna para os apanhar. Já que até é a vez dela de limpar a casa e só lhe ficava bem... não é?

Pois quando regressei às 18h, encontrei a imagem acima.
Não tocou num único papel.
Mas decerto teve de sair de casa... ou já não trabalha??
No mínimo teve de descer as escadas para ir à cozinha comer. E ao ver os papéis no chão não foi capaz de apanhar um!!

Se quando cheguei ela já estava em casa ou fora, até agora não sei. Mas julgo que estava dentro, pois ouvi a porta do quarto abrir, ela descer e depois subir as escadas, após escutar uma batida à porta. Se estava fez-se de morta.... como um rato. É muita imaturidade e infantilidade para mim a esta altura do campeonato. Isso e os oreos... Só imaturidade. A míuda do andar de baixo é capaz de ter a mesma idade que a terceira, mas é muito mais mulher, adulta e responsável. Nem tem comparação.

O pior é que não foi capaz de apanhar as cartas do chão mas para recolher uma encomenda do carteiro à porta... foi a voar!

E a sala?  Coloca amiúde o estendal em frente da TV... e faz duas semanas que depositou roupa por toda a sala - inclusive mesa e cadeiras e não há meio de a recolher! Aquilo parece um armazém de entulho.


Estou muito pouco optimista e creio que a minha intuição inicial estava cheia de razão. 
Calona. Indiscutivelmente calona.

Eu jamais escolheria para morar cá uma miúda que não sei porque razão saiu da casa onde estava... Cá para mim saiu escorraçada por outras da sua idade que não suportaram a sua inércia e descaramento. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Rajadas de vento que abrem portas


A porta estava aberta. E então eu vi. Vi o interior do quarto da «nova» colega de casa.
Ela é simpática. Muito simpática. Bonita, carismática, parece descomplicada...


Mas deconfio que descomplicada ao ponto de ser desleixada...

Hoje entra a SEMANA de ser ela a limpar a casa.
Quero só ver se vai mexer um dedo - já que não mexeu da outra vez.

Mas diante DISTO...
Que vos parece?




PS: aqui chove sem parar e tem estado muito vento. Todas as portas e janelas da casa batem com a ventania, por mais que se tende impedir, fechando-as bem fechadas. A porta do quarto da mais recente inquilina é das que mal fecha. E foi o vento que a abriu, escancaradamente. Se comigo, de porta bem fechada e apenas uma frecha da janela aberta, acontecia as persianas abanarem violentamente e a janela se abrir na totalidade - então numa porta de fecho "solto"... Tudo fica exposto. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Uma geração comprometida


Conheci esta jovem no emprego, 23 anos.
Pareceu simpática, de início. contou-me que a tatuagem de uma borboleta que tem no pulso representa a independência que atingiu aos 18 anos. (vão perceber que existe grande ironia nisto). Agora noto-lhe traços de algo que não me agrada muito.

Mas o mais importante e o que me leva a escrever sobre ela, foi uma conversa que tentamos ter hoje, durante a pausar de 15m a que temos direito. Perguntou-me ela (aliás, metralhou-me) há quanto tempo estava no país. Depois perguntou se vou cá ficar. E depois perguntou se não volto para o meu país. O interrogatório continuou com questões como «lá não há reforma?» e «não têm benefícios?». «Por exemplo, podes alegar que tens uma limitação de saúde e pagam-te um benefício?». 

Depois fez-me muitas perguntas sobre o estar a viver cá. "Gostas de dividir casa com outras pessoas?". "E em Portugal não dá?". "Como consegues pagar as contas?". Respondi-lhe, espantada: 
- "Trabalho. Ganho dinheiro." 
- "Eu também trabalho mas o dinheiro não me chega. Passei quatro dias em Londres e gastei-o todo".
- "Tens de controlar os teus gastos".

Ela responde-me que sempre gastou o dinheiro assim e eu volto a dizer-lhe que precisa de o gerir melhor. Ela responde-me que não. Ela vive com os pais, com casa em Londres, disse-me que paga apenas 50 libras por semana à mãe, mas não paga contas da luz, água, gás, internet ou a comida que come. E mesmo assim o dinheiro que ganha - o mesmo que eu, não lhe chega.

E é aqui que entra a «melhor» parte. Eu digo-lhe que não pode gastar mais do que tem e ela responde: 
- "Ai isso é que posso. O meu pai deu-me um cartão de débito e posso gastar mais do que tenho". 
-  "Mas não podes estar a contar com os teus pais para o teu sustento, eles não duram para sempre".
- " Não tenho de me preocupar. Os meus pais vão durar pelo menos mais 40 anos. Até lá..."

Os meus olhos abrem mais do que o seu tamanho normal. Ela tinha mesmo acabado de dizer com normalidade que contava explorar economicamente os pais por mais 40 anos??

-" É sério. Os meus pais ainda são novos. A minha mãe tem 45 anos. Vai viver pelo menos mais uns 40."
- "Sim, tomara mas... nunca se sabe. Não podes estar a contar com a ajuda deles".
- "Mas eles vão durar pelo menos 40 anos ou mais. A minha avó morreu com 101 anos, por isso..."

POBRES PAIS...
Sim, porque se por acaso forem ricos, vão ficar pobres num instante. Se é que já não estão. Têm uma filha que conta com a ajuda financeira deles por mais de 40 anos... A naturalidade com que ela disse esperar que os pais a sustentem, a forma como falou do cartão de débito dado pelo pai. Como se fosse algo comum como um pacote de pastilhas, como se pudesse realmente gastar o que lhe apetecesse. 

É ESTE TIPO DE mentalidade britânica que me faz temer o futuro deste país. Eu até lhe disse que, daqui a uns anos, se não controlar os seus gastos, depois vai ser uma daquelas pessoas velhotas que refila: "Malditos emigrantes, vêm para aqui roubar empregos!". 
-" Ah, não. Eu não sou assim" - diz ela.

Mas vai ser. Muitos deles estão a caminhar para isso. O Brexit é só a ponta do iceberg. E o resto vai aparecer daqui a muitos anos.



É que os jovens que conheci não demostram nenhuma simpatia por continuar os estudos. Dizem sempre que é muito caro - e pode até ser. Mas também oiço que o Estado ajuda. Depois ficas a pagar um «x» consoante o ordenado que ganhares. Os emigrantes aproveitam isto. Os nativos não.

Isto vai resultar numa inversão de poderes. Que já existe, aliás. Ou seja: vêm emigrantes tanto para trabalhar, quanto para estudar e conseguir melhores empregos. Já os ingleses, estão a deixar as escolas, não querem prosseguir os estudos alegando «o preço» e contam em gastar dinheiro que não têm.

Estão muito acomodados. Nasceram com tudo de mão beijada e sem que lhes seja exigido muitas responsabilidades - pelo menos é essa a vibração que sinto das pessoas jovens com que me cruzei. Não todas, felizmente, mas de uma forma generalizada.

Esta rapariga tirou um curso superior - disso-mo, quando lhe tentei explicar que tinha percebido que poucos jovens gostam de prosseguir os estudos. E se tirou, decerto que não foi para trabalhar onde está agora. Portanto já posso presumir que os pais - cansados dos seus gastos e frustados por os estudos pelos quais pagaram não resultarem em emprego remunerado - impuseram que ganhasse algum dinheiro. Mas se já a mimaram de outras formas e ainda lhe permitem que gaste tudo o que tem e mantêm um cartão de débito - então... qualquer tentativa poderá já vir tarde.


Sabem o que mais me chocou ver aqui no UK?
Um toddler. Sabem o que é um toddler? É a expressão que eles têm para designar uma criança que mal começou a andar. Estava esta criança a ser empurrada num carrinho de bebé, no jardim. E pergunta ela à mãe: "Where's my money?" "Mommy, I want my money", "Mummy, money!" "My money".
O rapaz procurava alguma moeda que lhe terão dado para as mãos. Dinheiro. Que deixou escorregar algures para o carrinho. Mas a forma como se fixou no dinheiro e o pronome possessivo... Fiquei chocada. A mãe, de início, ainda lhe respondeu: "O dinheiro está aí contigo". Mas à medida que a criança insistiu que o queria, a mãe ignorou-o. Como se tivesse adivinhado a minha surpresa. Eu preferia ter escutado a criança a pedir à mãe um brinquedo ou um boneco de peluche que tivesse deixado escorregar. Agora... dinheiro??

Se começar assim tão cedo, este facilitismo em receber dinheiro e o valorizar, então o UK terá, decerto, um grande iceberg debaixo das águas serenas... E a salvação está, mais uma vez, nos emigrantes.


É que as barreiras, criamos-nas nós.
O mundo é um só.
E estas gerações jovens do UK, não passaram por uma guerra, algumas sempre viveram em facilitismos, sem lhes exigirem que trabalhassem ou ganhassem responsabilidades em troca de terem tudo o que querem. Vão continuar a querer ser tratados de forma beneficiada e não vão ser. Vão alegar algum problema de saúde para viverem de benefícios do estado. E quem vai trabalhar? Os emigrantes :P

E a jovem que tatuou uma borboleta para representar a sua independência... precisou que os pais lha pagassem. Como ainda pagam muita coisa. Grande noção independência.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Aquele músculo que não cansa

No trabalho tenho diversas colegas que estão o tempo todo a conversar e a reclamar de tudo e de todos. Cheguei a casa estourada, fisicamente cansada, com dores no corpo e nos músculos, como se tivesse trabalhado já uma semana inteira. Nisto percebi que o único músculo que elas realmente exercitam é este: