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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Conheçam esta sanita

 Apresento-vos a sanita cá de casa.



Como podem perceber, é de louça branca, fica num espaço apertadinho e esta acompanhada de um balde pela esquerda e por um piaçá à direita.

Deixem-me perguntar-vos já: COMO é que voces se sentam numa sanita?


Esta pode parecer uma pergunta estranha, não é? Confesso que jamais pensei que ia questionar-me sobre formas de nos sentarmos numa sanita. Parece-me evidente que so há uma: sentamos-nos pelo lado mais estreito, com as costas viradas para o autoclismo.

Foi assim que nos ensinaram e é assim que transmitimos às crianças, quando atingem tamanho suficiente e conseguem usar os braços para se equilibrar no tampo. Existem inúmeras imagens elucidativas, imagens de stock, ilustrações de pessoas a usar esse utensílio e não encontro uma que mostre diferente. 

Pois descobri que nem todos fazem assim. De inicio nem entendi porquê a M. teimava em empurrar o piaçá para detrás da sanita, inclinado, quase debaixo da tubagem. É que não é nada fácil chegar a ele. Aquilo irritava-me. Até latas vazias de ambientador ela colocava em frente do piaçá, como se este utensílio fosse de utilizado com pouca frequência. O braço mal tem espaço para se enfiar na abertura e tem de se esticar todo, roçando na tabua e sanita, o que não é muito higiénico. 

A minha vontade era remover o BALDE. Esse sim, acho que está mal posicionado e não é de uso frequente. Eu nem o uso. É todo dela. Onde está situado, estou sempre a dar-lhe pontapés. Quando uma pessoa se posiciona para se aliviar, o pé encontra ali um desagradável obstáculo. E ela sempre a empurrar este mais para a frente. 

Um dia ela me pergunta se sou eu (claro que sabe que sou eu) que reposiciona o piaçá e eu respondo-lhe que sim. Ela recrimina-me e diz:
-"Quando eu me sento aquilo está ali, não deixa espaço para colocar o pé. Não o quero ali, não é para estar ali".

O meu cérebro leva tempo a processar a sua justificação. O piaçá? Mas nem se toca nele! O balde sim, é um incómodo, um distúrbio. Nisto percebo que ela disse que se senta e bate com o perna nele. Para isso acontecer só pode ser porque se senta de lado!!

Fiquei um pouco surpresa. Nunca na vida conheci alguém que usa uma sanita de lado. Mas logo explicou muita coisa: os salpicos de defecação sempre posicionados na lateral esquerda, por vezes até alcançando a parede. A mentruação dela, sempre a pingar de um lado da tábua. Passei a entender melhor o estado lamentável de certas coisas pela esta sua inadvertência. Me espanta que ela julgasse que eu soubesse que era assim que se sentava na sanita. Como se fosse natural. 

Pensei: deve ser por o espaço ser pequeno. Mas não. É mais porque ela é espaçosa. Precisa de ter muito espaço para si e acha que usar a sanita de forma apropriada não lhe confere isso. Até hoje tenho de "lutar" com aquele balde e puxar o piaçá do fundo da parede, cada vez que preciso de o usar. O que pode ser mais que uma vez por dia. 

Já tinha ouvido falar das sanitas para agachar - até me parece uma coisa positiva que gostaria de usar. Os orientais têm buracos no chão a fazer de sanita. Parece que a posição de agachar vai mais de acordo com o que a natureza do nosso corpo. A invenção da sanita veio contrariar essa natureza, proporcionando mais conforto e também mais higiene. Contudo, desde que foi inventada - lá pelo século XXVI, pelos vistos - a malandra tem sempre sido usada da MESMA MANEIRA. Senta-se sempre com as costas viradas para a descarga. Não há outra forma. 

Só mesmo a M. para ser inconveniente até nisso.  


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Porquê nos cruzamos?

 

Se todas as pessoas que cruzam o nosso caminho são colocadas nele para nos ensinar a grande lição que não estamos a aprender, porquê tantas ruizinhas cruzaram o meu caminho? Porquê, por exemplo, tive de passar por aquele episódio de ver alguém "eclipsar-se" quando nada o indicava, pelo contrário?

Recordo que essa pessoa afirmava peremptoriamente que não queria saber da maioria das pessoas. Que cortava radicalmente com todas assim que não gostava de algo ou as circunstâncias já não estipulassem que interagissem. Censurei-a pela leviandade do gesto. Principalmente porque muitas vezes é do equívoco que se cortam laços. O que nos torna responsáveis, culpados pelo sofrimento alheio. Deve-se sentir amor pelo próximo e dar às pessoas todas as oportunidades e mais algumas. 


Então porquê colocam-se no meu caminho pessoas que me fazem mal ao espírito, à alma? Pessoas que me tiram o sossego e tranquilidade que carrego?

Por vezes percebo que tudo o que aprendi a este respeito, parece estar super errado. 
Não sou eu e todos nós que tentamos seguir a vida com amor ao próximo que estamos correctos. O único amor que se deve seguir é o amor próprio. Ou, pelo menos, não perder nunca o amor próprio. O que é muito difícil quando rodeados de pessoas que vivem a nos reduzir a insignificâncias e nos maltratam.

É esta a lição que teimo em não aprender?

Descartar pessoas, deixar de me importar tanto com as mesmas. Parar de ser tão ingénua (se possível fosse!!) quanto à natureza humana, para de ignorar a tendência para a mentira e manipulação, aprender a atacar, a ferir, a colocar barreiras defensivas com sinais de perigo - para que a fortificação assuste o inimigo e o faça repensar em fazer investidas. 

Não são todos que interessam. Só alguns.

Lições que, se calhar, muitos aprendem bem cedo e que eu talvez, um dia, ainda aprenda. 

A minha lição é não me ralar com pessoas que não acrescentam nada a mim. Só tiram. É ignorar os que me magoam e não me ralar nada nada com isso. É fazer o que aquela pessoa me fez. Para isso é que ela cruzou a minha vida. 

 

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

A "coisa"


Ainda tenho momentos em que penso... nele. (vou passar a designar "a coisa"). Este é um tema que para mim está eliminado. Mas decidi fazer este post. Porque as situações são cíclicas e a aprendizagem é constante. É nisso que penso: que aprendizagem tinha de tirar daquilo pelo que passei?
Comecei num novo emprego. O colega que apanhei lá, revelou-se inconveniente, preguiçoso e desagradável. Daqueles que não sabe trabalhar com uma mulher, porque só vê a mulher, que considera menos capaz, não vê uma colega. Fez e disse-me coisas inadequadas, como por exemplo: "Viste como trabalhas-te hoje? Isto não é para ti, acho que devias ir trabalhar para outro lugar". 

Tudo o que preciso para estar bem é trabalhar num ambiente simpático. Tão simples quanto isso. Aquele parece-me um bom lugar para tal mas este indivíduo fez com que me sentisse mal ao  rebaixar o meu trabalho. Na sexta-feira mal podia esperar para o dia terminar! 

Nesse instante em que constatei que não ia gostar de trabalhar com aquela pessoa, o contraste fez-me recordar e senti falta "dele". Cheguei a chorar. 

Voltei a rezar, a oração do costume: "por favor, afasta de mim tudo o que é má pessoa. Não eu delas se eu estiver onde quero estar. Mas elas de mim. Traz-me só pessoas boas". 


E não é que, na segunda-feira, o indivíduo tinha sido demitido? Mentalizei-me que teria de voltar a trabalhar com ele, tomei a decisão de manter qualquer conversa para o mínimo e tentar fazer tarefas em separado. Mas quando chego, ele não está e quando pergunto pelo seu paradeiro, é quando me informam que ele "não vai mais regressar" porque "não o quiseram". 

Fiquei em choque! Ele estava convicto que ia ficar ali e lhe iam propor um contrato! Mantive-me em silêncio, por dentro e por fora. Não estou livre de sofrer do mesmo destino e não sou de me deleitar com a desgraça alheia. 

Sexta-feira, o chefe apanhou-o sentado, sem fazer nenhum, a enviar mensagens no telemóvel. Talvez tenha sido esse o motivo junto com outras circunstâncias que desconheço. Depois do flagrante, vi-o trabalhar a sério, pela primeira vez. Sem parar para fazer as suas pausas espontâneas. Ao contrário de todos, que à sexta-feira abrandam um pouco, ele andou parado a semana inteira e deu-lhe "gás" só na sexta. Quase como se quisesse me provar que era melhor que eu. Sempre a dar-me ordens e a desfazer o que fazia. 

Até com a hora da pausa teve de discordar comigo. Quando lhe digo que achava que era hora para o intervalo, responde-me que faltavam 15m. Estaria equivocada? Disse-lhe que tinha tirado uma fotografia ao papel que indicava essa informação e fui procurá-la no telemóvel. A fotografia confirmou a minha impressão. Mesmo assim ele responde-me que estou errada, que o papel correcto é outro. 

Fui confirmar e vi que todos os colegas tinham desaparecido dos postos de trabalho. Disse-lhe isso mas ele tinha sempre de ter razão. E por isso não me acompanhou na pausa. Decidiu tirar a sua quando todos foram trabalhar. 

Seja qual for o motivo da decisão de o demitirem, sei que foi a decisão acertada. Ele não era a pessoa adequada para aquela função porque, a cada oportunidade, tentava não fazer nenhum. Não sabia comunicar e dava-me ordens, tendo apenas mais cinco dias na empresa que eu. Foi uma surpresa sabê-lo dispensado, porque parecia integrado, bajulava um a um e todos pareciam gostar dele. Mas pelo que percebi dele como trabalhador, não foi surpresa de todo. Foi a decisão certa. 


Apareceu logo outro para o substituir. Um homem de certa idade, cabelos grisalhos, aparência meio "aparvalhado", com ar de sofrer de algum défice mental. Não sou pessoa de julgar pela aparência, nem de diminuir ninguém por deficiências que julgo poderem ter. Um colega que gostava  bastante do que foi-demitido, logo abriu os olhos em espanto e reprovação ao ver o aspecto do "novo". Mas eu tratei-o bem, como faço com todos. Principalmente se parecerem começar em desvantagem. Tentei facilitar-lhe a vida, enturmando-o dentro da medida do possível, sendo simpática e explicando-lhe os procedimentos, sem nunca lhe dizer o que devia fazer ou dar ordens. Dei sugestões, conselhos e disse-lhe que ia encontrar o sua própria maneira de fazer melhor as coisas, com tempo. Também lhe disse que "aprendia depressa". Dei apoio. Acho que é a forma certa de proceder com quem quer que seja. 

Sei que ele estava em desvantagem pelo ar deficiente que transmite. Mas eu também podia estar em perigo. Caso ele estivesse ali para me substituir e fosse daquelas pessoas que são um touro a trabalhar. Ainda assim, não o sabotei. Não faz o meu género. Partilhei tudo o que sabia com ele. Tratando a pessoa bem, criando uma camaradagem, até o colega que olhou para ele com ar de reprovação já o estava a aceitar melhor no final. 


Trabalhamos os três conjuntamente, em perfeita harmonia, sem conflitos ou desentendimentos. E produzimos bastante. Fiquei a sentir-me bastante feliz. Prefiro uma pessoa assim, do que uma como a que estava lá. Este também não gosta muito de trabalhar, noto que não gosta de fazer esforços e é de queixumes. Daqueles que desiste com pouco. Mas vendo a atmosfera favorável em que foi parar, não fez corpo mole. Teve um primeiro dia excelente. Se não tivesse, amanhã seria dispensado. Agora só não pode é pisar no risco. 

Porque é que estou a relatar isto?

Porque foi assim que lidei com a "coisa", quando apareceu para substituir um colega. Tal e qual, uma situação de cópia autêntica! Parece cíclico, caramba!!

Estou a tentar perceber que lições tenho de tirar desta "repetição de história". É que não é só a forma como tratei bem o recém-chegado, que é idêntica à maneira como tratei o anterior recém-chegado. É também a preocupação que demonstrei. Caramba! Isso foi o que me fez recordar como começou a minha história com o "coisa". 

O recém-chegado não levou comida. Disse-lhe que tinha croissants e dava-lhos, para que não ficasse de estômago vazio. Partilhei os croissants e também parte da minha refeição com ele. Fez-me confusão que ele ficasse a trabalhar o dia inteiro sem comer.

Sabem como foi com a "coisa"? Comecei a aproximar-me do "coisa" por essa mesma razão. Idêntica! Disse-me que não comia. Aquilo chocou-me. Preocupou-me. A sua teimosia em não comer também surpreendeu-me. Tentei entender. 

Foi assim que TUDO começou. Comigo preocupada com o bem-estar de uma pessoa que se recusava a comer enquanto executava trabalho duro e pesado. Como posso «esquecer» ou melhor, não recordar, se as situações se repetem?


Tantos homens por aí... muitos a tentarem aproximarem-se de mim, com segundas intenções... E nenhum me disse coisa alguma. Cheguei a temer só me ter apaixonado pela "coisa" por este ser jovem. Será que tenho algum assunto mal resolvido? Será que só olho para rapazolas, esquecendo-me que a minha juventude passou?

São coisas que me passaram pela cabeça. Mas ao perceber a minha atitude e comportamento diante da mesma situação, mas com uma pessoa de outra idade, de outro tipo, percebi que eu não mudei nada. Sou a mesma. Agi igual. A mesma simpatia, mesma afabilidade, mesma disponibilidade para ajudar, com um toque de discrição. A diferença de idades não influencia o meu comportamento. 

O "coisa" honrou esta minha postura cortando-me da sua vida com um súbito silêncio sepulcral. E isso feriu. Mais que uma paixonite que podia ou não ser correspondida, situação que eu própria já tinha riscado da minha vida por isso pouco me incomodaria se fosse ou não, o desprezo dado à pessoa que lhe fez bem, que o acolheu e o fez sentir-se feliz, magoou. Era bordoada vinda de todos os lados. A dele foi a derradeira, que me fez questionar se a minha essência como pessoa tinha valor.


Aconselhei várias vezes este novo colega a trazer comida no dia seguinte. Respondeu que não. Bastava-lhe jantar quando saísse do emprego.

Não podia ter dito a frase mais copiosamente. 
Foi tal e qual "o coisa".

Como já passei por esta situação antes, não pretendo insistir. Ainda mais com um homem feito. Um rapazola... ainda vá lá. Mas um homem que já deve saber o B-A-BÁ... 

Também não vou estar sempre a partilhar a minha comida. Bem que a aceitou e devorou com deleite. Pude perceber que até a desejava, quando me viu a comer. As batatas fritas, o frango, os croissants...

A empresa não vende comida, Nem sequer tem máquinas. Há um supermercado a uns 8 minutos de distância, mas pelo que percebi o homem não faz o género de se alimentar, ponto final. 

Se tenho que aprender uma lição com esta repetição kármica, é não me preocupar com esta decisão aparentemente insensata. O homem é crescido, eu não sou mãe dele. 

Esta "repetição" serviu para eu perceber que a atracção que senti não surgiu das circunstâncias, nem da aparência jovem da "coisa" (que nem era bem afeiçoado, pelo contrário, mas aos meus olhos era). Foi mesmo o conteúdo que ali encontrei (ou julguei encontrar) que me fez desenvolver sentimentos tão fortes pelo desgraçado. Não foi a sua juventude. Ainda bem que fiz esta descoberta.

"Gamei" no crápula. Gostei tanto, que só lhe desejei coisas boas. Para infelicidade minha e total desorientação dos sentidos. Mesmo depois de tudo. Desejei que encontrasse alguém que o fizesse hiper feliz. Desejei poder observar espiritualmente as descobertas fantásticas que intuí no seu caminho. Como sei que já não gosto dele? (bom... tenho recaídas... faz parte, ainda mais por a coisa ter ficado no superlativo muito mal resolvido). Sei  que parei de gostar porque comecei a querer que sofra. E antes não queria tal coisa.

A sua toxidade continua a espantar-me. Passei o dia inteiro mal. Com o mal dele dentro de mim. Bem que me disse que era uma pessoa tóxica. Que se descartava das outras com total indiferença e sem voltar a pensar nelas uma vez que seja. Ele disse... eu... não esperava. Não dei motivos. Não é suposto fazer-se isto apenas com fortes motivos?

Para mim o seu veneno foi super poderoso.
Senti esse veneno a consumir-me o dia inteiro.

Mas se existe Karma, o veneno vai acabar por regressar a ele. E vai levar o meu rosto no selo do "envelope".


Tenham uma boa semana e tratem-se bem!

Feliz ano do "rato".



sábado, 24 de agosto de 2019

Ciclos?


Há uns anos, ele tinha 28 e eu oito mais. Achei que a diferença era grande para aceitar o seu interesse por mim. Tivesse ele insistido e não tivesse aceite os argumentos para a minha nega e talvez eu tivesse acabado por ver as coisas por outra perspectiva e mudado de ideias. Mas ele aceitou e uma série de contratempos fez o resto.

Hoje, com essa lembrança a vir ao de cima, só pude soltar umas boas gargalhadas!

Desta vez ele é ainda mais novo. Tem 25 e eu mais uns tantos que os oito de então.

O reflexo que o espelho me devolve e a forma como vejo o meu corpo mudar e a dar sinais de idade é que me mantém ligada à terra. Essa é a verdadeira questão que nos assusta.


domingo, 26 de maio de 2019

Aprendizado e exame final: aprovado ou reprovado?


Acho que não fiz bom uso desta vida. E por isso vou reencarnar. Deus vai voltar a enviar-me para esta jaula, bolas! Mas da próxima não vou calhar aqui nem vou sair do mesmo molde... Tenho cá para mim que vou nascer num lugar pobre e árido. Como consequência e também por predisposição, vou ser uma pessoa selvagem, fazer poucas e boas, dizer tudo o que me apetecer, insultar, agredir, machucar e até matar. Não se metam comigo... Na próxima reencarnação.


sábado, 3 de março de 2018

Um livro, três frases


A semana passada terminei de ler um livro um tanto ruim e aborrecido. Como gosto de histórias de investigação, acabo sempre por dar uma oportunidade de leitura, mesmo tendo percebido na primeira página que era enfadonha e mal escrita. Não querendo ser precipitada, dei uma oportunidade aos esforços do autor e continuei a ler, determinada a ir até ao fim. Tinha esperança de, mais adiante, ser surpreendida com brilhantismo no enredo e nas personagens, história verosímil apresentada numa escrita dinâmica e bem articulada. Não aconteceu. 

Contudo, entre tantas palavras, sempre se descobre umas com que nos identificamos ou que, naquele preciso instante, nos diz alguma coisa. 

"Quando menos se diz, mais depressa se emenda"
"Manter tudo fechado dentro de nós não funciona"
"São as palavras não faladas que causam estragos
"

Encontrei este livro no aeroporto (foi abandonado propositadamente e assim que o comecei a ler entendi porquê) e soube de imediato o que queria fazer com ele: lê-lo rapidamente para voltar a deixá-lo num lugar público. Pretendia escrever uma nota nas primeiras páginas, contando que encontrei o livro, li-o e agora disponibilizava-o ao próximo, para que fizesse o mesmo. 

Acabei por deixá-lo dentro de um autocarro. O lugar ideal, se for a pensar bem. Só tive tempo - às pressas porque tinha chegado à minha paragem - de escrever "achei este livro, é seu, espero que goste". Faltou mencionar que a ideia era quem o encontrasse devia fazer o mesmo. E datei a nota.

O prazer está em imaginar o livro a circular livremente, tal e qual um turista, entre muitas mãos e  muitos lugares do mundo, a servir para matar o tempo de alguém aborrecido ou a precisar de uma leitura.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Assédios, inércias e oportunismo


Tanta coisa para... desabafar.

O indivíduo já saiu de casa. Mas ainda pode exercer direitos de propriedade. Descobri através da senhoria que amanhã a colega de baixo vai trazer um «friend» para ver o quarto. Não sei porquê, mas já tinha pensado que ela ia fazer exatamente isso. É o meu dedinho de adivinhação. 


Mas também vos digo: se esta atmosfera de «cada um fechado no seu quarto», que não implantei e sinto que fui forçada a seguir continuar quando aparecer o  novo ocupante do quarto - então acho que vou parar de pensar sempre mais nos outros do que em mim. Por exemplo: tenho fome não vou comer porque é tarde e não quero fazer barulho. Quando chego de madrugada não tomo banho para não fazer barulho... Não cozinho nunca porque há sempre alguém que cozinha sempre. Já chega. 


O chato vai ser se a rapariga - que parece continuar a evitar-me (mas porquê, que raio??) cá meter um amigo/a e depois dois unidos mas separados dos outros é sempre algo chato. Um encoberta o outro, torna-se os olhos e ouvidos para o outro e temo que ao invés de uma atmosfera mais leve e de convívio venha a existir outra sobrecarregada de vigilância. 

No emprego...
No emprego tenho tido horas difíceis. Não pela função, mas pelos colegas.  Um em particular, que está sempre a tentar me deixar mal vista. Ele não cessa nunca. Todos nós somos vulneráveis ao erro. Mas os dos outros são invisíveis. Os meus são criados, imaginados e inventados. Dois meses disto e já estou a ficar nervosa, ansiosa... tudo cá para dentro. Hoje era suposto estar a dividir a minha tarefa com outra pessoa - duas para a mesma função é agradável - aligeira um pouco a carga. Mas qual quê! Então não é que o rapaz não fez nenhum?? De tudo o que podia fazer - escolheu não fazer nada. Ficou mais tempo a passear pelo espaço, a falar sobre o seu jogo de futebol e a conversar com o tal que me quer deixar mal vista que a trabalhar. Depois chegou o gerente e, para meu espanto, o rapaz conversou também com este! Depois chegou a gerente-chefe que ali ficou a tratar de umas coisas e pareceu alienar-se para a inércia do rapaz. E eu que a julgava sagaz. Costuma estar quase sempre de uma forma simpática a chamar a atenção daqueles que já estão no «faz nenhum» por demasiado tempo.


sexta-feira, 28 de março de 2014

A extraordinária inteligência infantil

Como é possível que uma criança de 21 meses que gosta de automóveis ao ver passar um carro preto reconheça o modelo? 


É verdade. Estava com uma ao colo enquanto alguns carros pretos passavam. Nisto passa um que é o exato modelo do carro da progenitora e a criança aponta e diz: «mãe». Quando olhei só tive tempo de reparar na retaguarda e perceber que se tratava do mesmo modelo sim. Mas como a criança o percebeu muito antes de mim e entre outros carros pretos isso é que é fascinante!


Ah, e ainda não contei como é que esta criança se comporta quando segura um telemóvel. Pois não é preciso muito para adivinhar... parece que sabe mexer melhor neles do que eu! E aqui a sua inteligência também se destaca pela extraordinária capacidade de diferenciação. Se nas mãos segurar um telemóvel de última geração, a criança passa o dedo pelo ecran táctil. E vê as imagens a mudar. Se for dos antigos, carrega nos botões e sem se enganar na direcção (é surpreendente). Não coloca o telemóvel ao contrário e leva-o ao ouvido.

Conhecem os desenhos Pocoyo? Pois a criança estava a vê-los quando o narrador pergunta: "Sabem a quem é que o Pocoyo pode pedir ajuda?"
Subitamente a criança responde: «Pato». Nitidamente e bem pronunciado.

Quase diria que não estava a prestar muita atenção à história pois não para quieta mais que uns breves segundos mas aqui reside o fascínio que nutro por crianças. São esponjas que absorvem tudo com uma extraordinária e invejável capacidade. Diria até que seus cérebros são aptos de registar audio e video como se uma câmara se tratasse. E é isto, exatamente isto que mais me fascina em tudo o que diz respeito ao surgimento de uma nova vida. É esta capacidade progressiva, rápida e surpreendente para assimilar e aprender. E ao mesmo tempo que são assim, são também frágeis, se não estivermos por perto a cuidar e a prestar atenção podem magoar-se a sério e também, mesmo diante de toda esta extraordinária capacidade, há tanto que ainda não sabem. Há tanto que desconhecem. 


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Minha avó e sua geração - parte dois

!A Voz da Saudade", é uma espécie de reportagem/documentário a passar na RTP que fala sobre Maria Estefania Anacoreta, do Movimento Nacional Feminino, que em 1966 foi para as regiões de ultramar levar até os soldados mensagens gravadas em fita dos familiares que deixaram para trás. Foi comunicar as saudades de mãe, pai, irmãos, primos, avós, foi reforçar o amor de namoradas, foi comunicar a alguém que havia sido pai. Enfim, uma história bonita de um passado que não sendo tão distante assim parece estar a anos-luz do conhecimento da geração seguinte e até mesmo de alguns que o viveram.

É a beleza dos meios audio-visuais. Eles preservam uma determinada altura do tempo, "congelam-a" e trazem as emoções todas de volta. Isso é muito emotivo. Trazer "de volta" a voz dos que já morreram. Recordando quem foram, o seu calor, a sua vida.

Mas apeteceu-me vir escrever sobre isto porque ao deparar no zapping com a ida da senhora a um almoço de confraternização com um dos batalhões ao qual levou notícias no passado, percebe-se de imediato que chega e toma conta da situação. Que é vibrante, alegre, determinada, dona de si, animada e atrevida, o que os americanos dizem "sassy". E bem disposta. No sentido de que, a pesar de terem vivido em tempo de guerra, de perda, morte, de terem sofrido e envelhecido, a postura diante da vida é optimista. Não têm o pessimismo que parece existir agora. É guerreira. Faz por pensar positivo. No mater what.

E é isto que me impressiona. É isto que admiro nesta geração. Algo inteligível, que ainda não sei precisar com poucas palavras, mas que identifico com facilidade. E tudo isto fez-me lembrar minha avó. Ela era diferente desta senhora, mas ao mesmo tempo muito igual. Parecida na idade, parecida na energia e na afabilidade. Diferente na formação, no tipo de vida. Mas parecidas. Jamais vou esquecer que uma familiar definiu minha avó como "arisca". E acho que lhe cai tão bem! Só conheci minha avó, naturalmente, já avó. Não sei quem era como jovem. Quem era como pessoa e mulher. Só posso imaginar quem deve ter sido com a minha idade. Mas conheci-a bem como avó, e a pessoa que era como avó, como vizinha, como esposa. E já velhota, sem memória, ela continuava a ser muito ela. Tinha o mesmo brilho no olhar, o tal olhar que meu avô emocionado uma vez me confidenciou ser "muito bonito". Mantinha o seu espírito vivaço e bem disposto. Em consciência não queria perder-se em amarguras e tristezas. Recusava-se. Queria mexer-se, ser activa, sair de casa. Os maus momentos não eram negados mas também não era para se pensar muito neles.

Simplesmente acho que existe algo a aprender aqui. Algo que não vai existir na geração que agora envelhece. Acho que vamos ser uns velhos desinteressantes, tristes e amargurados. Muito "abraçados" às perdas. E eles, que realmente perderam tanto, filhos e possibilidade de uma vida melhor, não o fizeram.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Hoje passei por um local pelo qual já não passava há bastante anos. Olhei para aquela vastidão de verde e pareceu-me que eu estava ali, com os meus jeans e t-shirt preta, e com 16 anos. Então me perguntei, consciente do abandono e da crise à minha volta, olhando para os agora jovens que ali estavam a planear o futuro, o que diria a mim mesma se me encontrasse frente a frente comigo mesma com 16 anos. O que é que esta trintona diria à jovem?


- "Foge! Segue o que sentes. Faz o que te apetece. Emigra para teres futuro. Afasta-te de quem te faz mal. Não acredites nos que te prendem".


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Uma das coisas que faria ao ganhar o Euromilhões... (parte 1 de muitas ehehehe!)

Seria ter aulas para aprender a tocar piano.
Não quero ser uma grande pianista nem fazer carreira, bastava-me poder expressar algum sentimento através das teclas musicais, ao invés destas teclas de computador que utilizo agora. Ficaria contente se conseguisse tocar algumas peças, só para mim, só porque sinto vontade...



O que acham?
Uma pessoa adulta ainda pode aprender este ofício ou "burro velho não aprende línguas"?