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quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Livro a preço de vários colares em ouro

 

Tenho a certeza que nem Maria Magalhães ou Isabel Alçada ganharam este valor na venda de um único exemplar:


Estão a ver quanto pedem? Por um livro que nem é novo no seu estado, mas USADO???

O descaramento das pessoas não para de me surpreender. Mas que o façam online na venda de produtos como este exemplifica, tira-me do sério. Cheguei a ver rolos de papel higiénico vazios à venda por uma fortuna! Isto antes do Covid, supostamente para "trabalhos manuais". Como se fosse produto de recurso difícil, quando na realidade está disponível ao final do dia em todas as casas-de-banho deste mundo.

Vocês dariam o valor pedido pelo livro? Cento e setenta e um euros e quinze cêntimos? Será que as costuras, a tinta de impressão e os restantes materiais usados na sua produção são feitos de ouro? 


PS1: Aos 11 anos ganhei um prémio de literatura na escola cujo prémio foi anunciado como "muito bom" mas era também uma "surpresa". Na cerimónia de atribuição receberam-se livros da colecção "Uma aventura", de Isabel Alçada e Maria Magalhães (autoras da obra vendida acima). Pormenor: uma delas tinha sido ou ainda era professora naquela escola. Qual não sei, porque não foi na minha turma. Ou seja: os livros não foram uma despesa para os cofres da escola, foram obtidos gratuitamente. Esperava, no mínimo, um autógrafo, para que ficassem valorizados e marcassem a ocasião. Veio com um carimbo preenchido com dados pessoais mas não pareceu nem especial, nem carinhoso, nem nada. Os prémios para os três primeiros qualificados foram livros "Uma aventura". Só variou na quantia recebida. 


PS2: Disseram-me que o primeiro prémio (que não foi o meu) foi atribuído a um rapaz por nepotismo e que nem tinha sido ele a escrever o texto, teve ajuda da sua mãe, que era professora ou algo do género. Mas o que mais gostei de ouvir foi o rapaz que mo disse, ter-me reconhecido dessa ocasião - e eu nunca tinha lhe colocado a vista em cima. Reconheceu-me mas não mo admitiu logo. Tornamos-mos colegas de turma no ano seguinte e ele nada me disse sobre o impacto que o meu poema teve na sua pessoa. Guardou isso para si e só quando nos tornamos mais próximos é que me disse que ele e outros tinham gostado muito mais do meu poema e que eu devia ter ganho o primeiro prémio. Contou-me que o rapaz que o levou - que era da turma dele, não era nada criativo, não sabia escrever e era aparentado com uma professora. Aquele tinha sido um primeiro prémio que me foi roubado. Eu desconhecia tudo aquilo que ele me contava. Na altura - pode vos parecer estranho, mas tinha sim uma capacidade criativa em potencial, que saía fácil de mim, tanto por escrito quanto por outros meios. O suposto "grande prémio" com que tentavam aliciar os alunos para que se empenhassem não surtiu qualquer efeito em mim. Escrevi o poema pelo desafio, por gosto. Nem me pareceu difícil. Fi-lo ali mesmo, sentada na carteira da sala de aula. Não precisei de dias, nem de "fazer em casa".  O prémio não me motivou a aplicar-me mais - como decerto foi o estímulo dado a todos nas classes. (Como podem perceber pelo meu blogue, esse talento para a escrita não cresceu. Sei porquê não floriu e sei porque morreu. Existiu. E isso basta-me). 


ilustração da arquitectura de uma escola portuguesa 
que é muito familiar

Hoje, calhasse que os livros tivessem recebido assinatura de autor, pergunto-me se podia cobrar por cada um deles este ABSURDO de valor. 171 euros!! É que, os meus, além de assinados, seriam artigo "vintage", com mais de 30 anos. Talvez até primeira edição. 

Há uns 20 anos desfiz-me de dois deles (não carimbados, pois antes de os receber já era leitora das obras, que achava previsíveis e quase sempre adivinhava o plot inteiro e descobria o(s) culpado(s) nas primeiras páginas, mas eram um bom entretinimento), junto com outros livros de estudo "menos queridos" num Alfarrabista. 

Em troca destes dois que podia vender a preço mais elevado (sendo primeira edição e sendo muito procurados) e muitos outros manuais escolares ainda usados no ensino que podia vender a preço de capa - deu-me uns meros 100 escudos. 

Tirei consolo em saber que ia dar aos livros uma nova vida, já que, no lixo, não sou nem nunca fui capaz de os colocar. Prefiro "abandonar" um livro num banco de jardim, num aeroporto ou na já desaparecida biblioteca do emprego. Assim outros podem beneficiar deles. (No emprego pegaram em todos os livros e deitaram-nos no lixo. Disseram-me que lhes atearam fogo. Meu ADN treme de pesar até hoje).

sábado, 22 de dezembro de 2018

Londres - O segundo dia



Quando decidi ir a Londres era para voltar no mesmo dia. Os bilhetes ao fim-de-semana são mais baratos e válidos para um regresso até as 4h da manhã do dia seguinte. E dão para andar no metro, autocarros, etc. Em seis zonas. O preço de um bilhete single (só de ida) é o mesmo que o do regresso. Pelo que se o vais gastar, mais vale regressar num mesmo investimento.


Só que, pela experiência do passado, achei que o melhor era alojar-me num Hostel e passar uma noite lá. No início do ano fui encontrar-me com umas pessoas em Londres e decidi fazer uma surpresa e reservar um alojamento em apartamento. Só que fui enganada pelo cansaço e reservei por menos noites do que as pretendidas. Então, na primeira, optei por ficar num Hostel. E percebi que a experiência correu muito bem. Na realidade, valeu mais a estada no Hostel do que no Aparthotel. A relação conforto-qualidade saiu em vantagem para o Hostel, para não falar no factor "preço".


Munida com essa boa impressão de hostéis, decidi ir à procura de um. Faço-o sempre no site Booking. Em que zona pretendia ficar? Depois de ter decidido que ia explorar Londres pela London Bridge e terminar em Camden, comecei a procurar alojamento por lá. É que Camden e eu, eu e Camden... damos-nos bem. Não aprecio Londres por ai além. Comecei a gostar mais da cidade agora, após esta última visita. Mas certos lugares como a Oxford Street causam-me uma certa repulsa. Quero fugir de lá. Não têm muito a ver comigo. É um lugar todo centrado para o consumismo de bens de terceira necessidade. Um lugar mais fútil. Na rua observa-se o target próprio desse consumo: malta jovem... quase toda jovem, tudo "brainwash" (lavagem cerebral) para consumir produtos de marca, para se vestirem e maquilharem de uma certa maneira... Robots do consumismo. Nada a ver comigo que sou mais "free spirit". 




De modo que Camden tem o oxigénio que gosto de respirar: é um bairro eclético, não olha para as pessoas de lado, aceita todos os credos, é exuberante, tem de tudo, é divertida, espontânea e come-se muito bem por ali (melhor que no afamado mercado de Borough em London Bridge, onde a comida cheira sempre bem e tem um aspecto apetitoso mas, de certa forma, desilude no paladar e arrefece muito rápido). Camden era a zona que queria explorar mais a fundo até, quem sabe, navegar nos canais começando por ali direto a Hyde Park - rumo à Winter Wonderland.

Esses eram os meus planos para o segundo dia. Mas foram arruinados. Acabei por escolher alojamento em London Bridge ao invés de Camden porque prestei atenção aos comentários dos hóspedes. Não existiu nenhum hostel em Camden que me parecesse seguro. E há que pensar como é a zona à noite. Falaram inclusive em baratas, espaços pequeníssimos, falta de higiene. Pelo que a minha vontade de deitar e acordar em Camden teve de ser alterada. Encontrei um hostel com boas referências mesmo perto da estação de metro/ferroviária de London Bridge. Confesso que, de todas as áreas de Londres, considero London Bridge aquela que é mais chata de estar. Mais confusa. E menos bem sinalizada. Mas, a pesar de umas tantas voltas que, vim a descobrir mais tarde, podiam muito bem ter sido encurtadas em vários minutos, é fácil de explorar. 

Shard
Fiquei alojada com vista para o Shard - um edifício marcado para ser uma atracção turística. Estava em obras (não acontece só em Portugal). Devo dizer que não o acho nada de especial. Parece insignificante no meio da paisagem e minúsculo. Embora digam que é o ponto mais alto para se ver Londres em panorâmica. Se acho que vale a pena? Não. Não acho. Ainda se conseguem capturar boas panorâmicas da cidade que são totalmente de acesso gratuito. Como estas duas: 

Vista do último andar do Museu Tate

Basílica de S. Paul vista do terraço do Shopping local
(ao fundo, o inconfundível traço do Shard)
Mas como explicava, o meu segundo dia ficou arruinado porque queria passá-lo em Camden, seguido de Hyde Park. Mas primeiro quis tirar um empecilho do caminho: os bilhetes para o dia. Quis comprá-los de imediato, para a seguir poder explorar a cidade à vontade sem ter de me preocupar com os horários das bilheteiras. 


Já viajei sem o tal bilhete de regresso (Day travelcard) e consegui fazê-lo por seis libras. Desde que seja fora da hora de ponta, o bilhete fica barato. Aproveitei que estava em London Bridge para pedir informações na estação Ferroviária de lá. Mas pouca sorte... Bilheteiras com pessoas... não avistei. Tudo pareceu ficar após a cancela e aí só passas já com bilhete. Encontrei o posto de informações mas sobre preços nada sabiam. Após tentar encontrar a entrada mais próxima para o metro por só conhecer a perto do Hostel (cuja caminhada de acesso e no interior é longa), decidi procurar outra cujas setas indicavam para a direita (dei muitas voltas e voltas seguindo essas setas que nunca paravam de apontar) consegui então entrar na mais próxima (mesmo em frente!!!) onde um funcionário do metro ajudou-me com a primeira etapa da necessária burocracia do dia: carregar o oyster card - um cartão usado para andar nos transportes em Londres. Depois, ia tratar do bilhete de comboio

Tipos de Oyster Card
O máximo cobrado por um dia de viagem em Londres usando um Oyster Card é de 6.80 libras para viagens entre as zonas 1 e 2. O que basta! Acreditem. Existem dois tipos de oysters, o azul custa 5 libras que são refundáveis e o colorido custa 5 libras que não são refundáveis. Tinha comigo 3 azuis e um colorido (além de dois verdes, mas esqueçam esses). Cada azul vale por si só 5 libras, fora o crédito neles. Para economizar, decidi manter um cartão azul e recuperar as 10 libras que valiam os outros dois. Para essa operação precisava da ajuda de um funcionário.


Um senhor na estação do metro fez isso com uma impressionante rapidez numa das muitas máquinas para o efeito de venda e reembolso. A seguir: bilhete de comboio. Caminhei novamente em direcção ao Borough Market para  passar debaixo da ferrovia mas, ao parar no semáforo para atravessar a estrada, reparei que ia demorar pelo que decidi explorar outro caminho: o da rua ao lado. Big Mistake. Parece que se sai de um lugar mágico para um comum. Caminhei muito mas muito mais do que caminharia pelo atalho de Borough onde teria revisto uma paisagem encantadora. Subi uma avenida imensa (os pés já se queixavam do dia anterior) rodeada apenas de prédios altos e feios. Fui dar a Southwork Bridge, uma das muitas pontes Londrinas. Desci as escadas para o rio, onde estaria 10 minutos antes se fosse por Borough (2ª dica sobre Londres: Se tem pressa e não sabe que caminho seguir, vá atrás dos turistas).

Caminhando, caminhando... passo pelo Shakespeare Globe, pelo Tade onde paro um bocado com intenções de entrar. Já tinha essa pequena paragem programada. No dia anterior tinha passado ali e fotografado o edifício, mas o que quis mesmo fazer foi atravessar a ponte Milénio (mesmo à frente) em direcção à Basílica de S. Paul. E por isso não vi o que já sabia existir e me escapou à atenção: a instalação sobre o aquecimento Global mesmo à porta do Tate. Mas sobre isso, sairá outro post! :)

A Ponte Millenium - somente atravessada a pé (ou skate)
Com a basílica de S. Paul ao fundo num belo dia de sol.
Acabada a visita continuei o percurso sempre em direcção oeste, onde depressa avistei a bilheteira de comboio da estação Blackfriars e esperei para ser informada sobre os preços. Para minha surpresa e desagrado, foi-me dito que não haviam bilhetes baratos durante a semana. Qualquer um, fosse qual fosse o destino, a qualquer hora, tinha um custo de £18.90. Não pode ser! Vou perguntar noutro lado. - pensei. (3ª dica sobre Londres: Não se fie na primeira resposta, continue a perguntar, nem todos sabem dar informações completas).

Já estava a perder tempo.

Como expliquei ao senhor da bilheteira, já havia viajado daquela estação após a hora de ponta por seis libras. Como não  existia um valor mais económico? Lembro-me de pesquisar na NET valores de bilhetes de comboio com partida em qualquer estação Londrina durante um dia da semana. Nessa altura os preços variavam bastante, mas existiam preços baixos. Como é que agora só existia um valor?

Atravessei a ponte Blackfriars para o outra margem. Fui à mesma bilheteira onde meses antes fui informada que, usando o oyster card, o bilhete após as 18.30h ficaria por seis libras. O senhor do lado de lá (norte) foi muito simpático e notei-lhe uma genuína vontade de ajudar. Mas a informação não era diferente, embora ele tenha prestado um melhor serviço. O preço era mesmo £18.90 para sair de Londres por comboio, ascendendo a 25 libras se incluísse viagens locais (metro, autocarro). Este funcionário ainda me deu como alternativa ficar num destino aproximado, o que diminuiria em 6 libras o valor do bilhete. Foi a melhor e única opção que escutei, mas continuou a não ser satisfatória. 

O percalço estragou-me o dia. 
Não ia consegui «turistar», relaxar e descontrair até resolver a situação. Não podia adivinhar que a decisão de passar uma só noite em Londres ia sair-me tão caro. Sem dúvida alguma, assim não ia compensar. 32h na cidade não valem os custos do bilhete no dia anterior, a estada no hostel mais outra despesa da mesma envergadura. Três rombos... não compensa. 

Voltei a atravessar a ponte para a outra margem. O pensamento fixo no que ia fazer. Algures do lado de lá ainda estava o London Eye e quis passar pelos jardins que vão dar à atracção. Tinha como prioridade ligar-me à net para consultar os preços dos bilhetes online, habitualmente são mais baratos. Mas sem dados móveis, precisava de Free Wifi

WIFI gratuito em Londres?

4ª dica sobre Londres: Londres não tem Wifi gratuito, nem pontos de carregamento USB. Se precisar dessas coisas, tem mesmo de pagar uma estada num hotel/hostel... Nenhuma bateria de telemóvel dura mais que algumas horas principalmente se usado para filmar e fotografar.

A nova caminhada ainda foi longa. Fui olhando para os sítios... que falta faz o típico cafezinho português que disponibiliza Wifi gratuito. Mas sabia onde ia encontrar esse Wifi. No fim da rua Queens Walk, no interior do MacDonalds. Já havia lá estado. Aproveitava e almoçava um hamburguer. Embora o meu apetite tivesse desaparecido com a preocupação.

MacDonalds em 2014 - muito diferente do que se encontra agora,
cheio de pombos e de turistas (e parece-me, menos mesas se algumas)

Não foi fácil. O local é muito barulhento e não existe lugar para uma pessoa se encostar. Duas horas antes tinha a bateria do telemóvel a 100%, mas neste instante andava nos 30%. Uma mensagem de erro de conecção dos serviços google surgia em pop-up a cada segundo, impedindo-me de entrar nos links que queria abrir. Pensei que estava tudo a correr "menos bem". Mas lá consegui fazer alguma pesquisa. O que não consegui foi encontrar preços mais económicos. Quando ia para escolher outras estações de partida (Londres tem tantas e já havia passado para solicitar informações a duas distintas) um segurança "pediu-me" para sair do local mais isolado onde tinha me posicionado. 

Por esta altura já tinha decidido: se tiver mesmo que pagar um valor tão alto pelo bilhete de comboio (mais outro para o de autocarro após chegar ao destino) então vou economizar no oyster. Não vou andar de metro... (buáááá)...  vou fazer tudo a pé. Não ia almoçar a Camden, nem procurar, pela segunda vez (embora sem grandes esforços) a estátua da Amy Whinehouse ali localizada. Nem ia fazer compras no meu supermercado favorito mas em Camden... nem ia olhar com mais atenção as muitas casas de tatuagem que por ali existem. (Eu que não gosto por aí além, estou a pensar fazer uma. Mas o local onde se tatua faz parte da experiência, pelo que o local onde gostaria de fazê-la é Camden. Até agora não me ocorreu outro. O quê tatuar e com quem... vai levar anos a descobrir. Sei que preferia 1) tinta provisória e 2) tatuagem branca - nada disso existe ainda em Camden ou por Londres, pelo pouco que pude investigar.

Adiante...

Saí do MacDonalds, dobrei a esquina à esquerda e atravessei a Westminster Bridge rumo a Waterloo - outra estação de comboios, outra ponte. A estação ficava atrás do London Eye... que já havia ultrapassado. Mas não tinha como saber até estar ligada à net


Waterloo station

A caminhada até foi fácil. Chegada lá, uma estação enorme, fiquei numa fila (mais uma) e perguntei a uma funcionária se podia dar-me os horários e preços dos comboios com destino à minha cidade e a outra perto, com partida pelas 22h. Ela disse que sim, foi imprimir duas folhas de papel e deu-mas. Agradeci-lhe mas quando virei as costas  percebi o quão inútil eram os papéis que me entregou: imprimiu os horários dos comboios não os valores

E o que precisava eu com urgência, senão os valores?

Tentei novamente descobrir outros locais onde me ligar a Free Wifi mas não existe um único estabelecimento nesta estação de Waterloo a disponibilizá-lo. O MacDonalds tem wifi mas pede que se pague para aceder. 

Londres = oportunismo.

Já era tarde. Tinha de fazer algo para aproveitar o dia. Decidi então caminhar até Hyde Park. Rumo à tão falada Winter Wonderland. Se aquilo fosse giro, podia demorar-me por lá até às 22h e depois seguia para Victoria Station - outra estação ferroviária, a principal. Ali podia também apanhar um coatch (camioneta) para o meu destino. Custaria menos (cerca de 10 libras) mas ia demorar quatro vezes mais tempo a chegar. Porém, estava decidida a economizar desse por onde desse. A prova disso era a minha determinação em andar, andar, andar...

Sem me cansar. Os pés, esses, coitados... estão habituados a bolhas e desconforto de sapatos. As pernas, não podia desejar melhor: portaram-se muito bem. Caminhei sete horas seguidas a bom ritmo, tirando pequenas pausas como a do MacDonalds. Senti que podia caminhar outras sete. 

O que aconteceu quando finalmente alcancei o Hyde Park, já vos contei no outro post. Quero que percebam que saí do hostel às 9.30h, dediquei algum do meu tempo no museu Tate mas o objectivo foi sempre comprar os bilhetes para ir almoçar a Camden, entrar nos canais e "navegar" até Hyde Park. Porém, por esta altura já eram umas 15h... 

Finalmente, em Victoria, eram 17h quando recebi a informação que precisava! Se depois da hora de ponta usasse como forma de pagamento o contacto por cartão, a viagem fica por metade do valor que me foi indicado o dia inteiro.

Estava certa! Se me tivessem dito isto logo pela manhã, teria aproveitado Londres. Teria relaxado e gasto mais dinheiro em atracções, comida, tinha usado o Oyster card... Mas como me disseram um valor de bilhete de comboio tão alto, a mente sintonizou-se de imediato na necessidade de poupar.

Londres não se ajuda a si mesma...
Ou os caminhos-de-ferro não ajudam Londres.



















quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O valor do comércio justo


Estava a olhar para a secção de filmes em DVD.
Uma tecnologia já a cair em desuso, mas que ainda vai encontrando quem dê dinheiro por ela. O que me apanhou a atenção foi os diferentes preços dos filmes. O valor mais baixo correspondia a 3 libras e depois mesmo ao lado desse dvd surgia outro com o custo de 5. Haviam outros a 10, 12, 15, 25, 35...

Ora, os preços são baseados no "sucesso" que o filme obteve, não no valor dos custos de produção de se mandar fazer um DVD. Porquê temos de pagar mais por um filme da saga "Alien" e menos por um da saga "Sozinho em Casa?".


O processo de fazer o DVD é exatamente o mesmo. Uma caixa plástica, um disco plástico, uma gravação. 

Quando vamos ao cinema o preço dos bilhetes é standard. Não cobram mais se o realizador é mais afamado versus um desconhecido, não se paga mais se o filme faz parte de uma série apreciada ou se é uma história nova. O valor do ingresso É o mesmo.


Compreendo que nas receitas, os filmes precisem ser diferentes, pois certamente os custos de produção de um filme cheio de efeitos especiais é diferente de uma comédia romântica que se passa num apartamento.

É na indústria dos DVDs que as produtoras procuram a maior margem de lucro. Por isso aquele pedaço de plástico igual ao de outro em tudo idêntico, custa MAIS. O filme "Alien" teve mais espectadores ou é, com o passar do tempo, mais apreciado que "Sozinho em casa". 

E por isso, senhores, Dead Pool 2 - o filme que esteve durante o verão nas salas de cinema, estava ali na prateleira. Aliás, o último e o primeiro, seguido de um pack incluindo os DOIS filmes. 

Mas o que eu vi e gostei foi disto: 


Uma secção de discos em Vinil, com grandes exitos. Adoro vinil e na casa de meus pais ainda se encontra um gira-discos que tem anos, mas foi só utilizado por mim. O prazer e o SOM fantástico (antes do meu pai destruir os cabos e danificar a antiga peça) é único. Realmente único. E muito mais potente e agradável de ouvir.

https://www.youtube.com/watch?v=Sv0iZ8FDNzM

Não se deixem é enganar pelas etiquetas de preço. Estão espalhadas ao acaso. Bem debaixo do album que me chamou a atenção, vem um valor de 10 libras. Na realidade custa 25. Compravam?

Achei que são poucos temas neste hit.
Falta o Princes of the UniverseI want to break free
Who wants to live ForeverI want it all
a colaboração Under Pressure,
Love of my life, A Kind of Magic,
Friend will be Friends,
Too much love will kill you e cansei.
A lista das omissões famosas é extensa, eheh.

PS: Também fui dar uma vista de olhos nos valores de passagens de avião. Interrogo-me sobre o mesmo. Se os custos de viajar agora ou viajar no Natal são os mesmos, para quê os valores têm de ser tão exorbitantes? É a margem de lucro. É a oferta-procura... Natal, muitos desejam viajar para junto das famílias. Toca a cobrar-lhes caro por isso. Está certo, se fosse muito barato os voos estavam lotados mas, durante o resto do ano, isso não é problema. Chega o verão, as férias, toca a cobrar mais. O natal, cobram mais. Devia ser como algumas lojas fazem agora: campanhas promocionais com valor mais baixo, porque assim mais pessoas compram o produto e aumentam as vendas. Como sabem que voar não é bem o mesmo que precisar de um serviço diferente que pode ser providenciado por outros, aliás pode, mas o lobbie da aviação não permite grandes oscilações de valores por parte da concorrência. E é assim que funciona o nosso mundo. Vendem-nos coisas por valores que correspondem não ao custo de produção com um x de margem de lucro. Colocam o valor das coisas em cima do supérfluo: o prazer, a satisfação, o poder ser diferente, o estar ao acesso de apenas algumas pessoas... 

Boas festas!
(antecipei-me, pronto)

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

De 200 para um


Lembram-se deste post onde perguntava como podia ficar rica rapidamente, já que tinha gostado de uma caneta e esta custava 200 euros? Pois tive de me contentar com uma que custou... um.

Ahhaah.
E posso dizer que, no fundo, faz o mesmo trabalho.
Agora só me apetece ter coisas para escrever, papéis para assinar. A escrita sai tão fluída, tão natural e sem esforço. Tem tudo a ver comigo.



sábado, 29 de março de 2014

Decorar prateleiras

Fui «visitar» lojas de roupa. Achei tudo desinteressante. Linhas sem interesse algum, lojas "pintadas" de roupas pretas e brancas, quase que a tornar deprimente a chegada da Primavera.

E os preços? Até as mais «baratuchas» tinham peças absurdamente caras para o seu desinteresse. Muito sinceramente achei que mais valia pagar os preços das roupas das lojas dos chineses de qualidade apenas ligeiramente inferior do que muita daquela que vi nos cabides de lojas mais conceituadas. A diferença nas etiquetas é maior do que a diferença nos tecidos.

Eu até sou daquelas pessoas que acha que faz muito tempo que as lojas dos chineses deixaram de ser baratas e acessíveis e tenta por tudo não dar mais dinheiro a quem não precisa. Nada ali é barato como tinha obrigação de ser. Mas mesmo assim os preços que vi nas etiquetas alheias versus originalidade e qualidade fizeram-me concluir que o lugar daquela roupa sem atractivo algum é a prateleira mesmo. A decorar.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Dúvida e pedido de esclarecimento sobre a comercialização do calçado

Se os sapatos com fabrico português são tão apreciados pelo mundo a fora pela qualidade, beleza e conforto (ao ponto de serem o segundo mais caro do mundo*) porque é que aqui em Portugal a maioria das casas vendem sapatos feitos NA CHINA???



*fonte: Programa Imagens de Marca (Janeiro 2014)