sexta-feira, 27 de junho de 2008

Hemisfério estampado no Rosto

Estava a reparar na fotografia que tirei para os documentos e saltou-me à vista um contraste entre o lado esquerdo e direito do rosto. Sei que não são simétricos mas o que vi foi uma janela para o passado, em que os traços se mantêm num dos lados e alteraram-se no outro.
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Identifico-me mais com um e menos com outro mas ambos mostram a mesma pessoa. Logo pensei que tal se deve ao cérebro e suas funções. Se uma pessoa vive um tanto em desequilíbrio entre o interior e o exterior, penso que isso acaba por se mostrar no rosto. Foi uma descoberta!
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Dizem os especialistas, que o lado esquerdo do cérebro, é o analítico. Bom para tomar decisões e tirar conclusões. É o lado "frio" da personalidade de uma pessoa, se quisermos seguir um rumo linear. Sabem aquelas pessoas muito racionais, pouco emotivas, práticas, egoístas, sem um pingo de aptidão ou paciência para trabalhos criativos? Aquelas que compram os presentes de Natal num único dia na mesma superfície comercial e mandam outra pessoa embrulhar. Mal olharam para o que tem dentro dos embrulhos ou sabem o que calha a quem. Essa é a pessoa com o lado esquerdo do cérebro dominante.
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Do outro lado, o do hemisfério direito, temos as pessoas predominantemente criativas. Aquelas que, no Natal, fazem os laços com ramos de árvores, são criativas com o material de embrulho, sabem exactamente o que vão dar a quem, porque foi uma decisão reflectida, tomada com base no carácter, necessidades e gostos particulares de cada indivíduo. Levam tempo a fazer as suas compras e depositam boas energias no embrulho dos presentes, que escolhem personalizar.
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Pegue numa fotografia e olhe bem para cada lado do seu rosto.
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O que ?
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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Alfacinhas sem Alface


É o que dá mudar muito as coisas e fazê-las funcionar num único denominador comum. Com o protesto dos camionistas, os Alfacinhas (e o país) ficaram sem alfaces. Alfaces, couves e outras verduras e legumes. Os bens da Terra, que costumavam plantar-se nas hortas espalhadas pela cidade, vêm agora de um mesmo fornecedor, sobe as rodas de um camião.

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Os hipermercados e supermercados amanheceram neste dia seguinte ao dia de Portugal, sem verduras nas prateleiras. Salvaram-se, espero eu, aqueles que se abastecem também nouros locais. Quem sabe, às mercearias e mercados de bairro não faltaram verduras, por algumas ainda irem buscar parte do seu stock localmente.

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Um alerta, que exemplifico com as Alfaces dos Alfacinhas (que tão bem sabem no verão) mas vai da verdura à gasolina. Um alerta, senhores governantes! De que tudo vai mal e o povo manifesta-se.

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Buzinem sim, enquanto tiverem combustível para passear de carro. Mas façam-no não apenas por um jogo de futebol. Mas por um Portugal melhor! Buzinem em frente ao Parlamento, nos degraus da assembleia da República, junto à casa do presidente em Belém. Buzinem, sejam solidários e reinvidicativos.

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A continuar, teremos um 10 de Junho com sabor a 25 de Abril de 74.
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terça-feira, 10 de junho de 2008

O Parente Famoso

Nesta minha insistente busca para compreender as coisas que me cercam, dei comigo a estudar as minhas raízes. O hábito era antigo, mas o processo, de realmente ir atrás dos antepassados - a chamada Genealogia, esse chegou décadas depois.
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Sabem o que todos dizem quando o assunto vem à baila? Pensam em si mesmos e não poucas vezes saiem com esta afirmação:
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-"Quem sabe descubro um parente podre de rico, um nobre qualquer e, deixo de trabalhar!"
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Esta afirmação sempre me perturbou. Que mania! Mania das grandezas, mania que a nobreza está num título e que a riqueza é tudo.
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Nunca ocorre a estas pessoas pensar que, os que foram "nobres" e "ricos" ás tantas o eram pela capacidade de se aproveitar dos outros? Quer dizer, um antepassado rico e mau carácter, não é coisa que me agrade como contributo genético...
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Porquê querem todos ter um antepassado ilustre? Sentem que ganham imediatamente um status? Não entendo...
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Quis conhecer os meus porque, instintamente, senti que já os conhecia. Ainda que inconscientemente, quis ir ao encontro deles para os conhecer e saber se foram o que os meus instintos me diziam que tinham sido. Não achei que ia deparar com riqueza ou nobreza. Mas queria deparar com pessoas de bem, trabalhadoras e honradas, pois sentia isso em mim, como uma herança de séculos.
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Este instinto inconsciente, provou-se correcto. Recuei quatro séculos nas minhas raízes mais directas e não encontrei nada além do que descrevi em cima. Pessoas do povo, pessoas comuns, trabalhadoras, honradas, que tiveram muitos filhos e criaram todos. Viveram muitos anos e com baixos índices de mortalidade infantil na família. O que pode indicar a inexistência de negligência ou outros cenários mais macabros. Do muito e do pouco que compreendi, em nada me decepcionou o que encontrei. Ali estava: pessoas comuns, simples, humildes, trabalhadoras e honradas, de bom coração, boa saúde, perspicácia, inteligência, bons genes. Não podia querer melhor.
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Claro, carrego comigo o peso que décadas de pobreza transmite de geração em geração. Mas não se perdeu a virtude. Conheci outros familiares distantes e em todos encontro uma doçura, uma bondade e simplicidade, que dá gosto de perceber. Todos passaram pela mesma pobreza característica da classe e da sociedade. As mesmas dificuldades, os mesmos problemas e sempre, sempre, a mesma disposição para a luta, para a honra, para a sobrevivência, sem recorrer a artimanhas pouco nobres ou criminosas.
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E deixem-me dizer esta grande verdade: A GENEROSIDADE É PROPORCIONAL À MISÉRIA.
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Quem mais dá, é quem menos tem. Quem mais sente, é quem mais sofreu. Quanto mais pobre, mais generoso. Um pobre nunca deixa de partilhar um pão, dar uma moeda. E quem em tudo isto já nasce com um bom carácter, conserva-o até o fim da vida. É feliz em espírito e faz os outros felizes também. Mas lá por ser um ser sorridente, não desconhece de todo a dor do sofrimento.
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Atrás de um grande e caloroso sorriso, está alguém que sabe o que é a dor.
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Voltando aos antepassados, fiquei à espera de encontar alguém que também procurasse alguém. Em fóruns de genealogia e artigos, li todos os nomes, verifiquei todos os apelidos. Mas nada. Nomes parecidos, homónimos até, mas nenhuma correspondência.
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A menos que se tenha um antepassado mais "famoso", dificilmente alguém vai escrever o nome de um perfeito desconhecido. Mas a esperança não morre. E assim, a cada região e localidade mencionada, lá ia espreitar por um nome familiar. Entrei então num tópico sobre uma "celebridade".
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Bem, o termo, celebridade, não é muito do meu agrado. Tenho a certeza que também não lhe agradaria a ela. A pessoa em questão, foi mais uma figura. Uma figura do panorama português. De relevo, de importância e do povo.
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Saber que, há 200 anos, tinhamos parentes em comum, não me surpreendeu, nem a uns outros poucos parentes a quem o mencionei. Era conhecida a localidade de proveniência e apelidos desta figura que se tornou de relevo no panorama artístico português. E assim, feita a descoberta, pouco impacto teve.
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Por curiosidade, fui ler uma sua biografia. Sem espectativas. Só aquele instinto, que me insinuava que não ia encontrar nada que no fundo, já não sentisse...
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Fiquei surpresa sim. Fiquei muito surpresa com as semelhanças. Gerações tão diferentes, de tempos diferentes, com experiências e oportunidades diferentes e, no entanto, lá estava: tudo igual.
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Será o peso dos genes? Das gerações de pessoas do povo, pobres, mas de carácter? Acho que sim. Muito do que os outros viveram passa para nós não só como traços físicos, mas também na forma de ser e da energia que carregamos. Acho até que, algumas vezes, estamos aqui a pagar pelos pecados dos outros, não pelos nossos. Sentimentos e emoções TAMBÉM são transmitidas genéticamente. Ainda mais, com o peso de séculos em cima.
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Ora, se se transmitem doenças, problemas, tiques, maneirismos e até gostos peculiares, claro que se transmitem emoções, experiências de vida, carácter.
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Fiquei surpresa com as imensas semelhanças entre a história de vida dessa pessoa, no que respeita ás suas origens, e muito, muito mais, pasmada com as semelhanças de personalidade. É como se a tivesse conhecido por dentro. Vi o lado conhecido mas também o oculto. Aquele que poucos conseguem imaginar.
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Pobre menina rica! Pobre menina pobre, que ficou rica, que era nobre sem o ser, que tinha medo e não sabia...
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Pois não podia ter-me "saído" na "rifa", "melhor" figura! .
Uma pessoa do povo.
Ganhei a taluda porque já nasci com a cautela.
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Sou Portuguesa da mais pura essência deste povo.
Não há como negá-lo!
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Saiu-me a sorte grande.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Pais, Filhos e Órfãos

Aquilo que vamos conseguir na vida, e a forma como a vivemos depende, muita vezes, dos pais que temos. Se os temos, ou se não os temos, para começar.

Em determinados sentidos, não tê-los é uma benção. Mas quem nunca os teve, não sabe se lhe foi atribuído a benção ou a desgraça. Outros, talvez o possam adivinhar.

Um órfão pode idealizar os progenitores. Na sua cabeça, se tivesse pais, ia experimentar um certo tipo de felicidade, viver determinadas experiências, receber amor, carinho...

A maioria das crianças recolhidas em centros não são órfãs. Têm pais e outros parentes. A história delas é bem mais triste que a simplicidade do órfanato. Estão abandonadas. Vêm de um meio de miséria, tristemente mais mental que económica. Muitas são abusadas, maltratadas.

É por isso que o órfão nunca saberá que versão da paternidade o destino tinha-lhe reservado.

Depois temos as que não são órfãs e não vivem em instituições mas em família. Têm um tecto, vão à escola e têm os progenitores ao seu lado. Fazem festas de aniversário e recebem presentes. Mas nem por isso a vida vai-lhes correr melhor.

A miséria atinge todos estes casos. Não existe excepção. A criança que aparenta ter tudo por vezes não tem o que realmente importa: afecto. E por estar menos exposta que aquelas que a sociedade "classifica" como carenciadas, muitas vezes são as que menos chances têm para um futuro melhor.

Não é que alguns pais não sintam afecto pelos filhos. Mas muitas vezes não sabem como expressá-lo. Têm de ser ensinados mas como adultos que são, criaram já uma arrogância e uma ignorância que os impede de ser humildes e procurar ajuda. Temem os rótulos e não querem ser apontados por outros pais como uns fracassados.

Mantêm as aparências e a verdade fica oculta entre as quatro paredes.

Muitas vezes reproduzem décadas de erros aos quais, provavelmente foram expostos. Abusam dos gritos, ameaçam, recorrem á violência física, são castradores e proibitivos. Responsabilizam a criança pelos seus erros, atribuem-lhe defeitos e responsabilidades que não lhe pertencem. Não sabem ouvir. E assim permanece a relação até a idade adulta.

Uma criança nasce com capacidades incríveis. Ela tem uma percepção do mundo que tantas vezes serve como elixir curativo para um adulto. Esta aprende, mas também ensina. Um adulto só tem de escutar o que ela diz.

É um erro achar que aquele pequeno indivíduo é inferior e deve submeter-se ás ideias do adulto. Porque o adulto é que sabe tudo. Não. A criança ensina. E a uma determinada altura da vida, ela tem de ensinar os pais a lhe darem liberdade para se desenvolver feliz.


CASOS:

Um episódio que jamais esqueci e remonta aos tempos do inicio da adolescência, passou-se comigo. Meus próprios pais, apontaram na rua um rapaz que sabiam órfão e a viver com a avó. E me disseram: "Estás a ver a sorte que tens?" "Deves dar graças a Deus por nos teres. Aquele ali é um pobre coitado, que vive com a avó. Vivem do dinheiro da reforma e ela pode morrer a qualquer momento. E depois, ele vai ficar na rua, sem ninguém para cuidar dele. É um desgraçado. Já viste a sorte que tens em nos ter?"

Bem, não vou falar o que achei desta intervenção muito pouco adequada de meus pais. Vou falar do rapaz.

Conhecia-o, estudava na minha turma. E embora nem sempre as coisas são o que aparentam ser, a verdade é que dele saía uma energia positiva que me pareceu legítima. Ele era feliz. Não podia dizer o mesmo a meu respeito. Eu parecia estar bem, mas não estava. Ele parecia ter menos a seu favor, mas teria?

Não deixei de lhe atribuir os seus momentos de tristeza, e de receio, medos. Saudades do que poderia ser, de se imaginar a viver com os pais como os outros vivem... mas achei precipitado colocarem-no na categoria de "pobre coitado". E também que minimizassem a capacidade da sua avó. Podia jurar que ele era muito amado e ia ter sucesso na vida. Dinheiro não é tudo. Afecto e saber como demonstrá-lo é. Ele sentia-se de bem com a vida. A avó soube educá-lo com afecto, sem o estragar com mimos, pois sempre se rectificava das suas traquinices e não ia longe demais.

Este rapaz não foi o único indivíduo que conheci, criado pelos avós. Outros casos obervei e todos vieram a comprovar esta minha teoria de que o que importa para uma criança é receber afecto. Que este venha de pessoas menos "convencionais" - avós, primos, tios, vizinhos, é tão legítimo como o que vem de um casal parental.

Os casos que conheci, mostram que estas crianças crescem saudáveis e atingem o sucesso na vida, tanto profissionalmente como emocionalmente.


Ninguém nasce ensinado. É difícil ser-se pai, é mais difícil ser-se filho. Tudo é melhor quando chegam netos e depois se vira avós.

Mas porquê esperar tanto tempo?
Mude já!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Empresas de Trabalho Temporário


Nunca antes tinha tido contacto com o universo da advocacia, até o dia em que fui demitida sem justa causa. Estava empregada através de uma dessas empresas de trabalho temporário fazia um ano. O contrato renovava-se automaticamente todos os meses e assim, eu e uma colega, trabalhámos despreocupadas.

Até o dia em que ela aparece transtornada a querer saber se eu tinha recebido um telefonema da Randstad, a empresa em causa. Não, não tinha. Mas o que se passava para estar tão transtornada? Contou-me que tinham-lhe telefonado para lhe dizer que não precisavam mais dos seus serviços.

Como começamos ambas no mesmo dia e sob as mesmas condições de trabalho, a colega estabeleceu logo um paralelo. Nesse dia depois do emprego, tomou a iniciativa de telefonar para a entidade patronal, a Randstad, para pedir satisfações. Se a estavam a demitir, porque não me demitiam também? Não foi um gesto lá muito simpático, mas assim aconteceu.

No outro dia, no local de trabalho, a colega continuava furiosa, disposta a não deixar as coisas em pratos limpos. Já nem trabalhou direito e continuou a fazer telefonemas para a Randstad. Foi então que me contou que já lhes tinha falado na véspera e perguntado porquê não era eu também demitida. Responderam-lhe que seria. “Então é melhor telefonarem-lhe a dizer, porque ela não sabe” – respondeu.

A manhã passou, continuei a trabalhar com a dedicação de sempre, e nada de ser contactada pela entidade patronal, a Randstad. Isso deixou a outra colega ainda mais furiosa. Por alguma razão, temia que o machado recaísse só sobre a sua cabeça e não achava justo. E foi então, cerca de 40 minutos antes de terminar o meu horário de trabalho, que, talvez em sequência das chamadas da outra, telefonaram para a empresa a perguntar por mim. Lamentavam mas era para me informar que não devia ir trabalhar no dia seguinte, porque já estava no meu último dia de trabalho.

Quiseram ficar certos que entendi que não devia aparecer para trabalhar no dia seguinte. Repetiram-no, e voltaram a repetir. Preocupava-os que causássemos problemas no local de trabalho e o escândalo gerasse a dispensa dos serviços da Randstad. Esse foi o único receio da Randstad. Fizeram questão de sublinhar que a empresa local de trabalho nada tinha a ver com o sucedido.

E foi assim: fui avisada da recessão do contrato de trabalho, 40 minutos antes deste terminar. Que competência. Que profissionalismo! Não é como se não tivessem tido oportunidade de me avisar com mais antecedência. Afinal, a outra colega estava a remoer o sucedido há dois dias. Ou terá o despedimento vindo em consequência?

Fomos pedir informações ao Tribunal de Trabalho na Loja do Cidadão das Amoreiras. Falámos com mais gente esclarecida no assunto e todas manifestaram algum controle para não desatar a maldizer este tipo de entidade patronal. AO que parece, é comum darem-se erros. Ao que parece, a maioria das empresas funciona interpretando intencionalmente as leis conforme a sua conveniência. Ao que parece, existem muitas ilegalidades nos contratos de trabalho. Levámos os nossos para mostrar e logo foram detectados ao menos três irregularidades. O que me surpreendeu. Ao longo do ano de trabalho, tinham-nos feito assinar três contratos. Todos datados com a data do primeiro. Ou seja: haviam encontrado um erro no original, redigiram outro e pediram para que o assinássemos. Lembro que disseram que o erro nos valores de remuneração podia levar-nos a processá-los para receber o que ali estava estipulado, que era superior ao valor real. Já os meses iam avançados, vieram novamente até o nosso local de trabalho com um outro contrato para assinar, para substituir o segundo e o primeiro.

Com tudo isto, como foi possível redigirem um documento ainda com falhas?

Entre outras coisas que recordo, disseram-me que a lei permite, perante a situação de despedimento por injusta causa, que o lesado passe automaticamente aos quadros da empresa para a qual prestou serviços, como efectivo.

Tinha de me apresentar ao serviço e ainda que estes não me dessem nada para fazer, seriam obrigados a me pagar tal como a qualquer outro funcionário. Convenhamos, era o ideal. Mas soa a ilícito e pessoas com integridade moral não consideram esta via.

Então era isto que a Randstad temia! O escândalo no local de trabalho. Sabiam bem os direitos que nos assistia.

Tivemos também uma reunião com a empresa. Muitos pedidos de desculpa pouco sentidos e foi-nos dito que a carta de rescisão, que a lei obriga que seja enviada para casa do trabalhador no mínimo com 7 dias de antecedência, foi emitida mas deve ter-se extraviado no correio. A minha colega logo pediu um comprovativo do envio dessa carta. Não foi possível apresentá-lo. Claro, nunca existiu!

Parte do processo da empresa Randstad para tentar minimizar os danos a si mesma, foi prometer que nós as duas seriamos colocadas noutros empregos, pois não iam deixar colaboradores seus com uma mão à frente, outra atrás. Prometeram empenhar-se para encontrar um novo emprego, satisfatório e imediato.

NUNCA aconteceu.

Ainda lhes dei o benefício da dúvida e quando me telefonaram com uma proposta (daquelas um tanto estapafúrdias) aceitei com toda a boa fé ir à entrevista. A “nova” entidade patronal ficava fora da cidade. Não por poucos, mas por muitos quilómetros. Fui, fiz a entrevista e fiquei a aguardar o contacto da empresa. Garantiram-no. Sim, pois claro… entretanto o outro processo estava em andamento e depressa o meu nome deve ter sido assinalado na base de dados, como pessoa não-grata, já descartada.

Ainda assim, acreditei na boa-vontade que obviamente não existia. Telefonei para a empresa Randstad, para o novo número, da nova pessoa, encarregue do caso, que tirei do cartão que me foi passado pessoalmente para as mãos. Nada. A pessoa em causa nunca estava. Então um dia desloquei-me até à filial e falei com ela. Preenchi uma ficha e ficaram de me telefonar para dizer PARA QUE DIA a entidade ia marcar as entrevistas, que seriam já na semana seguinte. Disseram-me que telefonavam dali a dois dias, no máximo até segunda feira e caso isso não acontecesse, que entrasse em contacto com eles.

NÃO aconteceu. Entrei em contacto com eles. Mais uma vez, a responsável pela área, a rapariga com quem falei pessoalmente e sob a qual preenchi a minha ficha de candidatura, nunca estava disponível ou presente e ninguém mais podia prestar esclarecimentos sobre o caso.

Há, grande Randstad!

Entretanto, no outro processo de despedimento por injusta causa, a queixa foi apresentada ao tribunal de trabalho. A postura da Randstad foi iniciar uma guerra psicológica. Usam as leis para tornar tudo mais penoso. No caso, faltaram de comparecer ás primeiras sessões de esclarecimento. A primeira da qual, marcada para a minha ex-colega. Apesar da coisa ter acontecido a ambas, cada qual teve diferente representação. Meses se passaram graças ás faltas de comparecimento dos advogados da Randstad. Até que finalmente, no caso da ex-colega, apareceram. Comigo levou mais uma ou duas negas de comparecimento. Tudo indicava que o processo dela corria mais avançado porém, depressa começaram a não comparecer ao dela e o meu adiantou-se. É que após a primeira e única comparição da Randstad à nossa sessão de esclarecimento, devem ter concluído que o mais benéfico para eles seria "dividir para conquistar" e enveredar pelo lado mais fraco.
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Passaram-se muitos mais meses de silêncio. Uma estratégia intencional, para enfraquecer a parte lesada. Contavam que a comunicação entre nós esmorecesse com o tempo e deixássemos de trocar impressões. Quando se decidiram a contactar alguém, foi a ex-colega em primeiro lugar.

Foi uma decisão bem pensada. Apesar desta ser muito reivindicativa e mostrar que sabe os seus direitos, aposto que após a minha sessão de esclarecimento, aqueles advogadozinhos saíram dali preocupadíssimos. É que eu não entro em embolição com facilidade, muito menos quando provocada e insultada.

Esta sessão de esclarecimento foi o primeiro contacto que tive na vida com este universo de advogados. Foi muito interessante! Um microcosmos com uma linguagem própria. Um universo feio, mesmo feio, com muitas pessoas feias, num ataque serrado de palavras.

Como todas as entidades, agem em grupo. Não foi um advogado que compareceu à sessão, mas dois. Um a fazer o número de bad cop, o outro a fazer de menos bad cop. Foram tantas as alfinetadas verbais trocadas entre estes dois tristes jovens e a experiente delegada indicada para o meu caso, que não podem imaginar. Um ringue de boxe, um braço de força, em que a experiência depressa esmagou a juventude. Intimidação. Tudo funciona por intimidação.
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Permaneci calma no meio disto tudo. Respondi por monossílabos “Sim” e “Não”. Provocação alguma me tirou a tranquilidade. Dir-se-ia que não estava capacitada de inteligência suficiente para entender o que se passava. Mas entendi muito bem. Ás vezes censuro-me por ser assim, mas em simultâneo fico contente por o ser. Aqueles advogadozinhos estavam em pânico. Uma pessoa em controle é mais perigosa que a que perde as estribeiras. Assim devem ter pensado, para terem contactado em primeiro lugar a minha ex-colega, com uma proposta para o caso não ir a tribunal.

Quando chegou a minha vez de ouvir a proposta, afirmaram na minha cara: “Já não está em contacto com a sua colega, pois não? Vocês não se têm falado.” Já tinha passado mais de um ano. Mais uma vez, dei uma resposta quase monossilábica: “Sim, temos”. A outra não ficou muito convencida. Sei bem onde queria chegar. Queria saber se eu tinha conhecimento da proposta que eles elaboraram à ex-colega e mais importante ainda, se saberia que ela a aceitou.

Sabia sim. Há quase uma semana que o sabia. Devia tê-lo demonstrado logo ali. Aí censuro-me por ser tão introvertida, que pareço desprovida de perspicácia ou inteligência maior.

Uma vez no decorrer da audiência, apareceram mais advogadozinhos a representar a Randstad. Eram umas três ou quatro cabeças presentes em nome da empresa, se não estou em erro. Três delas advogadas. Mas um deles quase me fez rir. Um rapaz, novito. Estava nervoso, quase que atrapalhado por falar. Depois da aprovação de uma colega com o olhar, começou a debitar um texto que, claramente, tinha estudado. Foi assim que fiquei a saber o que já sabia: o valor da proposta da empresa para o caso não ir a tribunal. Quando terminou, o galinho provavelmente estagiário, ficou contente com a sua prestação. Estava a ser bem ensinado: manteve uma postura arrogante e altiva, e um tom (in)seguro de si. “Esta é a nossa proposta e única proposta. (Bluf). Se não aceitar, então partimos para os tribunais (bluf). É muito boa (mentira), a ex-colega JÁ ACEITOU (tentativa de legitimação), é um valor justo, com base em cálculos do salário que a colaboradora recebia (mentira)”.

O que provavelmente não sabiam é que trazia comigo, dentro da pasta que tinha em mãos, um documento elaborado pela minha representante, com uma estimativa, por baixo, dos valores que me eram devidos por lei, com base na interpretação mínima desta. E por esses valores mínimos, a estimativa era quase tripla do valor da proposta deles. Dois salários – foi o valor que apresentaram. No mínimo, deviam ter sido seis.

Depois aqueles galinhos da advocacia, representantes de grandes valores morais e éticos (ironia), saíram da sala para eu poder escutar os concelhos dos meus representantes públicos.
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Devo dizer, com toda a justiça, que fiquei bem impressionada com estas pessoas. Tanto com a senhora que me representou inicialmente, a delegada da audiência de esclarecimento, que manteve a distância e se limitou aos factos e ás leis, como por estes dois indivíduos. Neles reconheci uma integridade ausente naqueles jovens galinhos advogados. De sorrisinhos cínicos e um amor próprio desmesurado. O tempo todo fiquei com a impressão que fazem falta ao sistema mais pessoas como aquelas. Trabalham com a lei e a justiça sem perder a consciência. Não deve ser fácil. Deve ser duro e frustrante. Lidar todos os dias com inescrupulosos como aqueles galinhos armados em advogados, muita crista eriçada, ofensas, provocações e um total desrespeito pelas leis. Senti pena. Por todos nós, pelo sistema. Pela justiça. Aquelas pessoas deviam ser das últimas sobreviventes de uma época em que a lei é encarada para servir todos, e não apenas os poderosos, sem convenientes distorções. Deviam ter abraçado a profissão com muito amor e terem de exercê-la perante estes “controcionismos”, deve ser frustantemente desgastante e desmotivador.

O número de advogadozinhos como aqueles que a Randstad me deu a conhecer – gente jovem, altiva, arrogante, de postura mal educada, porvocatória e mentirosa, que esboçam um sorrisinho cínico a cada palavra “bem enfiada”, deve ser penoso de assistir. Foi para mim, que não sou da área, um lamentável circo. Imagino o que uma pessoa de bom carácter que trabalha com a justiça sente. São cada vez menos, e cada vez mais idosos…

A conselho destas pessoas, aceitei o acordo. Ir a tribunal era coisa que se arrastaria por anos. Seria necessário chamar testemunhas. Eles sabem que é pelo desgaste que cansam uma pessoa. Não foi a postura, nem as palavras ameaçadoras dos advogadozinhos que determinaram coisa alguma. Foi esta realidade. Levei em conta o conselho daquelas pessoas que já admirava e a minha vontade de colocar o assunto atrás das costas. E só.

A minha motivação sempre foi diferente da ex-colega. Nunca esteve no dinheiro e sim no sentido de justiça. Foi isso que lhes disse: "Só quero que se faça justiça". Explicaram-me os procedimentos e eventualidades das duas vias a seguir: o acordo ou os tribunais, aconcelharam-me pelo primeiro e como expliquei, dei-lhes ouvidos. Não queria ter coisas pendentes que me fizessem ter de lidar com aquele tipo de gente.
Uma pessoa tem de assumir as suas responsabilidades. Uma empresa também. Varrê-las para debaixo do tapete, não é digno. Procurava o justo, não a compensação monetária. Não me arrependo mas acredito que o melhor, para todos, seria ter levado o caso a tribunal. Não seria o melhor para mim, mas podia ser a atitude necessária.

Os sorrisos e risadas daqueles advogadozitos da Randstad à saída do tribunal, contentes porque a reputação da empresa não saiu manchada, deu-me a indicação. Eu tinha a faca e o queijo na mão. Eles sabiam. Há casos por onde podem abrir uma frecha e fazer crer que a pessoa também cometeu falhas. Já tinham mentido para ver se me viam perder a paciência. Mas não comigo. Não tinham mesmo ponta viável por onde inventar fosse o que fosse. Aqueles sorrisos cínicos de auto congratulação, estavam em extase.

Aposto que não entenderam o meu gesto. Nem a nobreza dele.
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Nunca mais lidei com a Randstad. Quando a vejo, passo ao lado. O simples nome é um palavrão. Estes também nunca mais quiseram saber de mim, a pessoa não grata... até um dia.
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Tinha-se passado mais de um ano. Toca o telemóvel e uma voz masculina identifica-se como sendo da Randstad. Queriam saber se aceitava um trabalho. Sabem qual? Uma porcaria!!! Deviam estar tão desesperados por cabeças, que até a mim recorreram, mais de um ano depois.
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Vejam só as condições que ofereciam: local de trabalho: um supermercado longíquo. Zona perigosa, de assaltos. Horário: de manhã até anoitecer, só sábados e domingos. Remuneração: nem chegava a 300 euros.
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Para uma pessoa no mercado de trabalho, isto é proposta que se considere? "Venha trabalhar a troco de tostões. Oferecemos trabalho árduo, más condições, e a eventualidade de ser assaltado com arma branca".
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Fui educada como sempre, e recusei.
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Devia ter dito, indignada: Oiça lá: isso é oferta de trabalho que se proponha a alguém??
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Depois de tudo, ainda cá vieram bater à porta, os descarados...
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Com a Randstad, nunca mais.

sábado, 24 de maio de 2008

My Bridget Jones Moment

Sim, sou mulher, solteira e na casa dos 30. E nunca, nunca sonhei ou desejei casar. Ok? Agora vamos à cena do filme que me fez subitamente perceber que já era uma Bridget Jones involuntária.

Trata-se da pavorosa cena do jantar à mesa. Bridget, a única solteira, acaba bombardeada com perguntas e observações verdadeiramente arrogantes por parte dos restantes presentes. E não é que os casais se comportam mesmo assim? O que se passa com as pessoas, com a sua identidade como indivíduos, que precisam de se agrupar, juntar-se a uma matilha e destilar veneno?

Sem dúvida, existe arrogância na identidade do ser “casal”. Casais só gostam de conviver com outros casais, descartando-se dos amigos solteiros. Mesmo que estes os tenham apoiado muito na vida, mesmo que tenham lá estado nos momentos mais difíceis. Se o indivíduo passa a pertencer à identidade “casal”, cresce-lhe uma arrogância, uma convicção de superioridade, que para cúmulo, o faz olhar de cima para baixo para o amigo solteiro.

Amigos solteiros são bons e lembrados, quando deles precisam. Quando uma babysitter faz falta e mais ninguém tem a vida tão “despreocupada”. O amigo solteiro serve para fazer pequenos favores chatos, que seriam um estorvo na vida de casal. Mas já não é convidado para as festas, passeios ou reuniões de convívio.

E depois, numa mesa de jantar, saem-se com atitudes de superioridade.

Isto leva-me a abordar o tópico do amor. Dizem uns que o amor é ter alguém a quem amar. Para mim este mistério está há muito solucionado. Querer viver um amor não é nada mais que um desejo de raiz egoísta. Não se quer dar. Quer-se receber.

Então, este sentimento que tanto glorificamos, nas relações um-mais-um, não passa de uma atitude egoísta. Amar, na verdadeira essência, é gostar de todas as pessoas com que nos cruzamos na vida. Respeitá-las a todas, gostar de conhecer novas. Amar é, acima de tudo, não querer que isso seja exclusivo.

Depois vêm aquelas pessoas que não são nada quando não são um casal. As “cabras” e “cabrões”, desculpem o termo. Homens e mulheres amargos, azedos, ríspidos no trato, e tudo porque não estão de momento a viver a sua identidade como casal. É egoísmo. Estas pessoas tendem a “amaciar” o comportamento apenas quando o estatuto muda de “livre” para “ocupado”. E ás tantas, tal é a ânsia de nunca ficar “livre”, que qualquer coisa serve. A necessidade de validação, de satisfação egoísta do querer alguém que o valide a si em deferimento aos outros, faz estas pessoas andarem pela vida a “picar o bilhete”. Acaba que nem chegam a conhecer um sentimento verdadeiro para viver a união.

E quem diz que a vida em casal é tão bonita quanto gostam de pintar? A maioria vive de aparências. Mesmo os que avançam nessa direcção o sabem. Mas, por algum motivo, por entre todo este processo, existe uma transformação. Os indivíduos sentem que subiram de “escalão”, são mais “crescidinhos”, têm mais valor ou algo assim. Ou então guardam as frustrações pessoais resultantes da relação monógama e quando vêm um solteiro pensam: Há! Aqui está um que não faz parte da matilha! Vou-te morder!

Inveja?

E eu nem sequer sou de ir ver ao cinema filmes como o de Bridget Jones. Foram precisos anos de repetição na televisão para, então já na casa dos trinta, perceber que já tinha experimentado o meu momento Bridget Jones. E mais virão…


Que se lixem os casais!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Meo Deos!

MAIS TANGA QUE NÃO PRECISAMOS
Os anúncios, mais de sete, passam na televisão aproveitando a imagem popular e humorística dos Gato Fedorento. Mas afinal o que estão estes a promover?





"Chegou a televisão do FUTURO, com mais de 100 canais e capacidade de gravar o que quiseres até 60 horas"


Um serviço de televisão "do futuro". Mais promessas de melhor imagem, mais canais, mais vantagens tecnológicas... mais do mesmo. Tudo muito bem pago. Só canais, são mais de 100. Quantos exactamente, não se sabe. Pois certamente isso vai depender do quanto está disposto a desembolsar. Quer canais um tanto mais interessantes? Então pague!

Mais de 100 canais servem para quê?
-Para demorar mais tempo a fazer zapping.

Gravação simultânea e até 60 horas serve para quê?
-Para nunca se ver o que foi gravado.

Tudo não passa de excessos, como são os brindes oferecidos com a compra de embalagens ou packs de comida. "Merdinhas de plástico". Tudo só serve para nos tornar cada vez mais a todos numa sociedade de excesso de consumo, apática e acomuladora de tralha que depois não usa.


Já vi televisão com 1000/mil canais (sim, mais um zero: 100-0 = 1000).
Garanto que nem eu nem as restantes pessoas que ali procuravam distração conseguiam se interessar por qualquer canal que fosse.
Além de muito "lixo" televisivo, os poucos dedicados a passar filmes repetiam-nos com tanta assiduidade que em três dias e horas diferentes não só apanhei o mesmo filme a ser exibido, como exactamente o mesmo momento da cena.

Pobre Harrison Ford! Sempre a ser esmurrado!

Como não possuo nenhum dom mediúnico, a coincidência não passa do excesso de repetição da programação. E se pensam que o filme em questão era coisa recente e boa para se ver, enganam-se. Era um daqueles que todos conhecem e já passou na televisão dúzias de vezes.

Mais uma vez, creio que estão a querer vender gato por lebre. E neste caso, usam mesmo gatos!

http://www.techzonept.com/archive/index.php/t-96292.html

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Adoro Televisão!

Televisão Digital: a ditadura

No que diz respeito à evolução na tecnologia, o cidadão submete-se muito mais do que manda. Os interesses económicos ditam o fim do sistema analógico e estão em guerra para ver qual dos sistemas digitais, o HDD ou o Blue Ray vão ficar com a grande fatia do mercado. E nós? Submetemo-nos, porque mais nada podemos fazer.

A televisão Digital irá ser uma realidade definitiva em Portugal. No Brasil a cidade de São Paulo emite totalmente em digital desde 2 de Dezembro de 2007. Mas questões levantam-se, uma vez que o governo não decide se vai permitir o bloqueio do sinal para gravações.

Ou seja: ao nos enfiarem o sistema Digital pela garganta abaixo, estão é a introduzir um meio de terem mais poder e ganhar mais dinheiro. Para funcionar, é necessário uma espécie de “power box”, semelhante à fornecida pela TV Cabo Portugal, a tal que já provou que a imagem digital estagna e apresenta defeitos de pixéis. Um extra de plástico que o sistema analógico dispensa. Se for proibida a gravação de todos ou apenas um programa que seja, cá está o melhor direito do cidadão que tem televisão a ir embora: gravar o que vê. Vamos pagar, claro. Pagar mensalmente para ter este “luxo”. E se quisermos mais canais, “especiais” também pagamos mais uns extras. Pagamos também a power-box. Pagamos os “vídeos on demand”. E vamos comprar as séries que tanto gostamos, porque não dão para gravar da TV.

É isso que se ganha com a TV Digital. Tudo o resto acredito realmente, é treta!

Faz-me lembrar a sociedade de hoje, que nos impinge uma série de produtos de plástico sem utilidade alguma e faz as pessoas sentir que precisam daquilo para algo. Tal como os brindes do Happy Meal do MacDonalds!

Sempre tive televisão. E tenho muitos programas gravados nela. Primeiramente, recebi esta maravilha tecnológica por uma antena no telhado. Depois uma só antena não era suficiente- disseram. Muito melhor era a imagem por satélite! Isso é que era bom, era só vantagens. Então, passei a ter televisão por satélite. Poucos anos depois surgiu o cabo. Isto era a melhor invenção de todas! O sinal viaja debaixo da terra, o que garantia a melhor qualidade de imagem sem o risco de trovoadas estragarem algo, o vento, as intempéries do tempo… a televisão por cabo foi “vendida” ao povo português como a segunda maravilha do mundo da televisão! A primeira claro, sendo a própria. Então passei a ter televisão por satélite e por cabo. O cabo oferecia também um pacote especial, interactivo, onde podia consultar a programação, ver programas quando me apetecesse etc. Um serviço muito publicitado, amplamente introduzido no mercado no intuito de levar o povo a aderir a esta MAIS dispendiosa mas imprescindível tecnologia. Só que o resultado ficou bastante a quê das expectativas. E a TV Interactiva nunca viveu um boom.

Agora vem o Digital e o que nos garantem é um leque de maravilhas para os sentidos. Promessa essa que, se formos a ver, é sempre a mesma para cada mudança introduzida no mercado. Como as pessoas engolem sempre o mesmo argumento, é que é o mistério.

Do novo sistema de transmissão de televisão digital espera-se imagens PERFEITAS, livres de fantasmas e chuviscos (onde já ouvi isto antes? Mas isto já não foi cumprido?). De promessas seguem-se tudo o que é supérfluo e não “pegou” com a TV Interactiva: tv nos telemóveis, interactividade diversa… tretas. As tais merdinhas de plástico que estão sempre a impingir.

A verdade verdadeira, a derradeira verdade, é que o povo quer é acender a televisão, mudar de canais e só. Tudo o resto é treta. Tudo o resto é supérfluo, disso não precisamos nem tão pouco vamos usar.

A verdade verdadeira e derradeira é que as imagens que gravei do tempo em que estas se recebiam pelas ondas hertezianas da antena no telhado, mesmo gravadas por vídeos mono e tecnologicamente pouco avançados, apresentam melhor qualidade que as que gravei posteriormente, nesse então maravilhoso “futuro” tecnológico, de áudio digital e stereo, prometido pela tv por Cabo que afinal tinha á mesma fantasmas, chuviscos, ausência de legendagem ou total desorganização na mesma e a imagem a desaparecer frequentemente, coisa que a antena no telhado nunca deixou acontecer. Com a antena no telhado não pagava todos os meses para ter televisão. E as imagens, garanto, são hoje mais resistentes. Algumas foram copiadas para outra cassete de vídeo e sobreviveram até estes dias como cópias. Mas estão melhor que originais modernos.

Portanto: estão ou não a querer entrar no nosso bolso em troca de uma ditadura? Sabem que mais? Eu só quero aquela antena no telhado, contento-me com 4 canais (para quê 40 se não se vê nenhum?) e até, com apenas um aparelho de televisão. E quem sabe, um dia, até este não desaparece?