Pessoal, eu sempre me senti muito atraída pelos países escandinávicos. Noruega, etc... Dou com este vídeo sobre a Dinamarca e... nojo.
Agora compreendo PORQUÊ não se vêm escandinávicos a emigrar. NÃO É porque LÁ ONDE ESTÃO é melhor. É porque lá é um microcosmos de preconceito e sofreram todos de lavagem celebral que os faz temer sair da sua zona de conforto.
Viva Portugal. Com todo o seu preconceito, que existe, não é nada disto aqui.
"NÃO ACEITAMOS PESSOAS QUE NÃO SEJAM BRANCAS"
"OS CLIENTES NÃO QUEREM PESSOAS QUE SEJAM DE RAÇA NEGRA"
"EXISTE UMA POLÍTICA AMBIENTAL FALSA"
"EXISTE UM PROBLEMA SOCIAL"
"CONHECI UMA DINAMARQUESA AQUI NA NORUEGA QUE TINHA UMA APP NO CELULAR QUE DIZIA QUAIS OS NIGHT CLUBS QUE NÃO TINHAM GENTE NEGRA E ELA NÃO VIA NENHUM MAL NISSO".
Grande retrocesso. Grande!
Ainda estou de boca aberta, de queixo caído!!!
Vi o filme Caça-Fantasmas de 2016 e fiquei agradavelmente surpreendida.
Agora que o vi, não entendo que fundamentos possam existir para a quantidade de criticismo negativo que este filme recebeu. As críticas más apareceram bem cedo, assim que se soube que os protagonistas da nova versão eram do género feminino, ao «verter» para a imprensa uma imagem de uma das atrizes dentro do fato dos caça-fantasmas, isto muito antes de terminarem as filmagens. Quis entender porquê as críticas más e que fundamentos apresentavam, então fui pesquisar.
Foi nesse instante que o meu queixo caiu. Outra surpresa. Mas esta muito desagradável.
O motivo principal pelo qual a maioria do público não aceitou o filme foi por ter sido protagonizado por MULHERES!!
A crítica diz que o filme foi arruinado pelo "feminismo". Lol. Claramente confundem feminismo com mulheres, bando de ignorantes. Confidencio que tenho-me deparado bastante com o uso deste termo em comentários no youtube, usado sempre de forma depreciativa.
E não gosto. Não tantas vezes quanto isso, tento fazer entender a pessoa - homem ou mulher - que está a «alimentar o dragão do preconceito», ao dar voz a teorias ridículas e misogenas. Cada vez que uma mulher pisa um pouco o risco, como ter um affair, ou olhar com interesse para outro homem, lá vêm as ofensas e lá conseguem encaixar este termo «feminismo» de forma a soar a coisa suja, imunda. A intenção? É só diminuir as mulheres. Só!
O documentário até pode ser sobre esposas assassinadas pelos maridos. Ainda assim, nessas circunstâncias, há quem as responsabilize sem sequer apontar uma só vez o dedo ao assassino. "Chovem" críticas à postura da mulher, críticas à forma como foi esposa, como foi mãe, como foi amiga... tudo. Basta estas apresentarem um defeitozinho qualquer no carácter ou de escolha e pronto: caem-lhe em cima. Mas mesmo que se mostre uma mulher recatada, com princípios e fiel a Deus: caem-lhe em cima, ou por acreditar no companheiro e lhe dar oportunidades ou pelo facto de ter fé. Se for ultra sexualizada é a mesma coisa: a diferença é que a culpa é do feminismo e além disso a mulher é também p**, c** e v*** e por isso fez por merecer e, cito: "não se perde nada".
A sério... Em que século é que estamos?
Em pleno século XXI ainda insistem em viver presos em décadas anteriores. Que moral têm para criticar homens que gostam de mulheres que usem hijab? Já nem sei quem é que recebe mais respeito... se as tapadas, se as destapadas.
Elenco de 1984 e elenco de 2016
Eu fui uma das pessoas que achei que o filme não ia ser nada de especial, mas foi um sentimento baseado no instinto, suportado pela linguagem que geralmente hollywood gosta de dar a remakes e a forma que tem de retratar um grupo de mulheres em filmes de entretenimento: quase sempre umas parvinhas, destrambelhadas ou umas sofríveis mas unidas guerreiras. Tornou-se já uma caricatura.
Agora que vi o filme. não só gostei, como apreciei as personagens femininas pela sua individualidade e concluí que não são nada do que pensava que podiam vir a ser. Gostei das actuações, apreciei as personagens, os cameos de todos os atores e até ri.
A primeira risada veio com a menção do nome do «fantasma» Patrick Swayze. Aquela cena do filme Ghost - o Espírito do Amor, que se quis a apoteose do romance, afinal será para sempre eternizada em gags humorísticas e aqui foi muito bem metida. Outra que me fez gargalhar foi a frase do exorcista. Aquele "compels you... " lol :) A do Clark Kent também foi óptima. E pela primeira vez na minha vida, entendi o fascínio pelas louras, sexys e burras. Devo-o a este filme. Em tantos anos de vida e filmes este foi o primeiro que meteu o equivalente masculino dessa versão: um gajo louro, sexy e burro! Tão burro que usa óculos sem lentes e quando escuta um ruído tapa os olhos, ehehe.
E a gag ao filme Tubarão, o que dizer? Foi a primeira nesta referência. Muito boa. "Por favor, não seja como o mayor(presidente da câmara) do filme Tubarão!" lol. E a reacção do mayor, totalmente transtornado: "Jamais me compares ao mayor do filme Tubarão!!".
Por isso é preciso ver antes de julgar.
Mas principalmente, é preciso parar com o preconceito!!!!!
Tenho andado em reflexões internas despoletadas por coisas que vou entendendo à minha volta. Hoje quero falar de RACISMO. Um assunto sempre algo controverso, que nos EUA chega a ser ridículo o quanto ainda parece existir segregação, pelo menos mental, por parte de cidadãos que gritam a sua linhagem com a arrogância de pureza de raça ou que fazem questão de ser chamados por Afro-Americanos, Nativo-Americanos, Latino-Americanos... Conseguem entender o que estou a evidenciar? Não deviam ser todos apenas Americanos??
Podem e concerteza devem ter ascendência noutras terras. Mas se alguém me perguntar: Qual a tua nacionalidade? Eu respondo o quê? Sou Latino-Portuguesa? Afro-Portuguesa? LOL. Acho que estas simples expressões, tão enraizadas no que se designa (perigosamente) no politicamente correcto que por lá chega a atingir níveis obsessivos ao ponto de por tudo e por nada activar a censura, contribuem para que se perpetue noções de separação mais do que união.
Repito que não estou a dizer que as pessoas não devam sentir a riqueza da suaascendência, procurar as tradições dos antepassados, a cultura... Mas dá para ter tudo isso e viver pacificamente. Quem procura a exclusão, e, o que é pior, coloca uma qualificação em cada etnia (Ex: eu sou o maior, vocês são idiotas/idiotas são vocês o maior foi o meu povo!) está a radicalizar-se. E o extremismo, com laivos de auto-proclamação de identidade «pura» já todos sabem ONDE vai dar, ou não??
A história da Humanidade não nos ensinou nada??
A actual posição do terrorismo praticada pelo islâmismo extremista não serve de lembrança? O actual extermínio praticado por esses que se julgam superiores e donos do correcto modo de viver, que massacram crianças, com requintes de tortura escandalosa, crueldade imensa, violência absurda, a actual situação dos milhares refugiados em êxodo dos seus países ocupados...
Tudo isto, a meu ver, devia servir para lembrar as pessoas até onde nos pode levar insistir com a segregação. A culpabilização, a vitimização... nos EUA tão patente, são ridículas. É nestas alturas que me sinto triste. Nestas alturas tenho a certeza que os sobreviventes de campos de concentração durante a 2ªGG, todos aqueles que lutaram por um mundo mais igual, menos sedentado, todas as «madres Teresas de Calcutá», aqueles que se manifestaram para ver o fim do Apartheid, os que perderam a vida, derramaram sangue e sofreram na pele o significado da exclusão motivada por etnia e religião, só podem estar às voltas nas campas, a levantar as mãos à cabeça e a gritar: "Os idiotas! Não aprendem nada!!"
Ficou gravado na minha memória o relato de um sobrevivente de Auschwitz aquando um dos julgamentos de Nuremberga. Ele dizia que nunca mais desejaria ver alguém passar pelo mesmo. Não queria inimigos, rejeitava o ódio, porque fora o ódio o causador do seu sofrimento. Desejava a paz entre todos os homens.
E acho que é essa paz que a humanidade não consegue viver com. Pois parece haver sempre alguém interessado e pronto a fazer de tudo para se afastar dela.
Mas regressando ao tema do racismo. Tenho andado a ver programas online sobre crimes e deparo-me com vários tipos de comentários. Um denominador comum na maioria dos comentários é o uso de palavrões e insultos para descrever as pessoas. Não só as retratadas, mas como também os próprios comentadores. Reparei então na quantidade de comentários fazendo referência a um denominador comum: a cor da pele. E surgiam coisas assim: "típico de branco", "bolacha de leite", "puta branca", "brancos malucos".
Pensei que ia encontrar uma igual quantidade de comentários do género fazendo referência a outras etnias. Mas fiquei espantada pois não encontrei. Com o politicamente correcto como nova forma de censura, se alguém descriminar «minorias», seja por inclinação sexual, seja por etnia, outros alguém "caiem" logo em cima. Porque não está certo, ou porque no passado essas «minorias» foram maioritariamente alvo de descriminação e torna-se incorrecto trazer ao de cima qualquer laivo dessa mentalidade.
Claro que encontrei um ou outro comentário absolutamente a atacar uma «minoria», revelando a burrice que ainda caracteriza algumas mentes simplórias. Mas por isso mesmo não se dá grande importância a quem, em cada palavra que deixa escrita, só sabe expressar burrice por todos os poros... É um pobre coitado. Provocar é o único entento e, geralmente, os comentários não irradiam inteligência ou coerência.
Mas fiquei a pensar... ao ler aquelas expressões sobre "brancos": onde estão os "defensores" que se posicionam CONTRA o racismo e descriminação? Nos comentários que aludiam à cor de outras etnias, lá estavam uns tantos a chamar a atenção: "És preconceituoso! Racista!". Quase ninguém deixou um comentário do género nos tais que mencionavam "o branco". Porquê?
Não simpatizo com o termo «Racismo Invertido», que é o que muitos hoje em dia usam para mencionar este comportamento aplicado a uma «maioria» branca. Racismo não tem cor, não é exclusivo de um grupo, logo não é invertido. Mas entendo de onde vem. O termo faz referência a um racismo que durou muitos anos na sociedade de classes com escravatura, no qual o branco foi induzido a ver o negro como inferior. Que de facto isso existiu, existiu. Decerto que, como tudo na vida, não teve aderência de 100%. Afinal, mesmo durante a perseguição de Hitler aos judeus, alguns alemães e outras pessoas viram os acontecimentos pelo que eles eram e trataram de ajudar a salvar vidas inocentes, mesmo sabendo estar a arriscar as suas e as dos seus. Mas uma grande maioria, infelizmente, deixa-se levar, impotente, temente, ignorante ou em concordância.
Mas hoje em dia qual a razão que pode levar uma pessoa a alimentar o ódio e o preconceito? É a ignorância? Quando não falta informação por aí? Quando a instrução nasceu, finalmente, para todos? É a impotência? Quando nunca antes cada qual é dono de si e as leis tornaram-se iguais e os cidadãos têm direitos e deveres iguais diante das leis e das pessoas? Quando por lei não se tem mais divisão de pessoas por cor, nacionalidade, etnia... A não ser as que as próprias pessoas colocam nas suas vidas, claro.
Não faz sentido. E por isso acho que, se não se aceita o termo «preto» não se deve aceitar o «branco». Ou se acaba com estas parlermices ou então não adianta apenas retirá-las de um lugar e colocá-las num outro. Vai dar ao mesmo.
Mas mais que proibir, banir ou penalizar, à que deixar a liberdade de expressão fluir, pois nem sempre quem as usa tem intenção pejorativa. Felizmente portugal não é os US... País em qual as pessoas estão praticamente proibidas de fazerem referência à cor de um negro usando o termo negro, caso não sejam elas mesmas negras! Entre a população negra consideram estatus chamarem-se "my black brother, bro, sister" (irmão negro, mana, mano) desenvolveram expressões onde metem o black (negro) em tudo - kiss by black ass, I'm back and I'm black (beija-me o cu negro/Voltei e sou negro). Até entendo. Mas não percebo então porque não se pode liberalizar a palavra e porquê se uma pessoa que aparenta ser branquinha na pele e descreve alguém como «a pessoa desaparecida é negra» ou «hispânica» caem-lhes logo em cima com acusações de racismo... É? Se sim, pergunto-me de que direcção vem.
Clint sobre raça: um dos problemas que o país atravessa hoje é que todos se levam muito a sério.
No meu tempo era mais engraçado, todos faziam piadas e divertiam-se com os amigos.
Cresci perto de uma comunidade espanhola-italiana e às vezes chamavam-me Diego. Hoje não se pode dizer isso.
A vantagem de ter mais de 70 é que não se liga a essas merdas e pode-se dizer o que nos apetece.
Nestas andanças deparei-me também com um programa interessante onde fazem exames de ADN a celebridades para descobrir as percentagens de etnicidade. Num dos shows dois famosos negros competem entre si para ver quem vai ter a mais elevada. Snoop Dog participou e ficou atrás de um outro indivíduo. Foi logo apelidado de branquela, riram-se, a plateia riu também, o apresentador despejou uma série de piadas sobre brancos, o tipo fica desapontado por não ter uma percentagem mais elevada e conseguir destronar o "rei". Enfim. Confesso que achei piada, embora tenha percebido uma abordagem algo racista. Mas vi o humor e penso que o humor não é para ser levado tão a sério. O humor devia ser livre de censura!
Noutro vídeo sobre ADN encontro uns irmãos gémeos que explicam que quiseram saber a sua percentagem negra porque estavam cansados de escutar que são "brancos", que não são "negros o suficiente"... e que essas atitudes descriminativas não vinham de gente branca, mas dos «irmãos negros», os «sacanas filhos da mãe» - a linha do vídeo foi também toda humorística. E mais uma vez, o humor é o humor! Eles queriam "calar" as bocas e ao provar com o teste de ADN que tinham 56% de sangue negro ficaram contentes. Porém na secção de comentários as pessoas não andaram tanto a celebrar... Algumas continuaram a martelar no facto de terem uma elevada percentagem de ADN não negro.
Enfim, numa outra perspectiva, curiosa, regresso aos vídeos sobre crimes e à leitura dos comentários. Deparo-me com outra circunstância muito comum. O recurso a termos depreciativos e ofensivos, palavrões inclusive, incluídos gratuitamente no discurso. Há pessoas que não conseguem escrever uma só frase sem construí-la quase toda com palavrões!
Fiquei a pensar: quando é que se tornou normal (porque é uma norma generalizada) descrever coisas que nos frustram, pessoas que nos aborrecem, acontecimentos que nos surpreendem, com palavrões??
Comecei a pensar no papel do cinema americano, do calão... de onde veio essa mudança? Nos EUA quase todos comentavam usando as palavras cunt, bitch, ugly, pathetic, chucklefucks, para descrever as mulheres. E nem precisavam ser criminosas ou ter cometido atos indesculpáveis. Mesmo as que haviam sido vítimas de um ato atroz e sobrevivido, por vezes eram tratadas com o mesmo desprezo, a mesma desvalorização com recurso ao palavrão.
Uma pessoa reparou e comentou a quem deixou o comentário que ele odiava as mulheres. Comentei também... mas a chamar a atenção para o facto de não deixar de ser verdade que se está a diminuir todas as mulheres ao recorrer a esse tipo de vocabulário. Afinal, se não se pode chamar "bicha" a um gay, não se pode chamar preto a um negro, porquê uma mulher continua a ser referenciada como "put...", "cabr....", "gorda", "feia", etc?
Acabou que o tipo nem tinha qualquer problema com mulheres. Ao contrário, parecia ter uma vida bem moderna na qual a liberdade e direitos eram partilhados. Contudo, expressou-se de tal forma - com tal vocabulário que, de facto, sem perceber, estava a cometer um crime que, decerto, daqui a uns anos, não vai gostar de ver reproduzida na forma como a sua filha vai ser tratada pela sociedade.
Pior do que o preconceito de etnia, acho que continua a ser o do género! As décadas vão e ainda passa tão despercebido as tantas e tantas formas que ainda se usam para diminuir o sexo feminino. Reflecti então na origem desse vocabulário. Afinal, à apenas umas poucas décadas, não se falava assim, com tanto palavrão. Descrever uma mulher, fazer-lhe referência não era chamar nomes. Mas depois vieram os filmes, a mostrar o estilo gangster, a glorificar a vida das ruas, o linguarejar de gueto... e tudo o que é mau parece atrair mais, certo? Vai na volta, começou-se a descontrair. Tudo bem... mas descontrair e recorrer a palavrões são coisas distintas. Acho que tem de existir equilíbrio e bom senso. Educação. Não vou chamar alguém por "aquela cabra". A pessoa, mesmo que seja odiada, tem nome. Pessoalmente, não preciso de descer ao palavrão para expressar fúria. Se bem que tenho de confessar: já fui apanhada por essa onda. Antes não dizia uma palavrinha sequer! Comecei a escutá-las repetidamente, e nem foi pela boca dos mais novos, foi pela dos mais velhos, e comecei a exclamar um palavrão quando estou sozinha e algo corre mal.
Ainda vou a tempo de me corrigir e regressar ao meu «eu» ehehe. Mas a verdade é que os mais jovens falam um calão mais "verborreico", os mais velhos e talvez frustrados, saem com palavrões também... e vai uma pessoa educa as crianças a não dizer palavras feias mas não dá o exemplo, né? Ontem furei o dedo com uma agulha (sim, andei a coser) e aquela picada fez-me soltar um fod....!
Antes não soltaria uma exclamação com esse palavrão. Usaria "Bolas!", por exemplo. Se bem que um palavrão de vez em quando também não faz mal a ninguém... O problema é que os palavrões alastraram-se tanto que estão por toda a parte.
Não sei quando aconteceu mas a linguagem de «gueto», do crime, dos traficantes, etc, espalhou-se e infelizmente, parece estar a influenciar também as mentalidades para um retrocesso estúpido e sem sentido.
Esta história já tem algum tempo. Achei muito graça a ela e tive a ideia de a partilhar aqui. Já não recordo se o fiz ou se acabei por não o fazer.
Numa ocasião em que fazia de «babysitter» a duas crianças de 7 e 11 anos, elas decidiram folhear um álbum fotográfico com imagens familiares: avós, tios, desconhecidos, etc. Subitamente ficam muito espantadas ao me reconhecerem numa das imagens. E dizem:
-"És linda!"
No instante a seguir:
-"Estragaste-te".
Não sou de andar com fotografias minhas nem de ninguém. Mas noutro dia andei a brincar com o telemóvel novo, um smartphone (que nunca tive antes), e ao fazer experiências fui buscar uma foto em que apareço ao lado de um gato de estimação. Calhou uma colega ver a imagem, quando varria o dedo no touchscreen à procura de uma informação. E mesmo só de relance, ela ficou surpreendida. Perguntou-me de imediato que idade é que tinha na altura, há quanto tempo tinha tirado a foto, dizendo que só podia ter sido há muito, porque era «muito nova».
Tentei relativizar a situação, acrescentando um dado extra que ela devia levar em consideração (para além do tempo): 20 kg a menos fazem diferença no aspecto de uma pessoa! :D
Procurei não dar importância ao fato dela ter «descoberto» que não era tão jovem quanto se calhar imaginava. Decidi que a idade é um empecilho para a vida e, como tal, e por nunca lhe ter dado importância, vai passar a ser um dado conhecido só por mim (e por todas as entidades em que andamos, dasss) e que, para os outros, não é relevante. A sério, acredito mesmo nisto que estou a dizer. Acho que conhecer a idade de outra pessoa leva quase automaticamente a uma catalogação. A uma inclusão ou exclusão. Prefiro que me conheçam a mim, e não há pessoa com uma idade. Também acredito que a idade está na cara das pessoas, ninguém nos tira isso. Mas dão-lhe demasiada importância, de tal forma que chega a ser uma arma social usada para ferir e diminuir. Uma forma de dizer às pessoas que prestam ou não prestam para algo. Terrorismo social, é o que é. Bem faziam os nossos bisavós que se esqueciam dos anos de vida que tinham nesta terra, porque o importante era vivê-la. não contá-la. O importante era celebrá-la e não sentir-se velho e derrotado a cada nova data de aniversário.
Espírito livre e dada a poucos preconceitos, não vou alimentar este. E percebi isso quando descriminei uma pessoa por ser «jovem demais». Mesmo tendo uma mente aberta, quando tocou a mim, não agi como apregoei (existiram outros factores mais decisivos, mas ainda assim) e declinei uma relação devido à diferença de idades. Só depois percebi que tinha agido preconceituosamente.
Como o nome neste blogue diz, sou de Lisboa. Sou uma “Alfacinha
de Portugal”. Mas quando tive de complementar os estudos no ensino superior,
fui parar a outra localidade. Foi preciso chegar ao último dia de muitos anos
de curso para descobrir o seguinte:
Colega: “Ah, tu até és uma
pessoa simples e simpática. Eu pensei que eras um tanto arrogante.”
Eu: “Ah? Porquê?”
Colega: “Ah, por nada. Foi uma
impressão que tive. Não fiques chateada”.
Eu: “Não me chateio. Mas de onde tiraste essa ideia?”
Colega: “Porque na primeira vez que nos conhecemos disseste que eras
de LISBOA de uma maneira… olha que não fui só eu a pensar assim. Muitos acharam
o mesmo.” “Mas afinal não és nada disso” -
diz ela, acrescentando ainda que outras pessoas a quem tinha em alta
conta afinal desiludiram e provaram não serem boas pessoas.
Depois de matutar neste diálogo, percebi que ao longo de
todos aqueles anos houve pessoas com quem me relacionei que mantinham uma “muralha”
erguida, uma postura impenetrável. Aqueles que não se riam, que não mostravam
interesse em me conhecer melhor ou que se mostravam extremamente desagradados
por me dar com outras de quem já gostavam… Estas pessoas decidiram logo ali: «não
gosto desta miúda» e ficou assim. Não
por mim, mas por eu ser de Lisboa. A capital, a grande cidade, o lugar das
oportunidades… e estava ali. "A fazer o quê?" - perguntaram alguns em verdadeiro espanto. Ser de
Lisboa passou a ser um fardo, ainda que não o entendesse totalmente, alturas
existiram em que senti alguma hostilidade, que não pensei dirigida a mim em
particular, mas pelos vistos era. Depois deste diálogo as coisas ficaram mais
claras. Como peças de um puzzle que finalmente se encaixam. Todas as vezes que
ouvi “Em Lisboa há de tudo, aqui não há
nada”, lá vinha um olhar penetrante como uma navalha. “Tu tens sorte porque és
de Lisboa”, "Fui poucas vezes a Lisboa, é um tanto confuso e tem muita gente mas gostava de morar lá".
Eu nunca me vi diferente de nenhum deles. Podia ser dali ou do estrangeiro, para mim era tudo igual. A naturalidade ou as posses materiais não são, para mim, motivo de descriminação. Que maluquice! Esse
preconceito vinha deles, de alguns deles, que, no fundo, dão razão àquela expressão: “quem desdenha quer comprar”. Soube depois que muitos desses que tanto
mal falaram e tanto cobiçaram, mudaram-se para Lisboa assim que puderam. E sem
olhar para trás! Querem lá saber das raízes… Contudo, duvido que não continuem portadores
do vírus da «mentalidade tacanha», que tanto lhes pautou o comportamento e a
razão. Eu julgava que a ideia que um provinciano faz de alguém da capital era um
mito, deitado abaixo, ainda mais entre estudantes universitários à beira da
viragem do século. Mas senti na pele que não. Havia mesmo quem acreditasse, sem
sequer ouvir uma palavra da minha boca ou me conhecer, que era arrogante e que
tinha a mania, porque era natural de Lisboa. Mais tarde vim a descobrir que a reputação
dos oriundos daquela região também não é das melhores… Mas na altura isto não
era sequer uma coisa que me passasse pelo pensamento. Tenho sérias dúvidas que
pessoas assim mudem. O preconceito carregam-no dentro de si, o sentimento de
inferioridade e exclusão também. Façam o que fizerem, será sempre
meio-autêntico, meio-falso, porque o que lhes interessa é o status e a
aparência. Custe o que custar.
Somos alvo de descriminação de tantas formas num só dia, que a forma natural que temos para não nos incomodar-mos com isso, é nem darmos por elas ou recebe-las como um comentário irónico e inocente. Ultimamente, tenho percebido qual a forma de descriminação que me incomoda e da qual estou a ser vítima. Como disse, incomoda-me e não gosto.
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O que me incomoda mais ainda, é a mediocridade que sobressái desse preconceito. A pobreza de alma e de espírito, de quem procura qualquer coisa para dizer mal ou mandar abaixo outrém. Se eu não o faço, não é difícil não seguir esse viciante caminho de apontar aspectos negativos dos outros com rapidez e julgamento. Pontos positivos, esses as pessoas nunca falam.
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Incomoda-me a mediocridade e a ignorância. A ignorância de não saberem que estão diante de uma virtude, que classificam como defeito.
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No meu caso é simples: comecei a perceber, pela boca de uma "amiga", que me fez comentários e me adjectivou de ser uma pessoa "calma, paradinha", "mais paradinha que eu não existe". Perguntei-lhe porquê disse aquilo, em quê se baseava. Não soube ser precisa. Apenas me disse que o era, perguntei-lhe se se referia há forma de estar ela disse "e não só" e nesta conversa, senti que me rebaixava por esta característica. Logo quem! Mas isso explicarei adiante.
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Levei aquilo a peito por alguns motivos. Primeiro, por estarem a transformar uma característica pessoal, adquirida graças ao meu fundo nobre, que da necessidade de arranjar tranquilidade no meio de uma infância de conflicto e dor, aprendeu a ficar calma e racional ao invés de despejar a ira em cima dos outros. Uma grande virtude, mesmo grande, dadas as circunstâncias.
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Depois porque pegou nesta característica com um tom perjurativo e estendeu-o implicitamente à forma de trabalhar quando, quanto a isso, tenho a certeza absoluta que sou dinâmica e rápida, mais ainda em situações de stress. Oiço-os a gritar e barafustar diante da pressão e eu sou aquela que também a sente mas ao invés de barafustar, faço mais que isso: trabalho e ajudo os outros a trabalhar melhor. Dou tudo de mim e reduzo o tempo que levaria a fazer a tarefa sem lhe retirar qualidade e valor, ajudando nisto os outros através do diálogo e da prestatividade.
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E tudo o que vêm em mim é moleza?
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Levei aquilo a peito sim. Sou uma guerreira, que não precisa de vestir armadura e dar gritos de guerra para se mostrar. Levei a peito ainda por outras razões. Estas ligadas com a saúde, com o organismo. E aqui trago a apresentadora americana Oprah à conversa. Tudo porque li hoje na imprensa algo com que posso me identificar muito bem: as consequências do hipertiroidismo "passando", como diz o artigo, pelo hipotiroidismo. Ou seja: também eu tenho aqueles sintomas de cansaço, apatia, e sou gorda sem conseguir perder peso. Isto dura há mais de 10 anos. Agora imaginem isto e saibam que sou uma pessoa que gosta de estar activa. Que todos os dias caminho para o emprego, numa caminhada de subidas e descidas que totalizam 40 minutos. Inclinações de 45º, ruas que subo cada vez melhor, mas sempre com a limitada energia que a condição do hipertiróidismo e a anemia me atribuem. Ou seja: sou um automóvel com pouca gasolina que chega à mesma ao lugar. Dá para entender?
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Então por tudo isto, considero-me ainda mais heróica. Porque quem me criticou, no caso, é uma pessoa que não anda a pé, só de carro, que é magra, que fez análises a tudo e mais alguma coisa e tem a saúde perfeita, que é muito indecisa e incapaz de tomar uma decisão até no supermercado, sobre se leva ou não leva uma sandes de presunto ou uma sandes de fiambre. Uma pessoa que trabalha diante de um computador utilizando a aplicação com alguma lentidão em alturas em que a pressa urge. O que faz bem é falar ao telefone e planear saídas nocturnas com diversos conhecidos.
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Posso dar o aspecto de ser "paradinha", mas vejam lá se sabem distinguir as diferenças entre o SER e o PARECER. É que a forma como encaro e levo a vida não é nada parada. Se fosse, não me submetia todos os dias a ir a pé para os locais, a viajar de transportes, a adiar consultas médicas para que o trabalho apareça feito a tempo de o passar a outros. E faço tudo com a desvantagem da minha condição física não ser igual à das pessoas 100% saudáveis. Eu posso não exteriorizar uma ferida ou machucado, mas sofro de uma condição física que mexe com as hormonas que estão encarregues de todas as funções do corpo, segundo entendi. Sou "escrava" delas, não as controlo. Elas é que me controlam a mim. E ainda assim, não me submeto e faço por continuar a ter o dinamismo que caracteriza a minha forma de ser. Ainda que não sobressaia, as acções o demonstram. Há mais de 10 anos que estou à mercê desta condição e estou cansada de me sentir cansada. A medicação ajuda, mas não irradica. Se dúvidas existissem, basta ver o meu cabelo cair e cair aos molhos, ao longo dos anos, com uma frequência que denuncia o problema. Esse mal não parece atingir Oprah ainda, que bom para ela. Para uma pessoa sem vaidade mas que agora percebe que tinha um cabelo lindo e farto, a farripa que me resta deixa-me desgostosa. Já não posso perder mais. Se continuar a este ritmo, começará já a aparecer calvice. A roupa que comprei há alguns meses está mais apertada ou então já não serve mais. No entanto, faço mais exercício, alimento-me muito melhor e estou a seguir a medicação.
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É muito redutor, esta redução de tudo aquilo que sou por algo que não posso controlar mas à qual não me entrego e enfrento. É como ser velho e ser descriminado por ter idade, ou ser paralítico e acharem que se é morto cerebral por isso. É um julgamento de fora para dentro, como quase todos são, e uma pura estupidez!