Hoje estou de folga mas nem me apetecia estar.
Não fosse pelas noites e manhãs de horas com tosse e sensação de fraqueza, acho até que teria pedido para ir trabalhar. Será que esta preferência advém da falta de conforto aquando no lar?
Os meus planos passavam por sair nos dias de folga. Dar umas voltas, tentar conhecer melhor os lugares que me rodeiam, encontrar bons sítios para comprar alguns presentes e levar para Portugal... Mas o despertar fraco e doente me impediu de concretizar qualquer dos desejos. Isso e a chuva constante, o frio...
Finalmente consegui ficar inscrita no NHS - o sistema de saúde inglês. E consegui uma consulta para hoje cedo. Mas quem disse que consegui? Deixei de ir ao médico por estar doente!!! Ahahha.
Esta é demais.
Mas tive vários motivos para achar que a consulta não ia ser produtiva.
Queriam uma amostra de urina e, como estou, ando a urinar de duas em duas horas... Nem sei que tipo de xixi queriam, só me deram um frasco e nada mais disseram. Seria o primeiro da manhã? Qual deles?? Poderia fazer análises ao sangue tendo ingerido alimentos açucarados duas vezes durante a madrugada? Afinal, trabalhei madrugada adentro...
Não estava em condições físicas, orgânicas, psicológicas, por isso adiei.
Também de pouco me adiantaria, viajo em menos de uma semana. É em Portugal que ainda espero poder tratar de alguns aspectos relacionados com a saúde. Mas esperava fazê-lo saudável, não assim!
Muitas pessoas que moram nesta cidade dizem que os médicos aqui não valem nada. Mais que uma já me relatou que vai-se ao médico com qualquer queixa e este responde que "está tudo bem". Receita uma coisa qualquer e põe-te a andar...
Tenho receio desse descaso.
Por pior que seja o sistema de saúde Português, penso que é difícil encontrar médicos que façam pouco caso das mazelas dos pacientes.
Se, a tirar pelo exemplo do que experienciei ontem - quando consultada por alguém que me foi dito que seria uma enfermeira, tudo o que aqui querem saber é se bebes e fumas. Algo que especificas com detalhe na inscrição, que te voltam a perguntar um mês depois aquando o registo e no final ainda te entregam outro papel para que voltes a repetir o mesmo. Fui oscultada nas costas. Ainda perguntei se precisava estar com a coluna direita, mas responderam-me que era indiferente e mandaram-me inspirar e expirar normalmente. Mal inspirei, ainda ia a meio do expirar já o coiso redondo saía de um sítio nas costas, para outro.
Diagnóstico?
-"They're clean. I believe you got an english bug!"
-"Estão limpos. Acho que apanhou um bichinho inglês!"
Pois...
Mas eu conheço a força dos «bichinhos ingleses». Foi depois de apanhar um «bichinho» inglês aquando estudante que todo o meu sistema imunitário se fragilizou e logo a seguir vieram os diagnósticos de anemia e tiroide. Que não se menosprezem os «bichinhos ingleses».

Na outra esfera de preocupações ligeiras, está o ambiente em casa. O indivíduo regressou, e com ele cada qual se evita um pouco mais. A pesar de ser incrível o número de vezes que as portas cá de casa abrem e fecham - um absurdo realmente, acho que chega à centena - cada qual se evita ao máximo. Ainda agora, em que fui buscar ao piso de baixo a roupa que consegui finalmente colocar a lavar, mais para deixar a máquina disponível para outra pessoa que por outra qualquer razão, a porta do quarto da rapariga estava aberta, a música saía alta mas, ao me ouvir descer, a primeira coisa que ela fez foi empurrar a porta para a encostar. Não satisfeita, ainda a empurrou para fechar antes que me aproximasse. Não sei... achei aquele gesto um pouco grosseiro. Porque se me apanham de porta aberta, eu não a vou fechar de imediato. A outra pessoa podia interpretar isso como uma indelicadeza à sua presença notada.
A minha tosse impossibilita que a minha presença não seja notada.
Agora o que realmente me surpreende é a quantidade de vezes que se abrem e fecham portas. Enquanto aqui escrevo, já a rapariga subiu os degraus umas 15 vezes, foi ao wc umas outras 15... É tão somente um facto que me surpreende. Eu, adoentada, vou muito mais do que é habitual mas... No geral, nenhum fica mais que duas horas sem ir puxar o autoclismo. A rapariga então... É capaz de ir em intervalos de 15 minutos, meia hora.
O que tanto se faz para se precisar tanto de ir ao WC???