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segunda-feira, 20 de maio de 2019

Amizades punitivas

Um conhecido meu costumava receber muitos comentários nas mensagens e fotografias publicadas no facebook.  A determinado momento deixou de os ter. Dá até dó, perceber que só o pai e a mãe lhe deixam comentários. 

O aparente motivo? Infidelidade. 
Tudo aconteceu depois do rapaz engraçar-se com outra mulher que não a esposa. 


Sim, ser infiel não é bonito. Mas que resulte em tornar uma pessoa um párida e todos cortem os laços de amizade deixa-me atónita. Mas que mundo é este em que tantos se julgam no direito de atirar pedras, como se não fossem eles também pecadores?

A traição diz respeito a ele e à mulher. Não é algo que diga respeito aos amigos ao ponto de cortarem relações. Claro, eram todos amigos em comum e daí um partido foi tomado: o da vítima. 

Tenho a amizade num patamar mais elevado, onde se aceitam as pessoas pelo bom e o mau que têm. Não é preciso passar a mão pela cabeça, mas abandonar, assim? É desumano

Não conheço se os contornos da situação são mais graves, para justificar tal comportamento em pleno século XXI. Mas espero que seja algo que os amigos tenham decidido fazer no círculo restrito do facebook, para não ferir a susceptibilidade da agora ex-esposa. 


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Viver e não desistir (?)


Nascemos assim:


Mas depois...





E quando crescidos...





Será (que) assim (que) chego à terceira idade???









sexta-feira, 23 de junho de 2017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A noção de que somos todos irmãos


É na tragédia que se percebe o quanto o mundo é pequeno.´

A morte de tantos inocentes no incêndio em Pedrogão sensibilizou de imediato o país inteiro e os portugueses a viver no estrangeiro. 

Saiu um apelo nas redes sociais por informações de famílias desaparecidas. 

É uma tragédia que nos afeta a todos. 
Se pensamos que alguém que não conhecemos diretamente não nos é nada, estamos enganados. Vim a descobrir, por intermédio da quantidade de pessoas surpreendidas, que tantos que conhecemos isoladamente conhecem direto ou indiretamente um teu familiar. Todos interagimos uns com os outros. Efeito borboleta...

A morte trágica que está a abalar familiares meus, que tem a mesma ressonância em tantas outras famílias, serviu para perceber o quanto eram amados por colegas, amigos, família. Serviu para saber que a prima da cunhada conhecia a mãe da vítima... E que a ex-colega do emprego tem um irmão que trabalhava e convivia com a outra vítima... Serviu para saber que as empresas onde trabalhavam ofereceram ajuda, serviu para entender que nos unimos em momentos como este. 

O mundo é assim: tão pequeno.
Todos se conhecem... 
E no entanto, estamos sempre tão sós...

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Lições de Vida


À medida que vamos envelhecendo evoluímos gradualmente  para «pessoa sem interesse». Até os nossos próprios familiares podem olhar para nós e sentir que já não nos querem tão por perto (observo isto, não que o sinta... muito). Então percebi uma coisa.

Tenho de ser uma velha RICA.

Assim nunca ficarei muito tempo sozinha, sem uma visita, de amigos, parentes ou simplesmente pessoas que acabaram de me conhecer e já me adoram. 


Acham mal?
Pensem na alternativa.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A ordem natural das coisas


O tema vem a propósito de um post facebookiano em que calhei colocar as vistas em cima. 

"Queixava-se" a pessoa que os filhos são e sempre serão ingratos e "nunca vão saber" tudo o que os pais fizeram por eles". 

Mas afinal existe ingratidão? Qual o lado realmente "ingrato"? O dos filhos ou o dos pais?


Deixem-me partilhar o que penso: Se tem de existir essa tal de «ingratidão», então que seja do filho para com os pais. É só a ordem natural das coisas. Porque quando são os pais para com os filhos, é muito, muito pior!!


Mas o que está realmente em causa será a ingratidão dos filhos ou será a solidão dos pais?

Acredito que muitos filhos não são ingratos. Se a alegação aparenta ter fundamento é apenas porque os filhos estão a fazer pela vida, moram em suas casas, têm responsabilidades maiores e muitos têm já crianças suas para criar. Dão a atenção que conseguem dar dentro da azáfema da vida que levam.

Os pais de hoje, que se queixam da falta da atenção dos filhos, por acaso pararam para pensar se como filhos, também foram 'ingratos'? Se por acaso os seus pais também sentiram o tal do abandono? E se sim, por acaso foram eles responsáveis?


É o ciclo natural das coisas. E assim tem de ser. A meu ver, um pai devia sentir-se contente por ver que um filho tem uma vida preenchida. É sinal de que fez um bom trabalho na sua criação. E agora chegou a vez de ser o filho a fazer pela vida, a abrir o seu espaço, a vez de ser ele a criar a sua família.

E o que acontece aos "avós"? 
Em portugal não estamos mentalmente "formatados" para pensar em ter uma vida pessoal para além da familiar. As coisas se misturam, é bem verdade. Mas também precisam de ser distintas em alguma coisa. E em Portugal não se tem muito essa cultura. Por cá o comum é, depois dos filhos criados, surgir a reforma e com ela, tempo. Tempo de vazio, tempo que deixou de ser medido ao segundo, tempo para preencher. Tempo em que nem se sabe em que dia da semana se está. E o mês, por vezes, também escapa. Se as relações pessoais forem escassas ou nulas, a solidão fica evidenciada. 


É ingrato que um filho adulto seja 'bombardeado' diariamente por um pai/mãe que, não tendo muito o que fazer, acha que o filho também não. E por isso lhe telefona sete vezes por dia. E para lhe dizer o quê? Para perguntar «o que comeu», «o que está a fazer», etc. Conversa que cai bem quando o filho tem dois anos, não tanto quando anda pelos 42.

Na América, que é o exemplo mais flagrante de que me recordo, a mentalidade de quem chega à terceira idade e à reforma é outra. Para eles chegou a altura de "pendurar a enchada e... festa!". É altura de aproveitar a vida, de viajar, de se mudarem para a solarenga Flórida, de tirar cursos, de se divertirem e terem poucas responsabilidades. Isso ficou bem nítido para mim aquando acompanhei na TV o caso de um avô que teve de criar os netos pequenos por o pai ter assassinado a mãe e de seguida ter apanhado perpétua. Ficou claro no seu discurso e no das pessoas que o rodeavam, que aquilo não era visto como uma responsabilidade, como um dever, mas como algo admirável. E todos diziam, inclusive ele que, com aquela idade, não era suposto lidar com aquele nível de responsabilidade. Já tinha criado os seus filhos. Era suposto estar a aproveitar os últimos anos de vida.

É um pouco diferente da mentalidade de cá, não vos parece?

Tradução: Flórida, a sala de estar de DEUS
Nos EUA a idade da reforma é a altura da RECOMPENSA por uma vida de trabalho
"Divertir-se é a etapa final antes de morrer"

Outra realidade que condiciona bastante a mudança de hábitos na terceira idade portuguesa é o valor das reformas. Se nos EUA os idosos mudam-se para a Flórida, viajam, etc, é porque conseguiram uma reforma com um valor que lhes permite isso. O mesmo acontece com os Ingleses, que cá fazem vida. A reforma é mediana para o custo de vida inglês, mas aplicada cá, dá para luxos. O português é que, com a reforma que tem, só consegue arrastar-se pelos cantos e esperar que o dinheiro chegue para os medicamentos, comida e contas.

Um equilíbrio entre as duas realidades seria o ideal. Em Portugal ainda somos muito fechados, tomamos tudo para nós, criar um neto enquanto os filhos ficam a trabalhar é algo desejado e deixamos outras coisas para outro plano. E depois muitos têm este péssimo hábito de... cobrar! Cobrar ao filho por o ter posto no mundo. Só porque não arranjam o que fazer com o tempo que dispõem.


Claro que sei que, alguns filhos, não têm mesmo problemas em ver os pais uma vez por ano - no Natal. Mas creio que na cultura portuguesa é mais comum o que relatei acima. E sinceramente, alguns pais foram maus pais. Atrapalharam e prejudicaram mais do que ajudaram. A autocomiseração de alguns no facebook meio que me recorda disso.