segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
Aos pulos com rabinho de pompom
Vi um coelho a aparecer no meu caminho agora, quando estava quase à porta do emprego. De início senti comoção por ver o animal. Depois desejei que não tivesse surgido na minha frente. Este ano so quero ver ratos.
Cortesia condicionada
Ela transformou-me numa pessoa aparentemente mais fria. Mudou os meus hábitos, o que seria de minha natureza fazer, caso ela não andasse por perto.
Uma coisa que me dá prazer, é partilhar comida com outras pessoas. Não sei porquê, mas gosto. Se tiver a sobrar, ou não tiver mas for o suficiente para duas pessoas, ou se der para dividir um donut que seja... dá-me prazer fazê-lo. Está na minha natureza oferecer. Somente isso. Não faço alarido, não acho que seja um gesto especial. Somente faço-o, por me ser espontâneo.
Mas quando vim para esta casa, todas as minhas ofertas foram sistematicamente recusadas. Fosse eu a cozinhar, fosse comprado já feito, fosse em alimento ainda cru, vegetal ou fruto - recusado, recusado, recusado!
Não demorou muito para perceber (se acham que seis meses é pouco) que o problema não era eu não acertar com os gostos individuais de cada um, e oferecer sempre algo que não apreciam. Nem era oferecer na altura em que já estavam satisfeitos, de estômago cheio - porque a maioria das vezes ainda estavam por se alimentar.
Demorou a perceber que implicavam com a autora da oferta. E por isso nunca aceitaram nada do que lhes ofereci. As únicas pessoas a fazê-lo, foram o senhorio e a rapariga grega. Pessoas normais, com atitudes normais. A africana - bem que tentei, mas ela foi rapidamente «convertida» a adoptar o comportamento dos outros. Já maldizia os meus cozinhados antes mesmo de os provar. Lembro-me que na sua segunda noite na casa, disse-me que estava cheia de fome e que não tinha nada para comer, ofereci-lhe pizza. Ela, que ainda estava a "apalpar" terreno, não sabendo ainda quem era quem dentro da casa, aceitou. Minutos depois, a pizza que lhe dei ficou onde a deixou. Deve ter ido para o lixo. O rapaz rei-da-casa bate-lhe à porta para chamá-la para comer pizza com eles. Eu? O meu «convite» ficou extraviado no «correio», que é por onde o remeteram desde o início.
Porquê esta distinção de comportamento? Não sei. Não tem motivo, realmente. Nenhum. Demorei a percebê-lo, mas detectei os sinais de má vontade e implicância quase de imediato. Só que os ignorei, achando que era«impressão minha». Acho que lhes bastou olhar para a minha cara e foi aí que decidiram: esta, eu não gosto.
Isso, e desejarem viver numa casa exclusiva para italianos e eu atrapalhei-lhe os planos. Era tarde demais para realizar esse desejo por o senhorio ter-me dado o quarto. Só depois o rei-da-casa chegou e impôs as suas regras.
Geralmente, quem ditava as atitudes era o rei-da-casa. Esse é que tentava logo tirar um raio-x da pessoa e depois comunicava aos restantes se estava "aprovada" ou não. Quando o conheci, ofereceu-me cerveja. Recusei, dizendo que não bebia «beer». Perguntou-me se não bebia álcool de todo, com aquela expressão de espanto que hoje em dia parece estar em voga fazer. (Hoje em dia é pecado não beber álcool e ser virgem ou ter comportamentos de abstémia). Respondi que bebia, mas não era muito de beber. Ele fez uma expressão de reprovação, mal disfarçada. No dia seguinte, voltou a oferecer-me cerveja. Como se fosse um segundo teste, no qual teria sido aprovada, caso aceitasse. Não aceitei - simplesmente porque não bebo daquilo. Aos poucos - sem que tenha demorado mais que uns dias, senti que não estava a ser realmente aceite. Sabem quando falam contigo com cerimónia, ou não têm interesse de todo? Tentas iniciar uma conversa e recebes monossílabos, seguidos de mudança de receptor da mensagem?
E gradualmente, fui percebendo que os jantares, almoços, docinhos, bolinhos feitos no forno, pizzas italianas caseiras, os lugares postos na mesa, a troca de mensagens - tudo isso que era partilhado com outros, nunca me era oferecido. Andava eu a oferecer-lhes TUDO, e eles, recusando tudo e não retribuindo o gesto de oferta com nada.
O rapaz até foi mais longe: disse-me que ia fazer uma pizza um desses dias, para eu provar. Vi-lo fazer muitas - ou melhor, fingir que fazia porque a mais-gorda é que é a cozinheira do grupo e nunca que qualquer um deles estendeu-me um convite para degustação. Tão ao contrário da minha natureza!
E gradualmente, fui percebendo que os jantares, almoços, docinhos, bolinhos feitos no forno, pizzas italianas caseiras, os lugares postos na mesa, a troca de mensagens - tudo isso que era partilhado com outros, nunca me era oferecido. Andava eu a oferecer-lhes TUDO, e eles, recusando tudo e não retribuindo o gesto de oferta com nada.
O rapaz até foi mais longe: disse-me que ia fazer uma pizza um desses dias, para eu provar. Vi-lo fazer muitas - ou melhor, fingir que fazia porque a mais-gorda é que é a cozinheira do grupo e nunca que qualquer um deles estendeu-me um convite para degustação. Tão ao contrário da minha natureza!
Quase um ano depois, quando a rapariga africana veio para cá morar (muito graças ao meu pedido de ter alguém com quem pudesse falar inglês, já que todos eles falavam italiano e não me incluíam nas conversas ou convívios), no primeiro dia ele logo lhe disse que ia fazer-lhe pizza. Foi ela que me contou, incluindo-me no grupo, o que estranhei. Até lhe confidenciei que ele disse-me o mesmo mas ainda estava à espera. E depois sucedeu-se o que descrevi seis parágrafos acima deste.
Isto tudo para confidenciar que me tem custado - muito - não oferecer nada. Já cozinho só para mim, mesmo quando estou cheia de vontade de partilhar o que vou fazer com alguém, «engulo» a pergunta "Queres?".
Habituei-me a ter esta postura e não posso dizer que me agrade. Tenho-a aqui, com esta gente. Com outros, volto a ser eu mesma. Mas se calhar, nem sempre. Ontem repreendi-me porque senti vontade de oferecer comida ao senhorio e a um rapaz que cá têm estado a fazer obras na casa. Mas não o fiz, porque a mais-gorda estava por perto. Por mim, cozinhava algo rapidamente, e eles comiam rapidamente, sentados na mesa. Mas com ela ali na sala, a impor a sua presença como habitualmente faz todo o fim-de-semana... Sabendo eu que se acha dona do espaço e detesta ver outros a usufruir do mesmo e nisso quebrar-lhe a rotina, nada fiz. Faria, se ela não estivesse presente. Mesmo com os outros por perto, talvez oferecesse. Com ela... não.
Não me sinto confortável com ela por cá. Consigo sentir a sua energia de ódio, às vezes vibrando com tanta intensidade!! Nem sei como é possível outras pessoas não o perceberem.
Vim agora das compras e trouxe dois donuts de chocolate. Abri um para comer, o outro... para quê o ia guardar? Ofereci-o ao senhorio.
Este já tinha demonstrado «curiosidade» pelo cheiro que saía do forno, onde a mais-gorda decidiu fazer um bolo. (cheio de aroma artificial a baunilha). E brincou se estava a fazê-lo para lho oferecer. De seguida perguntou se o fazia para levar para o emprego. Respondeu-lhe que era para ficar em casa. Ele voltou a brincar que o ia comer. Claro que, agora, ela vai ter de se armar em boazinha e lho oferecer. Mas sei que não o faria sem ser por se sentir obrigada ou então, por cair bem, para ficar nas boas-graças. Quer mais é vê-lo fora daqui o mais rapido possível. Portanto, jamais lhe ia oferecer bolo porque isso significa aumentar a sua permanência na casa. Mas ele praticamente convidou-se e ela percebeu que tinha de o fazer. Nunca que me ofereceu a provar nenhum dos bolos que faz. Mas oferecia-os aos outros. Assim que entravam pela porta.
Isso não me incomoda mas acho surpreendente. Como pode uma pessoa auto-proclamar-se de bem educada, vinda de um povo que gosta e sabe bem receber, e comportar-se desta maneira?
Chiça!!
Então quando vir o que é bem-receber tuga vai auto-flagelar-se de vergonha e arrependimento.
Chiça!!
Então quando vir o que é bem-receber tuga vai auto-flagelar-se de vergonha e arrependimento.
Sejam felizes.
domingo, 2 de fevereiro de 2020
Uma nova mensagem surgiu no quadro de ardósia, na cozinha. Fui eu que a coloquei, para eliminar mais uma pila ali desenhada. Acho de mau gosto ires à casa de alguém e fazeres isto. Mas enfim, deve ser o que estes italianos entendem por boas-maneiras e requintada educação que tanto a mais-gorda apregoa.
Aproveitei o regresso de um colega que estava de férias e acrescentei "bem vindo" ao desenho da flor (simbolizando a paz a impor-se à guerra). Não pretendia que aquele desenho ficasse ali mais que um dia. Não fosse o colega estranhar e achar que lhe dou demasiada importância. Foi só um gesto cortês, ao qual sou muito dada, mas que aqui tive de me conter de os demonstrar, porque qualquer coisa que faça é propositadamente lida com malícia.
(Sim, porque um "fuck you" não tem malícia alguma. O problema está no desenhar flores e pássaros).
No seu lugar desenhei um comboio e deixei um dizer. Nunca fui de pensar no que vou ali deixar. É algo espontâneo, que faço por me apetecer. Não tem significado algum. Apenas é um prazer. Mas por vezes percebo que o espontâneo pode resultar em algo impressionantemente inteligente. E a interacção que as pessoas decidem ter com ele, diz muito sobre elas. A mais-gorda, incomoda-se com tudo. Vai que usou o «amigo» para apagar o quadro e agredir-me com o pénis desenhado. Mas este tipo de coisa só a diverte a ela, a mim, não aquece nem arrefece. É demasiado simplório, previsível e baixo.
Desta feita, o dizer foi " a vida está cheia de comboios a passar". E escrevi-a de forma a que a leitura fosse da esquerda para a direita, mas com as palavras encavalitadas. Vai que a interacção que a mais-gorda escolhe ter com o desenho não me surpreende em nada: Decide corrigir a gramática! Ahaha. Típico. No seu entender, viu uma gralha. Então, da sua forma dissimulada, desenhou ao de leve uma seta, re-organizando a ordem das palavras. E ficou toda contente, achando que me mostrou como sou ignorante. Ela não consegue resistir ao impulso de apontar o dedo a uma coisa mal feita aqui pela tuga. Outra pessoa não ligaria nenhuma, acharia piada, ou faria um comentário humorístico. Normal. Ela não... ela é super dissimulada.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
Brexit - 23h: day ONE
Neste preciso segundo, o Reino Unido acaba de sair da União Europeia.
Será o pioneiro, a ver vamos como se sai. Mas se a história diz-me alguma coisa, é que esta espécie é como o gato: cai sempre de pé. Novos aliados económicos irão abraçar o «desertor». O Reino Unido tem, afinal, uma longa prática política de "lapa". Ou seja: gosta de se armar em senhor rico que tem limosine, mas depende sempre dos simples para andar.
O país gosta de se distinguir dos restantes, com altivez e em grande. Por isso sempre foi do contra: contra a adopção da moeda-euro, contra a circulação rodoviária pela direita, contra os volantes nos carros ficarem à esquerda, contra a pintura de listas brancas para assinalar uma passagem de peões, contra a colocação de semáforos para peões à frente destes (ficam de lado, ao nível da cintura). Tudo isto é de «gentinha que vai-com-os-outros» ahah. Enfim, percebem a ideia.
Do contra será sempre. E agora que está fora da EU, retoma a identidade de país-único, que sempre foi aquilo a que realmente dão valor.
Há muitas coisas erradas aqui mas, no que respeita ao funcionamento de burocracia... aí tiro-lhes os chapéu. Mas atenção! São burocráticos e são de enlouquecer. Quase sempre não sais informada do que seja. E tens de andar aos círculos... MAS, aqui é que está a excepção, conseguem facilitar tudo.
E foi assim que, neste último dia de Comunidade Europeia, decidi fazer a inscrição para o status de pré-residência (pre-settle). Tudo no telemóvel, sem sair de casa. Bastou pesquisar a app do governo no Google play, instalar e foi tudo rápido e eficiente.
Imaginem só: Começam por pedir o email.
Depois, através da app e não do telemóvel, tiram uma foto ao passaporte. Nem precisas carregar em qualquer botão. Posicionas a câmera e é imediato. Tudo feito com muita rapidez, com ilustrações claras e em movimento. Fica logo pronto e manda-te para a próxima etapa: scanizar o chip no passaporte. Faz-se isso pondo-lhe o telemóvel em cima. Simples. Agora vais tirar uma foto. Feito. Fornece umas respostas de segurança e já está.
Mas isto é necessário para quê? Perguntam-me vocemeceses. Pois, também não sei. Não vejo qualquer necessidade. Na minha opinião, os ingleses são uma raça que gosta muito de ter as pessoas todas bem catalogadas e documentadas. Isto é apenas uma desculpa para fazerem-no. Pedem-nos para ficar-mos registados em todo o lugar.
Recebo em casa quase mensalmente uma carta enviada pela junta de freguesia, que diz que é urgente fazer o registo local para efeitos de voto. O não envio do registo é considerado crime e induz a uma multa de 80 libras. Como não gosto deste lado MUITO inglês de intimidar ou ameaçar as pessoas com prisão, multas, mesmo sem existir motivo, rebelo-me com esta metodologia fazendo questão de não me registar. Ou não está no meu direito? Sou emigrante, com estatuto de residência ambulante: tanto posso estar a viver aqui hoje, como amanhã mudar de cidade. Ainda assim, «querem-te». É como os likes online: mais quantidade, mais se tira proveito (neste caso político).
Esta postura ditadora e de ameaça é típica e está espalhada por toda a cultura inglesa. Foi o que mais me surpreendeu pela negativa, eles nem parecem entender o quão rude são os muitos bilhetes e notas deixadas em instituições como bancos, consultórios médicos, interior de autocarros, recepções de hospitais, etc, etc., «informando» sem provocação ou necessidade, que qualquer pessoa com um comportamento «disruptive» terá problemas com a lei e poderão ser presas. Isto seria de esperar encontrar em sociedades fechadas, radicais, como em Marrocos, Dubai, etc, etc. O problema é que qualquer circunstância pode cair na definição de «disruptive». Basta um funcionário assim o dizer e a pessoa pode ser vítima de falsas acusações que mancham o seu carácter. Se mostrares descontentamento ou simplesmente discordares da opinião da funcionária, por exemplo. Falar alto, ter pressa... são «disruptive», se assim o estabelecimento o desejar. Estás à mercê do que te quiserem acusar.
Epá, um tanto ameaçador e intimista, à Hitler, não acham???
Mmas depois têm estas coisas da tecnologia burocrática que facilita tanto a vida. Como por exemplo: Basta dar o código postal e sabem logo o nosso endereço. Isso é prático e cómodo, um dos facilitismos que mais aprecio.
Duvido muito que os emigrantes estejam em perigo e sejam "despejados". Apenas está no sangue britânico querer ter o controlo absoluto, dar a entender que têm o poder. Deixar as pessoas emersas numa banheira de expectativa e ansiedade (3 anos para se decidirem, porra!). Mas recusar alguém sem motivos fortes vai contra as mesmas regras impostas socialmente. Não dá boa imagem.
Do contra será sempre. E agora que está fora da EU, retoma a identidade de país-único, que sempre foi aquilo a que realmente dão valor.
Há muitas coisas erradas aqui mas, no que respeita ao funcionamento de burocracia... aí tiro-lhes os chapéu. Mas atenção! São burocráticos e são de enlouquecer. Quase sempre não sais informada do que seja. E tens de andar aos círculos... MAS, aqui é que está a excepção, conseguem facilitar tudo.
E foi assim que, neste último dia de Comunidade Europeia, decidi fazer a inscrição para o status de pré-residência (pre-settle). Tudo no telemóvel, sem sair de casa. Bastou pesquisar a app do governo no Google play, instalar e foi tudo rápido e eficiente.
Imaginem só: Começam por pedir o email.
Depois, através da app e não do telemóvel, tiram uma foto ao passaporte. Nem precisas carregar em qualquer botão. Posicionas a câmera e é imediato. Tudo feito com muita rapidez, com ilustrações claras e em movimento. Fica logo pronto e manda-te para a próxima etapa: scanizar o chip no passaporte. Faz-se isso pondo-lhe o telemóvel em cima. Simples. Agora vais tirar uma foto. Feito. Fornece umas respostas de segurança e já está.
Mas isto é necessário para quê? Perguntam-me vocemeceses. Pois, também não sei. Não vejo qualquer necessidade. Na minha opinião, os ingleses são uma raça que gosta muito de ter as pessoas todas bem catalogadas e documentadas. Isto é apenas uma desculpa para fazerem-no. Pedem-nos para ficar-mos registados em todo o lugar.
Recebo em casa quase mensalmente uma carta enviada pela junta de freguesia, que diz que é urgente fazer o registo local para efeitos de voto. O não envio do registo é considerado crime e induz a uma multa de 80 libras. Como não gosto deste lado MUITO inglês de intimidar ou ameaçar as pessoas com prisão, multas, mesmo sem existir motivo, rebelo-me com esta metodologia fazendo questão de não me registar. Ou não está no meu direito? Sou emigrante, com estatuto de residência ambulante: tanto posso estar a viver aqui hoje, como amanhã mudar de cidade. Ainda assim, «querem-te». É como os likes online: mais quantidade, mais se tira proveito (neste caso político).
Esta postura ditadora e de ameaça é típica e está espalhada por toda a cultura inglesa. Foi o que mais me surpreendeu pela negativa, eles nem parecem entender o quão rude são os muitos bilhetes e notas deixadas em instituições como bancos, consultórios médicos, interior de autocarros, recepções de hospitais, etc, etc., «informando» sem provocação ou necessidade, que qualquer pessoa com um comportamento «disruptive» terá problemas com a lei e poderão ser presas. Isto seria de esperar encontrar em sociedades fechadas, radicais, como em Marrocos, Dubai, etc, etc. O problema é que qualquer circunstância pode cair na definição de «disruptive». Basta um funcionário assim o dizer e a pessoa pode ser vítima de falsas acusações que mancham o seu carácter. Se mostrares descontentamento ou simplesmente discordares da opinião da funcionária, por exemplo. Falar alto, ter pressa... são «disruptive», se assim o estabelecimento o desejar. Estás à mercê do que te quiserem acusar.
Epá, um tanto ameaçador e intimista, à Hitler, não acham???
Mmas depois têm estas coisas da tecnologia burocrática que facilita tanto a vida. Como por exemplo: Basta dar o código postal e sabem logo o nosso endereço. Isso é prático e cómodo, um dos facilitismos que mais aprecio.
Duvido muito que os emigrantes estejam em perigo e sejam "despejados". Apenas está no sangue britânico querer ter o controlo absoluto, dar a entender que têm o poder. Deixar as pessoas emersas numa banheira de expectativa e ansiedade (3 anos para se decidirem, porra!). Mas recusar alguém sem motivos fortes vai contra as mesmas regras impostas socialmente. Não dá boa imagem.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Pilas
Não consigo encontrar o post onde faço referência ao desenho natalício deixado no quadro a giz na cozinha. Mas contei aqui que aproveitei a quadra e a viagem para o país-natal para desejar por escrito as boas-festas e comunicar que deixei um presente debaixo da árvore de Natal.
Regressei assim ao meu hábito de desenhar e escrever no quadro. Hábito que interrompi pela malícia com que aquele veículo passou a ser usado. Eram só mensagens a "apontar" dedos à sujidade na casa e rabiscos ofensivos. Tudo cheio de segundas intenções, mas com um alvo único: eu.
Regressei assim ao meu hábito de desenhar e escrever no quadro. Hábito que interrompi pela malícia com que aquele veículo passou a ser usado. Eram só mensagens a "apontar" dedos à sujidade na casa e rabiscos ofensivos. Tudo cheio de segundas intenções, mas com um alvo único: eu.
Depois, alguém dos "deles" decidiu impor ali um desenho de um pássaro, ao qual depois foi adicionado uma cock (pila) e este foi o único desenho que ganhou de imediato um estatuto de "intocável". Ninguém o apagava, ao contrário de todos os anteriores. Percebi que desejavam imortalizá-lo. Na altura, perguntei quem tinha sido o autor. Até perguntei ao próprio. Que me respondeu: "Hum... não sei". (o habitual!).
Sabia, claro. Todos sabiam. Era como um "segredo" (mais um) para ficar só entre eles. Mas adivinhei que tinha sido o rapaz-rei-da-casa, pela forma como o desenho era "intocável". A rapariga que foi embora no verão adicionou mensagens de adeus em italiano em volta do sacrossanto pássaro fálico, que entretanto também ganhou um outro orifício sexual. O tempo passava mas ousar eliminar o pássaro, isso não faziam. Nem para colocarem daquelas mensagens "o fogão está todo sujo! É favor limpar depois de usar" - que tanto gostavam de escrever.
E assim o quadro ficou por... três, cinco meses??!
Sabia, claro. Todos sabiam. Era como um "segredo" (mais um) para ficar só entre eles. Mas adivinhei que tinha sido o rapaz-rei-da-casa, pela forma como o desenho era "intocável". A rapariga que foi embora no verão adicionou mensagens de adeus em italiano em volta do sacrossanto pássaro fálico, que entretanto também ganhou um outro orifício sexual. O tempo passava mas ousar eliminar o pássaro, isso não faziam. Nem para colocarem daquelas mensagens "o fogão está todo sujo! É favor limpar depois de usar" - que tanto gostavam de escrever.
E assim o quadro ficou por... três, cinco meses??!
Já novos inquilinos cá viviam há meses, e ainda os rabiscos da outra-que-foi-embora em Junho e do rei-da-casa que foi em Novembro, permaneciam no quadro, preservadas como relíquias sacrossantas pela mais-gorda.
Não fazia sentido e era até pernicioso para o ambiente na casa, essa reverência venenosa a pessoas que compactuaram com ela na sua malícia. Estava na altura de cortar essa influência. Sairam, acabou.
Quando o rei-da-casa foi viver para outro lado, o desenho ficou ainda mais revenerado. Ao perceber que aquela ave com pila gigante jamais ia desaparecer dali como espécie de veneração ao gajo, dei-lhe algum tempo mas, chegando a altura do natal, aproveitei a quadra festiva para retomar o meu hábito/direito de desenhar e eliminar de vez aquele absurdo. E foi assim que, munida da autoridade da quadra, com o auxílio de ir viajar, passei uma esponja naquilo, tentando assim por um fim a um "reinado do mal", ali representado pela veneração absurda a um desenho feito durante um período em que o quadro a giz só andava a ser usado para fins maliciosos - que foi o uso que lhe impuseram.
Fiz um novo desenho, inspirado num robin (ave com peito laranja associada ao Natal e que, desde que cá cheguei, é «minha amiga» e me visita quando estou no jardim) e escrevi um belo dizer de boas-festas junto com a mensagem sobre os presentes para todos debaixo da árvore. Mas o bom mesmo, foi recuperar o «direito» de desenhar e usar o quadro, como fazia no início e como é certo acontecer.
A mais-velha quando desceu à cozinha nessa manhã e viu o quadro... imagino que até perdeu o apetite. Porque saiu de imediato porta fora, 15 a 30 minutos mais cedo que o habitual. Aquilo deve ter-lhe caído de forma muito indigesta!
Nesse mesmo dia em que viajei, ela apagou todas as gravações que programei na nova box da sala.
No ano novo a mensagem no quadro foi alterada para: "feliz ano novo", mas manteve-se o desenho. (que era intemporal, dava para qualquer altura). A meio de Janeiro, um gajo que a mais-gorda consegue induzir a cá vir jantar ocasionalmente (é assim que ela "pesca" pessoas, usando jantares "italianos" como isco) "violentou" esse desenho, rabiscando um outro pássaro a relembrar o "do morto" e também com direito a uma gigante pila.
Calhei passar por ali nessa altura e então perguntei quem tinha adicionado o "foguetão". O rapaz, que estava sentado a jantar, explicou que foi ele, em "homenagem" ao pássaro desenhado pelo "rei-da-casa". Foi a primeira vez que alguém deu-me a conhecer o autor do desenho, julgando que eu tinha conhecimento. E lá estava a veneração a querer vir à tona novamente...
É que também fizeram-lhe uma éfigie com almofadas, tecido e balões. Esta figura, a quem deram o nome do gajo, dizendo que era para ele ainda estar na casa, ficou duas semanas no sofá da sala. Cada vez que uma corrente de ar mais forte, ou alguém tocava naquilo, lá se ia a cabeça, ou os braços... Uma patetice. Epá o gajo não morreu! Só mudou de país.
No dia seguinte, como tinha falado com o autor do novo "pássaro" sobre a inclinação sexual dos desenhos alheios mas que eu era mais dada a flores e afins, apaguei a pila e no seu lugar fiz quatro florzinhas. Achei bonito. E foi totalmente inofensivo. Não lhe apaguei o pássaro. Que ali ficasse... não me fazia espécie.
Ontem, a mais-velha chega a casa, vê-me na cozinha e ao sentir o cheiro a ovo estrelado apressa-se a vergar a coluna para chegar à janela para a abrir só que... pimba! Encontrou-a já aberta. Fez uma cara...
(sempre com a mania que só o cheiro dos cozinhados dos outros é que é insustentável, caramba!)
(sempre com a mania que só o cheiro dos cozinhados dos outros é que é insustentável, caramba!)
Terminei rapidamente de comer, deixei tudo lavado e limpo e subi ao quarto, acabando por adormecer. Mas o meu sono foi interrompido várias vezes. Primeiro pelo bater na porta de uma "visita". Pela voz e por exclusões de partes, sabia que só podia ser o tal rapaz que a mais-velha mete cá dentro. Julgo que é a única pessoa que ela tem ou consegue manipular, já que todos os outros vinham por intermédio do rei-da-casa. Daí ela sentir tanto a sua falta. Sem ele, acabou-se aquele rol de italienada, que a deixava tão feliz e arrogante. Por ela mesma, mesmo com todos os dotes de falsidade de que é munida e versátil, não me parece que consiga encher a casa todos os dias de "compadres". Para uma pessoa que vive há 15 anos no UK, não parece ter um amigo próximo, nem ninguém que frequente a sua casa amiúde. E se tiver, nenhum tem nacionalidade que não seja italiana. Até hoje só a ouvi elogiar pessoas italianas. A todos os outros coloca defeitos.
Faço por voltar ao sono e consigo, sendo despertada mais umas quatro vezes ao longo do sono pelo barulho de três vozes: a deles os dois mais a da rapariga do andar-de-baixo. Os italianos a convidarem-se a eles mesmos para jantar e nunca incluindo a tuga. O normal.
Foi uma luta para conseguir continuar a dormir mas o cansaço de um intenso dia de trabalho físico ajudou. A cada interrupção, consegui regressar ao sono. Escutei o tipo ir embora e adormeci. Só acordei eram 4 da manhã. E como percebi que dificilmente ia conseguir voltar a adormecer, tendo de me levantar dali a duas horas, optei por não insistir e despertar de vez. Ia aproveitar esse tempo para relaxar.
Desci à cozinha para comer algo e é quando vejo o quadro. Tinha sido totalmente apagado. O desenho tão bonito, os dizeres. No seu lugar, um escrito "Eu voltei!" e o desenho de uma pila, como assinatura.
Não é que me tenha incomodado, mas não gostei. Sei muito bem o real sentido daquilo. Insistem em tornar aquele espaço num veículo de ódio e ataque à "tuga". Não quero e não vou aceitar. Muito menos que a mais-velha use outros para atingir esse fim. Sim, porque era ela que queria apagar aquele quadro mais que ninguém! Ela queria... mas precisava de encontrar uma forma de ficar com as mãos "limpas". E assim, com uma palavrinha aqui e ali... manipula os outros para fazerem as suas maldades. Convida o tipo, sabendo que vai conseguir suscitar uma reacção dele assim que o orientar para a ausência da "pila" no «seu» desenho.
Imaginem se fossem vocês. Entravam como convidado na casa de alguém. Achavam correcto apagar um desenho feito por uma pessoa a viver nessa casa, e colocar no seu lugar uma picha? Não tens intimidade, não conheces a pessoa e és VISITA na casa DELA.
Deixas-lhe um "fuck you" simbólico.
Sim, porque é esse o significado do gesto e do desenho de uma pila... é um "fuck you".
Sim, porque é esse o significado do gesto e do desenho de uma pila... é um "fuck you".
Um fuck you deixado à pessoa que lá tinha o desenho em primeiro lugar.
Eu sou mais, mas muuuito mais, "peace and love". Portanto, FLORES.
Devia ter nascido nos EUA na década de 50 ahahah!
Lá pelos anos 60, 70, aquilo é que foi diversão. E não era só pelo amor-livre. Que isso... mantem-se nos dias de hoje, mas de uma forma que deixa a desejar. Refiro-me ao idealismo, à aceitação do «preto, do branco, do azul, das bolinhas», às mentes abertas para tudo o que pudesse ser sugerido.
Actualmente vivemos num mundo cada vez mais "liberal", conectado pela tecnologia, mas as pessoas mantêm-se retrógradas e presas a atitudes e comportamentos básicos.
🌼🌼
peace and love
portuguesinha
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
A "coisa"
Ainda tenho momentos em que penso... nele. (vou passar a designar "a coisa"). Este é um tema que para mim está eliminado. Mas decidi fazer este post. Porque as situações são cíclicas e a aprendizagem é constante. É nisso que penso: que aprendizagem tinha de tirar daquilo pelo que passei?
Comecei num novo emprego. O colega que apanhei lá, revelou-se inconveniente, preguiçoso e desagradável. Daqueles que não sabe trabalhar com uma mulher, porque só vê a mulher, que considera menos capaz, não vê uma colega. Fez e disse-me coisas inadequadas, como por exemplo: "Viste como trabalhas-te hoje? Isto não é para ti, acho que devias ir trabalhar para outro lugar".
Tudo o que preciso para estar bem é trabalhar num ambiente simpático. Tão simples quanto isso. Aquele parece-me um bom lugar para tal mas este indivíduo fez com que me sentisse mal ao rebaixar o meu trabalho. Na sexta-feira mal podia esperar para o dia terminar!
Nesse instante em que constatei que não ia gostar de trabalhar com aquela pessoa, o contraste fez-me recordar e senti falta "dele". Cheguei a chorar.
Voltei a rezar, a oração do costume: "por favor, afasta de mim tudo o que é má pessoa. Não eu delas se eu estiver onde quero estar. Mas elas de mim. Traz-me só pessoas boas".
E não é que, na segunda-feira, o indivíduo tinha sido demitido? Mentalizei-me que teria de voltar a trabalhar com ele, tomei a decisão de manter qualquer conversa para o mínimo e tentar fazer tarefas em separado. Mas quando chego, ele não está e quando pergunto pelo seu paradeiro, é quando me informam que ele "não vai mais regressar" porque "não o quiseram".
Fiquei em choque! Ele estava convicto que ia ficar ali e lhe iam propor um contrato! Mantive-me em silêncio, por dentro e por fora. Não estou livre de sofrer do mesmo destino e não sou de me deleitar com a desgraça alheia.
Sexta-feira, o chefe apanhou-o sentado, sem fazer nenhum, a enviar mensagens no telemóvel. Talvez tenha sido esse o motivo junto com outras circunstâncias que desconheço. Depois do flagrante, vi-o trabalhar a sério, pela primeira vez. Sem parar para fazer as suas pausas espontâneas. Ao contrário de todos, que à sexta-feira abrandam um pouco, ele andou parado a semana inteira e deu-lhe "gás" só na sexta. Quase como se quisesse me provar que era melhor que eu. Sempre a dar-me ordens e a desfazer o que fazia.
Até com a hora da pausa teve de discordar comigo. Quando lhe digo que achava que era hora para o intervalo, responde-me que faltavam 15m. Estaria equivocada? Disse-lhe que tinha tirado uma fotografia ao papel que indicava essa informação e fui procurá-la no telemóvel. A fotografia confirmou a minha impressão. Mesmo assim ele responde-me que estou errada, que o papel correcto é outro.
Fui confirmar e vi que todos os colegas tinham desaparecido dos postos de trabalho. Disse-lhe isso mas ele tinha sempre de ter razão. E por isso não me acompanhou na pausa. Decidiu tirar a sua quando todos foram trabalhar.
Seja qual for o motivo da decisão de o demitirem, sei que foi a decisão acertada. Ele não era a pessoa adequada para aquela função porque, a cada oportunidade, tentava não fazer nenhum. Não sabia comunicar e dava-me ordens, tendo apenas mais cinco dias na empresa que eu. Foi uma surpresa sabê-lo dispensado, porque parecia integrado, bajulava um a um e todos pareciam gostar dele. Mas pelo que percebi dele como trabalhador, não foi surpresa de todo. Foi a decisão certa.
Apareceu logo outro para o substituir. Um homem de certa idade, cabelos grisalhos, aparência meio "aparvalhado", com ar de sofrer de algum défice mental. Não sou pessoa de julgar pela aparência, nem de diminuir ninguém por deficiências que julgo poderem ter. Um colega que gostava bastante do que foi-demitido, logo abriu os olhos em espanto e reprovação ao ver o aspecto do "novo". Mas eu tratei-o bem, como faço com todos. Principalmente se parecerem começar em desvantagem. Tentei facilitar-lhe a vida, enturmando-o dentro da medida do possível, sendo simpática e explicando-lhe os procedimentos, sem nunca lhe dizer o que devia fazer ou dar ordens. Dei sugestões, conselhos e disse-lhe que ia encontrar o sua própria maneira de fazer melhor as coisas, com tempo. Também lhe disse que "aprendia depressa". Dei apoio. Acho que é a forma certa de proceder com quem quer que seja.
Sei que ele estava em desvantagem pelo ar deficiente que transmite. Mas eu também podia estar em perigo. Caso ele estivesse ali para me substituir e fosse daquelas pessoas que são um touro a trabalhar. Ainda assim, não o sabotei. Não faz o meu género. Partilhei tudo o que sabia com ele. Tratando a pessoa bem, criando uma camaradagem, até o colega que olhou para ele com ar de reprovação já o estava a aceitar melhor no final.
Trabalhamos os três conjuntamente, em perfeita harmonia, sem conflitos ou desentendimentos. E produzimos bastante. Fiquei a sentir-me bastante feliz. Prefiro uma pessoa assim, do que uma como a que estava lá. Este também não gosta muito de trabalhar, noto que não gosta de fazer esforços e é de queixumes. Daqueles que desiste com pouco. Mas vendo a atmosfera favorável em que foi parar, não fez corpo mole. Teve um primeiro dia excelente. Se não tivesse, amanhã seria dispensado. Agora só não pode é pisar no risco.
Porque é que estou a relatar isto?
Porque foi assim que lidei com a "coisa", quando apareceu para substituir um colega. Tal e qual, uma situação de cópia autêntica! Parece cíclico, caramba!!
Estou a tentar perceber que lições tenho de tirar desta "repetição de história". É que não é só a forma como tratei bem o recém-chegado, que é idêntica à maneira como tratei o anterior recém-chegado. É também a preocupação que demonstrei. Caramba! Isso foi o que me fez recordar como começou a minha história com o "coisa".
Porque foi assim que lidei com a "coisa", quando apareceu para substituir um colega. Tal e qual, uma situação de cópia autêntica! Parece cíclico, caramba!!
Estou a tentar perceber que lições tenho de tirar desta "repetição de história". É que não é só a forma como tratei bem o recém-chegado, que é idêntica à maneira como tratei o anterior recém-chegado. É também a preocupação que demonstrei. Caramba! Isso foi o que me fez recordar como começou a minha história com o "coisa".
O recém-chegado não levou comida. Disse-lhe que tinha croissants e dava-lhos, para que não ficasse de estômago vazio. Partilhei os croissants e também parte da minha refeição com ele. Fez-me confusão que ele ficasse a trabalhar o dia inteiro sem comer.
Sabem como foi com a "coisa"? Comecei a aproximar-me do "coisa" por essa mesma razão. Idêntica! Disse-me que não comia. Aquilo chocou-me. Preocupou-me. A sua teimosia em não comer também surpreendeu-me. Tentei entender.
Sabem como foi com a "coisa"? Comecei a aproximar-me do "coisa" por essa mesma razão. Idêntica! Disse-me que não comia. Aquilo chocou-me. Preocupou-me. A sua teimosia em não comer também surpreendeu-me. Tentei entender.
Foi assim que TUDO começou. Comigo preocupada com o bem-estar de uma pessoa que se recusava a comer enquanto executava trabalho duro e pesado. Como posso «esquecer» ou melhor, não recordar, se as situações se repetem?
Tantos homens por aí... muitos a tentarem aproximarem-se de mim, com segundas intenções... E nenhum me disse coisa alguma. Cheguei a temer só me ter apaixonado pela "coisa" por este ser jovem. Será que tenho algum assunto mal resolvido? Será que só olho para rapazolas, esquecendo-me que a minha juventude passou?
São coisas que me passaram pela cabeça. Mas ao perceber a minha atitude e comportamento diante da mesma situação, mas com uma pessoa de outra idade, de outro tipo, percebi que eu não mudei nada. Sou a mesma. Agi igual. A mesma simpatia, mesma afabilidade, mesma disponibilidade para ajudar, com um toque de discrição. A diferença de idades não influencia o meu comportamento.
São coisas que me passaram pela cabeça. Mas ao perceber a minha atitude e comportamento diante da mesma situação, mas com uma pessoa de outra idade, de outro tipo, percebi que eu não mudei nada. Sou a mesma. Agi igual. A mesma simpatia, mesma afabilidade, mesma disponibilidade para ajudar, com um toque de discrição. A diferença de idades não influencia o meu comportamento.
O "coisa" honrou esta minha postura cortando-me da sua vida com um súbito silêncio sepulcral. E isso feriu. Mais que uma paixonite que podia ou não ser correspondida, situação que eu própria já tinha riscado da minha vida por isso pouco me incomodaria se fosse ou não, o desprezo dado à pessoa que lhe fez bem, que o acolheu e o fez sentir-se feliz, magoou. Era bordoada vinda de todos os lados. A dele foi a derradeira, que me fez questionar se a minha essência como pessoa tinha valor.
Aconselhei várias vezes este novo colega a trazer comida no dia seguinte. Respondeu que não. Bastava-lhe jantar quando saísse do emprego.
Não podia ter dito a frase mais copiosamente.
Foi tal e qual "o coisa".
Como já passei por esta situação antes, não pretendo insistir. Ainda mais com um homem feito. Um rapazola... ainda vá lá. Mas um homem que já deve saber o B-A-BÁ...
Também não vou estar sempre a partilhar a minha comida. Bem que a aceitou e devorou com deleite. Pude perceber que até a desejava, quando me viu a comer. As batatas fritas, o frango, os croissants...
A empresa não vende comida, Nem sequer tem máquinas. Há um supermercado a uns 8 minutos de distância, mas pelo que percebi o homem não faz o género de se alimentar, ponto final.
Se tenho que aprender uma lição com esta repetição kármica, é não me preocupar com esta decisão aparentemente insensata. O homem é crescido, eu não sou mãe dele.
Esta "repetição" serviu para eu perceber que a atracção que senti não surgiu das circunstâncias, nem da aparência jovem da "coisa" (que nem era bem afeiçoado, pelo contrário, mas aos meus olhos era). Foi mesmo o conteúdo que ali encontrei (ou julguei encontrar) que me fez desenvolver sentimentos tão fortes pelo desgraçado. Não foi a sua juventude. Ainda bem que fiz esta descoberta.
"Gamei" no crápula. Gostei tanto, que só lhe desejei coisas boas. Para infelicidade minha e total desorientação dos sentidos. Mesmo depois de tudo. Desejei que encontrasse alguém que o fizesse hiper feliz. Desejei poder observar espiritualmente as descobertas fantásticas que intuí no seu caminho. Como sei que já não gosto dele? (bom... tenho recaídas... faz parte, ainda mais por a coisa ter ficado no superlativo muito mal resolvido). Sei que parei de gostar porque comecei a querer que sofra. E antes não queria tal coisa.
A sua toxidade continua a espantar-me. Passei o dia inteiro mal. Com o mal dele dentro de mim. Bem que me disse que era uma pessoa tóxica. Que se descartava das outras com total indiferença e sem voltar a pensar nelas uma vez que seja. Ele disse... eu... não esperava. Não dei motivos. Não é suposto fazer-se isto apenas com fortes motivos?
Para mim o seu veneno foi super poderoso.
Senti esse veneno a consumir-me o dia inteiro.
Mas se existe Karma, o veneno vai acabar por regressar a ele. E vai levar o meu rosto no selo do "envelope".
Tenham uma boa semana e tratem-se bem!
Feliz ano do "rato".
"Gamei" no crápula. Gostei tanto, que só lhe desejei coisas boas. Para infelicidade minha e total desorientação dos sentidos. Mesmo depois de tudo. Desejei que encontrasse alguém que o fizesse hiper feliz. Desejei poder observar espiritualmente as descobertas fantásticas que intuí no seu caminho. Como sei que já não gosto dele? (bom... tenho recaídas... faz parte, ainda mais por a coisa ter ficado no superlativo muito mal resolvido). Sei que parei de gostar porque comecei a querer que sofra. E antes não queria tal coisa.
A sua toxidade continua a espantar-me. Passei o dia inteiro mal. Com o mal dele dentro de mim. Bem que me disse que era uma pessoa tóxica. Que se descartava das outras com total indiferença e sem voltar a pensar nelas uma vez que seja. Ele disse... eu... não esperava. Não dei motivos. Não é suposto fazer-se isto apenas com fortes motivos?
Para mim o seu veneno foi super poderoso.
Senti esse veneno a consumir-me o dia inteiro.
Mas se existe Karma, o veneno vai acabar por regressar a ele. E vai levar o meu rosto no selo do "envelope".
Tenham uma boa semana e tratem-se bem!
Feliz ano do "rato".
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
Cagar e Andar
Comecei num emprego novo na segunda feira passada. Entro às 8.00 da manhã e para tal tenho de sair de casa por volta das 7.00, o que significa acordar, no mínimo, 30 minutos ANTES para chegar a tempo.
Acontece que a mais-velha (a tal simpática e genuína) costuma acordar por volta da mesma hora. Ainda que só saia dali a duas! Quando digo acordar, digo mesmo ACORDAR. Mas desde que percebeu que eu tenho este horário, começou a introduzir-se no WC meia-hora mais cedo. Primeiro apenas uns minutos, depois 15 e, finalmente, 30. Sempre muito silenciosa, mais do que antes, para ver se eu não dou conta e me surpreendo com o espaço ocupado por ela. Mal sabe ela que sempre despertei antes.
A primeira meia-hora após se introduzir lá dentro, passa-a sentada na sanita a cagar. A defecar tenho a certeza que sim, porque oiço como sempre escutei a "trovoada" sucessiva e impressionante de gazes que liberta. Mas se medita ou vê séries de televisão (como fazia a outra) não sei ao certo. Embora por vezes escute o som de programas televisivos vindos de um telemóvel quando ela está lá dentro a "arriar o calhau".
Numa casa partilhada onde todos precisam de acordar cedo, ter a ousadia de ocupar o banheiro por meia-hora só para ver TV é... falta de respeito. Mas deixe-mos que cada qual seja aquilo que realmente é. Eu? Cagando e andando.... Não literalmente, como ela, Ahahah.
Não preciso de ficar 1h dentro do WC todas as manhãs. Nem todas as tardes ou noites. Não uso disfarces, por isso posso muito bem arranjar-me rapidamente sem precisar de tanto tempo para ficar "pronta".
Não preciso de ficar 1h dentro do WC todas as manhãs. Nem todas as tardes ou noites. Não uso disfarces, por isso posso muito bem arranjar-me rapidamente sem precisar de tanto tempo para ficar "pronta".
Aproveito que ela vai demorar e sei que posso descer à cozinha para preparar algo para comer ao pequeno-almoço na "tranquilidade". (nunca fiz isso e sabe bem!). Ao percebê-lo, começou a encurtar a «estada» no WC. Mas como nunca é menor de meia-hora e eu só tiro esse tempo para me preparar, nunca nos cruzamos. Noutro dia decidi fritar pão, bacon, ovo estrelado num fio de azeite com pedaços de cebola e fazer uma sandes. Sabem como soube? DIVINAL!!
Só que a cozinha ficou com cheiro. E eu? Cagando e andando....
Antes de cozinhar, abri a janela, usei o exaustor, fechei a porta da cozinha.... mais decência que isso, só milagre. Sei que ela não pode com o cheiro de comida - se for feita pelos outros. Porque o cheiro da dela... deve achar que é aromática. O perfume é igual a todo o outro e digo-vos: empesteia a casa até o dia seguinte. Imensas vezes despertei eu de madrugada e senti-me agredida pelos odores dos cozinhados que ela fez horas e horas antes. Mas haviam de ver a altivez, a postura arrogante da tipa... Ainda agora, quando entrou, excepcionalmente trocou duas palavras comigo sobre o "shitty weather" (chuva de merda) só para, sem eu dar conta, abrir a janela da cozinha como que a protestar por cheirar a uma almondega (de carne Halal) que eu aqueci no microondas em potência média por 30 segundos.
A sério!!!
A sério!!!
Se não regressar a casa vinda do meu segundo emprego (sim, tenho outro, mas é muito irregular), entro pela porta meia-hora mais cedo que ela. O que a deixa incomodada. Tem medo de perder o "lugar" na sala. Neste primeiro fim-de-semana, que agora temos em comum como dias livres, fiquei o sábado a ver um filme. E ela? Remeteu-se para o quarto. Depois diz que sou eu que me isolo. Não a proibi de se sentar como sempre faz. Se é seu costume, quebrou-o porque quis. Também é sacanagem esperar ocupar constantemente e sem dar tréguas, a TV comum a todos. Eu? Cagando e andando...
Sabe bem. Sabe bem (finalmente), sentir que estou melhor e que sei lidar com esta situação que foi tão injusta e cruel comigo. A canção tem toda a razão. Já a foram espreitar?
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