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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Golpe de Sorte


Quem acompanha esta série (cof, cof, cof) da SIC?


Qual o palpite para a identidade do verdadeiro filho da Céu?
Sempre achei que podia ser o Tino, já que seria uma reviravolta fantástica. A "velha" (papel muito bem interpretado por Manuela Maria, que conta agora com 84 anos) não deve ter dado o neto, um Toledo. Ela deve ter querido mantê-lo por perto. Afinal, sempre tem metade do seu sangue.

Mas quem será ele?
Que outra personagem com 37 anos anda pela trama que possa ocupar esse lugar? Claro, sempre pode aparecer alguém de fora. Mas supondo que o folhetim segue os rumos usuais, deve ser alguém já conhecido, próximo e muito amado. 


O problema é que a "velha" jamais teria permitido que irmãos dormissem juntos... Supostamente Jéssica está grávida do Tino e se este for filho do pai da Jéssica, então temos aqui um incestosinho do caraças!

Ò Eça, já foste.

A menos que o panhonha do Zé não seja o pai de Jessica, foi mais um cornudo, e Jéssica não sai só há avó: sai à mãe.


Quanto ao resto da trama e das interpretações, tenho de elogiar o trio de "idosas" lá da vila. Mas que excelentes interpretações! A mãe da Céu (Carmen Santos), a costureira (Henriqueta Maya)... Quando se juntam, é uma delícia de ver. Timming perfeito, interpretações fantásticas. A trama está repleta delas, de cima a baixo.

Oceano Basílico como invisual está a fazer um papel fantástico e a trama contribui muito para incentivar pessoas com problemas de visão a perceberem que podem ser muito independentes. Ao seu lado está um marido possessivo (Pedro Laginha). Ui! Excelente interpretação também. Dá medo. Não sabemos quando aquele elástico vai rebentar mas sentimos a tensão em cada cena. 

Para não falar dos vilões. Jorge Corrula nunca decepciona, não é mesmo? Até a Diana Chaves está a mostrar que sabe ser mais que o rosto bonito e elegante da trama. 

Quem vê que mais acrescenta?

sábado, 20 de maio de 2017

Dei uma de Maria de Fátima



Alguém sabe ao que me refiro com o título que escolhi para este post?
Provavelmente muitos poucos entenderão.


"Maria de Fátima" é uma personagem. De uma telenovela. Dos anos 80...
Ficou famosa por ser «má». Ela quer tanto subir na vida e ter muito dinheiro, que engana todos com o seu jeito angelical e bondoso de ser. A novela tem o nome "VALE TUDO" e vale mesmo tudo para a ver. Mesmo nos dias de hoje. Recomendo-a já. Continua bastante actual, ainda que na novela os telemóveis sejam raros e tenham o tamanho de um tijolo. Em tudo o resto, a novela não podia mostrar melhor a realidade como ela ainda hoje é. Pessoas normais, que acordam com o cabelo despenteado, que o vento na rua despenteia, o povo que aparenta mesmo ser povo, as praias que têm povo e não figurantes bonitinhos... Além de tudo o resto, claro.


Mas história à parte, "Maria de Fátima" não é só o nome de uma personagem. Ganhou também direito a ser uma expressão. Com um significado. Uma pessoa capaz de enganar, manipular, ser dissimulada para conseguir os seus objectivos, resumia-se tudo isso com as palavras "Maria de Fátima".


E digo eu que dei uma de "Maria de Fátima?" - Bom exagerei. Muito. Porque queria «fazer bonito» Kkkk. Por muito que tentasse, jamais chegaria aos pés de uma Maria de Fátima. Mas posso ser uma Maria de Fátima Mirim... ou uma aprendiz com pouco sucesso.

O que pretendo dizer é que tenho muita dificuldade em mentir. Quase nunca o faço. Maria de Fátima fazia-o com quem respira. E eu disse uma mentira e por isso, por ter conseguido, senti-me uma Maria de Fátima! 

Só a ideia de ter de recorrer à mentira me exaspera. Contudo, sou uma adulta. SEI que tem ocasiões em que mentir pode servir um propósito, e este até pode ser um bom propósito. Não gosto e é raro mas, se meter na cabeça que vou o fazer, e me convencer disso (é a parte mais complicada), sou capaz de o fazer.

Divido a casa com um rapaz que gosta pouco de trabalhar. Ele vai para o emprego mas sempre contrariado. Não vê propósito no conceito de trabalho em si. Quer viver de... o que lhe dá prazer. Mas como isso não dá dinheiro a todos (só a uma minoria), tem de se sujeitar às normas sociais que ditam que é preciso dar trabalho em troca de dinheiro para se obter bens e serviços.

Acontece que o rapaz está sempre a dizer-me para telefonar para o emprego a dizer que estou doente. Não importa se me queixo ou não. Ás vezes basta eu dizer que tive um dia cansativo e quero relaxar, já ele vem com a conversa: "Telefona a dizer que estás doente e não podes ir". "Eu faço isso regularmente". 

Eu bem lhe digo que isso não resulta comigo. Sei que não ia conseguir e que a minha mentira seria transparente. No emprego eles nunca acreditam na falta por motivos de saúde. (Desconfiam sempre da pessoa de forma sarcástica). Depois tem outra questão: A ideia de brincar com a saúde, por vezes acho inapropriado. A saúde é preciosa. Usá-la como pretexto para «escapulir» a responsabilidades - sejam elas não ir a uma festa de aniversário ou desmarcar um convívio - acho que não é correto. O que custa às pessoas dizer: "Olha, não me apetece ir? Mudei de ideias?" Porque têm de inventar logo uma doença?

Acho que essas desculpas acabam por chamar as efermidades e o melhor é nem brincar com isso. Mas não é essa a principal razão de sentir desconforto com as mentiras. Simplesmente é assim. Mas como adulta, tenho de aprender. Aprender a mentir. 

E achei que era altura. 
Por razões a meu ver muito válidas (ler post sobre assédio laboral), decidi que não ia trabalhar num certo dia. O que ia dizer para poder faltar é que não tinha ideia. Mas aos poucos começou-se a formar algo. Diria até que estava a ter «achegas» espirituais, porque não tenho em mim esta capacidade de refletir e entender o que se deve fazer. 

Desde que cheguei ao UK muitas têm sido as pessoas a viver cá que me têm dito que, para se conseguir algo (casa, telemóvel, contrato de serviços, emprego, etc, etc), há que mentir. Até mesmo nos blogues que sigo, de pessoas a viver aqui, também elas escrevem que é preciso "exagerar a verdade"- manipular as coisas. É nesse sentido que uso a expressão "Maria de Fátima". 

O curioso é que, para mentir, tive de tornar a mentira VERDADEIRA.
E é aqui que queria chegar. Para poder dizer que aconteceu "isto ou aquilo", tive que fazer com que acontecesse. Com consequências menos graves do que dei a entender - claro. Mas também sempre ouvi dizer que é preciso exagerar nas dores para se fazer de doente, e exagerar nos feitos, para se fazer de herói. Então exagerei um pouco - sabendo que é natural, no início, pensar-se que algo é mais sério do que se pensava. Relatei o sucedido verdadeiro, mas de uma ocasião passada. Então, facilitou a mentira porque estava a contar uma verdade. E quanto ao pretexto que dei, acabei por torná-lo verdadeiro. Porque só assim consigo «mentir». Sabendo que não era mentira, que tinha realmente acontecido o que relatava.  


Na novela "Maria de Fátima" era filha de "Raquel". Uma personagem tão boa, recta, correta, honesta, crédula, bobinha - com a qual me identifico. Na altura em que a novela passou, nem tanto. Percebi-o depois, durante uma reprise no canal Brasileiro, já adulta. Mas até na novela, por vezes, dá para entender os motivos de Maria de Fátima. Tendo Raquel como exemplo de mulher adulta e um pai alcólatra como exemplo de homem, ela viu tudo aquilo que não queria para si. Raquel, por muitas ocasiões, sai prejudicada por ser como é. Acaba por se colocar em situações que a ferem e também erra por ser... boa. Mãe e filha são dois opostos e no equilíbrio é que está o saber viver. Raquel também tem de aprender! Aprender a mentir... Aprender a ser dura. A destratar quem merece. Para crescer.

E é aqui que me encontro... 


E porque não? Aqui ficam umas cenas de resumo da mencionada novela. 


















terça-feira, 27 de outubro de 2015

A portuguesa que inventou a cola para cirurgias internas


Vi a notícia ontem, no telejornal das 8h da RTP, apresentado pelo João Adelino Faria.

Uma portuguesa integrada numa equipa de investigação lá nos «estrangeiros» conseguiu produzir uma «cola» que poderá ser usada no interior do corpo humano aquando actos cirúrgicos.


Grande feito, sem dúvida. Mais uma que se junta a um mancial de portugueses emigrados que alcançam grandes feitos fora de Portugal. É que só pode ser assim, não é? Já repararam que, para uma pessoa originária deste país, o sucesso e a realização pessoal só está ao seu alcance se saltar daqui para fora??

Diz a mesma portuguesa que sem dúvida que os portugueses saem a perder por serem um povo pessimista. Ao que o repórter pergunta-lhe se não pode inventar um adesivo que torne as pessoas menos pessimistas. 

E esta investigadora médica de origem portuguesa responde que um adesivo não ia resultar, porque o pessimismo é algo que se «combate» na infância, com a educação que os pais dão aos filhos. 


Ora aqui está! Em uma notícia apenas, uma grande análise da sociedade portuguesa e a constatação de que ainda ficaremos pior.

Somos um povo morto. Acreditem. 
Uma vez ouvi o Hermano Saraiva no seu programa sobre história, dizer que, em tempos de crise, a emigração é má para portugal, porque significava que «os melhores» iam embora. Aqueles que tomavam a iniciativa, que iam à luta, que não se resignavam, eram os que saiam. E o que é que ficava? Os velhos, os doentes e os conformados.

Portugal já viveu grandes vagas de emigração, já perdeu «os seus melhores». E é por isso que 500 anos após os descobrimentos, nem temos concepção da bravura e resistência que caracterizou um povo que descobriu novas terras, navegou torturosos mares e contactou novos povos. Bem que podiam dizer que foram os ETs os responsáveis por esses feitos. Não tivessem sobrevivido relatos e documentos disso mesmo, e provavelmente seria como no caso das pirâmides do Egipto, ou a sociedade Maia: foram os ETs! 


A jovem investigadora portuguesa tem razão. Para se ser alguém, é preciso não se cultivar na sociedade e nas escolas esta "bactéria" do pessimismo. É preciso dotar as nossas crianças de ferramentas e incentivá-las a seguir as suas aptidões, incutindo-lhes optimismo e confiança em si mesmas.


O que acabei de descrever NÃO É o que se passa em Portugal.

Em Portugal faz-se o INVERSO.

Temos crianças capazes e transformamo-as em seres que duvidam das suas capacidades e que temem arriscar.Vejo-o todos os dias, percebo-o nitidamente, atravessando as gerações. É preciso não limitar os sonhos, as capacidades de um indivíduo em desenvolvimento. Cortar-lhes a esperança com palavras, atitudes e exemplos derrotistas, antes que se possa por à prova. Um dia fui assim, uma criança cheia de energia e capacidades, à procura do seu lugar e com ânsia de fazer e experimentar. Senti-me forçada a fazer o que os outros desejavam, forçada a ficar estagnada quando tudo o que precisava era não parar de andar. Após anos e anos disto, senti-me a ceder e quebrar, como um ramo de árvore que cede a uma rajada de vento de um tufão ou ciclone que nunca páram de o atingir. 

Para se ser alguém neste País, para se ser aquilo que se é e realmente se ter boas oportunidades, o melhor é sair dele. E os exemplos disso se multiplicam no noticiário. A sorte de um indivíduo natural de Portugal começa logo à nascença, com o padrão que a família vai usar na sua criação: um padrão pessimista, derrotista e depressivo? Que é o que mais há por aí? Ou um de incentivo, força, luta e optimismo? Tão escasso? 

O que é preciso é deixar crescer. Tudo na vida precisa crescer. Infelizmente, esse crescimento nunca poderá ser aqui, neste país. Aqui só se morre. 


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Imagens de Natal

E porque é Natal e na imprensa tudo o que vejo são referências ao consumo de produtos com ilustrações do Pai Natal da Coca-Cola, vou então prestar homenagem à época Natalícia de uma forma diferente.