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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

As redes sociais mataram o romance


Tenho reflectido sobre o papel das redes sociais nas relações de namoro. 

Não tinha até hoje percebido o quanto os hábitos de "corte" deram uma volta de 180 graus. Por causa da tecnologia. Já não se escrevem "cartas de amor", ou se fazem serenatas à janela, algo que foi mais presente e marcante numa geração que nem é a minha. Garanto-vos: tudo se tornou mais frio e cruel. Até mesmo impessoal. O que devia ser contraditório, quando a facilidade de hoje em dia para se chegar ao envolvimento físico é tão evidente e indiscriminado. Contudo, está a perder-se o contacto humano. Os olhos-nos-olhos e o respeito pelos sentimentos dos outros. Cortejar alguém tornou-se um ritual frio que facilmente opta pela crueldade. É mais a ilusão de intimidade que se está a vender.

Pobres jovens!  
Sinto angústia só de pensar por aquilo que as novas gerações podem vir a passar. Temo pelas duas adolescentes na família, que já estão mais que na idade de namorar, contudo, disseram-me, com voz segura: "Não há nada que preste".

E podem ter toda a razão. Esse é o meu MEDO.



Como cheguei a esta constatação?
Estava na internet quando decidi visualizar um vídeo de um "coach" sobre relações afectivas. Do género que explica e dá conselhos às pessoas confusas com as atitudes de outras de quem gostam. "Devo escrever-lhe?" "Ele gosta de mim?" "Porque não me contacta?"- queriam tantas saber.


Isso ressoou um pouco e então fui espreitar. Para meu espanto, os comentários que li nos sites eram TODOS (e tantos) a contarem histórias pessoais, todas com um denominador comum: Mulheres que conheceram um homem online. Iniciaram uma conversa por chat durante meses, sentiram-se envolvidas, marcam um encontro, umas saíram com o rapaz mais que uma vez,  outras só uma. Subitamente ele deixa de se comunicar com elas. As que tiveram sexo também tiveram o gajo a responder da mesma forma: com silêncio. Tendo acontecido até com quem namorava oficialmente com aquela pessoa e subitamente recebe o tratamento da invisibilidade. Cortam qualquer contacto e deixam de se comunicar. Mudam de comportamento. Mesmo aqueles que têm a cortesia de responder, fazem-no de forma vaga ou não direta. Deixando a mulher a pensar se aquilo tem volta ou não. Se ele só precisa de tempo. 

Fiquei surpresa por quase todas, acho mesmo que todas, mencionarem que conheceram a pessoa online. Hoje em dia é assim que as pessoas começam uma relação: através de um computador! Mas é que falam disso como se fosse a forma natural de acontecer. Como se não existisse outra!!! Como se todo os afectos precisassem ser filtrados com a tecnologia pelo meio. Vão a sites como o Tinder para "conhecerem" parceiros. É assim que se faz hoje em dia. Eu estava totalmente a leste disto!

As redes sociais vieram para facilitar ou para destruir a fé das pessoas nas relações humanas?
Temo pela segunda hipótese. Até mesmo "ele" cansou-se de me repetir que os "jovens estão cada vez mais sozinhos". 

Não é assustador?
Cada vez mais sós, cada vez mais EXIGENTES. Elaborando listas de IDEAIS mais próximos da fantasia do que da realidade. Sinto pena.

Vi pela miúda que viveu nesta casa. 24 anos, bebia álcool até ficar bêbada e fornicava que nem um animal no cio com quem simpatizasse online ou nas saídas nocturnas. Falava dos gajos como se fala de um produto no supermercado. É esta a "cultura" da moderna juventude. A forma como interagem uns com os outros. Ela procurava e lamentava não encontrar alguém "rico que lhe fizesse as vontades" porque "merecia". Mas entretanto, optava por este tipo de relacionamentos e também ia descartando gajos com base no nível de atracção física através de fotografias numa app.

Tudo tão fast-food. (Sem sabor, só aparência, e de consumo rápido e insatisfatório). Ela era "consome rápido e deita fora", tanto  tratava assim os gajos como se deixava ser tratada de igual forma. Aceito este estilo de experimentação, mas sinto que não é por aí que alguém vai encontrar uma avassaladora paixão, um parceiro amoroso, que a vai fazer sentir nas nuvens. Não é por abrir as pernas a tudo o que é gajo ou manter três opções ao mesmo tempo que aumentas as possibilidades de acontecer o  "milagre" do "amor para toda a vida".



O rapaz aqui de casa, com trinta anos, nunca se apaixonou por ninguém. Tem agora uma gaja mais recorrente e ouvi-o brincar com isso. Sempre manteve uma one-afternoon-stand, ia para a cama com todas, apenas uma vez. Dificilmente uma segunda - não fossem elas começar a achar que têm direitos. Depois de dormir com elas, não as quis mais. Numa ocasião cumprimentei uma destas miúdas, que era mais faladora, e quando lhe perguntei o que fazia, respondeu-me que era professora de fitness mas que seria por "pouco tempo", porque dali a seis a oito meses ia mudar-se para Nice. E lançou um olhar cúmplice ao rapaz. Eu percebi de imediato, mas nada disse. Já tinha visto tantas a entrar e a sair e duvidava que ela fosse mais do que mais uma de «foda única» na lista dele. Ia servir para o propósito que a trouxe até a casa, nada mais. Mostrou achar que ia com ele para Nice - que é para onde ele planei-a mudar-se a trabalho, daqui a dois meses!

O que me dizem disto? Não é assustador? Acho que mete medo.
Vocês têm filhos novos, netos... não temem por eles?

A facilidade com que se usa as redes sociais para se magoar e descartar os sentimentos alheios. Isso tem de transformar as pessoas em algo diferente das crianças "fofas" e respeitadoras que tanto nos esforçamos que sejam. Hoje vi um cartaz a dizer: "Triste é quando partilhar comida tornou-se mais assustador que desperdiçá-la".

E fiquei triste com esta constatação. Porque é tão verdadeira e tem implicações sérias nas relações humanas. Antigamente partilhava-se o lanche, trocavam-se sanduiches, cada qual bebia do mesmo copo ou dividia uma peça de fruta. Esse simples acto ajudava (e muito) as pessoas a se conhecerem e a simpatizar umas com as outras. Um acto de bondade. Hoje em dia se eu quisesse partilhar o (imenso) gelado de copo que comprei, porque era demais para mim, sei que nem vale a pena estendê-lo a alguém. Todos temem que a oferta venha envenenada ou, simplesmente, porque já teve a colher que levei à boca ali enfiada, tornou-se "sujo, perigoso, repulsivo". 

Esta simples alteração de comportamento já prejudicou as relações humanas a nível das amizades, das vizinhanças. Já não se bate à porta da vizinha para pedir um copo de farinha emprestada. Hábitos saudáveis de convívio, perdidos ou em extinção. E agora, a tecnologia vem dar como que a facada fatal na já muito fragilizada interacção humana.

Recordo-me dos filmes futuristas, que retratam a tecnologia como algo que vem substituir o lado físico das relações, mas compensar com o lado emocional. Descarta o sexo, mas faz as pessoas passarem por emoções fortes de ligação psicológica. Duvido muito que o futuro tenha adivinhado correctamente o papel da tecnologia nas relações de interesse amoroso. Acho que facilita demasiado a crueldade e nada faz para tornar as pessoas mais carinhosas, atenciosas. Pelo contrário. Torna-as secas, desconfiadas, dessensibilizadas e descrentes.

Deus nos valha.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O Elvis lá do sítio


Confesso-me:
O género masculino tem uma característica que muito me fascina. E ela é... a voz.
Não uma qualquer, mas um certo timbre de voz, que até hoje não sei definir bem.

Exemplo de homem inicialmente atraente
(bonito, com profundidade no olhar)
Qual músculos, qual rosto, qual quê!
Há uma certa voz, possante, grave, mas ao mesmo tempo serena...
Das raras ocasiões em que escutei vozes assim, tive de esconder que não me fascinavam e não demonstrar nenhuma alteração, Kkkk.

Porque eles sabem...
Sabem-na toda. E já contam com esse trunfo.
(os sacanas).
Não atrai... (olhar pouco profundo, ar palerma Kkkk)

E porquê conto eu esta história?
Bem, recentemente andei a ver vídeos de música (não deram por nada, pois não? Eheheh.).
E isso trouxe-me uma lembrança.

Não é nada de muito relevante mas... lembrei.
Andava pelos meus 15 anos. Quando numa rara ocasião em que me foi permitido sair de casa, conheci um rapaz que logo simpatizou comigo. Educado - o que me agradou, bonito - o que procurei não valorizar e... com uma voz muito mas muito mais adulta que a sua idade. Agradou-me ouvi-lo falar. Agradou-me todo o seu jeito de ser. Traços no rosto dele faziam-me lembrar alguém... só não conseguia lembrar quem.

Foi então que descobri. O rapaz parecia-se com o Elvis Presley. 
Com a minha mente criativa já a imaginar histórias, olhei discretamente para ele e pensei: "É possível. Quantos filhos não poderá um artista como o Elvis ter espalhado pelo mundo? E um veio aqui parar...".

Se era ou não, nem era relevante. Era mais o enigma. Dava ares dele, mas, atrevo-me a dizer que era ainda mais perfeito. A verdade é que o rapaz era LINDO de morrer, tinha aquela voz deliciosa de escutar mas, a meu ver, ele era realmente lindo porque era muito educado, tranquilo. daqueles que pedem licença, dão a vez às senhoras, mostram interesse em te escutar e tudo e mais... 



Infelizmente e não por vontade dele, não fui mais longe e fiquei pelos breves contactos. 
Fui uma parvalhona!!!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

DIA DOS NAMORADOS 2015


Ele entrou muito rapidamente dentro da loja de venda de produtos importados da china. E depressa encontrou o que pretendia: um coração vermelho. Foi para a caixa pagar. A chinesa que o atendeu quis impingir outro tipo de artigo mas o rapaz disse:
-"Não. Era isso mesmo que eu quero. Procurei por toda a parte. Um coração desses para apertar, anti-stress!"

Fiquei a pensar:
qual a namorada que vai gostar de receber como prenda de dia de São Valentim, o santo abençoador dos namorados, uma esponja anti-stress? Mesmo que seja em forma de coração!


Qual a mensagem subentendida? Que a relação é stressante? Que o namorado a julga irritadiça e uma rapariga stressada por tudo e nada?

O tipo pareceu satisfeito, mas suspeito que a satisfação foi mais pelo quão barato lhe ia ficar o presente. Podia ser um coração esculpido da poia de um cão. Desde que fosse barato e vermelho... estava "safo".

O que é feito de um ramo de rosas ou uma caixa de bombons?
Ah, as lojas dos chineses apagaram o romantismo e "tramaram" as doçarias e floristas um pouco por todo o lado...

domingo, 17 de agosto de 2008

União por outra razão

Uma vez uma amiga confidenciou-me que uma colega nossa devia estar mesmo muito apaixonada pelo seu namorado. Pois tinha outro há anos, que abandonou rápido, para ficar com o novo. Estava sempre a repetir esta constatação e nunca contestei o seu ponto de vista. Porém, estava longe de concordar.

Porquê as pessoas se fiam tanto na aparência? Nas histórias dos contos?

Pelo que conheci desta colega, ela era uma pessoa acima de tudo ambiciosa. Ao ponto de pisar nos outros para chegar onde acha que merece. Com desprezo pela sua origem e vergonha dos pais, ambicionava «ser alguém» noutro local que não aquele onde vivia. Desprezava a vida que sempre conheceu, achava os pais uns ignorantes incultos que não lhe deram o suficiente e ainda lhe deviam e se achava merecedora do melhor. No seu raciocínio, só podia atingir os seus objectivos em Lisboa.

Entretanto, tudo o que desejava para si, desprezava quando o via nos outros. Falava mal e invejava. Mas enganam-se se pensam que o fazia de forma obvia. Os seus comentários eram nos momentos certos e podiam passar despercebidos. Com as pessoas tinha um comportamento politicamente correcto. Mas não gostava delas. Era um tanto seca. Conforme a popularidade do indivíduo, assim recebia mais ou menos daquela cordialidade sintética. Preocupava-se muito com a aparência e a imagem que projectava. O comportamento fazia parte desse grupo. Nem sei se alguma vez foi natural e se mostrou livre. Estava sempre rígida na postura e na atitude que achava ser a única digna de uma pessoa de sucesso. Era exageradamente vaidosa com o cabelo, e começou a usar óculos não por necessitar, mas porque tinha virado moda e era um acessório que lhe conferia um ar responsável e intelectual que procurava criar para a sua pessoa.

Ou seja: quem se guiasse apenas pela aparência, ia ver uma rapariga bem vestida, educada e inteligente. Era tudo o que pretendia. Tinha tanto cuidado em não revelar o que realmente fazia e de onde vinha, que dava para perceber que, como diz a expressão, arrotava caviar e comia postas de pescada. Se algo que tivesse feito não fosse nada que a fizesse sentir orgulho, falava pouco mas quando falava, dizia sempre que tinha sido maravilhoso, gostou muito e fez um trabalho importante e essencial. Mas não diz que andou a servir cafés. Diz que era a auxiliar do director. Entendem?

Na primeira oportunidade que teve de se mostrar onde queria estar, não a deixou escapar. Escreveu a toda a gente, foi buscar endereços de email do arco-da-velha, escreveu para todos aqueles a quem nunca antes tinha escrito, só para poder mostrar que tinha chegado a algum lugar. Mesmo não sendo bem o que projectava, servia para alimentar a imagem que queriam que tivesse de si: bem sucedida. Uma vencedora.
E agora, roam-se de inveja! – deve ter pensado, pois toda a vida conheceu essa sensação.

Entendem agora porquê não concordei eu com a minha amiga, que dizia que o amor dela pelo novo namorado devia ter sido uma coisa bonita e avassaladora, como nos filmes?

Porque não era. Uma pessoa como ela não sabe o que isso é. É demasiado seca e racional para viver o amor. Amor é emoção. É sentimento. É asneira. Aquela pessoa era demasiado calculista e fria. Um namorado para ela não passava de um item. Uma aquisição. Um upgrade, um acessório necessário à sua imagem, um troféu para exibir a vaidade. É claro que trocou um pelo outro. O «novo» modelo vinha com apetrechos que pessoas como ela adoram: podia fazer dele o que quisesse.

Ele obedecia. Ele funcionava como ela dizia que ele devia funcionar. Ele ia fazer tudo o que ela manda, quando manda e assim que manda. Era o seu criado.

Que mais uma mulher como a que descrevi podia querer num homem?
É claro que trocou um pelo outro! E nem se aborreceu com isso.

Tenho que apelar para que se pense para lá das histórias dos contos. Não é porque um casal está junto à 2 anos que isso significa que estão sólidos e gostam muito um do outro. Não é porque subitamente alguém começa a namorar com outro que isso quer dizer que o ama apaixonadamente. Os dois juntos acabavam por impressionar os restantes que, levados na fantasia dos contos, sabem como «devia ser» e não estava a ser. Os recém-pombinhos tinham menos afecto um pelo outro, que casais que estavam «só a brincar», ficando junto. Mas serviam as necessidades um do outro.

Ela tinha o seu criado e ele, carente e desesperado, alguém para o «amar».

Não foi o único caso que conheci. Normalmente, até termina em casamento. Afinal, nada melhor para os narcisistas que um criado pessoal, mascarado de marido. E para aqueles que pouco ou nada de experiência em namoro obtiveram mas se lembram da dor da carência e do desespero de se imaginarem sem ninguém para o resto da vida, infelizmente, para esses (poucos) homens, essa gratidão é tudo o que basta para defender com toda a alma aquela pessoa para o resto da vida.

Ser narcisista compensa, não??