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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Abril está mesmo ao virar da esquina

 

Isto é uma pequena amostra do que encontrei hoje ao ir às lojas pela primeira vez desde o Natal. 



OVOS da Páscoa a perder de vista, múltiplas decorações pascoalinas, desde saquinhos com orelhas, a coroas, a barris para sumos em formato de ovo, velas com orelhas de coelho.... 


E, claro muita coisa também forrada de vermelho, cor do amor, corações, roupa, brinquedos, rosas, chocolates, biscoitos... pois antes do coelhinho da páscoa, vem aí o são Valentim! E não esquecer o dia da mãe que no reino Unido deve ficar ali a competir com o coelhinho.

Até parece que estou a descrever aquele anúncio televisivo da década de 80, sobre as figuras de Natal de chocolate que vão no comboio...

"Primeiro, veio o São valentim. Depois, o coelhinho. E depois veio a mãe... Nã, não! O coelhinho vai com a mamã no carro para comprar presentes no supermercado"!



Por aí em Portugal, o comércio também já chegou a este ponto com tanta antecedência? Estou curiosa. É que aqui no Reino Unido é infalível: mal acaba uma «onda» de consumismo, começam logo a invasão de outra. Que nem um tsunami. 

Será que isto deriva de uma extrema necessidade por falta de mais para oferecer e pouca procura? Será consequência do Brexit?


Fico com a sensação de estar a presenciar um dependência desconcertante, como se um drogado desesperado tivesse no comando de todo o comércio e precisasse de arranjar formas de meter o seu consumidor sempre a consumir. Porque ao fazê-lo gastar dinheiro, está a saciar a sua gula por riqueza ao mesmo tempo que os está a tornar em consumidores viciados. O termo correto é Onimomania. 

É. Acho que todos nós de uma certa forma somos uns "drogados". Conduzidos a vícios pela sociedade consumista e gulosa por riqueza. Seja drogas, comida, jogos de computador a dinheiro ou compulsividade para compras. Apenas a substância do vício vai alternando. 



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Osso do Desejo

Bem sei que a próxima data festiva do calendário não é nenhuma em que se pede desejos. Não é Natal, nem Ano Novo com suas resoluções, também não envolve nenhum ritual que inclua fazer desejos num sopro de velas, jogando moedas a um poço ou quebrando o osso da sorte. A próxima data que se aproxima no calendário é aguardada por muitas, temida por muitos, aproveitadas por tantos. É o dia de S. Valentim, vulgo dia dos namorados. Dos amantes, do amor. 

Já que comigo não funciona quero pedir a vocês, principalmente os bem resolvidos com o Santo Valentim, que não se joguem a atirar moedas a um poço, nem a soprar desejos numa chama, nem se ponham a quebrar o osso da clavícula do frango aí de casa. Mas será que dá para fazer uma corrente de pensamento? Uma que quebre o feitiço? Obrigada!!


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Dia dos Namorados

Entrei numa loja de acessórios abarrotada de pessoas e depressa percebi que a maioria dos clientes são miúdas com os namorados. Amanhã celebra-se o dia e, logo a seguir, o entrudo. A loja estava a rubro!

. O que me fascinou foi perceber as dinâmicas ali. Um casal estava a ver qualquer coisa e o rapaz diz à rapariga que tem em casa algo com estrelinhas que ela deve gostar. Estão a procurar e a comprar algo juntos. Passo por outro casal e a rapariga está a mexer numa caixa de maquilhagem. O rapaz logo pergunta:
- Quanto custa?

Este casal estava a comprar algo para ela, oferecido por ele. Quando o oiço fazer a pergunta, acho-o estúpido. Pela primeira vez entendi aquelas mulheres que ficam PIURÇAS quando o namorado se põe a perguntar o preço de um presente. Foi mesmo estúpido! Se é para oferecer, de coração, essa pergunta não cai bem... estão numa loja de acessórios, não num stand de automóveis ou numa joalharia! Não vais à falência por isso, puto... Ela responde-lhe:


- "20 euros". Fá-lo num tom muito próprio do sexo feminino, que quer dizer: "quero mesmo isto, não respondas que não pode ser, porque é muito caro".
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Ao mesmo tempo percebi o quanto o bixo homem é uma criatura de instintos animais básicos... que se submete a este ritual para ter sorte depois, à noitinha, quando estiverem os dois sozinhos! A expectativa do momento da recompensa parece valer-lhes o esforço, que, para uma maioria, é mesmo penoso... ir às compras com a namorada é quase como passar pelo matadouro e temer ser escartejado!

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Continuei a esbarrar em diversos casais enquanto vi tudo o que havia na loja, para depois decidir o que ia comprar. Passados mais de 10 minutos, a rapariga da caixa de maquilhagem ainda estava de volta dela, a abrir e fechar, a agarrar os acessórios, a olhar para as cores, e, o namorado ali ao lado, sem dizer nada.
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Otário! Compra-lhe a caixa e tens a vida facilitada! A tua namorada está há 10 minutos com a caixa na mão e não sabes se é o que ela quer? Ou temes que seja? Tens de ver ao que dás mais valor... aos 20 euros na carteira ou à namorada, com promessa de marmelada...
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Muitos homens ocultam a verdadeira natureza ao presentear com segundas intenções as namoradas com aquilo que querem, dando-lhes a sensação de plena generosidade. Para eles uma relação é um negócio. São tão calculistas que vão logo comprando essas mesquinhices e conseguem tudo o que desejam a troco de coisas de plástico... mas este puto não é suficientemente inteligente para entender que 20€ é uma miséria...

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Olha rapaz: se é esse o preço por uma caixa de maquilhagem completa de acessórios, com uma palete de cores que vão do roxo, ao amarelo, ao branco, ao rosa, ao preto... então é porque era uma bela porcaria! Devias ter agradado a tua namorada, dando-lhe toda aquela parnafenalha e era vê-la toda feliz! Só ias ganhar com isso. Assim, ela percebeu toda a hesitação, a má vontade, a falta de gosto, o apego pelo dinheiro... burro! Onde pensas tu que estavas? Numa joalharia fina? Num stand de automóveis? Se fosse numa perfumaria ou loja especializada, desembolsavas muito mais! Não menos de 60€... tótó!
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Depois de comprar as minhas coisinhas, ainda tive oportunidade de ver mais uma situação deplorável. Desta feita, o casal não era adolescente, mas já na casa dos 50. O homem tira da carteira uma nota de 10 euros, dá à mulher e diz que só pode ser aquilo, que não pode dar mais! Ela puxa a nota como se temesse que lha tirassem. Que velhaco! Só 10€?? Se fosse para um boletim do euromilhões, umas cervejinhas ou uma farra entre amigos, que se lixassem os 10, 20, ou 30 euros, não é? Mas que mau aspecto esta cena me causou!

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Tive pena da mulher, ali submissa, a receber uma "esmola" mixa, quase que publicamente humilhada... e ia procurar algo que lhe agradasse dentro daquele limite de preço tãaaao abragente :#! "Querida, por todo este tempo que estamos juntos... vales 10 euros! Toma lá, gasta-os e diverte-te! Vês como sou generoso?"

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Descobri assim, através de observações involuntárias, o que anos de vida não me ensinou...


Mas nem tudo estava perdido. A visão de namorados mais bonita que vi foi a de um casal idoso, com ar de quem se gostava mutuamente, cúmplices e, acima de tudo, aparentando respeito mútuo. Isso é o mais importante numa relação! Ver os dois de cabelos grisalhos, de braços entrelaçados, amparados um no outro a caminhar em direcção ao rio, num dia com sol mas com muito frio e muito vento, a celebrar serem namorados... fez o meu dia!