sexta-feira, 12 de abril de 2019

Por inglaterra - Há lixo nas ruas?


A resposta:


SIM.
Desde detritos recentes...
















Aos que já têm meses













E ao que parece tb se estaciona em cima dos passeios
(não deu para borrar a matricula mas tb quem vai saber?)



quinta-feira, 11 de abril de 2019

Reutilizo tudo o que me vem parar às mãos: inclusive tubos de pasta de dentes (que quase não uso)

Como muitos por aqui já sabem, não sou muito consumista ou de desperdiçar. Estou verdadeiramente optimista em relação a mudanças de práticas sociais que poluem o planeta e a cabecinha das pessoas.Vejo uma crescente preocupação em facultar produtos alternativos ao uso do plástico. Claro que tal acontece porque a alternativa é um grande negócio. E por essa razão muitos mergulham nela. Mas se o preço para deixarem de fabricar tudo em embalagens plásticas for esse, não é muito a pagar para ter o planeta de volta ao que era no tempo dos nossos bisavós. 

Falta agora retornar o interesse mundial por produtos alimentares com gosto e produção natural. Mas aí não há lucro, não há dinheiro a ganhar, e por isso a industrialização alimentar e o segmento "produto mais-caro e não mais saudável biológico" não vão sofrer alterações tão cedo. A nossa saúde vai continuar a diminuir e a nossa alimentação vai ainda ficar mais parca em nutrientes. No futuro a única coisa que vai aumentar são os casos de pessoas com problemas e a precisar de ir aos hospitais sabendo que não são desejados, tal vai ser o caos. 

Mas pela saúde do planeta... o plástico tem os dias contados. Pelo menos nos países de primeiro mundo. As alternativas tornaram-se rentáveis. Abriram-se possibilidades de negócio. As pessoas vão abandonar uma prática feia e suja que já não rende, por outra que lhes vai dar mais.

Hoje empolguei-me por estes produtos:
Sacos plásticos em silicone e shampôo em barra. 

Empolguei-me, mas não emburreci. 

Dimensões aprox. 19 x 19cm  capacidade aprox. 400 ml
Preço: 15€ / unidade

Primeiro, a durabilidade do silicone tanto pode ser a esperada, como surpreender pelo desgaste. O "saco" e uma coisa minúscula. Não vai poder conservar no interior algo mais que pequenos vegetais ou fruta. Tem umas asinhas de frango para meter no congelador? Esqueça. O volume de cada saco é diminuto. Mas o princípio está cá e é interessante. 

O que o produto tem e não tem que pode interessar: 
1) não contém PVC/latéx petróleo ou derivados
2) Antibacteriano (a sério??)
3) Fecho pinch-loc para selar os produtos (coloque dúvidas quanto à eficácia) 
4) Pode ser usado no micro-ondas (descobrir até que potência), ir ao congelador, frigorífico, forno (potência? Alguma substância nociva se liberta ao alterar a temperatura?) e pode ser enfiado em água a ferver.
5) É reutilizável (dah!), lavável à mão ou na máquina. 

Não dizem quanto tempo dura. Ms também, deve depender da utilização.
8€

O shampôo em barra atrai-me bastante. Fiquei fã deste género cómodo e fácil de tratar da higiene. Adoro o meu sabonete e gostaria de passá-lo pelo cabelo, mas desconheço se é recomendável. O cabelo já não é farto, lustroso e grosso. Está parco, como sabem, caminho para a calvice. Por isso, neste departamento, preciso de alguma garantia de que não irei acelerar esse processo. No site onde encontrei um desses produtos, aparecem comentários de utilizadores. As opiniões dividem-se mas as mais detalhadas revelam o produto como um flop. Por mais optimista que o cliente tivesse, verificou que no seu caso, o cabelo começou a cair em maior quantidade e enfraqueceu. E o que é pior: uma utilizadora ganhou uma reacção alérgica! Não sendo ela alérgica a nada e sendo aquele um produto todo "natural". Preocupante.

A vantagem deste produto, além da obvia que é te veres livre de umas tantas embalagens plásticas a poluir visualmente o espaço no teu banheiro, é que dura o dobro do shampôo convencional! Dizem que esta barra equivale a duas embalagens de shampôo líquido com 200ml.

Desvantagem, que só eu vi: No site dizem isto do shampôo:

Ora, se não testam no pêlo de animais, então estão a testá-los em humanos. Nós somos as cobaias. Por isso as críticas de reacções cotâneas etc. O que é um pouco mau... Tudo bem, em prol dos animais... mas para estes não serem as cobaias, somos nós. Isso não é inteligente ou ético. O produto e os ingredientes que lhe dão origem não é testado em pêlo vivo até o esfregares no teu cabelo. 

E vocês?
O que acham disto?

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Tantas pessoas passam pelas nossas vidas...


O facebook está outra vez a sugerir-me pessoas conhecidas como amigos. COMO O FAZ, não sei. Fico pasma, quando me aparece o perfil de uma rapariga que conheci por apenas um dia e cujo contacto telefónico coloquei na conta whatsup que tem número inglês. NADA tem a ver com o facebook e não partilhamos qualquer conhecido em comum. No entanto lá estava o nome distinto dela: Mamba. 

Logo abaixo surge um rapaz com quem estabeleci uma relação de amizade telefónica faz uns anos - desse somente uso o endereço de email e não o tenho no facebook, onde realmente não tenho ninguém de relevo. Apareceram também todas as minhas antigas amizades do tempo da faculdade: de todas perdi o contacto e nenhuma está referida em qualquer sistema informático actual, na altura existiam apenas telemóveis e olhe lá! 


Fico PASMA com isto. A troca de informações é muito precisa e completa!
Do whatsup para o face, do gmail, tudo... Não existe anonimato algum.
E se eu os vejo, eles também me podem ver a mim.

Sinto algum conforto sabendo que procuro não publicar fotos minhas nem revelar o meu nome por inteiro. Se estas pessoas quisessem ter mantido o contacto, teriam-no feito na altura. Agora não preciso delas. É uma forma que o facebook tem de tornar as pessoas em "mirones" secretas das outras. Não gosto. 



Mas fez-me reflectir: todas as pessoas que passam pelas nossas vidas sempre as influenciam. Desde aquela que foi só um instante, às que tiveram muitos instantes. Por vezes, a que teve mais tempo não é por isso a que vai ser mais justa contigo. 

Lembranças que me fizeram ter de ir comer chocolate.
Não ajudou.
Enfim, reflexões. :D

terça-feira, 9 de abril de 2019

Quando partir...


Quando partir, quero partir por inteiro.
Não quero cá deixar nenhum pedaço de mim.
Quero despedir-me totalmente deste mundo e que nada meu permaneça, batendo, funcionando, mantendo parte da minha energia aprisionada noutro corpo, noutro lugar, transferindo ou perpectuando as angústias. Quero ir por inteiro, sem nada deixar, para aquele lugar... (?).


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Nada e tudo


Inglaterra está a querer expulsar-me
É impossível que em tantas tentativas para arranjar um emprego, ninguém me contacta. Isto é tão surreal que começo a acreditar em bruxaria. Há muitos anos uma sensitiva disse a um familiar que me tinha sido feito um "trabalho" muito forte e que se não se fizesse nada para o desfazer, nada em que eu me metesse, nada que eu desejasse, nada que eu perseguisse alguma vez ia dar certo. E claro, nada foi feito. Passaram-se 20 anos desde esta "previsão" e se na altura já suspeitava que algo não fluia bem, tive tempo suficiente para ter certeza. 


Acreditam?
Provavelmente não...

Não acreditam. Até acontecer convosco. 

Anedota real: a lua-de-mel


"A Maria-Elisabete rezou para que nevasse no dia do seu casamento." - pergunta um apresentador de TV à concorrente.

Maria-Elisabete responde.

"Sim, rezei para que nevasse. Estavam 32 graus. Tive 20 centímetros na lua-de-mel".


Daqui:




Comece a ver aos  5.52


domingo, 7 de abril de 2019

Uma anedota roubada ao Jay


Tenho voltado a gargalhar com o Jay Leno no Tonight Show graças ao youtube. Jay foi um entertainer que apresentou o programa por muitos anos. Agora o show está nas mãos do Jimmy Falcon. Às segundas-feiras Leno lia notícias de jornal verdadeiras, e completamente patetas, humorísticas ou mirabolantes. Numa dessas ocasiões ele fez referência às Colunas de Ajuda Sentimental que os jornais e revistas tinham por hábito oferecer. Do género "consultório sentimental" da revista Maria. Que todas as gerações leram.

A maioria das colunistas sentimentais na América são mulheres. Será que um homem não pode assinar uma coluna sentimental? Ora vamos lá descobrir:

CASO REAL:

Caro João, 
espero que me possa ajudar. Noutro dia saí de carro para o emprego deixando o meu marido no sofá a ver televisão. Uns metros depois o automóvel parou, deixou de andar. Tive de caminhar de regresso a casa para pedir ajuda ao meu marido. Quando cheguei nem quis acreditar no que os meus olhos viam: ele estava na cama, com a filha de 19 anos do nosso vizinho. Tenho 32 anos, o meu marido 34, estamos casados há 10. Quando o confrontei ele admitiu que faz seis meses que tem um caso com a vizinha. Ele recusa-se a consultar ajuda para casais. Eu estou desfeita. Preciso de conselhos. Pode ajudar-me?

Atenciosamente, Sandra



Cara Sandra, 

Um automóvel que pare a uma curta distância pode ter a causa numa série de problemas com o motor. Comece por verificar se não existem detritos no tubo de gasóleo. Se estiver tudo bem, verifique os tubos de vácuo e as mangueiras. Verifique todos os fios-terra. Se nada disto funcionar, o problema pode estar numa falha com a bomba de fuel, que causa uma fraca pressão. Espero tê-la ajudado. 



sexta-feira, 5 de abril de 2019

Hora dos Paradoxos: Sem abrigo


Agora às sextas-feiras vou começar a publicar coisas engraçadas que observo aqui em Inglaterra. Este país, tanta vez apontado como "mais evoluído" será mesmo como muitos o pintam? 


Vou mostrar fotografias de coisas que vou apanhando pela rua e promover o debate de assuntos. Acham que a galinha do vizinho é melhor? A relva é mais verde no quintal do lado? 


Para estrear
SEM - ABRIGO
Tirei esta fotografia às 23h de hoje. É uma foto da fachada de uma loja, e à entrada dorme um sem-abrigo. Dois dias antes dei a este homem carne quente que tinha acabado de comprar no supermercado. Lá estava ele, 18h da tarde, já instalado, a fumar o seu cigarro e a beber a sua cerveja. O sem-abrigo nunca diz "não". Ele só diz "obrigado". Fica-se sem saber se gosta ou não do que lhe é oferecido, ou mesmo se precisa. 

Afinal, encontrar sem-abrigo não é só em Lisboa, ou Portugal... Os ingleses também os têm. E muitos. Quando fui a Londres também se encontravam por toda a parte, principalmente à entrada dos metropolitanos, como numa em Picadilly Circus. Também tirei fotos. Principalmente quando vi uma pedinte a tirar o telemóvel do bolso e ter uma conversa alongada com alguém. Não que seja proibido... Afinal, pode ser que tenha daqueles planos que não paga. Mas ainda assim, onde será que o carrega? Eu tenho de carregar o meu todo o dia, senão deixa de funcionar. Isto foi em Londres mas aqui nesta cidade pequeníssima, são muitas as pessoas sem abrigo ou pedintes. Instalam-se durante o dia à porta dos principais estabelecimentos comerciais: o supermercado, a loja dos 300, a rua principal... Aquele que se instalou mesmo à entrada do supermercado até parece que ali montou uma casa. Numa ocasião tinha o edredon nas portas que dão acesso ao parque de estacionamento. Ele conversa com pessoas ali mesmo, de pé, não se limita a ficar sentado com o copinho na frente. 

As idades dos sem abrigo variam. Mas quase todos, adivinha-se, devem ter um problema com drogas ou outras substâncias aditivas. A que mais me chocou foi em Outubro passado, quando também dei comida a uma sem-abrigo que encontrei quando passava na rua principal. Era uma rapariga muito jovem. Demasiado para já estar nas ruas. 

As drogas parecem reflectir no olhar de muitos com que me cruzo nas ruas. As mãos seguram afincadamente garrafas de rótulo de bebida gaseificada, mas de conteúdo duvidoso. É que deve ser proibido andar a certas horas já de "pinga" na mão. Ou dá chatices. Então estão sempre com ela na mão, mas disfarçada de lata de coca-cola

Depois de tirar a foto ao sem abrigo, tirei esta a um grupo de 4 adolescentes à entrada do supermercado. Estavam todos a fumar e a beber álcool. Como se o tivessem de o fazer ali mesmo, acabadinhos de sair do supermercado. Não pudessem esperar nem mais um segundo.

Futuros Sem-Abrigo?
Acho que aqui o governo preocupa-se bem menos com os desfavorecidos. Quem vejo ajudar, com distribuição de alimentos e sopa quente são sempre instituições privadas (talvez co-ajudadas por fundos governamentais mas isso só intensifica a vontade de atirar-para-os-outros um trabalho que devia ser principalmente do Estado). 

E a percentagem de jovens dependentes de drogas, bebidas e com baixa escolaridade não é brincadeira em Inglaterra. 

Preciso de Cunhas

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O pobre está sempre desgraçado


Estou em busca de trabalho. Tenho me candidatado a dezenas de posições mesmo antes de ter deixado o anterior emprego. Isto foi em Agosto. Estou há seis meses sem trabalhar. Isto parece-me surreal. Espanta-me como o tempo parece passar mais rápido quando se deseja que não passe de três  semanas. 

Que ingenuidade a minha!
Hoje a percepção da realidade foi sentida como um soco, de deixar o adversário KO. Brutal.

Há uma semana fui a uma entrevista de emprego para trabalhar em algo que já trabalhei em Portugal e que não requer conhecimentos específicos, qualquer um pode obter aquele trabalho. Soube da vaga durante uma outra entrevista, no centro de Emprego, onde fui para procurar orientação e apoio. Estava no final da linha, aquele lugar onde a esperança está a terminar. Recorri a eles - só para constatar o quanto é desolador as expectativas e a realidade. 

Diante do meu interesse por uma oferta divulgada pelo Centro de Emprego, o funcionário marcou a entrevista, que aconteceu há uma semana. Nunca tinha apanhado uma recrutadora que falasse à velocidade daquela. Parecia querer despachar-me muito rapidamente. Elogiou-me, como tanta vez alguns fazem, disse inclusive que seria perfeita para o trabalho. Enfiou-me uma série de papéis para preencher, deu-me todos os seus contactos e mandou-me voltar a entrar em contacto assim que tivesse reunido toda a papelada. 

Até hoje. Já a contacto faz cinco dias. Não obtenho resposta. Recebo apenas um email automático dizendo: "de momento não me encontro no escritório, só regresso amanhã dia X. Se for urgente contacte em alternativa fulado Y ou fulano Z".

No dia "X" volto a contactar, só para receber outro email automático dizendo a mesma coisa, só alterando o dia para o próximo ao do contacto. Não foi preciso muito para deduzir que aquela ia ser a resposta-padrão a qualquer tentativa de contacto estabelecida. 

Contactei então um dos colegas cujo endereço vinha fornecido. SILENCIO também da parte desse recrutador. Hoje voltei a contactar. Mas não o primeiro, ou o segundo, mas TODOS. Antes de enviar o email fiz uma extensa pesquisa sobre DENUNCIAS DE AGENCIAS DE RECRUTAMENTO FRAUDULENTAS. 

E é nesta pesquisa que a sensação de desolação se intensifica.  
A pesquisa não me devolveu nenhum contacto. Um site apenas, especificou que qualquer queixa deve ser apresentada primeiro à agência de recrutamento e só depois se não ficarmos contentes, pode-se preencher um formulário e enviar para uma certa entidade que julgo governamental. No texto diz que dão importância a todos os emails recebidos - mas não indicam um endereço de email. Em parte alguma. Ou número de telefone. Isto é muito, mas muito britânico. Depois de se cá viver por uns tempos, percebe-se que a realidade e que os teus direitos não encontram quem tenha interesse em lutar por eles, a menos, claro, que pagues por um advogado. Não estão ao teu alcance caso queiras ou necessites das instituições governamentais que supostamente deviam existir em defesa dos mesmos. 


Fiquei com a sensação de IMPOTÊNCIA. A constatação de que, na realidade, não existe neste país alguém que defenda os interesses da justiça para as pessoas mais desprotegidas.

É tudo Fogo de Artifício.

E depois a constatação de que as Agências de Recrutamento PODEM agir na maior das ilegalidades, que as leis pouco fazem para o impedir. NINGUÉM tem interesse em salvaguardar os "alvos" - as pessoas mais necessitadas. Se estas procurarem ajuda, dificilmente vão saber para quem se dirigir. Tudo aqui é tão falso, tão de aparências. A começar pelo "Centro de Emprego". Dirigi-me lá para receber, acima de tudo, ORIENTAÇÃO de um PROFISSIONAL. Queria conselhos, apoio, caminhos a seguir... Mas aquilo mais parece uma repartição das Finanças. Só lhes interessa é documentação, dados pessoais, dados bancários... para fazer a tal "clame" sem a qual não te dão sequer acesso aos serviços ali disponibilizados. E depois? Depois não acontece rigorosamente NADA.

Fui a uma marcação julgando que, finalmente, ia poder falar com alguém que me orientasse, quando percebi que a pessoa era quase uma idiota. Sem querer ofender, mas era um daqueles funcionários que não querem se aborrecer, só querem fazer uma coisinha simples ali dentro, provavelmente um "dinossauro" de outros tempos, que mal sabia teclar no computador e teve de me dirigir a outra colega para que eu pudesse sair dali com um documento constando as datas de inscrição. Mal soube orientar aquela entrevista, fui eu que tomei a iniciativa de colocar questões, ele apenas me mandou sentar e depois perguntou: "Então?". 

Onde estava o "working coach" que me foi prometido? Duas palavras onde se deposita tanta fé e esperança, estraçalhadas diante da realidade que saltava à vista. 

 O facto da oferta de emprego estar a ser publicitada pelo CENTRO DE EMPREGO e a entrevista para a mesma ter-se dado NUM DOS SEUS GABINETES, significa zero em termos de LEGITIMIDADE.

Eles não querem saber! Provavelmente se a agência pagar para usar o espaço, qualquer uma pode ir ali aliciar "clientes". Porque "quantidade é comissão", não é necessário existir uma oferta de emprego real. Só precisam de aparentar estar a proporcionar uma. 

Tudo isto mete NOJO.
É revoltante pensar que andamos a meter filhos no mundo para os sujeitar a isto.
Assusta. Dá medo pensar que podem vir a passar pelo mesmo ou pior.


Em Inglaterra, o sociedade está irremediavelmente corrompida. São todos "carneirinhos" alimentados pela fantasia de que este é um dos melhores "países do mundo" "perfeita democracia e sistema social". O serviço Nacional de saúde é uma anedota -que faz de tudo para impedir as pessoas de conseguir consultas médicas, a justiça também é uma anedota e qualquer tentativa do mais desfavorecido em procurar justiça ou ajuda depara-se com portas e janelas com trancas. É tudo "faz de conta". E por todo o lado - desde que aqui cheguei - surpreende-me a quantidade de "avisos" condescendentes e que deixam implícito que o povo que ousar contestar algo, poderá vir a ser alvo de um processo judicial. Incutiram no povo uma noção de que não pode levantar a voz, que é inadmissível protestar contra o que seja. Estão todos muito cordeirinhos alimentados por propaganda dirigente.



Sinceramente, em muitos aspectos, Inglaterra não passa do outro lado da mesma moeda de qualquer sociedade sobre o pulso de um Ditador. Entre o UK e a China existem mais semelhanças do que se imagina.


quinta-feira, 28 de março de 2019

Um trabalho de lazer e a memória celular


A agulha penetrava pelo tecido e as mãos repetiam um gesto que subitamente entendi que era adquirido pelos genes. Fosse com a mão direita, ou com a esquerda, lá estava eu a alinhavar o edredon após o cortar em pedaços menores.

O que percebi foi que nós somos o conjunto de todos os que nos antecederam. Não somos somente fruto da época onde calhamos e do que nos rodeia. Carregamos sempre algo transmitido nos genes - e não falo apenas de doenças. Falo de formas de pensar, agir, temperamento... 


Um documentário que vi recentemente - três idênticos desconhecidos - revelou que existiu um projecto nos anos 60 que visava estudar gémeos separados à nascença, colocando-os em ambientes distintos: classe alta, média e pobre. Três desses bebés encontraram-se por acaso aos 19 anos. Foi um tema mediático, encarado como algo divertido, fantástico e engraçado. Mas por detrás do que lhes aconteceu como órfãos, estava um intento: um estudo sociológico sobre aquilo que somos: iriam os gémeos demonstrar características em comum ou iriam distinguir-se de formas diferentes conforme o meio em que foram inseridos?

O estudo nunca viu a luz do dia mas a determinada altura uma das que sabia que o mesmo estava a decorrer, disse: "Não é bom, pois não? Nós gostamos de pensar que temos algum controlo sobre aquilo que somos e o que fazemos. Se a hereditariedade for mais forte e não importa o que alteremos então qual é o propósito?".

Nós somos sim um misto de tudo. Mas agora, enquanto alinhavava com linha e agulha um pedaço de tecido, senti que aquele gesto nem era meu. Foi-me "colocado" na memória celular por gerações e gerações de mulheres. Essas sim, conhecedoras de tudo na arte da costura, do remendo, da transformação. 

Não posso dizer que aprendi a costurar, porque não é verdade. Nunca tive aulas. Minha mãe deu-me uma agulha e linha, mostrou-me como a enfiar no buraco de agulha (coisa que até hoje faço com a maior das facilidades no mais pequeno buraquinho enfia-se a linha, quase sempre à primeira). Pelos 11 anos estava a fazer vestidos para a única boneca Barbie que tive na vida. E já então, com essa idade, algo nessa prática vinha dos genes. Falta-me conhecimentos, falta-me técnica mas o trabalho é feito. Com gestos transmitidos por indefinidas mulheres da minha linhagem que os reproduziram incontaveis vezes, sentindo orgulho e satisfação em poder ajudar a família e os necessitados com essa sua habilidade. Sinto que outrora havia prazer em dar nova vida a algo que de outro modo não teria serventia. 



A decisão de fazer isso ao edredon de casal que tinha na cama de solteiro foi tomada há um ano. E finalmente pus mãos à obra. Aqui vêm-se muitos a ser descartados, pois esta é uma cidade de  trabalho sazonal cheia de indivíduos a cá trabalhar por curto tempo. As pessoas estão em constante mudança de casa, abandonando o que não lhes é conveniente transportar. São centenas os edredons que vão para o lixo, novos que são comprados... E não me parece que sejam feitos de um material reciclável. Sabia que, assim que o Inverno nos abandonasse, ia querer transformá-lo, dar-lhe outra vida. Nem que fosse na forma de almofadas. 

Decidi forrar a capa do colchão com parte dele, assim seria fácil enfiá-lo na máquina e o lavar. Além de dar mais conforto lombar e protecção de formação de odores. O edredon mal chegou "vivo" aos dias de hoje após a última tentativa que fiz para o lavar à mão, o ano passado. Já estava todo rompido e com forro a aparecer por todos os lados. O tecido ficou frágil depois da lavagem, fácil de rasgar. 

A mão que alinhavava não era só a minha

Teria sido muito mais fácil deitar fora (não, por acaso não teria sido porque deitar coisas fora não é uma ideia que combine muito com o meu ser). E não é por ser sovina, é mesmo algo intrínseco, algo de alma criativa e questionadora. Não há coisa que não olhe que não ache que tem utilidade. Acredito que tudo se re-aproveita e não existem bons motivos para deixar um produto contaminar o ambiente e ser apenas lixo. Mais uma vez, parte deste sentir acho que é hereditário, vem dos meus antepassados. Antigamente não se desperdiçavam coisas, nada era considerado lixo. Se de tripas fazem chouriços e de merda se faz adubo, de facto não faz sentido existir desperdício do que quer que seja. A natureza providencia tudo e assegura-se que tudo o que providencia recicla-se. Não há muitas gerações, tanto ricos como pobres, sabiam que tudo tinha uma utilidade. Para mim este é o conceito que faz sentido. Algumas vezes sou criticada, chego mesmo a ser ridicularizada, mas acho que isso só acontece por ter nascido numa era em que o "aceitável" é considerar tudo descartável e o socialmente correto é correr às lojas compras coisas novas. 

Não dei conta do tempo passar. Calculo ter ficado quatro horas de volta do alinhamento, do corte, e das medidas. Tanto tempo naquilo e o meu corpo não se sentiu cansado, a minha vista que teve de afunilar a cada espetada de agulha, não se sente cansada. Foi um trabalho laborioso mas... de prazer. Tarefa terminada!

Acho que até isso, essa satisfação e ausência de cansaço, deveu-se a sensações vividas pelos que me antecederam. De alguma forma, consigo-as sentir também, ao executar algo semelhante. 

Viram nas fotos? Nada de especial, não é mesmo? Contudo, aprazível.




quarta-feira, 27 de março de 2019

Elogio a quem é devido


Nada melhor do que quando nos vemos num aperto, precisamos de uma resposta rápida no meio de burocracia e esta... ACONTECE!

Gosto de congratular quando acho que as coisas correm bem. Por isso deixo aqui o meu elogio ao Banco CTT. Tornei-me cliente do banco não quando quis - logo no início, mas mais tarde, quando o Banco Santander mostrou ser extremamente oportunista e desleal. A história, já a contei aqui. Cobravam dinheiro quase diariamente, depois de uma certa data após ter tentado encerrar a conta. Como naquele dia a filial onde fui estava sem os sistemas informáticos a funcionar (uau!) no dia seguinte quando fui fechar a conta, já tinha um valorzinho para ser descontado. Há profissionais muito bons em todo o lado mas neste banco encontrei a funcionária mais incomoda, mal educada e que revelava regozijo na tua desgraça. Dessa loura nunca mais vou esquecer. A petulância, a altivez, o fazer olhos cegos para a ordem de chegada dos clientes querendo apanhar os que lhe pareciam melhores e a empatar o atendimento. 

Ator Albano Jerónimo dá o rosto (e abre o bolso)
à nova campanha do Banco CTT


Fechar a conta no Santander foi a melhor coisa que fiz, só suplantada pela abertura e uma nova conta no Banco CTT. Nunca revelaram burocracia desnecessária e chata, não pago comissões por coisa alguma (no Santander cobravam-me tudo e mais alguma coisa e nem avisavam), e são prestativos.

Hoje precisei de aceder à conta bancária e estando no estrangeiro, isso é difícil. A password não estava a funcionar, a terceira tentativa era a última, e não queria que me acontecesse o que aconteceu com o Banco Santander: telefonei para a linha de apoio deles, gastei 10 euros no tempo que fiquei em linha e a funcionária (outra mal informada) garantiu-me que podia tentar inserir novamente a password depois de ter definido "apagar registo". Pois sim... Aceder ao homebanking depois das instruções dela só se fosse a uma filial em Portugal! 

Ora, para isso não tinha telefonado especificando que estava no estrangeiro e não pretendia perder o acesso online à conta. Enfim... sobre o Santander só tenho coisas obviamente muito ruins a dizer. 




Nem tinha ainda desligado a chamada super curta em duração e que foi atendida de imediato pela central de apoio ao cliente Banco CTT, quando recebi no telemóvel o código de confirmação para aceder ao portal. Após o introduzir e definir o código secreto, recebi no mesmo click um aviso sonoro no telemóvel, fornecendo outro código para confirmar tudo. Simples, super rápido e descomplicado. Em meio-minuto acedi à conta online. 

É assim que eu gosto. Bancos descomplicados para clientes descomplicados.
Espero que assim se mantenha porque quando deixar de o ser, vou procurar quem o seja.

A nova campanha televisiva promocional para o crédito à habitação do banco CTT foca-se na sua simplicidade. É uma campanha simples mas direta e por isso eficaz. Ainda por cima mostra um pouco das ruas de Lisboa. Tem charme. A meu ver ganha com a música que escolheu para o seu slogan "Sem Blá, blá, blá". E já agora, porque não escutar o original?



                                                   Joe Dassin: l'ete indien


domingo, 24 de março de 2019

Animais inteligentes

O sinal na estrada diz:
"Corredores, posicionem-se na berma da estrada quando na aproximação de veículos"


Parece que na Flórida alguns animais descobrirem uma técnica toda especial de caça Ahahaha!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Que ideia FANTÁSTICA!!!

A do Google em nos permitir COMPOR música através da "Celebração de Bach", hoje, na sua Banner de identificação.


Se ainda for a tempo de experimentar, tente. Eu compus esta obra de arte, ahaha!


Adorei os bonequinhos. Tão simpáticos. Além de uma intro sobre o que é música, dá para compor, receber uma "ajudinha" dos outros músicos com a harmonia e fazer o download da peça criada por ti. No youtube descobri o trabalho por detrás desta criação e os seus (quase sempre exclusivamente) jovens criadores. Que mundo lindo, o da arte.



quarta-feira, 20 de março de 2019

PRIMA VERA


começa HOJE


Quem gosta?

domingo, 17 de março de 2019

Para combater a INSÓNIA (novo remédio)


Têm dificuldade em cair no sono? Acordam com facilidade?

Há quem use tampões nos ouvidos. Há quem tome soníferos. Há quem beba leite morno... Tentei todos esses, sem grandes eficiência (para que saibam o mais eficaz ainda é o «famoso» leite morno*)

Há quem adormeça todas as noites com a TV ligada. Costumava sentir algum incómodo com esse método. 

Hoje dou por mim a usar o computador para esse fim. Sim, adormeço com muita parnafenalha electrónica ao meu redor. Descobri que não é o som de qualquer programa televisivo que pode funcionar. Usar o youtube é diferente de usar a TV, que nos intervalos publicitários brinda os nossos ouvidos com decibéis mais altos.

Ora, por incrível que pareça, costumam ser vozes a relatar casos de investigação criminal as que me "caem" melhor. Lendo os comentários deixados nesses programas, percebe-se que esta prática é muito comum. Existe até consenso: a MELHOR voz (e tenho de concordar a 200%) off que alguma vez existiu foi a do locutor americano Peter Thomas


Aqui está um exemplo do seu trabalho. Ele foi o locutor da série Forensic Files e a sua voz a relatar coisas desagradáveis soa ao mesmo que escutar uma história infantil contada a crianças. Agradável, serena, perfeita. Ao mesmo tempo, não deixa de ser perfeita também para a função que está a cumprir. Esta voz costuma ser aquela com que vou entrando no sono. Já vi todos os episódios repetidamente, mas a percepção de familiaridade não se sobrepõe ao prazer da sonoridade. 


Porém, este método de deixar o Youtube ligado também pode causar um efeito contrário. Por vezes as vozes entram dentro do cérebro já adormecido e interferem com o descanso. Acaba-se por acordar. E no cérebro, parece que estão a "martelar" as mesmas frases, com a sensação de "já ouvi isto antes".

Mas hoje vim aqui revelar que encontrei um novo remédio dentro da mesma linha, muito mais eficiente. Apareceu ao acaso, pois adormeci com scketchs de comédia do SNL e fui acordando com vozes serenas que me puseram novamente a dormir. Sabem o que foi? Uma discussão do Comité Judicial no Senado Americano! Ora oiçam lá:

Vou passar a usar este video para adormecer. Como falam todos com calma, serenidade, respeito... o assunto ia entrando, mas o sono também. Coisa estranha!



 * (Leite gordo. Água disfarçada de leite não resulta)

sábado, 16 de março de 2019

Guardado no baú...


E acrescento que a INDIFERENÇA é cruel em qualquer idade. Indiferença para com os idosos ou para com os adultos.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Mais um... desabafo


Ontem passei uma boa parte do dia na sala. Foi um milagre.
Explico:

Em julho comecei a fazer uma estante a partir de cartão. Aproveitei os momentos em que ninguém estava em casa, que não foram muitos. A última vez que consegui dedicar-me a essa bricolage foi em Setembro. Passaram-se seis meses!

Ontem acordei cedo para ir ao centro de emprego, e regressei mais cedo ainda. Assim que me ouviram desperta, o casal-amigo-que-quase-nunca-trabalha tratou de ir para a sala. Mas pouco depois de eu ter terminado o post anterior, vi os dois sair. E dei-me conta que podia adiantar, quem sabe até, finalizar o meu trabalho. Estava inspirada e motivada pela recente aquisição de materiais mais apropriados.

Material esse armazenado no meu ovo de quarto. Contudo, tudo cabe nele. É que não acho correto impor nos espaços comuns coisas que não precisam de lá estar. Não é muito bonito de se ver. Dá um ar desleixado de acumulação de lixo. 

Antes mesmo de reunir tudo no andar de baixo,  eles os dois entraram e, como sempre, ficam pela sala. Pergunto se posso ficar a usar a mesa, o rapaz responde: "Tudo bem".

"Tudo bem" mas sinto que preferiam não me ter ali, como habitual. Mas nem sempre posso estar a enfiar-me num buraco só porque eles permanecem naquele espaço sem nunca o deixar a não ser para dormir. Dei conta que não foram fazer compras. Mais tarde reparei que trouxeram uma gorda mochila, que deixaram em cima do sofá, tentando ocultá-la com um casaco.


Porquê ficou ali e o seu conteúdo não foi mexido, só entendi às 2 da madrugada. 
Adiante:

Acabei por ficar na sala e adiantei um pouco o meu projeto. Mas depois de umas três horas, não dava para continuar. A mesa não fica numa zona iluminada e a luz artificial não deixa ver bem. Pelo que comecei a arrumar. Senti o tempo todo que estavam à espera desse momento. 

Mal entrei no quarto carregando as últimas coisas, batem à porta. Já sentia animação vinda do andar de baixo. De seguida escuto uma voz feminina italiana, e outra, e outra, e escuto muitas portas a abrir e fechar. Ouvi a mais-nova chegar e entendi que tinha sido avisada e convidada a participar no que quer que fosse que FINALMENTE tinha começado a acontecer no momento em que me afastei. 
Estavam só a aguardar me ver fora dali.

Opá. Sinto-me mal, pois sinto. Fiquei triste. Percebi que não ia voltar a descer à sala. Até me incomodou a ideia de ter de cumprimentar aquela gente, que depois nem me fala. Ver rostos altivos, cheios de contentamento e à vontade no espaço que eu pago para viver e elas não, como se isso não fosse uma imposição de presença.

Só começaram a dispersar à 1.30 da madrugada. Mas eu escutei ruidos alarmantes. Pessoas entram, mas não saem. E isso É alarmante.

Lembram-se da "amiga"? Que era suposto vir de visita e dormir cá a 28 de Fevereiro por uma semana? E que acabou por ser hóspede ocupando a casa na ausência de quem a trouxe cá para dentro? Essa trouxe outra com ela, ficou por seis dias consecutivos a usar o espaço sem dele sair. E sem se apresentar ou cumprimentar quem cá mora. Foi um martírio. 

Disseram-me que "não regressava". Mas percebi agora que sou ingénua por acreditar no que me dizem. O que me disseram foi que vem outra para cá já no dia 18, quando o rapaz for de férias. A tal trazida pela outra. Chama-se Laura - foi-me dito. Então eu estou à espera de uma Laura, no dia 18. E de mais ninguém! Porque o rapaz também me disse que a «outra» não vinha. Pois! Deve ser deve... Foram embora mas as merdas todas que possuem continuam cá. As áreas comuns estão a abarrotar de sacos, malas, roupa... e o que mais me espanta, comida. Mas não comida que já se tinha comprado e não se vai deixar para trás. Comida acabada de comprar, perecível em dias, perecível sem frigorífico.

A tal de Laura disse-me que vinha para cá mas ia trabalhar, pelo que mal a ia ver. Não ia ficar pela casa. Perguntei ao rapaz se a outra que ainda cá estava também ia ficar. Respondeu-me que não. MAS ele também disse que ele e a outra iam os DOIS de férias. Vai o quarto dela ficar vazio??

Opá, eu estou... que nem consigo adormecer.
Não consigo relaxar. Sinto-me tensa. 

Daqui a seis horas a sala vai estar novamente ocupada por os habituais e se calhar mais um bando de rostos novos. Ninguém me disse nada. 

Desci à sala a receio... do que poderia encontrar. E encontrei-a ainda com mais tralha enfiada pelos cantos. Uma das malas, com uma etiqueta de identificação, refere-se a um nome de mulher italiana, que não é Laura nem é a da outra... 





Querem ver??
Arrebento ou não arrebendo?


PS: Na segunda-feira ao chegar a casa tinha cá o senhorio que veio arranjar a porta do chuveiro respondendo a um chamado deles - os italianos. AMBOS decidiram chamá-lo. Enviaram mensagem privada - não no grupo referente à casa. Eu não estava a par. Ora, eu sei que eles não se preocupam nem tinham intenções de o chamar. Desvalorizaram o assunto quando eu o mencionei! Acho que o fizeram para evitar que pudesse ser eu a fazê-lo numa altura que não lhes fosse conveniente. 

E pergunto-me se isto foi feito na segunda, porque a altura não conveniente é esta sexta?

quinta-feira, 14 de março de 2019

Apeteceu-me esmurrar-lhe os dentes


O seu tom condescendente, a preocupação falsa, a atitude a descartar e os constantes "Okay?" em voz infantil fez-me visualizar um punho a dirigir-se com velocidade até os dentes da sua boca.

Falo de uma funcionária que me atendeu hoje, no centro de emprego. Era suposto ter uma hora marcada com um "working coach". Finalmente, desde que a lá me dirigi em finais de Fevereiro, ia poder receber a orientação de alguém formado em ajudar quem procura emprego.

Aqui no UK a burocracia dita que se sigam procedimentos. Até para te verem o CV e ser orientado no rumo a seguir. Que era só o que pretendia, realmente. AJUDA. Mas aqui, para qualquer coisa, é preciso fazer uma "clame" e pedir ajuda financeira ao Estado. Se não estiveres a receber "beneficts" o Centro de Emprego não pode legalmente fazer algo por ti. O que para mim sempre soou a absurdo! Para receber orientação sou forçada a receber dinheiro do Estado! 


Então, para poder chegar a um orientador de emprego, para poder inscrever-me num dos (quase não divulgados) programas de estágio, tive de fazer uma "clame". Burocracia vai e vem, toma lá os extratos do banco de Portugal e os de cá, toma lá cada recibo de vencimento, toma lá os P45 (um impresso muito útil que aqui faz as vezes de impostos, vem em triplicado e comprova muita coisa), cópia do contrato de arrendamento, cópia de Passaporte (eles nem querem saber de Cartão de Cidadão. Ou é carta de condução Inglesa ou Passaporte - o resto não existe). Uma mão-cheia de documentos que são constantemente pedidos seja qual for o propósito.

Fiz a clame e marcaram-me um dia com o working coach. Que era o meu principal objectivo o tempo todo. Essa marcação ficou para hoje, às 10 da manhã. Sobre a clame no dia 8 recebi a resposta: foi rejeitada porque a legislação considera-me uma pessoa "com direito a viver e trabalhar no UK e que está à procura de emprego". Aparentemente a clame ao que eles chamam de Universal Credit não é destinada a quem procura emprego, mas aos que já têm emprego.

Ora bolas!
Mas não podiam ter dito isso logo? Escusava de meter a clame nesse tal de Universal, apresentava-a então no local mais adequado. 

Uma total falta de tino da parte dos funcionários. É que nem pensam. Se não tenho direito para quê aceitar e pedir documentos? Avisem logo que a rejeição é certa e orientem-me para o caminho certo.

Só depois, consultando o site, é que vi que afinal o Universal Credit não é o substituto para o Jobseeker allowence. Foi-me dado a entender que este tinha sido extinto, porque disseram-me que "já não existe" e que tinha sido substituido pelo "Universal Credit". 

Então, a semana passada, online, fiz uma nova clame, desta vez para "quem procura emprego". Ai!

Mas estava expectante para esta marcação de hoje. 
Preciso do tal mentor... 
Sou péssima a procurar emprego, tenho de interiorizar isto. 

Estava tão contente por finalmente ter alguém que me ajudasse e chego lá, o meu nome não consta em lista nenhuma. Não tenho marcação.

Então não é que eliminaram a marcação?
Sem me dizerem nada!
Deve ter sido automático.

Mas que coisa sem sentido!

Tenho nova marcação para outra clame dia 18. Acontece que o funcionário que recebeu os anteriores  documentos frisou bem que não me podia orientar porque eles não são working coach. Contudo, hoje foi-me dito que quem ia receber a minha clame era um e podia substituir esta marcação. So que eles cumprem a função específica para a qual estão escalados. Por isso perguntei: "E em que categoria é que ele me vai receber? No papel para a clame ou como working coach?".

-"Ele é um working coach" - repete ela sem responder à pergunta.

Estava novamente num tom condescendente, de falsa preocupação e visivelmente preocupada consigo mesma, não queria dizer nada que a comprometesse. Só se desviou das questões, demonstrou comportamentos estudados e repetidos como se uma atriz fosse, expressou frases-feitas, ocas...

Como começo a detestar pessoas que se colocam em cima do muro!

E visualizei aquele punho a viajar até os seus dentes...


O pior é que, no fundo, SEI que estou a perder tempo com o Centro de Emprego.
Mas lá vou eu, esperançosa... que me surpreendam e façam um trabalho eficaz.


terça-feira, 12 de março de 2019

Descobrir onde está o coração das pessoas - pt1


Ia para contar esta história. Mas depois adiei. Sei que os meus relatos domésticos não devem ser bem acolhidos por quem me lê, pois não recebem comentários. Mas às vezes simplesmente preciso de desabafar. Na última vez que o fiz, contei que escrevi no quadro "Eu Existo". Foi mais uma auto-afirmação, um resquício meu a recuperar a minha auto-estima.

O que ia para contar é que no dia seguinte a mensagem no quadro havia sido substituída por "é favor limpar o fogão DEPOIS de usá-lo. Esta noite estava absolutamente nojento!".

Ora, eu tomei a mensagem a peito. Não gostei. E porquê? Porque sabia que a mensagem era destinada somente a mim. E eu não tinha nada a ver com o fogão estar sujo. Nunca tenho. Tenho o hábito de limpar tudo antes mesmo de começar a comer! Considerei a insinuação ofensiva. O fogão foi deixado sujo muitas vezes antes. Nunca ninguém deixou uma mensagem escrita em qualquer uma dessas ocasiões. Porquê deixar no dia em que usei a cozinha pela primeira em mais de duas semanas para fazer uma sopa? 

Vivendo eu nesta casa há quase um ano, tendo sempre demonstrado que limpo atrás de mim, nunca deixei nada sujo e sabendo-se muito bem quem repetidamente deixa o fogão sujo (o rapaz) considerei a insinuação de carácter caluniosa. A malícia implícita caiu-me mal. 

Como a comprová-lo, nessa noite não sai do quarto, mas escutei-os todos lá em baixo. A cozinhar, a ver TV... a falar uns com os outros. Pelo que não é credível que a mensagem no quadro realmente tivesse ali sido deixada para "todos". Ou eles deixam a si mesmos recados no quadro enquanto conversam animadamente?


Vi que o fogão estava sujo às 10h da manhã, quando desci à cozinha. Até tirei a fotografia acima. De tarde, animada pela perspectiva de poder cozinhar pela primeira vez no que me pareceu DÉCADAS e não querendo que uns legumes comprados dois dias antes se estragassem, cozi-os em lume brando. Nem um salpico fez. O fogão já estava sujo. Animada pela antecipação de comer algo quente e feito na hora - o que já não acontecia há milénios principalmente pela presença constante das "hóspedes", lavei o tacho e fui embora. A sujidade permaneceu onde já estava desde a noite anterior. Noite essa em que as "visitas" cozinharam ficando pela cozinha e pela sala o dia inteiro. Pela hora de jantar voltaram a cozinhar, e o rapaz também, junto com elas. Tendo depois sentado-se no sofá agarrado ao computador. A limpeza foi deixada ao encargo de quem?

A palavra "nojento" é muito agressiva. Nojento está o forno, que eles usam diariamente extensivamente. O rapaz, que foi quem deixou o fogão sujo (aliás, a mancha maior está sempre no mesmo local, ele cozinha sempre o mesmo e suja sempre da mesma maneira) gosta de pré-aquecer o fogão vazio na temperatura máxima durante muito além de 30 minutos. Consegue-se sentir o oxigénio a ser sugado do ar. É claro que esta prática faz com que tudo escureça no interior. Depois está sempre a assar pedaços de frango o que acabou por resultar num vidro castanho de gordura.

Mas aparece alguma mensagem no quadro a chamar aquele amontoado de gordura de "nojento?". Não. Porque ainda não podem impingir-me essa responsabilidade. 

Ao ver a mensagem, que preenchia o quadro quase todo, rabisquei uma resposta. Nem foi acusativa, foi mais para deixar claro que o fogão estava sujo desde a noite anterior. Escrevi: "Foram as hóspedes ou quem mais cozinhou na noite anterior".

Ninguém me disse nada. O assunto não foi abordado comigo. Vi alguns entre-olhares entre eles e a sensação de silêncio quando de noite entrei na sala. Tenho a certeza que a mais-velha, que trabalha pela manhã, ficou logo a par da mensagem de resposta através do whatsapp. Esta foi apagada algures durante a hora do almoço.

E pronto. Acho que isso deixou-me "suja" diante deles. Porque "ousei" dar resposta.

É que não aguentei a insinuação!
Bolas. Até parece que estavam à espera de me ver chegar perto do fogão para me acusar de algo.
Aliás, vivo em gelo muito fino....

Sei que esperam que cometa um deslize para assim conseguirem sustento para futuras implicações. Não é por isso mas, ainda não quebrei o calendário das limpezas por tê-lo percebido. Tirando a mais-velha e eu, o resto não limpa.

Mas eles encobrem-se entre si.
Tanto assim é que a mais-velha agora deu para limpar na vez do rapaz. Que só suja. Isso é um pouco revoltante, porque ela está sempre a encobri-lo. Protege-o e defende-o de qualquer coisa. É ele que traz para dentro desta casa pessoas, e pessoas é o que ela mais deseja. Italianas, claro. Porque se fossem de outra nacionalidade decerto acabaria por se focar nos defeitos, tal como acontece quando fala de ex-inquilinos de outras nacionalidades que viveram na casa. Mas se forem italianos, por pior que se comportem, a esses arranja desculpas. A arranjada para a que-não-limpou-nunca era que vinha de uma família posh. Portanto, podia ofender os restantes sujando e não limpando... entendem? Ela quer cá pessoas para não se sentir só e poder exibir-se na cozinha, mostrar os seus dotes com pratos italianos, fazer receitas tradicionais que diz secretas, poder explicar que cada ingrediente é especial porque veio da itália e, claro, conviver.

A pesar de dizer que tem muitos amigos, não me esqueço que passou o fim-de-semana do seu aniversário sozinha na sala. Recebeu postais sim... mas não conviveu com ninguém. Para isso ela precisa do rapaz. Caso contrário ninguém aparece. E se para ter isso ela precisa fechar os olhos ao que quer que seja, defendê-lo ou juntar-se a ele numa qualquer perseguição, é exatamente isso que vai fazer.