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terça-feira, 19 de junho de 2018
Porquê a américa nunca será um país avançado
Uma americana publicou isto na sua conta do facebook. Imediatamente denunciei como racismo a etnias. Nomeadamente, no meu entender, preconceito para com os emigrantes.
Quando vejo coisas destas SEI que a América JAMAIS conseguirá ser um país de gente coerente, democrática, pacífica, com sensibilidade para os Direitos Humanos.
Não se lembram dos seus que passam fome, até aparecerem outros também com fome. E então gritam:
_"E os nossos? Que estão com fome! Vocês vão embora! Voltem esfomeados para de onde vieram! Aqui não há lugar para vocês!".
Um dia a situação pode reverter-se e depois quero ver...
Qual o americano que gostaria que lhes impedissem de tentar um futuro melhor roubando-lhes os filhos. Isto tem ares de Holocausto sem camaras de gás. Mas a intolerância? Essa é a mesma.
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sexta-feira, 3 de março de 2017
Um sinal que vem da Madeira
Desde que emigrei tenho encontrado muitos portugueses. Existem portugueses por todo o lado! Nas ruas, nas lojas... A cada passo dado, cruzamos-nos com alguém a falar a língua de Camões. Uma criança passa com um brinquedo e a contar os rebuçados que tem na mão na nossa língua Ibérica. No emprego não faltam Portugueses. Hoje dei-me conta que as quatro pessoas dentro da pequena divisão do escritório eram portuguesas e que o inglês falado era dispensável. Fui às compras de roupa e fui atendida por uma muito prestativa empregada portuguesa. A minha língua materna não chega a não ser praticada.
Mas também percebi outra coisa: todos os portugueses que conheci perguntam-me se sou «do continente». Respondo que sou de Lisboa. E todos com quem me cruzei são... da Madeira.
Ora, isto é significativo. Existem duas informações que se podem tirar deste pormenor.
A primeira é que os lisboetas ou os de outra parte, não se encontram muito por aqui, nesta cidade, nesta zona, neste sector de trabalho. Sim, porque acredito, com toda a certeza, que existem portugueses de todos os cantos espalhados pelo UK. Mas aqui predominam os habitantes nascidos na Ilha da Madeira.
Ora, a Madeira é uma ilha conhecida pela sua beleza mas também pela sua população pobre. Quem não se recorda dos apelos de ajuda aos necessitados? Das notícias sobre a prostituição infantil e o turismo sexual? Da mãe a viver no topo da ilha com vista para o "paraíso", que se suicidou após dar veneno ao filho deficiente, porque estava desempregada e com uma doença fatal e vivia sozinha? Isso é miséria, pobreza...
Que uma grande parte da juventude da ilha decida emigrar, não é exatamente novidade. Assim tem sido há muitas gerações. O arquipélago da Madeira sempre produziu população emigrante em quantidade. É um lugar ainda com poucas oportunidades, onde muitos vivem com dificuldades. Isso explica a quantidade de madeireinses que se encontram espalhados pelo mundo. Louvável que a juventude e até a não-tão juventude, tenha este tipo de coragem.
Só que, infelizmente, a maioria dessa corajosa população também é pouco qualificada. Emigra aos 18 anos, ou mesmo mais cedo. Não levam na bagagem grandes estudos logo, a própria ambição e os empregos que vão preencher serão sempre os de menor qualificações.
O facto de encontrar muitos madeirenses quase que confirma que, no departamento das qualificações pessoais estou um pouco deslocada. Devem existir lisboetas por aí... Alguns com formação qualificada em áreas distintas. Resta saber por onde andam.... Não é por aqui. Descobri-los ia permitir-me descobrir se existe uma hipótese de me «juntar a eles» e, mais importante ainda, descobrir se é isso que pretendo.
Abraços e BFS!
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Sotaques e raízes
Sou um desastre para sotaques.
Não só não os sei imitar, como me passam ao lado.
Não só não os sei imitar, como me passam ao lado.
Já cometi a «gaffe», por assim dizer, de conversar com alguém por uns minutos e acabar por ouvir as pessoas a me dizer: «então não se vê logo pelo sotaque?».
Só oiço o português. A forma como me chega, quase sempre passa despercebida. Venha com sotaque do alentejo, do norte, do sul, dos Açores, dos emigrantes. É isto um mal? Ou um bem? Acho que demonstra o quanto não é de meu carácter a tendência para descriminar, por isso considero um bem. Porém, dependendo da ocasião, pode vir a ser um mal. Quando para os outros isso importa e a mim não, acabo por virar vítima desta situação.
Sou a portuguesinha, Lisboeta assumida em mensagens anteriores. É suposto ser aqui o «sotaque zero». Ou seja: o povo de Lisboa não fala com sotaque. O português-padrão é aqui, é o que é divulgado nos meios de comunicação em massa, considerado «sem sotaque».
Hoje deu-se um acidente de viação numa estrada do norte. Um camião-cisterna virou e derramou ácido. Estou atenta à notícia quando o entrevistado diz: «o camião viroue». A palavra viroue ficou ali a pairar uns instantes no ar até me lembrar porquê: era assim que o meu avô falava. Com sotaque do norte.
Minha avó também. Embora seja Lisboeta e quase nunca saiu para além desta cidade, o seu português falado está cheio de expressões com «sotaque» que, para minha vantagem ou desvantagem futura, me enternecem quando as escuto.
No entanto, toda a minha vida, estas características das pessoas mais próximas a mim passaram-me ao lado. Era tudo igual. Escutava-os, entendia-os, e nenhuma diferença continua a me fazer se os escuto a dizer «bassoura» ao invés de vassoura. Entendo-os perfeitamente de qualquer das formas que tenham para se expressar. O curioso para mim é só recentemente ter percebido esta coisa dos sotaques e de que forma fizeram eles parte da minha vida, sem lhes ter prestado mais um pouco de atenção.
Podemos ser fruto que o vento soprou para longe. Mas as raízes nos acompanham por muitas e muitas gerações...
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