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sexta-feira, 31 de março de 2023

Um perfeito exemplo do que venho a dizer O23

 

Surpreendeu-me mas acima de tudo, desapontou-me quando, na busca de imagens dos óscares 23, encontrei este artigo, da revista Elle:



Traduzido à letra, o título por si só é extremamente controverso. Diz: "O POLICIAMENTO IRRACIONAL DAS MULHERES NEGRAS NOS ÓSCARES". 

Que raio quer isto dizer? Mas aconteceu alguma coisa que nós não vimos para, mais uma vez, estar a se fazer uma referência alegando maus-tratos à raça negra? 

Agora são controladas irracionalmente por uma polícia? Por serem negras? Então  e as asiáticas, que este ano povoaram a cerimónia dos óscares? Porque será que nunca outra etnia alega constantemente e a qualquer oportunidade descriminação, exigindo reparações?


Perco tempo a ler o artigo. Para ficar a saber que não tem nada. E me decepcionar por ser mais um exemplo de criação de controvérsia onde esta não existe. Mais um artigo dizendo "olha o quanto a raça negra ainda é pouco reconhecida e descriminada", com base em nada de factos e muita opinião pessoal e distorção.

Entre outras menções, este artigo da Elle, escrito por... sei lá, talvez uma mulher negra, só pode ser tendencioso e seguir uma agenda própria. 

O subtítulo para esta "notícia" é: Trabalhando duas vezes mais, pelo dobro do tempo e sendo julgadas duas vezes mais severamente

Acham que sim? Viram alguma coisa durante a cerimónia que vos fez pensar: coitadinhas, trabalharam mais, o dobro, e são severamente deixadas para trás? Porque eu não concordo em NADA com esta afirmação. De resto, especulativa, não parece relacionar-se com nada, muito menos com a cerimónia dos óscares. 

Este artigo, que agora não consigo ler por ter atingido "o limite de 3" leituras gratuitas, diz, entre outras coisas que recordo, que acham INJUSTO e POUCO o número de mulheres oscarizadas negras (mas o prémio é entregue de acordo com talentos não pela cor da pele) ao mesmo tempo que diz que a costume designer que venceu o oscar este ano também já venceu antes, sendo a primeira mulher negra a receber dois óscares. Ora, ao mesmo tempo que está a salientar um marco único, mesmo assim, continua a bater na tecla de que "são muito poucas". São? Pois recordo muitas outras e, se estamos a falar de talento, e não de cor de pele, julgo que a distribuição da estatueta é justa. Se existir injustiça deve ser exatamente por a Academia ceder a pressões racistas e premiar alguém por ser negro. Olhem só o ano passado, em que toda a cerimónia foi realizada, produzida, orquestrada e apresentada por artistas negros. Foi o GRANDE APOGEU, o grande momento da etnia negra artística, que todo o ano subia ao palco para se queixar e para fazer os outros se sentirem mal. 2022 deu-lhes o que queriam: TUDO PARA ELES. E em troca, recebemos um comportamento de guetto. 

Falam disso agora? Analizam, por acaso, estas pessoas que falam sempre da raça negra no contexto da cerimónia dos óscares, queixando-se de descriminação, por acaso escrevem eles o que aconteceu quando a cerimónia foi "All Black?". 

Não. Claro que não. 

Só mencionam o que lhes interessa, mesmo não existindo uma ponta de verdade. 


 

quarta-feira, 22 de março de 2023

Indumentárias MASCULINAS dos O23

A vontade de comentar as roupas escolhidas para aparecer num grande evento televisivo surgiu depois de perceber isto. A primeira imagem é do filme "Tudo ao mesmo tempo, em todo o lugar" (minha tradução). Aqui pode-se ver que a personagem principal veste um casaco de malha vermelho com um estranho padrão na manga e nas costas pode-se ler o que parece ser a palavra PUNK.


Durante a cerimónia dos Óscares 2023 surge no palco, para receber o óscar para melhor filme, um dos autores que, por uma razão simbólica não muito conhecida, escolhe vestir um fato bordeaux, onde reproduz o desenho do casaco de malha que surge no filme. Mas com uma qualidade muito superior de acabamentos e materiais! 

O que será que isto quer dizer? Estaria ele só a levar o amor pelo seu filme um pouco mais além ou existe uma mensagem sublimar em tudo isto? O que é aquele símbolo? 


Por aqui fui espreitar as escolhas dos restantes.  E para variar, vamos falar do vestiário masculino. Tanta vez ofuscado e pouco diversificado, acho que este ano também a cerimónia foi mais além no departamento da moda masculina. 

OS HOMENS:

Primeiro exemplo: fatos em branco. 
GOSTO

Há algo no design deste "toxido" que é super elegante, sofisticado e ainda consegue trazer remenescências orientais. O que combina com quem o usa. A começar pela cinta, a fazer lembrar um quimono mas sem ter um ar de ultrapassado. Aquela lapela cortada em bico apenas do lado do bolso, formando um Z, o conjunto em si, simplesmente gosto. Não faz lembrar um fato de judo, o que facilmente podia ser a desgraça se o design não fosse tão bem conseguido. 


Fica-lhe bem, dá um ar leve, fresco. O negro teria caido mal. 


Bom, nesta foto nem gosto muito de ver o Lenin Kravitz, 
mas na de baixo, que basicamente é a mesma mas de rosto virado, já gosto. Cheio de estilo, drapeado, original, bom tecido. Na de cima só não aprecio muito porque aquele peitoral faz lembrar um seio e quase se desvenda o mamilo. Mas sem dúvida um dos top visuais masculinos.


Já tinha dito noutro post que adorei a originalidade e o simbolismo deste laço azulão com olhos de plástico. 

Ora aqui está uma boa opção, mais uma vez original, para pessoas de porte mais forte! Este senhor ousou ir com um casaco/cauda, a fazer lembrar os vestidos das mulheres. E não é que lhe fica bem? Pelo menos assim de perfil. O tecido também me parece excelente. Se fosse todo preto ia correr mal. Se fosse quebrado com outras cores, ia parecer mal. Mas este aspecto acetinado com cornucópias ou um padrão brilhante confere-lhe um ar sofisticado. Mais uma vez, algo de oriental surge na escolha do tecido acetinado com padrões, a fazer lembrar as vestes antigas chinesas.


Só aqui pus o Colin por causa da bandeirinha da ucrânia que colocou na lapela. Alguns artistas se limitaram a dar esse toque e assim expressarem o seu apoio, sem, contudo, entrar em politiquices verbais. Colin também teve de levantar a crista ahahah. Mas fica-lhe bem o look. A escolha do que parece ser mini-botões pretos para as camisas brancas também parece ter sido A moda masculina da  cermimónia. Mais homens optarem por esse look.


Dois casos de roupas quase identicas mas resultados muito diferentes.
Não gosto do de cima, porque o rapaz parece anão. Fica-lhe mal esta escolha. A proporção de tronco fica idêntica às das pernas. O que lhe confere uma estatura baixa e tacanha. Já o de baixo, que basicamente escolheu o mesmo estilo, parece ser um homem alto. Onde o botão do casaco aperta lhe confere mais altura de perna enquanto o de cima foi apertar o casaco quase perto da virilha ahaha. Resultado: fica-lhe mal.



Veludo, azul, e uma popa a lembrar a de rin tin tin
Com uma descrição destas diria-se que não ia resultar. Mas resulta! 
Charme e elegância, originalidade
Barba por fazer contribuiu para o look sofisticado mas descontraído.


Um fato como este só podia cair tão bem num corpo bem feito. É o caso. Casaco que aperta com dois botões logo abaixo do peito, dando pouco espaço para a camisa, um singelo lenço branco a demarcar o bolso. A barba e o cabelo: tudo bem conseguido. Confere um ar de classe e elegância.


Aqui gosto do exagero da gola, da ausência da camisa tradicional e do uso de rosa na camisa aberta.  Simples e diferente. Falta talvez um toque dessa diferença na parte de baixo. Elegante. 


Só ouvi uma graçola sobre o fato de The Rock mas nem tinha entendido. Agora que vejo acho que funciona. Não só funciona como é de apreciar que a escolha tenha ido para um pálido rosa, o tecido seja acetinado e uma flor falsa com lencinho branco mas laço preto tenham sidos adicionados. Acho que fica-lhe bem. Mas talvez... gostasse de ver o resultado se o laço fosse também branco ou champanhe. Até o casaco se fosse champanhe na cor teria subido vários patamares na sofisticação. Como está talvez pusesse glitter naqueles botões de camisa. E sem dúvida, o preto do laço tem de sair. Só tentando para saber.

Sem dúvida que a cerimónia dos òscares 2023 teve o tema asiático este ano. Os próprios tecidos escolhidos para as indumentárias masculinas mais do que o comprovam. O cetim, a seda, o design. 

Os das mulheres fica para outra ocasião.



sábado, 5 de janeiro de 2019

Muitas mudanças



A que-não-limpa e já foi embora repetiu isto muitas vezes:
-"Em Janeiro vão haver muitas mudanças nesta casa".


Ora, se ela já não ia cá estar a morar, no quê lhe afectariam? Para quê se preocupar em mencionar? 

Achei que ela estava a fazer referência à "amiga" do rapaz que vem para esta casa. Ela devia saber alguma coisa que eu não sei. 

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Aparentemente eles tiveram um desentendimento porque ele deu uma festa quando eu viajei em Outubro para Portugal - claro. (Sempre à espera que vire as costas). E nessa festa existiram exageros e pessoas ficaram bêbadas. 

A que-não-limpa tinha uma função útil nesta casa: não permitia exageros. Gostava de convívios e festas, mas não bebia álcool e exigia sossego e silêncio. Como era "uma" deles, os italianos enfiavam a cauda entre as pernas. Comigo ausente acharam que ia ficar "tudo bem" com a comadre, se aproveitassem para celebrar em exagero. Mas enganaram-se.

A perspectiva dela se ir embora agradou-lhes imenso nesse sentido. 

E como seria de esperar, esse sentimento de "liberdade" já os faz querer voltar à pândega. 
Isso já me apavora, como me apavorava antes.

Não sou anti-festas e até sou bastante tolerante. O problema é mesmo esse: demasiada tolerância. Acho que a mais velha serviu-me de exemplo. Ela não tinha problemas em manifestar o que pensava e o que queria, esperando receber. Eu recebo pouco e dou muito. E não cobro nada. Sou "tolerante" - e nesse sentido, sou desrespeitada. Fico com os meus sentimentos feridos constantemente. Porque eles não querem saber de mim. Tratam-me como se eu fosse um espinho que pode entrar no pé deles, como uma inconveniência. Não me incluem em nada do que fazem nem sequer comunicam que vão trazer pessoas para a casa. 

E isso é ser-se desrespeitoso.
Não peço nem espero que me convidem  para as suas festas privadas. Embora fique mal nunca terem se esforçado em me incluir. Mas que não comuniquem? Isso acho de baixo nível, porque é o mesmo que dizer que eu não valho nada. Entrar em casa com compras, a planear fazer um belo jantar e deparar-me com a casa cheia de gente, mal posso me mexer, álcool a ser servido por todo o lado faz-nos sentir uma merda. É que os da casa estão todos ali, vêem-me e é como se eu não existisse. Não me convidam, não mo comunicaram, nem sequer dizem olá... e uns uma vez, ainda riram-se e olharam de lado para mim, como que para reforçar a exclusão com um olhar "não és uma de nós".   Esperam que me afaste rapidamente, só isso. E é o que faço. Deixo-os estar. E retiro-me para lhes dar à-vontade com as pessoas que escolhem. 

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Se vos contar a noite de ontem também vão ficar muito apreensivos. Para começar, mudou-se para cá a nova-jovem rapariga. É simpática, como previ. Mas também muito dada a festas e a beber até as pernas balancearem. Fala pelos cotovelos e também por isso foi instantaneamente aceite pelos italianos por ter deixado claro que é uma rapariga de festas. Trouxe vinho, ofereceu e bebeu até ficar afectada. A reação do rapaz - que esteve a "apalpar" terreno desde que ela chegou, foi dizer: "És como uma versão da minha pessoa".

Acham que ela vai ser tratada e rejeitada como eu?


(conto o resto desta história depois)


quinta-feira, 12 de julho de 2018

A presença e a mensagem


Desabafei aqui noutro dia que me surpreendi com o ruído de alguém, uma mulher, a entrar porta a dentro e a gritar o nome de um dos rapazes que cá mora.

Desci para ver quem era pois a voz não era igual a nenhuma das mulheres que cá vive. Quem terá entrado nesta casa sem bater à porta? Sem qualquer cerimónia? Como se a casa lhe pertencesse?

Seria a mãe de uma colega?
(na altura os pais de uma das raparigas cá de casa estavam cá a dormir).

Não. Era a rapariga da casa ao lado, a tal que me infernizou a vida quando lá vivi temporariamente por umas semanas. A que deixava recadinhos escritos na porta do frigorífico, todos para me provocar. A mentora da "brincadeira" do mantimento desaparecido, a "chefe" da matilha e a mais barulhenta e desrespeitadora de todos na casa ao lado. A sua voz estridente e os seus gritos e berros são para mim intoleráveis. Felizmente, só os tenho de aturar da outra casa para esta. Sempre posso fechar a janela ou recolher-me do jardim para o interior. 

Antes mesmo de sair da casa ao lado, por saber que aqui vinha morar um jovem rapaz a trabalhar na mesma empresa que a histérica vizinha, temi que isso fosse um elo que a metesse novamente na minha vida. E temi o que vi acontecer naquele dia: que ela o usasse como pretexto para se infiltrar regularmente nesta casa

A vizinhança sempre existiu, mas não ao ponto de se frequentar a casa uns dos outros. Apenas sabiam da existência de inquilinos por se ter a senhoria em comum. Em mais de um ano, os outros nunca cá tinham entrado nem sabiam como a casa era ou quem cá mora. 

Imatura e mal intencionada como sei que ela é, cheia de joguinhos e indirectas, seria de esperar um comportamento destes. Sabe que não é bem vinda, pelo menos por minha parte. Claro que isso a faz desejar impor a sua presença com regularidade.

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Ontem, depois do emprego e de uma passagem pelo supermercado do qual trouxe mantimentos que pensei partilhar com os restantes, cheguei a casa e fui surpreendida por uma festa. Estavam todos a conviver, a comer e a beber, ocupando a sala, a cozinha e o jardim. Ao todo, quatro ou cinco outras pessoas. 

Temi de imediato a presença da histérica. E claro, não foi preciso esperar muito e ela apareceu. Toda produzida, no seu "melhor" comportamento, a lançar charme como toda a jovem com um palmo de cara julga saber fazer e a procurar conter-se no histerismo. Sei que sabe representar com eficácia porque tem de ser boa atriz para se manter no emprego que tem, lidando com o público de forma respeitosa e tolerante. Coisa que não é da sua natureza. Estranhamente, muito comum nas pessoas que partilham aquela ocupação. 

Não me cumprimentou. A sua "boa" educação resumiu-se a cumprimentar os que faziam parte da festa. E, claro, eu não fui convidada a participar. Mais uma vez, sou a que ocupa a casa mas não sou incluída. Logo no dia em que estava a pensar oferecer-lhes, mais uma vez, uns mantimentos que havia comprado e, quem sabe, havia a oportunidade de fazer uma refeição juntos.

Mas não deixei que nada disto me afectasse

Mal dava para me mexer na cozinha. Ao invés disso, fiz o que planeava fazer - com a excepção para o cozinhar um peixe no forno. Mais uma vez dediquei-me ao "jogo de Tetris" que é tentar encaixar os mantimentos na pequena prateleira de frigorífico que me cabe. Depois dessa morosa tarefa, decidi comer um pouco de salada e, usando o anexo à cozinha onde estão as máquinas de lavar que dá acesso também à lateral da casa perto do jardim, terminei a almoçar uma salada, posteriormente acompanhada com um copo de vinho tinto. E soube-me muito bem! Os ruidos da festa estavam num volume aceitável, quando se vai para aquela zona da casa. Adoro aquele cantinho. Disse que almocei e eram já umas seis ou sete da tarde, porque não pude comer antes. O trabalho foi tanto que nem ao WC fui.

Só uma das visitas se aproximou de mim quando estava na cozinha e falou comigo. Pressenti de imediato que seria a pessoa que vinha para cá morar - e estava certa. Ela logo me disse que seria ela a ocupar o quarto que vai ser vago pela rapariga jovem que não me cumprimenta quando entra num cómodo onde me encontro. 

Pareceu-me uma pessoa de bem e só posso esperar que o seja. A pesar de ser outra Italiana - o que significa que as conversas nesta casa vão continuar a se manter nessa língua, penso que vai ser uma troca para o melhor. A rapariga que vai embora nunca foi acolhedora. Pelo contrário. Desde que entrei nesta casa (e ela só entrou uma semana antes de mim) não exibiu comportamentos de pessoa acolhedora. Pelo contrário. Não me fala quando entra na sala e me encontro nela, quando me cruzo com ela no corredor e vou para cumprimentar, vira as costas ou quando é ela que aparece quando estou a passar, não me diz nada. Tenho cá para mim que, pelas costas, não hesita se puder me deixar mal vista.

Ela faz parte do "casal" e esse casal tem comportamentos esquisitos. Fiz um teste antes de ontem. Ao invés de ir para o quarto e descansar, fiquei pela sala até quase às 8 da noite. Quis ver se eles se iam reunir como habitualmente naquele espaço ou se, por eu ali estar, ia cada qual para o seu quarto. Durante muito tempo, mantiveram-se nos quartos. Eventualmente uma desceu e começou a cozinhar. Mas o casalinho, esse, manteve-se de portas fechadas, a ziguezaguear por entre os dois quartos que lhes pertencem, um no andar de cima, outro no de baixo. Nunca entendi como é possível ficar uma hora nisso mas, esse é um assunto à parte. Eventualmente, sentindo-se "apoiados" pela presença dos restantes, entraram na sala quando eu ia a sair. E o convívio entre eles deu-se naturalmente daí a diante.

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Não sei quando a festa terminou. Adormeci que nem uma pedra. Não sei se alguém ficou cá a dormir ou se todos foram embora. Nessa manhã despertei cedo e apeteceu-me de imediato começar a preparar o peixe para assar. Desci à cozinha, pus legumes a cozer. Descasquei cebola. Aos poucos, fui preparando o almoço. 

Numa dessas andanças reparo no quadro a giz, onde tenho conseguido que fique apenas um desenho humorístico. A histérica decidiu deixar dois recados escritos: "eu amo os meus vizinhos" - uma forma de me provocar, ao mesmo tempo que tenta garantir mais convites para entrar nesta casa. O outro apenas dizia: "(nome) loves you!" -  o que pode ser interpretado como "eu amo-te" ou eu "amo-vos". Qual a interpretação? Deixou ali o nome de propósito, isso nota-se. O intento bem pode ser impor-se a mim como impor-se ao rapaz. Como se não fosse suficiente referir-se como «vizinha» no escrito anterior para se identificar. A língua inglesa não especifica o(s) destinatário(s) na frase "I love you" mas a ter em conta o espanto do rapaz quando se deparou com aquele dizer, penso que ele interpretou aquilo como uma mensagem directa a ele. 

O que pode bem ter sido. 
Vários coelhos numa mensagem só... não fosse ela dada a deixar escritos indirectos para atingir certos fins. 
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Não deixei que me afectasse. Ela colocou ali o nome dela, impondo-o aos meus olhos, como uma provocação mesquinha. Uma forma indirecta de invadir a casa mesmo quando não cá está. Ao mesmo tempo que seduz os restantes para se tornar uma presença constante. O que poderia fazer para a remover dali? Não me incomodei se ali ficasse. Não ia deixar me afectar por tamanha infantilidade. É só um nome num quadro. Por mais que ela invada esta casa e tente que a sua presença seja regular, quem cá vive sou eu e ela é visita ocasional. Pelo menos por enquanto.

Na casa onde vive ela é rainha. Manipula as situações e manda em todos, que fazem exatamente o que ela quer. Ela faz tudo o que lhe apetece, sem respeitar ninguém. Que fique por lá. 

Penso que será apenas uma questão de tempo até o rapaz se cansar e a aparente simpatia e beleza que ela não possui senão como máscara, acabe por se tornar visível. 

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Após cozinhar, sobrou-me muita comida. Pensei de imediato em partilhá-la com os restantes. Mas teria de esperar que entrassem em casa para lha oferecer. Foi então que se fez luz. Porque não deixar um recado escrito no quadro?

Foi o que fiz. A esponja passou por cima das mensagens de amor e do nome da intrusa. E tudo voltou ao normal. Até a próxima investida... porque ela não vai desistir.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Viver o Halloween



Há uma coisa que gostava de experimentar já que estou a viver no Reino Unido. Ir a uma festa de Halloween.


Uma festa que de resto deve ser igual a muitas outras: com convívio, música, conversa, com a diferença que cada um usa da sua criatividade para aparecer mascarado e as decorações são sombrias. Soa a algo engraçado, além de me parecer um óptimo pretexto para conhecer pessoas.

O problema é que enquanto estava empregada até cheguei a sondar, mas ninguém pareceu sequer motivado com o tema. Seria de julgar que a cidade aproveita a data para organizar eventos. Decidi experimentar e googlei "eventos de halloween". Num site que lista esses eventos, aparece esta descrição apelativa:

You might be that bit too old to go out trick or treating on Halloween, however you can bet there will be plenty of Halloween events in for you to get involved with
There are loads of Halloween nights with things to do around Halloween ranging from the traditional apple bobbing Halloween games, dance till you drop, fancy dress Halloween parties, and loads of restaurants will be getting out the cobwebs and altering their menus to add a Halloween flavour.
As the days gets shorter and the nights get longer, a Halloween party is just what the doctor’s ordered to get through those post-Summer blues
Mas ao mas ao carregar no link que informa que festas fantásticas são estas,surge isto:
 "No events found at present.".
  
Até em inglaterra as coisas são só para inglês ver...


quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ainda sobre o Festival

Ainda sobre o Eurofestival, encontrei estes vídeos e achei por bem partilhar.


Gostava de entender o significado deste (e deste que tem mais desgostos que gostos) vídeo. Será que significa que o intérprete Russo plagiou a Beyoncé ou pretende afirmar "somos tão bons quanto a world wide apreciated Beyoncé"? Ficou a dúvida. Alguém aí entende Russo??

Depois encontrei este, que parece ter o festival inteiro. Fiquei surpresa, à medida que pulava por entre as votações, entrevistas, actuações e VENDA de merchadising (!!!!), como as indumentárias este ano são horrorosas!!! Especialmente as do júri dos países. É uma atrocidade atrás de outra. 


E voltei a reparar na estranheza da prestação do intérprete de Stars, stars, stars... bom, ele repete esta palavra imensas vezes, mas o título da música é "Feitos de estrelas" (made of stars). Além de me fazer lembrar o vocalista da banda "Os Cure" que nos anos 90 "estouraram" com o seu look dark e gótico e achá-lo atrasado no tempo por aparecer com um visual "fresco" como algo conservado em fermol, reparei para o final que o Israelita durante a canção, fica parado no mesmo sítio a embalar-se da esquerda para a direita, de braços apertados, parecendo um doido numa camisa de forças, a insistir repetidamente nas suas "Stars".


Outras músicas são apenas pretensiosas, como a Italiana. Pretendem ser profundas e cheias de mensagem mas não funcionam. Outras o são por apresentarem um espectáculo pirotécnico grandioso, mas não terem nada demais na melodia. Reparei que a concorrente da Austrália, que no palco mal se mexe, é na verdade um pirilampo saltitante algo juvenil e infantil quando entrevistada no seu estado "normal". 

Não sei se mais alguém reparou mas os intérpretes, na sua maioria, tinham de ficar especificamente imobilizados no centro do palco, para que a prestação batesse certo com o espetáculo de luzes. Foi o caso da canção vencedora. Porém, a intérprete conseguiu muito movimento e expressionismo para quem tinha de ficar quieta no lugar. No início até marcha - embora o plano não o tenha mostrado, talvez para que não induzisse ao imaginário de soldados. Outros na mesma situação não conseguiram passar dinamismo e tiveram melhores enquadramentos de plano para o disfarçar. 

No reverso desta condição, estiveram prestações como a da Bélgica, que correram "soltos" por um palco decorado, de micro na mão, podendo assim dar aso à segunda mais importante actividade musical: a dança

«Sou o nº1!
Russia, heil!»
Já a Rússia, que apostou forte no espectáculo de luzes, teve de se desdobrar em coordenação e a "dança" limitou-se a acenos de um braço com coreografias de poses. Cronometrados para encaixar na perfeição com as imagens gráficas projetadas num monitor e interpretados por um tipo com uma atuação "cocky", convencido e cheio de si e da sua vitória, instruído em cada gesto e a aproveitar cada plano de rosto para seduzir o público. A força da música Russa está toda no show-off de movimentos e luzes porque a lírica e o ritmo... era mais uma sobre stars, stars, stars...

Notei enquanto pesquisava as indumentárias do Juri, que os mais bem vestidos deram os 12 pontos à Ucrânia. Sinal de bom gosto, ehehee. Quase sempre foi a ucrânia o país mais mencionado para receber a pontuação máxima, pelo que questionarem a legitimidade do mais votado é irónico. 


Quanto à participação da Austrália num concurso europeu, parece que este facto está a receber menos controvérsia que, como é habitual, a música vencedora. Mas controverso também podia ser o facto de, tanto a intérprete australiana, como a sua comitiva e a júri apresentarem traços orientais. Lá se vai o imaginário de um povo... estilo Crocodille Dunddie: louros,brancos queimados pelo sol e com sotaque de "mate". Parece que a China anda mesmo a conquistar o mundo... lol. E até consegue introduzir-se num festival Europeu... uma chinesice australiana. :P

Não me deu para comentar os Globos de Ouro mas saiu-me o criticismo para este festival!

E o que concluo? Afinal, a "pirosice" está em todo o lado e não é uma exclusividade portuguesa!! 




quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A entrada de ANO


A entrada no novo ano foi celebrada de forma atípica. Não por mim que, como habitualmente, fiquei em casa. Mas por todos os restantes. Mesmo em casa, chegando a meia-noite, escutava-se vindo da rua os sons das pessoas a celebrarem o novo ano. Cornetas a tocar, panelas a bater, pessoas a gritar. 

O que escutei este ano foi um silêncio sepulcral. Eu, que não costumo ficar a olhar para o relógio e costumava ser alertada para o momento pelo ruído exterior, desta vez não teria como. Não fosse pelo barulho infernal do vizinho acima, e o almejado silêncio e tranquilidade teria sido atingido para além das expectativas. 

Falei com outras pessoas e onde quer que elas tenham ido fazer a passagem de ano - fosse em suas casas ou fora delas, todas mencionaram o mesmo. Sentiram-se surpresas com a ausência de animação, a falta dos habituais rituais e gestos de celebração, a falta de ruído e de fogos de artifício. Sejamos realistas: o povo português não muda estes hábitos só por estar a viver uma forte crise económica. Das duas uma: ou as pessoas melhoraram tanto de vida que foram celebrar o novo ano FORA DESTE PAÍS, como tantas celebridades o fizeram, ou então existe um "vírus" qualquer que contaminou com indiferença todos os ex-folias.


sábado, 29 de março de 2014

O que quero eu sei, mas encontrar...

Dentro de meses tenho um casamento para ir e pela primeira vez apetece esmerar-me na aparência. (deve ser da idade). Sei exatamente o que quero mas e encontrar? Acho que se o esforço for muito vou acabar por não ligar nenhuma e vestir a primeira coisa na qual me sentir confortável e assim não me chateio mais.