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quarta-feira, 22 de março de 2023

Indumentárias MASCULINAS dos O23

A vontade de comentar as roupas escolhidas para aparecer num grande evento televisivo surgiu depois de perceber isto. A primeira imagem é do filme "Tudo ao mesmo tempo, em todo o lugar" (minha tradução). Aqui pode-se ver que a personagem principal veste um casaco de malha vermelho com um estranho padrão na manga e nas costas pode-se ler o que parece ser a palavra PUNK.


Durante a cerimónia dos Óscares 2023 surge no palco, para receber o óscar para melhor filme, um dos autores que, por uma razão simbólica não muito conhecida, escolhe vestir um fato bordeaux, onde reproduz o desenho do casaco de malha que surge no filme. Mas com uma qualidade muito superior de acabamentos e materiais! 

O que será que isto quer dizer? Estaria ele só a levar o amor pelo seu filme um pouco mais além ou existe uma mensagem sublimar em tudo isto? O que é aquele símbolo? 


Por aqui fui espreitar as escolhas dos restantes.  E para variar, vamos falar do vestiário masculino. Tanta vez ofuscado e pouco diversificado, acho que este ano também a cerimónia foi mais além no departamento da moda masculina. 

OS HOMENS:

Primeiro exemplo: fatos em branco. 
GOSTO

Há algo no design deste "toxido" que é super elegante, sofisticado e ainda consegue trazer remenescências orientais. O que combina com quem o usa. A começar pela cinta, a fazer lembrar um quimono mas sem ter um ar de ultrapassado. Aquela lapela cortada em bico apenas do lado do bolso, formando um Z, o conjunto em si, simplesmente gosto. Não faz lembrar um fato de judo, o que facilmente podia ser a desgraça se o design não fosse tão bem conseguido. 


Fica-lhe bem, dá um ar leve, fresco. O negro teria caido mal. 


Bom, nesta foto nem gosto muito de ver o Lenin Kravitz, 
mas na de baixo, que basicamente é a mesma mas de rosto virado, já gosto. Cheio de estilo, drapeado, original, bom tecido. Na de cima só não aprecio muito porque aquele peitoral faz lembrar um seio e quase se desvenda o mamilo. Mas sem dúvida um dos top visuais masculinos.


Já tinha dito noutro post que adorei a originalidade e o simbolismo deste laço azulão com olhos de plástico. 

Ora aqui está uma boa opção, mais uma vez original, para pessoas de porte mais forte! Este senhor ousou ir com um casaco/cauda, a fazer lembrar os vestidos das mulheres. E não é que lhe fica bem? Pelo menos assim de perfil. O tecido também me parece excelente. Se fosse todo preto ia correr mal. Se fosse quebrado com outras cores, ia parecer mal. Mas este aspecto acetinado com cornucópias ou um padrão brilhante confere-lhe um ar sofisticado. Mais uma vez, algo de oriental surge na escolha do tecido acetinado com padrões, a fazer lembrar as vestes antigas chinesas.


Só aqui pus o Colin por causa da bandeirinha da ucrânia que colocou na lapela. Alguns artistas se limitaram a dar esse toque e assim expressarem o seu apoio, sem, contudo, entrar em politiquices verbais. Colin também teve de levantar a crista ahahah. Mas fica-lhe bem o look. A escolha do que parece ser mini-botões pretos para as camisas brancas também parece ter sido A moda masculina da  cermimónia. Mais homens optarem por esse look.


Dois casos de roupas quase identicas mas resultados muito diferentes.
Não gosto do de cima, porque o rapaz parece anão. Fica-lhe mal esta escolha. A proporção de tronco fica idêntica às das pernas. O que lhe confere uma estatura baixa e tacanha. Já o de baixo, que basicamente escolheu o mesmo estilo, parece ser um homem alto. Onde o botão do casaco aperta lhe confere mais altura de perna enquanto o de cima foi apertar o casaco quase perto da virilha ahaha. Resultado: fica-lhe mal.



Veludo, azul, e uma popa a lembrar a de rin tin tin
Com uma descrição destas diria-se que não ia resultar. Mas resulta! 
Charme e elegância, originalidade
Barba por fazer contribuiu para o look sofisticado mas descontraído.


Um fato como este só podia cair tão bem num corpo bem feito. É o caso. Casaco que aperta com dois botões logo abaixo do peito, dando pouco espaço para a camisa, um singelo lenço branco a demarcar o bolso. A barba e o cabelo: tudo bem conseguido. Confere um ar de classe e elegância.


Aqui gosto do exagero da gola, da ausência da camisa tradicional e do uso de rosa na camisa aberta.  Simples e diferente. Falta talvez um toque dessa diferença na parte de baixo. Elegante. 


Só ouvi uma graçola sobre o fato de The Rock mas nem tinha entendido. Agora que vejo acho que funciona. Não só funciona como é de apreciar que a escolha tenha ido para um pálido rosa, o tecido seja acetinado e uma flor falsa com lencinho branco mas laço preto tenham sidos adicionados. Acho que fica-lhe bem. Mas talvez... gostasse de ver o resultado se o laço fosse também branco ou champanhe. Até o casaco se fosse champanhe na cor teria subido vários patamares na sofisticação. Como está talvez pusesse glitter naqueles botões de camisa. E sem dúvida, o preto do laço tem de sair. Só tentando para saber.

Sem dúvida que a cerimónia dos òscares 2023 teve o tema asiático este ano. Os próprios tecidos escolhidos para as indumentárias masculinas mais do que o comprovam. O cetim, a seda, o design. 

Os das mulheres fica para outra ocasião.



sábado, 18 de março de 2023

COmentando os Óscares!

 Acho que este ano a cerimónia dos oscares, que apanhei em repetição esta noite, foi 100% melhor na mensagem que a anterior. Com comoventes discursos e pessoas realmente alegres e a celebrarem-se umas às outras. 

Sem dúvida que, este ano, a cerimónia deu, maioritariamente, destaque à Ásia e aos artistas daí originários. O maravilhoso filme dos "Danieis" - "Tudo em todo o lado, ao mesmo tempo" (Everything Everywhere all at once) conta a história de uma família imigrante asiática na américa, donos de uma lavandaria. Eles trabalham muito e mal conseguem se aguentar. O "sonho americano" não é cor-de-rosa e a história se desenvolve em mundos paralelos. O elenco, obvio, na maioria, é constituido por pessoas dessa ascendência. 
Gostei particularmente do discurso de James Hong que, não sabendo quem era por nome, assim que o vi no filme lembrei-me "Mas eu reconheço este ator! É um bom ator. Que bom que está aqui". No discurso que fez, nos BAFA, basicamente recordou a todos os anos de profissão que tem, ao mencionar que quando o John Waine era o presidente e quando começou nos filmes, quem fazia os papéis de chineses eram actores com fita adesiva nos olhos. Porque achavam que os chineses não sabiam representar (se calhar não sabiam era falar inglês claro, creio eu). A sua retrospecção fez-nos entender a importância e a conquista realizada. Chegou ao expoente máxima mas teve um percurso de persistência e determinação. Gostei particularmente da sua escolha de indumentária para os óscares: a gravata com os olhos de plástico (tem a ver com a mensagem do filme).


O ano passado todos se recordam, a cerimónia dos óscares de 2022 - tão desejada por ser a pós Covid, foi organizada, apresentada, montada, dirigida, orquestada por... afro descendentes. Esta comunidade está sempre a reinvindicar direitos, e quando recebe algo, ainda não é suficiente, pedem mais, fazem lembrar que lhes devem mais. (é uma coisa americana, creio). Mas quando tiveram o privilégio de coordenar toda a cerimónia, o que é que tivemos? Uma agressão ao vivo, insultos, palavrões e pessoas a ovacionar o ator que iniciou o conflito, que não foi repreendido ou afastado. 

Este ano, não sei quem dirigiu, orquestrou, realizou, apresentou a cerimónia. Porque não foi uma "comunidade", foi um GRUPO de pessoas. E ESTA FOI A MENSAGEM que a cerimónia dos óscares de 2023 me passou: NADA daquilo seria possível sem o contributo de TODOS. 

Essa foi a mensagem da melhor atriz, da melhor atriz secundária, do melhor ator num papel secundário, dos melhores diretores e do melhor ator. PASSOU CLARO. E foi, simplesmente, bonito de sentir. Toda a emoção daqueles artistas, a realmente homenagearem-se uns aos outros. Não foi como com o Will Smith, que era tudo sobre o próprio umbigo. Foi sobre todos e para todos. Desde a equipa do "zé-ninguém" -  o indivíduo que segura os cabos e ergue o cabo do microfone, ao catering. Não foi sobre "O Will smith vai receber um óscar" - olhem só como ele conspurcou o símbolo da estatueta. 

Este ano a cerimónia virou-se para a Ásia e para a Índia. Música, dança, artes... e nenhuma baixaria. Uma comunidade muito mais singela que a africana, com muito menos exposição, mas que nunca reinvindicou nada para si. Simplesmente trabalhou e esperou o seu momento ao sol. E ele chegou. Foi bonito de ver. Ficamos a torcer para que hajam mais oportunidades para aquelas pessoas e sentimos felicidade por terem recebido um mérito tão alto. Um filho a agradecer à mãe de 84  anos e a dedicar-lhe o óscar... Tão diferente de uma chapada e, de seguida, fazer um discurso sobre tolerância...


Na carpete de champanhe (não sei porquê não foi chamada de vermelha mas agora surgiu esta nova, eu gosto) muitos artistas, de todas as nacionalidades e áreas, desfilaram com suas indumentárias. Irei reflectir um pouco sobre isso noutro post, para quem gosta de dar uma espreitadela. Irei dizer "gostei/não gostei" e porquê. O básico, que todos fazem e que não quer dizer nada, só um hobby. Vou armar-me em fashionista :) 


Quero saber as vossas opiniões.