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sábado, 13 de agosto de 2022

Naturaleza Muerta aka Ana e Miguel

A banda espanhola Mecano, lançou-a em 1990. Sarah Brightman popularizou-a em 1997. Mas quem realmente lhe deu voz pela primeira vez foi um grupo chamado Mocedades, também espanhol, que apresentou ao mundo esta melodia espetacular de Ana e Miguel, com uma letra que não lhe fica atrás, de autoria de José Maria Cano. 

Aqui estão todas essas versões. Surpresa surpresa para a última, cantada simultaneamente em Espanhol e Frances. Nossa, virou a minha favorita. Que voz tem esta mulher! Que voz. Presta-se a tudo e sua voz é maravilhosa de escutar em todos os registos. 

Mocedades (1986):


Mecano (1990):


Sarah Brightman (1997) :


A francesa:



Tradução da letra para portugues:




Não é poético??

Digam-me: qual destas versões assenta melhor nas vossas preferências?

domingo, 15 de maio de 2022

A viagem de uma lesma

 


A viagem de uma lesma pode ser um momento de serena tranquilidade. Estava no jardim quando avistei uma caracoleta, mesmo a tempo de não caminhar na direcção dela. 

Decidi registar o movimento da criatura com a câmara do telemóvel. E fiquei impressionada. Em coisa de cinco minutos, a lesma percorreu uma considerável distância. 

Dizer que as pessoas lentas se movem como lesmas é insultar as lesmas. Para o que são, mexem-se muito rápido.

Neste exercício trivial, encontrei a tranquilidade que precisava para libertar-me dos stresses do dia-a-dia. Sendo hoje, Domingo, o único dia de descanso, observar uma lesma fez-me muito bem. 

Adoro estar rodeada de natureza. Não sei como há pessoas que nunca vão para um jardim, para o parque, nunca observam uma flor. Passam os dias fechadas em casa. Porque as há. A M. é uma delas. Mais uma das suas imensas contrariedades. Para uma pessoa que se diz "ligada" com a energia de tudo o que a rodeia e faz rituais com velas para conseguir para si mesma sei lá o quê - acho que não sabe é nada. Nunca a vi sequer ficar no jardim um dia que fosse. Interesse pela natureza? Nenhum. Não gosta do vento que lhe despenteia o cabelo, não gosta de "coisas" que caem das árvores, não passeia em parques e demonstrou não entender o que me faz gostar de ir lá fora, a apanhar a fresca, no jardim. 

Distraída com esta actividade, descobri que, é a observar a natureza que se aprende. Que se tiram lições. Não me tinha ocorrido - até observar a viagem da criatura, que o estado do tempo influencia os seus movimentos. Está, como dizem os ingleses, drizzling. A caracoleta tem de aproveitar as gotas da chuva miúda para se deslocar, já que as aves ficam pelas árvores, não consistindo uma ameaça maior. 

A humanidade chegou onde está hoje assim: a observar o que a rodeia. 
Assim criou o fogo.

Assim inventou a roda. 

E quando caiu uma maçã em cima da cabeça de uma pessoa, esta percebeu a teoria da relatividade. Daí a pousar na lua, foi um instantinho. 

Ninguém é verdadeiramente sábio, "conectado" com o misticismo, se não souber estar ligado com este todo que é a vida. 



domingo, 10 de abril de 2022

Devia ter uma câmara no capacete

 
Desejei estar a usar uma câmara num capacete para que fosse possível presenciar o que os meus olhos registaram. 

Hoje pela manhã, 6.15h, a conduzir a minha scooter, após sair do emprego rumo a casa. Estava a sentir-me feliz da vida. 

Algo em trabalhar aos Domingos é bastante gratificante. E sei qual é a razão. É a enorme redução de tráfico, de confusão, de barulhos. Subitamente sente-se não isso, mas o que nos rodeia. Um detalhe que faz com que um dia de trabalho seja sentido com mais prazer. 

Desde o lockdown e a escuridão do inverno que não conseguia fazer um percurso como o de hoje. Não surgiu absolutamente NINGUÉM enquanto atravessei o parque. O que gerou em mim uma forte sensação de apreço por me encontrar viva e estar a comungar com a natureza. A scooter serpenteava pelo caminho estreito do parque e era só eu e toda aquela beleza. Mais nada. Nenhum som além do vento e o chilrear dos pássaros. 

Habitualmente não é assim. Existem sempre outras pessoas rumo aos seus empregos, o som  inconfundível do tráfico automóvel, que é um misto de um constante tambor do motor mecânico com o zumbido da tracção das rodas de borracha no asfalto. A ausência da percepção de seres humanos em trânsito enquanto atravessei o parque, seja em suas casas ou na rua. Não avistei os habituais donos a passear cães, nem outros ciclistas, tanto de scooters como de bicicletas. Nenhum desportista a fazer corrida, nenhuma pessoa a passar e muito menos o odor inconfundível de alguém a fumar erva. 

Instantes em que só pulsava com vida eu e o parque. Uma comunhão especial.

Ás tantas enquanto contemplo esta dádiva, com a aproximação da scooter um bando de pombas levanta do chão e começa a voar. Pareceu uma cena saída do cinema! Eu, ali a sentir-me agraciada e grata, tão feliz que até cantarolava e me abanava em cima da scooter e subitamente, um bando de aves como que abençoa o momento. Cena de cinema - digo-vos. 

Bem diferente de sexta-feira de manhã, quando gaivotas que estavam a bicar e ingerir algo na relva perto de uma habitação, à minha passagem decide levantar voo em bando e passar por cima da minha cabeça, regurgitando uma substância sólida alaranjada que me atingiu. Mas foi na manga do casaco, e traseira da scooter, felizmente. 

Dizem que caca de pássaro em cima de nós é sinal de boa sorte.

Já comprovei isso. É verdade
Regurgitação não sei que sinal é. 

Mesmo que seja sinal de sorte não é agradável. Danada das gaivotas! São citadinas. Já deviam estar acostumadas aos movimentos da cidade. Ainda assim "mijaram-se"" todas de susto e não contiveram as suas "body functions". 




Já só se avistam gaivotas em terra. 
Também elas trocaram a vida silenciosa nos oceanos pelos facilitismos das grandes cidades com os seus enormes centros alimentares com fontes inesgotáveis de lixo e desperdícios. E onde não existir grande limpeza, é onde estas aves gostam de estar. Trocaram o peixe por lixo, para não terem o trabalho árduo de mergulhar nas águas de um oceano imenso na tentativa difícil e nem sempre bem sucedida de os pescar usando apenas o bico e gerações de adquirida ancestral mestria. Deve ser esgotante! É mais fácil não fazer nada e aguardar pelo lixo humano.  


Esta travessia pelo parque proporcionou-me um momento de puro paraíso. Senti-me abençoada. Grata e muito feliz.

Já perto de casa, a atravessar a rua principal, minada que está de bares, um bando de umas 40 gaivotas que estavam a bicar no pavimento os restos largados no chão por estes estabelecimentos, também desata a esvoaçar. Desta vez à minha frente. Invadiram o céu inteiro, quarenta - contei por alto. Asas brancas a espalharem-se pelo céu até onde a vista alcança. Bonito de ver. 

Só mesmo uma câmara num capacete para o poder ilustrar.

Fosse a vida cheia destes momentos.



terça-feira, 7 de julho de 2020

Os perigos do Portal (e os coelhos)

Abri um portal perigoso. Amanhã conto qual. (O post já esta calendarizado).

É de noite. Chovisca. Estou a caminhar para o emprego. Acabei de passar pelo parque do ano passado, no qual avistei um coelho.

Desta vez acabei foi por ver um rato.

Este ė o ano Chines do rato. 2019 foi o ano chines do coelho. Avistar qualquer um destes animais faz-me lembrar disto.

"Nunca tinhas visto coelhos?"- lembrei-me.

Sim, tinha. E vivos. Mas tirando os que avistei na praça onde uma das minhas avos trabalhava como florista, esfolados e pendurados de cabeca para baixo para que o sangue escorresse, de imediato nao consegui estabelecer a ligacao a quando, na minha infancia 100% citadina, pude estar com coelhos vivos.

Nao demorou mais que segundos para que me lembrasse. Devo essa experiencia a outro avô. Ele mantinha uma horta no centro de Lisboa na qual, entre cenouras, que eram a minha predileccao, criava coelhos. Tirava-os da jaula para que eu lhes tocasse.

Bela recordação.

Tirando isto, so voltei a ver um coelho Vivo dentro de uma gaiola, como animal de estimacao de uma amiga. No campo, livre, selvagem, so os vi o ano passado. Naquele parque. A primeira vez sozinha, na segunda, acompanhada.

Ver coelhos selvagens não foi nada surpreendente para a pessoa que estava comigo. "No quintal da minha casa vejo veados".

Portanto, nada de extraordinario. Extraordinario para a pessoa foi a minha reaccao ao ve-Los.

 (Eu avisei: abri um portal perigoso).

sábado, 16 de maio de 2020

Imaginar um momento

Quando sentada no banco do jardim olhei para o relvado reparei que um pedaço de um ramo com uma flor já seca tinha sido enfiado na anilha de uma lata de refrigerante.

E enterneceu-me o coração.


Imaginei que estava a olhar para o que tinha sido um gesto de intimidade entre um homem e uma mulher.

O local estava cheio de vestigios de presença humana: cheio de detritos como latas de cerveja vazias, guardanapos de papel, cascas de pevides por todo o chão e porcaria no geral.

As pessoas que avistei
Junto ao banco na vespera


Mas entre esta porca realidade que espelha muito bem o tipo de habitante inglês presente em maior numero nesta cidade, existiu quiçá um belo momento de romance.

Em que um cavalheiro arrancou uma flor de um arbusto, prendeu-o numa anilha e colocou-o nos cabelos da sua amada.

Ou é apenas lixo.
Pelo menos foi assim que imaginei ter acontecido ao reparar na ramada enfiada na argola da anilha.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

A natureza que me prende ao chão


Uma das coisas para as quais gosto de olhar, é a natureza. Anteontem passei uns minutos sentada na relva do jardim. Só escutava o som dos pássaros. Com o calor do sol a tocar-me nas costas, a aragem a sobrar gentilmente, os cantos e o som do vento a passar pelas agulhas do alto pinheiro. Tudo culminou num tão simples mas maravilhoso momento. 


Estar em contacto com a natureza sempre foi um bálsamo para mim. Pensamentos negativos distanciam-se, começa-se a ver o copo meio cheio. Quando digo natureza, não me refiro apenas ao campo visual. É um todo. São os cheiros, é a luz, é o ar e o vento. E, claro, tem também as flores.

Os amores-perfeitos que plantei o ano passado no jardim
(em forma de coração) Longe de imaginar aquilo pelo que o meu ia passar 


A caminho do emprego ontem, tive de parar uns instantes para tirar fotografias às cores e beleza que encontrei. O contraste entre beleza e o momento que vivemos não impede a natureza de continuar a florescer. Digam-me lá se não sabe bem deparar com estas maravilhas.


Camélias?

Este rosa é tão vibrante que chamou por mim à distância


Onde o rosa choca com o vermelho

Que bonita mescla de Cores




Mais destas maravilhas rosas no jardim de uma casa.
Parecem querer transbordar para o exterior

Num canteiro, perto do emprego




sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Selva de betão ou não...

Uma coisa que me surpreende em Inglaterra (ou pelo menos aqui nas redondezas) é perceber que a Câmara não faz a devida manutenção dos espaços. Pelas ruas vê-se a vegetação a tomar conta. É a esquina cuja sebe está torta e toda tomada conta pelos arbustos, são os passeios junto a zona vedadas que revelam ramificações de verde ao ponto de dificultar a passagem dos peões. 




Vejam só nestas imagens, como está o passeio. Estes ramos estendem-se de uma forma intimidante. Mais parecem uma das criaturas alienígenas que surgem num daqueles filmes de terror de série B. 


E por falar em filmes de alienígenas, olhem aqui um tão bom:


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

O meu jardim


Fazia dois anos que lá não ia! Mas decidi regressar àquele que foi o parque que mais me fascinou quando aqui cheguei. Pesquisei mas não consegui encontrar informação viável sobre as suas dimensões. Originalmente chegou a ter 9km. 

É um parque semi-floresta. Gostei de caminhar pelos caminhos mais sossegados. Aqui ficam umas imagens. 


 CAMINHOS




FAUNA GIGANTE








FLORES




BRANCAS





ROXAS







AMARELAS







VERMELHAS










LARANJA



ROSAS





MISCELANIAS





VEGETAÇÃO



INSECTOS


MEMORIAIS
Os parques ingleses têm muito o costume de ter placas com nomes de pessoas falecidas, geralmente colocadas em bancos mas também em esculturas para o efeito. Aqui ficam alguns exemplos.

1
Planta, árvore ou arbusto em homenagem a...




2
O ESCONDIDINHO
Este banco com nome de uma pessoa falecida está quase engolido pela vegetação.
Sinto tristeza quando encontro estes bancos, porque não convida a sentar. 
Sempre imagino a alma da pessoa desolada, triste, chorosa, por se encontrar esquecida, isolada, solitária, implorando por companhia... 

Fui ver o nome da pobre alma: Doris.
Uma mulher.


Depois enfiei-me atrás da "Doris", para sentir o quão solitária ela deve sentir-se.
Surpresa total: A Doris está escondidinha...
Mas ela vê tudo!


Malandra da Dóris!
Será que em vida ela também era assim?
A espreitar nas sombras do melhor cantinho a vigiar tudo?

3
PLACAS EM ESCULTURA
(Porque não há banco que chegue!)



falecidos em 2019

Nota: Depois eu é que sou macabra por achar bonito um cemitério!

4
Placa rara: indica a circunstância do falecimento.
O que será que aconteceu na China em 2000?
Shirine é nome masculino ou feminino?




FLOR FAVORITA
Foi a última que vi:

 No jardim

Pequena rama que colhi para recordar de perto a pura beleza das cores, das formas e da distribuição desta curiosa criação da natureza.


FOTOGRAFIA FAVORITA: