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terça-feira, 25 de maio de 2021

Porrtuguesinha, antes fosses chinesa!

 Desde que cheguei ao Reino Unido, o meu primeiro nome esta mal escrito no sistema nacional de saude - NHS.

Em vez de Portuguesinha, escreveram Phortuguesinha. 

Cada vez que precisavam localizar-me no sistema, levavam uma eternidade, pediam-me todos os dados (recusando sempre que lhes facultasse o n. de utente) para depois de muito teclarem no computador informarem-me com pesar que "não existo".

Isto é frustrante porque, assim que dei conta do erro, corrigi-o. Fui ate ao GP local, onde fiz o registo, soletrei letra por letra e ficou corrigido na hora, pelo computador. 

Quando recebo uma carta do NHS em casa, continua com um erro. Um novo erro.

Volto a ir ao local e desta vez, poupando na saliva, entrego-lhes o meu passaporte e peço-lhes para copiarem o meu nome pelo documento.

A jovem que me atendeu procedeu logo a mudanca do nome no computador onde teclava. Garantiu-me com um sorriso e simpatia que ja estava correctamente alterado.

Ate hoje sou a Porrtuguesinha.

Sabem com quem me identifiquei? Com os primeiro emigrantes durante o seculo 18 e 19, que chegavam ao cais de um novo pais, lies perguntavam o nome e anotavam num pedaco de papel com a fonetica que lhes era mais familiar, muitas vezes ignorando a documentacao apresentada.

Nao tinham outra opcao senao PASSAREM a ter outro nome  numa nova terra. Logo de inicio a serem despidos de alguma da sua identidade. 

Assim me senti em pleno seculo XXI, numa terra que se diz avançada e rigorosa, numa altura em que todos conhecem a extrema importancia da precisao da recolha e registo de dados pessoais. 

Um seculo em que todas as entidades tem se saber tudo sobre ti: estatus, orientacao sexual, alteracao de genero, anteriores nomes, quiça um dia proximo, ate o teu dNA. Uma época em que forcaram a "naturalidade" de  colectar as  impressoes digitais de todo o cidadao mesmo o acabado de nascer e fazem reconhecimento facial a todos os rostos no planeta. 

Mas ainda nao acertam com o teu nome escrito com a sua caligrafia original, a ser copiado de um documento oficial. 

Ora, seu eu fosse chinesa, romena, polaca, da indonesia, Russa ou algo assim, ainda entenderia. Afinal estas nacoes possuem um alfabeto diferente do ingles.

Mas nao e o caso de Portugal!

Temos as mesmas letrinhas. Uma por uma. E nao as juntamos em combinacoes Tao diferentes assim. 

Depois, para meu espanto, no curso que estive a tirar, voltam a fazer o mesmo. De 10 formandos, sou a unica com origem Europeia. A maioria vem da India, carregam nomes indianos. Dois outros  vieram de Africa e carregam nomes Africanos. 

Todos eles com nomes esquisitos, que lhes pedes para pronunciarem e o fazem rapido como se desconhecessem que para serem conpreendidos tem de pronunciar um nome de forma silabica.

Letra com combinacoes esquisitas, formando sons ate entao nunca ouvidos. 

Mas esses tiveram os seus nomes bem escritos nos certificados!

Vai-se la entender. 

Bom, talvez seja compreensivel se partilhar que a pessoa encarregue da documentacao era tambem Indiano e o formador uma mistura de Africa com irlanda. 

Ainda assim sao pessoas a viver no UK ha uns 40 anos e ainda nao se mantem confortaveis com nomes Anglo-Saxonicos!

Sinto-me uma migrante de verdade. Identifico-me com todos os Dasilva, Sylva, Rodriguez, Manel, Anthony, desta vida...

Que partiram de Portugal para um novo destino seguros de quem sao e do seu nome de baptismo. Mas chegam a um novo lugar e sao, de alguma forma, rebatizados ou expropriados das suas origens.  

Bem que disseram que a emigracao foi a substituicao da escravatura.... 

Quando esta terminou no Brasil e os emigrantes Italianos e de outras localidades comecaram a surgir, algumas destas pessoas que estavam encarregues de os registar estavam habituados era a lidar com a papelada de forma a favorecer o proprietario, nao a propriedade. Tinham experiencia era com escravos, gado... coisas a que nao atribuiam muito valor para alem de serem mercadoria. Chega gente livre, mas o trato e os habitos nao sao muito diferentes. 


Chamas-te Manuel da Silva? Tens documentos? Ok... Manel Dasilva. 

Quem ja estudou genealogia sabe de casos impressionantes e frustrantes em que erros semelhantes simplesmente terminam com a possibilidade da investigacao continuar.

No curso tambem escreveram o meu nome incorrectamente. Desta vez, o apelido. Arfh!

Desisti de ser outra coisa. Oficialmente, para o NHS sou Porrtuguesinha. Na futura profissao Terei outro apelido. Eles assim o desejaram.  Assim me batizaram. Em pleno seculo XXI com toda a tecnologia que possuimos!

Onde quer que vas o nome que te dao é aquele com que vais ficar.



sexta-feira, 17 de maio de 2019

O meu nome


O meu nome é "Portuguesa". é um nome que permite o uso de diminutivos. Existiu no tempo quem me chamasse de Portuga, Tuga e Portuguesinha.  Mas actualmente todos me chamam de Portuguesa. 

E eu sinto saudades de quem me chame de Tuga, ou até mesmo de Portuguesinha. Mas não é um trato que goste de impor. Não me vou apresentar assim para ser chamada assim. Esses são nomes conquistados, não são dados gratuitamente. Têm a ver com a relação entre as pessoas. O nome "Portuga", remete para relações de amizade verdadeiras. E a Tuga ou Portuguesinha para amizades antigas, familia íntima, para intimidade. 

Não é qualquer um que vai chamar-me por estes nomes. Podem chamar-me do que quiserem, pouco me importa. Nomes não me dizem quase nada, já se enganaram no meu chamando-me sempre por outro e não me incomoda nada. Para aquela pessoa passo a ter outro nome. É até querido. Quando o nome Portuguesa é pronunciado, é aquele que menos fala sobre mim. É como se chamassem um cão, perguntassem o nome de um rótulo... Sinto saudades de ser chamada pelos diminutivos, não por eles em si, mas pelo significado que carregam.


Quero ser chamada de Tuga, Tuguinha... 
Sinto saudade!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

AINDA outra oferta de emprego...


Não gosto quando me obrigam a ir ao google para entender que raio de oferta/ função é a que aparece numa oferta de emprego!



Mas porquê não DESCREVEM as tarefas a executar?
Porquê não usam nomes IDENTIFICATIVOS da função?

Para quê todas estas máscaras, subterfúgios, incapacidade de clareza?

Só transmitem incompetência!

Nota: Porra. Tanto nome inventam para basicamente a função se resumir a telefonar para as casas das pessoas!!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Meu nome pronunciado

Meu primeiro nome é simples. Podem chamar-me por ele, ou pelas muitas variações diminutas que permite. Conforme a pessoa, conforme a forma como sou chamada. Na realidade, o meu nome de três sílabas permite que me chamem ou pela primeira ou pelas últimas sílabas, além daquelas «combinações» hipocorísticas* inventadas. E gosto do meu nome por isso. Por permitir variações, significando sempre o mesmo: eu.

Mas ultimamente só oiço meu nome completo a ser pronunciado e é como se chamassem qualquer um. Tenho saudades de ser chamada pelo diminutivo de uma dessas variações... Tenho saudades porque aqueles que me chamavam assim não acusavam pecado, não trazia julgamento à minha pessoa, ou censura. Era o meu nome, no mais puro estado. Nome de quem gostava de mim e me via pelo que era, não por ideias pré-concebidas, algumas vindas do aspecto exterior, outras vindas das circunstâncias.

Vou atravessar esta vida desejando encontrar, um dia, quem me chame, com legitimidade para tal, pelo diminutivo desse diminutivo. É a minha identidade pura. 


* palavra criada ou modificada com intenção de carinho e para uso de trato familiar e amoroso.