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segunda-feira, 16 de junho de 2025

Queer Pride

 

Caminhava apressadamente ontem pela rua, saída do emprego até casa. Perto de um edifício que costumava ser de escritórios mas foi transformado em apartamentos, no qual já passei algumas vezes sem ver ninguém por perto, estava uma pessoa magrinha, sentada a fumar e agarrada ao telemóvel. O cabelo louro e comprido a esvoaçar com o vento. Mas as pernas, cruzadas e nuas sob o sol, mostravam veias grossas e músculos salientes, além de pêlos compridos louros que cintilavam com o sol. A cabelo tapava o rosto da pessoa mas tive curiosidade em colocar os olhos para olhar. Porque para mim, tratava-se de um homem de cabelo comprido, embora parecesse uma mulher de relance - que foi como avistei o vulto.  Vi um bigode farfalhudo louro numa semi barba e todo aquele cabelo louro, comprido e solto. 

Comprovado que as pernas estranhas para uma mulher eram de facto de um homem, desviei o olhar e este foi parar no olhar de outra pessoa. Um outro fumador, sentado mais dentro do pátio, que estava a mirar-me com intensidade. Assim, um olhar desafiador, que eu interpretei como: 
"Sim, somos queer. E daí? Tens algum problema com isso??".

O "orgulho gay" está por toda a parte. As cores do arco-íris, apropriadas sem permissão ou timidez da inocência das crianças e da infância para se tornar um símbolo para um grupo sexualmente ativo com preferências diferentes. 

Nas lojas, nas prateleiras dos supermercados, em cartazes nas ruas, em bancadas montadas nos centros comerciais, na cafetaria do meu emprego. Ontem quase tirei uma foto porque subitamente, pareceu-me desnecessário e até redutor todos aqueles enfeites. Mas depois deixei para lá. 

Já fui a duas paradas gay aqui no Reino Unido. Por casualidade, pela alegria e animação. Na primeira, anunciada com popa e circunstância por mais de uma hora por uma banda de música a desfilar pelas ruas da cidade tocando um ritmo de tambor semelhante ao samba até chegar ao parque onde se realizava o evento. Entrada a pagar embora eu, como moradora local, tivesse recebido um convite pelo correio. Acabei por o oferecer a um pai que estava com duas crianças e aguardava a chegada da mãe para entrar no evento. Que consiste em uma espécie de feira popular com barraquinhas de comes e bebes e animações mecânicas e um espetáculo musical ao vivo, tudo vedado.

O estranho nestas coisas é o excesso de arco-íris numa só pessoa e os excessos de indumentária. Parece que quando mais chocante, melhor. Não sei se isto é defender uma causa, uma preferência, mas não faz muito sentido. O queer é tão aceite hoje, está tudo tão sensibilizado para as suas "lutas" que se esquecem que todos nós, como seres humanos que somos, estamos sempre a travar as nossas lutas. Os que não pertencem a grupos específicos, que infelizmente a sociedade apelidou de minoria não o sendo - também travam lutas de descriminação, intolerância, desrespeito. 

Não percebo é que estas lutas, importantes que são, precisem de ter festas, de serem exuberantes, chocantes até e ai de uma voz que o questione. Passa a não ser um evento pela liberdade, mas um evento de repressão. 

Nada me choca e nada me incomoda. A não ser a malícia que encontro nas pessoas. Essa sempre me choca muito. Ainda que lide com ela tanta vez. São lutas diárias que todos nós travamos. Não tanto por uma banalidade como gostar de um ou de outro... Mas lutas que duram uma vida inteira... lutas por justiça, pelo que está correto, para o prevalecer do bem. Lutar não para tirar benefícios sociais e profissionais à custa de algum guilty feeling/guilt bashing - mas lutar pelo sentido de que é justo. Sem filiações partidárias, sociais, grupais. Lutar contra um dos males que mais prejudica a vivência humana: a difamação. A maldade e malícia. O gashlighting. A saúde mental e o bem estar das pessoas - cada vez mais alvo desta sociedade mais desenvolvida, mais digital. 

Andamos a ignorar estes males - que atingem todos nós desde que o mundo é mundo. 
Andamos a ignorar que estão a crescer e que pouco fazemos - até mesmo em termos de leis - para nos proteger-mos com dignidade e justiça. 

Estamos cada vez mais à mercê de intriguistas, de mentirosos, de manipuladores. Seja em círculos pequenos quer seja em massa - na comunicação em massa. 

Fake news, notícias falsas cada vez a proliferar mais - o controle total do que cada indivíduo faz no seu universo digital - desde o uso do telemóvel a um email, o reconhecimento facial que agora não é exclusivo de aeroportos, mas de qualquer loja ou supermercado que se frequente, a Inteligência Artificial, o espalhar de boatos em redes sociais que proliferam como um incêndio, a manipulação de imagens.. TANTA coisa. Pela qual temos de lutar para que possamos ter uma convivência o mais igualitária e justa possível. 

Enquanto isso, pessoas caem vítimas destes abusos e violências contra seu carácter. Acho isso a maior calamidade que se pode infligir a alguém. Despir a pessoa do que é e fazer com que todos acreditem que é outra coisa que nunca foi ou poderá ser. 

E contra isso, quem anda a lutar?? 

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O equilíbrio é uma coisa rara



Quando estamos em minoria não há volta a dar: temos de nos vergar e seguir a carneirada. 
Certo ou errado, ser um D. Quixote tem sérias implicações. Aliás, não era ele louco?


Esta intro para dizer que decidi falar abertamente com os colegas de casa. Não o cabecilha, como estava inicialmente a imaginar. O acaso quis que fosse a mais-nova. 

Ele  arrastou-se uns bons instantes pela sala para escutar a conversa que estávamos a ter, que no momento tinha o foco no "não ser preciso" avisar quando se traz pessoas para dentro de casa. Foi embora assim que mencionei que também ia falar com ele. Se é essa a "lei" da selva, como posso eu incutir na cabecinha deles que acho que essa cortesia é bem vinda e cai bem?

Não, não é preciso... Tragam quem trazerem, durmam cá inclusive. "No explanation needed". 

Dança conforme a música, Portuguesinha...

Irei falar também com os restantes.


Quanto aos assuntos discutidos, existirão sempre acusações de parte a parte e mentiras serão pronunciadas. Escutei algumas. Não tenho provas, o testemunho de terceiros está comprometido e é a palavra do indivíduo contra a palavra da maioria. Engole-se para um bem maior. No fundo existem sempre dois lados e até duas verdades. Por saber disso, é que quis escutá-las.

E assim podem-se clarificar as coisas. Porém uma constante emerge: quem sempre mostra a iniciativa de quebrar o mau ambiente sou eu. Pode passar muito tempo, mas busco sempre uma conversa clarificadora. Esteja eu inserida no grupo de opinião maioritária ou no da minoria. Seja um problema que sinta existir entre mim e apenas outra pessoa, ou mais que uma. Tenho de dar valor a esta qualidade quixoteana rara nos dias de hoje.

Raro também nos dias de hoje, é a pessoa mostrar a dignidade de se disponibilizar para te escutar e ainda mais raro ainda, mostrar que tem vontade de clarificar o ar de quaisquer impurezas.

É fácil ser a maioria.
Outros fazem ressonância com a tua batuta.  


Espero que as coisas melhorem para o meu lado. É verdade: fui preterida. Mas a versão que me foi apresentada indicou que me isolo. É um pouco verdade, até porque também é um pouco consequência. Essa parte de se recusarem a admiti-lo vai-me custar. Tanta vez lhes ofereci para partilharem uma refeição comigo e recusaram todas. Nenhuma vez me chamaram para dividir uma com eles. Isso contribuí e não é pouco para uma pessoa sentir-se preterida. Mas águas passadas não movem moinhos. É um comprimido que terei de engolir. Talvez me compre o direito de aqui viver sem estar obcecada pelos pequenos nadas que já se estavam a transformar em rochedos. 

Estava a ser cada vez mais injusto para mim.
Mereço melhor. 


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Cotas da descriminação


Após uma conversa alongada com a nova colega sobre oportunidades e cotas, subi ao quarto exausta e com a sensação de desolação. "Se calhar sou eu que estou errada" - pensei. "Devo ter andado a minha vida inteira errada...".


Acredito que as pessoas, independente da sua condição inicial, devem ter oportunidades para atingir um objectivo. Mas não acho que devam ser seleccionadas por cotas - ou seja: raça, etnia, orientação sexual, género ou estatuto. Devem todas chegar lá, terem as mesmas oportunidades para se instruírem, mas, aquando a escolha, que esta recaia sobre os resultados, não sobre a cor da pele, orientação sexual, etc. 

Esta nova colega, de descendência Africana, não pensa assim. Ela defende a selecção por percentagem. A italiana-mais-velha, que escutava a conversa, também criticou acaloradamente o meu ponto de vista, dizendo que eu era ingénua. Admito, tenho um idealismo que muitas vezes me faz soar ingénua. De modo que saí da conversa a pensar se o que sinto está errado. Estes conceitos que nos são incutidos de igualdade... Até mesmo de justiça. Terei-os eu imaturos?

Sei que o mundo não é perfeito. O que agora se chama de cota bem se pode comparar ao que se chama de cunha. 

Mas o que é que a sociedade deve transformar em lei? Se formos a aceitar que as empresas contratem profissionais por cotas, estamos a efectuar uma impactante mudança social. Acho que é incorrecto  em relação a uma selecção por mérito. Parece-me uma medida discriminatória, que nada faz para combater injustiças, visto que actua com base na descriminação. Acaba que é insultuosa até para os indivíduos com mérito que possam dela ser beneficiados. 

Saí da conversa a por em causa os meus conceitos de igualdade e justiça. Estarei desajustada com a realidade? Deve a pressão moldar conceitos universais?


Para tirar a mente destas demagogias, fui ver um episódio de Casos Forenses, um programa antigo sobre crimes de homicídio no qual a ciência Forense desempenha um papel decisivo na identificação do criminoso. No episódio em causa, surge a especialista forense Joyce Gilchrish. Uma mulher negra, com ar de quem sabe do que está a falar. "Ora aqui está uma mulher negra que chegou longe" - pensei. Acreditando que isso se deveu porque teve oportunidades e revelou mérito, o que a permitiu destacar-se na especialidade da química.

Depois vou ler a secção de comentários e deparo-me com uma enorme surpresa: a especialista foi acusada de falsificar provas forenses. Em 21 anos de carreira, Joyce testemunhou em mais de 3000(!) casos e ficou conhecida pelo apelido de "Magia Negra" por ser capaz de ter certezas onde outros colegas seus não conseguiam. Graças às suas conclusões forenses, muitas pessoas foram condenadas, entre as quais 23 homens sentenciados com a pena de morte, doze das quais foram executados. 

Fiquei aterrorizada. Isto para mim foi providencial, pois solidificou a importância do mérito e tornou visível o perigo das cotas. Porquê esta mulher subiu meteoricamente? Por ser negra? Porque foi promovida precocemente? Pela cor da pele? Se outros colegas colocavam em dúvida a sua competência como cheguei a ler, porque trabalhou ela 21 anos? 

Talvez por ser negra, mulher, símbolo das minorias, quem falasse mal ou pusesse em causa podia ser considerado de "mau tom"... racismo. 

Provavelmente, desde o início, a sua origem foi o que lhe abriu as portas. Certamente não foi a competência. Neste programa parecia tê-la, mas aparentar e ser são coisas distintas. Também me parece que era desprovida de uma sã consciência.  Como pode ela forjar provas?? E viver anos e anos despreocupada com a consequência dos seus desmandos? Esta mulher acabou por ser uma assassina! 


Alguns homens por ela ajudados a condenar, tiveram as provas forenses revistas por outros tantos cientistas e comprovou-se que eram inocentes! A irresponsabilidade, falta de ética, falta de tudo desta «especialista» forense causou danos irreversíveis: a perda de anos de vida livre, décadas de clausura, aquele aperto constante no coração dos familiares, a amargura de se saber inocente e condenado, o ser-se associado a um crime hediondo que não se cometeu...

E tudo isto, se calhar, por ela ser negra.
Por ficar "mal" ir contra uma profissional em ascensão que é de uma etnia/minoria.



Volto a esta imagem. O meu ponto de vista é este: deve-se dar a mesma oportunidade a todos. Todos ficam com os rostos acima do muro. Todos vêm o jogo de futebol. Mas se os três o quiserem comentar e só um possa ser selecionado, então que seja o mais eficiente.


Eu nao vou querer um cirurgião a operar-me se este não tiver competência para tal. Quero acreditar que qualquer um que me aparece à frente é competente. É bom! E se for indiano (como muitos por aqui no UK), ou de outra etnia qualquer, quero continuar a admirar a sua competência e a imaginar a sua luta. Não é reconfortante imaginar que é a condição etnica/social que o transformou em médico. 

Esta pode ser uma alavanca, mas não deve ser um caminho.

Entendem

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Sensibilidade e empatia


Hoje no trabalho tive de lidar com um cliente que me emocionou. Era uma senhora africana que transportava uma criança fisicamente limitada, que terá nascido com problemas cerebrais que lhe afectavam seriamente. Aliás, a sua presença no Reino Unido devia-se somente aos tratamentos médicos que a filha precisava receber. 

Uma menina que não dava para perceber se o era ou não. Imobilizada que estava na sua cadeira de bebé, ainda que já não fosse um. Com distrofia muscular e total incapacidade de comunicar oralmente. 

A senhora chegou e eu era a portadora de más notícias: a viagem que ela tinha programado não era possível de realizar-se, devido ao que muitas vezes acontece: as companhias enganam as pessoas. 

Mas eu sou apenas uma empregada que começou à pouco tempo na função e tenho de seguir instruções. Procurei ajudar a senhora e fui pedir informações sobre o seu caso. Um colega apenas me respondeu: "não causes problemas para ti. Diz-lhe para se dirigir para lá e ela que espere". O que para mim não fazia sentido algum. Alguma vez mandar uma pessoa esperar a chegada do que não vai chegar é fazer o teu trabalho?? A situação muito me incomodou. Junto com pessoas mais responsáveis foi-me dito que não podiam fazer nada e que ela tinha, basicamente, de "desvencilhar-se" sozinha.

Essa falta de humanidade para com alguém que, ainda por cima, já teve as "cartas da vida" tiradas com pouca sorte, desiludiu-me. Fiquei tão incomodada que nem podia mais lidar com a situação. Intencionalmente, afastei-me do local para não ter de me revoltar com a aparente falta de empatia e comecei a desejar que o final do turno chegasse o quanto antes.

Mas será que é normal no Reino Unido as pessoas não quererem envolver-se?


Conduzi a pessoa até uma outra e daí adiante afastei-me. Temia o lamento, o choro, a conversa interminável sobre infortúnios... e eu de mãos atadas. Mas devo dizer que a senhora, junto com o filho jovem e saudável que a acompanhava, tiveram uma postura em tudo diferente. Não se exaltaram, não se surpreenderam, não se exasperaram, não gritaram ou fizeram ameaças. Talvez já soubessem sobre a viagem e fingiram que não? Mas quem faria tal coisa? Enfim... Eu admirei-os porque, talvez fruto das suas lutas pessoais, coisas como estas deixam de ser tão importantes. 

E devo dizer que, diante do infortúnio deles, até a minha própria fome e a ideia de ter o frigorífico vazio sem ter ideia do que lá por, me pareceu pequena. Eu ia seguir a minha vida, passar pelo supermercado, comprar algo para comer e dormir numa cama. E assim, de forma simples, resolvia as minhas necessidades mais imediatas. Eles não.

O meu turno já tinha terminado quando me cruzo com a senhora na área restrita aos funcionários. Vinha acompanhada de alguém que nunca vi antes e de imediato perguntei como estava a situação. A funcionária - claramente de uma hierarquia acima, é que respondeu. Tinham conseguido comprar uma outra viagem para o dia seguinte, mas a pessoa (com a sua filha com necessidades especiais) tinha de ficar a dormir na gare durante a noite. Tinham reunido umas tantas garrafas com água e iam indicar-lhe os locais mais reservados e quietos onde podia alojar-se enquanto aguardava novo transporte.


No regresso já no autocarro, fiquei a pensar na situação. Aquela falta de empatia inicial, a clara falta de vontade em envolverem-se nos problemas dos outros, afinal não era bem assim. Sempre foi feito algo, não deixaram a senhora, o seu filho adolescente e a sua filha deficiente à mercê da sua própria sorte. Alguma ajuda - ainda que pouca, foi facultada. 

Será que eu devia voltar atrás? E dar à senhora algo para comer? Dinheiro? Se pudesse até lhe dava um teto para dormir. E reflecti que já era a segunda vez, em quarenta e oito horas, que esse pensamento me vinha à cabeça. 

Aqui no UK sente-se que não nos podemos envolver muito. Ainda pensei em levar-lhe comida para ter mais do que águas para se aguentar durante a noite. Pensei mesmo regressar ao emprego, após 12 horas de trabalho, só para poder ajudar. Mas quis acreditar que outros ajudariam. Com comida sólida, com o que precisasse. 

Como funcionária no local, ao me envolver pessoalmente, ainda que fora do uniforme, podia comprometer o meu emprego. Aqui não se podem correr riscos. E é considerado um risco tentar ajudar as pessoas dando-lhes, por exemplo, uma peça de fruta. Ou um pouco de sopa. Pensei nas sopas que temos na sala do pessoal, que saem de uma máquina de distribuição automática. Pensei em as oferecer à senhora. Mas depressa lembrei-me: "não porque saem quentes e se ela se queimar ou algo acontecer com a criança, pode processar o estabelecimento e eu posso ser demitida por não ter de interferir onde não sou chamada". Porque aqui no UK pensam muito assim. A vida deles, em muitos sentidos, está condicionada aos receios dos processos nos tribunais. Processo pela falta de um sinal a avisar que o piso está escorredio, ter a comida quente demais, o café a escaldar, cabelos no prato, uma maça que faz mal ao estômago e alegadamente poderá ter sido propositadamente alterada para causar mal estar, etc, etc. Por isso é que tudo é tão "deslavado" - até a empatia. 

Lembrei-me também que, às tantas, a senhora reconheceu entre os trauseuntes, o seu pastor. Que é o lider espiritual. E no regresso no autocarro fiquei a pensar para que servem estes, se ela não poderia ter recorrido ao mesmo para solicitar ajuda. 

No final do dia, realizei uma pequena oração por eles e agradeci a Deus pelas bençãos na vida que me deu.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Say it to my face - Diz-mo na cara!


Lembram-se de um post que fiz sobre o suicídio? A ideia que nele quis passar é que ninguém está inocente de responsabilidade. É ao mesmo tempo um acto de coragem e de cobardia, cuja derradeira responsabilidade cabe ao autor, mas cuja causa também pode e deve ser dividida por todos os que cruzaram vidas com ele.


Volto a este tema depois de ver uma série de casos impressionantes de injustiça, todos com situações trágicas e mesmo fatais. 
Preocupa-me muito para onde a sociedade está a evoluir. O que vejo preocupa-me. Ao invés de estarmos a caminhar para entendimentos e ausência de equívocos, parece que os alimentamos. 


O BOATO

Este é o tema que hoje quero abordar.
Fui apresentada às consequências dele muito cedo. Ainda era criança quando espalharam mentiras terríveis a meu respeito. Como eu soube? Não soube, Durante muito tempo só senti. As pessoas mudaram a atitude delas comigo. Eu chegava perto para conversar, para brincar, e elas afastavam-se. Outras vezes olhavam-me e começavam aos segredinhos. A minha vida nunca mais foi a mesma. Acabei por me retrair um pouco. Vim a saber do que se tratava um ano e pouco mais tarde, quando um grupo de crianças fez-me uma "espera" para me encher de insultos e ameaças. Nunca fui covarde, ainda hoje não sei bem o que isso é. Pelo que fiquei ali a tentar esclarecer a situação porque nem estava a entender de onde vinha tudo aquilo. Já havia notado animosidade, má vontade, implicação. Mas não existindo razões para isso, relevei e achei que era mau feitio. Nessa espera onde estava tão em desvantagem numérica, triunfei. Quem não tem o que temer não treme de medo. Ouvi muitos absurdos, escutei ofensas e palavrões que até desconhecia. Até que uma revelou que estavam ali para acertar contas comigo por eu as ter denunciado de terem feito batota num teste. E queriam vingar-se. "Quem disse tal coisa?" - perguntei. "Não vamos dizer porque ele (já sabia o género) pediu para não dizermos porque tem medo que lhe batas". "Eu?! Isso é mentira!" "Não é não, que ele nos disse que já lhe bateste!" "Então se é verdade, ele que o diga na minha cara, quero ver se tem coragem!". Não teve. Meteu a cauda ainda mais entre as pernas e fugiu. 

Depois a turma de «linchamento» dispersou e foi então que comecei a escutar o motivo... Parece que eu tinha o que hoje se chama de stalker. Um rapaz obcecado que, não conseguindo os seus intentos de obter a minha atenção total e absoluta, decorreu à difamação do carácter e alienação de oportunidades de relacionamentos de amizade. 
Foi um caso destes que vi agora, entre adultos, mas adaptado aos tempos modernos. Dou «graças a deus» por ao menos a minha experiência ocorrer tão cedo que ainda não existiam estas modernidades da internet para facilitar a vida a estas pessoas que, pelos vistos, já nascem doentes ou começam a manifestar a doença em jovem idade. 

No caso que vi, a vítima era um homem adulto, trabalhador, com dois filhos, separado e noivo de uma jovem. Estava a ser difamado num site na internet. O que ele sentiu foi as pessoas a ficarem estranhas com ele, começou a perder clientes até que foi demitido. Demitido depois de uma catástrofe pessoal: a noiva foi assassinada. Os boatos insinuavam que ele podia ter alguma coisa a ver com a morte dela. (que maldade!!). Contaram que era drogado, que já havia estado em várias clínicas de reabilitação, que era um tarado sexual. Isto não se faz! Ainda que alguma coisa menos grave fosse verdade, não é necessariamente motivo para descriminação. Mas as pessoas engolirem estas tretas sobre um indivíduo local que conhecem há anos e do qual não têm razão de queixa é que me desilude tremendamente. Vá que existem casos assim, de indivíduos aparentemente bons que se descobrem perigosos. Mas geralmente esses são exageradamente amados por muitos e silenciosamente mal vistos por poucos. O que condeno é que não tenha existido uma alminha que se dignificasse a revelar ao senhor o que se estava a passar. Ele só veio a descobrir por ter sido destratado pela família da noiva durante o funeral.

Acabou por ter de se mudar para outra cidade, com os filhos. Ficou provado que o assassinato foi cometido pelo ex-marido, provavelmente irritado por a ex estar a construir a vida ao lado de outra pessoa. Portanto, este homem estava a viver uma tragédia pessoal tremenda e a ser bombardeado por todos os lados. E não sabia porquê! Ninguém lhe contou nada. A ele, que nunca fez mal a ninguém. Quem lhe desejava tanto mal? Mas a internet deixa pegadas...E num momento em que estava deprimido a contemplar o suicídio, acabou por encontrar um homem das leis disposto a lutar por justiça. Sozinho, este justiceiro solitário que fala na cara das pessoas lá descobriu os sites, investigou, conseguiu um IP e localizou o difamador: uma mulher cujo nome nem dizia nada à vítima! A psicopata (porque era) não se demoveu. Ela tinha razão. Tudo mentira, mas ela é que estava certa. Inventou que ele roçou nela e era um pervertido. Mas cá para mim ela estava obcecada por um homem que nunca lhe olhou duas vezes. E o resto é doença mental e muita, muita malícia e cobardia.


Infelizmente ao longo da vida senti mais vezes este tipo de atitudes de exclusão e mudança de comportamento que este homem à beira do suicídio também sentiu. A última vez foi à coisa de dois anos. Senti pessoas a olhar de lado, a poupar nas palavras, a mudar a atitude, até mesmo quem não me conhecia de todo a fugir e a mandar indirectas. Isto aconteceu depois de me ver alvo de uma animosidade sem fundamento num grupo no facebook. O que fiz? Na primeira oportunidade perguntei o que se passava. "Ah, nada, nada. Foi um engano, já percebi". Pois. Mas engano ou não, eu não percebi nada, o mal estava feito e perpetuado. Até hoje não sei a razão de alguns desses comportamentos que pontualmente ocorreram. E tem alturas em que a imaginação corre solta. Tem dias em que a lembrança atormenta, corrói. A intuição diz muita coisa mas não prova nada. Fica o tormento, a tortura de não saber. 

As pessoas que espalham vis mentiras são criminosas e reles como indivíduos, mas aquelas que vão atrás e escolhem acreditar não são melhores. Defendo que devia existir uma lei que responsabilizasse estas pessoas que agem discriminadamente com base em boatos. Mas têm o quê? Doze anos??

Era essa a idade que tinha no caso que relatei e ainda assim existiram pessoas, poucas mas boas, que vieram ter comigo para me transmitir apoio e contar da obsessão daquele indivíduo. "Parecia doente", "Não se calava", "Só sabia dizer que se ia vingar de ti". Mas hoje? Hoje ninguém diz nada na cara da outra pessoa. A não ser para insultar, claro. De preferência em matilha, tal como na «espera»... Ninguém a avisa, a alerta para uma situação injusta. Calam-se. Em conivência silenciosa. Já não se procura o esclarecimento e, principalmente, ninguém se rectifica. No meu caso, um ano depois, uma delas teve coragem e, inesperadamente, pediu-me desculpa, disse-me que há muito que vinha a desejar fazê-lo, que se arrependeu e percebeu que não devia ter feito o que fez. Não acreditava em nada. Até hoje interpreto isso como uma atitude digna e necessária.

Se amanhã cometer suicídio, quem garante a estas pessoas que uma parcela do que me levou a fazê-lo não reside nestas suas atitudes? É aqui que quero chegar


Impune ninguém está. Por isso peço a quem me lê que não compactue com intentos maliciosos como os boatos... Não descrimine ninguém. Não vire a cara. Por mais que simpatize com a pessoa que lhe conta os «podres», desconfie sempre, dê o benefício da dúvida. Confronte o acusado, ele merece estar a par do que lhe está a ser feito. Todas as pessoas merecem ser escutadas antes de descriminadas por atos de fundamento distorcido, descontextualizado ou que estão longe de ter cometido ou de vir a cometer. Telefone ou entre em contacto com alguém a quem deixou passar essa oportunidade. É para isso que estamos nesta vida!

E já agora. atenção ao espalhar de boatos cibernéticos via partilha de informação e likes. Quase tudo é falso e tem um propósito malicioso.


Character Assassination = Crime

quarta-feira, 11 de março de 2015

A precisar do travesseiro... coração ferido

Eu sempre fui «à frente» do meu tempo mas agora desconfio que ando também dias à frente...
(isto de andar à frente de quase tudo ou te faz parecer um génio, ou és visto como imbecil. Faz muito que passei a  imbecil)

Adiante... Dizia eu que devo também andar uns dias à frente porque podia jurar que hoje, terça-feira dia 10, foi na realidade a sexta-feira 13 que se avizinha!!

Foram os pequenos dissabores. Pequenos, mas que contribuíram para chegar agora a casa a precisar do meu travesseiro, a ver se o dia fica para trás e vem o próximo!

O de ontem também não foi fácil. Na realidade, foi violento. Será que a energia de ontem também decidiu cair hoje?


Bom, nada de muito ruim aconteceu, claro. Mas são pequenas coisas... Como por exemplo, ter comprado um gelado de copo que inexplicavelmente entornou para cima do ombro. E quando fui deitar fora um papel, caiu-me no fundo do saco do lixo a colher que usava para comer o gelado. Decidi que, com estes pequenos azares, só podia jogar no euromilhoes, porque decerto aí a tendência ia ser oposta. Não dizem que «azar no amor, sorte no dinheiro»? Pois, mas só dizem balelas!


Fiz o euromilhões e não me saiu nada. Nem um tostão. 
Mas tudo isto seria irrelevante porque o que realmente me derrubou não foram estas pequenas inconveniências, nem o facto de me sentir cansada, fisicamente fraca e algo esgotada. 

O que me chateou foram duas outras coisas. Foi receber a avaliação do estágio que fiz. Já sabia a nota que ia ter. Mas não sabia a nota de outras pessoas que fizeram o estágio comigo, embora suspeitasse que ia existir injustiça. 

Ó Sócrates, desculpa pá, já concordei contigo mas agora tenho de discordar.
Eu estou aqui a sentir-me miserável! A sofrer.
E como não é o meu primeiro «rodeo», suspeito que vai ficar para sempre uma «marca».
E cá para mim, o que cometeu a injustiça e o que foi beneficiado às custas da minha desgraça está feliz!
Não sofre de consciência porra nenhuma!


E no meu entender existiu. Senti-me injustiçada e pior, senti-me burra. Burra por ter permitido e por ter deixado que as minhas emoções e a simpatia que nutria por algumas pessoas me impedissem de mostrar a minha insatisfação com uma parte do estágio em particular. 


E fiquei triste porque não me senti valorizada. As notas foram dadas com base na "política" da igualdade. Só que nenhum ali é igual ao outro. De modo que aquele que não fez nada, não se esforçou porque nunca gostou daquilo e não mostrou nenhum interesse ou motivação, teve A MESMA NOTA que eu. 

Isto é justo? Claro que não! Então todo o esforço que tive, o interesse que demonstrei, as iniciativas que tomei sem ninguém me mandar fazer nada - coisa que NENHUM dos outros estagiários tiveram uma só vez, tudo isso valeu O MESMO que o tipo que ficou sentado ao computador a não fazer nada o dia todo.


JUSTO??


NÃO!


Fiquei revoltada. Um tiquinho. Já o esperava mas ter o comprovativo foi um soco no estômago. Não tive a nota mais alta, ouve quem tivesse mais. E porquê, se não fizeram mais? Porque PARECEU que fizeram.... e lhes PERMITIRAM que parecesse. 


Eu sou o injustiçado e me sinto infelicíssima!
Sinto-me sabotada. Eu fiz tudo - até trabalhei a partir de casa. Não me desligava nunca do que tinha para fazer. Fui sempre bem preparada e mostrei muita iniciativa e interesse. Isto valeu TANTO QUANTO a tipa que mostrou ZERO disto e limitou-se a passar os dias sentada.

Dá vontade de chorar... Não aprendo. Com esta vida que é injusta. 

As outras que tiveram melhor nota limitaram-se a seguir muito atentamente aquilo que eu fazia e a controlar a QUANTIDADE de coisas que eu fazia. Não querendo ficar abaixo e sempre a me interrogar. Quando comecei a ser «sabotada» e elas conseguiram ter quantidade de trabalho maior, mudaram radicalmente. Principalmente de opinião sobre a orientadora de estágio. Até aí uma «estúpida», que não estava ali a «fazer nada» e muitas coisas bem piores. Essa pessoa, no meu entender, sabotou a minha prestação por ignorar sucessivamente os muitos trabalhos e sugestões que lhe dava. Mas não ignorou os das outras - que ainda por cima trabalhavam em dupla. Nem era sozinhas, era sempre a dois. Cada trabalho, foi feito a dois.

Um dia sentaram-se, interrogaram-me o que eu estava a fazer e começaram a fazer igual. E como mais ninguém lhes disse para fazer outra coisa e não souberam procurar nem quiseram, passaram três semanas a fazer sempre o mesmo.... Que eu lhes «ensinei», porque o exemplo partiu de mim. 

Fizeram, em conjunto 50 «limpezas com o pano do pó». Eu fui uma estagiária que usou o pano para limpar o pó 20 vezes, tirou também o pó com 10 aspiradelas, fez ainda 5 varredelas e 5 autênticos puxar de lustro. Contou a aparente quantidade de fazer sempre o mesmo. Foi só.

E a outra ficou sentada... com a mesma nota que eu!!

RAIOS PARTA A INJUSTIÇA!!


Logo a seguir a ter esta triste notícia, uma outra estagiária a quem estou sempre a estender a mão teve uma atitude que não gostei. No meio de um explicação prática, colocou-se entre mim e o objecto e professor. Não pude perceber nada da explicação porque para onde me virasse, ela me bloqueava. Entretanto tomei a iniciativa de ir fazer outro trabalho e lá fui. Depois fui ainda fazer outro, que é habitual a certa hora. Quando regressei à explicação - que também tinha sido interrompida, a tipa voltou a dar-me as costas. Eu não estava ali para ver o casaco creme dela!

Porra que me irritou! Profundamente. Eu a julgar que a miúda era quase anja, inocente... e sai com uma atitude destas. Vai que pouco depois, quando termina o dia, não espera por mim. Sai sem me dizer nada. O que não é habitual. Mas se agiu assim, é porque tem noção do que fez. 



É a boa FÉ que tenho nas pessoas...
É isso que continua a ser uma estaca no coração.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Jorge Jesus é crucificado

Ontem vi um filme excelente na televisão. Chama-se Crimes Pensados*. Pensei cá para comigo que dificilmente se vê um filme assim. Um filme de origem americana que mostra decisões políticas, decisões sociais e comportamentos individuais e de massas e neles expõe a reflexão e a clareza como poucos o conseguem fazer. É um filme que não mostra as coisas pelo habitual filtro patriótico que eleva toda e qualquer decisão americana ao heroísmo. Não justifica ou desculpa nada. Fala de liberdade colectiva e individual, de direitos e de ameaças. E aborda o pânico colectivo, o histerismo e as posições extremistas ou radicais.

E é por esse lado que vou abordar a notícia que hoje vi na TV sobre a suposta agressão de Jorge Jesus (treinador do Benfica) à polícia. Na realidade o que me chamou a atenção no noticiário da TVI foi o pivot ter dito:
-"Na opinião de X, Jorge Sampaio devia ter sido logo preso".

Say What??
Onde andei eu e o que aconteceu durante a madrugada para estarem a noticiar que um ex-presidente da República merecia ter sido logo preso?

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Naturalmente foi uma gaffe do pivot. Mas foi preciso passar a notícia para se perceber que se tratava de Jorge Jesus e não o outro Jorge. Entra a VT e vejo imagens num campo de futebol de um monte de gente a segurar alguém pelo braço e um outro a fazer aquele gesto reflexivo de afastar quem está a prender e torcer o braço de outro. Depois vejo esse alguém a ser puxado por três silhuetas com dizeres "Polícia" nas costas. E de seguida entra um debate onde um comentador desportista defende "a fogueira", por assim dizer, como castigo para o herege. Vem outro e diz que não aconteceu nada demais e nenhum radicalismo deve ser aplicado.

E então o filme que vi de véspera voltou à lembrança. Que belo filme!

É que nele fica claro que existem pessoas que optam por usar certas situações de equívoco como pretexto para destilarem o seu ódio e incitarem a prática colectiva do histerismo. Pessoas que não são capazes de agir com isenção e imparcialidade. Que preferem puxar um dos lados da venda da Senhora Justiça para incitar à violência, ao ódio, ao fanatismo. 

Para uma sociedade como a nossa, que faz pouco tempo que saiu de um regime político opressor, tal uso da liberdade me deprime. Ainda bem que hoje temos esta liberdade, de poder criticar tudo e todos. De poder ir contra as decisões daqueles que nos governam e poder dizê-lo como de direito. Ou poder fazer o contrário. Temos direito ao pensamento livre. Mas a leviandade com que alguns tratam esta liberdade que não foi por mim conquistada já que nela já nasci, mas que outros tiveram de conquistar por mim, é algo que me entristece. 

No entanto sinto que todos os dias "lutamos" para ter e manter essa liberdade. Porque tem de se falar e expor as injustiças. Porque todos os dias, em diversas situações quotidianas tantas vezes nos confrontamos com situações que trazem à tona as noções mais básicas de direito, justiça e liberdade. 

No filme, tal como nesta situação futebolística, uma acção artística que causou polémica foi tratada como um acto de terrorismo e um dos ambiciosos policiais queria fazer daquele caso um exemplo para não se brincar com coisas sérias. Ao mesmo tempo, se isso lhe fosse útil para ser promovido, seria óptimo. A punição para o artista devia ser severa, com um máximo até 20 anos de cadeia para assim dissuadir outros artistas de proceder com igual ousadia. Um outro policial e seu superior defendia que o histerismo não é bom concelheiro e que não existiu intenção de causar dano. Abordou a carta da primeira ementa, o outro praticamente defecou nela. Enfim, vejam o filme que vão entender melhor.

A questão aqui, comparativamente à notícia sobre a agressão de Jorge Jesus, (que meus olhos não viram) é que percebe-se que alguns estão a se aproveitar de uma situação perfeitamente inocente e que surge de um equívoco para despoletar conflitos e polémicas. Que mau uso para a liberdade! Mas enfim, têm direito a ela e isso é que é o melhor de tudo. Mas deviam polvilhá-la com bom senso. O que tantas vezes falta. Ao invés de, neste caso, tentar incendiar ainda mais as coisas, como um tal de Nero fez a Roma e dizer que foram os cristãos... Tirando proveito do fanatismo do futebol e do clubismo. E seguem a exigir acções extremas de punição e multa sobre algo que não tem qualquer gravidade. 

De um grão de areia querem fazer uma montanha, entendem? Tudo porque desgostam de uma pessoa. Mas DESGOSTAR de alguém não nos deve privar do nosso sentido de justiça

O filme abordava isto muito bem, através de um suposto pedófilo. JULGAR antes mesmo de dar oportunidade de um julgamento honesto. Passar logo uma sentença sem antes conhecer bem os factos. É a precipitação para a acção, o sensacionalismo e o radicalismo. Atitudes tão contrárias a uma sociedade justa e tão mais adequadas a regimes opressores como o comunista na China, o ditador da Coreia do Norte, os dois pesos duas medidas das sociedades praticantes de diferentes direitos sociais entre seres humanos baseados apenas no estatuto ou no sexo, etc.

Não é por esse caminho que queremos rumar, pois não?


Veio-me à lembrança o tal cartaz autárquico que trazia na imagem uma jovem toda produzida, com roupa, maquilhagem e cabelo pouco comuns de se verem em cartazes políticos mas habituais para festas. E pergunto-me até agora porquê algumas pessoas subtraíram esse cartaz de blogues e páginas criadas sobre cartazes? (além da ameaça de processo judicial da visada). É que uma coisa é a difamação - coisa que o cartaz não pratica, outra é a liberdade de informação. Como pode uma página de "tesourinhos autárquicos" cujo âmago de criação é abordar todo e qualquer cartaz político excluir um como se nunca tivesse existido? 

A LIBERDADE e o DIREITO do cartaz existir deve ser mantida. Não ocultado como se nunca tivesse ocorrido. Isso é opressor porque ele não era ofensivo nem atentou contra ninguém. Fez parte da história destas eleições e como tal merece estar numa página como todos os outros. O que impede agora que outros não exigem também a remoção dos seus cartazes, caso achem que não ficaram bem vistos na fotografia? A acção de remoção como que a passar uma borracha abre um precedente que legitima a que qualquer outro que se ache prejudicado por um cartaz exija o mesmo direito à remoção. E havendo um precedente automaticamente a sua alegação tem legitimidade. Não é isso uma manipulação? É. Porque remove um pedaço da verdade. O problema existiu, o cartaz existiu e alguns comentários depreciativos foram feitos. A questão não é o cartaz, é o tal uso da liberdade com excesso de libertinagem. Mas o cartaz por direito pertence ao mesmo lugar que todos os outros. 

A liberdade é um bem precioso. A igualdade é um direito precioso. A justiça é outro direito precioso. Muitos não vivem nenhuma destas dádivas como deviam vivê-las por este mundo a fora. Digam o que disserem, é uma enorme bênção esta que nos trouxe a revolução dos cravos. 


*Strip Search, no original, do director, escritor e actor Sidney Lumet

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Bulling - continuação 2

Quero pedir a todos aqueles que leram os meus desabafos sobre bulling no emprego que façam uma corrente de força de pensamento para que todos aqueles que agridem, atormentam, insultam, rebaixam e desprezam colegas que nunca lhes fizeram mal, venham a ter o que merecem.



Pela primeira vez em ano e meio sem reagir a provocações, insultos gratuitos e despropositados, ofensas, atitudes agressivas e de descriminação, diante de mais um insulto dito meio pelas costas e à distância, decidi ir a conversas com o tipinho.


.Não insultei, não ofendi, só expus o seu comportamento e pedi-lhe que demonstrasse respeito. Apenas isso. Não precisa gostar da minha pessoa, mas respeitar-me como ser humano, como colega, é obrigatório! Eu faço-o e nunca recebi de sua parte motivos para tal. É mesmo uma questão de carácter. Falta muito nele, existe muito em mim.


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Claro que não demonstrou qualquer sensibilidade. Ofendeu mais ainda, insultando a minha capacidade de trabalho, incapaz de admitir que age incorrectamente. Irá, continuamente, a ser o vermezinho de sempre... com voz dócil e tratos de "médico" (bom dia, como está? Então vamos lá tratar do seu problema...) - esse género.

Eu desejo bem às pessoas! Não entendo porquê tem de existir quem procure atormentá-las...
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Mas não quero ter o meu pensamento ocupado com isto por muito mais tempo. Escrever sobre ele, para quê, se não o merece? O que merece é que a vida dê voltas e acabe por pagar todo o mal que semeia... e já. Que isto de se pagar "um dia mais tarde" pode não ser justo.


Então, e por acreditar que conseguimos com a energia do bem clamar por bondade e justiça, peço a todos os que são pela paz e harmonia, que se concentrem numa única corrente de pensamento para que o bem traga tranquilidade para os nossos corações e aqueles que chocam com isso tenham o que merecem. Só assim têm hipóteses de regeneração.


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Sobre bulling:
http://um-pedaco-de-mim.blogspot.com/2009/04/bullyng-sera-que-estamos-sempre-seguros.html

Para reflectir:
http://contemporaneoeindiscreto.blogspot.com/2009/01/elevando-o-espirito.html