Metereologia 24 h

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Abril está mesmo ao virar da esquina

 

Isto é uma pequena amostra do que encontrei hoje ao ir às lojas pela primeira vez desde o Natal. 



OVOS da Páscoa a perder de vista, múltiplas decorações pascoalinas, desde saquinhos com orelhas, a coroas, a barris para sumos em formato de ovo, velas com orelhas de coelho.... 


E, claro muita coisa também forrada de vermelho, cor do amor, corações, roupa, brinquedos, rosas, chocolates, biscoitos... pois antes do coelhinho da páscoa, vem aí o são Valentim! E não esquecer o dia da mãe que no reino Unido deve ficar ali a competir com o coelhinho.

Até parece que estou a descrever aquele anúncio televisivo da década de 80, sobre as figuras de Natal de chocolate que vão no comboio...

"Primeiro, veio o São valentim. Depois, o coelhinho. E depois veio a mãe... Nã, não! O coelhinho vai com a mamã no carro para comprar presentes no supermercado"!



Por aí em Portugal, o comércio também já chegou a este ponto com tanta antecedência? Estou curiosa. É que aqui no Reino Unido é infalível: mal acaba uma «onda» de consumismo, começam logo a invasão de outra. Que nem um tsunami. 

Será que isto deriva de uma extrema necessidade por falta de mais para oferecer e pouca procura? Será consequência do Brexit?


Fico com a sensação de estar a presenciar um dependência desconcertante, como se um drogado desesperado tivesse no comando de todo o comércio e precisasse de arranjar formas de meter o seu consumidor sempre a consumir. Porque ao fazê-lo gastar dinheiro, está a saciar a sua gula por riqueza ao mesmo tempo que os está a tornar em consumidores viciados. O termo correto é Onimomania. 

É. Acho que todos nós de uma certa forma somos uns "drogados". Conduzidos a vícios pela sociedade consumista e gulosa por riqueza. Seja drogas, comida, jogos de computador a dinheiro ou compulsividade para compras. Apenas a substância do vício vai alternando. 



segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Lembrar dos Sonhos

 

Já nem recordo quando deixei de ser capaz de recordar aquilo que sonhei, mesmo horas depois de despertar, senão mesmo o dia inteiro. Isso foi possível algures no passado. Mas também, algures há muito tempo, deixou de ser. 

Se tem importância? Não sei. Sei apenas que é fantástico perceber como o nosso cérebro funciona. Como ele pode manter algures no registo da consciência um sonho por 24 horas e também apagá-lo assim que uma pessoa se levanta para ir ao WC. 

Lembras.

Esqueces. 

Não é fantástico? Muitos estudiosos tentam entender isto. Como é que o cérebro processa as coisas. 

Foi então que ontem acordei de um sonho em que existiam uns documentos com uns dizeres importantes e reveladores que consegui interpretar. Claro que, ao acordar, já nem recordava de nada. Dizem que as pessoas sobre hipnose, podem conseguir se recordar de cada detalhe. Mas me interrogo como isso é possível, se eu por vezes passo por pessoas, cumprimento-as e nem presto atenção ao rosto, às roupas... Como poderei descrever alguém que passou por mim? Se não presto atenção a essas coisas, por timidez mas também para evitar invasão de privacidade? Cresci assim... a não querer ser muito invasiva. Ao ponto de não olhar. Não olhar para as pessoas ao meu redor. E como não julgo, acabo por não desenvolver a capacidade de notar nos detalhes que se destacariam de imediato a quem dá importância a coisas como roupa, aparência, etc. 

Não que seja totalmente distraída. Por vezes consigo notar alguma coisa. Mas grande parte das coisas, tipo se a pessoa tinha tatuagens, dentes tortos... uma grande verruga - acreditem: passa-me ao lado, não vejo. Não noto. 

Hoje acordei subitamente de um sonho. Estava com uma ex-colega da universidade em passeio. Junto com um amigo dela e um ex-amigo nosso que era também ex-namorado dela. Viajávamos rumo a uma localidade distante, de autocarro. Os quatro. Enquanto o autocarro fazia o seu percurso, lembro-me de olhar pela janela e ver as mesmas bandeirinhas que havia visto aquando a partida e pensei: "parece que não saímos do sítio. Aqui todos os lugares são idênticos". 


Virei-me para trás, onde estava o seu ex e, preocupada, perguntei-lhe como aconteceu ele ter caído na armadilha das drogas. Minha amiga estava como sempre, borbulhante, com todos, inclusive o motorista, com as atenções nela. Só sei que vamos chegar a um destino, os quatro, para passar momentos Fantásticos. Nisto já estamos numa espécie de hotel, para nos juntar-mos os quatro rumo a outro país. É aqui para a frente que vamos parar ao destino final. 

Aguardo numa sala num piso superior pela chegada da minha amiga e do seu par. Comigo está o ex dela. Ele diz-me que vai fazer uma coisa e já volta o que não é conveniente visto estarmos quase a nos juntar para partir juntos. Imediatamente tenho a intuição de que algo vai acontecer. Observo no piso de cima o hall de entrada envidraçado do sítio e vejo o meu colega a passar entre as pessoas. Ele passa por uma mulher de vestido amarelo a carregar uma bolsa e arranca-lhe a bolsa das mãos, fugindo com ela. A mulher dá conta e dá o alarme. Alguém corre atrás dele. Percebo logo que ele não vai conosco e terei de dar esta notícia à minha amiga, quando chegar. Aguardo mais um pouco mas ela não aparece. Vejo um funcionário e pergunto se a viu. Ele diz: "Claro. Com aquela traseira, quem não a conhece?" "Ela está na Tailândia". E eu, espantada, esclamo: "Na Tailândia?! Mas eu vou para a Tailândia! Nós vamos para a Tailândia!" e o funcionário volta a dizer que ela não está mais ali, que já está na Tailândia. 

Percebo que fui enganada. Abandonada. Sem qualquer motivo ou justificação. E acordo. 

Será que é isto que faz o cérebro parar de sonhar? Sensações de choque, susto, decepção? Quando acordei, já consciente, mas ainda a recordar o sonho, percebi que fiquei para trás para pagar a conta dos quatro no Hotel ahahah. 

Sonhos...
Têm algum que vos marque mais? 







quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

My and I

 

Gosto de ver programas sobre crimes. Mas tenho um critério a este respeito. Ou melhor: gosto quando a forma como falam dos crimes é factual, descritiva e sem enrolamentos. Mas existe um estilo de apresentar este formato televisivo pelo qual sinto total desdém. E esse é: o do egocentrismo

Programas de TV no geral, aliás - cujo conteúdo é atropelado para que a pessoa que o faz seja destacada, causa-me o pior do desdém. Não aguento. Mudo logo. Mas mudo com uma urgência de quem se se sujeitar a mais um milésimo de segundo daquilo estivesse a ser violentamente agredida. 

Não suporto, portanto, este tipo de conteúdo em que, tudo o que possam abordar, não passa de uma desculpa para o foco estar no veículo, não no conteúdo. 

Ai, repúdio! 

Usar fatos e eventos de tragédia reais, que envolvem perda e sofrimento, para proveito próprio REPUDIA-ME. Seja em documentário seja em REPORTAGEM. 

Ao jornalista então, cabe a alta responsabilidade de saber se separar a si mesmo do material que está a abordar. Em algumas pessoas isso não existe. Existe é a convicção pessoal e constantemente repetida para o público que assim é. Praticamente uma lavagem cerebral permanentemente efetuada para que a percepção dos outros corresponda à desejada. E se não for, não faz mal. Até a rejeição é usada para se tentar sair bem na foto, com uma falsa sabedoria emitida para impressionar os defensores. O "recrutamento" de "fiéis" é absolutamente indispensável ao egocêntrico. E o universo é um infindável fornecedor de matéria prima. 



Acreditam que todo este texto saiu da simples introdução de um segundo do programa "I am homicide" no canal de TV Investigation Discovery

Pois é... O genérico do programa - a abertura - começa assim: "In mine I"...

Desliguei. Logo. Até pelo tom de voz se nota uma grandiosidade... 

Pelo que entendi este programa é apresentado por um ex policial(?) ou investigador que, em criança, passou pela tragédia de um homicídio na família. A FORMA como ele usa isto na intro para receber compaixão mas, acima de tudo para se promover e auto-validar também me repudia. E não é o único dentro deste niche. Lembro agora que existe uma tal de Paula Zan - que tem de estar sempre a repetir o seu nome - e cujas entrevistas que faz a pessoas estão constantemente a ser cortadas para introduzir o seu rosto. 

                   Esta não é a habitual promo

Naquele resumo que se faz dos programas que passa nos intervalos - as promos - o formato é: Ela aparece e faz uma pergunta. Imagens de várias pessoas e crimes a passar sempre intercaladas pelo rosto dela - ela está ali como foco - e a voz dela soa sem parar, a interrogar, a perguntar, com rosto a aparecer e sem o rosto a aparecer. "Eu sou a Paula Zan" - diz. Mas é preciso estar sempre a repetir a si mesma quem é? Por acaso sobre de esclerose? 

Pode até ter o seu mérito... mas quando o formato surge assim - tão manipulado e centrado no veículo transmissor mais do que no conteúdo, não consigo acompanhar. O repúdio é enorme. 

Tem também outro programa do género que nunca vi, por me gerar o mesmo repúdio. Não lembro o nome mas, muito provavelmente, carregava o nome da autora. Logo na promo ela se auto-intitula uma ex-promotora (nos EUA acho que é uma espécie de advogada) que NUNCA PERDEU UM CASO.

Ai, a soberba!!!! Nunca perdeu um caso... Acho que é uma coisa horrível para se vir vangloriar em televisão. E altamente se não mesmo estatisticamente improvável. O que me faz suspeitar que o seu ego é tão gigante que se recusa a admitir erros. Provavelmente foi expulsa do meio e agora ia para a TV para obter a validação fanática das massas. 


Ela e muitos outros aproveitaram esta onda de programas de TV sobre crimes. Ai, que repúdio pela necessidade de se Auto vangloriar, de se auto-promover como ouro mais ouro que o ouro. Como especial, fantástica, incrível. 

Esta forma DESCARADA de auto promoção... Não me interessa se ela é a autora do programa, se o apresenta... não é moralmente correto usar o TRUE CRIME (Crimes verídicos) para se promover. Uma pessoa com ambição cega de subir na carreira à custa da desgraça é repulsivo para mim.

Acho que a "versão" portuguesa disto que quero exemplificar - ou pelo menos uma, é esta. Neste excerto contei mais de 60 "eus" e "mims".


Se o interesse do jornalista/apresentador/narrador for legítimo, a última coisa que importa é mostrar a cara. E preocupar-se se a maquilhagem está bem feita, se a enunciação da frase ficou bem, se o cabelo tem a cor desejada através da lente... 

Façam programas com outros conteúdos para se "auto" promoverem. Para se destacarem dos demais tubarões e subirem de escalão no mundo competitivo da televisão. Mas não o façam com as histórias reais de assassinatos, acabando por usar os possíveis entrevistados - muitas vezes pessoas afetadas - para chegar ao único propósito de criar um conteúdo que impressione a administração e te faça subir que nem um foguetão rumo à fama e ao ordenado gorducho. 




domingo, 11 de janeiro de 2026

A aberração do Trump que revela como trata o povo americano que devia bem servir

 


Eu vi. Já procurei por toda a parte mas não encontro o vídeo que mostra o momento em que o polícia fronteiriço, sem qualquer justificação que valide o recorrer ao disparo de arma de fogo, dispara vários tiros numa condutora matando-a a sangue frio. 

O vídeo que vi não é o que aparece mais amiúde nas redes sociais. Vi o mais completo, que, inclusive mostra por segundos o corpo ensanguentado da mulher que ainda há segundos estava viva, saudável a dizer ao policial que não tinha nada contra ele e simplesmente queria sair da sua casa transportando um cão de grande porte na parte de trás do carro. Acabou assassinada a tiro diante dos olhos de quem o presenciou. 

O que tem o presidente da América a ver com tudo isto?
TUDO!

Porque o chefe-maior do Estado fez um comunicado dizendo que vai sempre apoiar a polícia fronteiriça (ICE) e que - pasme-se, não vai existir investigação sobre o acontecido. Disse também ser "surpreendente que o agente esteja vivo" e que claramente foi um caso de "legítima defesa". 


Eu vi. A mulher estava dentro de um carro que ia manobrar. O polícia estava perto do carro. A traseira do carro pode ter roçado no polícia mas aquele que fez os disparos nem sequer chegou a cair ao chão. Até porque os disparos - três seguidos, se escutam antes mesmo da manobra terminar. O carro estava a mesmo a virar naquele instante quando se dão os disparos. Se o policial já estava junto à janela da vítima, então como pode esta tê-lo atropelado?  

Foi logo bala na cabeça. Provavelmente à queima-roupa. 

Depois surgiu um video supostamente filmado pelo agente em causa. E neste vê-se este a dobrar-se para a frente como que a desviar-se do veículo e de seguida, só se escuta o BAQUE do carro a bater noutro, já a condutora estava morta porque os disparos foram dados ANTES desse baque.

Portanto: primeiro foram os disparos - que nem surgem no audio do video feito pelo suposto polícia. O que é curioso, porque se escuta de imediato e se vê o carro a bater assim que o suposto agente tinha "acabado de ser atropelado". Omitiram o som dos disparos, como é obvio, foi "apagado".  Nesse vídeo, pela posição do automóvel já quase a bater, o suposto "agente" se dobrou depois dos disparos. 

No vídeo geral, vê-se uma pessoa que deve ser policial a aproximar-se da traseira do carro quando este está a manobrar. De imediato se escutam três disparos. Aquele que dispara está fora do alcance do carro, paralelamente à condutora. Nem numa imagem nem noutra fica claro que foi o automóvel que causou algum "ataque". Até porque a condutora, claramente a fazer uma manobra para sair dali, tinha dito ao polícia incorporado que havia acabado de parar e sair do seu carro patrulha usando um lenço a tapar a cara (provavelmente vinha com ares de poucos amigos) que não tinha nada contra ele, enquanto uma outra mulher do lado de fora do carro, a filmar com um telemóvel a cena, ao o ver a dirigir-se à traseira do carro, claramente lhe diz: "Nós não vamos mudar a matrícula do carro. Ainda vai ser a mesma quando estiveres aqui e voltarmos". 

O agente diz que ela manobrou o carro para o atingir. Só que o suposto "toque" do carro com o agente não é visto em vídeo algum e, obviamente, se os disparos foram imediatos e ele é visto em vídeo de pé é porque NEM CAIU!!! 

 Já levei com um carro de lado e este tirou-me os pés do chão. Aterrei sentada mas uma coisa digo: Ficar de pé é que não se fica. 

Parece-me uma acção EXAGERADA com um fim definitivo traumático e fatal por uma coisa muito banal. Mas a polícia fronteiriça americana nunca ouviu falar do uso de ARGUMENTAÇÃO? O polícia que a baleou também a chamou de "Puta de merda", mesmo antes do baque do carro com outro.

É assim que a polícia americana reage? Tem muito que aprender com a nossa sobre como manter a calma e agir para acalmar os ânimos! (espero que não surja uma excepção portuguesa nos noticiários amanhã). Numa situação minimamente hostil dentro do próprio país, com uma mãe americana sem arma de fogo que deixa três filhos que não devem ser tão adultos assim porque ela, Rene Nicole Good tinha apenas 37 anos!!! O filho mais novo, de seis anos, já havia perdido o pai. Dia sete, pelas mãos de Jonathan Ross, também perdeu a mãe. A criança é agora orfã.


Jonathan Ross, o agente que assassinou uma cidadã americana numa clara reação de desdém pela vida humana e abuso de poder está em dívida para com o seu filho de seis anos. Para com os seus amigos, para com a sua mãe que está a sentir a dor da perda de uma filha numa situação tão escusada e injusta, para com os outros dois filhos que nunca mais vão poder escutar a sua voz ou ligar-lhe para perguntar seja o que for ou contar o que seja. 


Jonathan Ross, o homem que agiu MUITO MAL sobre pressão. E nem sequer era assim tanta pressão. Se é com esta facilidade que um agente treinado reage a uma situação em que nem existiram ofensas ou agressões, se é assim que vai para uma manifestação em que as "armas" dos manifestantes são palavras, apitos e telemóveis nas mãos... E apareceu já de cara tapada porquê? Já tinha decidido fazer o que fez??

Vingança por algo lá no passado? Ódio a mulheres? A gays? A pessoas que transportam cães no banco das traseiras do carro? A pessoas que dizem "não tenho nada contra si, não lhe vou fazer mal algum"? Por ter ouvido " a matricula vai ser a mesma quando voltarmos?". 

Ah América. A Eterna "land of cowboys and Indians".The love for guns!

Acho que qualquer cidadão sensato, em qualquer parte do mundo ia achar isto muito errado! Sem ter dúvidas algumas. Ainda mais na América que gosta de se autoproclamar uma terra livre, cheia de direitos... 

Right! The right to get a bullet in your head if you dare to move or manifest a diferent opinion!
To me that is the definition of dictartorship.


Esqueçam os filmes, com disparos a torto e a direito que nunca atingem ninguém e que levam a perseguições automóveis infindáveis. Isto é a vida real, que é bem diferente dos filmes de Hollywood. Imensas testemunhas, uma filmou a coisa toda... mas o vídeo que circula por aí é o feito pelo próprio polícia - dizem. Existe um outro, que mostra o disparo. 


FIquei estarrecida. Escandalizada. Tenho sido a primeira a apoiar que a polícia americana merecia mais respeito por parte dos cidadãos. Mas o que vi neste vídeo - embora estejamos a falar de um certo tipo de polícia fronteiriça e não da geral, é assustador. Revoltante. Mas o pior é o POUCO CASO dado ao caso. Até mesmo nos nossos meios de comunicação. É o tipo de notícia que costuma ser bombardeada a cada noticiário, a cada meia-hora. Porque não está a ser?

Medo do Trump?
Que disse aquela baboseira de querer a Groenelândia?
O que vem a seguir?
Uma união com o arqui-inimigo Russo e vão querer invadir Portugal também?

Na próxima segunda-feira dia 12 quatro vereadores do PS vão apresentar na Camara de Lisboa um voto de repúdio pela morte de Renee Good. Gostava de acrescentar o meu voto a essa acção de repúdio!

sábado, 10 de janeiro de 2026

(Ainda) O caso dos Anjos e da rúbrica de humor da Joana

 

Já faz algum tempo mas levantou questões importantes, quando o grupo de cantores Anjos decidiu levar a tribunal a humorista Joana Marques. Só agora deparei com a "resposta" de um outro humorista à opinião de uma "jornalista", que decidiu dar o seu ar de graça sobre este assunto na sua rede social: Escreveu Sandra Felgueiras o seguinte: 

«É tudo lindo quando não é connosco. Quando o discurso de ódio, travestido de neo-nazi, de ayatollah ou humorista, não nos toca a nós».

Relembro que o caso foi, durante o exercício da sua função na rádio, Joana Marques fez humor com uma apresentação dos Anjos num evento. Qualquer pessoa tem liberdade para o fazer. Eu, tu, qualquer uma. A partir do momento em que se debate um evento público, é super natural. Não existiu da parte da Joana qualquer extrapolação ou tentativa de humilhação. Mas o grupo ficou com o ego ferido e achou que isso lhes dava justa causa para extorquir uma reparação financeira avultada, alegando perdas profissionais resultantes de uma atuação infeliz que tiveram. Os Anjos tudo fizeram para a apagar das redes sociais, conseguindo mesmo que desaparecesse. "Faz de conta que nunca existiu". Só que não apagaram tuuuudo... e o conteúdo digital público e livre foi parar à Joana, que decidiu fazer humor. 

Pessoalmente acho BEM MAIS preocupante que esta situação transpire traços de obsessão e a necessidade de controlo absoluto da narrativa, quando percebi que os Anjos haviam mesmo conseguido DELETAR contas que exibiam a sua exibição em todo o tipo de rede social. Mas... quem é que faz isto? A imagem pode ser tua... mas se é figura pública, durante um evento público, a executar uma função para o público, que ainda por cima era cantar o Hino NACIONAL... claramente não lhes pertence em exclusividade. Com que direito a queriam "apagar" para todo o sempre?

Foi exatamente o que tinham conseguido. Até a Joana fazer humor. E aí.... Jesus. O ego! O ego magoado, a mentalidade distorcida... mas já chego lá. 


O que descobri só hoje foi que um outro humorista, Fernando Rocha, ao ver aquele post da Felgueiras a respeito do caso Anjos-Joana, dando, no meu entender, uma de boa samarita "iluminada" mas ao lado, decidiu deixar aquela "pérola". Ao que o humorista respondeu:  

Ahah! Ri. E gostei. Da inteligência superior, da perfeição, do encaixe. 

Apetecia-me comentar de forma semelhante: 

«É tudo lindo quando não é connosco. Quando o discurso de ódio, travestido de Madre Teresa de Calcutá,  caridade, empatia, não nos toca a nós».

De facto, só mesmo estando num universo um pouco paralelo é que alguém que se diz tão iluminado, bondoso, caridoso, ousa comparar o humor português ao fascismo neo-nazi e ao terrorismo ayatollah e estar  a falar a sério. 

Nossa! Que no-sense. Que besteira... que... Ego. Acho que ter o ego insuflado deve ter sido o fator que a levou a prestar "solidariedade" com os Anjos. Não tem nada de solidariedade, tem a ver com a doença do "eu" que têm em comum. Com a identificação, a necessidade de controlo. Uns reconhecem os outros. 

O objetivo deste post não é trazer de novo à baila o debate sobre o direito da liberdade do humor mas evidenciar a problemática do EGO. 

Egos tão afetados que são incapazes de ver as coisas por outro prisma que não o do próprio ego. Não aceitam fatos, falhas. Têm sempre de ser perfeitos e estar no controlo das situações. Se surgirem evidencias do contrário, têm de ser erradicadas, eliminadas. Deixar de existir... faz lembrar algo relacionado com o neo-nazismo referido por Sandra Felgueiras, não faz? Pois faz! Isso sim, tem tudo a ver com a Censura fascista e nem se pode comparar a uma piada.

Os Anjos terem apagado todos os vídeos a circular nas redes sociais não é uma piada. Foi uma realidade. E é assustador. É revelador de uma necessidade de controlo absoluto. 
Tão neo-nazi... 

Isso é que é verdadeiramente ASSUSTADOR. 

Não tem piada as exigências que impuseram dizendo terem sido financeiramente prejudicados mas sem conseguir revelar ao tribunal quanto ganharam durante o periodo do alegado "prejuízo" em que continuaram a fazer espetaculos. 

Isto sim é assustador e não tem piada alguma. 

Porque é revelador. 

Revelador da necessidade de adulterar, manipular e controlar. Com origem não num sentido de justiça e erro sofrido mas num ego gigante. Quanto mais poder pessoas assim têm, mais estragos fazem. E aí sim, chegam os Hitlers e ditadores desta vida... Sem a capacidade de aceitar uma crítica ou sequer uma pitada de humor. E sem humor, gente, sem humor... a liberdade tem os dias contados. 

As pessoas que sofrem desta DOENÇA mental distorcem a percepção do "eu" isolado e inserido na sociedade. A visão das pessoas muito centradas nelas mesmas e que honestamente se consideram melhores que a maioria (egocêntricas) NUNCA as vai permitir ter a empatia, solidariedade, bondade, generosidade que alegam e apregoam possuir. É tudo faz de conta. A modéstia que dizem ter é falsa. E nunca serão capazes de aceitar isso porque não se vêm como realmente são: egocêntricas.




segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A nossa identidade depende de espaços e coisas?

 Peço que reflitam nisto.

Estava na camioneta a caminho de uma localidade remota quando, ao passar por uma estrada cheia de predios e moradias recentes, vejo algo que me parece deslocado e sem propósito.  Numa moradia grande, com um pequeno corredor exterior vejo um homem de uma certa idade, sentado, a olhar para o nada. Tinha uma boina na cabeça, coisa que já nao se usa e rouoas tradicionais que meu avô usaria por serem aquelas com que se habituaram noitros tempos. Parecia estar a querer se ocupar com alguma coisa mas nao ter com quem o fazer. Pareceu-me solitário. Um condenado a uma existencia sem sentido, vazia e repetitiva. Penso que esta sozinho naquela casa e fico a pensar quem mais podera ali viver sem prestar muita atenção aquela vida em fim de vida.

O veículo avança e meus olhos batem noutra cena que parece desajustada. Vejo uma idosa de lenço na cabeça, roupas antigas, jeito e aparência tradicionais identicas as de minha falecida avó faz ja 15 anos e o que estranho é vê-la numa varanda alta de um terceiro ou quarto andar. Cobria os olhos com a mao, a bloquear o sol. 

Tanto ela como ele, emanaram para mim a mesma energia. Energia de alguem que concordou em abandonar o seu espaço com as suas coisas e deixar para tras as suas routinas, se calhar para ajudar um filho ou filha a viver melhor, ajudar a cuidar dos netos e vendendo seu casubre para, com o dinheiro, "comprarem algo melhor" e viverem todos juntos.

Só que, aquele que ja fez a sua jornada precisa muito mais de ter as coisas ao seu ritmo do que viver no ritmo dos outros. Nao é mais o seu. A natureza muda como o corpo mudou. Acho que remover uma pessoa saudavel do seu espaço é cruel. Ainda que viva num meio algo deaorganizado, empoeirado... se é autonamo, deixem a pessoa estar. Ajudem sim, mas sem darem ordens e juizos de valor. 

Aquelas duas pessoas, separadas por uma localidade, deciam ter muito em comum. Ambas, ao perceber os confotaveis raios de sol, sairam de seu casulo para, mais uma vez, sentirem algo. Sentir. Sentir o confortante abraço quente do sol, abandonando por instantes suas paredes de tijolo frias de solitária.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Aprendizagens de vida - para quem as procura

Têm arrependimentos?

Que arrependimentos são esses?

Não tenho arrependimentos. Isso não quer dizer que esteja satisfeita com a vida que tenho. Ou ache que fiz tudo bem. Sei que existe uma outra vida, toda ela mais excitante mas mais importante, mais de acordo com a minha pessoa que nunca cheguei a viver. Contudo, esta constatação, por vezes diária, não me faz sentir pesar ou arrependimento. Talvez porque não dependeu tanto de mim. Eu fiz uma escolha inconsciente: uma escolha de carácter, de personalidade. De altruísmo. 

Bom, mas um artigo recente que li fez-me desejar falar sobre este assunto que é a VIDA. Pode ser que ajude alguém por aí. 


Quando meu avô faleceu, um familiar havia discutido severamente com ele horas antes. Provavelmente causando-lhe um mau estar que contribuiu para o desfecho final. Um outro familiar que vinha a manter distância confidenciou-me sentir-se "mal" por o ter "despachado" ao telefone no dia dos seus anos e também por ter tomado a decisão de não comparecer na reunião familiar que ocorreu dias antes do seu falecimento. Meu avô já tinha tido uma "ameaça" cerca de um mês antes. Há qual os familiares, no geral, deram pouca importância e demonstraram ter pouca paciência e disponibilidade para o transportar de carro até ao hospital, visto que várias chamadas para o 112 só devolviam a informação de "não haver ambulâncias".  

Foto: Pedro Correia (TSF)

Foi depois dessa altura que ele exibiu alterações de comportamento que achámos estranhas e fora de costume, mas nada de extraordinário: ia-se desfazendo de coisas, queria dar o animal que tinha acabado de arranjar como companhia e mandou desligar o telefone terrestre. 

Foi um dos primeiros no bairro a instalar um. Era sempre à casa dele que os vizinhos batiam na porta, para poderem urgentemente comunicar com alguém. Isto pode parecer uma realidade alienígena, impossível de conceber nos dias de hoje - dias de telemóvel/celular que faz de tudo: guarda nossos documentos, é nossa carteira, nosso telefone, nossa rede social, nossa comunicação com o mundo e nosso diário. Mas não há tanto tempo assim um simples telefone era um "luxo" não disponível a famílias comuns, de baixo poder económico. 

Hoje vejo que ele estava a antecipar o inevitável. Sentiu que o seu fim estava próximo e, como a pessoa íntegra que era, embora nem todos que lhe eram próximos fossem capazes de lhe reconhecer esse traço em particular, tratou de deixar tudo "nos conformes" para não impor aos que ficam quase nenhum empecilho. Deu o cão a outra pessoa. Ele, que sempre gostou e manteve animais perto de si. Mandou desligar o telefone fixo. Tinha tudo pago e não deixou dívidas. Deixou uma casa de três quartos no centro de Lisboa que foi paga com anos de trabalho para ali poder criar uma família de seis e, alturas existiu que se transformaram em sete, oito, nove... Deixou esse imóvel de "herança".  Que, como quase sempre, os filhos também não souberam valorizar, cada qual já tendo suas casas. Até "desprezavam" de certa forma devido a memórias menos boas de desentendimentos às quais  as pessoas teimam em segurar e associar a espaços. 

Depressa o recheio da casa foi colocado no lixo, como se valor algum tivesse um pequeno bibelô, os conjuntos de chá mantidos sem uso na vitrine, quadros que sempre se mantiveram pregados nas paredes a adornar o espaço, os copos que serviram a mesa de incontáveis natais, etc. Depois a casa foi vendida, o valor distribuído e em menos de três meses, já alguns dos filhos diziam não ter dinheiro para coisas simples e pouco dispendiosas. Provavelmente usaram o valor do que um dia foi uma casa para pagar dívidas acumuladas ou gastaram em coisas supérfluas. 

Pessoalmente faz-me confusão como uma CASA - algo que ainda hoje luto para conseguir, algo tão difícil de obter, pode se transformar em NADA em tão pouco tempo e com tanta facilidade. 

Bom, mas meu avô partiu e, no inverno em que isso aconteceu, a chuva parou de cair e o sol apareceu. Para quem é sensível a estas coisas, para mim interpretei a súbita e inesperada mudança de clima como sinal da sua ida para o "outro lado". O céu estava de um puro azul lindo. As pessoas, alegres, até deixaram de lado os casacos compridos, os guarda-chuvas e usavam - pasme-se: T-shirts! 

Lembro-me de estar sentada algures no Parque das Nações, após o funeral - mais um dia de SUPER SOL de Inverno, ver as pessoas de t-shirt, alegres com o sol... e pensar: como pode? Sinto tanto pesar e ninguém deteta... as pessoas estão felizes. 

E é assim que devemos nos comportar na vida: Com felicidade. 
Porque a vida é mesmo uma passagem num plano. Parece promissora, longa. Parece que dá tempo para "tudo e mais alguma coisa". Mas desconfio que não é assim. Pelo menos não é assim se viveres a vida a adiar coisas que pretendes fazer. Coisas que queres fazer "um dia". Como por exemplo uma viagem a um país exótico, a compra de algo em particular, um emprego ou hobbie que pretendes experimentar... tudo ADIADO, porque a sociedade materialista e de consumo em que vivemos soube muito bem nos incutir que a prioridade é a "sobrevivência" do sistema económico, que depende de "formiguinhas" trabalhadoras que contribuam para o PIB do país. Serão recompensadas na idade avançada, com uma reforma e então poderão "usufruir" das coisas boas da vida sem qualquer dever ou amarra trabalhista. 

Só que não é assim! Quando somos novos e saudáveis parece até aceitável... porque ainda desconhecemos as consequências que o esforço contínuo e repetitivo de uma tarefa laboral impõe no corpo. O que sentimos é vigor, estamina, capacidade para conquistar e fazer de um tudo! Mas essa consciencialização altera-se com o tempo. A mente pode até querer correr, subir colinas, carregar mochilas pesadas ás costas em aventuras... mas quase com 70 anos... isso não vai ser possível. Okay?

Portanto, gozem a vida agora. Tenham responsabilidade sim, um emprego estável se possível é hoje uma benção - mas retirem sempre, todos os dias, umas horas para gozar do "nada" que é tudo. Gozar da Natureza. Do silêncio. Da ausência de computadores, redes sociais, tecnologia... Façam com que essas horas entre um compromisso e outro vos faça sentir revigorados. Não passem o fim-de-semana a descansar o corpo moído e cansado. Embora seja o melhor que se pode dar ao corpo - a mente vai sentir falta de nutrientes. Visitem antes um museu. Aqui em Portugal são tantos, tão interessantes e muitos gratuitos! 


Subitamente deu-me vontade de rever a "lula gigante". Lembram-se disso? Nas visitas de estudo da escola, quando somos meras crianças, fui levada ao aquário Vasco da Gama e lembro de olhar para uma vitrine onde estava uma Lula Gigante. E ver tartarugas ao vivo, num lago circular e murado. 

Hoje apetece-me reviver essa experiência. Não vos parece um PRIVILÉGIO poder fazer tal? Passados tantos anos, décadas, um museu é ainda uma memória viva de um momento, disponível para proporcionar muitas mais. 

E é assim que se vai vivendo um pouco.

Vivam. 
Para não sentirem arrependimentos, com felicidade, bondade no coração, alegria, solidariedade. 


  

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Uau! Esta mulher despertou meu iteresse

 

Uma pequena entrevista bastante interessante esta:


Spoiller: Não tem nada de conflituoso. Só de bastante interessante. 
Gostei da postura direta e franca de uma das convidadas: Susan Brownmiller. Então decidi investigar o que era feito dela nos dias de hoje. Infelizmente faleceu o ano passado. Curioso Dick Cavett, o entrevistador, ainda é vivo. Provavelmente o único num leque de dezenas que compareceram ao seu talk show. 

Nunca tinha ouvido falar deste talk show Americano e é superior - muito superior - diria mesmo que é um verdadeiro talk show. Porque não existe "pressa" em despachar os convidados. Embora os clips aqui mostrados tenham 15 a 30 minutos de duração, julgo que o programa durava uma hora e meia! 


Susan Brownmiller, aqui entrevistada junto com Sally Kempton na qualidade de membro da Woman's Liberation Movement (Movimento para a libertação das mulheres), dedicou a sua vida a causas, trabalhou como jornalista, escritora, tendo ficado muito conhecida após escrever o livro intitulado Against Our Will: Men, Women, and Rape, focado nos padrões sociais e políticos do estupro/violação e as diferenças de trato entre homens e mulheres perante a lei. Esse livro contribuiu para o debate do tema e veio a mudar leis na America que passaram a entender melhor a mulher como vítima de estupro. rape is “a conscious process of intimidation by which all men keep all women in a state of fear” (a violação é um processo consciente de intimidação através do qual todos os homens mantêm todas as mulheres num estado de medo). - , dizia ela no seu livro, o que levou a sociedade a refletir e debater este tema.  

Susan nasceu a 15 de Fevereiro de 1935, escreveu este livro em 1975. 

Faleceu em 2025, aos 90 anos.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O que fiz enquanto esperava a chegada do ano? Obrigada a todos e a todos vocês SAUDE e boas energias!

 

Passei o ano a ver entrevistas e programas americanos no youtube. Mas... programas gravados na década de 1970. E foi fantástico! Ri com muito gosto de piadas com 50 anos de idade, vi artistas já há muito falecidos a falar deles mesmos com naturalidade e autenticidade. Acompanhei números coreografados de dança e canto. ADOREI. Enquanto via pensava: "Prefiro estar aqui a ver isto que é tão prazeroso do que sintonizar algo mais actual a dar na televisão". 

Por isso deixo aqui para vocês também apreciarem.

BEIJINHOS e abraços calorosos de afeto para todos, mas em particular para quem, neste instante, está com muita vontade e saudade de um. 

Fiquem bem, fiquem com saúde. 
Simplifiquem vossas vidas ao máximo e riam. 



2008

1971