sexta-feira, 7 de abril de 2017

A loja reabriu...


A Poundworld é uma loja cá do UK que vende todos os artigos por uma libra. São o que foram as extintas lojas dos 300, antes de aparecerem as dos chineses a vender «mais barato». Infelizmente por cá a Poundworld também anda a puxar um pouco a brasa à sardinha. E apresenta cada vez mais artigos com um custo superior por uma qualidade que não o justifica.  

No dia 1 passei por uma destas lojas e encontrei este curioso aviso:

Lamentamos, esta loja vai fechar para melhoramentos - sabado, dia 1 de Abril às 19h.
E abre Quinta dia 6 de Abril às 10 da manhã
.
Achei muito curioso o aviso porque na primeira leitura o que percebi é que a loja está fechada no sábado. Vi que não estavam em obras, nem sequer mudaram estantes de lugar. Era só uma mudança de material de um lado para o outro. Pensei eu que ia abrir logo no dia seguinte... Mas para meu espanto precisaram - nesta loja pequena, de 5 dias para tal coisa!!

Na véspera de abertura, no dia 5 de Abril pelas 17h da tarde, passei pela dita para tirar esta fotografia:


Como se vê, está o material todo atolhado. Bolas, arcos, produtos de higiene... Um caus. Nem parece que a «grande abertura» é na manhã seguinte. Agora imaginem o que não deve ser o ARMAZÉM desta loja. Devem ter atirado todo este material para a parte que ninguém vê. 

Fiz questão de passar por lá ontem, após sair do trabalho, para ver o que ficou. Assim que entrei pelas portas tive vontade de chamar o gerente e perguntar que idiota é que tinha tomado a decisão de dispor dos artigos daquela maneira. ANTES, ao entrar, existiam artigos de jardim, brinquedos e utilidades diversas. Agora decidiram meter BEBIDAS e CHOCOLATES à entrada da porta!! O que está mal? Bom, é que durante todo o dia aquela zona é banhada pelo SOL!!!


Percebi que nunca mais ia comprar chocolates nesta loja. Não estou para consumir alimentos adocicados que ficam todos os dias 12 horas ao sol! E as estantes laterais? De todas as que podiam ter escolhido, vejam só o que decidiram meter na mais exposta à luz do sol: 


Ainda assim passeei-me pelo familiar espaço com a esperança de constatar que tinham existido melhorias. Mas sinceramente, pela primeira vez abandonei a loja com a sensação de que ali não ia encontrar nada que me agradasse. Costumava ser a minha predileta - mesmo existindo outra com o triplo do tamanho, era nesta que achava coisas mais «mimosas». Agora posso dizer que nem isso. Quando cheguei comprei dois travesseirinhos muito mimosos, cada um a 1 libras. E a loja ainda os tinha à venda antes de fechar para «melhorias». Agora esses mesmos travesseirinhos, apenas ligeiramente maiores, estão à venda pelo preço de QUATRO libras. Para quê quero eu dar tanto dinheiro por algo que mal se nota a diferença na dimensão, se antes tinha praticamente o mesmo quatro vezes mais barato??

E depois meteram muitos artigos a duas libras e outros tantos que variam entre as cinco e os quarenta. Acho que começam a esquecer-se que o que atrai o público são as promoções e a ideia de que ali vai encontrar tudo a uma libra. Os artigos de eletrónica, brinquedos e jardim aos quais achava piada e custavam 1£, desapareceram todos. Para mim a loja ficou sem atrativos. É lamentável.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Assédios, inércias e oportunismo


Tanta coisa para... desabafar.

O indivíduo já saiu de casa. Mas ainda pode exercer direitos de propriedade. Descobri através da senhoria que amanhã a colega de baixo vai trazer um «friend» para ver o quarto. Não sei porquê, mas já tinha pensado que ela ia fazer exatamente isso. É o meu dedinho de adivinhação. 


Mas também vos digo: se esta atmosfera de «cada um fechado no seu quarto», que não implantei e sinto que fui forçada a seguir continuar quando aparecer o  novo ocupante do quarto - então acho que vou parar de pensar sempre mais nos outros do que em mim. Por exemplo: tenho fome não vou comer porque é tarde e não quero fazer barulho. Quando chego de madrugada não tomo banho para não fazer barulho... Não cozinho nunca porque há sempre alguém que cozinha sempre. Já chega. 


O chato vai ser se a rapariga - que parece continuar a evitar-me (mas porquê, que raio??) cá meter um amigo/a e depois dois unidos mas separados dos outros é sempre algo chato. Um encoberta o outro, torna-se os olhos e ouvidos para o outro e temo que ao invés de uma atmosfera mais leve e de convívio venha a existir outra sobrecarregada de vigilância. 

No emprego...
No emprego tenho tido horas difíceis. Não pela função, mas pelos colegas.  Um em particular, que está sempre a tentar me deixar mal vista. Ele não cessa nunca. Todos nós somos vulneráveis ao erro. Mas os dos outros são invisíveis. Os meus são criados, imaginados e inventados. Dois meses disto e já estou a ficar nervosa, ansiosa... tudo cá para dentro. Hoje era suposto estar a dividir a minha tarefa com outra pessoa - duas para a mesma função é agradável - aligeira um pouco a carga. Mas qual quê! Então não é que o rapaz não fez nenhum?? De tudo o que podia fazer - escolheu não fazer nada. Ficou mais tempo a passear pelo espaço, a falar sobre o seu jogo de futebol e a conversar com o tal que me quer deixar mal vista que a trabalhar. Depois chegou o gerente e, para meu espanto, o rapaz conversou também com este! Depois chegou a gerente-chefe que ali ficou a tratar de umas coisas e pareceu alienar-se para a inércia do rapaz. E eu que a julgava sagaz. Costuma estar quase sempre de uma forma simpática a chamar a atenção daqueles que já estão no «faz nenhum» por demasiado tempo.


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Homem negro desarmado - o doc


Lembram-se deste post sobre um bom documentário?
Não, estou certa que não.


Escrevi sobre «homem negro desarmado» aquando a sua exibição num canal nacional, a dois de novembro do ano passado. Pois andava eu pelo youtube quando me deparo com o mesmo. Achei por bem partilhar aqui o vídeo. Para que possam assistir e tirar as vossas próprias conclusões. É um daqueles RAROS documentários que nos fazem refletir e nos apresenta a perspectiva de AMBOS os lados. O que todo o documentário, reportagem what-ever devia fazer. Muito bom, é como o posso descrever. 


Mas vejam e ditem a vossa sentença.
PS: (sem legendas em português)


terça-feira, 4 de abril de 2017


Hoje fui ao supermecado no intuito de comprar umas coisinhas baratas, tipo snacks e coisas de comida rápida. Gosto de sopa e descobri que prefiro as enlatadas a quaisquer outras. Ao todo trouxe 19 artigos. Sete eram latas de sopa, a 0.39p. Barato, né? Pois ainda existem outras mais baratas. Aqui existem alimentos e artigos a preços muito reduzidos. Talvez não sejam os mais aconselháveis mas no que respeita a sopas, como disse, prefiro estas. Testei outras, mais caras, sem ser de lata e em lata e acabei preferindo estas, da marca do supermecado. O artigo mais caro que trouxe custava 1 libra. Trouxe uns três desse valor: uma salada, um folhado de salsicha quark (apropriado para vegans e vegetarianos porque não tem carne) e outra mariquice qualquer. O resto foi pela metade. Foi com surpresa que no final a conta totalizava 10.59 libras.  


Dinheiro é para se gastar e não obstante a surpresa, ao cair da noite fui a outro supermercado (onde pretendia comprar uma salada de salmão que me estava a criar água na boca há uns dias). 

Assim que entrei vi as roupinhas para criança e não resisti: Oito libras foram para uma Tshirt mágica (muda de cor com o sol). Eu adoro este tipo de coisinhas :) A combinação de imaginação, brincadeira, tecnologia e roupa. Em Portugal é difícil encontrar indumentárias com estas peculiaridades a preços normais ao invés de exorbitantes. 

Dirigi-me então para a secção de saladas onde encontrei apenas um exemplar da minha desejada de salmão... Um pouco com ar murcho mas ainda assim, não lhe resisti. Como eles fazem uma promoção - oferta de bebida se comprar também um snack - trouxe um folhado de salsicha (este com carne mas que, se calhar, de carne também não tem nada) e o meu suminho de laranja. Tudo ficou por 3 libras. 

Perdi-me foi com a diversidade de bebidas tipo-leite. E incapaz de me decidir por uma trouxe todas as que me despertaram mais a atenção.


E foi aqui, mais numas outras coisinhas de baixo valor, que elevei a conta para 18 libras. Como 8 foram para a roupa infantil, no fundo hoje gastei 20 libras em supermercado. Talvez um pouco excessivo para o género de coisas que trouxe. Talvez essas 20 libras fossem melhor empregues no pagamento de uma refeição completa. Quatro euros aqui, outros cinco ou dois acolá... Com os descontos a que tenho direito no local de trabalho, dava para tomar uma refeição quente (paninis, hamburguers, eggs benedict) por uns dias. 

Mas não me importei nem um pouco. Tenho de travar sim, esta minha compulsão para compras diárias. Nunca me senti muito confortável com a ideia de que o dinheiro que ganho é também gasto no local onde o ganho. Parece-me um plano elaborado por um ganancioso patrão... E depois de uns problemas que a empresa resolveu inventar relacionados com as refeições dos funcionários, achei por bem passar a trazer a comida de casa. E foi aí que os meus gastos subiram um bocadinho, devido à compulsão de ir mais vezes às compras. 

Se bem que o dia começou com uma ida aos correios, fazer um envio para portugal... Um pequeno embrulho de 409 gramas. No interior vai um produto que me custou 2 libras. O envio em si, ficou por SEIS libras. Isto escolhendo a opção mais ECONÓMICA, claro. porque as outras são para esquecer. Usar os correios do UK é altamente desaconselhável.

segunda-feira, 3 de abril de 2017


Despertei tarde. E o meu pensamento imediatamente «voou» para o que decidi ontem e o que é viver nesta casa.

Primeiro as actualizações: Dois dias depois de ter ficado triste por ter perdido um bom quarto, barato, numa casa agradável mas menos bem localizada, soube por um email da senhoria que o indivíduo vai sair desta casa. 



A minha necessidade de mudar o quanto antes ficou assim alterada. Se ele vai sair, daqui a sensivelmente 15 dias, então eu poderei ficar. Como havia perdido o tal quarto e mais nada estava a aparecer, comecei a ponderar permanecer aqui, onde, pelo menos, já sei com o que contar.

É então que o telefone toca.
É o senhorio da tal casa. Disse-me que tem um outro quarto a ficar livre. Ainda não o havia publicitado, preferiu dar-me a possibilidade de escolha. Então ontem lá fui, visitar novamente a casa, para conhecer o «outro» quarto. Gostei. Quarto tão amplo quanto aquele que tenho agora. Mas ainda mais aconchegante. 




Mais uma vez só o senhorio pareceu estar em casa. Um Domingo e não dei conta da presença de mais ninguém. A rapariga que ficou com o quarto sobre o qual supostamente eu tinha prioridade, fiquei a saber que se muda hoje e é espanhola. Pareceu-me possível viver numa casa harmoniosa, com inquilinos que começam, quase todos, ao mesmo tempo a habitar o espaço. Assim nenhum se acha com «mais direitos» que outros. Tudo pareceu bom. Com excepções. 

Para lá chegar demorei sensivelmente 17 minutos a mais do tempo que imaginei. A «curta» caminhada senti-a longa. Cansei-me um pouco, devido à rua ser a subir e o sol estar forte. Se o meu trabalho não exigisse de mim um esforço físico que me cansa o corpo, tudo bem. Mas imaginei-me exausta a tentar chegar a casa o quanto antes e ter pela frente aquela caminhada. 

As lojas locais - das quais não detectei nenhuma útil, estavam fechadas. E a caminhada da paragem de autocarro até casa, mais longa e cansativa que a caminhada pelo atalho que vai dar ao centro da cidade. Ora, no centro já vivo eu. Se tiver que caminhar do centro para a casa pelo atalho todos os dias, o que implica ainda atravessar uma passagem aérea, se calhar mais vale ficar onde estou. Quando faço noites e saio de madrugada, como foi o caso de ontem/hoje, será seguro aquele percurso nocturno? 

Optei então por dizer que não queria ficar com o quarto. 

A localização é a principal razão de me querer manter onde estou. Ou se calhar a segunda, porque o facto de já estar acomodada pode ser a primeira. 


Eram cerca de 9.30 am quando acordei. Com barulhos do indivíduo que vai sair e todos os dias anda a tirar objectos aos poucos. A claridade imensa que entra pelas frechas dos estores e cortinados também tornam difícil o regresso ao sono. Por isso o meu primeiro despertar foi matinal, não tardio. É então que oiço um bater à porta. Como por vezes é na porta ao lado que se dá o toque, fiquei na dúvida. Levantei-me e espreitei à janela, mas nada vi. Porque as janelas de baía e o alpendre tiram a visibilidade e omitem a presença de qualquer um. Ao invés das pessoas darem a volta e sairem pelo portão, passam de alpendre em alpendre.

Bateram então nesta porta. Voltei a levantar-me para ir abrir mas a rapariga que dorme no quarto de baixo chegou lá primeiro. Fiquei a tentar perceber se a encomenda era para mim. Quando fecham a porta ao carteiro e vejo que ela deixa a encomenda, como é hábito, no móvel da entrada. Se fosse para mim, geralmente ela poderia dizer: "É para ti". Mas ao invés disso apressou-se a entrar no quarto, evitando qualquer contacto ou interacção.

E voltei a lembrar-me da outra casa.
Fiz uma opção. Que espero ter sido a correta. Tenho uma intuição que me diz que sim, fiz a melhor escolha. Foi então que decidi vir aqui contar as novidades e deparo-me com o comentário da Tuga em Londres - um blogue interessante que me fez uma visitinha. E diz ela: 

«De qq forma, devo dizer que isso de não teres ficado com esse quarto parece do melhor. Não confio nada em casas onde é o senhorio a mostrar a casa em vez dos flatmates porque isso significa que vais estar num ambiente em que cada um arrenda o seu quarto e passa a maior parte do tempo no quarto fechado evitando viver em comunidade com os outros flatmates. Esse é um ambiente muito estranho e totalmente desaconselho-o». 
Ora, a minha realidade é mesmo essa. Vivo numa casa onde os outros inquilinos passam a maior parte do tempo fechados no quarto evitando viver em comunidade com os outros flatmates. Se não era isso que pretendia ou imaginei ao vir visitar a casa - que me foi mostrada pelos flatmates por insistência da senhoria - essa tornou-se a realidade pouco depois de começar a morar aqui. Eu mesma praticamente fui forçada a agir assim após o que aconteceu antes do Natal. Estava nos meus planos sugerir fazermos um jantar colectivo. Até me enviaram o bacalhau de Portugal... Comprei decorações natalícias com o intuito de trazer para o lar um pouco da harmonia e espírito natalício. A realidade é que as decorações foram ignoradas assim como o email personalizado com desejos de feliz natal. 

A partir daí segui as «regras da casa».


Mas lamento que assim seja com a rapariga do andar de baixo. Porque com ela consegui ter conversas sem estarem relacionadas com a casa em si e falamos por muito tempo, naturalmente. Mas ela lá tomou a decisão de que não querer mais envolver-se com nenhum outro flatmate, sensação decerto reforçada pelo apreço que tem em viver na parte de baixo da casa. Diz ela que gosta muito mais, por não estar no meio da «confusão» (dos outros dois rapazes) e por ter mais liberdade de entrar, sair, trazer pessoas para casa, sem que isso dê muito nas vistas - já que todos costumam estar no andar de cima, nos quartos. 


sexta-feira, 31 de março de 2017

cansada dos «foda-se caralho»


O meu espírito está a sentir falta de trabalhar num ambiente mais requintado. 

Não sou nem nunca fui uma pessoa de fazer distinções entre as outras. A prova é que tanto trabalho com uns, quanto com outros, sem me lamentar constantemente e sem me vangloriar para uns e outros dos feitos do passado ou das conquistas de vida. Lá porque sinto falta de um outro tipo de ambiente, isso não me faz pedante - caso alguns já estejam a pressupor esse defeito.

Trabalho rodeada de todo o género de pessoas - o que adoro. Em comum temos o facto de sermos  todos emigrantes e de nos sujeitar-mos aos empregos com mais procura - os não qualificados. 

Mas depois existem, aqui e ali, algumas diferenças. A maioria daqueles que me cercam têm pouca instrução. Ninguém ali estudou até obter um curso superior, muitos nem chegaram a completar o 7º ano. 


Sempre admirei pessoas mais velhas que, não tendo tido a chance de se instruírem, não deixavam por isso de possuir sabedoria de vida, que sabiam usar como ninguém. Mesmo pouco instruídas, auto-instruíram-se da melhor maneira possível. Essa constatação precoce fez com que não desse grande importância à instrução de cada um. 

Portanto, não será, decerto, a falta de instrução que me abala. O que mais me incomoda é quando, aliado a esse detalhe vem uma certa falta de educação e maldade de pessoa que gosta de prejudicar os outros como modo de vida. 

As tais pessoas pouco instruídas que mencionei admirar, podiam não ter frequentado a escola, mas não deixaram de ser criadas com valores. Receberam educação, conceito de boas maneiras, de responsabilidade, de consequências dos seus actos. Noções de ajuda ao próximo, de solidariedade, de luta. 

Mas estas a quem estou a tentar fazer referência não fazem parte da mesma estirpe. É outro tipo de falta de instrução. Diria até que esta é um detalhe que palidamente têm em comum, porque o que mais carenciam é exatamente dos valores, da educação. 


Se antes a escolaridade não estava ao alcance dos pobres, hoje ela está. E tornou-se obrigatória, a pretexto de se combater a desanalfabetização. Mas nunca antes como agora existiram tantos jovens a fazer pouco caso dela. Algo que já me incomodava constatar aquando andava nos bancos de escola. Como tantos se queixavam, se lamentavam, se auto-prejudicavam, repetindo a ladaínha de que os estudos «não serviam para nada», queriam era trabalhar para «ganhar dinheiro» e que estudar era uma «perda de tempo». 

Portanto, muitos daqueles que não têm instrução devem esse facto não tanto às más condições de vida, quanto à própria pouca vontade de se instruírem. Depois crescem, trabalham e lamentam-se. Alguns, os de boa índole, não se tornam vingativos e maliciosos. Aceitam os limões da vida e fazem limonada. Outros, procuram somente atirar os limões para o quintal dos outros. 

Bom, mas tudo isto para desabafar que estou cansada de trabalhar num ambiente onde todas as frases que certas pessoas dizem incluem a expressão «foda-se caralho». Sim, estou no UK mas trabalho com alguns portugueses e até os ingleses, por sua vez, só querem aprender palavrões em Português. Então, quando se reúne uma certa equipa, passam-se os dias de trabalho inteiros a escutar palavrões. Nove horas de trabalho sempre com os «foda-se caralho» a soar nos ouvidos. Quer se goste, quer não. 

E é essa «pobreza» que o meu espírito lamenta. 
Ele sente falta de um contra-balanço. 


Já noutra ocasião no passado, senti a mesma falta. Posso até dizer que estava totalmente deslocada daquele ambiente. Trabalhava em portugal, mas com muitos emigrantes ou descendentes, na sua maioria cabo verdianos ou angolanos. Ou seja, pessoas que, tal como eu, foram para outro país à procura de melhor condições de vida. Porém, pouco instruídas. Mais uma vez, o problema não estava tanto aí tanto quanto estava na má educação. Não de todos porque, felizmente, existem sempre excepções. Mas uma maioria também só sabia estar no ambiente de trabalho a perseguir os outros, a ter como objectivo o confronto, o destrato... enfim. Uma total falta de educação, uma carência de instrução, porque só esta, tanta vez, nos faz perceber a outra...

Quando terminei nesse emprego decidi meter-me noutra coisa totalmente diferente. E de uma «fábrica» passei para um escritório de uma multinacional. Bem, o que dizer? Acabaram-se os palavrões. Se fossem ditos, estavam contextualizados e justificados. Não eram gratuitos. E até hoje recordo com saudade que uma das circunstâncias que mais me agradou - os homens a dar prioridade às senhoras na altura de entrar no elevador. Ver as pessoas a cumprimentarem-se educadamente, os homens a dar prioridade às senhoras ao se aproximarem de portas, o segurarem a dita para que estas pudessem passar. Estes pequenos gestos de cortesia e boa educação. Que eu tenho, mas não recebo. Estava então tão precisada de os ter à minha volta! 



segunda-feira, 20 de março de 2017


Inscrevi-me em vários cursos no centro de formação Citiforma há cerca de ano e meio.
Hoje recebi uma comunicação para fazer a inscrição em dois desses.

Isto é o que está deficiente no nosso país.
A pouca urgência que dão aos interesses formativos do seu povo.


É por aqui que sei que fazer vida em Portugal dificilmente voltará a ser possível.
Veremos.

domingo, 19 de março de 2017

Já está a passar...


... a sensação de luto com que fiquei.
Acho que para tudo é preciso passar pelas emoções.

Agora é pegar o tempo livre que se aproxima e continuar a procurar.
Insistir.

Dizem que é esse o truque para se conseguir coisas na vida.