sábado, 16 de abril de 2022

São supersticiosos?

 

Com o avançar da idade estou a tornar-me mais supersticiosa. 

Tenho o que se poderia chamar de "amuletos", na falta de uma palavra com uma conotação menos significativa. 

Nós rezamos, certo? 
Rezamos muitas vezes, na nossa cabeça, fazendo pedidos aos espíritos, para nos auxiliarem em decisões que temos de tomar, para nos socorrerem em momentos de confusão e angústia. Costumo pedir para todas as representações do mal se afastarem de mim e não brotarem de mim. Quero começar a vivenciar experiências positivas e ficar rodeada de gente de bem e coisas boas. 

Pois quem sabe eles não nos respondem metendo no nosso caminho amuletos?

Digo isto porque, há uns anos, aconteceu-me uma coisa... inexplicável. Daí a diante, passei a acreditar que, se precisar-mos, amuletos são postos no nosso caminho. 

Há uns meses encontrei uma pulseira toda em pedra natural. A coincidência é que já tinha ouvido falar nelas e queria muito uma. Subitamente ali estava ela: para mim. Como é possível? Eu desejar e ela aparecer? É daquelas pulseiras de energização e protecção. E era linda. Amei-a de imediato. Adoro pedras naturais. Era neste estilo:


Fiquei com a sensação que tinha sido colocada ali para mim. Era suposto tê-la comigo para me dar sorte e afastar coisas menos boas. Coloquei-a no pulso e nesse instante senti algo. Algo quase parecido a um certo calor, uma energia especial. Senti-a. Nunca mais a tirei. Até a semana passada, quando uma chuva enorme me apanhou desprevenida quando dirigia a scooter para o emprego. Cheguei encharcada e as luvas que trazia estavam ensopadas. Ao tirá-las a pulseira deve ter saltado.  

Algo em mim já estava a intuir que me faltava uma parte. Subitamente lembrei-me de verificar e estava sem ela. Não a encontrei em lado algum. 

Percebi que outra pessoa precisou dela mais do que eu. E ela foi fazer o seu "trabalho" a quem dela necessita mais. 

Enquanto a usei senti mesmo tudo a correr bem, sem grandes percalços. Senti-me mais centrada, mais segura e tranquila. Como que se protegida de energias menos boas e de alguma forma protegida até de mim mesma, compreendem? Pela frente senti coisas boas. 

Depois de a achar, convenci-me que este tipo de pedras que oferecem protecção têm pouca eficácia se forem compradas pela pessoa que a quer ter. Se a pessoa escolher uma determinada pedra de protecção e pagar por ela, provavelmente não passará de um adorno. Estas coisas têm de vir com "um sinal". Têm de ser encontradas do nada ou ser oferecidas por pura vontade e sem explicação, não podem ser pedidas. 

Agora vem a parte que reforça ainda mais esta minha crença. Desde que fiquei sem a pulseira tenho sentido mais "negatividade" a pairar e mais coisas a correrem menos bem. Hoje tinha acabado de reflectir que precisava de arranjar outra pulseira, porque senti-me desprotegida, vulnerável. As coisas estavam a acontecer ao contrário do suposto e não para o melhor. Não haviam dúvidas: a pulseira estava a fazer falta.

Assim que penso nisto, na direcção que estou a olhar surge uma pulseira. É como se ela tivesse sido posta ali para responder ao meu pedido. Não hesitei muito: peguei nela. Não era de pedra como a anterior, mas feitas de missangas de plástico. Contudo, brilhou aos meus olhos e sussurrou-me na alma que era especial e era para mim. 

Digam lá: quantas vezes se materializa à nossa frente algo que acabamos de desejar com a mente?

Sei que esta pulseira é especial e me trará protecção. A que preciso. Ao vê-la soube que ia usá-la no tornozelo. E é nele que a pulseira está. LINDA. 

Provavelmente poderá cair também com muita facilidade. Põe e tira meias, põe e tira sapatos, pulseira de missangas, fina... parte fácil.

Mas se isso acontecer, sei que é porque era suposto acontecer assim. 
E outra coisa irá surgir no meu caminho e saberei nesse instante, se é "especial".


quarta-feira, 13 de abril de 2022

Também a dor de um amor



Acontece o mesmo com um amor não vivido.

E no fundo, nao é a mesma coisa?

Amar e perder esse amor.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Leituras na gaveta

 Proxima leitura sera esta. 

Sei que poderei ser capaz de ler esta historia sem conseguir coloca-la de lado. Contudo pretendo saboreá-la por isso, vou le-la aos poucos e depois partilharei aqui a minha opiniao.  

domingo, 10 de abril de 2022

Devia ter uma câmara no capacete

 
Desejei estar a usar uma câmara num capacete para que fosse possível presenciar o que os meus olhos registaram. 

Hoje pela manhã, 6.15h, a conduzir a minha scooter, após sair do emprego rumo a casa. Estava a sentir-me feliz da vida. 

Algo em trabalhar aos Domingos é bastante gratificante. E sei qual é a razão. É a enorme redução de tráfico, de confusão, de barulhos. Subitamente sente-se não isso, mas o que nos rodeia. Um detalhe que faz com que um dia de trabalho seja sentido com mais prazer. 

Desde o lockdown e a escuridão do inverno que não conseguia fazer um percurso como o de hoje. Não surgiu absolutamente NINGUÉM enquanto atravessei o parque. O que gerou em mim uma forte sensação de apreço por me encontrar viva e estar a comungar com a natureza. A scooter serpenteava pelo caminho estreito do parque e era só eu e toda aquela beleza. Mais nada. Nenhum som além do vento e o chilrear dos pássaros. 

Habitualmente não é assim. Existem sempre outras pessoas rumo aos seus empregos, o som  inconfundível do tráfico automóvel, que é um misto de um constante tambor do motor mecânico com o zumbido da tracção das rodas de borracha no asfalto. A ausência da percepção de seres humanos em trânsito enquanto atravessei o parque, seja em suas casas ou na rua. Não avistei os habituais donos a passear cães, nem outros ciclistas, tanto de scooters como de bicicletas. Nenhum desportista a fazer corrida, nenhuma pessoa a passar e muito menos o odor inconfundível de alguém a fumar erva. 

Instantes em que só pulsava com vida eu e o parque. Uma comunhão especial.

Ás tantas enquanto contemplo esta dádiva, com a aproximação da scooter um bando de pombas levanta do chão e começa a voar. Pareceu uma cena saída do cinema! Eu, ali a sentir-me agraciada e grata, tão feliz que até cantarolava e me abanava em cima da scooter e subitamente, um bando de aves como que abençoa o momento. Cena de cinema - digo-vos. 

Bem diferente de sexta-feira de manhã, quando gaivotas que estavam a bicar e ingerir algo na relva perto de uma habitação, à minha passagem decide levantar voo em bando e passar por cima da minha cabeça, regurgitando uma substância sólida alaranjada que me atingiu. Mas foi na manga do casaco, e traseira da scooter, felizmente. 

Dizem que caca de pássaro em cima de nós é sinal de boa sorte.

Já comprovei isso. É verdade
Regurgitação não sei que sinal é. 

Mesmo que seja sinal de sorte não é agradável. Danada das gaivotas! São citadinas. Já deviam estar acostumadas aos movimentos da cidade. Ainda assim "mijaram-se"" todas de susto e não contiveram as suas "body functions". 




Já só se avistam gaivotas em terra. 
Também elas trocaram a vida silenciosa nos oceanos pelos facilitismos das grandes cidades com os seus enormes centros alimentares com fontes inesgotáveis de lixo e desperdícios. E onde não existir grande limpeza, é onde estas aves gostam de estar. Trocaram o peixe por lixo, para não terem o trabalho árduo de mergulhar nas águas de um oceano imenso na tentativa difícil e nem sempre bem sucedida de os pescar usando apenas o bico e gerações de adquirida ancestral mestria. Deve ser esgotante! É mais fácil não fazer nada e aguardar pelo lixo humano.  


Esta travessia pelo parque proporcionou-me um momento de puro paraíso. Senti-me abençoada. Grata e muito feliz.

Já perto de casa, a atravessar a rua principal, minada que está de bares, um bando de umas 40 gaivotas que estavam a bicar no pavimento os restos largados no chão por estes estabelecimentos, também desata a esvoaçar. Desta vez à minha frente. Invadiram o céu inteiro, quarenta - contei por alto. Asas brancas a espalharem-se pelo céu até onde a vista alcança. Bonito de ver. 

Só mesmo uma câmara num capacete para o poder ilustrar.

Fosse a vida cheia destes momentos.



terça-feira, 5 de abril de 2022

As pics nas redes sociais

 

Aderi ao Whatsapp por volta de 2019. Como em todas as redes sociais, podes ter uma pic (imagem) de ti mesmo, que te torna mais facilmente identificável para os outros. 

Não sou de colocar fotografias minhas online. Tenho uma forma peculiar de escolher fotos para estas circunstâncias. Costumo aceder às imagens que gosto e escolho uma ao acaso. Foi assim para a conta do facebook, por exemplo. Seleccionei ao acaso, na pasta de imagens que guardei da internet por achar bonitas ou simbólicas, um desenho a lápis de uma mulher loura com olhos azuis e a foto  do original ao lado. Recebi "cantadas" por mensagem privada, dizendo que me acham bonita e que devo ser muito simpática, pedindo para trocar-mos números de telefone. 

Mas a minha "pic" não passava de uma imagem aleatória que gostei quando a vi na internet e fiz o download para o computador. 

Noutra conta, outro desenho que achei bonito foi parar à minha imagem. Recebi numa ocasião, uma mensagem a pedir para a remover, pois passava uma mensagem triste. É que no desenho, de uma mulher de cabelo negro, com um colar, na realidade ela estava a usar uma trela presa por uma corrente. Quem se deu ao trabalho de verificar, percebeu a mensagem e sentiu-se perturbado. Nunca tirei, porque, assim como todas as outras, quando escolho uma imagem, esta passa a fazer parte da conta. Nem faz sentido mudar de imagem. É como se não fosse mais o mesmo espaço. 

Dou como exemplo outra conta do facebook que tive. Abri-a para fazer uns jogos e posteriormente foi útil para comentar programas de televisão sem correr o risco de perder o anonimato. Essa conta era ilustrada com umas mãos a segurar umas barras de ferro. Grades, como quem está numa prisão. 

Na altura achei a imagem muito simbólica, representando as prisões em que as pessoas estão enfiadas, seja por vontade própria, seja por desconhecimento. Um dia troquei essa imagem por outra de que gostei muito: uns dentes a morder uma barra de chocolate.


Começaram a surgir cantadas. De pessoas - homens, que achavam que aquela imagem ou me representava, ou lhes conferia o direito de se dirigirem a mim com um discurso mais atrevido. Mudei de imediato para a imagem original - a da prisão. E comecei a ter interacções mais controladas e nenhuma de alguém a querer manter o contacto com esperança de algo mais. Presumo que algumas pessoas temessem realmente estar a interagir com uma presidiária. Ahah.

ESSE É O PODER DAS IMAGENS. 

Na minha conta de Whatsapp, sabia que tinha de colocar a minha imagem. Não fazia sentido colocar outra, pois era para fins profissionais que a ia usar. E as pessoas com quem trocava mensagens inicialmente, queixavam-se que não estavam bem a perceber quem eu era, porque não tinha escolhido um rosto. Então sabia que ia colocar algo que me identificasse. Mas também sabia que não ia colocar a minha fotografia. 

Tinha tirado muitas fotos numa ocasião, em que só apanhava o meu sorriso. Gostei muito delas e o facto de não se verem os olhos fez-me sentir confortável. Escolhi uma e essa ficou a minha pic para sempre. Nunca irei mudar. Sei  que não, a menos que, por algum motivo, desapareça. 

Isto foi para o final de 2019. No início de 2020 começou a pandemia e em Março o isolamento devido ao virus Corona. Andavámos todos de rosto tapado por máscaras de papel. Deixou-se de se ver sorrisos. Tanta vez ouvi que já nem se lembravam como eu era sem máscara!

Durante todo esse tempo no meu whatsapp eu estive de boca destapada, com um grande sorriso, a mostrar todos os dentes. 


É uma imagem que me agrada. Não só tem ali a minha essência como esteve o tempo todo a mostrar alegria e um sorriso que todos nós tivemos de cobrir por quase dois anos. Quase todas as pessoas alteram a sua imagem, de quando em vez. Por algum motivo eu, que tenho milhares delas, acho que aquela que "inaugura" a rede social, é aquela que lhe pertence e deve ficar associada à conta para sempre. Se mudar de imagem, já não é a mesma conta. 

domingo, 3 de abril de 2022

A importância do humor

 
Se o Will Smith alguma vez tivesse se sujeitado a um destes, talvez soubesse aguentar uma piada. 

Não passa de uma pálida piadola sem qualquer consequência ou maldade, aquela que Chris Rock soltou durante os óscares, quando assistimos a roasts como estes. Vejam e riam muito. 

A meu ver a defesa do humor é essencial na sociedade. Só ele pode combater cancros como a cultura cancel, o politicamente correto, etc. Sem humor as pessoas guardam todo o seu vil ódio para dentro e explodem. Ficam chateadas e guardam rancores. Tornam-se violentas e criam guerras. Matam. Destroem. Odeiam.

O humor, meus caros, é para a vida o que um pulmão é para o corpo humano.

Tão essêncial como é ter liberdade e respeito. Merecedor de defesa acérrima, por representar tudo o que nos faz falta. Combate a opressão, a depressão, remove tensões, destrói "elefantes" na sala, impede o silêncio das verdades, faz frente aos poderosos e arrogantes.

Que haja sempre humor sem limites. Humor é amor!

sábado, 2 de abril de 2022

E o que acontece quando se faz uma "all black"?

 

Desconhecia mas acabei de confirmar: a 94º cerimónia de entrega dos Óscares foi intencionalmente "ALL BLACK".


Will Packer foi o director que realizou a primeira produção dos óscares feita "All black" (Toda por negros), que foi esta, a 94º, que entra para a história tanto por ter sido fraca como por ter mostrado um ator negro a agredir com um soco um comediante negro.

Bom, deve ser nisto que dá quando o preconceito revertido chega a um palco mundial. Levas um bando de negros para um sítio e tem de existir confronto e agressões ahah

É o sangue de Ghetto...

Lol.

E não, não vou pedir desculpas por esta piada. 


sexta-feira, 1 de abril de 2022

A cerimónia dos òscares 2022 foi com murro

 

Fui ver algo que nunca me atraiu por aí além: a cerimónia dos Óscares. 

E o que marcou o evento? 

Will Smith deu um murro em Chris Rock

Logo a seguir ganhou o óscar para melhor ator e o seu discurso foi somente sobre o seu desejo de espalhar AMOR e ser um veículo de "Deus" para representar "a sua gente". 

Cada vez que ele pronunciou a palavra "amor", inseri visualmente o murro que ele deu na boca do Chris Rock.

"Eu quero espalhar amor" (murro)

"Eu quero ser um veículo para ajudar a minha gente"(murro dado por um negro na cara de outro negro)

Se isto é espalhar amor e ajudar os "da sua gente", internem o homem que ele é um lunático.

Mas não o culpo só a ele. Ele estava a rir da piada (imagem acima) e não achou mal algum, até vislumbrar a careta que a esposa fez. Foi isso que o catapultou a mostrar violência e ainda gritar duas vezes: "Tira o nome da minha esposa da foda da tua boca". 

Acho que o homem há muito que desconhece quem é individualmente. Ela é quem lhe diz quem ele deve ser e como deve pensar e agir. Não passa de uma marioneta iludida que foi sujeita a uma total lavagem cerebral devido a uma paixão por uma mulher. Se a Yoko Ono teve a reputação de "destruir" John Lennon, Jada merece esse rótulo muito mais. 


Outra coisa que notei nesta cerimónia dos Óscares foi a quantidade de "pessoas de cor" no palco, na plateia e nas actuações musicais, também elas por algum motivo no estilo cultural negro. Isto é importante. Há décadas que a comunidade afro-americana, como exige ser chamada, faz pressão à academia para esta "mostrar" mais negros. "Queremos mais negros em filmes!", "Queremos mais filmes sobre negros", "Queremos mais negros a trabalhar nas equipes!" - pressão, pressão, pressão. Para não falar da pressão social e do uso dos media, levando questões sociais para os óscares.  Chegou finalmente a cerimónia por eles tão desejada: estimaria que 90% da cerimónia teve sempre esta presença visual.

A apresentação da cerimónia ficou por conta destas duas mulheres, de origem negra

A importância deste detalhe é vital neste contexto. A América vive uma espécie de racismo-invertido (detesto o termo) em que o negro procura obliterar o branco da maioria dos campos profissionais e sociais. A desculpa é sempre a mesma: somos uma minoria em desvantagem e queremos cotas para ter mais presença. 

Um importante momento da cerimónia: a homenagem aos que partiram: cantores e dançarinos negros fazem um show género gospel

Agora têm o seu desejo realizado. Podemos até ver um ator negro a agredir um comediante negro.
Se isso faz diferença para uma pessoa de outra etnia? Não, não faz. Mas se Chris Rock fosse branco, então falar-se-ia de racismo e uma maioria ia ficar do lado de Will Smith somente por causa da cor da sua pele mais escura quando comparada ao do agredido. Isso muito me entristece. Pessoalmente acredito ser altamente prejudicial continuar a descriminação disfarçando-a de "direitos". Ninguém deve ter acesso privilegiado a nada, somente pela sua cor de pele. Nem branco, nem negro, nem nada. Todas as pessoas devem ser consideradas iguais e, daí, lutar com igualdade pelo direito de conquistar seja o que for. 

Assim é que se consegue igualdade e harmonia. Não é diferenciando grupos, é homogeneizando-os. 

Nesta imagem da banda dos Óscares foram intencionalmente colocados ao centro, de pé, três indivíduos "afro-americanos"


Espero sinceramente que este acto - pelo qual Will Smith não pediu desculpa - acabe com a sua carreira. Mas sendo e tendo o apoio da "máfia" "afro-americana" e sendo homem, provavelmente isso não vai acontecer. Se outros por muito menos viram um fim súbito, Will Smith à muito que vive da imagem que projectou quando miúdo ao protagonizar a série "O Principe de Bel Air". Mas o homem que dali saiu não tem nada a ver com esse tempo. Como ator também não é brilhante. Em alguns filmes - principalmente um que rodou com a sua família, surpreendi-me ao perceber falta de talento. Mais dela do que dele mas essa percepção fez-me entender porquê a reação violenta. É difícil aceitar que a esposa não pode voar tão alto quanto desejaria. 

Nesta 94º cerimónia dos Óscares o gesto de Will Smith é ainda mais feio quando pensamos que um dos falecidos do ano a quem se prestou homenagem foi, nada mais nada menos que o incontornável Sidney Pontier (1927-6.2.2022) 

Considerado o "primeiro" ator negro a ter papéis importantes em filmes de hollywood, numa altura em que isso era raro. Aquele que abriu o caminho que procedeu todos os que vieram depois - acho vergonhoso que neste contexto o exemplo dado por Smith seja o de intolerância e violência, ao dar um soco na boca de outro da sua raça. 

Está a conspurcar a arte, o princípio, a mostrar ser um mau exemplo, principalmente numa altura em que todos falam de paz, devido à guerra dos Russos na Ucrânia e numa altura pós-pandemia, em que pela primeira vez se tiraram as máscaras do rosto. Tanto se falou sobre "as lições" de paz e interajuda que a clausura supostamente ensinou e o que continuamos a ver é fúria, violência, morte, agressões! 

Para quem fez um longo discurso soltando palavras de "paz" e "amor" - os actos não correspondem. 
E não ter noção disso é que assusta.

Que eu saiba, Pontier nunca que andou a fazer campanha por causa da cor da sua pele. E ele sim, viveu numa altura em que a América era segregada. O seu óscar data de 1964. Penso que o comportamento de Will Smith nesta 94º cerimónia dos óscares não pode passar em branco. Se isso acontecer, passa-se a mensagem que se permite tudo. Hollywood não pode se dar ao luxo de cair mais na consideração do público e perder mais prestígio como uma poderosa fábrica cinematográfica. 

Quero destacar a atitude de Chris Rock - o agredido. Portou-se como um gentleman, soube recuperar da situação e fazer o seu trabalho. Ele que estava tão vulnerável, como comediante, sozinho, no palco. Foi dito que ele manteve silêncio sobre o sucedido e não quis estragar o evento. Também é dito que não vai apresentar queixa. 

Digo-vos: se a situação fosse contrária, Will Smith, que a seguir foi filmado a dançar e cantar com a estatueta na mão numa festa, apresentaria queixa e ainda não se calaria sobre o assunto. É que este episódio pode até vir a prejudicar a carreira de humorista de Chris Rock. 

Hollywood é toda sobre dinheiro. Quem faz mais, quem faz menos, quem deixa de fazer. Quantas pessoas poderão agora achar que agredir um comediante que está a fazer o seu trabalho é aceitável e quantos podem agora vir a correr riscos durante os espectaculos que dão pelo país fora?

Ele não vai, porque é um homem decente, mas devia apresentar queixa contra Will Smith.