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quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Pequenos sinais... de que podem te estar a seduzir com falsidade

 

Estava sentada num assento na carruagem do metro. De pé, mesmo atrás do meu ombro, escutava as vozes de um casal a conversar. Acabei por apanhar o tom de voz e o que era dito. O rapaz escutava-a com interesse e pouco falava. Fazia questões à rapariga, pelos vistos para a conhecer um pouco melhor. Sugeriu sairem juntos. Ele não era dali e ela era lisboeta e podia lhe mostrar os melhores lugares. Ela logo avançou que não conhecia muita coisa porque não cresceu a ir a muitas festas e ia "polvilhando" aqui e ali, o rapaz com informações da sua vida . Uma vida de abnegação, "dedicada" aos outros. Pude sentir o interesse dele a crescer. E pude perceber a perícia da miúda, que conduzia a conversa pintando-se de uma maneira tão benéfica, que se julgaria tão santa como a madre Teresa de Calcutá. 

Disse-lhe que cresceu sem sair à noite. Não conhecia muita coisa. Teve de cuidar do irmão, de quem gosta muito, como se fosse um filho. Tinham uma diferença de idade de alguns anos. Era como se fosse mãe dele. Só começou a sair já era mais adulta, mas poucas vezes e em ocasiões especiais. Cada vez que ela falava, o interesse dele continuava a crescer.  Demonstrava que queria estar com ela e dedicava-se a escutá-la. Ela tinha uma voz doce, tão serena e calma, que deu-me vontade de olhar para trás só para perceber como era. O que fiz muito rapidamente, disfarçando olhar para o mapa do metro. 

Nisto percebo que ela está bastante atenta a tudo o que a rodeia de uma forma possessiva, porque assim que movo a cabeça, e apanho a forma como está vestida - espanto-me. Pela voz, esperava uma mulher normal, simples. Como todas as outras que se vêm no metro. Mas encontrei uma jovem produzida de forma a parecer simples mas também a seduzir. Parecia a Marge Simpson - a dona de casa "look", mas era deslumbrante. Apresentava-se mesmo para agarrar o peixe. Tinha o cabelo solto e liso, super brilhante e sedoso, um vestido justo ao corpo a revelar apenas o que é de decoro mas a revelar exatamente o que é preciso para deixar um homem doidinho de desejo: boas pernas, boas curvas e um peitinho curioso. Usava um colar a sobressair no decote não demasiado modesto mas não revelador. O vestido a marcar-lhe o contorno do corpo era o suficiente. 

Mas o meu espanto - e a minha suspeita começou aí, foi o ser surpreendida, não tanto com a imagem, que percebi de relance, mas com o que a vi fazer de seguida. Mal olhei para ela - e certamente para ele quase nem olhei, mas ela, ao ver um movimento de virar a cabeça na direcção dos dois, tocou no rapaz. Fez questão de esticar o braço, sorrir-lhe, agarrá-lo, chegar-se perto. Esse tipo de comportamento é tão típico de mulheres que estão no processo de sedução, não gostam de distrações de qualquer espécie e vêm "rivais" em tudo. Nada nem ninguém devia interferir com os planos que tinha na cabeça. Nem a carruagem, nem os transportes, nem um animal na rua. Estava determinada a conquistar aquele rapaz - mas fingindo que não era nisso que estava focada.  

Aquela súbita aproximação física, o toque no ombro dele, com a mão a escorrer para o peito, o sorriso - aquilo foi um convite e deve tê-lo deixado ainda mais em brasa. Já eu, fiquei com a sensação que ela estava a enganá-lo. Fazendo-se passar por aquilo que ele desejava encontrar. Todas aquelas palavras tinham sido cuidadosamente arquitetadas, o vestido cuidadosamente escolhido - cada detalhe da sua indumentária foi alvo de especial atenção e se alguma coisa ao redor ousar sequer interferir no seu processo, não ia permitir, recorrendo a comportamentos mais "diretos" ao ponto. 

O rapaz devia estar a pensar "que sorte tenho em encontrar alguém assim", "Jackpot", "Fantástica". 


O meu cérebro refletia nas aparências. Acho que os homens continuam a sentir bastante atracção pelo "protótipo" da "mulher para casar". Muitos conseguem ver as miúdas a divertirem-se, querem ter miúdas para gozarem, beijarem, pegarem, amassarem. Mas para um relacionamento sério, procuram, ainda a "mulher para casar". Se antigamente esta linha era bem distinta - definida, muito vincadamente pela virgindade mas não só - existia também um código de conduta e uma aptidão para as lides domésticas - hoje em dia a coisa só varia um pouco mas, no ADN do homem, penso que ainda persiste a procura da mesma coisa. Aceitam, claro, que uma mulher possa não ser mais virgem e ter tido namorados. Mas tem de ser um ou dois apenas. E depois tem todo um código de conduta de recatez, simplicidade, modéstia que ainda os seduz bastante e torna a mulher atraente a seus olhos. Isso, e a aparêmcia física. Vos digo: aquela rapariga sabia muito bem como o agarrar.


Depois reflecti no que descrevia dela própria e percebi que estava a descrever-me. Só que eu jamais ia conseguir retratar-me com aquela capacidade incrível de sequenciar tudo de forma tão eloquente e benéfica. Para mim, cabelo apanhado com uma mola, sem maquilhagem, usando roupas banais, sem adornos à excepção do meu anel, com uns quilinhos a mais e rugas a surgir - o rapaz jamais olharia. No entanto, se fosse por conteúdo apenas, o que ele estava a escutar era a minha vida. Talvez mais minha do que a dela.... que só faltou dizer que foi criada num convento. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

para Inglês ver


Nunca antes esta expressão fez mais sentido quanto faz agora, que vivo em Inglaterra.
Chego à conclusão que nesta terra o que conta é o que parece ser.

Como vos contei, no emprego vinha a ser alvo regular de uma prática de bullying daquelas mesmo reles, que não é carne nem peixe mas não perde uma oportunidade de um segundo sequer, para se manifestar. E como sabem, eu dei um berro de "Basta! Estou farta! Vou fazer queixa de ti!".

Pois por ter tentado levar o caso ao conhecimento dos superiores, foi aberta uma investigação e escutada testemunhas. Testemunhas essas que nunca cheguei a saber quem eram, nem o que contaram. Também não me importei com isso, porque não. Sabia o que tinha feito, como e porquê. Assumo o que faço de bem e de mal. E não minto. 

O estranho é que virei eu a agressora e ele, a caridosa vítima. 
Aqui, em Inglaterra. O país "das leis contra tudo". Numa empresa onde tive de fazer uma extensa formação que incluiu vários módulos sobre os diferentes tipos de descriminação e bullying - classificando todos os exemplos como inaceitáveis. Exemplos esses que nem vos passa pela cabeça!

E é aqui que sinto um desdém pelas causas e um foco exclusivo na consequência?


«É a tua interpretação». - disseram-me mais que uma vez, a cada tentativa de exemplo. "Talvez ele quisesse ajudar" - responderam de modo factual.

Não, não é a minha interpretação. É bullying mesmo!

Logo aqui... 
De facto nem sempre a reputação corresponde à realidade. E cheira-me que o Reino Unido tem reputação de muita justiça social que, na prática, não é executada. A menos que o caso diga a respeito a coisas pontuais muito específicas nas idades e géneros.

Devem julgar que o bullying só existe entre crianças e jovens. Esquecem-se que estes bullies crescem e chegam à terceira idade.

Por ter gritado, fui eu a rotulada de bully. Lol. O outro aproveitou de imediato a situação para se vitimar. O que eu obtive foi um cadastro de violência registada em processo e com direito a expulsão imediata caso algo semelhante se repita. Gritar... O que causou esse outburst passou-lhes ano lado...



Não devem ter lido BD suficiente em crianças... 
Essa coisa de tolerância «zero» a uma voz elevada não faz jus às mais cruéis nuances de bullying

A ironia de cada detalhe por vezes fazem um bailado na minha cabeça. E fico a pensar: "vale a pena??".

Se vale a pena continuar a trabalhar naquele lugar. É sobre isso que me interrogo.
Doidos por me ver expulsa devem estar um ou dois... Mas eu não me apeteceu virar as costas. Enfrentei de frente, como um forcado encara um touro. O trabalho não tenho nada contra ele. Ainda não me cansei. Vou para o emprego contente, ando a cantarolar para com os meus botões. Desagrada-me quando noto que há pessoas a fazer menos do que podiam e não ajudam, mas acho que sou das poucas que faz o que faz por gosto e não porque é uma ocupação não muito exigente que paga decentemente.


Mas até nisto noto que o que conta é o «parecer fazer»... Não conta o fazer com que outros não façam, o ajudar... Se os números - que é o que realmente importa por estas bandas - não forem satisfatórios, de nada interessam as características humanas que te deviam valorizar como empregado.

Vou dar um exemplo muito claro:
Estão seis pessoas a trabalhar com caixas registadoras. Durante o expediente há sempre uma maioria que faz por registar o maior número de pedidos, que faz por estar mais a trabalhar ali do que noutra tarefa qualquer que os afaste do dinheiro. Isto porquê? Além da preguiça (custa menos trocar dinheiro de mãos do que fazer trabalho mais sujo ou pesado) o motivo principal são os NÚMEROS. O sistema regista QUANTO é o lucro que dás à empresa. E todos espreitam na folha a quantia que cada qual fez, para se comparar e ver se fez mais. O sistema também conta as vezes em que cometes ERROS. Cada vez que se apaga um pedido - ainda que o motivo seja o cliente ter mudado de ideias - não é a QUANTIDADE de vezes que isso é feito que é contabilizado, mas O VALOR.

Por exemplo: Se um cliente pede algo no valor de 13 libras e muda de ideias, mesmo que a seguir peça algo do mesmo valor ou superior, o que conta para as estatísticas é o TOTAL do valor dos erros. O sistema define assim porque cada erro é uma OPORTUNIDADE para o empregado ROUBAR dinheiro. Algo que o cliente pagou, recebeu, mas não entrou na caixa. São os números que fornecem a suspeita de que possa haver um furto. 

TUDO é contabilizado, todo o stock é contado, não se pode tirar um pacote de chá sem dar vazão do seu paradeiro nem vender um artigo por engano, pensando se tratar de outro. Fazem logo uma investigação. Cada desperdício é medido ao milímetro. Porque o que importa são OS NÚMEROS. E quem comete «mais» erros, por muito bom que seja a lidar com clientes e com o factor humano, tem menos valor que um trabalhador que dá mais lucro.

«Hoje», pela primeira vez, perguntaram-me, no final das contas feitas à caixa: "A que horas é que entraste no serviço?". Demorei apenas uns segundos a entender a relação entre o se estar a fazer a caixa e a pergunta fora de contexto. É que, comparativamente aos restantes, hoje fiz menos 200 libras. 


Andei a pastelar ao invés de trabalhar?
Claro que não!
Digo-vos que muitos dos que fizeram mais dinheiro pastelaram bastante. Conversaram, contaram piadas... Mas quando viam um cliente a aproximar-se era quase um "empurra, chega para lá que eu é que vou registar este!".

Foi um dia de pouco movimento. De modo que chegou-se ao ponto de estarem três empregados a servir um só cliente. Mas só um destes empregados fica com os créditos, compreendem? Porque foi ele que registou e colectou o dinheiro. Se ele depois não fez mais nada é irrelevante. O que conta são os números. E os números não registam a qualidade, a simpatia... 

Estive o dia todo sem parar de trabalhar - como gosto de fazer. Ajudei os outros com os seus pedidos (deixando de registar os meus até porque haviam «gaviões» à caça da lebre) e ainda me pediram para dar formação a novos empregados. O que fiz. Bem feito, diga-se de passagem. Deixei-os serem eles a usar a registadora, levando, claro, mais tempo no processo. E isso reflecte-se em mim de que forma? Vão concluir que sou prestativa? Não. Vão me dizer que fiz menos 200 libras.



Depois contarei mais sobre este tema... por agora fico por aqui. Sabem, vou trabalhar daqui a 3h... Saio de casa daqui a uma hora e meia para apanhar o transporte que só passa duas vezes a esta hora... O curioso é que não dormi. Contava entrar mais tarde - porque todos os dias a hora é diferente e nos anteriores entrei às 7am. Por isso eram 22.20h quando senti sono e pensei que ia adormecer cedo e dormir as tão apontadas 8 horinhas... Pela primeira vez em semanas.

Mas lá me lembrei de consultar o horário e foi com um susto que o despertador me indicou que teria apenas 4h e 20 minutos de sono, se entrasse em «hibernação» de imediato! Escusado é dizer que a coisa já não funcionou. O meu cérebro começou a pensar e...  Precisou vir escrever. Já não vou dormir. Mas o que me preocupa é que, dormir dormir, só consegui fazê-lo dia 7, entre as 17.30 e as 21h00...

Mas garanto-vos que não estou (ainda) com o cérebro em papa! :)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Quem vê Barbies e Kens não vê corações- p2 (adenda)

Mas afinal, como é que a polícia colocou as mãos no assassino e violador Paul Bernardo? 

Quase por casualidade. Em Janeiro de 1993 a relação do casal exibe sinais de violência para o exterior. Paul inflige uma pancada na nuca de Karla, deixando-a neste estado. 


Por pressão dos pais, Karla aceita passar uns tempos na casa de uma amiga da irmã do meio (esta não era virgem nem tão jovem, pelo que não corria risco de ser vítima de fratricídio), cujo pai é policial, e a agressão é participada. Se essa separação seria temporária ou permanente nunca se saberá. Porque a polícia começou a investigar Paul e os resultados do teste de ADN, obtidos mais de dois anos antes, só então apontaram Paul como o violador. Naturalmente a polícia quis interrogar Karla sobre Paul. Esta não se «descose». Só quando percebe que a ligação entre as violações e os homicídios está eminente é que ela, como habitual, age rápido. Afirma que ele é o violador de Scarborough e matou as duas raparigas mas quer um acordo com a polícia, em troca do seu testemunho incriminador.

Tammy, irmã de Karla, morta por acção da incorrecta administração de anestesia que Karla lhe aplicou

Quando as provas começam a ser reunidas, descobrem-se as video-tapes, que Bernardo escondera. Ao visioná-las a polícia percebeu que Karla, a jovem e doce esposa agredida pelo marido, foi uma participante entusiasta nas violações. Ainda assim, as autoridades não desfazem o acordo. Em 1995 tem início o julgamento das mortes das jovens Leslie Mahaffye Kristen French. Por o que fizeram a Tammy e a muitas outras, nenhum dos dois alguma vez foi julgado. Pelo seu envolvimento em todos estes crimes, Karla obteve o acordo prévio e sabe que só terá de cumprir 12 anos de «prisão». A imprensa apelidou este desenvolvimento como "O acordo com o Diabo" e a polícia recebeu duras (justas) críticas. Karla é a "grande" testemunha de acusação, num julgamento em que ela seria dispensável já que, literalmente, as imagens falam por si.  

No decorrer dos testemunhos, Paul afirma que foi Karla que matou as duas jovens, por ciúmes. Já Karla, com muito a perder pois toda a sua imagem na tragédia baseava-se no também ser vítima - e para tal socorreu-se àquela foto em que aparece de olhos negros - afirmou que foi Paul o assassino. As mortes nunca foram filmadas (o que me leva a crer que não foram planeadas pelos dois, mas por um) e a realidade nunca ficou conhecida. 

Como Karla justificou aos pais o que "ele" a fez fazer.
Uma carta padrão, esterilizada, que põe a responsabilidade noutra pessoa
e quando a mete nas duas, a outra é o "cabecilha"


Paul foi sentenciado à pena máxima mas, tendo sido considerado uma ameaça perigosa para a sociedade, é impossível sair em liberdade. Desde o seu encarceramento em 95, vive na solitária, entre quatro paredes de betão, sem luz do sol ou contacto humano. Só lhe é permitido sair dali durante 1h por dia e já sofreu duas tentativas para lhe extinguirem a vida. 

E Karla? Foi «presa». Não numa cadeia, mas num hospital psiquiátrico. Pouco depois começou a corresponder-se com um outro preso e começaram a «namorar». Durante o seu encarceramento tentou receber liberdade condicional, mas esta nunca lhe foi concedida. Ao contrário de Paul, isolado sem ver o sol, ouvir pessoas, ver gente, A estada de 12 anos de Karla no hospital Psiquiátrico permitiu-lhe, inclusive, adoptar um gatinho e passear-se pelos jardins. Aqui está ela, durante o encarceramento. 



Nem parece uma assassina, desmembradora de adolescentes virgens, raptora, violadora e fratricida.


Acho esta última imagem particularmente perturbadora. Não sei se ela a terá tirado com intenções de enviar a alguém ou se estava a flirtar com a pessoa que lhe tirou o retrato, visto que teve inúmeros encontros lésbicos, supostamente, para agradar Paul. Prestando atenção aos detalhes, parece existir malícia por detrás do olhar, do sorriso e a postura do corpo, a mão sobre o sexo, o descalçar da bota como se fosse começar a se despir... Isto lá é pose que se faça?


Pelo seu envolvimento em todos estes crimes, Karla obteve uma sentença muito leve, que teve de cumprir numa espécie de «paraíso» para condenados. Mas até que ponto é que ela é vítima e até que ponto é ela o carrasco? 


Sabe-se que Paul provavelmente violentou umas 20 jovens antes de se casar, sem ter recorrido ao assassinato. A primeira morte como consequência das suas depravações sexuais foi Tammy. E não se pode dizer que foi ele que a matou, porque a maior responsável foi Karla, que comprou, roubou e administrou as drogas, mantendo um pano ensopado em anestésico fixo às vias respiratórias da irmã, enquanto Paul a penetrava. O comprovativo de tudo estava nos videos, que após o julgamento foram destruídos mas mais que não fosse, o rosto sem vida de Tammy apresentava uma queimadura gigante vermelha, causada pelo contacto do pano embebido na substância. O próprio uso de drogas não era sequer um recurso de Paul, até Karla começar a administrá-las para transformar meninas virgens em «presentes» de Natal, casamento, Lua-de-Mel, aniversário, etc. 

A meu ver, Karla é tão ou mais culpada que Paul. Porque a inteligência e o desenrasque veio sempre da parte dela. Ela sabia o que fazia e escolheu fazê-lo. Ela conduzia uma vida normal, era auxiliar de veterinária, cuidava da saúde dos animais... E caçava, torturava e matava pessoas. Foi ela que descobriu uma forma de tornar as vítimas participantes sem memória do ocorrido. Ela introduziu a «escrava sexual» no relacionamento dos dois.  Ela «prendeu» Paul a si fornecendo-lhe formas cada vez mais engenhosas de satisfazer os seus desejos sádicos por meninas virgens. A polícia jamais devia ter feito um acordo com Karla e foi muito criticada por isso. A imprensa chamou-o de "O acordo com o Diabo". E fez muito bem. 

Instruções de uso do rótulo da substância que Karla administrou à irmã
Jamais a droga podia ser administrada a quem tivesse ingerido alimentos nas últimas 12h

As próprias sentenças revelam a superior inteligência de Karla perante Paul. Nos testes de avaliação psiquiátrica efectuada aos dois, Karla marcou 5/40 no nível de psicopatia, em contraste com os 35/40 de Paul. O que só vem a confirmar que ela é sã. Uma sádica sã. O psicopata era ele. Ela era o cérebro da relação responsável por alimentar, cada vez com mais requinte, a doença patológica de Paul. 


A POLÍCIA
A polícia agiu com alguma inaptidão e amadorismo - desconsiderando pistas boas e perseguindo outras erradas - comportamento que também foi publicamente criticado. Nem com ADN, nem com retrato falado cuspido e escarrado, nem com matrícula parcial, nem com testemunhos de amigos, nem com acusações múltiplas de agressão e violência sexual da ex-namorada de Paul... Consideravam estas mulheres "histéricas". Mas o Canadá ainda vive na pré-história para desconsiderar tudo o que uma mulher diz e apelidá-la de "histérica"?? A polícia não fez absolutamente NADA do que podia e devia ter feito para remover atempadamente a camuflagem a Paul. E assim ambos sentiram que os seus actos saiam impunes. Forçaram os limites. Raptavam também de dia. Submetiam as vítimas ainda a mais sádicos abusos. 

Teria bastado UM passo diferente por parte da polícia durante as investigações, para que o resultado fosse outro. Com as muitas boas dicas que recebeu, todas de «mulheres histéricas», no mínimo a morte de Kristen podia ter sido evitada, para não falar qualquer morte poderia ter sido evitada e muitas violações não teriam acontecido.

Uma coisa também é certa: muitas outras jovens para além das conhecidas foram abusadas. Talvez mesmo assassinadas - suspeita-se que um cadáver encontrado em água possa estar ligado aos crimes dos dois. E como o trabalho policial foi tão inglório, não me admiraria se, nas dúzias de video-tapes com outras jovens a serem violadas, uma delas fosse essa jovem da água. A polícia fez um trabalho tão pouco dignificante, que chegou mesma a acontecer a condenação de um outro indivíduo, que cumpriu pena por uma violação cometida em 1986 por Paul.


E como as datas comemorativas sempre foram celebradas de forma especial por Karla (Natal, despedida de solteiro, páscoa, lua-de-mel, aniversários etc), o dia 4 de Julho de 2005, dia da independência americana, foi o dia da independência de Karla. Essa foi a data da sua saída em liberdade

Aos 35 anos, Karla estava livre de qualquer responsabilidade pelos crimes cometidos. À data da sua libertação foi viver para a província de Quebec e casou com Thierry Bordelais, o irmão da sua advogada de defesa (supostamente as duas na imagem acima) e logo deu à luz um rapaz. Em 2007 mudou-se para Antilles e em 2012, foi encontrada em Guadaloupe, respondendo pelo nome de Léanne Teale. Nesse tempo teve mais dois filhos. Em 2014 a irmã Lori revelou sobre testemunho (noutro caso macabro) que esteve com a irmã e esta estava a viver novamente no Quebec.

Karla ou Leanne Teale, em Chateauguay, Quebec
livre como um passarinho, enquanto Paul continua confinado a um caixão vertical
E as jovens que os dois assassinaram à muito viraram poeira


Karla pode dizer... o crime compensa.


Galeria fotográfica:
Depois de concluir a pesquisa de imagens para este texto, encontrei outras e espantei-me como fiz uma leitura correcta daquelas três imagens de Karla na prisão. Tal como imaginei, ela logo tratou de planear o próximo passo. E como sempre acontece com os narcisistas, a prioridade é estabelecer contactos com o exterior, novos laços que venham a ser úteis, em particular uma relação amorosa com alguém livre. Envolver alguém com declarações de amor e promessas de sexo, para assim encontrar um lugar para morar e se estabelecer, no máximo conforto e anonimato possível assim que a liberdade for concedida. Vejam mais fotos dela na sua «temporada» na suposta prisão.

PERTURBADOR:
Karla a indicar a alguém cá fora que deseja ser mãe

Os sacrifícios de uma vida na prisão....

Muito perturbador. Cheio de mensagens sublimares.

Obviamente uma imagem com intuito de levar alguém ao delírio do desejo.
Carla vestindo sexy langerie e de lábios avermelhados
Atenção ao pormenor da toalha vermelha com coraçõezinhos....
Seria para celebrar o dia dos namorados?
Quem ela assassinaria nesta data se não tivesse sido descoberta?

Mais um pouco e dava para ver... 

Isto é na prisao. Dá para acreditar??
Foto de 2000

Esta para mim selou o que intuí: fotos para comunicar com alguém no exterior.
No cartaz pode-se ler: Você sente falta de mim, bé? 
Um termo carinhoso, um apelo emocional, uma chantagista manipuladora exemplar.
E a carinha a fazer beicinho? 

Legenda: "Estou na prisão mas bem podia estar a partilhar no face as imagens das minhas férias no Hawai"

A forma como se segura ao poste, sabendo nós que peça é esta,
é tudo menos inocente.
Legenda: "vou abraçar este poste como se fosse a ti!"

Postal com 12 impressões da boca de Karla,
enviados ao seu interesse romântico enquanto estava na prisa, à amante Linda Veronneau (Bé)


Por aqui se vê que, tal como é costume, o preso narcisista que sabe que um dia vai sair em liberdade mantém um relacionamento com todos os que pode manipular facilmente. Mas quando é solto, abandona essa pessoa. Procura melhor, agora que já não precisa das outras. 



E pode-se ver: ela assina mesmo as cartas com o sinal XOXO

Em cima quase usei papel com bonequinhos como fundo de carta que traduz o texto que Karla enviou à família a «contar» que matou a irmã Tammy. Achei que seria a cara dela! Fazer-se de menina, de inocente, de jovem que gosta de laços, coisas cor-de-rosa etc... E não é que é mesmo isso que ela faz?


Ao menos esta pessoa que ela usou «vingou-se» tornando público
certas fotos e correspondências.


Acho todo este caso REPULSIVO.

Que direito tem Karla de viver em sociedade, ter filhos para levar à escola, morar numa casa, ter carro... ver o sol nascer, passear com o cão, celebrar Natais, aniversários, comunicar-se com a irmã? Ou os pais, coisa que não sei se é o caso mas... que não me surpreenderia. 
A polícia machista... com a mania de achar que mulheres sinceras e justas são "histéricas". Depois estas bimbas louras com cara-de-anjo, que se fazem de inocentes, "vítimas" de violência doméstica por terem dois olhos negros e usam-nos a cada segundo como ferramenta de manipulação... Destas mulheres sentem pena, fazem-lhes as vontades, são condescendentes...


O duo assassino "Barbie e Ken" - como ficaram conhecidos na imprensa, não devia ter tido tratamento diferencial no acto da sentença. O lugar de ambos é na cadeia. 

Não esqueça: pode ligar as legendas.

ADENDA:
Tanto Karla quando Paul mudaram legalmente os seus nomes. (lol).
Até nisto existe um traço arrepiante: ambos escolheram Teale como apelido. Karla passou a ser Leanne (I wonder why) Teale e Paul fez o mesmo: agora chama-se Paul Jason Teale. E sem manterem contacto um com o outro e muito provavelmente sem terem informação do exterior! Supostamente a motivação de Paul foi inspirada no nome da personagem de Kevin Bacon, no filme "Inocente ou culpado" (1988), uma trama que fala sobre um assassino em série e que foi filmada no Canadá, exatamente na província de Québec.

Quem pensou que ambos viram este filme e discutiram o seu fascínio pelo assassino? Quem deduziu que ambos mudaram de nome e entre tantos apelidos, escolheram logo o do filme porque isso é uma forma íntima de reforçarem o seu lado oculto?


Quem achar isto relevante, indicador de ausência de consciência ou arrependimento, levante o braço.... 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Aparências

Ao longo da minha vida percebi que algumas pessoas que me rodeavam não me conheciam bem de todo. Nunca dei importância porque à minha maneira sempre soube quem sou como pessoa e não poucas vezes percebi que elas é que ainda não sabiam quem eram e precisavam de se afirmar desesperadamente. Mas ainda assim, algumas dessas vezes me surpreendi muito.

Surpreendi-me por perceber o imediatismo com que as pessoas estabelecem juízos de valor. E a facilidade com que «decretam» uma «lei» sobre os próprios preconceitos. Por vezes a última pessoa a vir a descobrir quem "tu és" aos olhos alheios é mesmo capaz de seres tu. E então te surpreendes, porque és uma pessoa totalmente diferente, praticamente ficcionária.

Pessoalmente o que eu penso disto tudo é que as pessoas - principalmente na sua juventude e ao entrar na casa dos 20, são muito precipitadas a julgar os outros. Julgam-se, contudo, muito correctos e detentores de uma mentalidade muito aberta. Não fossem jovens a descobrir o mundo! (o seu). Mas comportam-se e agem seguindo um raciocínio estereotipado.

Basta um minuto com uma pessoa para tomar este tipo de decisões definitivas e relevantes. Surpreende-me a muralha que erguem de imediato, a «etiqueta» que colam no indivíduo e que o rotula como alguém de zero interesse ou de elevado interesse. E assim a deixam por anos, não vá um acaso qualquer os fazer pensar que podem ter estado errados todo aquele tempo. Coisa que descobririam mais cedo se não fossem rápidos demais a «catalogar» tudo e todos. E resistem a essa percepção, à admissão de erro. Negando o que é evidente para não dar o braço a torcer e arranjando novos ou repetidos argumentos para justificarem o mesmo erro. Ou seja, não satisfeitos em ter feito um juízo de valor errado ainda se recusam a corrigi-lo.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Uma gargalhada inesperada

Anteontem ouvi a vizinha a dar uma gargalhada e estarreci de surpresa.
Já cá vive há uns seis anos e jamais a escutei rir. Vindo dela só se escutam berros. Ainda à pouco estremeci com um berro que ela deu para o filho que até ressoou nas paredes. Mas vindo dela é o som que me é familiar. A gargalhada apanhou-me completamente de surpresa e fiquei a tentar perceber que milagre tinha sido aquele, qual era o santo homem responsável (eheheh). Foi a primeira em tanto tempo e deixou-me a pensar porque é que ela não dava mais. Deixou-me a imaginar que tipo de vida e que tipo de stresse ou frustrações uma pessoa carrega dentro de si para passar anos sem aparentemente dar uma gargalhada. A minha vida não é um mar de rosas, mas tenho de rir, tenho de dar gargalhadas, mais que não seja a ver uma comédia na televisão. Mas que eu oiça, nem em lazer a vizinha se presta ao riso.

Imagino esta vizinha que fala socialmente com muita calma e aparenta o ser, no seu dia a dia a interagir com as pessoas. No emprego, por exemplo. Imagino-a um «doce», calma e educada. Talvez nem sempre seja, não sei, nem sei o que faz, mal a vi e mal a conheço. Só a oiço. Mas creio que o que oiço reflecte mais a pessoa que é do que se calhar aquela que mostra ser quando sai porta fora. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Aparências e Karma

A notícia do dia de hoje envolve as circunstâncias da morte de Carlos Castro. Comentador de língua afiada, o senhor, de 65 anos, estava envolvido com um jovem de 21 cujo futuro, ao que parece, estava bem encaminhado. Mais que não seja, por ter 21 anos e a vida toda pela frente!
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Porquê um jovem de 21 anos e um velho de 65 se envolvem sexualmente? Acredito no amor, mesmo com uma diferença de idade grande, mas namorar alguém com idade de ser neto... é algo depravado, revela egocentrismo, não sei. E namorar alguém com idade de ser avô é... algo anormal quando se tem 21 anos. Não existe maturidade adolescente suficiente, não se está "adulto" há tanto tempo assim... Bolas! Na passagem do milénio o rapaz tinha 11 anos! O uso de "fraldas" é ainda mais presente que distante, entendem?
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Bem, julgamentos à parte, comecei a escrever sobre este assunto porque ele trás à ribalta muitas questões que já aqui abordei. Uma delas prende-se com as aparências.
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No telejornal da TVI passou uma peça sobre as reacções das pessoas que conheciam o jovem Renato Seabra. Ninguém acreditava no acontecido e descreveram o rapaz como sendo pacato, sossegado, respeitador e educado.
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Veio-me à mente o caso do Violador de Telheiras. Este também foi descrito como educado e simpático. Alguns amigos também se recusavam a acreditar que se tratava de um agressor sexual. Não sei porquê, julgo que a história por detrás do acto deste rapaz é diferente. Não passa de intuição a falar, mas, tirando como lição de ambos os casos que as pessoas não podem ser avalidas apenas pelo aspecto, os contornos deste crime parecem diferentes.
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Até agora pouco se sabe mas, se os dois homens tinham uma relação, não é difícil especular que tratou-se de um crime resultante de um acto passional que evoluiu para desentendimentos e agressões. Um impulso, talvez, algo não premeditado, claramente, uma raiva de momento, sei lá! Não sei porquê mas acredito que a vítima sabia como enervar quem estivesse a seu lado. Algumas pessoas sabem exactamente que palavras devem ser ditas e que acções devem tomar para magoar outros em todos os sentidos. Não deve ser à toa que era odiado por uns (como ele próprio dizia) e amado por outros. Talvez aqueles que o amavam como amigo tiveram o prazer de conhecer apenas o seu lado bom. O generoso, o que precisava e gostava de estar rodeado de pessoas assim. Mas para quem não se desse ao trabalho... era uma pessoa bem diferente!
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Não passam de conjecturas (claro), mas surgem da experiência de vida. Não esqueço também o colega de quem aqui falei. Tratou-me sempre mal e sem dar descanso, durante 15 meses! Nunca lhe dei qualquer motivo para tal mas nem por isso o deixou de o fazer. Com outros, era um doce! Quando uma nova colega chegou à empresa, ficou tão encantada com ele que claramente o deixava transparecer em elogios e alguns suspiros. Se perguntassem a todos os seus conhecidos como ele é, que personalidade é a sua, só iam sair elogios. Mas se perguntassem a uns poucos que, como eu, conheceram outra faceta sem sequer facultar provocação, iam ficar com outra percepção de uma mesma pessoa.
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Concluo então que existem no mundo pessoas que escolhem, aparentemente aleatoriamente, aquilo que querem ser diante dos outros. Mas apresentam apenas duas opções: ou são do bem, ou são do mal!
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Outra coisa que sobressaiu nesta história do assassinato do colunista português na sua amada cidade de Nova Iorque, prende-se com o testemunho de Sofia na televisão. A actriz, amiga de Carlos Castro, revelou que ele sempre dizia saber que ia morrer assassinado. Ora, isto diz muita coisa! Ou nada, não sei! Mas a interpretação que fiz foi que o homem como que intuíu que as suas acções e o seu estilo de vida estavam a rumar para essa eventualidade. É como alguém que não consegue parar de se drogar... e droga-se até chegar à obvia overdose. Digo isto porque um outro amigo disse na televisão que anteriores relacionamentos amorosos de Carlos Castro o tinham preocupado mais do que este - sinal de que o cronista gostava de correr riscos e de se envolver com pessoas que apresentavam algum tipo de risco e instabilidade.
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Outra coisa que me chamou a atenção nas palavras da actriz Sofia, foi dizer que o rapaz suspeito de ter cometido o crime ficava na casa de Carlos Castro e este pagava-lhe tudo. Ora, isso perturba-me um pouco porque, quando alguém tem segundas intenções, poder económico e pretende obter favores sexuais, costuma oferecer guarida e pagar algumas coisas (como se isso lhe desse o direito de cobrar sexo em troca). Claro que não estou a dizer que este é o caso deste caso, mas sempre me incomoda quando um "amigo" traz outro para dentro de casa e põe-se a comprar-lhe coisas que este não pode alcançar pelos seus próprios meios. Faz-me lembrar prostituição e é também uma realidade muito conhecida da condição feminina ao longo dos séculos, nas sociedades maioritariamente conduzidas por leis e regras maxistas.
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Ou seja: o mais forte e rico continua a conseguir tudo o que quer do fraco, pobre, ambicioso e necessitado. É um claro aproveitamento e um abuso de poder!

sábado, 23 de agosto de 2008

Os inactivos activos


Conheço muita boa gente que cumpre o seu horário de trabalho e corre para casa onde se deixa afundar no sofá. Aí ficam a resmungar da vida, a julgar os outros e a fazer críticas a tudo um pouco. Nos dias de folga, não se levantam para ir trabalhar mas também não vão passear ou fazem algo positivo. Voltam a afundar no sofá.

Também conheço muita boa gente sem emprego. Ou porque se ocupam da casa, ou por uma qualquer outra razão, como a reforma antecipada e até mesmo o desemprego.

Cada caso é um caso mas nem tudo o que parece é.

Não são poucas as vezes que observo o indivíduo «inactivo», descriminado por não estar a trabalhar quando a idade o permite, num lufa-lufa com as ocupações que entretanto arranjou. Não são remuneradas nem lhe proporcionam a satisfação de sair de casa e estar com alguém. Mas o lufa-lufa de um indivíduo que, activo ou não, não se limita a afundar no sofá, indica uma pessoa activa.

Já não se pode dizer que aqueles que saem de casa para os empregos são necessariamente pessoas activas. Muitos são indivíduos que vão cumprir uma obrigação, uma tarefa que cumprem para ter dinheiro e depois, regressam maldispostos, incapazes de estarem felizes consigo próprios, a descarregar nos outros, quase sempre uma frágil criança.

Cada caso é um caso, e bem que os há também diferentes.

Mas a quem cabe julgar?
O que leva a esta classificação generalista de quem «presta e não presta» de acordo com este particular factor?