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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

51 VEZES, 51 negas


Não! NãããããoooooO! Ná´´aááááaáá´´aooOOO!

A palavra «não» está a ser berrada aos meus ouvidos. É o miúdo do vizinho de baixo que a está a gritar. Sucessivamente, ininterruptamente «não». Já contei 51 vezes! 51 repetições, cada uma mais sonora que outra.

Eu me pergunto como é que um pai pode deixar uma criança exagerar desta forma. Está certo, são crianças, «perdoa-se» todos e quaisquer barulhos e até as birras. Mas 51 vezes sem parar nem dizer mais nada? Que dose!

Cheguei eu do trabalho tão cansada, para ter de escutar isto? Dêem descanso à minha cabeça, si vous plait.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Uma gargalhada inesperada

Anteontem ouvi a vizinha a dar uma gargalhada e estarreci de surpresa.
Já cá vive há uns seis anos e jamais a escutei rir. Vindo dela só se escutam berros. Ainda à pouco estremeci com um berro que ela deu para o filho que até ressoou nas paredes. Mas vindo dela é o som que me é familiar. A gargalhada apanhou-me completamente de surpresa e fiquei a tentar perceber que milagre tinha sido aquele, qual era o santo homem responsável (eheheh). Foi a primeira em tanto tempo e deixou-me a pensar porque é que ela não dava mais. Deixou-me a imaginar que tipo de vida e que tipo de stresse ou frustrações uma pessoa carrega dentro de si para passar anos sem aparentemente dar uma gargalhada. A minha vida não é um mar de rosas, mas tenho de rir, tenho de dar gargalhadas, mais que não seja a ver uma comédia na televisão. Mas que eu oiça, nem em lazer a vizinha se presta ao riso.

Imagino esta vizinha que fala socialmente com muita calma e aparenta o ser, no seu dia a dia a interagir com as pessoas. No emprego, por exemplo. Imagino-a um «doce», calma e educada. Talvez nem sempre seja, não sei, nem sei o que faz, mal a vi e mal a conheço. Só a oiço. Mas creio que o que oiço reflecte mais a pessoa que é do que se calhar aquela que mostra ser quando sai porta fora.