Acreditam que tenho este blogue há tantos anos e ainda não sei o que é isso de seguidores?
Pensei que era aquele quadradinho ali na coluna, onde uma pessoa carrega e depois aparece lá o rosto, junto de outros, em quadrículas... Depois deixei de ver as quadrículas nas definições (com o aparecimento do tal google+) e em vez disso surgiu a opção de colocar links de blogues (um trabalhão!) através de widgets. E lá coloquei alguns, julgando até que tinha colocado mais mas depois, como não se carrega num botão qualquer antes de salvar, não ficam memorizados.
O meu hábito de escolha de navegação por blogues continua a ser basicamente o mesmo: aqueles que comentam eu carrego e vou ver o que andam a dizer, se estes por sua vez também têm uma lista de blogues (que muitos têm) e o título da postagem parecer interessante, lá vou eu...
E navego assim.
Mas à pouco estava a ver aquilo das estatísticas, a achar um piadão e a pensar em fazer um post sobre este tema, quando me lembrei: Espera aí! Quando eu fico na página geral de blogues, na qual quase nunca permaneço porque carrego de imediato na do blogue, surge no final uma série de feeds de posts de blogues que, no passado, escolhi seguir.
Então fui espreitar e fiquei surpreendida. Tenho ali 41 blogues!! Bom, menos um, porque aquele em particular há muito tempo que me apetecia deixar de seguir (mesmo sem saber que estava a seguir!). E então porquê os feeds se alternam quase sempre apenas entre dois, quando tinha disponíveis 41?
Bom, isso não sei. Mas achei prático e interessante. Quando tiver vontade, paciência e vontade (já disse isto?), talvez acrescente lá alguns que actualmente estou a seguir no meu estilo de navegação sem rumo certo. Só espero não esquecer que o feed está ali, naquela página! É que aparecem mesmo no final, ficam escondidos debaixo da lista dos tantos blogues que já abri mas não dei continuidade.
Em 41 tive de ir espreitar quais eram... Logo o primeiro não era actualizado há 2 anos! O segundo... mudou de endereço há um ano. Tive mais sorte com os seguintes, mas alguns não tinham posts de maior interesse e outros, embora interessantes, são bons mas do género «não dá para comentar». São mais de leitura. O que comigo é um feito! Sentir que não dá para comentar... E outros são interessantes mas são temáticos. Só ocasionalmente é que me vai apetecer ir ler umas receitas de cozinhados, por exemplo.
E o que dizem as espantosas estatísticas?
(Outra coisa que pouco entendo).
1º VISITANTES POR PAÍS
Durante todos estes anos sempre quis saber quem são os meus visitantes russos!
É que nunca interagi com nenhum, mas as estatísticas dão-lhes sempre um honroso segundo lugar.
Acho até que houve tempos em que esteve na liderança.
Macau, felizmente, tenho uma ideia :)
Reino Unido não faço! Mas fico triste. É uma comunidade com tantos portugueses e são só esses os números?
Alemanha é como a Rússia: um mistério.
2º VISITANTES POR NAVEGADOR
Isto é mais de interesse do serviço bloger, né? Mas prestou-me preciosas informações. Curiosa fiquei com navegadores como CrlOS e Silk. Será dos meus amigos em locais asiáticos?
Visualizações por operador foi o que mais me interessou.
O ano passado encontrei um e-book tão interessante por acaso, na internet, grátis e disponível, e não o quis largar. Quando chegou a altura de sair de casa pensei: "vou perder horas nos transportes. Porque não tentar visualizar isto no telemóvel e avançar a leitura pelo caminho?"
Ao contrário do que imaginei, ler letras minúsculas naquele rectângulozinho não foi uma experiência desagradável. E consegui ler bem páginas sólidas de texto. Mas ainda assim quando vi que uma percentagem de pessoas interagia com este blogue por Iphone, android e blackBerry... pensei: "Coitadas destas pessoas!" "Tenho mesmo de escrever textos mais curtos".
Depois lá me lembrei que a visualização nestes aparelhos é mais simplista. Mas mesmo assim, sinto-me honrada, ahah. Ainda que saiba que é apenas um sinal dos tempos. Pois algumas pessoas usam os smartphones para tudo, mesmo dentro de casa. Não têm necessariamente de estar na rua, em deslocações.
3º PALAVRAS CHAVE
A maior surpresa ficou reservada para o fim. Nunca tive muitas pessoas a vir aqui parar por pesquisa, mas já tenho encontrado coisas engraçadas, bons indicadores do que os cibernautas procuram na internet. Esta última pesquisa sensibilizou-me. Uma senhora, que imaginei britânica (mas se calhar era americana ou nem de longe seria nativa de terras onde se fala oficialmente o inglês) veio cá parar (coitada!) por procurar em ponto cruz as quatro Estações de Afonso Mucha! (sim, chamo-o de Afonso porque já que uns usam Alfons e outros Alfonse, achei por bem dar-lhe a versão portuguesa, pois já que não entram em acordo, prefiro então adaptar o nome do artista Checo para a grafia nacional).
A minha sensibilidade e curiosidade levou-me a indagar se o conseguiria encontrar.
Tenho a certeza que a internet está repleta de trabalhos e esquemas em ponto cruz. Mas as Quatro Estações de Mucha??
Parece-me coisa muito difícil.
Foi e não foi.
Porque só encontrei UM site.
Tal é a raridade.
E como quero facilitar a vida a futuros cibernautas, decidi partilhar aqui o "achado", para que, daqui a diante, existam DOIS sites a disponibilizar este esquema de ponto-cruz. Quem sabe a senhora (ou senhor) não encontrou e assim tem uma segunda oportunidade?
Needle point, cross stitch scheme, esquema em ponto-cruz
Four Seasons/Quatro Estações Alfonse Mucha
Mucha4 seasons/quatro estações: Color code Spring-Summer /Código de cores Primavera-Verão
Spring Top / Primavera Topo
Spring Bottom / Primavera Baixo
Summer Top / Verão Topo
Summer Bottom / Verão Baixo
Resultado Final End result
Mucha4 seasons/quatro estações: Color code Autumn - Winter /Código de cores Outono -Inverno
Autumn Top / Outono Topo
Autumn Bottom / Outono Baixo
Winter Top / Inverno Topo
Winter Bottom / InvernoBaixo
Resultado Final
End result
Bem, são uma boa inspiração, mas longe de ser uma réplica em ponto-cruz das obras mais conhecidas do artista.
Pagam-se anos de formação para poder trabalhar. Depois fica-se empregado e recebe-se salário. Certo? Certo!
Garantias de colocação? Por quanto tempo? Um salário? De quanto? 600 euros? Talvez. Menos descontos e menos 300€, claro. Existem muitas diferenças entre o antigamente e o hoje claro. Onde estão elas, mesmo??
O mesmo exemplo. noutra recrutadora. Pergunta: porque é que o salário é sempre uma referência oculta, como se fosse misteriosa, proibida, um tabu? As pessoas vão trabalhar porque querem um salário. Devia ser a primeira coisa que a empresa deve mencionar. Clareza e objectividade. Carecem muito disto qualquer oferta de emprego em Portugal. E, claro, esta função, que inclui já umas cinco ou sei actividades (Assiste os passageiros no embarque e desembarque e procede ao seu despacho e da respetiva bagagem; Executa tarefas relativas a exportação e importação de correio; Procede ao despacho operacional e centragem dos aviões; Procede a reservas e controla a aceitação e distribuição do tráfego; Emite, vende, verifica, regista, e contabiliza documentos de transporte e procede a reembolsos; Elabora e analisa processos de reclamação de irregularidades em bagagem, carga e correio; Presta informações e atende reclamações do público) ainda vem acrescida da informação:Os Candidatos selecionados serão contratados não só para exercerem funções para a qual se candidataram como tambémfunções noutras áreas.
Ah! Se for preciso posso ir lavar os lavabos depois de um cliente vip ter tido uma crise de diarreia! Ou ir buscar uns cafezinhos com croissants ou ainda providenciar umas massagens aos pés... Faz tudo parte da "função", de salário só revelado na entrevista, coisa que podemos agradecer a estas empresas prestadoras de serviços, que levam 60% do rendimento e ainda colocam como condição que a formação seja paga pelo formando.
Volto a perguntar: as condições de trabalho mudaram muito no mercado empresarial de há 50 anos para cá, certo? Certo??
Cada vez escuto mais pessoas dizerem que a religião é uma porcaria, que só produz fanáticos. E vão sempre buscar a inquisição para a desacreditar. Mas vejo documentários sobre a vida das pessoas há um ou dois séculos - quando a religião era prática comum e generalizada, e percebo qual é o benefício de se ser crente a um Deus.
1º - Honra.
A honra era mais que uma noção, desempenhava um papel importante no carácter de uma pessoa.
2º - Bússola Moral
As pessoas sentiam-se perdidas mas encontravam algum tipo de orientação espiritual no seio da religião.
3º - Rectidão
O certo e o errado não eram conceitos tão abstratos, prontos a ser dobrados para as conveniências de cada um. Existia um código de conduta e uma noção bem clara de rectidão.
4ª Solidariedade
A igreja sempre viveu do dízimo e de doações. Mas independentemente do que se possa achar dessa atitute em termos de riqueza com proveitos institucionais, a solidariedade estava incutida no espírito dos fiéis. A interajuda era uma realidade. Pão para os pobres era um dever de todo o cristão.
5º Respeito
O respeito por si mesmos, pelo parceiro, todo o processo de uma vida a dois impedia o individualismo ou o egoísmo. As pessoas pensavam na família, respeitavam os mais velhos e os mais velhos não se encostavam a uma parede a dizer que estavam reformados. Enquanto existisse saúde. Se não existisse, eram cuidados.
6ª Respeito pela saúde
A saúde era levada muito a sério. Talvez por não existir um sistema nacional de saúde com médicos para todos nem comercialização generalizada de medicamentos. Cada pessoa sentia uma enfermidade como algo sério que colocava a sua vida em risco de ser perdida. Era-se meticuloso e uma doença era tratada com seriedade.
7ª Amizade
As pessoas pareciam reunir mais condições para criá-las e mantê-las. Mesmo à distância ou especialmente à distância. Talvez por uma certa ingenuidade, mas também por não se manterem excessivamente desconfiadas. Eram mais receptivas?
De ontem para hoje andei a "viajar" no passado. Gostei particularmente de um documentário onde uma esposa enferma teve sempre o marido à sua cabeceira a cuidar dela enquanto doente. Depois ficou ele doente - ferido por bala - e foi a vez dela de cuidar dele.
Esse tipo de responsabilidade, de cuidado, de amor... A noção das pessoas e o empenho em viverem uma relação respeitosa, real, em perdoar. O marido tinha tido um caso com outra mulher. Confessou à esposa. Achou que esta jamais o iria conseguir amar de volta. Mas esta colocou as suas condições e disponibilizou-se a amar de novo o marido. E era amada de volta. Mais do que antes, talvez. Não sei se hoje em dia as pessoas conseguem empenhar-se desta maneira tão sincera. Claro que existem traições (quando não?), que são descobertas (serão confessadas?) e alguém decide dar uma nova chance ao matrimónio. Mas será que conseguem sem ressentimento? Hoje só se escuta falar de ressentimento, vingança, ódio... Mesmo quando reconciliados, os ataques continuam. Ou o sexo extra-conjugal continua, traindo-se o parceiro e revelando uma enorme falta de carácter e total ausência de sentido de Honra. Se separados, a maledicência é uma constante, a amante passa a ser uma desclassificada odiada até o âmago... Não que generalize - nem neste tempo nem no passado. Mas creio que talvez fosse mais fácil no passado, devido à tal bússola moral que a religião ajudava a manter, as pessoas se manterem empenhadas no matrimónio e nas relações pessoais de forma mais respeitosa e autêntica.
Depois viajei no passado pelo próprio relato do passado. Há uns anos fiz a minha árvore geneológica. Isso implica ir aos arquivos consultar os assentos de nascimento, casamento e óbito. Encontra-se muita coisa comum, mas também algumas histórias menos comuns. Percebe-se melhor o que terá sido ter vivido em tempos tão remotos. O que é que as pessoas pensavam, agiam, os perigos que os assolavam, a forma como viviam... E percebe-se pelas mãos do padre ou do escrivão - que eram as pessoas encarregadas de registar o aparecimento, a mudança e o desaparecimento de cada vida nesta terra. Ou seja, algo que sempre tem um cunho da igreja.
Consultei um fórum e retive-me por ali a reler aquelas impressionantes histórias. Datadas do século XVII, XVIII, XIX e até XX. E quando pensamos que sabemos como eram aqueles tempos, percebe-se que não. E quando se pensa que hoje é que somos liberais em relação ao passado, percebe-se que não é de todo verdade. Quando se acha que se entende o que foi a história, fica-se com uma percepção de que existiu, pelo menos, algumas excepções às ditas regras. Foi uma viagem muito interessante. Irei partilhá-la aqui num dos posts seguintes.
Não quero com isto dizer que no passado tudo era bom. E que a evolução não é boa. Quero apenas dizer que nem tudo que ficou no passado era mau. Como em qualquer era, penso eu, há coisas boas e coisas menos boas. Com a passagem do tempo perde-se um pouco de ambas.
Tenho andado em reflexões internas despoletadas por coisas que vou entendendo à minha volta. Hoje quero falar de RACISMO. Um assunto sempre algo controverso, que nos EUA chega a ser ridículo o quanto ainda parece existir segregação, pelo menos mental, por parte de cidadãos que gritam a sua linhagem com a arrogância de pureza de raça ou que fazem questão de ser chamados por Afro-Americanos, Nativo-Americanos, Latino-Americanos... Conseguem entender o que estou a evidenciar? Não deviam ser todos apenas Americanos??
Podem e concerteza devem ter ascendência noutras terras. Mas se alguém me perguntar: Qual a tua nacionalidade? Eu respondo o quê? Sou Latino-Portuguesa? Afro-Portuguesa? LOL. Acho que estas simples expressões, tão enraizadas no que se designa (perigosamente) no politicamente correcto que por lá chega a atingir níveis obsessivos ao ponto de por tudo e por nada activar a censura, contribuem para que se perpetue noções de separação mais do que união.
Repito que não estou a dizer que as pessoas não devam sentir a riqueza da suaascendência, procurar as tradições dos antepassados, a cultura... Mas dá para ter tudo isso e viver pacificamente. Quem procura a exclusão, e, o que é pior, coloca uma qualificação em cada etnia (Ex: eu sou o maior, vocês são idiotas/idiotas são vocês o maior foi o meu povo!) está a radicalizar-se. E o extremismo, com laivos de auto-proclamação de identidade «pura» já todos sabem ONDE vai dar, ou não??
A história da Humanidade não nos ensinou nada??
A actual posição do terrorismo praticada pelo islâmismo extremista não serve de lembrança? O actual extermínio praticado por esses que se julgam superiores e donos do correcto modo de viver, que massacram crianças, com requintes de tortura escandalosa, crueldade imensa, violência absurda, a actual situação dos milhares refugiados em êxodo dos seus países ocupados...
Tudo isto, a meu ver, devia servir para lembrar as pessoas até onde nos pode levar insistir com a segregação. A culpabilização, a vitimização... nos EUA tão patente, são ridículas. É nestas alturas que me sinto triste. Nestas alturas tenho a certeza que os sobreviventes de campos de concentração durante a 2ªGG, todos aqueles que lutaram por um mundo mais igual, menos sedentado, todas as «madres Teresas de Calcutá», aqueles que se manifestaram para ver o fim do Apartheid, os que perderam a vida, derramaram sangue e sofreram na pele o significado da exclusão motivada por etnia e religião, só podem estar às voltas nas campas, a levantar as mãos à cabeça e a gritar: "Os idiotas! Não aprendem nada!!"
Ficou gravado na minha memória o relato de um sobrevivente de Auschwitz aquando um dos julgamentos de Nuremberga. Ele dizia que nunca mais desejaria ver alguém passar pelo mesmo. Não queria inimigos, rejeitava o ódio, porque fora o ódio o causador do seu sofrimento. Desejava a paz entre todos os homens.
E acho que é essa paz que a humanidade não consegue viver com. Pois parece haver sempre alguém interessado e pronto a fazer de tudo para se afastar dela.
Mas regressando ao tema do racismo. Tenho andado a ver programas online sobre crimes e deparo-me com vários tipos de comentários. Um denominador comum na maioria dos comentários é o uso de palavrões e insultos para descrever as pessoas. Não só as retratadas, mas como também os próprios comentadores. Reparei então na quantidade de comentários fazendo referência a um denominador comum: a cor da pele. E surgiam coisas assim: "típico de branco", "bolacha de leite", "puta branca", "brancos malucos".
Pensei que ia encontrar uma igual quantidade de comentários do género fazendo referência a outras etnias. Mas fiquei espantada pois não encontrei. Com o politicamente correcto como nova forma de censura, se alguém descriminar «minorias», seja por inclinação sexual, seja por etnia, outros alguém "caiem" logo em cima. Porque não está certo, ou porque no passado essas «minorias» foram maioritariamente alvo de descriminação e torna-se incorrecto trazer ao de cima qualquer laivo dessa mentalidade.
Claro que encontrei um ou outro comentário absolutamente a atacar uma «minoria», revelando a burrice que ainda caracteriza algumas mentes simplórias. Mas por isso mesmo não se dá grande importância a quem, em cada palavra que deixa escrita, só sabe expressar burrice por todos os poros... É um pobre coitado. Provocar é o único entento e, geralmente, os comentários não irradiam inteligência ou coerência.
Mas fiquei a pensar... ao ler aquelas expressões sobre "brancos": onde estão os "defensores" que se posicionam CONTRA o racismo e descriminação? Nos comentários que aludiam à cor de outras etnias, lá estavam uns tantos a chamar a atenção: "És preconceituoso! Racista!". Quase ninguém deixou um comentário do género nos tais que mencionavam "o branco". Porquê?
Não simpatizo com o termo «Racismo Invertido», que é o que muitos hoje em dia usam para mencionar este comportamento aplicado a uma «maioria» branca. Racismo não tem cor, não é exclusivo de um grupo, logo não é invertido. Mas entendo de onde vem. O termo faz referência a um racismo que durou muitos anos na sociedade de classes com escravatura, no qual o branco foi induzido a ver o negro como inferior. Que de facto isso existiu, existiu. Decerto que, como tudo na vida, não teve aderência de 100%. Afinal, mesmo durante a perseguição de Hitler aos judeus, alguns alemães e outras pessoas viram os acontecimentos pelo que eles eram e trataram de ajudar a salvar vidas inocentes, mesmo sabendo estar a arriscar as suas e as dos seus. Mas uma grande maioria, infelizmente, deixa-se levar, impotente, temente, ignorante ou em concordância.
Mas hoje em dia qual a razão que pode levar uma pessoa a alimentar o ódio e o preconceito? É a ignorância? Quando não falta informação por aí? Quando a instrução nasceu, finalmente, para todos? É a impotência? Quando nunca antes cada qual é dono de si e as leis tornaram-se iguais e os cidadãos têm direitos e deveres iguais diante das leis e das pessoas? Quando por lei não se tem mais divisão de pessoas por cor, nacionalidade, etnia... A não ser as que as próprias pessoas colocam nas suas vidas, claro.
Não faz sentido. E por isso acho que, se não se aceita o termo «preto» não se deve aceitar o «branco». Ou se acaba com estas parlermices ou então não adianta apenas retirá-las de um lugar e colocá-las num outro. Vai dar ao mesmo.
Mas mais que proibir, banir ou penalizar, à que deixar a liberdade de expressão fluir, pois nem sempre quem as usa tem intenção pejorativa. Felizmente portugal não é os US... País em qual as pessoas estão praticamente proibidas de fazerem referência à cor de um negro usando o termo negro, caso não sejam elas mesmas negras! Entre a população negra consideram estatus chamarem-se "my black brother, bro, sister" (irmão negro, mana, mano) desenvolveram expressões onde metem o black (negro) em tudo - kiss by black ass, I'm back and I'm black (beija-me o cu negro/Voltei e sou negro). Até entendo. Mas não percebo então porque não se pode liberalizar a palavra e porquê se uma pessoa que aparenta ser branquinha na pele e descreve alguém como «a pessoa desaparecida é negra» ou «hispânica» caem-lhes logo em cima com acusações de racismo... É? Se sim, pergunto-me de que direcção vem.
Clint sobre raça: um dos problemas que o país atravessa hoje é que todos se levam muito a sério.
No meu tempo era mais engraçado, todos faziam piadas e divertiam-se com os amigos.
Cresci perto de uma comunidade espanhola-italiana e às vezes chamavam-me Diego. Hoje não se pode dizer isso.
A vantagem de ter mais de 70 é que não se liga a essas merdas e pode-se dizer o que nos apetece.
Nestas andanças deparei-me também com um programa interessante onde fazem exames de ADN a celebridades para descobrir as percentagens de etnicidade. Num dos shows dois famosos negros competem entre si para ver quem vai ter a mais elevada. Snoop Dog participou e ficou atrás de um outro indivíduo. Foi logo apelidado de branquela, riram-se, a plateia riu também, o apresentador despejou uma série de piadas sobre brancos, o tipo fica desapontado por não ter uma percentagem mais elevada e conseguir destronar o "rei". Enfim. Confesso que achei piada, embora tenha percebido uma abordagem algo racista. Mas vi o humor e penso que o humor não é para ser levado tão a sério. O humor devia ser livre de censura!
Noutro vídeo sobre ADN encontro uns irmãos gémeos que explicam que quiseram saber a sua percentagem negra porque estavam cansados de escutar que são "brancos", que não são "negros o suficiente"... e que essas atitudes descriminativas não vinham de gente branca, mas dos «irmãos negros», os «sacanas filhos da mãe» - a linha do vídeo foi também toda humorística. E mais uma vez, o humor é o humor! Eles queriam "calar" as bocas e ao provar com o teste de ADN que tinham 56% de sangue negro ficaram contentes. Porém na secção de comentários as pessoas não andaram tanto a celebrar... Algumas continuaram a martelar no facto de terem uma elevada percentagem de ADN não negro.
Enfim, numa outra perspectiva, curiosa, regresso aos vídeos sobre crimes e à leitura dos comentários. Deparo-me com outra circunstância muito comum. O recurso a termos depreciativos e ofensivos, palavrões inclusive, incluídos gratuitamente no discurso. Há pessoas que não conseguem escrever uma só frase sem construí-la quase toda com palavrões!
Fiquei a pensar: quando é que se tornou normal (porque é uma norma generalizada) descrever coisas que nos frustram, pessoas que nos aborrecem, acontecimentos que nos surpreendem, com palavrões??
Comecei a pensar no papel do cinema americano, do calão... de onde veio essa mudança? Nos EUA quase todos comentavam usando as palavras cunt, bitch, ugly, pathetic, chucklefucks, para descrever as mulheres. E nem precisavam ser criminosas ou ter cometido atos indesculpáveis. Mesmo as que haviam sido vítimas de um ato atroz e sobrevivido, por vezes eram tratadas com o mesmo desprezo, a mesma desvalorização com recurso ao palavrão.
Uma pessoa reparou e comentou a quem deixou o comentário que ele odiava as mulheres. Comentei também... mas a chamar a atenção para o facto de não deixar de ser verdade que se está a diminuir todas as mulheres ao recorrer a esse tipo de vocabulário. Afinal, se não se pode chamar "bicha" a um gay, não se pode chamar preto a um negro, porquê uma mulher continua a ser referenciada como "put...", "cabr....", "gorda", "feia", etc?
Acabou que o tipo nem tinha qualquer problema com mulheres. Ao contrário, parecia ter uma vida bem moderna na qual a liberdade e direitos eram partilhados. Contudo, expressou-se de tal forma - com tal vocabulário que, de facto, sem perceber, estava a cometer um crime que, decerto, daqui a uns anos, não vai gostar de ver reproduzida na forma como a sua filha vai ser tratada pela sociedade.
Pior do que o preconceito de etnia, acho que continua a ser o do género! As décadas vão e ainda passa tão despercebido as tantas e tantas formas que ainda se usam para diminuir o sexo feminino. Reflecti então na origem desse vocabulário. Afinal, à apenas umas poucas décadas, não se falava assim, com tanto palavrão. Descrever uma mulher, fazer-lhe referência não era chamar nomes. Mas depois vieram os filmes, a mostrar o estilo gangster, a glorificar a vida das ruas, o linguarejar de gueto... e tudo o que é mau parece atrair mais, certo? Vai na volta, começou-se a descontrair. Tudo bem... mas descontrair e recorrer a palavrões são coisas distintas. Acho que tem de existir equilíbrio e bom senso. Educação. Não vou chamar alguém por "aquela cabra". A pessoa, mesmo que seja odiada, tem nome. Pessoalmente, não preciso de descer ao palavrão para expressar fúria. Se bem que tenho de confessar: já fui apanhada por essa onda. Antes não dizia uma palavrinha sequer! Comecei a escutá-las repetidamente, e nem foi pela boca dos mais novos, foi pela dos mais velhos, e comecei a exclamar um palavrão quando estou sozinha e algo corre mal.
Ainda vou a tempo de me corrigir e regressar ao meu «eu» ehehe. Mas a verdade é que os mais jovens falam um calão mais "verborreico", os mais velhos e talvez frustrados, saem com palavrões também... e vai uma pessoa educa as crianças a não dizer palavras feias mas não dá o exemplo, né? Ontem furei o dedo com uma agulha (sim, andei a coser) e aquela picada fez-me soltar um fod....!
Antes não soltaria uma exclamação com esse palavrão. Usaria "Bolas!", por exemplo. Se bem que um palavrão de vez em quando também não faz mal a ninguém... O problema é que os palavrões alastraram-se tanto que estão por toda a parte.
Não sei quando aconteceu mas a linguagem de «gueto», do crime, dos traficantes, etc, espalhou-se e infelizmente, parece estar a influenciar também as mentalidades para um retrocesso estúpido e sem sentido.
Esqueci de mencionar o Pingo Doce a avisar-me dos 50% de desconto em todos os produtos, das dezenas de páginas sugeridas pelo facebook cada qual a lembrar os seus descontos para este dia, as ofertas, as mensagens nos murais das respectivas mães que nunca são privadas e a cada novo «gosto» saltam para o topo de feed da página, as fotomontagens, os textos que se desejam partilhados, a imagens repetidas e re-partilhadas até à exaustão, neste dia que chega incluído com dizeres espanhóis e americanos. O melhor é mesmo fugir das redes sociais em dias como este. Pois até está um belo dia lá fora!
Hoje é dia da mãe. Geralmente não viria aqui fazer um post sobre o obvio - não faz o meu género. E como não faz, não é sobre o óbvio que vim falar.
A abordagem é o dia da mãe agora que existem redes sociais - como o facebook.
Tinha indicação de mensagem não lida no chat desta rede social e fui espreitar.
Quando se carrega no ícone surge também uma sequência de últimas mensagens enviadas e para minha surpresa todas mostravam uma mesma imagem.
O que poderia ser? No Chat? É uma daquelas mensagens onde se escreve "Se não enviares a 7 pessoas nos próximos 5 minutos vais morrer?" - reflecti.
Não. Eram várias mensagens com o mesmo princípio de envio em série, mas por ser dia da mãe.
Okay...
Então agora é assim que se celebra o dia? Ao invés de se ir ter com a mãe, presentear em pessoa ou telefonar que seja? Não que as pessoas que celebram o dia no facebook e ainda têm mãe não façam também estas coisas. Mas acho que definitivamente tudo mudou.
Imagem das mensagens em chat. Total: 10
E nem se gasta dinheiro em flores de verdade :)
O facebook está inundado até enjoar com posts sobre o dia da mãe. São mães a postarem sobre o seu próprio dia, são filhos a postar fotos ou imagens com dizeres, são outros tantos a recordar que já não têm mãe... até à campa da falecida tive o prazer de ser apresentada.
É uma concentração muito elevada - a que o facebook armazena. Uma autêntica overdose. O dia pode virar um pesadelo se começar assim :)
Nota: este post teve imensa dificuldade em ser finalizado devido aos terroristas ruidosos que habitam por cima da minha cabeça. A esses desejo que o ISIS os venha reclamar para junto deles. lol. Inferno!