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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Conseguirei ler livros?

 

Uma das consequências secundárias do sofrimento devido à paixonite - (já lá vão três anos!) foi inesperado e incompreensível: deixei de ler livros


Não sei como uma coisa pode estar ligada à outra e jamais, em toda a minha vida, achei que podia cair nessa categoria. Mas aconteceu. Durante a "doença do P" (chamemos-lhe assim) continuei a pegar nos livros mas não os conseguia ler. Lia linhas, frases, parágrafos, páginas e capítulos de livros mas a história não conseguia se sobrepor à narrativa que não abandonava o meu pensamento. Insistência causava-me súbitos picos de dor, por existirem palavras e descrições que reavivavam memórias. 

Tive de os colocar de lado. 

Desde então já tentei pegar neles mas não é mais o mesmo. Algo desapareceu. Coloco-os de lado com intenção de regressar e nunca regresso. Considero esta realidade uma significativa perda para a minha pessoa. Mais ainda sendo sozinha. Gosto de ler desde menina, desde que aprendi a juntar as letras e descobrir seu significado. Ficava deitada de barriga no chão, com uma pilha de livros à esquerda e outra à direita. Passava horas a ler, por vezes o dia inteiro, e foram momentos muito bem passados. O prazer que os livros me proporcionam foi algo que sempre surpreendeu quem me rodeava. (Já estão a ver o tipo de pessoas que me rodeiam). Incluindo o P. Ficou muito surpreso. Mas gostou. Admirou. 

E agora não os leio mais!

Não consigo entender porquê. Mas não quero ir contra. O que quer que seja que se perdeu, quero que volte naturalmente, sem ser forçado. 

Tenho outra explicação que poderá influenciar esta realidade. Parece-me que, para esta específica necessidade que é a leitura em papel, já não consigo usar os olhos tão bem quanto antes. Sei que preciso de óculos com alguma graduação mas quando os tentei usar pareceram-me terríveis e não usá-los pareceu-me melhor. Para quem usou óculos todos os dias da sua vida desde a infância até a maturidade dos 25 anos, também me surpreende essa rejeição. Se fosse novamente miopia talvez conseguisse lidar bem com isso, porque me foi tão familiar. Mas é outra coisa, que requer lentes bi-focais e é uma chatice. Contudo, o que me aborrece com a minha visão não é nem miopia nem vista cansada ou má visão. É a "névoa" e os "mosquitos". Sempre tive uma visão do mundo através de um astigmatismo. Por vezes gostava de lavar a vista para ver se, como acontece quando se lava um vidro ou uma lente, a sujidade sai e fica-se a ver bem. Mas para esta específica condição ocular - todos os especialistas me dizem, não há "nada a fazer". 

E eu a achar que hoje em dia, em que se faz de tudo em medicina, implantes inclusive, já não houvesse nada que não tivesse arranjo. 

Talvez esta mudança na visão seja a razão pela qual os livros, anteriormente muito apreciados, lidos e relidos, são agora duas pilhas de papel que guardo a um canto.

Nem sabia mas, há três anos, estava a perder não um, mas dois amores



segunda-feira, 12 de julho de 2021

Para aqueles que só vêm VERMELHO

 Confesso-vos que quando oiço esta canção gostava de a apresentar a "Ele". 

Gosto bastante da letra porque implica muita coisa. É cantada por um homem a uma mulher: a sua mulher. Que está linda, deslumbrante, sedutora e cativante numa festa. Os outros homens reparam nela e ele, também. Acha-se afortunado por a ter a seu lado, por ela o amar, olha para ela como se a estivesse a descobrir novamente, como cativado pelos seus encantos ainda por revelar. 

Ele não está ciumento. A achar que ela está a ser demasiado simpática com os homens à sua volta. Ele é seguro de si. Sabe reconhecer e apreciar o amor que ela lhe dá. 

E isso emociona-me.

Quantos homens ficam totalmente cegos de ciúmes devido às suas inseguranças? Não podem ver uma mulher sorrir para outro que logo imaginam um par de cornos na testa? E por isso a destratam? Desgraçam uma coisa linda e única?

Nesta música temos um homem com letras maiúsculas. 
Que sabe que o sentimento de uma mulher, quando dado a um homem, não há nada que os outros façam que desvie o seu afecto. Ela pode ser sedutora, bonita, deslumbrante e chamar a atenção dos outros. Nada mais natural. Porque toda essa beleza, encanto que ela tem, tem porque o ama a ele. 


De que música estou a falar? Esta: 


Nota: a tradução está errada numa parte muito importante. Depois de "Eles estão à espera de um pouco de romance" a tradução não é "dê a eles uma chance". é: "Eles não têm chance". Tão fofo!

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Terei ficado curada?


Sinto-me diferente. Curada, ouso arriscar.
Refeita de uma paixonite que só ficou mais intensa devido ao corte radical da qual foi vítima. Algo em mim sabia disto, mas de nada adiantou para diminuir o sofrimento. Ao contrário: o que fez foi aumentar o desejo, a paixão, a saudade. (A falta de diálogo só causa males).

Ao final de três torturosos e sofridos meses, não existiu qualquer alteração no meu estado. Continuava igual: a sofrer, a ter o pensamento constantemente na pessoa, em dor! Dor... que não havia forma de acabar. Estava a sentir desespero! Afastei-me do país, ajudou um pouco mas, ao regressar, foi como se tudo tivesse sido ontem, foi avassalador. Todas as emoções regressaram, as lembranças, a necessidade. 

Mezinhas, orações, igrejas... tanta coisa fiz. Nada surtiu efeito, nada apagou a dor ou sequer a suavizou. Pareceu maldição. Arranjo. Não será o gostar de alguém isso mesmo?

Até que, em angústia, apelei pela primeira vez a pessoas queridas que já não estão entre nós. Sentindo tanta dor, pedi para que me ajudassem. Que a tirassem de mim, que mo fizessem esquecer caso não pudesse voltar a lhe falar. Ao menos que me dessem amnésia selectiva, para o apagar da memória!


Acho que me ouviram. Quando cheguei a casa, estava melhor. E diferente, com uma sensação menos dolosa. Mas esperei uma semana, só para ter certeza que esta nova sensação não era um acaso e dela não devia reter muita esperança. Uma semana depois, ainda a pensar nele, mas algo diferente. Já conseguia libertar-me. Porém, ainda teimava: queria falar-lhe.

Voltei a apelar aos meus auxiliares, que se compadeceram daquela dor dilacerante, mordaz. Mas não creio que aqui vão actuar. Existe algo, que eu só sinto pela intuição, que não quer que isso aconteça. Não sei para proteger quem: se eu, se ele. A ausência de uma conversa é o que magoou. Preciso disso. Para seguir em frente. E pedi para que isso me fosse concedido. Como aliás, pedi tantas outras vezes. Mas não sinto que aconteça. Continuo a intuir que nunca mais o vou ver na vida. E tenho essa sensação desde o corte.

Quarta-feira à noite, lembrei-me de ir ver fotografias dele mantidas no telemóvel. Não fazia isso há que tempos! Lá estava o seu rosto. Um rosto tão... de rapaz. E voltei a não sentir nada que não um afecto quase maternal por ele. Não fez sentido para mim que pudesse fazer sentido para ele que nós os dois fazíamos sentido. Não por este prisma mas, no calor do desejo, disso não quis saber. O que senti ao ver a sua foto - a tal da qual não gosto - foi um carinho de pessoa que gosta e quer cuidar. Mas não de pessoa que deseja. Que era o que vinha a sentir e de que maneira! Voltei ao início, à emoção inicial, caridosa, de quem se preocupa e quer o bem. 

Fui ver outra fotografia, que tirei em grupo, ainda ele não me dizia nada. Ao seu lado está uma rapariga jovem, bem bonita. E pensei cá comigo: "Combinam tão bem!".

Isto não é pensamento de quem ainda sente paixão!
É? De alguma forma torturosa?

Faz sentido vê-lo ao lado de uma miúda tão jovem quanto o é ele. Não comigo. Embora fosse comigo que ele quis estar, disso não tenho dúvida alguma. Foi essa possibilidade parecer tão remota, tão inconcebível, tanto pela idade quanto principalmente, pela minha convicção e decisão de que tais coisas estavam fora de coagitação na minha vida, que fez com que levasse mais tempo a perceber onde estavam as minhas autênticas emoções: desejava-o. Mas na minha mente, isso não era possível. Já havia cortado essa eventualidade fazia muito tempo. Até que me bateu forte como uma tonelada de tijolos em cima.

Ah,ah,ah,
Nunca, mas NUNCA se diga: "desta água não beberei".
Nunca.


SIM, gosto dele. Irei sempre sentir um carinho especial por aquela pessoa. Mas o milagre que pedi acho que veio a concretizar-se. "Apagou-se" de mim o desejo, a "doença" da paixão e voltei a ficar "normal". A que gosta, cuida, quer bem, quer ajudar. Sem passar a linha que separa "uma coisa da outra".

(Não sei é se o "normal" é agora o que quero para mim. A solidão dói e amar sabe bem).

Quero-lhe bem. Gostava de estar por perto para ver como a sua vida vai rumar. Vejo tanto potencial nele. Tanta coisa que ele não vê em si mesmo. Se souberem como lho mostrar, vai ter uma vida melhor do que a profetiza para si. Vejo-o pai, a descobrir emoções que hoje jura a pés juntos não vir a ter nem desejar. Talvez me reveja a mim mesma quando mais nova: perdida, a necessitar de um guia, um mestre. Que nunca apareceu. Espero que ele rume por direcções certas e não perca muito tempo a rumar por caminhos sem saída... Cortar comigo e com todos com quem falha em comunicar já é, nesse sentido, um bom sinal. Sinal de que se coloca a si mesmo em primeiro lugar, priorizando as suas vontades e "cagando" na dos outros. Tem é de aprender a fazer isto com classe, respeito, caridade. Sem intencionalmente ferir e deixar tudo devastado atrás de si. Desejo verdadeiramente que ter-me conhecido tenha-lhe servido para um bem melhor. Para procurar para si um objectivo de vida, um rumo mais definido e que tenha aprendido a acreditar mais em si e no afecto que pode despertar nos outros. 


Pena é que, não sendo a primeira pessoa a quem ajudo, parece que todos, para serem ajudados, precisam de me deixar pisada, esmagada, ferida. Essa é a parte lamentável e que, sem dúvida, tenho de aprender a não deixar acontecer. Para "dar" boas energias a alguém, não devia no processo arrasar com as minhas.

Sejam felizes.

sábado, 9 de novembro de 2019

O que vimos: Beijo e animais

O BEIJO


Outros viram o seguinte:

Uma pessoa com um gato
(FATYLY)

Um animal, tipo rinoceronte (mal comparado!)
(MARIA)

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

As melhoras fazem-se sentir


Acho que está a desaparecer. A paixonite, finalmente. Essa doença terrível facultada por um cupido sádico, que se mascara de querubim dos céus mas que na realidade é um diabinho dos Infernos.


Porquê ela vem e como se vai, só Deus sabe...

Há que dar tempo.
Tal como qualquer doença, o vírus apanha forte, os anticorpos precisam de tempo para restaurarem a saúde em pleno.


Paixonite fora do baralho, sinto falta de uma última conversa. 
Isso será incontornável, está na minha natureza tentar entender e resolver mal entendidos.

Mas para isso tem de existir reciprocidade. Acho que é o maior pecado dos tempos que correm: as pessoas não dialogam tanto quanto gostam de cessar de se relacionarem com as outras. Essa é a sua forma de "comunicar". 


Deu-nos Deus este dom fantástico da linguagem oral para o cérebro preferir desligar-se e fazer com que se regrida aos tempos neandertais. 


domingo, 29 de julho de 2018

Paixão sensitiva



Estou apaixonada.
Por um aroma.


Conheci-o faz mais de um ano. Preservei a sua embalagem recém encontrada e quase vazia que ia para o lixo, porque o aroma que exalou foi amor à primeira inspiração.

Deste modo podia posteriormente pesquisar pelo nome da marca e do produto.


Foi o que fiz.


Ainda não estou preparada para revelar a minha paixão. Não fomos devidamente apresentadas e, sendo assim, fica estranho falar dela. Apenas a conheço de vista, ainda não lhe toquei. Mantenho o seu aroma comigo e cada vez que lhe toco, quero que me envolva, quero acordar, sair e entrar numa divisória da casa com o seu perfume e inundar os lençois com ele. 

É o impacto que vai criar no bolso que me faz refrear o impulso da aquisição não reflexiva. Preciso de ser bem apresentada e decidir qual amor vai ser o primeiro. Tarefa muito difícil (Como o deve saber a Ana do blogue Escrevi e Vivi, que busca o seu aroma como um Don Quixote). 

Não estou sequer preparada para revelar o seu nome.
Ainda não.

Procurei saber se existem outras marcas com o mesmo cheirinho - mas ao que parece esta descobriu o Jackpot lá pelos anos 70 e tem a receita fechada a sete chaves. O estranho é que tenho a sensação que já a cheirei antes... em casa, num dos muitos cremes para as mãos ou corpo que minha mãe adequiria nos catálogos da Avon e afins e que tanto gostava de experimentar.


Se pudesse, embalava-o e enviava uma amostra para cada um de vocês.
Acho que também iam apaixonar-se.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Puppy Love

Lembram-se da primeira vez?
Do primeiro amor?


A entrada na adolescência é a fase embrionária de todo um rol de emoções novas. Quando ainda somos crianças, de 8, 10, 12 anos e vemos nascer uma atracção emocional por alguém, que é diferente de outras emoções alguma vez sentidas, chama-se a isso puppy-love.
Ou seja: é um amor inocente e casto, porém diferente daquele que até então havíamos sentido no nosso já "longo" tempo de vida na Terra. É aquele que vai abrir caminho, pouco a pouco, para mais emoções fortes.


Neste momento tenho na família crianças que começam a despertar para o puppy-love! Como quase sempre acontece, o alvo de tanta adoração ou é um jovem cantor(a) ou ator(iz). Na minha geração os miúdos eram doidos pela Madonna, as miúdas pelo DiCaprio, eu fui um pouco diferente... Mas a verdade é que começa aqui uma nova fase na maturidade de uma pessoa. É o inicio para algo maior, uma transição importante e que precisa de ser bem gerida e discretamente acompanhada para que o indivíduo possa crescer da forma mais saudável possível. Porque com o puppy-love surge também o primeiro coração partido, a primeira tormenta... LOL! Com sorte, passa sem ferir e uma nova fase se seguirá.


Como foi o seu primeiro Puppy-Love?

Escrevo este post na esperança de ver aqui partilhada algumas boas histórias!

domingo, 17 de agosto de 2008

União por outra razão

Uma vez uma amiga confidenciou-me que uma colega nossa devia estar mesmo muito apaixonada pelo seu namorado. Pois tinha outro há anos, que abandonou rápido, para ficar com o novo. Estava sempre a repetir esta constatação e nunca contestei o seu ponto de vista. Porém, estava longe de concordar.

Porquê as pessoas se fiam tanto na aparência? Nas histórias dos contos?

Pelo que conheci desta colega, ela era uma pessoa acima de tudo ambiciosa. Ao ponto de pisar nos outros para chegar onde acha que merece. Com desprezo pela sua origem e vergonha dos pais, ambicionava «ser alguém» noutro local que não aquele onde vivia. Desprezava a vida que sempre conheceu, achava os pais uns ignorantes incultos que não lhe deram o suficiente e ainda lhe deviam e se achava merecedora do melhor. No seu raciocínio, só podia atingir os seus objectivos em Lisboa.

Entretanto, tudo o que desejava para si, desprezava quando o via nos outros. Falava mal e invejava. Mas enganam-se se pensam que o fazia de forma obvia. Os seus comentários eram nos momentos certos e podiam passar despercebidos. Com as pessoas tinha um comportamento politicamente correcto. Mas não gostava delas. Era um tanto seca. Conforme a popularidade do indivíduo, assim recebia mais ou menos daquela cordialidade sintética. Preocupava-se muito com a aparência e a imagem que projectava. O comportamento fazia parte desse grupo. Nem sei se alguma vez foi natural e se mostrou livre. Estava sempre rígida na postura e na atitude que achava ser a única digna de uma pessoa de sucesso. Era exageradamente vaidosa com o cabelo, e começou a usar óculos não por necessitar, mas porque tinha virado moda e era um acessório que lhe conferia um ar responsável e intelectual que procurava criar para a sua pessoa.

Ou seja: quem se guiasse apenas pela aparência, ia ver uma rapariga bem vestida, educada e inteligente. Era tudo o que pretendia. Tinha tanto cuidado em não revelar o que realmente fazia e de onde vinha, que dava para perceber que, como diz a expressão, arrotava caviar e comia postas de pescada. Se algo que tivesse feito não fosse nada que a fizesse sentir orgulho, falava pouco mas quando falava, dizia sempre que tinha sido maravilhoso, gostou muito e fez um trabalho importante e essencial. Mas não diz que andou a servir cafés. Diz que era a auxiliar do director. Entendem?

Na primeira oportunidade que teve de se mostrar onde queria estar, não a deixou escapar. Escreveu a toda a gente, foi buscar endereços de email do arco-da-velha, escreveu para todos aqueles a quem nunca antes tinha escrito, só para poder mostrar que tinha chegado a algum lugar. Mesmo não sendo bem o que projectava, servia para alimentar a imagem que queriam que tivesse de si: bem sucedida. Uma vencedora.
E agora, roam-se de inveja! – deve ter pensado, pois toda a vida conheceu essa sensação.

Entendem agora porquê não concordei eu com a minha amiga, que dizia que o amor dela pelo novo namorado devia ter sido uma coisa bonita e avassaladora, como nos filmes?

Porque não era. Uma pessoa como ela não sabe o que isso é. É demasiado seca e racional para viver o amor. Amor é emoção. É sentimento. É asneira. Aquela pessoa era demasiado calculista e fria. Um namorado para ela não passava de um item. Uma aquisição. Um upgrade, um acessório necessário à sua imagem, um troféu para exibir a vaidade. É claro que trocou um pelo outro. O «novo» modelo vinha com apetrechos que pessoas como ela adoram: podia fazer dele o que quisesse.

Ele obedecia. Ele funcionava como ela dizia que ele devia funcionar. Ele ia fazer tudo o que ela manda, quando manda e assim que manda. Era o seu criado.

Que mais uma mulher como a que descrevi podia querer num homem?
É claro que trocou um pelo outro! E nem se aborreceu com isso.

Tenho que apelar para que se pense para lá das histórias dos contos. Não é porque um casal está junto à 2 anos que isso significa que estão sólidos e gostam muito um do outro. Não é porque subitamente alguém começa a namorar com outro que isso quer dizer que o ama apaixonadamente. Os dois juntos acabavam por impressionar os restantes que, levados na fantasia dos contos, sabem como «devia ser» e não estava a ser. Os recém-pombinhos tinham menos afecto um pelo outro, que casais que estavam «só a brincar», ficando junto. Mas serviam as necessidades um do outro.

Ela tinha o seu criado e ele, carente e desesperado, alguém para o «amar».

Não foi o único caso que conheci. Normalmente, até termina em casamento. Afinal, nada melhor para os narcisistas que um criado pessoal, mascarado de marido. E para aqueles que pouco ou nada de experiência em namoro obtiveram mas se lembram da dor da carência e do desespero de se imaginarem sem ninguém para o resto da vida, infelizmente, para esses (poucos) homens, essa gratidão é tudo o que basta para defender com toda a alma aquela pessoa para o resto da vida.

Ser narcisista compensa, não??