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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

« Quem me dera que nunca crescessem! »



Sabem quando sentem saudades dos vossos filhos bebés e dizem: "Ah, quem me dera que nunca crescessem! Era tão bom quando eram pequenos".


Pois não desejem isso. Nunca se deve desejar o que não é natural. 


"A menina que nunca envelhece" é o caso real de Broke Greenberg, que faleceu em 2013 com a idade de 20 anos. O seu corpo, porém, nunca chegou a desenvolver para além da aparência de um bebé de 12 meses. É uma condição rara - mas não única no mundo. Afinal, a história protagonizada por Brad Pitt no filme "O curioso caso de Benjamim Button" tem muito em que se fundamentar. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A adolescência (e arredores) espelhada no Youtube



 Na altura em que fui uma adolescente tinha muitas ideias na cabeça. Muita vontade de as concretizar também. Faltava-me, como julgo ser normal, "saber para onde me virar" para seguir esses caminhos que sentia precisar traçar. Um adolescente recorre aos adultos que o cercam. Mas se as respostas destes forem "não sei, não me chateies" ou "nem pensar, pára de ser estúpida", algumas coisas que podiam ser vividas logo na adolescência e servir de experiência para a entrada na idade adulta ficam por acontecer. É a pior coisa, julgo eu, que um educador pode fazer a uma criança: limitar a sua liberdade e necessidade de expressão.

Bom, isso agora quanto a mim pouco importa, serve apenas como introdução para o tema que vim apresentar. No youtube encontrei, por acaso, algumas vezes, vídeos realizados por adolescentes, pré-adolescentes ou semi-alguma-coisa da adolescência. Espreitei por curiosidade, com um nadica de nada de sensação de voyurerista por decerto não ser o público alvo. Mas a verdade é que muitos desses canais são divertidos. Imagino aqueles que estão na mesma idade do visado a divertirem-se com as cenas, a querer fazer algo parecido. O youtube, o vídeo em si, é uma forma de expressão muito apelativa. Era o que me apelava aos sentidos quando era criança: queria filmar. Histórias e o quotidiano do que me cercava. Mas na minha adolescência não existia câmaras de vídeo domésticas. E se não existia isso, então é que nem pensar em criar "cenas" para postar no youtube, pois também não existia internet... Nem computadores, muito menos portáteis, ou ipads ou mesmo telemóveis e quando apareceram, não vinham equipados com câmaras de fotografia, muito menos de vídeo. Portanto, a vontade podia estar lá - e estava. Mas os meios não. Por essa razão fico contente que a geração de hoje tenha acesso a tudo isto para se expressar. E gosto de ver que o fazem. Fazem bem, dominando a tecnologia e algumas técnicas mais avançadas. Têm assunto para falar - do aparentemente disparatado ao mais sério, tudo conta. Uma geração pós-gato fedorento, que se faz sentir na linguagem e estilo que adoptam. Acima de tudo, imaginação, criatividade e coragem para fazer o que lhes apetece, com responsabilidade, decerto... :)

Aqui fica uma ou outra cena/canal que calhei encontrar. Os temas assim como as idades variam entre parvoices típicas (e por isso mesmo engraçadas) a compras online e relações amorosas, mas são todos peças de um puzzle que é a vida que, segundos alguns, tem nestas idades a sua melhor fase. 







PS: Passado tantos anos continuo a achar os meninos, a pesar de tudo, mais interessantes que as meninas. Ao menos falam de tudo um pouco ehehe. Meninas falam hoooooras de  maquilhagem, vestidos, malas, etc.   ;)




sexta-feira, 14 de junho de 2013

O facebook dos adolescentes


Sinto que fico verdadeiramente conectada às cabeças de um pré-adolescente quando percebo a forma como se expressam no mural do facebook. Ao ler os comentários, ao perceber a forma como reagem às publicações, pela quantidade incessante de fotografias que colocam de si mesmos, pelos interesses que revelam em bandas de música, em roupas, em ídolos, na forma de se expressarem entrei si e às coisas e o que esperam que seja o comportamento de cada um deles perante uma publicação.

Nesse sentido acho que o facebook está a ser desprestigiado. Ele presta um benefício aos adultos como nenhuma outra ferramenta consegue, numa fase em que entender os pré-adolescentes pode ser difícil para alguns adultos mais "desmemoriados" da sua própria existência nessa idade. Não adianta vir debater se a aplicação devia ou não ser acedida por pessoas de tão jovem idade. Não adianta porque tal facto é inevitável. O facebook assim como outras aplicações e tecnologias impuseram novos hábitos em toda a sociedade. Não se pode esperar que uma criança fique atrás dos mesmos. É assim mesmo que se convencionou, é uma alteração nos hábitos da sociedade que se generalizou e por isso é até um tanto "patético" achar que os adolescentes, tão sempre na vanguarda da tecnologia como estão, alguma vez poderiam ficar de lado.

A verdade é que cabe ao adulto saber orientar o adolescente perante esta nova forma de interagir. O que até pode ser muito positivo, conforme já expliquei, porque permite ao adulto ter uma "janela aberta" para a cabeça e alma de seu filho, de uma forma que não sendo invasiva também não precisa de ser forçada.

Não se deve impedir uma criança de evoluir no sentido em que a vida evolui, pelo que não vejo na proibição do uso qualquer sentido. Todos temos de nos adaptar às mudanças sociais sem travar o desenvolvimento das crianças, pelo que mais importante do que uma criança ter conta de facebook é perceber que é uma realidade inevitável e que vem acrescida de cuidados e concelhos educativos diferentes. E estes fazem falta. Não só para o universo do facebook mas para a vida em si, pois esta também já se deixou dominar em vários níveis pela tecnologia. Ao alertar uma criança para os riscos do uso de uma tecnologia «segura/insegura» como o facebook, estamos também a incutir nela uma semente de atenção que lhe vai durar, se possível, a vida toda. Uma criança que não esteja em contacto com esta realidade fica excluída das coisas como elas são. E poderá ficar vulnerável aos perigos que ela acarreta, quando com ela começar a se expor, por não estar familiarizada com o relacionamento inter-pessoal entre pessoas por este meio.

Creio que é um grave erro menosprezar a capacidade cognitiva de uma criança - deixando por lhe explicar a razão das decisões tomadas e das preocupações. A criança é mais inteligente que qualquer adulto. Só não está munida do conhecimento de experiência de vida e de algumas consequências de gestos que possam parecer inocentes. Mas inteligência e capacidade para absorver conhecimento é coisa na qual qualquer criança supera um adulto até com uma perna nas costas. Portanto, valorize-se isso, dando a elas todo o conhecimento não-literário que possam necessitar para se adaptarem melhor ao mundo.


E como ia relatar, observar o mural facebookiano de um pré-adolescente é um aprendizado. Acho que a primeira coisa que notei e que me fez impressão é a forma como se manifestam diante da publicação de (mais) uma fotografia. O utilizador coloca uma fotografia nova da sua pessoa e logo de seguida "chovem" comentários de colegas e amigos. E estes lêm mais ou menos assim: "super gata!" Lindaaa!" - seguidos de símbolos ou abreviações que servem somente para reforçar e dar mais ênfase ao elogio. Nunca vi nada que não fosse esta "rasgação de seda", por assim dizer, o que me leva a deduzir que é da praxe elogiar sempre a fotografia de alguém com estes adjectivos.

Outra coisa que observo é a expressão "Dedicas?" - muito utilizada entre eles. Significa que quando uma pessoa coloca uma imagem sua no facebook, depreende-se uma certa "exigência", uma "regra de etiqueta" que diz, entre pré-adolescentes, que o certo é dedicar a foto a alguém. Não é de bom tom embora não seja ofensa, colocar uma foto por colocar. E sem uma descrição também não é muito bem aceite. Os pré-adolescentes gostam de saber que as coisas lhe são dirigidas. Em resposta aos comentários, o autor costuma dizer "obg, obrigadaaaa", numa modéstia recatada que faz lembrar uma donzela do século XIX quando lhe elogiam a beleza.

O mundo gira muito, mas por mais que mude, algumas coisas nunca mudam na essência. Sofrem alterações expressivas, mas está tudo lá: a recatada modéstia ao receber um elogio, a vontade de receber elogios, as primeiras preocupações "românticas" e de amizade, as mãos dadas e os primeiros beijos com o primeiro namorado, os gostos musicais, os estilos de vida admirados nos ídolos, o que acham bonito em roupas, em estilo, o papel da escola e os stresses dos testes, os concertos a que se quer ir, os bilhetes que se querem comprar, as marcas de roupa e vestuário mais apreciadas, as modas que uns seguem, as férias como lhes correram e tudo com fotografias! :)

O facebook de um pré-adolescente reflecte bem aquilo que são e a fase que atravessam. É bom aproveitar, porque acredito que ao chegarem à adolescência já serão mais restritos, saberão controlar e vão querer realmente controlar quem vê o quê e não serão, suponho eu, tão puros nas suas manifestações e opiniões quanto na pré-adolescência. Acompanhar o crescimento do indivíduo pré-adolescente pode não ser possível pessoalmente, mas através pelo facebook fica-se com uma boa ideia, quem sabe, até mais ampla. Porque, como diz a expressão, vê-se melhor uma árvore e toda a sua beleza quando à distância. Muito perto só faz perceber as saliências do tronco...















segunda-feira, 3 de junho de 2013

Educação livre e educação disciplinada

Tenho uma menina na família que está a ser educada com alguma disciplina pelos pais. Ela é uma menina expansiva, que fala muito e articuladamente, sabichona, viva, interessada e vibrante. Mas à medida que cresce está a mudar. Vê-se menos desse brilho e fica mais recatada. Assim que ela escuta o seu nome a ser chamado pelos pais sai disparada a correr e não perde tempo a lhes aparecer à frente. É muito obediente, a pesar de ter fama de ser "terrível". Uma reputação injusta, a meu ver. 

Tudo o que os pais lhe dizem para fazer, ela faz prontamente. E qualquer adulto em geral recebe essa mesma atitude. Para minha surpresa vejo que obedece prontamente aos pais quando lhe dizem para desligar o computador para ir estudar, ou quando lhe dizem que tem de acabar de brincar para ir estudar, ou mesmo quando lhe ligam a dizer que tem de se ir embora de onde está a conviver e a brincadeira vai terminar. Por vezes ela tenta dialogar com os pais, perguntando-lhes se não pode ficar mais um bocado, mas se escuta um não, acata-o sem insistir. Só que tudo isto ela aprendeu da maneira "dura". Ou seja, através de disciplina, de muita contrariedade, de castigos e privações. Sinto que a sua educação não está a receber o equilíbrio ideal entre o afecto/carinho e a disciplina/aprendizagem. 

Sei que não é fácil educar crianças, sei que os pais querem o melhor para os filhos, mas também sei que isso nem sempre se consegue. Os pais também falham. E perceber isso não é vergonha alguma. Vergonha é perceber e nada fazer para o mudar, mantendo o comodismo de comportamentos que se provam nocivos.

Não sei se é realmente o caso desta criança, mas identifico nela todos os comportamentos que me indicam a presença de educação rígida construída em cima de sentimentos magoados que eu também recebi. Uma educação que castra muito e libera pouco, ou quase nada. Tal como ela, também eu fui uma criança vibrante. Ao ponto de durante os anos que se seguiram até a adolescência, ainda viver aos olhos dos outros como se fosse a "tal" criança esperta e sagaz que todos pareciam recordar. Falavam comigo durante longos tempos a contar-me as peripécias e a forma como eu percebia as coisas. Estes adultos que me reencontravam vibravam, iluminavam-se e eu acho que esperavam encontrar uma versão crescida da criança que fui e ficavam ali a sondar, a ver se eu "lhes aparecia" tal como me recordavam. Costumava deixá-los falar, escutar, dizer que não me lembrava de nada porque a maioria das vezes era verdade e pronto. Eles lá iam, talvez algo tristes e desconfiados por aquela criança" não se encontrar mais no corpo da quase adulta. Não me sentia muito confortável por tantos me recordarem com tanto entusiasmo, saudosismo e rasgados elogios, revelando tanto gosto e alegria ao me reencontrarem. Porque me faziam lembrar o que podia ser mas não era. Faziam-me lembrar o "eu" que reprimi e me foi «apagado» à força mas que um dia esperava poder reencontrar antes que "morresse" de vez.  Lembro-me de uma ocasião em que uma senhora muito entusiasta ficou a me relatar pela porta as memórias que tinha de mim e eu a pensar: "Essa não sou mais eu". 

Está certo que nós mudamos. Não creio que mudemos na essência, mas sofremos alterações sim. Está previsto que o ser humano mude à medida que aprende a crescer e a conhecer o mundo. Nem todas as mudanças têm origem na disciplina muito ou pouco rigorosa, o factor biológico também entra na equação. Mas quando a disciplina é castradora, existem pequenos sinais como este da obediencia imediata e pronta que esta criança revela. Ela tem uma atitude de obediencia que mais depressa relacionariamos com a de uma serviçal com receio de uma reprimenda dos amos.  E como já referi, creio que aprendeu a reagir assim às custas de muito grito, algumas pancadas no traseiro e muita imposição. 

Também já vi o pai a brincar entusiasticamente com as crianças dos outros, a menina a meter-se no meio para entrar na brincadeira e a levar uma reprimenda. Acho que o pai não entendeu que a magoou e a fez sentir preterida, posta de parte, uma vez que enquanto brincava com a outra, ordenou que a sua filha ficasse quieta, dizendo-lhe que não devia atrapalhar. A criança deve ter-se perguntado desta vez e se calhar noutras também, porquê isso, porquê o pai é tão brincalhão com as outras crianças e menos com ela. Acredito que os sentimentos começam a ficar magoados e vejo que ela fica de "cara fechada" sem querer explicar o que tem quando algo a magoa. E reconheço isso, já passei pelo mesmo. Outras vezes detecto que umas lágrimas lhe caem pelo rosto e quando vou perguntar o que se passa, porquê ficou triste, responde apenas que "não é nada"  (Ah! É tão parecida comigo!!!).

Pelo que hoje estava aqui a relembrar como a vi recentemente a ter estas atitudes de menina bem comportada e obediente e a pensar se não as assimilou através de um excesso de disciplina rígida e uma certa carência de momentos de maior afecto. Porque existe outra criança na família que recebe uma educação oposta. E é fácil entender as diferenças quando existem exemplos distintos. Creio que a personalidade da primeira possa ficar algo "danificada" por receber esta educação mais castradora e que a outra acabe por florescer mais, visto que não sendo uma criança tão expansiva nem tão comunicadora e articulada, foi educada com disciplina mas acima de tudo liberdade. Principalmente para tomar algumas decisões sozinha e assumir a responsabilidade do estudo. Foi exposta a todo o tipo de coisa- não existiram temas "tabus" a serem discutidos na presença da criança nem foi de todo poupada aos desentendimentos dos pais à sua frente (outra coisa com a qual me identifico). Ela pode ver televisão enquanto toma a refeição e escutar todas as más notícias dos telejornais. A outra não tem TV acesa enquanto come, não podia ver filmes com cenas de adultos nem escutar as más notícias dos jornais. Creio que ambas as formas de educar são aceitáveis e acho que encontraria um meio-termo entre estas duas, pois nem uma nem outra estão desprovidas de falhas algo claras. Mas ainda assim concluo que a presença de LIBERDADE é ESSÊNCIAL para o desenvolvimento do ser humano. Agora, o que distingue essa liberdade da «liberdade» que faz as crianças crescerem sem noção de responsabilidades ou limites, acho que é a presença de interesse paterno, transmissão de valores e afecto. Só sei uma coisa: não é fácil, mas também não precisa de ser complicado.

Sinto carência e indícios de problemas de auto-estima naquela menina. Quando tiver com ela vou dar-lhe todo o meu tempo e do meu jeito descontraído, vou puxar o diálogo para ver o que pensa das coisas, como se sente, o que quer e com o quê sonha. Quero perceber se vai se expressar livremente ou manter algum vestígio da apreendida recatez. Proibir as crianças de falar não lhes apaga os pensamentos. Só magoa.  

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Puppy Love

Lembram-se da primeira vez?
Do primeiro amor?


A entrada na adolescência é a fase embrionária de todo um rol de emoções novas. Quando ainda somos crianças, de 8, 10, 12 anos e vemos nascer uma atracção emocional por alguém, que é diferente de outras emoções alguma vez sentidas, chama-se a isso puppy-love.
Ou seja: é um amor inocente e casto, porém diferente daquele que até então havíamos sentido no nosso já "longo" tempo de vida na Terra. É aquele que vai abrir caminho, pouco a pouco, para mais emoções fortes.


Neste momento tenho na família crianças que começam a despertar para o puppy-love! Como quase sempre acontece, o alvo de tanta adoração ou é um jovem cantor(a) ou ator(iz). Na minha geração os miúdos eram doidos pela Madonna, as miúdas pelo DiCaprio, eu fui um pouco diferente... Mas a verdade é que começa aqui uma nova fase na maturidade de uma pessoa. É o inicio para algo maior, uma transição importante e que precisa de ser bem gerida e discretamente acompanhada para que o indivíduo possa crescer da forma mais saudável possível. Porque com o puppy-love surge também o primeiro coração partido, a primeira tormenta... LOL! Com sorte, passa sem ferir e uma nova fase se seguirá.


Como foi o seu primeiro Puppy-Love?

Escrevo este post na esperança de ver aqui partilhada algumas boas histórias!