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domingo, 23 de agosto de 2020

Fui ao parque. E o que vi?

 Ontem decidi ir ao parque. De longe, um grupo de quatro pessoas jogava ao disco. Um rapaz rechonchudo, de calcoes, barba comprida e loura pareceu-me familiar logo ao primeiro vislumbre. Era um simpatico ex colega, do emprego que tive faz um ano. O tal onde surgiu a paixonite.

Fiquei a pensar na coincidencia. Vou aquele parque desde que cheguei ao Reino Unido. Vivi anos numa casa mesmo ao lado desse parque. Vai fazer um ano, daqui a uma semana, que naquele parque desejei ardentemente vir a encontrá-lo novamente.  

Ao inves dele, encontro um outro colega. 

Nao deixo de pensar se este colega, neste tempo, voltou a ver aquele que eu desejei encontrar. 



Nao ha muitas ocasioes em que va aquele parque sem me lembrar dele. 

A lembranca ainda surge com frequencia, nas mais inesperadas situacoes. Quando uma pessoa nao sabe usar o computador, quando encontro um autocolante, quando temas aparentemente nada relaccionados vem à conversa e algo o traz novamente à memoria.

Mas ja nao doi. Essa bencao foi finalmente concedida. 

Pode entristecer um pouco, mas aquela dor intensa, constante, profunda... nao esta mais cá. 

Se um dia me cruzar novamente com ele...??

domingo, 31 de maio de 2020

Pessoas de fé?


Algo estranho acabou de acontecer. As minhas lembranças estavam todas a voltar a ele e com isso muito sofrimento o meu coração começou a sentir. Intensa dor, de novo aquela que parece que não passa e dói demais.

Decido fazer uma prece. Mas não peço a deus, jesus, nossa senhora, anjos da guarda... peço a eles. Abro-lhes o meu coração e explico-lhes o que sinto, o que quero que aconteça. Peço que me concedam essa oportunidade, pois se passado um ano ainda estou na mesma, preciso disso. Rogo-lhes por isso.

Instantes depois ele tinha desaparecido da minha mente. Está também um pouco sumido do meu coração. Sei que não vai durar. A questão estranha é que eu orei para ter oportunidade de estar com ele e o que me concederam foi o esquecimento.

Sim, porque algo aconteceu. O estado em que eu estava e como subitamente deixei de estar... depois de orar a eles.

O que não tem de ser, não tem de ser...

Mas eu pedi que me concedam a felicidade de voltar a sentir o que senti e poder viver isso. Foi por ele que o senti e dificilmente (como o exemplifica o post de ontem) vou sequer olhar para outro. Nunca fui de olhar, sempre... aconteceu.

Nao vou conhecer ninguem novo nos proximos tempos, tal como não conheci no ultimo ano. Muito menos alguém que me desperte o que ele despertou em mim. À minha volta ninguém é complicado e integrante como ele era. Eu vi o mundo por um prisma diferente, o prisma dele, e fez-me bem, pois é tão diferente do meu. Eu preciso desse outro prisma pois claramente, o meu veio defeituoso e está preso no set "todo o mundo é bonzinho". Ele tinha uma perspectiva diferente e não queria saber de ninguém. Mas foi doce e atencioso comigo.

Eu tenho tendencia para gajos perturbados, que sao timidos. Acabam por ser simpáticos e mostrar bom carácter para atrair uma presa mas depois sao ciumentos e possessivos. Julgo que não era o caso dele mas fico na incerteza devido a esta tendência do passado.

Orar resultou em esquecimento.
Curioso resultado....

domingo, 22 de setembro de 2019

O homem do supermercado telefonou!


Estava eu na maior depressão, a sofrer de desejo, de rastos como se calhar conseguem imaginar. Tenho passado as semanas a tentar afastar estas emoções de mim, até já orei, fiz simpatias, mas assim que desperto, o meu cérebro leva-me de volta para a saudade. 

Decido enroscar-me no cobertor e dormir. Talvez passe o desânimo. A dor.
Nisto toca o telefone. 


Atendo. 
Na véspera ligaram-me no preciso momento em que também estava mergulhada no pico do sofrimento e saudade. Atendo na esperança de ser alguém que faça a diferença. Mas é uma chamada a perguntar "se estive envolvida num acidente de automóvel no qual não tenho responsabilidade".


Oh, Please!!! - exclamo em dor, e desligo a chamada.
Desato num misto de riso e choro. Riso por ter piada, choro por estar a rir e estar a sofrer.

Atendo mas não escuto nada. Desligo a chamada e voltam a ligar. Atendo. Não escuto nada novamente. Até que percebo que isso se deve ao facto de ter colocado os auscultadores. Removo-os e uma voz masculina de início imperceptível diz algumas palavras.

Ultimamente a únicas chamadas que recebo são todas relacionadas com empregos. Já nem imagino que me possam ligar por outro motivo. "Ele" não me vai ligar. Deve até ter apagado o meu número dos seus contactos. Portanto era mais um outro frete qualquer.

..."das promoções no supermercado. Estivemos a falar. Pedi-te o teu número de telefone e fiquei de te ligar".

Só uma única vez dei o número de contacto a alguém - foi ao tipo que há dois meses, mo pediu no supermercado. Já relatei a história neste post. Ele ficou de me ligar no fim-de-semana, de tarde, para irmos jogar ténis. 

Só que não o fez. Nem no fim-de-semana seguinte. Eu que estava relutante em aceitar por perceber que as suas intenções envolviam romance e até lhe confidenciei coisas privadas do foro íntimo para o fazer entender a alta improbabilidade disso vir a acontecer, não fiquei muito desapontada. Ele insistiu e quis saber: "Então se conheceres um tipo e desenvolveres sentimentos por ele, o que vais fazer?" -perguntou ele. Respondi: "Não sei. Tinha de passar por isso para saber".

Estava tão longe de sequer conjecturar essa hipótese!!!!!
E olhem agora onde estou. 

É tão surpreendente que se fosse a contar a alguém (que não vou), não iam acreditar.

Falo com o Jason (assim se chama) na boa. A conversa continua a sair fluída e sincera e frontal, como eu gosto. Perguntei-lhe se se lembrava do que me perguntou. Ele lembrava-se de muita coisa da conversa e rapidamente percebeu ao que me referia. 
-" Deves ser bruxo... porque... aconteceu.". 
-"O quê? Já tiveste sexo com um gajo?!?".

Entre explicar que foi totalmente surpreendente, não estava nada à espera por estar convicta que jamais ia voltar a envolver-me com alguém, ele revelou que achou que fui rápida demais e não esperei por ele. (??).
Voltei a relembrá-lo: Sessenta dias... Estás a ligar, mas passados sessenta dias!". Disse-me que o desapontei porque afinal não esperei tempo algum. Voltei a relembrá-lo: Sessenta dias!. Em que não deu notícias, não mostrou interesse, deixou de aparecer no supermercado. Que não me viesse dizer que achava normal que uma pessoa que tentou engatar esperasse 60 ou mais dias pelo telefonema que devia ter feito no fim-de-semana.
Mas eu estou a cumprir a minha palavra - diz-me, engatatão. Ao que lhe faço lembrar: "A tua palavra tinha um prazo. Disses-te que telefonavas no Domingo, à tarde". - digo em voz de brincadeira. 
-"Quis dar-te tempo. Percebi que estavas a colocar muitos obstáculos e que precisavas de pensar. Se eu tivesse te ligado logo, o que é que fazias? Não ias atender."
-"Ia."
-"Se eu tivesse ligado-te no Domingo, atendias?"
-"Sim".
-"E saias comigo?"
-"Sim".
-"Então e quando o Domingo chegou e eu não liguei, o que é que pensaste nos dias seguintes? Que eu deitei o teu número de telefone imediatamente no lixo?
-"Pensei que podias ligar no fim-de-semana seguinte, ou que podias ter mudado de ideias e deitado o contacto fora". 
-"E se me visses no supermercado. O que fazias?"
-"Se te visse no supermercado cumprimentava-te e perguntava: "Então, e esse telefonema?".
-"Mas onde e quando conheceste esse tipo?"
-" Há coisas de cinco semanas" "No emprego".
-"Cinco semanas?!? Mas isso foi quando me conheceste!"
-"Não sei. Não ando a contar... Mas não aconteceu há cinco semanas. É recente, foi gradual... "
-"Não esperaste pelo meu telefonema! Abriste logo as pernas. Sabes qual foi o mal? Foste para a cama com o gajo errado. Devias ter ido comigo".  

Ele ter-me dito que escolhi o gajo errado não me caiu muito bem. Quem se julga que é para saber? Mas deixei passar. Em honra da franqueza que logo se estipulou no primeiro contacto. A conversa estava a ser honesta e estávamos a usar termos honestos.

Ele entendeu que não sou de ir para a cama por dois tostões. Nem por um milhão. Tem de existir uma atracção e cumplicidade, caso contrário tudo me repele. O que estranhei foi ele insistir que cumpriu a palavra dele e fui eu que não fui correcta. Disse-me que nem tinha deitado fora o meu contacto, e isso provava que estava a conceder-me tempo para me habituar à ideia. (?? a sério? Acha-me burra?). Disse-me diretamente: "Eu é que era o gajo com quem tinhas de ir para a cama. Fui eu que te abri a mente para essa possibilidade e tu foste abrir as pernas a outro". 

Opah... 
A coisa só entrou em desacordo quando ele repetiu isto e notei que não foi com ligeireza. Disse-me que não esperei tempo algum e fui logo abrir as pernas ao primeiro que "avançou por ali a dentro". Ao que lhe respondi que eu não era assim: "Não sabes quantos gajos andam a tentar, quase diariamente..." ele corta-me a palavra, concordando, e com esta simples afirmação convenceu-me:
-"Eu sei! Eu sou um gajo".

-"Foi especial" - voltei a mencionar, sem querer entrar em descrições. Quis evidenciar que não cortei o celibato por um motivo frívolo qualquer. Mas por um sentimento que brotou onde julguei que não havia mais lugar por a terra ser árida e infértil. 

E também lhe disse, já que insistia que o decepcionei por não esperar por ele (é mesmo um sedutor!), se durante esse tempo ficou trancado em casa na companhia do gato.

Ficou um pouco irritado mas eu expliquei que era uma brincadeira. O ponto de vista estava claro, parece-me.

Tive de me despedir dele e pedir para que terminássemos a conversa. Penso que já não me vai ligar. Mas fiquei contente que o tivesse feito. Mostra coragem. Ao fim de tanto tempo - e depois de não ter cumprido a palavra - é preciso tê-los no sítio para pressionar o número e ligar. 

Porém também fiquei com uma ligeira impressão de "ALERTA". Então ele não liga, não aparece, não mantém o contacto, não nos relacionamos de todo, deixa que se passem mais de dois meses e cobra-me fidelidade? Essa de ter sido apanhado numa falha de palavra e querer reverter tudo para o papel de injustiçado, cuja pessoa a quem ficou de ligar não esperou por ele ao final de 60 dias... até dá para rir. Mas ele estava a falar sério nessa parte e aí senti um alarme baixinho a soar dentro de mim. 

Mais uma vez reconforto-me por fazer questão de, por mais que simpatize com alguém, nunca lhe dar a conhecer onde moro. 

Só existiu uma excepção. Porque ele foi inteligente, tão sereno e confiável ao passar-me o telemóvel para colocar o endereço no Google Maps... Nem me passou pela cabeça que tivesse segundas intenções. (Embora tivesse passado não digitar o endereço...).

Nesse sentido não sinto perigo vindo dele. Provavelmente nunca mais vai querer passar pela porta. Quem sabe? Não o entendo, afinal. O que sei é que estava mergulhada numa depressão sem tamanho! A questionar-me incessantemente, desde o despertar até o adormecer de exaustão e dor. Porquê!?? Que lições tenho de tirar daqui?? Pedi a todos os santos que metesse alguém realmente bom no meu caminho, merecedor.

Toca o telefone.
O inesperado telefonema do Jason não podia ter vindo em melhor altura.
Acabou por ajudar-me a afastar três semanas de uma dor dilacerante.
E fez-me pensar que tenho de tirar daqui uma lição.

Será que é Deus a querer dizer-me que existe mais peixe no mar?
Que devia lembrar-me disso??

Mas não creio que o Jason seja o "merecedor", a pessoa certa.

Também, inesperadamente, ontem de noite, ligou-me um amigo que só liga de vez em vez, quando tem uma novidade. É uma pessoa que também se deu a conhecer assim, sem amarras, de coração aberto. Não temos intimidade de contacto, mas falamos com o mesmo tipo de abertura e sinceridade como se fossemos amigos íntimos. Já somos amigos "de há muito tempo" - vai por volta de 12 anos. Mas não do género "vou à tua casa, tu à minha" contudo, convidou-me a aparecer por lá ao saber que ia viajar para Portugal. E sei que estava a ser sincero. Isso agrada-me.

E isto é OUTRO SINAL.
Que tenho de aprender a ler.

Existe quem goste de nós mas não está presente todos os dias.
Este amigo tem o dom de me fazer sentir bem sem se esforçar, só por ser como é e mantermos uma conversa normal. E também ele ligou inesperadamente, num momento de profunda depressão e desespero.

Já é a segunda vez que me faz isto, sem sequer suspeitar.
Deve ser a providência.

Quanto ao Jason, o seu telefonema acabou por fazer-me um bem imenso.
Estava a ser disputada, ahah!
Passados mais de 60 dias do que imagino terem sido outras investidas frustradas, achou que ainda encontrava aqui a "sobresselente" para provar. Ai, ai... Fez-me gargalhar de espanto.

Senti-me de imediato melhor.
Espero que a sensação dure.



PS: Se o Jason ligou passados 60 dias com interesse por mim, quem sabe ele não ligue também?
Mas aí já estou a alimentar esperanças. Não quero fazer isso. 
Gostei do Jason mas obviamente não me envolvi com ele, nem com ninguém que tivesse mostrado interesse nisso entre ele e "ele". Ter convivido diariamente com "ele" e tê-lo visto transformar-se em algo que me agradou dia para dia foi o que fez com que desenvolvesse sentimentos. Prestativo, atencioso, acanhado, insinuador e algo hesitante... pronto a agradar. Mas também volátil. Por vezes frio. Precisava ir lá aquecê-lo até vê-lo sorrir. Isto fez com que fosse possível nascer sentimentos especiais. Não. Não vou alimentar esperanças. Não posso. É idiota da minha parte. 




domingo, 26 de maio de 2013

Pais & Filhos - comportamentos que parecem vir no ADN

A vizinha acabou de gritar:
-"Cala-te! Porco!" - diz ela ao filho.

Na realidade, ela está sempre a gritar com os filhos. Principalmente com o rapaz, que deve andar pelos sete anos. Mesmo quando tenta ensinar-lhes algo, ela grita e é rude no vocabulário. Faz ameaças, manda o rapaz se calar, está sempre a gritar "bolas! Merda!".


A minha realidade não era muito diferente da dele quando era pequena. Nem pequena nem adolescente, nem mesmo já grandinha... Pelo que reflicto muito nas sequelas das crianças tratadas desta forma pelos pais. E sei o caminho que aquele rapaz vai trilhar em termos de auto-estima. O quanto anos de gritos incessantes e maus tratos verbais e comportamentais o vão afectar na vida.

Quando era pré-adolescente precisei por um curto período de tempo de explicações para a escola. Meus pais pagavam a um explicador para me ajudar duas vezes por semana. Uma vez lá fui eu e não sei com que cara ia, mas ele perguntou-me o que é que se passava comigo. Por vezes estava bem, outras parecia não estar - diziam-me frequentemente. E depois começou a elogiar os meus pais. Disse-me o quanto eles se preocupavam, o quanto lhes devia estar grata e o quanto era bom ter pais. 

-"Olha para ali bolas! Ré, dó, mi, ré, dó!"
- "Bolás pá! Merda!" - continua a vizinha a gritar ao filho.

O puto já vai naquilo para três horas e ela não pára de lhe gritar. Pelos vistos ele não acerta naquelas três notas lá muito bem e vai ter de ouvir o resto da vida... Não me admiraria que associasse para sempre estas memórias negativas e sofridas ao simples avistar do instrumento. Ao ponto de nem lhe poder colocar a vista em cima. 

Bem, o que é que eu poderia responder a um explicador jovem e independente que perdeu os pais cedo? Nada. Porque se lhe dissesse um desabafo que fosse, lá se ia o ideal que devia estar na sua cabeça de órfão. "Deves estar grata por ter pais" - disse-me ele. 

Sim, eu sabia. Mas nem tudo era um mar de rosas e nem sempre é a criança que está sem a razão. Apesar de tudo, e esse tudo não era pouca coisa, entre os ter e não os ter, preferia ter. Mas a que preço... !! Quase que lhe confidenciei: "Não é bem assim". Mas do que adiantava? A realidade dele era outra. Outra que eu decerto não conhecia também. Deixar que ele sonhasse com os pais carinhosos, afectivos e compreensivos que perdeu cedo, tal como eu, no fundo, fantasiava também. Carênciavamos os dois do mesmo, mudavam as circunstâncias. Ele jamais poderia recuperar os pais e eu tinha os meus. Era diferente. 

Pelo que nem com ele, nem com ninguém, alguma vez desabafei fosse o que fosse sobre os gritos, os maus-tratos constantes, muito presentes entre quatro paredes, diluídos na presença de estranhos. Desabafei com o papel, que ouviu pacientemente uma enxurrada de frases ditas em desabafo e sofrimento, até que um dia decidi que o papel também não devia guardar esses males. Uma vez fiquei mal vista diante de uma pessoa só porque esta achou que não correspondi ao nível de simpatia de meus pais. E tinha-lhes falado, num momento, com secura. Nunca lhe confidenciei que nesse momento o que lhes disse saíu como um grito de dor abafado. É que meus pais estavam a ser muito simpáticos mesmo. Bastante. E subitamente eu percebi que toda a minha vida podia ter sido assim e não foi. Uma dor rápida e profunda como um relâmpago passou pelas células do meu corpo quando o percebi. Contive as lágrimas. Percebi que era uma ESCOLHA. E eles escolheram os gritos. 

Nada disse, deixei que a pessoa ficasse a pensar mal de mim. Tantas vezes protegi meus pais mantendo o silêncio. Quem ficava mal vista era eu. Mas muitas vezes, mal a porta fechava e a visita ficava do lado de fora, recomeçava logo, ali e naquele instante, os maus tratos verbais.

Era como avistar por uns instantes o oásis para depois me atirarem de imediato no inferno calorento do deserto.


Quem vê os meus vizinhos com os filhos a passar na rua, não adivinha a gritaria entre as quatro paredes. Comigo também era assim. Tudo o que as pessoas viam era o que os sentidos básicos conseguiam detectar. Roupas, carro, escola, brinquedos, coisas normais. As pessoas pensam que estas coisas têm cara, roupa esfarrapada, falta de instrução e principalmente, falta de dinheiro. Mas não é assim que acontece.

Não creio, infelizmente, que o meu caso, separado que está em tantos anos da geração deste rapaz meu vizinho, sejam casos pouco habituais. Infelizmente, creio que a maioria das famílias portuguesas carregam no seu ADN este quotidiano ou variantes dele. Acredito que meus pais queriam mesmo dar uma vida melhor aos filhos. E, tal como tanta vez disseram, "dar tudo aquilo que eu não tive". Só que essas coisas eram bens materiais, não bens afectivos. Nesses continuaram a privar um tanto os filhos, quem sabe até se vingando neles. Deram-lhes bens e estudos, que era o que ao crescerem julgavam desejar para si, mas retiraram-lhes liberdade e individualismo. Muitos pais recusam-se a identificar os filhos como indivíduos e esquecem que mais do que mandar, impor, dar ordens e obrigar, há que escutar e, acima de tudo RESPEITAR.

Noutro dia recebi um comentário num blogue em que a pessoa confidenciava que não soube respeitar os pais, os avós nem dar valor às pessoas que a rodeavam. Percebeu que foi uma adolescente rebelde e egoísta. E se arrependia hoje por isso. De alguma forma, gostava de lhe ter dito que era suposto isso ser um pouco assim. Antes assim que ao contrário, pois o contrário era muito pior. Que se deixasse estar sem grandes remorsos, porque eles certamente que souberam entender, ainda que pudessem ficar sentidos. Porque compreendiam os ímpetos da juventude. É diferente quando se está na adolescência. Nem todos os adolescentes têm a cabeça algo "idosa", como foi o meu caso. 

Eu não tenho desses arrependimentos. Com intenção, nunca fiz mal a alguém ou tomei uma má atitude. Estive sempre presente, dei tudo o que tinha de bom para dar aos meus e continuo a dar, ainda que tente aprender um pouco a ser egoísta. Uns já faleceram e eu percebi a sensação nova e estranha que é alguém partir e ficar tudo tranquilo e pacífico. Não me deixaram um arrependimento. Não ficou um pedido de desculpas por fazer, nada que remoesse a alma. Talvez porque não fez parte do meu feito me esquecer que existiam. E eles sabiam disso e o apreciavam. É uma tranquilidade que me pertence e desconhecia até que pudesse não existir, como vejo alguns lamentarem. 

Como já referi, este tipo de tratamento familiar que a vizinha está a transmitir aos filhos parece que está no ADN português. Passa dos pais para a prole. Ténues mutações, talvez, mas a «medula» está sempre lá. Comigo não teria hipótese, isso percebi-o bastante cedo, mas não deixei de o ver a acontecer noutros lugares, com outras pessoas. E agora, com esta vizinha. Por vezes dá vontade de intervir. Assim como o impulso também surge quando vejo alguém a arrastar uma criança pequena pelo braço insultando-a por não se despachar a andar. Ou gritam com elas nos super-mercados, insultando-as chamando-lhes nomes, que, por estarem num super-mercado, não escalam ao que escutam em casa mas que deixam adivinhar. "Tu só me envergonhas! Nunca mais te trago comigo às compras! Está quieta! Olha que ainda levas uma palmada!" - ou então dão a palmada logo ali, para "disciplinar" a criança. Esta chora, claro está. E por chorar ainda apanha mais, porque ao chorar está a embaraçar o adulto e este sente que as atenções e RECRIMINAÇÕES recaem em cima de si. O que pensa que os outros pensam dele é o que o leva espancar novamente a criança. Que chora e lhe gritam para não chorar. Mas se apanhou, queriam que sorrisse?
Se calhar queriam que ficasse como eu aprendi a ficar. Parada, de cara "fechada", braços cruzados, em silêncio e totalmente absorta num sofrimento oculto. E ainda a escutar o quanto é uma criança insuportável, que não pode ir a lado algum, que só traz é vergonha. Porque tudo o que os adultos querem de uma criança é que fique quieta e em silêncio quando outros estão por perto e os podem julgar. Ora, uma criança pode ser difícil de educar - isso não contradigo, mas pelo cansaço dos pais apenas. E por a altura para se portar como a criança que é não ser conveniente, apanha.

Espero que este comportamento tenda a diluir com a passagem das gerações, com a melhoria da instrução e do convívio com outras sociedades e culturas. Mas agora aparece-me aqui esta nova jovem mãe, com seus filhos crianças, a repetir o mesmo. Quanto tempo mais até isto desaparecer? Porque submete ela os filhos a isto? Para se vingar dos seus pais?


Recuando ao explicador órfão, devo explicar que não lhe invejava a situação. Devia ser tão difícil não ter pais! Mas cada um de nós tem a sua ideia do que é ter pais e viver com eles. Os que têm só podem imaginar o que seria viver sem e os que não têm idealizam o que é viver com. Ninguém sabe como vai ser ou poderia ser, até que a situação passe a facto e deixe de ser hipotética. 

Eu sempre imaginei, por exemplo, que um órfão não é necessariamente um coitado - porque fui ensinada que era para os ver assim, embora jamais o conseguisse fazer. Procuro ver o indivíduo, não a sua condição, pelo que não faz sentido para mim dizer que alguém é "mais ou menos" seja o que for. Lá porque a pessoa pode ser órfã, não quer dizer que não seja amada, bem educada, lhe falte quem lhe transmita valores morais e a mune de ferramentas para se erguer por conta própria na vida. Não sei se a pessoa é feliz ou infeliz, se é boa ou má - isso não advém da sua condição. Conheci apenas superficialmente dois rapazes a serem educados pelos avós, sendo que um só tinha uma avó e não tinha realmente os pais. Deviam ter um sentimento estranho, claro, mas nenhum me pareceu desajustado. Decerto que teriam os seus momentos terríveis em que gostariam de levar a vida igual aos dos outros meninos e ter um pai e mãe por perto. Tenho a certeza que ficaram marcados por isso, tal como tanta coisa nos marca nesta vida. Mas quem diz que não têm como receber amor e que este não é bom?  Talvez tenha adquirido esta percepção devido às histórias infantis do meu tempo. Nelas quase todas as personagens principais eram órfãs. Como o Marco, a Heidi nas montanhas, os esquilos ou o Sebastião. Mas eram também crianças ou animais inteligentes, saudáveis, activos e amados por muitos, talvez até por isso. Recebiam caridade, preocupação extra, afecto. Acredito que mais importante do que o grau de parentesco, é o amor que a pessoa tem e sabe dar. 


É estranho, por exemplo, escutar os desabafos de minha mãe sobre episódios mais sofridos da sua infância, que mos relata como se eu nunca os tivesse escutado, e perceber que ela não é capaz de estabelecer os paralelismos com o seu comportamento para comigo. Diz-me "tu não sabes", quando eu sei sim, porque ela fez-me passar pelo mesmo. Podem variar as circunstâncias ou mesmo o resultado final, mas nunca o acto. 

Jamais desejei qualquer mal aos meus pais, pois lá da forma deles, sei que gostam de mim. Apenas não o souberam demonstrar e, o que é pior a meu ver, não me sabem respeitar. Foram pais que, tendo um problema qualquer no trabalho, chegavam a casa e gritavam com a filha. Todos os problemas pessoais entre os dois também vinham parar a mim. Fui basicamente um bode expiatório, não sei se alguma vez o vão admitir. Creio que não. Porque ainda se vêm a eles próprios como vítimas, para poderem se perceber como carrascos.Também não preciso de admissão, eles é que precisam. 

E agora esta vizinha trilha o mesmo caminho. Zangada que está com o mundo, insatisfeita quiçá com a sua vida afectiva e amorosa. Quem paga são os filhos. E mesmo a querer ensinar, lá está ela: "Bolas pá! Merda!" - constantemente a gritar isto aos ouvidos daqueles que pariu. 


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Cavalheirismo, o que é isso?

Um rapaz disse-me que o cavalheirismo, representado no seu exemplo pela porta aberta a ceder passagem à mulher, já não existe. Acrescentou que concordava com o fim desse e outros gestos e não via neles qualquer sentido. Segundo ele, o cavalheirismo nunca existiu.
O que fazer? Não tive vontade de lhe ensinar... tão novo, tão experiente, com 3 casamentos e divórcios nas costas, e tão longe de saber alguma coisa...

Claro que já não precisamos do ritual. Os cavalheiros também já não usam chapéu para cumprimentar as damas tocando-lhe na aba e fazendo uma pequena vénia. Tudo isso terminou. De facto, não é necessário. O ritmo de vida é outro. Mas o que não muda, é a necessidade de sentir respeito. E isto é que está em falta hoje em dia. No cavalheirismo, para quem não sabe, não foram os gestos que cairam em desuso. Foi o respeito que eles representavam. O respeito pelo sexo oposto, pela mulher, que era respeitada pela sua condição de mãe. É o sagrado feminino. O respeito pela criação, pela vida. Os valores.
Hoje muita coisa mudou. E como sempre, o homem, este ser mais primitivo que se recusa a evoluir muito além do básico, é o responsável. As mulheres quiseram igualdade de oportunidades. Devidas e merecidas! Sempre trabalharam como animais e aguentaram nas costas o peso de criar e educar uma família e governar uma casa e toda a lida. A mulheres realmente pobres, essas então sempre foram emancipadas: faziam tudo isto e ainda iam trabalhar para os campos, ou para os riachos a lavar roupa para fora. A mulher é um ser admirável.

Quando a mulher quis trabalhar fora das áreas que os homens estipularam ser exclusivas deles (queriam perpéctuar o estado serviçal da mulher, e não iam abdicar sem luta, de continuar a fazer o trabalho mais leve, de andar nos charutos, copos e na galhofa, enquanto a esposa permanecia segura e ao seu dispor em casa, rodeada de lidas domésticas e filhos doentes). Os homens logo acolheram a vontade da mulher de trabalhar fora do lar como um atentado ao modo de vida e chamaram isso de feminismo. Covardes, esconderam-se por detrás do argumento da «família».

Foram eles que adejectivaram deste modo o desejo feminino de seguir uma vocação. Feminismo, passou a ser um palavrão. E o triste é que, passados tantos anos, continua a ser. É o argumento primitivo e limitado do homem, para responsabilizar a mulher por qualquer desaire. As mulheres, que nunca se sentiram «feministas» com a cotação que a palavra passou a carregar, continuam a escutar estes despropósitos. Qualquer coisa e a culpa é das «feministas». E pronto! Lá estão os homens a deturpar factos e a maltratar a mulher, como sempre.
Pois as coisas mudaram e nós, mulheres, não deixamos de desejar menos a maternidade. Continuamos a querer um lar, uma família e, claro, a liberdade de seguir o caminho que todo o ser humano sente ser o seu.


Tenho observado o comportamento humano e não agoiro grandes melhoras para a raça. O homem então, parece condenado a uma existência onde pouco evolui. Deixem-me explicar porquê:
No local de trabalho, qualquer brincadeira/conversa informal, é sobre sexo. Tudo vai dar a esse tema. Na hora do almoço, passa-se uma hora a rir e a conduzir qualquer assunto para o sexo. Todos os dia, entra e sai dia, a mesma conversa... e o pior, é que não percebem o quanto estão limitados e o quanto isso os envenena.
Deixaram de ser "cavalheiros" para com as mulheres, para serem uns "cabrões". E digo isto porque oiço os comentários que fazem à passagem de cada mulher. Não há uma que lhes escape. Dizem que as mulheres falam muito das outras mas, deixem-me dizer que acho que os homens é que não se calam com as mulheres. E se nós alguma vez criticamos a aparência de outras como se mistificou, os homens tiram logo um raio-x. Eles analizam e classificam de imediato, como se de uma mercadoria se tratasse. E simpatia? Nenhuma. A todas apontam defeitos físicos e lhes atribuem logo adjectivos pouco agradáveis.

Esta mediocridade diária tira-me alento. Vejo-os a assumir um comportamento cada vez menos adequado para o sucesso da relação entre os géneros. Todos os homens, não importa a idade, olham e não tiram o olhar de cima das raparigas jovens. Parecem uns pedófilos. É para isto que a sociedade está a evoluir. Não só a mulher continua a ser desrespeitada, como ainda tem um período cada vez mais reduzido de tempo em que é cobiçada e menos desrespeitada pela maioria.

E nos empregos? Os homens gritam com as mulheres. Os homens, não as mulheres, fazem corpo mole e têm atitudes para sabotar o trabalho das colegas. Verifiquei que isso se sucede assim porque, entre eles, tendem a se sabotarem menos. Porém, também dão com cada facada nas costas... só que o gene de fraco continua lá. É mais fácil denegrir e prejudicar uma mulher. É mais fácil ser verbalmente agressivo com uma mulher, é mais fácil maltratar e agredir uma mulher. E a coisa continua...

Nós, mulheres, somos mesmos supermulheres! Eles não merecem que sejamos tão maternais. É isso que nos leva a desejar homens, a ter esperança neles, a querer cuidar deles. Tantas oportunidades lhes são dadas, para eles desperdiçarem... e depois, quando percebem, já é tarde. Quando percebem! Pelo caminhar das coisas, vão assumir este comportamento agressivo e predador sem nunca assumir os maus comportamentos.

O cavalheirismo é a arte de fazer a corte. São preliminares. É respeito, é jogo de sedução, é bom para o coração, faz bem ao homem e à mulher. O homem só tem a ganhar! Não entendo, não entendo. É pura burrice! Agora que o «segredo» está cá fora, tomem juizo. Pensem nas vossas mães. Nas vossas filhas. Voltem lá aos carrilhos. O cavalheirismo, senhores, só lhes pode trazer mil benções! E se alguém não o perceber de imediato, outro alguém irá saber reconhecer noutra tentativa. Agora, se o são, não deixem de ser, ainda mais para se transfomarem no que já existe por aí em demasia: animais! Afinal, foram educados por mulheres. Ao feminino reserva-se sempre respeito. Ao ser humano, reserva-se sempre respeito. É tão simples que até dói...

SÃO TODOS OS HOMENS ASSIM? - Dá que pensar.

Bem, espero bem que não. Assim como também há mulheres que não são todas iguais. Mas uma coisa também verifiquei. As mulheres quando se juntam todas numa conversa, trazem para a mesa todo o género de assuntos. Falamos de comida, falamos de lugares, de viagens, de filhos, de homens, de trabalho, de tudo... os filmes mentem. Na ficção, as mulheres só falam de homens. Não é verdade. Os homens sim, é que falam pouco de negócios e bastante de mulheres! e de forma cada vez mais vulgar e abjectiva.

Os homens que encontro no ambiente de trabalho, têm a sua imagem do que uma mulher tem de possuir para os interessar. Fisicamente, claro, tem de estar tudo perfeito. Mas se eles têm as medidas! Eles dão detalhes daquilo que uma mulher tem de ter. Não admira que hoje haja tanta preocupação com a imagem e tantos problemas de auto-estima. A mulher, ao se deixar levar pela conversa do homem, está a tentar ser o objecto ideal. E isso não dá certo.

Falam mal dos tempos de antigamente. Mas muita coisa neles era duplamente melhor que nos dias que correm. A começar, esta obecessão superficial pela imagem não estava tão vincada. Uma mulher, era uma mulher! Fosse como fosse, se esta mostrasse interesse por um rapaz, tinha alguma reciprocidade. Não era bombardeada de ideias pré-incutidas de que não "é boa" o suficiente.


De todos os géneros de homens, escutei poucos a dizer que gostam de mulheres. Gostam delas de todos os tipos. Gostam delas e pronto. E sabem? Estes, com este tipo de discurso que à superfície parece denunciar uma inclinação para a infedilidade, por vezes são os mais fiéis e respeitosos. A meu ver, o respeito é tudo. Sem ele, esqueçam... e é o que não vejo por aí.

O cavalheirismo existe. E também na forma feminina. Tenho tendência a ceder passagem às pessoas, sejam elas de que género forem. Sou educada, respeito-as, respeito as diferenças, sou tolerante para com a antipatia, para com a agressão. Sou uma dama. Também dizem que já não existem. Não pareço uma. Não faço por parecer. Mas sou...

E que tal começarem a olhar para onde interessa? A continuar assim, os homens vão ficar velhos sozinhos, que coleccionaram uma série de relações, não se compremeteram com nenhuma, não foram sérios com nenhuma, não comprometeram as vontades ou responsabilidades por nenhuma, não são pais presentes, não criam família... uns brutamontes. E as mulheres, iludidas pela fachada que o homem assume quando parte para a conquista, ainda investem tempo, e mais tempo, nesta lamentável condição humana.

Esta frase dita ás tantas no filme "Ligações Perigosas" com John Malcovitch no papel de brutamontes que descobre o respeito por uma mulher ao se apaixonar, ficou-me na memória. Diz assim uma senhora experiente, já em anos de vida avançados:


-"Minha querida, se ele te libertou, então tens de ir! A diferença entre o homem e a mulher é que a mulher é feliz quando dá prazer. E o homem, quando recebe".
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Está tudo dito!

Decidi colocar aqui links que me apareceram quando pesquisei o termo "cavalheirismo". Vejam as diferenças, para descobrir o que é e não é. Instruam-se...

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Comentário mais apreciado que encontrei na net:
Boas, Já acompanho este blog há algum tempo, inicialmente movido pela curiosidade dos textos... Várias vezes surgiu a motivação para comentar, mas o tempo, o trabalho e a batalha do dia a dia foram maiores... Hoje, embora ainda no escritório , foi mais forte que eu e que tudo que me mantém longe da praia neste fim-de-semana: tocaram algo, valores... Assim, aqui fica o meu contributo:
«Cavalheirismo, civismo e igualdades de direitos», não passam de símbolos para a sociedade conseguir passar valores simples áqueles que não os sabem viver: saber dar e saber receber, saber respeitar e ser respeitado. Não abro a porta do carro a uma senhora por cavalheirismo (ou cedo o meu lugar a alguém de idade, ou deixo outros passar primeiro pela porta), abro porque sinto que é uma simpatia, cordialidade, que me sinto motivado a praticar, sem esperar que a pessoa em questão me vá abrir a porta. Também lhe ficava bem, mas não é essa a minha motivação - fiz porque achei que devia fazer, pelo acto de bondade para com o próximo. O que estou a tentar expressar é que o abrir da porta, em mim, não é motivado por a sociedade me exigir um acto de cavalheirismo, mas sim pelas mesmas razões que me levariam a dar 20 euros para desenrascar um pobre desgraçado qualquer na rua, ou o ir à farmácia por um amigo que está doente em casa... Não sou motivado pela rotina do cavalheirismo, mas pela espontaneadade do acto: não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti, e se queres receber algo tens que estar preparado para dar - se possivel, primeiro. Também não me preocupa a interpretação que possam dar a uma atenção que pratique - alguém que assume o pior de ti quando tu estás ali cheio de boas intenções não pode ser boa pessoa - desses, quanto mais cedo sabes, mais cedo tens oportunidade de começar a guardar distância. O que falta na nossa sociedade não são regras, guidelines, ou outros que tais - são valores. A prática da bondade, cordialidade, responsabilidade e respeito são actos que aqueles que são fracos (de espírito, de personalidade, de mente, ...) se mostram impotentes para praticar - não porque não podem, ou porque não querem - simplesmente porque não têm. Mercenários há muitos, estamos escassos em paladinos. Ok, ok, sou bonzinho, mas não sou parvo - sou tolerante, mas intolerante com a ausência de valores. Já acompanho este blog há algum tempo, agora movido pela curiosidade sobre quem escreve os textos - potencialmente, amizades interessantes... Estou curioso. Sinceramente, espero que encontrem a felicidade que aqui expressam procurar. By kore.