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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Fui às compras


Vim das compras toda contente.
Encontrei este peixe salmão por um preço bem apetitoso. Impossível não trazer.
Alguém sabe de uma boa receita para esta delícia?


Entretanto devo contar-vos que quase não apanhei peixe algum...
As pessoas têm cá uma lata. Bem sei que é promoção e que se pode levar em grande quantidade. Mas levar TUDO o que vêm à frente é ser-se muito egoísta. 

Um homem bem vestido, com uma criança bem vestida bem à sua imagem, já tinha "reservado" todos os peixes à vista. Estava ali à espera que as etiquetas com o novo preço fossem imprimidas e coladas. Levou 10 salmões. Acho que não levou mais porque não sabia que havia mais para levar. 

Acho esse comportamento muito descarado e tenho cá as minhas suspeitas sobre o destino que dão às grandes quantidades de alimentos que levam por preço reduzido. Acho que têm maneiras de os re-vender ou transformar em menus de restaurantes, por exemplo. Claro está, a valores com um lucro enorme. 

Foi o homem da peixaria que deu a entender ter mais. Ele é pouco simpático e fez-se de surdo quando lhe perguntei duas vezes "por favor, desculpe, qual é o preço do peixe?". Respondeu-me que estava a atender um cliente (o homem que esperava cada etiqueta ser impressa pela máquina e colada nos seus 10 peixes). Pedi desculpa por "interromper". Mas fiquei à espera que se dignasse a uma resposta. 

Quando o homem bem vestido se afastou, o peixeiro lá me respondeu. Foi então que entendi porquê levava ele TODO o peixe à vista. Um peixe de cerca de 10 libras a ser vendido por 50 centimos... É roubo. O peixeiro, algo contrariado, perguntou-me então quantos eu queria


QUANTOS... sinal de que tinha mais. Respondi: "Só um". Ele ainda quis que eu fosse buscar aquele que estava numa prateleira. Só que esse peixe estava fora do saco (alguém na pressa, quando custavam ainda 5 libras, puxou por aquilo e o peixe saltou fora da embalagem). Ficou "contaminado" com poeiras e para voltar para o saco, tinha de pegar no peixe com as mãos. 

Ele lá me trouxe um outro, que rotulou com o preço da promoção e afastou-se de seguida. Sem colar mais etiquetas noutros peixes, que certamente tinha posto de lado. 

Não gosto quando os funcionários deixam uma só pessoa levar tudo. Acho que devia haver um limite por tipo de produto. Senão, uma só pessoa leva tudo e os outros ficam a salivar, chateados por não conseguirem agarrar nada.

E por falar em promoções, quando a secção de bolos e pães colocou os preços reduzidos nos croissants de chocolate e pauzinhos de queijo - só eu estava perto. Então tirei uns tantos. Mas logo a seguir veio a "manada". Um desses elementos era um senhor sentado numa cadeira eletrica, com uma bengala, que revirou aquilo tudo com as mãos com selvajaria. Puxou de tudo e colocou tudo no seu cesto da cadeira eletrica. Uma das embalagens estava mais alta e ele não se fez de rogado: ergue-se, ficou de pé, só para tirar a embalagem antes que mais alguém pudesse alcançá-la.

Achei tão feio. Na realidade, fiquei parada a ver. Só a olhar o homem.
Como ficam subitamente "curados" de uma qualquer debilidade quando lhes acenam com preços reduzidos por coisas que, se calhar, nem lhes fazem bem ou nem consomem normalmente. Enfim... eu também adoro promoções assim. Mas quero acreditar que tenho um pouco mais de consideração pelos outros e menos ganância.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sou racista


O título que escolhi é o termo simplório e redutor para uma característica que no fundo espelha cultura. Nada tem a ver com racismo. Mas como hoje em dia coloca-se logo esse rótulo fácil e reconhecível cada vez que se mencionam etnias, deixei ficar assim, como ironia e para que talvez se entenda de vez as diferenças. 

No emprego atendo pessoas de todo o tipo e originárias de todos os países. E por isso posso dizer que sim, é verdade, pessoas de certas etnias exibem comportamentos comuns. Isso tem mais a ver com a cultura social, a educação do povo - do que com a raça. Mas é típico da raça, porque essa raça teve aquela cultura - não por uma cor de pele específica. 

Cheguei a esta conclusão sobre pessoas de etnia negra: levam uma eternidade a decidir o que pretendem!!

Hoje foi o dia...

Mas nem podem imaginar... Tem dias é que é um atrás do outro...
Alguns colegas já sabem disso e tentam «esquivar-se» ao atendimento de pessoas que vão «empatar» o serviço. Já eu, sempre tenho esperança que será desta... E depois não é.

Vou dar exemplos: 
1- Estão umas pessoas no bar, à espera de atendimento, com ar impaciente, perscrutando com o olhar quem está disponível para os atender. «Cheios de pressa» - como sempre. 

Vou direta a um indivíduo que já ali está e que claramente fica agradado quando percebe que é a sua vez de ser atendido. Pergunto-lhe o que quer e este, que até ali estava cheio de pressa e a primeira coisa que quer saber é quanto tempo vai demorar a comida a chegar à mesa, fica a olhar para o menu... indeciso se quer isto ou aquilo, ou talvez aquele outro... Não consegue decidir-se sobre o que vai beber... Decide que quer sumo, mas não sabe qual... digo-lhe os sabores disponíveis não consegue decidir.... e quando decide, depois muda de ideias. Irra! 

Enquanto o atendi, os meus colegas atenderam cada um três clientes.

Nós temos que ser rápidos no atendimento - dizem que o ideal é passar 2 minutos com cada cliente - e estes de que falo consomem 10. Dez minutos que me fazem perder com as suas demoradas indecisões - muitas vezes por procurarem os preços mais baixos possíveis, do que nos gostos e vontades. Contudo, estão cheios de pressa. Cheios de pressa até chegar a sua vez. Aí demoram 10 minutos a decidir o que querem. Assim que se resolvem, a pressa volta-lhes. 

E exemplo disso foi umas senhoras que atendi logo cedo - quando o bar está por minha conta. Como é comum, entram muitos clientes ao mesmo tempo e todos vão ao bar ao mesmo tempo. Todos querem comer e beber... Os primeiros a chegar foram dois rapazes, que queriam duas refeições e dois cafés. Foram rápidos a pedir. Mas tive de os mandar aguardar pelas bebidas, pois é mais rápido tomar os pedidos primeiro e lidar com as bebidas depois. A seguir aos rapazes surgiram três senhoras, também elas a querer comer e beber cafés lattes e cappucinos. Mais uma vez, informei-as que aguardassem um pouco que lhes ia dar as bebidas na zona do bar específica para esse fim. Logo atrás deste trio surgem duas senhoras, de etnia negra e ainda um jovem casal, que só queria bebidas.

Despacho as bebidas dos rapazes em três segundos, começo a fazer as bebidas do trio de senhoras e já estou a terminar de fazer a do duo, quando uma delas aproxima-se do bar e diz em voz alta, para aquela que acabou de chegar ali para apanhar a bebida (a mais demorada de se fazer, pois leva chantilly e marshmellows): "a tua refeição está a esfriar" , "se a bebida demorar tens a comida fria". 

Tive quase para lhe responder que a comida tinha acabado de ser deixada na mesa graças a mim, que as atendi rápido ao invés de as fazer esperar como manda o protocolo e que o prato não ia esfriar num segundo. 

Outro exemplo:  

2- Grupos. Famílias. Entram, sentem-se e dois vêm ao bar pedir. Até nisto são lerdos, porque primeiro vêm direito ao bar cheio de pressa para serem atendidos, depois uns vão sentar-se enquanto uns tantos ficam pelo bar só para «reservar» e não perder a vez no atendimento. Mas assim que este começa, não sabem o que querem. E ficam à espera que a pessoa que ainda não está no bar chegue para pedir. Surge um certo vai e vem, até que, finalmente, estão ambos no bar para se entenderem entrei si e fazer o pedido. Para começar, seja em grupo ou individual, é muito comum nunca quererem o prato servido tal e qual como está no menu. Sempre pretendem mudar alguma coisa. 

Tudo bem... até gosto de personalizar as refeições, mas a forma típica como estas pessoas o fazem é exasperante. Para começar, tenho de lhes explicar em que consiste cada prato dos dois principais. São exatamente iguais, só mudam as porpoções (e o preço). Mas este fato tem de ser explicado ao menos três vezes, até que o cliente exiba sinais que entendeu. É então que estão preparados para comunicar o que escolhem comer. E nisto demoram uma eternidade. Depois, falam ao mesmo tempo. Ainda por cima, um diz ao outro o que o outro quer, é corrigido, depois auto-corrige-se... Quero batatas... - diz uma. Ao que a outra responde: Não queres nada! Tu não gostas de batatas. Não lhe dê batatas - diz-me. Ao que a outra responde: Não quero batatas. Sim, quero batatas. Ao que eu tenho de perguntar, para ter a certeza: Então, quer a batata?

E ao ouvir a confirmação de que a amiga quer uma batata, a outra decide que também quer: também quero uma batata -decide.

Quando lhes faço uma pergunta específica: querem o quê ao invés disso? Estão tão entrelaçados nas indecisões se querem ou não querem uma batata, que nem me respondem. Continuam a fazer o pedido na ordem confusa e misturada que lhes surge na cabeça e eu tenho de fazer uma nota mental para voltar a fazer a pergunta, se não, depois já sei que vão dizer que não a fiz e devia ter feito e lá vêm reclamar que não receberam a refeição tal como a haviam solicitado. ´

Depois de tudo decidido - nesta odisseia demorada e tão pormenorizada - depois de tudo feito e quando finalmente chega a altura de fazer o pagamento - é quando repito o pedido para ter mais uma vez a certeza que tudo está como o cliente pretende. E é aqui que decidem mudar as coisas novamente. 

-"Neste prato quero os ovos bem feitos. De um lado e no outro. E quero o bacon muito seco". E depois a outra decide que também quer o seu ovo frito de um lado e do outro e o bacon muito seco. E lá vou eu ter de escrever tudo isto no pedido. Quando não esperam pelo final para o especificar e fazem-no antes, não é por isso mais rápido o atendimento. Isto porque é também comum «metralharem» essa informação sem pausa para respirar, esquecendo que a pessoa que os está a ouvir precisa de clareza e uns instantes para anotar.

Quem trabalha nisto acaba por desenvolver uma memória de registo rápido mas, ainda assim, é digno de estudo cultural, estas formas tão específicas de se comunicar nesta particular circunstância. Dá para entender a cultura, o social, a forma como se pensa e se comporta em sítios onde nunca fomos. 

Cada povo tem um comportamento distinto. Os orientais, por exemplo, tendem a ser poupados, mas a forma como colocam o pedido é educada, quase tímida, sorridente, mesmo quando surge alguma indecisão, esta não demora o que demora a indecisão de uma pessoa originária e educada no continente africano. E quase sempre, sempre, pedem água quente como bebida. 

Olhem, isto dava um scketch e tanto!
E pronto. Por ter percebido isto e falar nisto, «sou racista».



características do cliente africano:

* apressam-se a chegar ao bar só para serem os primeiros a ser atendidos
* não sabem o que querem  
* queixam-se sempre dos preços
* estão sempre com pressa
* perdem a pressa quando começam a pedir
* procuram sempre os preços mais baixos
* demoram a decidir
* gostam de mudar o menu e pedir itens separadamente para ver se comem por menos
* assim que decidem ainda podem mudar de ideias 
* Quando nas mesas ainda podem voltar a pedir mais alguma coisa
* Se sentirem que as suas vontades foram devidamente atendidas, ficam felizes e mostram simpatia
* Se sentirem que algo não foi adequado demonstram uma espécie de frieza
* Geralmente são boa gente - apenas exasperadamente indecisos


características do cliente asiático:
* aguardam pacientemente pela sua vez de ser atendidos, colocando-se em fila indiana
* têm uma abordagem quase tímida 
* Podem ter dúvidas sobre o que querem mas os próprios apressam-se a decidir 
* quase nunca bebem bebidas alcoólicas 
* procuram geralmente os preços mais baixos
* quase sempre pedem água quente
* quase sempre ficam-se por uma refeição apenas - sem bebida ou qualquer outro elemento
* são sorridentes 
* demoram uma eternidade a consumir uma refeição - alguns quase uma hora
* podem dar prioridade aos gadjets como o telemóvel e deixar a comida esfriar na mesa, não demonstram sinais de pressa no seu consumo


características do cliente indiano:

* preferem as comidas com muitas especiarias (dah!)
* costumam pedir em quantidade
* gostam de espalhar os pratos pela mesa, numa de partilhar por todos os presentes
* não gostam que os pratos sejam removidos depois de pararem de comer
* quase nunca bebem bebidas alcóolicas 
* deixam sempre restos de comida em cada prato, nunca finalizam nenhum


característica do cliente italiano:
* espera que quem o atenda fale italiano
* procuram o preço mais baixo
* pode ser o cliente mais rude de todos
* mas também os há muito simpáticos
* claramente existem duas itálias - uma de pessoas simpáticas que resultam em clientes simpáticos, outra de pessoas execráveis, que criam clientes mal educados e de imediato implicantes (deve depender das zonas)
* a maioria paga com cartão - menos as pessoas execráveis


característica do cliente francês:
* não sabe falar inglês e sente-se constragido com o fato
* é simpático e parece contente e aliviado quando termina o pedido 
* a maioria paga com cartão 

domingo, 4 de junho de 2017

O hábito da numismática e como me ensinou a conhecer as pessoas


Trabalho com uma caixa registadora cheia de moedas, onde sempre tenho mais possibilidades de encontrar moedas para a minha colecção. Mas tem sido diretamente pelas mãos dos clientes que tenho apanhado quase todas. 

Num aglomerado de 200 moedas... a que tem uma cunhagem diferente vem quase sempre parar às minhas mãos por intermédio de um cliente simpático - às vezes na forma de gorjeta (que não posso aceitar). Acho isto muito curioso :) 

Digo que são os clientes simpáticos, porque os menos simpáticos e sovinas não costumam dar essa sorte. Numa ocasião uma mulher de origem oriental (nossa, como eles são forretas! Sem querer ofender mas existem traços que definem certas origens geográficas) espalhou um monte de moedas em cima do balcão e disse que queria o produto X (a coisa mais barata que temos no menu - uma espécie de bolo com chá). 


Tendo à minha frente cerca de duas dúzias de moedas, comecei a selecionar as de maior valor para chegar Às 3 libras e picos... A mulher tinha duas moedas de 2 libras com ela, três de 1 libra e muitas de outros valores. Reparei de imediato que tinha o suficiente para o mais barato que existe no menu - e então disse-lhe que tinha o suficiente. Uma moeda de 2 libras estava com o rosto ao contrário então por instinto virei-a e mirei-a, porque era diferente mas no fundo estava a tentar perceber se era uma moeda inglesa ou de outra nacionalidade. A mulher vai com a mão À moeda, pega nela, e mete-a no bolso. Todas as outras deixou ali em cima do balcão, como quem despeja um fardo e que seja a outra pessoa a encarregar-se de descobrir ali a quantia necessária. Foi a forma como meteu de imediato a moeda ao bolso, tentando disfarçar... Tornou-a mesquinha aos meus olhos.

A moeda que a mulher levou ao bolso

E depois tem os generosos. Hoje não foi dia de clientes generosos, mas de clientes que querem pagar tudo com moedas do mais baixo valor. Querem pagar 15 euros com moedas de 10, 5, 1 centimo, uma ou outra de 1 euro... Estão a ver a cena??

Raramente aparece um generoso. E quando aparece... Bom, hoje apareceu um. Devia ser americana, pois esses têm o hábito da gorjeta no recibo. Ficam bem aliviados e contentes quando percebem que neste país não são obrigados a isso. Ficam mesmo contentes em não deixar tusto. Mas uns poucos ainda «agarrados ao vício» do julgamento social costumam deixar uns trocos em cima da bancada - pensando eles que as moedas vão para um recipiente de gorjetas e são divididas entre todos. O "chefe" do dia viu 3 libras abandonadas no balcão, perguntou a todos se eram de alguém e ao ver que não, acho que as meteu ao bolso. Logo a seguir apareceram uns refrescos que ele foi comprar...


O problema de certos superiores é que eles tiram proveito da posição para serem... mesquinhos. Este não meteu as moedas na caixa da caridade - é para lá que vão todas as gorjetas deixadas pelos clientes. É uma maneira bem típica dos ingleses, fazer caridade sim - mas com o dinheiro dos outros. Este vai ser um tema para um próximo post...  E como o vejo sempre a comer os excedentários alimentícios e as bebidas que estão boas mas que são «sobra» (estamos proibidos de comer durante o expediente ou de levar comida excedentária para casa ou nos servirmos dela), deixa-me a impressão que é um indivíduo capaz de meter as gorjetas a seu uso pessoal.

Hoje foi também a primeira vez que respondi a um cliente que me estava a empatar o tempo de serviço com pedidos intermináveis e um pagamento por moedas cada vez de valor mais reduzido, que pode se ver "livre" das moedas - como estava a dizer - enfiando-as na caixa de caridade. Afinal... se as pessoas não querem as moedas, ao invés de tentarem pagar um hamburguer de 11 libras com esses trocos, porque não pagam com notas e metem as moedas na caridade? Ainda por cima estava a dar em direto na TV o concerto de caridade para as vítimas do atentado de Manchester (próximo post, estejam atentos!). E que tal deixarem-se contaminar um pouquito pelo«espírito da coisa» e deixar ali umas moedas??

Boa semana, pessoal! 

  

terça-feira, 18 de novembro de 2014

É de graça!


Sabem aquele momento em que se dirigem à prateleira do hipermercado com interesse em levar um produto mas o preço do mesmo não se encontra em lado algum? Para mim, se não tem preço, é de graça. É oferta para o cliente levar para casa sem pagar. Concordam?



Fui às compras num supermercado, pretendendo trazer produtos específicos. Pois dos cerca de 10 artigos que pretendia levar, NENHUM tinha etiqueta de preço! Nenhum. Nem um. Sabem o quanto isso pode ser frustrante??

OK, podem dizer-me para ser compreensiva (e sou), estamos na altura do Natal (pelo menos as lojas estão) e andam a fazer reposição dos produtos. Eu levo tudo isso em consideração. Mas andei a ver diversos produtos de higiene, e estes não tinham preço. Acabei por desistir e fui para a secção de chocolates. Interessei-me por uma caixa de bombons e não vi o preço em lado algum. Perguntei a uma funcionária.
-"Ali em cima" - diz-me ela, continuando a passar e apontando para um papel "bailante" no ar, com o preço de três produtos. NENHUM era o preço da embalagem que eu queria!


Além destas falhas, existe uma arrogância em determinadas superfícies que me começa a afectar. A arrogância de fazer o cliente procurar pelos preços. Não só este tem de procurar, em lugares por vezes «nada a ver» com a posição dos produtos, como ainda tem de ser capaz de DECIFRAR as designações. As embalagens, com o nome em inglês, a identificação com o nome em Português, tudo tão semelhante, como no caso destes bombons que eram todos "Belgas" e tinha-se de «adivinhar» quais os belgas a que o preço faz referência.


-"Ainda bem que sei ler!" - pensei, quando após indicação da funcionária e a passagem de uma idosa em dificuldades com os produtos e alguns de seus nomes estranhos. Foi então que me pus a fazer aquele jogo que as crianças fazem na escola primária, que é traçar com uma linha e ligar os objectos, por exemplo, a imagem do cão à casota, o pauzinho ao xilofone, o novelo de lã ao gato, o osso ao cão mas isso aplicado aos produtos e seus preços! Porque é a este exercício ridículo que muitas superfícies forçam o cliente a fazer em relação aos produtos e o seu preço. É um jogo. Que faz o género "onde está o Willy?", mas com preços!

Como se estes inconvenientes já não bastassem, algumas superfícies começam a dificultar o alcance a determinados produtos. Em particular os de higiene. Os que pretendia ver estavam trancados, à chave, numa montra envidraçada, cujo reflexo de luzes em alguns casos não permitia sequer ler o nome ou tipo de produto. Se era creme para as mãos ou spray capilar! Como é suposto o cliente agir para aceder a eles? Provavelmente terá de chamar uma funcionária... E depois esta perde tempo a ir buscar a chave e a voltar, fica ali ao lado do cliente, impaciente, com a chave na mão, aguardando que este se despache. E o cliente a sentir-se pressionado a tirar depressa o que pretende, sem poder perder tempo a tirar dúvidas ou escolher. Provavelmente teria de levar um qualquer produto, mesmo que mudasse de ideias, só para não passar pelo constrangimento de ter de devolver o produto à sua PRISÃO envidraçada ou abordar novamente a funcionária.


 Saí dali sem adquirir nada. E sem vontade de voltar. Já lá tinha estado 72h antes e uns determinados bombons não tinham preço. No dia seguinte, também não tinham. Hoje mudaram de lugar e já estavam etiquetados. Ainda bem! Mas a este ritmo, não dá. A lei estipula que qualquer superfície que afixe um preço de um produto por um valor, tem de deixar o cliente levá-lo por esse valor. Se se enganam, paciência. Se custa mais e cobram menos, o cliente tem de levar pelo preço que FOI INFORMADO custar. Não pelo que teria de «adivinhar». Neste caso de artigos SEM PREÇO a lei não dirá que o artigo é gratuito?
Assim é que era bom, as superfícies comerciais aprendiam logo logo a tratar a clientela com o respeito que esta merece. Ah, já não se fazem os Mrs. Selfridges de antigamente....


Por tudo isto acredito que as compras online vão ser o futuro. Não são chatices-free mas ao menos a têm a vantagem de não ter de passar por todo este stress in loco. O futuro vai ser ficar em casa relaxadamente a aguardar que as compras cheguem à porta...