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terça-feira, 18 de setembro de 2018

A hospitalidade Portuguesa não tem igual


Costumava achar que era um MITO.


Não que achasse que era mentira. Sei que há fundamento para se dizer que o povo português é acolhedor e hospitaleiro. Mas também achava que, se calhar, estavam um pouco a puxar "a brasa à sardinha".

Afinal de contas, o povo português também é desconfiado. E cusco. E gosta de quadrilhar. Mas mesmo não simpatizando com a cara de alguém, mesmo incialmente desconfiado e curioso, o povo não nega ajuda. E sabem que mais? Descobri que somos, de facto, especiais. 

E se calhar merecemos, com todos os louros, o rótulo de povo "mais acolhedor da europa". O que sempre achei exagero e pouco justo com os muitos que não conheço.


Os que conheço melhor, são os italianos.
Os que partilham casa comigo.

E nesse aspecto posso garantir uma coisa:
Os italianos julgam-se muito correctos. Mas não são.


Uma coisa que o povo português faz é, na hora das refeições, se aparece alguém e há comida, é convidado a partilhar a mesa. Neste instante os três italianos desta casa estão à volta da mesa, a partilhar uma refeição, que não me foi oferecida, nem sequer por cortesia. Nem por cortesia, fui chamada a sentar junto deles, para conviver. Nenhum deles combinou a refeição juntos. Simplesmente quando um vai para a cozinha, os outros seguem e sempre sabem que a comida é comum entre eles. Funcionam como uma matilha de cães. Aqui a diferença entre o português e o italiano é abismal. Antes de um deles começar a preparar o jantar eu já tinha feito um que dava para quatro ou cinco pessoas. E ofereci. Queria partilhar a minha refeição, quem sabe ter companhia à mesa para trocar umas palavras e confraternizar um pouco.

Qual quê. 

Nenhum aceitou a minha oferta - como aliás nunca aceitam e tenho oferecido desde que cheguei à casa. Disseram-me que iam preparar uma sopa mas, depois, tiraram pasta, salsichas e batatas e foi isso que decidiram comer. Eu tinha feito esparguete à carbonara. 
Pasta, carne, molho de tomate, com tomate... algo que os italianos dizem adorar. Mas pelos vistos, adoram se for cozinhado por um italiano, com ingredientes italianos. Parece que tudo o que não é feito por eles é tratado com esnobismo.

E é por isso que digo que eles se julgam muito correctos mas não são. São até um tanto rudes. Mal educados - quando comparados às regras de convívio e boa educação que são transmitidas e praticadas por um português no seu conceito genérico. 

Eu estou sozinha neste país. Não tenho família, não tenho ninguém próximo que seja português como eu e por vezes caia bem poder ter uma conversa com alguém dentro da mesma casa. Tinha isso na outra - embora fossemos todos diferentes e cada um na sua vida, arranjava-se sempre umas horas de cavaqueira. E a conversa saia fluida, natural, sem esforço. Nesta casa não vou encontrar isso porque divido-a com italianos. São um povo muito centrado no próprio universo tricolor de verde, branco e vermelho. 

E vocês?
O que é que acham?
Que experiências tiveram e que opinião querem partilhar sobre o tema?

Sejam felizes!
Portuguesinha

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sou racista


O título que escolhi é o termo simplório e redutor para uma característica que no fundo espelha cultura. Nada tem a ver com racismo. Mas como hoje em dia coloca-se logo esse rótulo fácil e reconhecível cada vez que se mencionam etnias, deixei ficar assim, como ironia e para que talvez se entenda de vez as diferenças. 

No emprego atendo pessoas de todo o tipo e originárias de todos os países. E por isso posso dizer que sim, é verdade, pessoas de certas etnias exibem comportamentos comuns. Isso tem mais a ver com a cultura social, a educação do povo - do que com a raça. Mas é típico da raça, porque essa raça teve aquela cultura - não por uma cor de pele específica. 

Cheguei a esta conclusão sobre pessoas de etnia negra: levam uma eternidade a decidir o que pretendem!!

Hoje foi o dia...

Mas nem podem imaginar... Tem dias é que é um atrás do outro...
Alguns colegas já sabem disso e tentam «esquivar-se» ao atendimento de pessoas que vão «empatar» o serviço. Já eu, sempre tenho esperança que será desta... E depois não é.

Vou dar exemplos: 
1- Estão umas pessoas no bar, à espera de atendimento, com ar impaciente, perscrutando com o olhar quem está disponível para os atender. «Cheios de pressa» - como sempre. 

Vou direta a um indivíduo que já ali está e que claramente fica agradado quando percebe que é a sua vez de ser atendido. Pergunto-lhe o que quer e este, que até ali estava cheio de pressa e a primeira coisa que quer saber é quanto tempo vai demorar a comida a chegar à mesa, fica a olhar para o menu... indeciso se quer isto ou aquilo, ou talvez aquele outro... Não consegue decidir-se sobre o que vai beber... Decide que quer sumo, mas não sabe qual... digo-lhe os sabores disponíveis não consegue decidir.... e quando decide, depois muda de ideias. Irra! 

Enquanto o atendi, os meus colegas atenderam cada um três clientes.

Nós temos que ser rápidos no atendimento - dizem que o ideal é passar 2 minutos com cada cliente - e estes de que falo consomem 10. Dez minutos que me fazem perder com as suas demoradas indecisões - muitas vezes por procurarem os preços mais baixos possíveis, do que nos gostos e vontades. Contudo, estão cheios de pressa. Cheios de pressa até chegar a sua vez. Aí demoram 10 minutos a decidir o que querem. Assim que se resolvem, a pressa volta-lhes. 

E exemplo disso foi umas senhoras que atendi logo cedo - quando o bar está por minha conta. Como é comum, entram muitos clientes ao mesmo tempo e todos vão ao bar ao mesmo tempo. Todos querem comer e beber... Os primeiros a chegar foram dois rapazes, que queriam duas refeições e dois cafés. Foram rápidos a pedir. Mas tive de os mandar aguardar pelas bebidas, pois é mais rápido tomar os pedidos primeiro e lidar com as bebidas depois. A seguir aos rapazes surgiram três senhoras, também elas a querer comer e beber cafés lattes e cappucinos. Mais uma vez, informei-as que aguardassem um pouco que lhes ia dar as bebidas na zona do bar específica para esse fim. Logo atrás deste trio surgem duas senhoras, de etnia negra e ainda um jovem casal, que só queria bebidas.

Despacho as bebidas dos rapazes em três segundos, começo a fazer as bebidas do trio de senhoras e já estou a terminar de fazer a do duo, quando uma delas aproxima-se do bar e diz em voz alta, para aquela que acabou de chegar ali para apanhar a bebida (a mais demorada de se fazer, pois leva chantilly e marshmellows): "a tua refeição está a esfriar" , "se a bebida demorar tens a comida fria". 

Tive quase para lhe responder que a comida tinha acabado de ser deixada na mesa graças a mim, que as atendi rápido ao invés de as fazer esperar como manda o protocolo e que o prato não ia esfriar num segundo. 

Outro exemplo:  

2- Grupos. Famílias. Entram, sentem-se e dois vêm ao bar pedir. Até nisto são lerdos, porque primeiro vêm direito ao bar cheio de pressa para serem atendidos, depois uns vão sentar-se enquanto uns tantos ficam pelo bar só para «reservar» e não perder a vez no atendimento. Mas assim que este começa, não sabem o que querem. E ficam à espera que a pessoa que ainda não está no bar chegue para pedir. Surge um certo vai e vem, até que, finalmente, estão ambos no bar para se entenderem entrei si e fazer o pedido. Para começar, seja em grupo ou individual, é muito comum nunca quererem o prato servido tal e qual como está no menu. Sempre pretendem mudar alguma coisa. 

Tudo bem... até gosto de personalizar as refeições, mas a forma típica como estas pessoas o fazem é exasperante. Para começar, tenho de lhes explicar em que consiste cada prato dos dois principais. São exatamente iguais, só mudam as porpoções (e o preço). Mas este fato tem de ser explicado ao menos três vezes, até que o cliente exiba sinais que entendeu. É então que estão preparados para comunicar o que escolhem comer. E nisto demoram uma eternidade. Depois, falam ao mesmo tempo. Ainda por cima, um diz ao outro o que o outro quer, é corrigido, depois auto-corrige-se... Quero batatas... - diz uma. Ao que a outra responde: Não queres nada! Tu não gostas de batatas. Não lhe dê batatas - diz-me. Ao que a outra responde: Não quero batatas. Sim, quero batatas. Ao que eu tenho de perguntar, para ter a certeza: Então, quer a batata?

E ao ouvir a confirmação de que a amiga quer uma batata, a outra decide que também quer: também quero uma batata -decide.

Quando lhes faço uma pergunta específica: querem o quê ao invés disso? Estão tão entrelaçados nas indecisões se querem ou não querem uma batata, que nem me respondem. Continuam a fazer o pedido na ordem confusa e misturada que lhes surge na cabeça e eu tenho de fazer uma nota mental para voltar a fazer a pergunta, se não, depois já sei que vão dizer que não a fiz e devia ter feito e lá vêm reclamar que não receberam a refeição tal como a haviam solicitado. ´

Depois de tudo decidido - nesta odisseia demorada e tão pormenorizada - depois de tudo feito e quando finalmente chega a altura de fazer o pagamento - é quando repito o pedido para ter mais uma vez a certeza que tudo está como o cliente pretende. E é aqui que decidem mudar as coisas novamente. 

-"Neste prato quero os ovos bem feitos. De um lado e no outro. E quero o bacon muito seco". E depois a outra decide que também quer o seu ovo frito de um lado e do outro e o bacon muito seco. E lá vou eu ter de escrever tudo isto no pedido. Quando não esperam pelo final para o especificar e fazem-no antes, não é por isso mais rápido o atendimento. Isto porque é também comum «metralharem» essa informação sem pausa para respirar, esquecendo que a pessoa que os está a ouvir precisa de clareza e uns instantes para anotar.

Quem trabalha nisto acaba por desenvolver uma memória de registo rápido mas, ainda assim, é digno de estudo cultural, estas formas tão específicas de se comunicar nesta particular circunstância. Dá para entender a cultura, o social, a forma como se pensa e se comporta em sítios onde nunca fomos. 

Cada povo tem um comportamento distinto. Os orientais, por exemplo, tendem a ser poupados, mas a forma como colocam o pedido é educada, quase tímida, sorridente, mesmo quando surge alguma indecisão, esta não demora o que demora a indecisão de uma pessoa originária e educada no continente africano. E quase sempre, sempre, pedem água quente como bebida. 

Olhem, isto dava um scketch e tanto!
E pronto. Por ter percebido isto e falar nisto, «sou racista».



características do cliente africano:

* apressam-se a chegar ao bar só para serem os primeiros a ser atendidos
* não sabem o que querem  
* queixam-se sempre dos preços
* estão sempre com pressa
* perdem a pressa quando começam a pedir
* procuram sempre os preços mais baixos
* demoram a decidir
* gostam de mudar o menu e pedir itens separadamente para ver se comem por menos
* assim que decidem ainda podem mudar de ideias 
* Quando nas mesas ainda podem voltar a pedir mais alguma coisa
* Se sentirem que as suas vontades foram devidamente atendidas, ficam felizes e mostram simpatia
* Se sentirem que algo não foi adequado demonstram uma espécie de frieza
* Geralmente são boa gente - apenas exasperadamente indecisos


características do cliente asiático:
* aguardam pacientemente pela sua vez de ser atendidos, colocando-se em fila indiana
* têm uma abordagem quase tímida 
* Podem ter dúvidas sobre o que querem mas os próprios apressam-se a decidir 
* quase nunca bebem bebidas alcoólicas 
* procuram geralmente os preços mais baixos
* quase sempre pedem água quente
* quase sempre ficam-se por uma refeição apenas - sem bebida ou qualquer outro elemento
* são sorridentes 
* demoram uma eternidade a consumir uma refeição - alguns quase uma hora
* podem dar prioridade aos gadjets como o telemóvel e deixar a comida esfriar na mesa, não demonstram sinais de pressa no seu consumo


características do cliente indiano:

* preferem as comidas com muitas especiarias (dah!)
* costumam pedir em quantidade
* gostam de espalhar os pratos pela mesa, numa de partilhar por todos os presentes
* não gostam que os pratos sejam removidos depois de pararem de comer
* quase nunca bebem bebidas alcóolicas 
* deixam sempre restos de comida em cada prato, nunca finalizam nenhum


característica do cliente italiano:
* espera que quem o atenda fale italiano
* procuram o preço mais baixo
* pode ser o cliente mais rude de todos
* mas também os há muito simpáticos
* claramente existem duas itálias - uma de pessoas simpáticas que resultam em clientes simpáticos, outra de pessoas execráveis, que criam clientes mal educados e de imediato implicantes (deve depender das zonas)
* a maioria paga com cartão - menos as pessoas execráveis


característica do cliente francês:
* não sabe falar inglês e sente-se constragido com o fato
* é simpático e parece contente e aliviado quando termina o pedido 
* a maioria paga com cartão