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domingo, 4 de junho de 2017

O hábito da numismática e como me ensinou a conhecer as pessoas


Trabalho com uma caixa registadora cheia de moedas, onde sempre tenho mais possibilidades de encontrar moedas para a minha colecção. Mas tem sido diretamente pelas mãos dos clientes que tenho apanhado quase todas. 

Num aglomerado de 200 moedas... a que tem uma cunhagem diferente vem quase sempre parar às minhas mãos por intermédio de um cliente simpático - às vezes na forma de gorjeta (que não posso aceitar). Acho isto muito curioso :) 

Digo que são os clientes simpáticos, porque os menos simpáticos e sovinas não costumam dar essa sorte. Numa ocasião uma mulher de origem oriental (nossa, como eles são forretas! Sem querer ofender mas existem traços que definem certas origens geográficas) espalhou um monte de moedas em cima do balcão e disse que queria o produto X (a coisa mais barata que temos no menu - uma espécie de bolo com chá). 


Tendo à minha frente cerca de duas dúzias de moedas, comecei a selecionar as de maior valor para chegar Às 3 libras e picos... A mulher tinha duas moedas de 2 libras com ela, três de 1 libra e muitas de outros valores. Reparei de imediato que tinha o suficiente para o mais barato que existe no menu - e então disse-lhe que tinha o suficiente. Uma moeda de 2 libras estava com o rosto ao contrário então por instinto virei-a e mirei-a, porque era diferente mas no fundo estava a tentar perceber se era uma moeda inglesa ou de outra nacionalidade. A mulher vai com a mão À moeda, pega nela, e mete-a no bolso. Todas as outras deixou ali em cima do balcão, como quem despeja um fardo e que seja a outra pessoa a encarregar-se de descobrir ali a quantia necessária. Foi a forma como meteu de imediato a moeda ao bolso, tentando disfarçar... Tornou-a mesquinha aos meus olhos.

A moeda que a mulher levou ao bolso

E depois tem os generosos. Hoje não foi dia de clientes generosos, mas de clientes que querem pagar tudo com moedas do mais baixo valor. Querem pagar 15 euros com moedas de 10, 5, 1 centimo, uma ou outra de 1 euro... Estão a ver a cena??

Raramente aparece um generoso. E quando aparece... Bom, hoje apareceu um. Devia ser americana, pois esses têm o hábito da gorjeta no recibo. Ficam bem aliviados e contentes quando percebem que neste país não são obrigados a isso. Ficam mesmo contentes em não deixar tusto. Mas uns poucos ainda «agarrados ao vício» do julgamento social costumam deixar uns trocos em cima da bancada - pensando eles que as moedas vão para um recipiente de gorjetas e são divididas entre todos. O "chefe" do dia viu 3 libras abandonadas no balcão, perguntou a todos se eram de alguém e ao ver que não, acho que as meteu ao bolso. Logo a seguir apareceram uns refrescos que ele foi comprar...


O problema de certos superiores é que eles tiram proveito da posição para serem... mesquinhos. Este não meteu as moedas na caixa da caridade - é para lá que vão todas as gorjetas deixadas pelos clientes. É uma maneira bem típica dos ingleses, fazer caridade sim - mas com o dinheiro dos outros. Este vai ser um tema para um próximo post...  E como o vejo sempre a comer os excedentários alimentícios e as bebidas que estão boas mas que são «sobra» (estamos proibidos de comer durante o expediente ou de levar comida excedentária para casa ou nos servirmos dela), deixa-me a impressão que é um indivíduo capaz de meter as gorjetas a seu uso pessoal.

Hoje foi também a primeira vez que respondi a um cliente que me estava a empatar o tempo de serviço com pedidos intermináveis e um pagamento por moedas cada vez de valor mais reduzido, que pode se ver "livre" das moedas - como estava a dizer - enfiando-as na caixa de caridade. Afinal... se as pessoas não querem as moedas, ao invés de tentarem pagar um hamburguer de 11 libras com esses trocos, porque não pagam com notas e metem as moedas na caridade? Ainda por cima estava a dar em direto na TV o concerto de caridade para as vítimas do atentado de Manchester (próximo post, estejam atentos!). E que tal deixarem-se contaminar um pouquito pelo«espírito da coisa» e deixar ali umas moedas??

Boa semana, pessoal! 

  

domingo, 5 de abril de 2009

Tristeza mesquinha

Não gosto de atitudes mesquinhas e cada vez vejo mais disto à minha volta. Vejo pessoas a tentar poupar os 0.50 cêntimos do café e não é deixando de o beber. É a passar os dias a pedir a terceiros que o paguem!
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Uma colega que passa a vida a queixar-se de falta de dinheiro é tão somítica, que assim que chega ao trabalho pede bolachas aos outros. Dia vai, dia vem e está sempre a comer o lanche dos outros, nunca trás nada. Na hora do almoço, também consegue fazer o mesmo exercício. O costume é trazer comida de casa e fazer a refeição na empresa ou ir comer ao café. Muitas vezes ela come um pouco da refeição que os outros trazem de casa e fica almoçada ou então pede o prato mais económico e acaba por comer também o bife as batatas fritas a salada e as sobremesas que os outros deixam de lado. Alimenta-se com os restos alheios!
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Noutro dia vi que ficou muito contrariada por ter de ir até o café no seu carro. Os outros colegas já tinham partido e ela ficou furiosa, mas disfarçou, porque ia gastar gasolina. Ainda por cima, no local onde nos disseram que os outros iam estar não estava ninguém e tivemos de ir a outro lugar. Ela ficou possessa mas transferiu a sua raiva para a situação no emprego. Bebeu um café e pediu a outra pessoa para lho pagar. Justificou que tinha pago o pequeno-almoço a uma amiga e que por isso queria que lhe pagassem o café. Duvido que não tivesse 50 cêntimos com ela! Mas é tão forreta, tão ardilosa, que se comporta sempre desta maneira. No dia seguinte não deixou a situação repetir-se e saiu da cadeira sem dizer nada, dirigiu-se para o estacionamento e introduziu-se de imediato na boleia de alguém.
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Quando comecei a trabalhar na empresa, de vez em quando ela dava-me uma pequena boleia até a paragem do autocarro. Nunca lhe pedi de propósito que o fizesse, mas cheguei a lhe perguntar se saia a horas certas e se sim, se podia deixar-me perto da paragem. A subida é ingreme e leva uns 20 minutos a percorrer. Uma vez até perdi o transporte porque ela disse que sim e depois não cumpriu. De início era ela própria, de forma espontânea, a oferecer-me boleia ou a lembrar-me constantemente de perguntar a quem estava de saida se ia para os meus lados. Mas como eu não gosto de incomodar ninguém, só mesmo nos dias de forte chuva é que perguntava se alguém me dava boleia até o cimo da rua. Nunca pedi a ninguém que se desviasse do seu percurso para me deixar em qualquer lugar. Não gosto mesmo de incomodar os outros, por mínimo que o incómodo seja.
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Estas ofertas de boleia quase diárias, duraram um mês, mês e meio. Há hora de almoço ela vinha convidar-me para ir com ela ao supermercado, para não ir sozinha. Nem sempre me apetecia, até porque queria era apanhar ar e não enfiar-me num supermercado. Mas acompanhava-a para que não fosse sozinha. Depois comecei a ir mais vezes a pé, por gosto e por preferência. Gostava de andar e sentir o ar no rosto! Quem anda de carro mal apanha ar, a menos que abra a janela!
Passado um tempo, ela só me fazia perguntas sobre a compra de um carro e contava-me a história da amiga a quem dava boleia e que depois comprou uma enorme casa e um mercedes. Insentivava-me a comprar um insistindo que eram baratos, que devia comprar, que só me fazia bem, etc. Volta e meia, todos os dias repetia esse discurso constantemente. Foi então que finalmente entendi o que pretendia. Não estava nada preocupada comigo. O que ela queria era que eu comprasse um carro para passar a andar de boleia comigo. Para ser eu a levar o carro para o café e não ter de ser ela a gastar a gasolina. Para me cravar viagens mais longas, que decerto arranjaria de propósito para não as fazer à sua custa. É o que ela faz no dia-a-dia. É uma crava!
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Fico triste porque queria uma amiga, mas já percebi que não tem interesse em dar a sua amizade nem eu sou capaz de ficar amiga de uma pessoa que é capaz de me explorar até ao osso, se eu deixar (e eu deixo). É com tristeza que a vejo continuar a vida a cravar os outros. Queixa-se sempre da falta de dinheiro e ganha o dobro do meu salário. Diz que o dinheiro mal dá para chegar ao fim do mês mas passa a vida a dormir na casa de amigas, a comer na casa de amigas, a ter as amigas a fazer-lhe favores. Ás vezes passa 3 dias seguidos sem ir a casa e quando regressa é só para a muda de roupa. Ainda assim, nesses meses, diz que não tem dinheiro. O destino pregou-lhe uma partida. Deu-lhe uma despesa inesperada. Aí ela descaiu-se: «tinha conseguido economizar uma boa quantia o mês passado e agora tenho esta despesa» - disse. Então não andava na penúria. Faz-se!
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Quem não chora não mama, não é mesmo?

terça-feira, 31 de março de 2009

Chorar para Mamar

Dizem que não têm inveja de pessoas com dinheiro, mas não páram de comentar o quanto é injusto viverem com o que dizem ser pouco, quando outros têm tanto e nem se esforçam.
Estas teorias "de bolso" deixam-me entristecida com o futuro da humanidade. É fácil dizer estas coisas. Difícil é olhar para o próprio umbigo e assumir que nos outros se projectam os próprios defeitos e as críticas que lhes fazemos é pura inveja.
Observo isto todos os dias. Volta vai, volta vem, oiço pessoas a falar do quanto "estão pobres". Como salário, recebem cerca de 1500 euros por mês, mas estão sempre tesos. Tão tesos, que comem do prato dos outros, atacam todas as sobras da sobremesa alheia, e fazem com que os outros lhes paguem o cafezinho. Tentam passear em carros alheios, dormir na casa de amigos, comer e tratar da higiene na casa dos outros, a consumir o shampôo dos outros, o gás e a elctricidade dos outros e quando convidam alguém para algo, têm uma intenção oculta, que normalmente é dar paleio para fazer com que lhes dêm dinheiro «espontâneamente». Pedincham tudo e mais alguma coisa.
Fazem-no com grande habilidade. É-lhes quase natural. E quase não percebem (ou não assumem) aquilo que são! Falam como se fossem os únicos a ter despesas. Como se os que os escutam também não tivessem rendas de casa para pagar, gasolina para colocar, supermercado para fazer. E fazem-no com menos dinheiro!

Estes são "tio Patinhas" de araque, sem filhos para sustentar e grandes "cravas" de favores alheios. Só se queixam. Invejam-lhes os carros, as roupas, o estilo de vida, o suposto dinheiro...


Ultimamente tenho reparado numa "estirpe" em particular. Nas pessoas que dizem ter sido criadas entre gente com muito dinheiro, mas que não vivem com o mesmo nível económico. Louvam-se a si próprios, por trabalharem com relativo sucesso profissional, mas se acham mais do que aquilo que valem. Escolheram profissões de alguma alta rentabilidade e pouco esforço. A maioria das profissões requerem raciocínio, acumulação de informação, selecção e divulgação mas as escolhidas por estas pessoas não lhes prendem desta forma. Normalmente, não cumprem horários e conseguem dedicar-se a outras actividades durante o horário laboral. Como ir fazer uma manicure, uma limpeza facial, ir ao café, ao médico, ir namorar, etc...

Quando sabem que um colega pensa num aumento de salário, a coisa não lhes cai bem. Se um colega mal pago desabafar que precisa de ganhar mais dinheiro, respondem-lhes que precisa de arranjar outro trabalho. Isto vindo de pessoas que poucas vezes põem os pés na empresa onde trabalham! Quer dizer: os que mais trabalham recebem menos para sustentar os que menos gostam de trabalhar, a ganhar mais...


Bravam ao vento que são pessoas que se emanciparam cedo. Mas a dita independência continua dependente do jantar da mãe, que ainda lhes lava e passa a roupa a ferro, lhes fazem recados e lhes dá dinheiro quando começam a «chorar para mamar».

As aparências enganam tanto!