quarta-feira, 10 de abril de 2019

Tantas pessoas passam pelas nossas vidas...


O facebook está outra vez a sugerir-me pessoas conhecidas como amigos. COMO O FAZ, não sei. Fico pasma, quando me aparece o perfil de uma rapariga que conheci por apenas um dia e cujo contacto telefónico coloquei na conta whatsup que tem número inglês. NADA tem a ver com o facebook e não partilhamos qualquer conhecido em comum. No entanto lá estava o nome distinto dela: Mamba. 

Logo abaixo surge um rapaz com quem estabeleci uma relação de amizade telefónica faz uns anos - desse somente uso o endereço de email e não o tenho no facebook, onde realmente não tenho ninguém de relevo. Apareceram também todas as minhas antigas amizades do tempo da faculdade: de todas perdi o contacto e nenhuma está referida em qualquer sistema informático actual, na altura existiam apenas telemóveis e olhe lá! 


Fico PASMA com isto. A troca de informações é muito precisa e completa!
Do whatsup para o face, do gmail, tudo... Não existe anonimato algum.
E se eu os vejo, eles também me podem ver a mim.

Sinto algum conforto sabendo que procuro não publicar fotos minhas nem revelar o meu nome por inteiro. Se estas pessoas quisessem ter mantido o contacto, teriam-no feito na altura. Agora não preciso delas. É uma forma que o facebook tem de tornar as pessoas em "mirones" secretas das outras. Não gosto. 



Mas fez-me reflectir: todas as pessoas que passam pelas nossas vidas sempre as influenciam. Desde aquela que foi só um instante, às que tiveram muitos instantes. Por vezes, a que teve mais tempo não é por isso a que vai ser mais justa contigo. 

Lembranças que me fizeram ter de ir comer chocolate.
Não ajudou.
Enfim, reflexões. :D

terça-feira, 9 de abril de 2019

Quando partir...


Quando partir, quero partir por inteiro.
Não quero cá deixar nenhum pedaço de mim.
Quero despedir-me totalmente deste mundo e que nada meu permaneça, batendo, funcionando, mantendo parte da minha energia aprisionada noutro corpo, noutro lugar, transferindo ou perpectuando as angústias. Quero ir por inteiro, sem nada deixar, para aquele lugar... (?).


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Nada e tudo


Inglaterra está a querer expulsar-me. 
É impossível que em tantas tentativas para arranjar um emprego, ninguém me contacta. Isto é tão surreal que começo a acreditar em bruxaria. Há muitos anos uma sensitiva disse a um familiar que me tinha sido feito um "trabalho" muito forte e que se não se fizesse nada para o desfazer, nada em que eu me metesse, nada que eu desejasse, nada que eu perseguisse alguma vez ia dar certo. E claro, nada foi feito. Passaram-se 20 anos desde esta "previsão" e se na altura já suspeitava que algo não fluia bem, tive tempo suficiente para ter certeza. 


Acreditam?
Provavelmente não...

Não acreditam. Até acontecer convosco. 

Anedota real: a lua-de-mel


"A Maria-Elisabete rezou para que nevasse no dia do seu casamento." - pergunta um apresentador de TV à concorrente.

Maria-Elisabete responde.

"Sim, rezei para que nevasse. Estavam 32 graus. Tive 20 centímetros na lua-de-mel".


Daqui:




Comece a ver aos  5.52


domingo, 7 de abril de 2019

Uma anedota roubada ao Jay


Tenho voltado a gargalhar com o Jay Leno no Tonight Show graças ao youtube. Jay foi um entertainer que apresentou o programa por muitos anos. Agora o show está nas mãos do Jimmy Falcon. Às segundas-feiras Leno lia notícias de jornal verdadeiras, e completamente patetas, humorísticas ou mirabolantes. Numa dessas ocasiões ele fez referência às Colunas de Ajuda Sentimental que os jornais e revistas tinham por hábito oferecer. Do género "consultório sentimental" da revista Maria. Que todas as gerações leram.

A maioria das colunistas sentimentais na América são mulheres. Será que um homem não pode assinar uma coluna sentimental? Ora vamos lá descobrir:

CASO REAL:

Caro João, 
espero que me possa ajudar. Noutro dia saí de carro para o emprego deixando o meu marido no sofá a ver televisão. Uns metros depois o automóvel parou, deixou de andar. Tive de caminhar de regresso a casa para pedir ajuda ao meu marido. Quando cheguei nem quis acreditar no que os meus olhos viam: ele estava na cama, com a filha de 19 anos do nosso vizinho. Tenho 32 anos, o meu marido 34, estamos casados há 10. Quando o confrontei ele admitiu que faz seis meses que tem um caso com a vizinha. Ele recusa-se a consultar ajuda para casais. Eu estou desfeita. Preciso de conselhos. Pode ajudar-me?

Atenciosamente, Sandra



Cara Sandra, 

Um automóvel que pare a uma curta distância pode ter a causa numa série de problemas com o motor. Comece por verificar se não existem detritos no tubo de gasóleo. Se estiver tudo bem, verifique os tubos de vácuo e as mangueiras. Verifique todos os fios-terra. Se nada disto funcionar, o problema pode estar numa falha com a bomba de fuel, que causa uma fraca pressão. Espero tê-la ajudado. 



sexta-feira, 5 de abril de 2019

Hora dos Paradoxos: Sem abrigo


Agora às sextas-feiras vou começar a publicar coisas engraçadas que observo aqui em Inglaterra. Este país, tanta vez apontado como "mais evoluído" será mesmo como muitos o pintam? 


Vou mostrar fotografias de coisas que vou apanhando pela rua e promover o debate de assuntos. Acham que a galinha do vizinho é melhor? A relva é mais verde no quintal do lado? 


Para estrear: 
SEM - ABRIGO
Tirei esta fotografia às 23h de hoje. É uma foto da fachada de uma loja, e à entrada dorme um sem-abrigo. Dois dias antes dei a este homem carne quente que tinha acabado de comprar no supermercado. Lá estava ele, 18h da tarde, já instalado, a fumar o seu cigarro e a beber a sua cerveja. O sem-abrigo nunca diz "não". Ele só diz "obrigado". Fica-se sem saber se gosta ou não do que lhe é oferecido, ou mesmo se precisa. 

Afinal, encontrar sem-abrigo não é só em Lisboa, ou Portugal... Os ingleses também os têm. E muitos. Quando fui a Londres também se encontravam por toda a parte, principalmente à entrada dos metropolitanos, como numa em Picadilly Circus. Também tirei fotos. Principalmente quando vi uma pedinte a tirar o telemóvel do bolso e ter uma conversa alongada com alguém. Não que seja proibido... Afinal, pode ser que tenha daqueles planos que não paga. Mas ainda assim, onde será que o carrega? Eu tenho de carregar o meu todo o dia, senão deixa de funcionar. Isto foi em Londres mas aqui nesta cidade pequeníssima, são muitas as pessoas sem abrigo ou pedintes. Instalam-se durante o dia à porta dos principais estabelecimentos comerciais: o supermercado, a loja dos 300, a rua principal... Aquele que se instalou mesmo à entrada do supermercado até parece que ali montou uma casa. Numa ocasião tinha o edredon nas portas que dão acesso ao parque de estacionamento. Ele conversa com pessoas ali mesmo, de pé, não se limita a ficar sentado com o copinho na frente. 

As idades dos sem abrigo variam. Mas quase todos, adivinha-se, devem ter um problema com drogas ou outras substâncias aditivas. A que mais me chocou foi em Outubro passado, quando também dei comida a uma sem-abrigo que encontrei quando passava na rua principal. Era uma rapariga muito jovem. Demasiado para já estar nas ruas. 

As drogas parecem reflectir no olhar de muitos com que me cruzo nas ruas. As mãos seguram afincadamente garrafas de rótulo de bebida gaseificada, mas de conteúdo duvidoso. É que deve ser proibido andar a certas horas já de "pinga" na mão. Ou dá chatices. Então estão sempre com ela na mão, mas disfarçada de lata de coca-cola. 

Depois de tirar a foto ao sem abrigo, tirei esta a um grupo de 4 adolescentes à entrada do supermercado. Estavam todos a fumar e a beber álcool. Como se o tivessem de o fazer ali mesmo, acabadinhos de sair do supermercado. Não pudessem esperar nem mais um segundo.

Futuros Sem-Abrigo?
Acho que aqui o governo preocupa-se bem menos com os desfavorecidos. Quem vejo ajudar, com distribuição de alimentos e sopa quente são sempre instituições privadas (talvez co-ajudadas por fundos governamentais mas isso só intensifica a vontade de atirar-para-os-outros um trabalho que devia ser principalmente do Estado). 

E a percentagem de jovens dependentes de drogas, bebidas e com baixa escolaridade não é brincadeira em Inglaterra. 

Preciso de Cunhas

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O pobre está sempre desgraçado


Estou em busca de trabalho. Tenho me candidatado a dezenas de posições mesmo antes de ter deixado o anterior emprego. Isto foi em Agosto. Estou há seis meses sem trabalhar. Isto parece-me surreal. Espanta-me como o tempo parece passar mais rápido quando se deseja que não passe de três  semanas. 

Que ingenuidade a minha!
Hoje a percepção da realidade foi sentida como um soco, de deixar o adversário KO. Brutal.

Há uma semana fui a uma entrevista de emprego para trabalhar em algo que já trabalhei em Portugal e que não requer conhecimentos específicos, qualquer um pode obter aquele trabalho. Soube da vaga durante uma outra entrevista, no centro de Emprego, onde fui para procurar orientação e apoio. Estava no final da linha, aquele lugar onde a esperança está a terminar. Recorri a eles - só para constatar o quanto é desolador as expectativas e a realidade. 

Diante do meu interesse por uma oferta divulgada pelo Centro de Emprego, o funcionário marcou a entrevista, que aconteceu há uma semana. Nunca tinha apanhado uma recrutadora que falasse à velocidade daquela. Parecia querer despachar-me muito rapidamente. Elogiou-me, como tanta vez alguns fazem, disse inclusive que seria perfeita para o trabalho. Enfiou-me uma série de papéis para preencher, deu-me todos os seus contactos e mandou-me voltar a entrar em contacto assim que tivesse reunido toda a papelada. 

Até hoje. Já a contacto faz cinco dias. Não obtenho resposta. Recebo apenas um email automático dizendo: "de momento não me encontro no escritório, só regresso amanhã dia X. Se for urgente contacte em alternativa fulado Y ou fulano Z".

No dia "X" volto a contactar, só para receber outro email automático dizendo a mesma coisa, só alterando o dia para o próximo ao do contacto. Não foi preciso muito para deduzir que aquela ia ser a resposta-padrão a qualquer tentativa de contacto estabelecida. 

Contactei então um dos colegas cujo endereço vinha fornecido. SILENCIO também da parte desse recrutador. Hoje voltei a contactar. Mas não o primeiro, ou o segundo, mas TODOS. Antes de enviar o email fiz uma extensa pesquisa sobre DENUNCIAS DE AGENCIAS DE RECRUTAMENTO FRAUDULENTAS. 

E é nesta pesquisa que a sensação de desolação se intensifica.  
A pesquisa não me devolveu nenhum contacto. Um site apenas, especificou que qualquer queixa deve ser apresentada primeiro à agência de recrutamento e só depois se não ficarmos contentes, pode-se preencher um formulário e enviar para uma certa entidade que julgo governamental. No texto diz que dão importância a todos os emails recebidos - mas não indicam um endereço de email. Em parte alguma. Ou número de telefone. Isto é muito, mas muito britânico. Depois de se cá viver por uns tempos, percebe-se que a realidade e que os teus direitos não encontram quem tenha interesse em lutar por eles, a menos, claro, que pagues por um advogado. Não estão ao teu alcance caso queiras ou necessites das instituições governamentais que supostamente deviam existir em defesa dos mesmos. 


Fiquei com a sensação de IMPOTÊNCIA. A constatação de que, na realidade, não existe neste país alguém que defenda os interesses da justiça para as pessoas mais desprotegidas.

É tudo Fogo de Artifício.

E depois a constatação de que as Agências de Recrutamento PODEM agir na maior das ilegalidades, que as leis pouco fazem para o impedir. NINGUÉM tem interesse em salvaguardar os "alvos" - as pessoas mais necessitadas. Se estas procurarem ajuda, dificilmente vão saber para quem se dirigir. Tudo aqui é tão falso, tão de aparências. A começar pelo "Centro de Emprego". Dirigi-me lá para receber, acima de tudo, ORIENTAÇÃO de um PROFISSIONAL. Queria conselhos, apoio, caminhos a seguir... Mas aquilo mais parece uma repartição das Finanças. Só lhes interessa é documentação, dados pessoais, dados bancários... para fazer a tal "clame" sem a qual não te dão sequer acesso aos serviços ali disponibilizados. E depois? Depois não acontece rigorosamente NADA.

Fui a uma marcação julgando que, finalmente, ia poder falar com alguém que me orientasse, quando percebi que a pessoa era quase uma idiota. Sem querer ofender, mas era um daqueles funcionários que não querem se aborrecer, só querem fazer uma coisinha simples ali dentro, provavelmente um "dinossauro" de outros tempos, que mal sabia teclar no computador e teve de me dirigir a outra colega para que eu pudesse sair dali com um documento constando as datas de inscrição. Mal soube orientar aquela entrevista, fui eu que tomei a iniciativa de colocar questões, ele apenas me mandou sentar e depois perguntou: "Então?". 

Onde estava o "working coach" que me foi prometido? Duas palavras onde se deposita tanta fé e esperança, estraçalhadas diante da realidade que saltava à vista. 

 O facto da oferta de emprego estar a ser publicitada pelo CENTRO DE EMPREGO e a entrevista para a mesma ter-se dado NUM DOS SEUS GABINETES, significa zero em termos de LEGITIMIDADE.

Eles não querem saber! Provavelmente se a agência pagar para usar o espaço, qualquer uma pode ir ali aliciar "clientes". Porque "quantidade é comissão", não é necessário existir uma oferta de emprego real. Só precisam de aparentar estar a proporcionar uma. 

Tudo isto mete NOJO.
É revoltante pensar que andamos a meter filhos no mundo para os sujeitar a isto.
Assusta. Dá medo pensar que podem vir a passar pelo mesmo ou pior.


Em Inglaterra, o sociedade está irremediavelmente corrompida. São todos "carneirinhos" alimentados pela fantasia de que este é um dos melhores "países do mundo" "perfeita democracia e sistema social". O serviço Nacional de saúde é uma anedota -que faz de tudo para impedir as pessoas de conseguir consultas médicas, a justiça também é uma anedota e qualquer tentativa do mais desfavorecido em procurar justiça ou ajuda depara-se com portas e janelas com trancas. É tudo "faz de conta". E por todo o lado - desde que aqui cheguei - surpreende-me a quantidade de "avisos" condescendentes e que deixam implícito que o povo que ousar contestar algo, poderá vir a ser alvo de um processo judicial. Incutiram no povo uma noção de que não pode levantar a voz, que é inadmissível protestar contra o que seja. Estão todos muito cordeirinhos alimentados por propaganda dirigente.



Sinceramente, em muitos aspectos, Inglaterra não passa do outro lado da mesma moeda de qualquer sociedade sobre o pulso de um Ditador. Entre o UK e a China existem mais semelhanças do que se imagina.