Não querendo colocar a mão num ninho de vespeiro, vou partilhar a impressão com que fiquei após ter estado (finalmente) na cidade do Porto.
Aviso já que esta é uma opinião baseada na "primeira impressão" - as que quase nunca são justas. Vale o que vale somente por isso. Tanto para o bem, quanto para o "menos bem" :D
Então cá vai: LX versus PT
A impressão com que fiquei é que as pessoas do Porto são mais simpáticas. Têm uma carga menos "pesada" na forma de estar. Um energia mais positiva e talvez menos de "fado" (depressiva).
A cidade em si não é tão escura quanto parece- apesar de nunca ter visto o sol a brilhar. Quando chove isso não causa nem metade das inconveniências lisboetas. A chuva não veio acompanhada de rajadas de vento, caiu direitinha ou oblíqua, como um chuveirinho. Em Lisboa fica-se encharcado em dois minutos e as rajadas de vento são tantas e tão simultâneas que é como ser chicoteado com água e frio.
Andar na chuva na cidade do Porto é, por isto, mais agradável. Mas também o é devido ao piso. Mais cinzento mas sem buracos, com boa escoação de água, não tive de me preocupar uma única vez onde metia o pé, não tive de contornar "lagos" formados a meio do percurso, poças de água nem recebi aquele "chuveirinho de água suja" com a passagem dos automóveis na estrada. Em 30 segundos a pisar Lisboa esta foi a primeira enorme diferença que notei: chovia mais, estava mais frio e ia escorregando e caindo umas quatro vezes, devido ao piso excessivamente molhado. Desviei-me de dezenas de poças de água de todos os tamanhos.
Achei o Porto muito turístico e sem atrativos locais. A maioria das lojas estão fechadas a um sábado, mesmo cafés que anunciam o sábado dia de são valentim. Abertas só mesmo as dos chineses e um ou outro café e casa de refeições. Claro que, existe uma pequena excepção para o centro turístico e os pontos turísticos em particular. Nota-se que muito comércio, à semelhança da capital, está há muito fechado e abandonado. Mesmo nas ruas mais frequentadas.
O que mais me surpreendeu? A afluência das pessoas a levar flores até ao cemitério (oriental). Aquilo parecia um shopping, cheio de gente. Uma afluência incrível, a um sábado. Ou será que o "dia dos namorados" tem algo a ver?? Também à porta do cemitério deparei-me com o que mais me impressionou nesta viagem.
O que mais me impressionou? A miséria. A miséria que está por toda a parte e se reproduz e multiplica. Vi um casal a tirar folhas de couve do interior de um contentor do lixo. E uma idosa a espreitar o interior de outro. Não vi um único homem portuense que estivesse a fazer alguma coisa de útil. Nas lojas encontrei mulheres a trabalhar mas os homens -que os havia em demasia - esses deambulavam por ali, parados a ver o tempo passar, ora a fumar. Muitos com aparência de desocupados ou sem abrigo.
E infelizmente, não se pode olhar "dois mississipis" para nenhum, que são capazes de imediatamente se comportarem como se tivesses demonstrado interesse.
O "homem do norte" ficou muito mal representado a meus olhos. A bem dizer a verdade, a determinadas alturas cheguei a sentir algum receio. Eram muitos, quase todos o mesmo ar de andarem por aí... a fazer nada. Suspeito ter sido tomada como prostituta umas tantas vezes quando atravessava uma determinada avenida. Um homem, do outro lado da estrada, que estava parado perto da montra de uma mercearia para a qual eu estava a espreitar, deve ter achado que o mirava, fez-me um aceno e piscou-me o olho.Achei nojento. Outro que nem vi bem, só percebi ser muito velho, quando passei, virou-se lançado para mim, que acho mesmo que me ia abordar como abordaria uma prostituta. Numa rua muito movimentada e turística, um velho passa por mim e lança-me um piropo vulgar que eu faço por ignorar. E a lista continua... Só pervertidos e tarados. Nada de charmosos, inteligentes ou interessantes. Eu sei que já não estou tão jovem mas passei a suspeitar que devo parecer bem pior, para ser abordada por homens que me tomam por uma daquelas que "prestam favores". De um simples "se faz favor" e um "obrigada" podem deduzir que uma mulher está a demonstrar algum interesse neles a nível sexual. Devo estar mesmo acabada.
Os "homens do norte" têm uma certa fama de serem os "machos" que vão direto ao ponto sem muitos rodeios, mas se isso é o que vi, é apenas deprimente e ultrajante.
A simpatia das pessoas que atendem no comércio foi, como disse, geral. Mas como não existe pano que não tenha nódoa, numa determinada cantina de comida low cost encontrei a excepção. Numa jovem rapariga que começou por me atender mas quando comecei a falar já estava a prestar atenção a duas clientes já atendidas ao lado. Estive quase para virar as costas e ir embora. Segurei esse impulso por estar numa cidade que não conhecia, para dar uma oportunidade e não julgar de imediato a atitude da pessoa. Passado um minuto volta a dar-me atenção e ainda por cima repete que as clientes já estavam a ser atendidas por uma sua colega. Sou atendida, para logo a seguir voltar a ser ignorada. Sabem aquela empregada que não esboça um sorriso, nem te olha na cara e depois faz que não ouve? Resisti à tentação de lhe perguntar se era de Lisboa ou natural do Porto, ahahahah! (também, certamente não me responderia). Este local também pareceu frequentado por alguns indivíduos de aparência mais estranha, que ali ficam sem consumir nada, sentados nas mesas, com ar estranho e muito próximos de ti.
E pronto: justo ou não.
Eis a primeira impressão.
Digam "sim" ou "não".
PS: De uma forma generalista, tendo a concluir que a SIMPATIA é algo que existe em mais força em cima (no norte) e vai-se perdendo até chegar lá abaixo (no sul). Porque para ser sincera, tirando poucas excepções, os algarvios também não gozam lá de uma boa reputação nesse sentido. E são os próprios que por vezes o dizem.