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sábado, 8 de fevereiro de 2020

Chovem pontos de interrogação



A boa notícia é que fui capaz de voltar a ler livros. Actividade que se tornou impossível lá por Setembro. Mas por volta de Dezembro, agarrei novamente um livro pela primeira vez. Não era bom, veio o Natal, e não o terminei. Estamos em Fevereiro. Faz sete dias que estou a ler Peter Swanson "Before she knew him". 

Estou a gostar. É uma escrita simples, sem grandes twists, mas que abre a mente para novas realidades interpretativas. O seu contributo maior é esse: por as situações sobre um outro ponto de vista.  

Contudo, aqui e ali, há partes que me remetem para o motivo que me fez largar as leituras. Esta frase sublinhada, por exemplo. Que no meu caso, vem com um ponto de interrogação no final. 

Não ia agir sobre uma fantasia se esta não fosse bem-vinda. 
Mas pensei ter uma amizade.

E por isso, pontos de interrogações caem sobre tudo, que nem chuva miúda (drizzle rain). 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Falsos testemunhos


Alguém sabe onde fica o botão «erase to trash bin» na memória do cérebro?
Hoje dava-me jeito achar esse botão.

Tenho recordado amargos episódios de vida uns atrás dos outros. Em particular vivências de calúnias, falsas verdades, mentiras inventadas, «amigos» que nunca o foram. E nem sequer é nos meus pesadelos. É acordada mesmo. Não quero lembrar nada disto. Porquê será que o cérebro me faz isto? Será que na altura devia ter explodido? Será que é porque não devia ter relevado e deveria ter esbracejado muito mais? Dado uns socos e uns valentes pontapés? Exigido explicações e rectificações?

Dizem que na fracção de segundo em que se julga que vamos perder a vida a nossa vida passa diante dos nossos olhos. Acredito que é verdade. Porque é o que acontece com este tipo de memórias. Elas vão buscar tudo, como num filme, e esmiuçar cada detalhe. E a cada vez parece recordar mais detalhes. Percebendo pormenores que haviam escapado. E não são invenções, são memórias factuais. 


O problema das calúnias e dos falsos testemunhos é que raras vezes se sabe de onde partem. Sabe-se apenas que algo está errado. À nossa volta as pessoas estão a nos tratar de forma diferente, não poucas vezes salta-se de imediato para um clima de hostilidade, ostracismo, ira e má vontade alheia. Mas a pessoa vítima de tudo isto por vezes nem sabe do quê está a ser acusada e condenada. E como os covardes jamais se identificam - ainda mais porque sabem que as mentiras serão facilmente desmascaradas se o fizerem, se calhar é por isso que até hoje estas memórias vêm fazer uma reprise ao cérebro. São memórias com quase 20 anos, outras com mais de 15... E tudo isto é desagradável. Dispensável. Eu lá quero sofrer tudo novamente? 

Acredito que o cérebro tem lá as suas razões. Como refiro acima, pode ser uma forma deste se ensinar que deve ser mais assertivo, esbracejar mais, dar socos e pontapés, exigir explicações e rectificações! Pode ser que seja a forma que o cérebro tem para impedir que se volte a passar por tudo de novo, recordando o passado para que no futuro se possa agir de forma diferente.


As más memórias só ficam muito tempo lá no passado sem grandes "aparições" quando no outro lado do prato da balança está em peso muito superior as boas memórias. Deve ser esse o "botão" que procuro.


sábado, 27 de julho de 2013

Ah, olhem só!!

Eu "cresci" aqui.



Costumava brincar aos Domingos neste jardim. E para meu espanto encontrei esta fotografia antiga, talvez de inícios da década de 50 e fiquei tão surpresa que soltei um ahhhhh extraordinário. A minha surpresa nem é tanto verificar o quanto era diferente a paisagem 30 anos antes de eu aparecer por lá, para apanhar pinhões e subir nas árvores. A minha surpresa mesmo, foi essa pequeníssima árvore plantada nesse local, em primeiro plano. Exatamente no local onde se não me engano está ainda hoje uma árvore que, pelo seu tronco meio "encovado" me permitia subir alto e ficar dependurada num dos ramos. 

Ooooooh!
Que engraçado é ver como uma árvore cresce em apenas 30 anos e como todas elas cresceram e envelheceram mais outros 30 anos nesse local. Infelizmente algumas também já partiram - vítima de desleixo humano ou doença - quem sabe? Há uns anos passei por lá para recordar esses tempos e fiz questão de visitar uma das árvores que me dava mais prazer subir, por seu tronco se dividir em dois em forma de "V" bem junto da zona relvada. Tenho fotos em menina junto a essa árvore. Mas quando lá fui, a árvore havia desaparecido. Os sinais do abate ainda presentes, com pedaços mal cortados de madeira por todo o lado. Trouxe um. Uma lembrança de uma árvore, como se fosse uma relíquia santificada.