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sexta-feira, 14 de julho de 2023

VALE TUDO! (no sentido da novela da Globo, tão atual ainda!)

 Ontem perdi duas horas a separar o correio que vem para esta casa endereçado a pessoas que nunca viveram cá. Logo no primeiro ano, fiz RTS (Devolver ao Remetente) a um molho delas. Mas continuaram a chegar. Tantas que ainda existe na arrecadação uma caixa de papelão A4 daquelas da Amazon cheia de cartas para desconhecidos. 

Todas são AVISOS para pagar contas em dívida. A maioria são de multas de estacionamento. Vigaristas que dão uma morada falsa e andam por aí a circular com carros, sem se importarem em cumprirem as regras, porque se algo de grave acontecer, deram dados errados e nunca vão ser encontrados. 

Empréstimos bancários, empréstimos de estudante, aquisição de viaturas, rendas de casa, contas de telemóvel e internet... Eu fico pasma com a variedade de dívidas. 

Mas nada me preparou para a constatação de burrice e inutilidade que a resposta a um email que enviei anteontem a uma destas entidades gerou. 

Anteontem escrevi à entidade "Student Loans Company", que enviou uma carta endereçada um um P. Cox, supostamente morador nesta casa. Dizia a carta que estavam a tentar contactar a senhora Carina Joana Isabel Cox, que havia lhes dado a sua morada em caso de não a conseguirem contactar. 

"Para nos ajudar a voltar a comunicar, ficariamos agradecidos se pudesse dar-nos os contactos mais recentes da senhora Carina Joana Isabel Cox. 

Para fazê-lo, ligue para o número XXXXX, envie um email para st@xxx.uk ou use o envelope aqui disponibilizado para responder pelo correio, citando a referência acima. 

Sinceramente seu, 

Student Loans Company".

É este o conteúdo do carta. Revoltada por mais uma pessoa estar a fazer falcatruas com esta morada, decidi usar o endereço de email disponibilizado, já que não existia qualquer envelope, para explicar a entidade "Student Loans Company" que tais indivíduos jamais moraram aqui. 

Mais ou menos disse-lhes:

"Olá. No que respeita à carta enviada para o endereço X, em nome de Carina Joana Isabel Cox, informo que tal pessoa NUNCA viveu neste endereço. Nem P Cox.

Em três anos a viver nesta casa, é a primeira vez que surgem envelopes com estes nomes. Infelizmente não é incomum. Para vosso melhor entendimento, infelizmente este endereço é muitas vezes usados por indivíduos de carácter duvidoso, que nunca habitaram nesta casa mas aos quais multas e cobranças estão constantemente a chegar. 

A vossa carta chegou aberta e sem envelope no interior. Tomei a liberdade de vos informar que essa pessoa nunca viveu neste endereço, pelo menos nos últimos 5 anos. Pressumo se tratar de uma dívida. Não sei até onde recua essa dívida mas se for recente, então sem dúvida foi-lhes facultado dados falsos. 

Por favor melhorem a forma como investigam o paradeiro das pessoas antes de lhes darem dinheiro. Eu trabalho árduamente pelo meu. Surpreende-me como é fácil obter dinheiro fornecendo informação falsa. Dinheiro dos contribuintes. 

Lamento não poder ter sido mais útil
"


 A resposta chegou agora. É uma resposta padrão. Tão padrão que... não responde a nada. É muito frustrante perceber que ninguém do outro lado está a prestar atenção. Olhem só o que escreveram:

 " Thank you for your recent email.

Following government guidance, we’ve had to change the way we deliver our
services. We have fewer staff available to answer your queries which means
that it's taking longer than normal to process and respond to anything you
have sent us. We apologise for any inconvenience caused - please be assured
that we’re working hard to restore our Repayment Recoveries services so we
can provide you with any support you need.

We understand that you may be experiencing financial difficulties. If you
have agreed an arrangement to repay your arrears or overpayment of a loan
or grant and can still afford to keep repaying, we’d encourage you to do
so. If you cannot keep repaying your agreed arrangement, please do not
worry. We’ll contact you when we return to normal service, when our
experienced agents will be available to listen to any challenges you may be
facing and provide any help or support you may need. "

É mesmo verdade!!
Aqui em Inglaterra pegas uns 50.000 euros do governo para "estudar" e quando chega a altura de pagar o empréstimo... eles "perdoam". 

Se isto é conteúdo que se preze... Andam os honestos a se desdobrarem em esforços e trabalhos e aos oportunistas e vigaristas é-lhes dado dinheiro, conforto e a consciência de que podem sair impunes, nada lhes acontece. Não existe prisão, não existe pagamento de dívidas. É só receber, receber, receber...

 Enviei o email achando que ia ajudar uma destas entidades de cobrança. Ingenuidade! Acho até que o governo e as entidades NÃO QUEREM encontrar os vigaristas. Levá-los a tribunal e fazê-los pagar, sai "caro". Faz transpirar. É deixá-los... Fingem que se preocupam para a sociedade não lhes cair em cima mas estão-se a borrifar para os que fazem falcatruas. Dispostos a deixar passar. 

VISTA GROSSA

VALE TUDO    

quarta-feira, 12 de julho de 2023

"Somos diferentes" - que o diga as Finanças

 

Por vezes recordo de coisas que me foram feitas e ditas quando me mudei para esta casa há três anos e percebo que já estava ali os sinais de como a M. realmente era. Tanta mas tanta coisa, que é incrível como eu, por ansiar como uma esfomeada por normalidade, continuei a preferir não interpretar pelo pior. 

Recordo que uma das coisas que a M. me disse bem no início, depois de me ter "esmiuçado" de cima a baixo, interrogado, ter feito os seus questionários e até, usar de NUMEROLOGIA de data e hora de nascimento para definir afenidades, foi: "não me vejo a ser tua amiga". 

Ela não é capaz de ser amiga de ninguém - essa é que é a verdade. Mas é uma coisa que não se diz assim, parece-me. Mas foi o que ela me disse, acrescentando que não eramos iguais. No sentido de, ela ter umas tantas qualidades que enumerou e eu.... não. 

Oh! Ela dizer isso, achando que a vantagem estava no seu lado, já diz tudo, não é verdade? O sentimento de grandiosidade do narcisita já a revelar-se. Talvez mesmo uma certo transtorno de personalidade antisocial. 

Mas eu não me abalei nem um pouco. Nos primeiros três meses, existiu cordialidade e muita conversa, onde tudo parecia correr pelo melhor. Embora eu já me sentisse incomodada com comportamentos repetitivos e de total desconsideração que lhe observava. Ainda assim, preferia achar que ela não tinha percepção que os fazia. (Santa ingenuidade!).

Neste tempo, ela e o rapaz do andar-de-baixo já discutiam dia sim, dia não, logo pela manhã. Chegava eu a casa vinda do meu turno da noite, adormecia e em 50 minutos acordava com os insultos trocados entre os dois, aos gritos. 

Daí adiante ela seguia-me pela casa a todo o instante, para fazer queixas dele e de todos os outros. Querendo que eu agisse e baragustasse. Foi muito desgastante para mim. 

A M. nunca deixou de procurar criar conflitos. Apenas foca-se mais intensamente numa pessoa de cada vez. A minha altura ia chegar. E foi este ano em Janeiro, quando o rapaz, finalmente, se foi embora. Agora ela deseja que eu seja a próxima. Estou a contrariá-la, permanecendo nesta residência. 

Segue-me pela casa inteira. Nem 30 segundos me dá - que é o tempo que leva para descer as escadas, abrir o frigorífico e tirar um iogurte, voltando de imediato para cima. Tem alturas em que é 24h/7 obcecada pela minha pessoa. Segue-me, entra dentro do WC se dele acabei de sair, não o usa, vai só espionar. É doente. Faz-me doente também. Tenho receio de me vir a tornar como ela. Mais anti-social. Ou totalmente anti-social. Agressiva ou irascível. Prefiro o isolamento do sossego - sempre fui assim. Mas agora temo me tornar numa pessoa inapta socialmente. Tal são as más influências que me rodeiam e as más situações às quais me sujeitei nesta vida.  

Será que pessoas como a M. nunca se dão mal? Nunca enfrentam as consequências dos seus actos e por mais que aprontem, caiam sempre de pé, que nem os gatos?



Voltando ao tema principal, dela dizer logo de início, muito convicta de si mesma que "somos diferentes". Sim, somos. E ainda bem! As pessoas devem ser diferentes e não todas iguais - para que possamos aprender umas com as outras. Mas ela não tem percepção disso. Mais recentemente, me disse: "Tu não és nada como eu!". Ao que instintivamente lhe respondi com uma sinceridade que deve se ter projectado nitidamente: "Thank God for that!". (Graças a Deus!).

O que a deve ter surpreendido, pois ficou muda. No seu entender, as pessoas devem almejar ser tal como ela. Inteligente, esperta, melhor que todos, sabe tirar benefícios próprios de tudo, levar a dela adiante, etc, etc. 

Mas ser como ela significa, por exemplo, estar cheia de dívidas. Tirar dinheiro de pessoas, instituições e prestação de serviços sem ter intenções de pagar. Surpreende-me que, no Reino Unido, isso seja tão simples. Porque é.

Recentemente recebi uma carta das "Finanças", sobre os impostos que paguei no ano passado. Tenho a receber o valor de £160. Como não reclamei o valor online, irei receber um cheque pelo correio. Hoje fui à caixa da correspondência e lá estava um envelope das Finanças. Mas não era adereçado a mim, mas à M. É fácil de adivinhar o conteúdo. Surpreende-me que, passados meses, ainda seja o mesmo! A leveza do envelope castanho e a sensação fina ao toque já diz o que se trata. É dinheiro em dívida.

A M. DEVE DINHEIRO às Finanças. A primeira carta que tirei da caixa deve remontar a Abril. Desde então já lhe vi outra em envelope castanho. Isto sem prestar atenção. Apenas estando a tirar a correspondência e a colocá-la na beirada da janela, onde a vamos consultar. Só com o primeiro envelope tentei perceber o que dizia. Consegui reconhecer as palavras "dívida" e também "multa". Sendo que a multa era já diária, por ter sido ignorada um contacto anterior.

Presumi que a M. se precipitaria a pagá-la, visto que é uma dívida ao Estado. E ia ter de pagar já com uma multa, eheh. Até recordo de pensar que, finalmente, agora veria-se forçada a arranjar uma ocupação e ir trabalhar! Depois não pensei mais nisso. 


Hoje quando vi aquele envelope das finanças endereçado a ela sentindo a sua leveza nas mãos, lembrei-me logo do que acima descrevi. Senti revolta. Caramba! Nem às finanças ela perde o sossego ou paga as dívidas! Sim, somos diferentes. Eu tenho a receber, ela tem a pagar. Isso diz muito sobre as nossas diferenças. Eu trabalho bastante e desconto. Ela não trabalha quase nada e não paga o que deve. Eu estaria toda temerosa, a querer pagar a dívida o quanto antes, porque dizem que sobe £10 por dia! E ela a deixar os meses passarem. Cada 24h são cerca de 12 euros a mais em que fica endividada. 

E os envelopes castanhos a chegarem, todos os meses... 

Até quando?

Até quando poderá ela safar-se com todas estas tramóias?

Agora temo que o meu cheque chegue pelo correio e seja interceptado por ela, e que ainda acabe por arranjar uma forma de se benificiar. Não que acho que vá acontecer mas, não estou exatamente a tratar com uma pessoa muito correta, estou? 

Vou ausentar-me daqui a uns dias. Não vá o envelope castanho, mas mais espesso, chegar nessa altura. Da última vez que fui de férias, duas semanas, ninguém tirou a correspondência da caixa do correio. Na volta fui eu que o tive de fazer. O que não quer dizer que se repita.

Agora outra curiosidade:

Ao entrar no site das finanças, vi estipulado como o dinheiro que eu paguei de impostos, foi utilizado. Surge assim:


No ano anterior, contribuí com £2.736 para impostos. 

Para minha surpresa e felicidade, quando fui buscar a carta enviada faz umas duas semanas, puxei de um envelope castanho que correspondia ao ano fiscal 2021-2022, ao invés de 2022-2023, o anterior.  Ou seja: dois anos fiscais atrás. E ali estava... um cheque. No valor de £81. 

Ri tanto, mas tanto! Tinha esquecido completamente dele. Havia colocado esse envelope em cima de uma caixa, para ficar bem visível. Porém, ele deve ter deslizado para trás do móvel. Na rotina diária de trabalho e com o stress doméstico, sem o ter à vista, devo ter esquecido da sua existência. Recentemente removi o móvel e arrumei um envelope castanho que encontrei caído, nem tinha percebido do que se tratava. Pensava ser uma documentação solicitada. Datava de Outubro de 2022, mas ainda foi possível descontá-lo. Eu a precisar de um boost de dinheiro lá na altura do Natal.... com £81 caídos atrás do móvel.

Bem sei que não se trata de um presente. É dinheiro restituído por pagar impostos em excesso. Mas é uma boa sensação, ter a receber. Ao invés de ter de pagar ou tudo estar correto. Subitamente foi quase como que tivesse ganho o euromilhões. 

Queria partilhar isto. 


domingo, 29 de setembro de 2013

Territorios e reconquistas Chinesas


Carregue na imagem para ver melhor. Trata-se de um gráfico removido da Wikipédia sobre locais onde foram filmadas cenas para quaisquer filmes da saga 007. Por curiosidade temos Portugal na lista. Mas não é por Portugal que coloquei aqui este excerto. É pela CHINA.

A China conseguiu invadir as economias alheias com os seus produtos e lojas de qualidade inferior. Soube explorar o povo até à escravatura para aumentar o tesouro do país e assim poder comprar empresas no exterior e até, ser credores de parte da nossa dívida. Mas não foi só desta forma que a China conquistou bens e dinheiro. Conseguiu recuperar de volta territórios mundiais pertencentes a outros países com simples acordos. Hong Kong era Britânica e Macau portuguesa, até 1999.

Não entendo muito de política mas entendo de conquistadores. E parece-me existir aqui uma irresistível vontade de conquistar cada vez mais, da forma que realmente se conquista as coisas: pela economia. Qual guerras com armas, qual quê! As verdadeiras conquistas são cerebrais.

E assim a China passou a ser um país que desde a queda do muro de Berlim expandiu-se além fronteiras.
Eu só fico a pensar, eu que não entendo de política, quanto custaria a venda de um território, de um país. Se Macau tivesse sido vendido à China, hoje esta não teria de comprar parte da nossa dívida, nos emprestar dinheiro a juros... E nós não estariamos na enrascada em que estamos! Dar Macau e perdoar dívidas externas milionárias...  Mas por acaso agora perdoam a nossa??

Não que critique o altruísmo, porque faria o mesmo. Mas não governo nada sem ser a minha vida. Não governo um país e toda a sua população, não tenho os seus interesses como obrigação profissional, pelo que a generosidade só pode ser aplicada conforme o que se doa é nosso ou pertence do povo. Têm os governantes direito de doar territórios e perdoar dívidas quando o povo está a crescer na pobreza?

Enfim, reflexões....
E amanhã (hoje) já se vai às urnas, escolher mais alguns para nos governar. Esperemos que bem, pois tão precisados estamos!!

XX