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terça-feira, 7 de maio de 2019

Conseguem entender?



Estou enviando amor a todos aqueles que estão a dar o seu melhor para curarem-se de coisas sobre as quais não querem falar.  

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Cordialidade e mistérios


Uma rapariga que ainda não vi está neste momento a dormir no quarto lá em baixo.

Como é que ela veio cá parar?


Há uns dias, a que dorme naquele quarto ouviu-me ir à cozinha pela manhã e apressou-se a aparecer. Digo isto porque nunca a vejo. É muito raro. Durante três dias o rapaz não estava sintonizado com os horários dela e ela ficou-se pelo quarto. Até pensei que não estava em casa, até perceber que de facto os barulhos que escutava eram os dela a ir à casa de banho.  Fosse de manhã, tarde ou já de noite, ela não apareceu. Nem para mim, nem para os outros. Aí, um belo dia, o rapaz ficou por casa e ela refloresceu ao convívio social. De repente é como se ela "existisse". Escuto-lhe a voz, as conversas, os risos. E depois EU É QUE SOU a flor de estufa!



O problema aqui é que eles se dão relativamente bem. Mas não comigo. Comigo é.. estranho. Não puxam conversa. São incapazes de trocar umas cordiais palavras. Não por iniciativa própria. Sou sempre eu que o faço. Ando a fazer o teste e a ficar calada... a aguardar que sejam eles. Que nada! Quando são eles a faze-lo QUEREM ALGO DE MIM. Sempre, sem excepção. Até decepciona. A "predictabilidade" é total. Se falam comigo... algo se passa. 


E foi o que a rapariga veio a confirmar. "Olha, já disse a todos mais vale dizer também a ti: Uma amiga vem cá passar uma semana. Ela chega dia 27". 


Não é uma pergunta: "posso convidar uma amiga para cá passar uns dias?" Nunca se conversou a respeito de trazer pessoas de fora. O máximo que aconteceu, foi a rapariga que tinha namorado tê-lo cá a dormir algumas vezes. Para meu espanto, percebi que isso não agradou OS RESTANTES. Quer dizer: logo eles, que estão sempre a colocar estranhos dentro de casa, sem dizerem cavaco. O rapaz traz miúdas para ter sexo que dormem cá e saem no dia seguinte bem cedo... para nunca mais voltarem. Estas coisas casuais para eles, tudo bem. Mas uma relação... incomoda-lhes. Foi o que menos me incomodou a mim. Faz sentido. É namorado! O que para mim incomoda mais é este entra-e-sai não sei bem quem-é, não me foram apresentados, não sei o nome - tipo de gente. Como se isto fosse um albergue. 

O namorado da que saiu até foi menos abusivo no usufruto do espaço do que muitos "amigos" que já vi passarem pela casa. 


Ontem de manhã - aliás, já não tão de manhã, quando desci para ir cozinhar, eram quase 11h, apanhei a rapariga do quarto de baixo a sair, a puxar o trolley e de uniforme. Ia trabalhar. Acenei-lhe e sorri para ela, mas ela não fez caso. Dirigiu antes a palavra ao rapaz, que estava na sala, para se despedir. Ele pergunta-lhe quando ela regressa e ela responde: "Prima" - eles são italianos, falam na língua deles. Mas o que é prima? Que eu saiba, é dia 1... 

Só sei que ELA OMITIU A PARTE de trazer uma "amiga" para dentro de casa, sem ela própria cá estar. Afinal "não vai dividir o quarto" com ela. Vai emprestá-lo! O que é muuuuito diferente. 

Mas e que tal CONTAREM ÀS OUTRAS PESSOAS que cá moram? Seria agradável, não?

O que consegui saber ONTEM, foi por iniciativa minha e sempre de forma curta e apressada. Até parece que conversar lhe custa, car...ho. Dar qualquer informação... é proibido. Dali só saem coisas pela metade. Nada é claro, nada é espontâneo. E tudo é calculado. 


O rapaz é o epicentro da casa. Não me espanta que não queira ter outro rapaz a cá viver. É ele, rodeado de mulheres. Essas ele sabe controlar. Sabe seduzir, sabe usar o seu charme para conseguir os seus intentos. E principalmente, deve saber que mulheres com mulheres por vezes não são muito simpáticas. Ele é a típica pessoa que fica EM CIMA DO MURO. 

Ontem, quando desci para cozinhar, o rapaz estava, como de costume, na sala. Mas logo se levantou e saiu. Ai sim? Saíste porque eu cheguei? Optimo. Obrigado por me disponibilizares a sala (fazia mais de 20 dias que não a via vazia). Aproveitei e fui buscar as minhas traquitanas. Instalei-as ali enquanto ao mesmo tempo tratava do almoço. 


Fico com a sala para mim. 

Mal tinha começado a preparar o almoço oiço baterem à porta. Vou ver o que se trata. Quando já a estou a abrir, o rapaz está a descer as escadas. É o correio. Pego na encomenda e entrego-a a ele, que já está ali ao meu lado. Pergunto-lhe, sem tempo para olhar: "É para ti?". 


Pergunto-lhe algo, ao que ele deixa escapar:
- Pensei que era uma amiga.
Fez-se um click, ao que pergunto: 
- Quando é mesmo que a nova rapariga chega?

- Hoje.
- Hoje?! Mas... a P... não foi embora?
- Foi.


Mesmo que me ocorre-se fazer outra pergunta, ele já estava no topo das escadas e a fechar a porta do quarto. Foi este o curto instante do seu tempo que se dignou a disponibilizar para clarificar a situação da casa. 

Não estava apreensiva até a luz desta nova informação. 
Então a amiga não ia cá estar para a receber? Quem era esta pessoa? Ia aparecer dali a minutos ou dali a horas? Como é que ia entrar na casa? 


Passava já das 17h quando tive oportunidade de esclarecer estas dúvidas. Ia a subir quando ele vinha a descer. Mais uma vez, é aquele espaço encurralado que proporciona uma troca de palavras. Pelo menos até a pessoa que desce ou sobe terminar o percurso. (Não é triste e patético??)

Ele descia os degraus tendo trocado a roupa de estar por casa por roupas para sair e eu, no fundo das escadas, perguntei, por preocupação genuína:
"A nova rapariga tem as chaves da casa para entrar? .... Tem a chave do quarto?"

Ele, como sempre, hesita em dar resposta, que será sempre vaga e imprecisa. Por isso é que demora segundos a sair.

- Ela chega mais tarde.  O que não responde à minha questão.

 - Ou vai bater à porta?"- acrescento, preocupada e na dúvida.

- Eu estou em contacto com ela.

Mais uma forma vaga de responder. Já com os pés fora dos degraus, o seu corpo estava agora a preparar-se para virar para entrar na sala.

Mas é tua amiga também? Conheces-a?
-Sim.

E já está na sala.

Pronto. Foi este diálogo apressado que ele se dignou a me facultar. é que nem para, é de passagem mesmo. Parar para trocar cordialidades, só quando quer ALGUMA COISA de mim. Ou quando se quer mostrar de optimo colega de casa.


O fato dele a conhecer deixou-me menos apreensiva. Nao estava a sentir-me assim, até perceber que uma estranha vinha morar para esta casa durante sete dias sem que a sua amiga que a convidou estivesse presente.


Não me surpreende que ele a conheça. Eles são como uma máfia. E sendo italianos, a palavra aqui serve como uma luva. Qualquer conversa é mais em privado, a partilha de informações que diz respeito a todos, fica restrita, etc. Mas tudo, quase tudo, tem a "cabeça" no rapaz. O Rei do nada fazer ou dizer. Uma qualidade vantajosa nos tempos que correm. É a típica pessoa que se vai dando bem. Não tem grandes dissabores (desde que nao lhe peçam para trabalhar arduamente), vai avançando por entre os pingos da chuva... e ninguém lhe quer mal, mesmo quando acabou por ser responsável por alguma contrariedade. 


Eu só não compreendo como é que eles não são capazes de se comportarem como a maioria dos comum dos mortais, e simplesmente dizerem, numa conversa só, o que se passa: "Olha, uma amiga vem para cá uma semana, eu não vou cá estar, mas fulano x também a conhece e vai abrir-lhe a porta, ou emprestar chaves... " . Normal, não?

Esperava algo do tipo: "Portuguesinha, amanhã vou fazer aqui um almoço e convidar uns amigos. É só para te avisar". Ou então quando uma pessoa entra dentro da casa que está a pagar para viver e se depara com um rosto estranho, que a reacção fosse as apresentações: "Olá, esta é a fulana X, uma amiga".

O não ser convidada para participar em festas, almoços, jantares isso não dói tanto quanto a inexistência destas atitudes. Para mim, fazem parte da educação que recebi em pequena. Foi o que sempre vi todos fazerem uns com os outros. Esta nova realidade ainda me apanha desprevenida. 



domingo, 27 de setembro de 2015

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fanatismo Extremista através dos MEDIA


Tenho de falar sobre um fenómeno. Um fenómeno que ocorre entre as massas, que acontece com mais regularidade do que gostamos de admitir. É um fenómeno que me preocupa bastante. Não sei bem que nome lhe dar e decerto que haverá um termo mais preciso para o definir, mas acho que o conheço bem. TRATA-SE do FANATISMO.

Falo do FANATISMO EXTREMISTA, que ocorre entre as MASSAS após algo ser vinculado através dos meios-de-comunicação, em particular a TELEVISÃO. Por isso não vou usar como exemplos rixas entre adeptos de clubes de futebol ou defensores ferrenhos. Vou antes dar como exemplo deste fenómeno, Orson Welles e Adolf Hitler.

Quem?? Esses dois??
Sim. Para muitos não será novidade, para alguns talvez seja. Adolf Hitler foi um grande MANIPULADOR das massas. Ele percebeu o poder dos meios de comunicação e utilizava a rádio para emitir os seus discursos por toda a parte. Passou a controlar os conteúdos emitidos. Mas basta recordar aquelas imagens das multidões a prestar-lhe reverência, para entendê-lo. Imagens essas que hoje existem porque Hitler acreditava que devia documentar tudo o que estava a fazer. Algo que acabou por funcionar contra si mas a favor da Humanidade porque, tem de ser dito, se não existissem filmes das atrocidades cometidas, fotografias e documentos, será que hoje a humanidade ia acreditar no que aconteceu? Longe da vista, longe da percepção... é o que ainda acontece pelo mundo. Massacres, Genocídios, fome, guerras... Como todo o «bom» ditador, Hitler era um indivíduo perigosíssimo, capaz de cometer qualquer acto desumano. O «legado» que deixou documentado e registado em vídeos e imagens não deixam dúvidas.
Mas como era ele pessoalmente, entre os seus? DESCRITO como um CAVALHEIRO, muito educado, cordial e gentil. Charmoso com as MULHERES.
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Orson Welles foi um actor, director e dramaturgo americano que em 1938 e com 21 anos trabalhava como director e locutor de rádio. Era noite de Halloween, as pessoas andavam a questionar-se se os EUA iam entrar na 2ª Guerra Mundial e é neste contexto social que Welles decide interpretar no seu programa um episódio do romance "A Guerra dos Mundos", escrito por H.G. Wells, onde é relatado uma invasão por extraterrestres. A escolha foi pensada e não derivou de um acto inocente como se perpetuou mas a realidade é que este relato assustou alguns ouvintes, que tinham falhado o aviso inicial de se tratar da adaptação de uma história. Alguns telefonaram para a estação e outros pensaram coisas piores e prepararam-se para a invasão alienígena. Embora depois tenham exagerado nos relatos de PÂNICO que a emissão causou e Orson Welles tenha aproveitado a atenção recebida para fazer mais publicidade e acrescentar uns tantos pontos na história, ele conseguiu o que pretendia: MANIPULAR os ouvintes.




Orson Welles veio a público acalmar os ânimos. "Não é verdade" - teve de esclarecer nas entrevistas, entre rejubilo pessoal. Depois deste episódio que orquestrou ficou conhecido por todo o país, acabando por entrar no mundo do cinema. Foi outra figura a utilizar a Rádio para se promover e MANIPULAR pessoas.

No post anterior falei de OJ SIMPSON. Em 1994 esta ex-estrela de futebol americano de bom porte e aparência sentava-se no banco dos réus a ser julgado pelo assassinato da ex-mulher e de um amigo, ocorrido em casa desta com os filhos do ex-casal a dormir no andar de cima. Estranhamente a chacina deu-se fora da habitação, no haal do jardim. O julgamento é televisionado, com emissão em DIRECTO e sem interrupções em alguns canais de informação. Lembro-me de assistir através do satélite a um desses canais: a CNN.


Mas o que me afligiu foi perceber que os Americanos não estavam a olhar para o caso com olhos de ver. Alguns talvez sim mas existiu uma maioria televisionada que se deixou levar por outros critérios. Existe muito «circo» e muita PROPAGANDA em casos de julgamento. A defesa parece uma matilha de cães raivosos que tudo vão buscar ou INVENTAR para ilibar o seu cliente. A fortuna e fama de OJ «comprou», ou melhor, OBSTRUIU a justiça. Decerto que uma das estratégias passou por contratarem pessoas para irem fazer manifestações à porta do tribunal e em frente às câmaras das televisões mundiais. Mas a coisa acabou por pegar tão bem que depressa ocorreu uma ONDA NACIONAL de apoio incondicional a Simpson.

Mulheres e homens, na maioria negros como o acusado, gritavam e protestavam a sua inocência. Acusavam a sociedade de ser racista. Nicole, a ex-esposa assassinada com cerca de 17 FACADAS era branca. O povo estava a olhar para a «embalagem» e não para o acto. Deixou-se claramente MANIPULAR por todas as acções dos advogados de defesa.


A pobre Nicole até pareceu ser uma protagonista secundária no julgamento do seu próprio assassinato. Poucos falavam dela, pensavam nela e na forma violenta e passional em que morreu. Só se lembraram de ver a coisa por cores: PRETO E BRANCO. (deviam lembrar era do vermelho-sangue). Parecia que uma maioria ia para os telejornais defender a imagem de SIMPSON de forma muito acérrima, doentia até. Preocupava-me muito este tipo de comportamento.


(nota: fotografias susceptíveis de impressionar. Nicole foi quase decapitada à facada. O estado do amigo denuncia a violência do acto. Mas como é esta a realidade escolhi publicar as ilustrações. Para quem gosta de ficar mais informado, descobri no processo o suposto relatório de autópsia)

Sabe-se hoje que OJ Simpson é culpado e cometeu os gestos que conduziram ás fotos acima reveladas. É um ASSASSINO. Mas foi inocentado. A proclamação da sua «inocência» alegrou muitos apoiantes e foi dito que, caso isso não acontecesse, a população estava pronta para realizar motins e distúrbios racistas. Senti que aquelas pessoas a dar a cara, que choravam compulsivamente ou gritavam de felicidade, iam acabar por ser confrontadas com estas suas acções. Quando a poeira assentasse e elas fossem olhar para os factos novamente e reflectir na atitude que tomara, teriam de «engolir» o que estavam a fazer. PASSADOS TANTOS ANOS, este FENÓMENO MEDIÁTICO AMERICANO que foi o julgamento de OJ Simpson, não produziu nenhum documentário ou filme de análise. Ao contrário do que esperava não foi ainda fruto de grandes análises psicológicas, como os americanos tanto gostam de fazer. Esperava voltar a ver alguns daqueles rostos que em 1994 surgiram em defesa de Simpson de volta à televisão, a dizer agora como se sentem. Mas não. Ocultaram o fenómeno em vergonha, só pode...

Sobre os atentados do 11 de Setembro de 2001 já se fizeram inúmeros documentários, filmes e programas. Um deles mostrava uma consequência interessante mas negativa para a sociedade e estrutura familiar... As viúvas dos bombeiros do 11 de Setembro foram consoladas por colegas do falecido marido, um gesto comum de camaradagem entre a profissão. Como consequência desta aproximação emotiva, muitos destes bombeiros casados, pais de família, deixaram as esposas para se juntarem ás viúvas. O 11 de Setembro também teve como resultado um impressionante aumento de casos de divórcio entre Bombeiros que fizeram parte das buscas. É um fenómeno social interessante que resultou numa desestrutura familiar sem precedentes: "as viúvas e as não viúvas de bombeiros que acabaram divorciadas" pós-11 de Setembro. Podia ser um facto de desconhecimento geral, contudo não é. Teve, como costuma ser hábito americano, documentários para reflexão. Porquê, aparentemente, o caso de OJ Simpson continua na penumbra?

Mais recentemente e em solo NACIONAL ocorreu um bom exemplo de um destes fenómenos de fanatismo das massas através de um meio de comunicação: a TELEVISÃO. A emissora TVI exibiu um reality show de nome "Casa dos Segredos 2", que chegou ao final no dia 1 de Janeiro. Este programa em particular, embora não vá marcar por aí além a história da televisão porque os reality shows já perderam essa capacidade, foi um dos mais interessantes e ricos em termos da diversidade de personalidades e da análise que o diferente público fez de uma mesma situação.

Como acontece na estrutura da maioria dos Reality Shows, este pautou-se por gerar muitas opiniões contrárias. TODOS viam a mesma coisa, mas cada um tinha uma interpretação por vezes surpreendentemente diferente. Não é por isso de espantar que entrasse na equação desta análise o factor "idade" e "género", para se tentar entender o porquê das opiniões contrárias.

O caso mais exemplificativo encontra-se no concorrente que acabou por se singrar vencedor. João Mota, um rapaz de 21 anos com pretensões para virar actor de televisão. O seu comportamento dentro da casa logo de início caracterizou-se pelo ISOLAMENTO dos restantes concorrentes. Se inicialmente esta atitude foi atribuída como consequência da possessividade de uma concorrente feminina de nome Fanny, que não largava o rapaz nem de dia nem noite, com o tempo começou a perceber-se que o concorrente João gostava de estar separado dos restantes. Começou a afirmar que ninguém ali prestava, acabando por chamar nomes a todos: "Este Paulo é um gajo que só anda por aí a mostrar o rabo, não faz cá falta nenhuma", o Marco era "o macaco, um nojo, não percebia como ainda estava ali", a Daniela P "Não confio nela, fala muito mas não diz nada", a outra Daniela "Uma falsa, uma cobra" e todos, sem excepção, acabavam por merecer por parte do concorrente uma avaliação cheia de adjectivos surpreendentemente nada favoráveis. Na realidade, percebeu-se que João Mota não gostava de ninguém e falava mal de todos, excluindo apenas os poucos com quem estabeleceu alianças. Depois também começou-se a perceber o quanto manipula as nomeações. Para o efeito usava sempre a Fanny, que o defendia acima de tudo, e a mandava indagar e convencer as colegas a votar em quem ele pretendia. Depois quando havia confusão e brigas, ele e o parceiro, Miguel, ficavam isolados e longe da confusão. Como mentores, arranjaram a marionete Fanny. Que não era santa alguma, a rapariga entrou na casa noiva mas em 48 horas agarrava-se muito explicitamente a este João.

João Mota descrevia-se como uma pessoa humilde. Disse que não falava mal de ninguém e se fizesse alguma coisa era porque já lhe tinham feito primeiro. Mota dizia isto e por uns tempos a maioria acreditou, mas como não o demonstrava em acções, depressa a opinião pública começou a mudar. Mas não para alguns. Alguns, perante tudo e mais alguma coisa, mantiveram-se de pedra e cal na defesa da imagem do «menino-lindo».

O ponto de viragem foi a expulsão de um novo aliado do grupo de Mota, Paulo, que revelou seguir a mesma "cartilha" moral de João. Foi nas semanas seguintes que este concorrente destilou tanta maledicência e ódio por tudo e por nada que acabou por tirar quaisquer ilusões sobre o seu verdadeiro carácter. Na casa, João disse coisas atrozes, como desejar a morte a colegas e encabeçar planos para esconder e envenenar comida. Mas por acaso tinha ele integridade para debater algo que o chateasse com a pessoa com quem estava chateado? Será que ele dirigiu-se a alguém para iniciar uma conversa e esclarecer o que o incomodava? NÃO. Pela frente não dizia nada e até era capaz de ser falso e covarde, dando a entender que estava tudo bem quando minutos antes tinha estado a falar muito mal. MUITO PREOCUPANTE. Incapaz de se mostrar outra coisa senão «cordial», ainda que de forma pouco convincente e assustadoramente fria. Manteve, durante três meses, distância de todas as pessoas. Excepto daquelas com quem
estabeleceu uma aliança: Fanny e Miguel. Estes três depressa estabeleceram grupos na casa: o do quarto azul - onde dormiam e os do quarto rosa - todos os restantes. E começaram, para meu espanto e preocupação, a auto-dominarem-se OS PUROS. Só eles é que tinham a razão, eles tinham os comportamentos exemplares, eles é que faziam tudo bem. OS BONS.

Esta alusão à PUREZA e a determinação em eliminar os "Impuros" como chegaram a referir-se a outros concorrentes, faz lembrar aquilo que foi a base dos planos de Hitler aquando o Holocausto - matar todos os que não fossem de raça ariana PURA. Porque analisando bem as coisas, ali estavam aqueles dois rapazes de 20 e poucos anos a ter comportamentos que podem servir de sinal para detectar um indivíduo com potencial perigoso: formação de "quadrilha", ideologia "purista", separatismo, planos de conspiração, manipulação, actos de vandalismo e de atentado à integridade de terceiros.

Contudo depressa a aparência de João Mota gerou uma onda de apoiantes. A grande maioria, sem dúvida, feminina e criança. Numa faixa etária diria que nos 12-14 anos (maioria). Como sei que se alguém tiver paciência para ler todo este post de análise e reflexão sobre o poder dos media na MANIPULAÇÃO DE MENTALIDADES vai logo perguntar de onde tirei esta «estatística», digo já que é pessoal, obtida através da idade admitida ou "denunciada" dos apoiantes que se manifestaram em blogues, facebook e entrevistas de televisão.

Este programa em particular, embora não vá marcar por aí além a história da televisão, foi um bom exemplo para analisar os efeitos da TELEVISÃO na MENTALIDADE do PÚBLICO. Tal como o julgamento de OJ Simpson teve mulheres histéricas a proclamarem a beleza como sinal de inocência, o mesmo aconteceu com João Mota aqui no singelo Portugal e no pequeno Casa dos Segredos2. Uma vez o programa terminado é que se vai ver, tal como sempre acontece, como o público vai reagir fora do calor do momento. Muitos continuam ainda com as hormonas a falar mais alto e atacam, à mínima contrariedade, qualquer opinião não positiva sobre o concorrente vencedor. Os elogios que lhe fazem dificilmente passam do "é lindo" e é "humilde", coisa que caiu por terra na sua prestação na casa.

Na perspectiva de análise dos efeitos dos MEDIA na mentalidade das pessoas, gostava de saber qual é a opinião deste público «defensor acérrimo» daqui a uns anos, quando já tiver acumulado um pouco mais de experiência de vida. Se voltassem a rever cada imagem, continuariam a achar que estão a olhar para um homem «lindo e humilde» ou também já seriam capazes de lhe reconhecer graves defeitos que uma maioria adulta depois lhe reconheceu?